Como a covid-19 afeta o corpo (e por que algumas pessoas ficam gravemente doentes)

A chegada da Covid-19, trouxe dúvidas, questionamentos e dificuldades em entender como o novo coronavírus atinge o corpo humano de uma pessoa que contrai o vírus. Desde sua chegada no Brasil, a Covid-19 matou 131.663 pessoas. Só no Distrito Federal, até o último boletim divulgado, foram  2.899 óbitos. 

Abaixo, uma animação de três minutos que explica os efeitos da covid-19 nos pulmões, no sistema imunológico e na mente. Confira. 

Lembre-se, ao sair de casa, use máscaras!

 

Reprodução: BBC NEWS BRASIL 

Protocolos de volta às aulas em escolas particulares são fracos, diz MPT

Promotor afirma que documento de providências apresentado por escolas de São Paulo deveria ser algo bem mais elaborado.

Os protocolos de segurança preparados pelas escolas particulares de educação básica no estado de São Paulo para a volta às aulas são ”fracos, bem superficiais” na avaliação do promotor Daniel Augusto Gaiotto, do Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP).

Na sexta-feira (11), foi realizada no MPT uma reunião virtual de mediação entre a Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) e o sindicato que representa os donos de escolas, o Sieeesp.

O sindicato patronal apresentou ao MPT proposta de protocolos de segurança para uma eventual volta às aulas, após o período de suspensão para combate à pandemia de covid-19. Na reunião, Gaiotto também disse que “o documento de providências deveria ser algo bem mais elaborado. Parece mais preocupado com os alunos, nada fala do professor”.

“Como o professor vai se aproximar das crianças na escola? Qual equipamento de proteção será usado? Ele levará o caderno das crianças para corrigir em casa?”

A sessão de sexta-feira foi realizada para dar continuidade ao pedido de intermediação do ministério público, apresentado pela Fepesp em agosto. Foi determinado que a federação e o Sieeesp voltarão ao MPT em 25 de setembro. Enquanto isso, vão realizar pelo menos duas reuniões de negociação, em datas ainda a serem determinadas.

Falta de consideração

“Apresentamos recomendações de abordagem e acolhimento de professores e de funcionários administrativos preparadas por fonoaudiólogos e psicólogos, mas o lado patronal não os levou em consideração”, diz o professor Celso Napolitano, da Fepesp.

“Todos os procedimentos se referem aos alunos, que até poderá escolher se volta ou não à escola. E a professora, o professor? E os auxiliares? Eles têm que atender o chamamento da escola, sua ausência pode ser até considerada uma falta grave”.

Para fundamentar a negociação a com o Sieeesp, a Federação dos Professores irá se basear na nota técnica 11/2020 do Grupo de Trabalho Covid19 da Procuradoria Geral do Trabalho (confira aqui: http://fepesp.org.br/noticia/8671/). A nota traz 25 recomendações para o trabalho de professores diante da pandemia. Além de saúde de profissionais de educação, apresenta recomendações sobre ergonomia, direitos autorais de educadores, negociações coletivas e outras.

 
 
Reprodução: CUT

Sinpro-DF inicia Semana Paulo Freire com série sobre vida e obra

“Educar é comprometer-se com a vida”. Essa era o posicionamento do educador Paulo Freire diante da educação. Para contar essa trajetória no mundo do magistério, o Sinpro-DF inicia, nesta segunda-feira (14), a Semana Paulo Freire – 99 anos, dedicada às comemorações dos 99 anos de nascimento do educador e Patrono da Educação Brasileira. Ele afirmava que ler e aprender são condições essenciais para a cidadania autêntica e a transformação do mundo. Mais do que educador, Freire era professor, pesquisador, político e inovador.

Dedicou a vida à educação e levou seu método educativo aos cinco continentes. Atualmente, há cerca de 350 escolas e instituições ao redor do mundo com seu nome. Foi professor da Universidade de Harvard, durante o exílio imposto pela ditadura militar, e, quando voltou, foi secretário de Educação no Município de São Paulo, durante a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina.

Freire entendeu que a educação é um ato político que não pode ser divorciado da pedagogia. O método dele é o que mais atrai o(a) professor(a). Além de ato político, ele definiu a educação como um princípio principal da pedagogia crítica. Para ele, professores(as) e estudantes devem estar cientes das “políticas” que cercam a educação. Esclareceu que a forma como os(as) estudantes são ensinados e o que lhes é ensinado servem a uma determinada agenda política.

“O pensamento paulo-freiriano remete à dimensão política da educação enquanto ação libertadora”, afirma a professora de literatura Vera Fátima Gobbi Cassol, em seu curso sobre o livro “Ação cultural para a liberdade”. Durante o tempo que atuou na Harvard como professor, Freire consolidou algumas de suas obras clássicas. Todas atualíssimas. Nesta série de textos sobre vida e obra de Paulo Freire, que se inicia nesta segunda-feira (14) e vai sábado (19), data de aniversário de nascimento do educador, o Sinpro-DF mostrará momentos marcantes da sua vida que se confundem com a educação e dará sugestões de obras a serem lidas, as quais são seguidas, adotadas, respeitadas pelas melhores escolas, universidades e países do mundo.

A primeira sugestão de leitura é da obra “Ação cultural para a liberdade”. Essa obra, segundo Cassol, “apresenta uma proposta de educação preocupada com o engajamento do sujeito em sua realidade, em seu contexto, apreendendo-o e tornando-se capaz de, ao criticá-lo, iniciar sua compreensão e transformação”.

Ela afirma que, para Freire, “educar está longe da acomodação e da atitude acomodativa pela ação pedagógica. Educar é, desse modo, intrigar, desafiar, desacomodar, incomodar. Educar é agir de modo desafiador e perturbador diante da estrutura socioeconômica e cultural da sociedade de privilégios que vê o eu somente e, mesmo assim, não consegue atendê-lo em sua plenitude por assumir uma fantasia do real descomprometendo-se com a vida, a pessoa e a dignidade humana. Educar é comprometer-se com a vida”.

Sinpro-DF transmite, nesta terça (15), live sobre os pensamentos de Paulo Freire no enfrentamento à pandemia

O Sinpro-DF transmite, nesta terça-feira (15), às 18h, a live da CNTE sobre os “Pensamentos de Paulo Freire no enfrentamento educacional ao contexto da pandemia”. A transmissão conta com a participação de Lúcia Alvarez, da UFMG, e José Batista Neto, da UFPE, e terá mediação de Fátima Silva, secretária Geral da CNTE.

A #LIVEdaCNTE faz parte da “Semana freiriana de lutas pela vida e pela educação pública”, que começa nesta segunda-feira (14) e se encerra no sábado (19), dia do nascimento do educador e patrono da educação brasileira. Esta semana será, totalmente, dedicada à celebração dos 99 anos de nascimento de Paulo Freire. Setembro, por sua vez, é o mês das jornadas latino-americanas de luta em defesa da educação pública, gratuita, laica e emancipatória, contra a comercialização e a privatização: rumo ao centenário de nascimento de Paulo Freire, em 2021.

A “Semana freiriana de lutas pela vida e pela educação pública” faz parte dessa jornada. A programação envolve as entidades do movimento educacional brasileiro reunidas no Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE) e está aberta à participação de todo o povo brasileiro para reivindicar, anunciar, denunciar, agitar, mobilizar e fortalecer as lutas por justiça social.
Clique no link, a seguir, e acesse os materiais de divulgação da campanha: https://sinpro25.sinprodf.org.br/SFcnte

Não perca! Nesta terça-feira (15), às 18h, pelos canais de comunicação do Sinpro-DF no YouTube, Facebook e Instagram.

Sinpro realiza Semana Paulo Freire. Participe!

Em consonância à Semana Freireana de lutas pela vida e pela educação pública, que será realizada pela CNTE de 14 a 19 de setembro, o Sinpro realiza, a partir desta segunda-feira (14), a Semana Paulo Freire. Trazendo como tema de abertura Paulo Freire – 99 anos ensinando a ler o mundo para poder transformá-lo, o evento tem como objetivo lembrar o legado deixado por este grande educador brasileiro, renomado e reconhecido internacionalmente, que infelizmente tem sido atacado neste momento de conservadorismo e retrocessos. A semana reafirma nossa admiração ao patrono da educação brasileira.

A Semana será aberta às 19h com as participações da deputada federal Luiza Erundina; da professora e educadora popular da equipe da Diretoria do Centro de Educação Paulo Freire Ceilândia, Maria Madalena Tôrres; e da professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB), membro do GTPA-Fórum EJA/DF e do FNPE, Maria Luiza Pereira. A mediação ficará a cargo do professor e diretor do Sinpro Jairo Mendonça.

Segundo a diretora do Sinpro Berenice Darc, a ideia é que no mês das atividades pedagógicas o Sinpro abra uma semana especial em comemoração aos 99 anos de Paulo Freire, mostrando a experiência dele enquanto professor, mas, também, como gestor público, quando aplicou seus conhecimentos na Secretaria de Educação de São Paulo. “Infelizmente Paulo Freire tem sido atacado, mesmo colocando a educação do Brasil em outro patamar. Lembra-lo nos seus 99 anos é lembrar esta perspectiva de educação transformadora, da educação que possa dar as condições a jovens e adultos a pensarem um outro mundo para além do mundo da escuridão da falta do letramento. Paulo Freire foi um grande educador e pensou muito na educação no aspecto do amor. Nossa ideia é trazer de volta um pensador que transformou as nossas convicções em um momento tão difícil como este de pandemia, transformando o nosso conceito de educação como um espaço de não somente de ler e aprender, mas ler e aprender para transformar a sociedade”, aponta a diretora.

O evento terá prosseguimento na quarta (16) e sexta-feira (18) e será transmitido pelo Facebook e YouTube do Sinpro, ou Canal 12 da Net. Não deixe de participar!

CNTE promove a Semana Freireana de lutas pela vida e pela educação pública – de 14 a 19 de setembro

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Setembro é o mês das jornadas latino-americanas de luta em defesa da educação pública, gratuita, laica e emancipatória, contra a comercialização e a privatização: rumo ao centenário do nascimento de Paulo Freire, em 2021. Neste ano, a CNTE vai realizar a Semana Freireana de lutas pela vida e pela educação pública, de 14 a 19 de setembro, como parte desta jornada e em celebração aos 99 anos de nascimento do mestre. A programação envolve as entidades do movimento educacional brasileiro, reunidas no Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE) e está aberta à participação de todo o povo brasileiro para reivindicar, anunciar, denunciar, agitar, mobilizar e fortalecer as lutas por Justiça Social.

Confira a programação:

14 de setembro

No primeiro dia de campanha a CNTE vai denunciar a incompetência do Ministério da Educação (MEC) e demonstrar a insatisfação nas ruas, com uma intervenção artística em frente ao MEC, e nas redes, com um tuitaço programado para as 15h – #MecIncompetente.

15 de setembro

É o Dia Nacional de Mobilizações da Educação em Defesa da Vida – nesta data, a CNTE vai reivindicar a aplicação de medidas necessárias para salvar vidas e garantir o direito a educação pública para todos e todas. Em muitos municípios e estados, governos estão marcando retorno às aulas presenciais sem oferecer condições de segurança. A CNTE reforça que aulas podem ser repostas, vidas não – e cobra responsabilidade estatal

16 de setembro

A International da Educação para a América Latina (IEAL) e a Rede Latino-Americana de Estudos sobre o Trabalho Docente (RED ESTRADO) vão transmitir a LIVE comemorativa rumo ao centenário de Paulo Freire às 11h. Evento será retransmitido pelo Facebook da CNTE.

Desde 2017 a IEAL e a RED ESTRADO promovem mobilização continental em memória de Paulo Freire, patrono latino-americano da educação. No centenário do nascimento de Paulo Freire em 2021, a América Latina se reunirá em Recife, Brasil, para lembrar e manter vivo o legado do Professor Freire.

17 de setembro

A CNTE se soma às frentes parlamentares e movimentos da educação para pedir orçamento digno para a educação e respeito à legislação das instituições de ensino. O Ato Virtual em Defesa de um Orçamento Justo para a Educação será às 18h. Leia o manifesto: http://bit.ly/manifesto_educacao_direito e acesse o abaixo-assinado: http://bit.ly/defendaeducacao

18 de setembro
Lançamento da Conferência Nacional Popular de Educação – CONAPE-2022.

19 de setembro
No encerramento da semana, a CNTE vai fortalecer as lutas em defesa da Justiça Social e divulgar em suas redes sociais campanhas de solidariedade, em defesa da taxação das grandes fortunas, pelo fim da Emenda Constitucional 95, pela reforma tributária justa e solidária, pela manutenção dos R$600 de auxílio emergencial, em defesa de uma política de segurança alimentar e nutricional, pelo fim dos despejos durante a pandemia, dentre outros temas que promovem justiça social.

Fonte: CNTE

Sinpro-DF realiza, terça (15), live sobre educação do campo no DF

A pandemia do novo coronavírus têm expulsado, quase que cotidianamente, dezenas de estudantes das escolas do campo do direito à educação básica. Sem acesso às tecnologias da informação, como equipamentos e Internet, dezenas de crianças e adolescentes camponeses não têm acesso à plataforma virtual que o Governo do Distrito Federal (GDF) utiliza para as aulas remotas enquanto é impossível, em decorrência do descontrole total da pandemia, reunir estudantes em aulas presenciais.

Contudo, a pandemia não é o único empecilho que afetam as escolas do campo. O principal problema que tem levado esse segmento da educação a uma crise estrutural é a política econômica neoliberal, de Estado mínimo e concentradora de terras e rendas do governo Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. Essa crise começou em 2016, com a troca, forçada, da política econômica. Desde então, os desafios das escolas do campo são imensos.

Para falar sobre esse tema, o Sinpro-DF realiza, nesta terça-feira (15), às 16h30, uma live sobre “Educação do campo no Distrito Federal: histórico e resistências”, com Ana Carolina Seixas, Clarice Santos e Anna Izabel Costa Barbosa. A live será intermediada por Melquisedek Garcia, diretor do sindicato. “O objetivo da live é esclarecer, discutir, motivar, mobilizar e  contextualizar a sociedade a respeito da educação do campo no DF”, afirma o diretor.

Ana Carolina Seixas é bióloga pela UFRJ, com mestrado em Política e Gestão Ambiental pela UnB e extensão e pesquisa nas áreas de agroecologia, etnobotânica e agrobiodiversidade, formadora em educação do campo da EAPE/SEDF e membro da coordenação do Fecampo. Clarice Santos, é membro da coordenação do FONEC. É professora da Universidade de Brasília (UnB) com doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana pelo PPFH/UERJ (2016), mestrado em educação pela própria UnB e coordenadora do Núcleo de Estudos Agrários –NEAGRI/CEAM/UnB. Anna Izabel Costa Barbosa é educadora com doutoramento em educação do campo, membro do Fecampo desde a sua criação.

Histórico e retrocesso
As convidadas farão um histórico da educação do campo no DF e sua importância, abordando os retrocessos vividos nos tempos atuais e os processos de resistência necessários para reverter tantas perdas de direitos.  A diretoria colegiada do Sinpro-DF destaca a importância da participação dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.

“A crise que as escolas do campo estão enfrentando é o espelho do que poderá acontecer com as demais 683 escolas públicas do DF caso não haja uma resistência não só contra a falta de política para combater a pandemia, mas, sobretudo, contra as ações do governo federal de desmontar totalmente o Estado de bem-estar social, previsto na Constituição”, alerta.

Crise na educação do campo e na agricultura familiar
A diretoria informa que a educação do campo foi regulamentada, depois de muita luta do Sinpro-DF e de outras representações do movimento docente, pela Meta 8 do Plano Distrital de Educação (PDE) e suas 40 Estratégias de atuação para garantir a educação básica do campo à população camponesa do Distrito Federal.

No entanto, faltando apenas 4 anos para finalizar o cumprimento do PDE, previsto para ser executado entre 2015 e 2024, observa-se que o percentual de suas ações está muito aquém do mínimo necessário. Poucas metas e estratégias foram implantadas. O governo Bolsonaro abandonou todas as políticas públicas de fortalecimento da agricultura familiar. Acabou com o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), destruiu a Conab, extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e todos os programas de Estado que financiavam médios, pequenos e microagricultores.

Um deles é o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que existe há 22 anos e é política pública pioneira da educação do campo no Distrito Federal e Entorno. Esse programa tem sofrido com o total abandono do governo Jair Bolsonaro. Ao abandonar esses programas, as escolas rurais são afetadas. Elas estão submersas, neste momento de pandemia do novo coronavírus e de crise econômica por causa das políticas neoliberais, numa crise sem precedentes.

Exclusão educacional e aulas remotas
As aulas remotas revelam ainda mais o abismo de desigualdade. Milhares de estudantes do campo estão excluídos da plataforma virtual, usada pelo GDF, para assegurar educação pública a uma parte dos estudantes. Sem acesso às tecnologias da informação, como equipamentos e rede de Internet, estudantes do campo estão excluídos da educação básica.

“Diante dessa conjuntura, a existência e atuação desse fórum é fundamental na resistência e luta pelos direitos das escolas do campo do DF e entorno”, afirma Melquisedek. A diretoria colegiada do Sinpro-DF, por sua vez, repudia toda atitude que marginaliza a população camponesa e que a abandona sem direitos sociais.

“Este momento de crise sanitária e econômica é a hora em que esse segmento mais precisa do Estado. É a hora dos governos garantirem todos os direitos sociais, como a educação e a saúde públicas para toda a população do campo do Distrito Federal, salvando vidas, fortalecendo e defendendo o Sistema Único de Saúde e dando estrutura para que tenham uma educação que atenda a especificidade da população camponesa, com estrutura adequada, tanto para estudantes como para os/as profissionais da educação”, afirma.

Não perca!

Live sobre “Educação do campo no DF: histórico e resistências”, terça-feira (15/9), às 16h30, nas redes sociais do Sinpro-DF: YouTube, Facebook, Instagram e TV Comunitária (canal 12 da NET).

Venha! Participe! A EDUCAÇÃO DO CAMPO É UM DIREITO!

Salário de professor do ensino médio brasileiro é o pior do mundo, segundo OCDE

A defasagem nas políticas de valorização dos profissionais da educação e a falta de compromisso dos poderes públicos, que descumprem as leis que já existem, colocam o Brasil na liderança do ranking de pior salário pago a professores do ensino médio no mundo.

De acordo com pesquisa feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 46 países, a média salarial brasileira é 13% inferior à média da América Latina.

 

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Em comparação aos países ricos a diferença é maior ainda. O professor brasileiro do ensino médio recebe por ano o equivalente a U$S 25.966, quase metade da média praticada nos 38 países ricos e integrantes da OCDE, que é de U$S 49.778.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Heleno Araújo, afirma que não é só no ensino médio que os professores sofrem com os baixos salários e desvalorização. Além disso, diz, esse cenário é resultado de decisões políticas erráticas, tomadas sem diálogo com a categoria e com a sociedade, e de governantes que não valorizam a educação pública, acessível e de qualidade.

“Ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) houve abandono do ensino médio, porque foi lançado o FUNDEF, um fundo para garantir uma subvinculação dos recursos da educação só para o Ensino Fundamental. Até hoje, não foi possível equilibrar esta diferença com as outras etapas”.

“E ainda temos problemas na aplicação de políticas importantes conquistadas nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma, o que poderiam ter diminuído estas desigualdades”, afirmou Heleno.

O dirigente se refere a dois grandes avanços no período de 2008 e 2014 e que não estão sendo cumpridos. Um é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), de 2007, que proporcionou a regulamentação da Lei nº 11.738 do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), em 2008, e que 16 estados não cumprem, segundo estudo do Dieese “Remunerações iniciais nas carreiras do magistério nas redes estaduais do Brasil” de março de 2020.

Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Tocantins, Pará, Paraná, Bahia, São Paulo, Sergipe, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas pagam aos professores menos que R$ 2.886, 24 por 40 horas semanais.

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Outro avanço conquistado que vem sendo descumprido é a meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014, que já indicava que em 2020 o salário médio dos trabalhadores da educação deveria estar equiparado com o de outros profissionais com a mesma formação. A meta ficou no papel.

De acordo com resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) em relação ao 2º trimestre de 2019 essa disparidade ainda acontece.

A remuneração média de todos os professores brasileiros das redes públicas estaduais de ensino básico foi de R$ 3.262, equivalente a 67,5% da remuneração média das demais ocupações com nível superior, no valor de R$ 4.833.

“Esta desigualdade mostra o descrédito da profissão do professor como se o trabalho dele não fosse importante como o de outros profissionais. E a Lei do piso que consegue diminuir estes impactos, porque permite avanços nesta valorização através do ganho salarial. E eu não tenho dúvidas que sem a PSPN muitos profissionais teriam dificuldades, de certa forma, de fazer o enfrentamento com o Estado para não ficar sem o reajuste”, explicou o técnico do Dieese, Thiago Soares.

De 2009 a 2020 a valorização nominal da categoria foi maior que 200% e se tirar os índices da inflação este número fica em 65,5%, como mostra a tabela abaixo.

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Apesar do PSPN ter avançado nestes últimos anos, Thiago lembra que a Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo aprovada no governo Lula com muita pressão da CUT e seus sindicatos também ajudou a contribuir com a melhora dos índices.

Mas sem Lula, sem PNSM, que o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) extinguiu e com este Congresso Nacional, a valorização dos professores está ainda mais ameaçada.

Segundo Heleno, a perspectiva de melhora no PSPN estaria no Fundeb permanente que foi aprovado recentemente e que prevê o aumento da participação da União de 10% para 23% até 2026, mas a questão está comprometida.

“Para que o piso nacional seja reajustado de forma justa é preciso regulamentar uma lei, mas esta é uma questão que está ameaçada pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), que quer desenterrar uma lei de 2011 que reduz o índice de reajuste. Conseguimos segurar até agora para que este projeto não vá para frente, porque caso siga adiante o piso será reajustado só pelo índice da Inflação e aí a perspectiva de melhora nos salários da categoria morre”, afirmou Heleno.

Qualidade x salários

A professora da Universidade Federal do Paraná, Andréa Gouveia, que tem inúmeras pesquisas, inclusive internacionais, disse que algumas mostram que alguns elementos fazem diferença em características de boas escolas.

Segundo ela, são profissionais com alta formação, que conseguem se dedicar ao seu trabalho em uma escola, planejar as atividades e se atualizar e isso passa sim por um salário decente.

Além disso, os países mais ricos recrutam seus professores entre os jovens com o melhor desempenho nas universidades. “Como você atrai os melhores profissionais para uma profissão que não é valorizada?”, questiona.

“Numa sociedade de mercado, como que a gente vive, a valorização passa sim pela remuneração e o reconhecimento no trabalho. Além disso, passa também por você poder viver com boas condições a partir do seu trabalho”, explica a professora.

A professora também ressalta que valorizar a formação e os professores faz com que a profissão continue a existir.

“Os nossos alunos brasileiros vivem uma desigualdade sem tamanho e têm na escola a única alternativa para poder ter uma formação e por isso que é fundamental que tenhamos bom professores. É preciso atrair jovens para vir para o magistério e ficar nessa profissão porque acabamos perdendo esses professores por conta dos baixos salários e condições precárias de trabalho”, finaliza a professora.

(CUT Brasil, Érica Aragão, com edição de Marize Muniz, 11/09/2020)

Reprodução: CNTE

 
 

 

 

 

Sinpro adere a ação solidária para ajudar trabalhadores dos Correios

A diretoria do Sinpro está aderindo a uma ação solidária aos(às) trabalhadores(as) dos Correios. A categoria está em greve há 24 dias e como represália a direção do órgão cortou os salários destes(as) trabalhadores(as), que lutam pela manutenção de seus direitos. A retirada dos salários foi feita antes mesmo do julgamento da greve na Justiça do Trabalho, medida totalmente ilegal e intransigente.

Com o objetivo de ajudar estes(as) trabalhadores(as) neste momento crítico, o Sinpro, outras entidades sindicais, entidades de classe e trabalhadores(as) de outras áreas vão recolher alimentos não perecíveis para a montagem de cestas básicas.

Os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais poderão entregar suas doações na sede do Sinpro (SIG) de 14 a 18 de setembro. Os(as) interessados(as) ainda podem entregar os alimentos na Setor Hospitalar Sul QD 01, Bloco A, Loja 14/17, Galeria do Hotel Nacional, ou fazer doação em dinheiro para a conta abaixo:

Caixa Econômica Federal

Agência 002

Operação: 003

Conta Corrente: 4667-7

CNPJ: 60.563.731/0004-10

Participe!

Pandemia ameaça regras do processo seletivo simplificado para contratação temporária

A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que, conforme previsto, a Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF) deu início ao processo que autoriza a contratação temporária de professores(as) substitutos para a rede pública de ensino por meio de processo simplificado sem data marcada até o momento.

A última seleção, realizada em 2018, com validade de um ano, foi adiada por igual período, cumprindo a Lei nº 4.266/08, que só permite a prorrogação de processo seletivo simplificado para contratação temporária uma única vez.

Contudo, diante do quadro que a pandemia nos impõe, por precaução, a SEEDF formalizou uma consulta junto a Procuradoria Geral do Distrito Federal (PGDF) para analisar a possibilidade de nova prorrogação do processo seletivo que ocorreu em 2018, caso o próximo processo seletivo para o ano de 2021 seja inviabilizado pela excepcionalidade atual.

Essa imprevisibilidade faz com que os(as) professores(as) substitutos(as) acompanhem a situação estudando e se preparando para qualquer das possíveis decisões tomadas pela SEEDF, uma vez que eles(as) contam com as condições jurídicas que garantem os direitos fundamentais na contratação do profissional de educação substituto no serviço público.

É importante, neste momento, para além de entender a dificuldade trazida pela pandemia da Covid-19 para a realização da prova, saber que existem limitadores legais para uma nova prorrogação desse processo seletivo, mas que, ao mesmo tempo, são os que garantem a lisura e a segurança jurídica que oportunizem um processo democrático de seleção.

 

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