‘A epidemia em São Paulo não permite volta às aulas’, avalia médico do Albert Einste
Jornalista: Leticia
Hélio Bacha, consultor da Sociedade de Infectologia, vê na volta às aulas em São Paulo um risco para toda a população
“A epidemia em São Paulo não permite pensar em volta às aulas.” A afirmação é do doutor em infectologia Hélio Bacha, médico do Hospital Albert Einstein e consultor técnico da Sociedade Brasileira de Infectologia. Segundo Bacha, sem vacina e nem medicamento eficaz, o isolamento social é a única medida efetiva de controle da pandemia. E a suspensão das aulas presenciais “é fundamental para manter a condição de isolamento eficaz”.
“Eu não sei quando vai reabrir (as escolas). Mas sei que agora não deve. Nessa condição de agora, até acenar com a possibilidade de reabertura em setembro é uma sinalização equivocada para a sociedade. Certamente as UTIs estão em níveis melhores, mas a epidemia ainda está ativa”, defende.
Segundo dados do governo João Doria (PSDB), a educação em São Paulo envolve 13,3 milhões de pessoas, entre estudantes, professores e outros trabalhadores. Esse total corresponde a 32% da população do estado. Destes, 2,3 milhões estão na educação infantil, 7,6 milhões nos ensinos fundamental e médio, 2 milhões no ensino superior, 1 milhão na educação complementar e 428 mil no ensino profissional. Bacha ressalta que é preciso considerar que todas essas pessoas vão circular também no transporte coletivo, nas ruas e, depois, voltar para casa.
“Poleiros”
“Temos que saber como aquela população chega à escola, qual o impacto no transporte coletivo. O transporte é uma grande dificuldade dessa condição atual, com a volta às aulas em São Paulo. A presença de professores e alunos não diz respeito apenas ao prédio da escola, é uma ameaça a todos”, afirmou Bacha, em audiência pública virtual, realizada nesta terça-feira (28) pela Assembleia Legislativa, por iniciativa dos deputados petistas Professora Bebel e Emídio de Souza.
O doutor em infectologia lembrou que a Itália ainda não teve volta às aulas. O país europeu teve uma situação bastante grave no início da pandemia e está cerca de dois meses na frente do Brasil em relação à evolução dela. Atualmente, registra significativa redução do número de casos, internações e mortes. “E nós aqui, no meio da pandemia, querendo que os professores voltem. Nós vamos colocar a volta às aulas com um bando de crianças como ameaça ao professor? Qual é a garantia que esse professor tem de que a saúde dele vai ser preservada?”, questionou.
Bacha explicou que, embora o potencial de transmissão do coronavírus em crianças menores de 10 anos seja baixo, colocar crianças pequenas para conviver, em salas pequenas, com pouca ventilação, é reiniciar a pandemia.
“Educação infantil, crianças até pré-escola, eu não vejo como voltar às aulas. Pelo comportamento. A arquitetura de hoje, salas de aula ‘poleiro’, nunca mais. Vão voltar às aulas, mas não com essas condições de higiene, de ventilação. O ensino, dependendo da faixa etária, tem condições diferentes de resolver. Mas não se pode impingir isso dessa forma: dia tal vai voltar”, disse.
“Vacina e educação”
O consultor ponderou, no entanto, que não se pode condicionar a volta às aulas em São Paulo a uma vacina, já que a produção de um imunizante é incerta. “Esse não pode ser o critério, se não houver vacina não há mais aula. E se não houver vacina? Nós não sabemos nem sequer o quanto a infecção natural tem de resposta imunológica, imagine a vacina. Nós temos esperança que ela vá funcionar, mas não necessariamente vai funcionar em um ano, dois anos, três anos. Se não funcionar não vai mais haver educação no mundo?”
A deputada Professora Bebel, também presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp), defendeu a necessidade de os prédios estarem adaptados para receber os alunos. Segundo ela, não se trata de um embate com o governo e sim da preocupação com a vida das pessoas que ali vão circular. “Não é questão de briga com o governo. É uma questão de condições. Não basta diminuir o número de alunos. A escola também precisa ser um espaço mais aberto, mais arejado”, afirmou.
Emidio de Souza ressaltou que o governo Doria precisa ouvir os professores, estudantes e as famílias. “A decisão de um governante nessa pandemia pode definir a vida ou a morte de milhões de pessoas. Não podemos aceitar que as decisões que envolvem a vida de milhões de pessoas sejam tomadas sem o mínimo de debate. Nós não podemos arriscar. Estamos tratando de vidas humanas e ninguém pode brincar com isso”, disse.
Retomar as atividades nas escolas é expor mais vidas ao risco de contaminação pela covid-19
Jornalista: Maria Carla
A comissão de negociação do Sinpro-DF se reuniu, na sexta-feira (24), de forma remota, com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) para debater o cronograma de retorno às atividades letivas presenciais e encaminhamentos relacionados às atividades virtuais.
Ela informa que, após o encontro, a secretaria publicou nova circular com explicações acerca de deliberações anteriores relacionadas às atividades escolares desempenhadas neste momento de crescimento acelerado do novo coronavírus. Afirma, também, que, em relação ao calendário escolar, a SEEDF disse que ele depende das condições em que pandemia estiver no Distrito Federal, podendo haver alterações.
A SEEDF afirmou que tem se baseado na curva de contaminação para tomar decisões, pôr em curso providências, delimitar restrições e suspender ou não o calendário escolar vigente. Dentre as ações, destaca-se a proibição de qualquer tipo de reunião presencial para qualquer assunto nas unidades escolares. Confira no final do texto as deliberações da reunião.
A diretoria colegiada destaca que, embora tenham ocorrido avanços pontuais na sexta, faz-se necessária a realização de um profundo e maduro debate sobre a gestão de crises sanitárias e do dinheiro público, a inclusão educacional e o respeito à classe profissional do magistério público do DF. Ela ressalta que esses são conceitos basilares para a efetiva justiça social, trabalhista e educacional.
“O retorno à vida normal está ocorrendo aos trancos e barrancos, como tem feito o governo federal, sem o devido cuidado e com o consequente aumento acelerado das contaminações e mortes pelo novo coronavírus. O Brasil nunca sai do pico da pandemia em razão dessa atitude. Isso tem provocado intensa ansiedade na categoria. A real possibilidade de contaminação pela covid-19, a ausência de milhares de estudantes excluídos das plataformas e a situação dos gestores(as), professores(as) e orientadores(as) educacionais sem equipamentos e web essenciais para sua produção acadêmica têm provocado profunda angústia e adoecimento”, avalia a diretoria do sindicato.
No entendimento dos(as) diretores(as), a reprodução das ações do governo genocida de Jair Bolsonaro (sem partido) pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), ao determinar a volta às aulas durante uma pandemia altamente letal e em crescimento desenfreado no Distrito Federal, denuncia a falta de cuidado com a população e com funcionalismo público. Revelam também o desinteresse em resolver tanto o problema da pandemia como o da educação pública.
O foco do bom gestor em todos os momentos, mas, sobretudo neste, de crise sanitária, é investir os recursos financeiros públicos na saúde e na educação públicas para garantir a vida com saúde das pessoas e assegurar as atividades virtuais da escola pública a todos os estudantes da rede. “Não se melhora a educação e não se promove a inclusão educacional sem priorizar e ampliar os investimentos financeiros no setor neste momento de crise”, afirmam os(as) diretores(as).
A diretoria ressalta a importância do Fale com o Sinpro. Por meio desse serviço, o sindicato tem oferecido à SEEDF o contato e o conhecimento dos problemas vivenciados nas plataformas e nas escolas, em momentos presenciais. Com o serviço, a entidade tem enviado, diariamente, os questionamentos da categoria e da comunidade escolar para a SEEDF. O Fale com o Sinpro tem proporcionado agilidade no retorno aos questionamentos da categoria. Confira, a seguir, os encaminhamentos da reunião de sexta-feira (24).
Testagem De acordo com o cronograma apresentado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), a testagem da categoria está prevista para ocorrer entre os dias 3 e 14 de agosto. Porém, está a cargo da Secretaria de Estado da Saúde (SES-DF) apresentar um cronograma e uma logística que atendam às condições e viabilizem a testagem.
É preciso construir uma estratégia e verificar se há condições de efetivar essa testagem em milhares de servidores. É preciso observar como anda o atendimento na rede pública de saúde do DF que, a todo momento, se vê notícias de pessoas com dificuldades para acessar o teste, as UTI, aos medicamentos e outros recursos de combate à covid-19. Sabe-se que falta o teste para pessoas que buscam a Saúde Pública do DF.
A SEEDF informou que a SESDF apresentará também uma estratégia de acolhimento de estudantes quando ocorrer o retorno às aulas presenciais e que as providências estão sendo tomadas para que as escolas tenham os medidores de temperatura, tapetes, lavatórios, máscaras, álcool 70% e outros instrumentos para prevenção à covid-19, conforme determina o protocolo.
O lançamento da campanha de higienização começou, nesta segunda-feira (27/7), pela escola Urso Branco, no Núcleo Bandeirante, com entrega de álcool e máscaras e a sanitização do estabelecimento, com higienização do prédio, colocação de tapetes, instalação de lavatórios, entrega de equipamento para conferência de temperatura.
Cestas Verdes Após muitas denúncias dos gestores sobre a falta de condições e do risco de contaminação pelo novo coronavírus na entrega da Cesta Verde às famílias de estudantes, a SEEDF concordou em postergá-la. Diante dos riscos apresentados e do quadro grave do avanço da pandemia, houve o entendimento da necessidade de prorrogação da entrega, cuja retomada está prevista para recomeçar na segunda quinzena de agosto. Ainda assim vai depender das condições em que o DF estará em relação à pandemia e será iniciada pelas cidades em que as condições forem mais favoráveis, ou seja onde a pandemia estiver mais controlada.
Além disso, foi definido que está eliminada a burocracia da assinatura de um recibo por parte do representante da comunidade escolar da cesta que ele estará recebendo. De agora em diante, será um único recibo, assinado pelo(a) gestor(a) da unidade escolar, acusando o recebimento e reconhecendo a quantidade de alimento recebida.
Continuamos cobrando e solicitamos ao secretário de Educação que buscasse outra estrutura para efetuar essa distribuição, uma vez que se trata de uma ação de assistência social, portanto, é a área de assistência social que deve assumir a entrega das Cestas Verdes. Esse foi o nosso pleito e afirmamos que não é atribuição dos gestores de escolas entregá-la, uma vez que caracteriza um serviço assistencial.
Reconhecemos a necessidade de essa política ser feita com profissionalismo pelo GDF, que é necessário o alimento chegar às famílias que dele precisam, que é também importante garantir a sobrevivência da agricultura familiar para que os(as) pequenos(as) agricultores não fiquem no prejuízo, até porque tem o período certo da colheita. Contudo, reafirmamos que a entrega das cestas é atividade específica da assistência social e deve ser feita por esse setor.
Aplicativo e Internet A nova circular define o tempo máximo que cada professor(a) deverá ficar no aplicativo. Ele(a) só pode atuar na plataforma por, no máximo, 3 (três) horas. Não haverá delimitação de tempo mínimo para preservar a autonomia do planejamento da escola. A regra vale para professor(a) e estudante. A Internet, que estará disponível até o fim de julho, início de agosto, é restrita e combinada com o aplicativo para professores(as) e estudantes.
Reuniões presenciais Está proibida a realização de reuniões presenciais. Não há nenhuma orientação para que haja coordenações ou reuniões presenciais.
Material impresso O Sinpro-DF é, veementemente, contra a presença de servidores(as) seja lá quem for, incluindo aí a equipe gestora e a comunidade em geral nas unidades escolares para quaisquer atividade presencial. Esse tipo de contato só agrava a situação e o risco de contaminação pela covid-19. O entendimento do sindicato é que deve haver a imediata suspensão de qualquer tipo de atividade presencial. O que precisa ser feito é o governo resolver, definitivamente, a situação dos(as) que estão excluídos(as) para que tenham acesso à Plataforma ou outro tipo de recurso tecnológico, evitando, assim, neste momento, a presença de qualquer pessoa na escola.
Para isso, apresentamos nosso pleito solicitando a suspensão de qualquer atividade presencial. Entendemos que a solução não pode ser que só a equipe gestora fique encarregada da entrega de material porque ela também estará exposta. A equipe gestora não está fora de perigo e nem faz parte de um grupo seleto de humanos que está isento de receber a contaminação do novo coronavírus. Defendemos que ninguém faça esse serviço.
Contudo, diante da persistência da SEEDF, defendemos que, no caso do gestor, a logística adotada deve ser outra, com equipes especializadas e devidamente paramentadas para executar a distribuição de material impresso. No caso do(a) professor(a), somente 4 dias após o material estiver guardado na escola é que ele(a) deverá buscá-lo para eventuais correções.
Caso essa entrega de material impresso não seja extinta, o(a) gestor(a), por sua vez, deverá criar uma forma de recebimento desse material sem precisar ter contato nem com ele nem com a comunidade escolar, como, por exemplo, instalando uma caixa na qual os pais irão depositar os impressos. Enfim, para evitar o contato, deverá criar uma logística para esse recebimento.
Respeito à privacidade nas salas de aula virtuais A orientação da SEEDF é que fique bem claro que não há necessidade nem orientação para que outros profissionais circulem pelas salas de aula virtuais.
Relatórios Com relação aos relatórios, foi informado que não há solicitação, neste momento, porque a SEEDF está concluindo as orientações para nova forma de produção dos relatórios/avaliação.
Financiamento dos computadores A SEEDF está em processo de negociação para o financiamento de equipamentos pelo BRB. Vale destacar que, seja ele qual for essa negociação, ela acarretará a cobrança de taxa, embora tenha sido dito que será uma taxa especial.
Plataforma A comissão de negociação cobrou e apresentou à SEEDF a preocupação com os estudantes de Ensino Médio que, com a manutenção da data dos exames do Enem, terão prejuízos. A SEEDF apresentou como alternativa a busca de uma plataforma gratuita que possa oferecer, especificamente, conteúdos para esses estudantes que farão o Enem.
Contrato temporário A SEEDF se comprometeu a buscar uma forma legal que possa estender o período da licença uma vez que a legislação vigente do contrato temporário não permite. Com relação à vigência do contrato temporário, foi solicitada a prorrogação de acordo com o novo calendário escolar.
Estratégia de matrícula e remanejamento A SEEDF iniciará reuniões com os sindicatos da educação para pensarem juntos o que fazer. Não há nenhuma definição. As providências já estão sendo tomadas. Já fecharam convênio para higienização de todas as escolas.
O(a) servidor(a) público sofreu mais um duro golpe. Após sanção da Lei nº 173/2020 pelo presidente Jair Bolsonaro, que congela as carreiras do serviço público, o governador Ibaneis Rocha seguiu o mesmo rito aplicado pelo Governo Federal e congelou as carreiras dos(as) servidores(as) da capital federal.
A carreira magistério, para os cargos de orientador(a) e professor(a) da Educação Básica, não deveria ter sido congelada se Bolsonaro não tivesse vetado a excepcionalidade que o Congresso Nacional havia fixado no dia da votação da lei. No entanto, no dia em que a lei foi sancionada, dia 28 de maio, Bolsonaro vetou a excepcionalidade, causando, para o magistério, prejuízos relacionados não apenas de congelamento salarial, mas também de um congelamento da própria estrutura da carreira, com um dano significativo em várias situações.
O GDF, especificamente as secretarias de Educação e de Economia, fez a interpretação da nova lei e mesmo antes do Congresso votar se derrubará ou não o veto feito pelo presidente, decidiu implementar na rede pública de ensino os efeitos desta nova lei, das quais vamos destacar como as duas secretarias interpretaram a aplicação na estrutura de carreira dos(as) professores(as) e orientadores(as).
Congelamento salarial
A partir do sansão da Lei nº 173/2020, ficam congeladas as carreiras e proibidas a concessão de novos reajustes salariais até 31 de dezembro de 2021.
Adicional de tempo de serviço (Anuênio)
Ficam congelados os dias que são contabilizados para a concessão do benefício de anuênios. Portanto, quem completou mais um ano de serviço público até o dia 27 de maio terá concedido o seu adicional de tempo de serviço. Porém, os que iriam completar a partir do dia 28 de maio, esta concessão está suspensa e só será retomada a contagem dos dias para se concluir o ciclo de um ano de trabalho, que gera mais 1% no seu anuênio, a partir do dia 1º de janeiro de 2022.
O Sinpro ainda ressalta que o efeito catastrófico desta legislação é de que este período compreendido entre 28 de maio de 2020 a 31 de dezembro de 2021 não será restituído para efeitos financeiros no futuro. Trata-se, portanto, de um prejuízo permanente que está sendo imposto pelo governo Bolsonaro aos(às) servidores(as) públicos(as) estaduais, municipais e do Distrito Federal.
Progressão vertical por tempo de serviço
Ficam proibidas as progressões relacionadas à contagem de tempo de serviço. Na estrutura da Carreira Magistério, ao completar mais um ano de serviço, os(as) professores(as) progridem um padrão na sua estrutura da carreira até alcançar o Padrão 25. Esta progressão está congelada desde 28 de maio de 2020 até 31 de dezembro de 2021.
Os dias que faltavam para serem completados e para que o avanço deste padrão fosse concedido serão reiniciados a partir de 1º de janeiro de 2022.
Progressão vertical por mérito
Na Carreira Magistério, esta progressão é mais conhecida como aquela realizada a cada cinco anos de serviço, momento que os(as) professores(as) e orientadores(as) entregam um curso (Somatório/180h) e têm o direito a progredir mais um padrão, além da progressão pelo tempo de serviço do ano anterior.
Neste caso o Sinpro chama a atenção para a situação que se o(a) professor(a)/orientador(a) até o dia 27 de maio tiver completado o ciclo de cinco anos e está devendo apenas a apresentação do curso, ele(a) poderá apresentar o curso, mesmo neste período de congelamento, e terá a progressão validada. Caso o(a) professor(a) não tenha concluído o ciclo de cinco anos desta progressão até 27 de maio, neste caso ele(a) só poderá contabilizar os dias restantes para a concessão deste benefício de progressão a partir de 1º de janeiro de 2022.
Licença-prêmio/licença-servidor
Estes benefícios são concedidos ao(à) servidor(a) quando o(a) mesmo(a) completa o ciclo de cinco anos de efetivo exercício. Com o congelamento, quem completou até 27 de maio o ciclo de cinco anos, terá concedido a sua licença prêmio. Agora, quem completar os cinco anos a partir do dia 28 de maio, não será concedido o benefício. A contagem de dias para a concessão deste benéfico será reiniciado a partir do dia 1º de janeiro de 2022.
Assim como já foi dito anteriormente, o efeito é de que entre 28 de maio a 31 de dezembro de 2021, todos os dias não sejam computados para efeito de concessão de um novo quinquênio. Mesmo depois de 1º de janeiro de 2022 este período de congelamento não será contabilizado para feito da concessão do quinquênio.
Ampliação de carga horária
Durante o período de congelamento salarial, será entendido que a ampliação de carga horária se tornou uma despesa que não pode ser mais executada. O efeito é que os atuais professores(as) e orientadores(as) com matrícula de 20h que desejam ampliar a carga-horária não poderão realizar isto até o dia 31 de dezembro de 2021.
Portanto, o Sinpro alerta que aqueles(as) que já solicitaram redução de carga horária reavaliem a solicitação, tendo em vista que a ampliação desta carga horária não será concedida antes de 1º de janeiro de 2022. A mesma recomendação vale para aqueles(as) que estavam pensando em solicitar uma eventual redução de carga horária. A ampliação não ocorrerá antes de 1º de janeiro de 2022.
O QUE NÃO ESTÁ CONGELADO
Abono de permanência
O abono de permanência, preenchidos todos os requisitos, continuará sendo concedido aos(às) professores(as) e orientadores(as) que fazem jus a ele.
Progressão horizontal
Trata-se da progressão relacionada à apresentação de título de pós-graduação na Carreira Magistério público do Distrito Federal. Orientadores(as) e professores(as) devem estar atentos porque este benefício NÃO ESTÁ CONGELADO.
A qualquer tempo que o(a) professor(a) concluir seu curso de pós-graduação, como esta progressão não depende da contagem de tempo de serviço, poderá ser apresentado a qualquer momento que o(a) professor(a) estiver de posse do certificado/diploma.
O Sinpro orienta que os(as) 821 professores(as) que estão em processo de tomar posse façam a entrega do seu curso de pós-graduação a partir do primeiro dia de exercício, tendo em vista que este benefício começa a ser implementado na sua carreira a partir do mês subsequente ao do mês de apresentação da certificação.
Derrubada do veto
A diretoria do Sinpro, a CUT e a CNTE estão trabalhando desde o momento que o presidente Bolsonaro vetou a excepcionalidade de alguns trabalhadores em relação ao congelamento salarial e das carreiras proposto pelo governo, para que a Câmara Federal e o Senado apreciem o veto e o derrubem.
O veto de número 17 pode entrar em sessão conjunta do Congresso Nacional a qualquer momento, inclusive já houve momentos em que a sessão foi agendada, mas o Congresso entendeu que outras demandas tinham prioridade e a sessão foi cancelada.
A categoria deve ficar atenta porque a diretoria do Sinpro poderá convocar todos para mobilização digital a fim de pressionar os parlamentares a derrubar este veto. Este veto e vetos de outras leis estão sobrestatando a pauta. Por isto, a qualquer momento deve entrar em pauta para ser analisado pelos parlamentares.
Nossa mobilização digital conseguiu fazer com que tanto a Câmara quanto o Senado criassem a excepcionalidade, que posteriormente foi vetada por Bolsonaro. Vamos cobrar agora a mesma responsabilidade dos parlamentares e o compromisso que fizeram ao fazer em seus discursos em defesa dos trabalhadores da área da Educação.
Exigimos que o veto 17 seja derrubado pelo Congresso Nacional.
Sinpro realiza Live com a comunidade escolar nesta quarta (29)
Jornalista: Luis Ricardo
O Sinpro realiza uma Live com a comunidade escolar nesta quarta-feira (29), às 19h30. A Live terá como tema Pais, mães, estudantes, escola e pandemia: Vencendo desafios.
Diante de uma pauta tão atual e importante, convidamos os pais, mães e estudantes a participarem desta Live.
A transmissão será feita simultaneamente pelo Facebook e Youtube do Sinpro, além do Canal 12 da NET.
SINPRO CONVIDA GESTORES PARA REUNIÃO NESTA TERÇA (28)
Jornalista: Leticia
O Sinpro convida todos(as) os(as) gestores(as) de escolas da rede pública de ensino para uma reunião com a direção do sindicato nesta terça-feira (28), às 16h30. A reunião terá como tema Educação em tempos de pandemia.
A reunião será feita pela plataforma “Zoom”. Se você ainda não instalou o aplicativo do “Zoom”, o link te direcionará para a ‘Play Store’ (celulares Android) ou ‘App Store’ (celulares Apple).
Para baixar em celulares Android: https://play.google.com/store/apps/details?id=us.zoom.videomeetings
Para baixar em celulares Apple: https://apps.apple.com/br/app/zoom-cloud-meetings/id546505307
Os(as) interessados(as) em participar da reunião deverão confirmar participação pelo telefone 99685-4997, para que possam receber o link uma hora antes da abertura da sala virtual. Participe!
Sinpro realiza reuniões temáticas com a categoria. Participe!
Jornalista: Luis Ricardo
O Sinpro iniciou na última quarta-feira (22) uma série de reuniões temáticas com professores(as) e orientadores(as) educacionais com o objetivo de ouvir a categoria sobre o momento que vivemos. Além de debater pontos importantes, exemplo do retorno das aulas presenciais na rede pública, as reuniões também debaterão as dificuldades e anseios da categoria em meio à pandemia.
As reuniões ocorrerão de forma virtual pela plataforma Zoom, disponível para celulares Android, IOS, além de acesso via computador, e serão divididas por regiões administrativas.
Confira o cronograma:
Segunda-feira (27)
Segmento: Centro Interescolar de Línguas
Horário: 14h
Cidades: Todas as cidades
Terça-feira (28)
Segmento: Centro de Ensino Fundamental
Horário: 9h
Cidades: Brazlândia, Ceilândia, Gama, N. Bandeirante/Riacho I e II, e São Sebastião. Plano Piloto/N. Bandeirante/Guará
Segmento: Centro de Ensino Fundamental
Horário: 14h
Cidades: Paranoá, Planaltina/Sobradinho. Plano Piloto/Cruzeiro/Guará, Recanto das Emas, Samambaia, Santa Maria e Taguatinga.
Quarta-feira (29)
Segmento: Escola de Educação Profissional e Escola de Música de Brasília
Horário: 9h
Cidades: Todas as cidades
Quinta-feira (30)
Segmento: Centro de Ensino Médio e Centro Educacional
Horário: 9h
Cidades: Paranoá, Plano Piloto/Cruzeiro/N. Bandeirante/Guará, Recanto das Emas, Samambaia, Santa Maria, Sobradinho e Taguatinga.
Segmento: Centro de Ensino Médio e Centro Educacional
Horário: 14 h
Cidades: Brazlândia, Ceilândia, Gama, Riacho I e II, Planaltina, São Sebastião, Plano Piloto/N. Bandeirante/Guará.
Sexta-feira (31)
Segmento: Centro de Ensino Especial, Orientadores(as) educacionais, Unidades de Internação e Sistema Prisional.
Retorno de alunos às aulas deverá colocar 9,3 milhões de idosos e adultos com problemas de saúde em risco, diz Fiocruz
Jornalista: Luis Ricardo
Corroborando a preocupação do Sinpro-DF com o retorno das aulas presenciais em um momento crítico da pandemia, com o número de óbitos e contaminações em alta, a Fundação Oswaldo Cruz ressalta que o retorno, neste momento, seria trágico para milhões de idosos e adultos.
O retorno dos alunos às aulas deverá colocar em risco 9,3 milhões de idosos e adultos (4,4% da população do país) com problemas de saúde e comorbidades, de acordo com pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que conta com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a Fiocruz, o estado de São Paulo é o que tem a maior quantidade de adultos e idosos que poderão se arriscar com a volta às aulas: cerca de 2,1 milhões de pessoas. Em seguida: Minas Gerais, com 1 milhão; Rio de Janeiro, com 600 mil; e Bahia, com 570 mil. Por outro lado, o Rio Grande do Norte é o que tem a maior porcentagem da população na situação: 6,1% do total.
Grupos incluídos na pesquisa
Os pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz analisaram os dados dos adultos com idade entre 18 e 59 anos com diabetes, doenças do coração ou do pulmão e dos idosos (com 60 anos ou mais). Eles levaram em conta apenas aqueles que moram junto com crianças e adolescentes de 3 a 17 anos, ou seja, em idade escolar.
Aprovada MP que desobriga escolas a cumprir a quantidade de dias letivos em 2020
Jornalista: Leticia
Nesta quinta-feira, 23 o Senado aprovou a Medida Provisória 934, que dispensa as escolas e instituições de ensino superior de fazer o cumprimento dos 200 dias letivos previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação do País. A medida foi aprovada com 73 votos favoráveis e nenhum contra. Agora, seguirá para a sanção presidencial. Mesmo com a decisão, a retomada das aulas é de competência dos estados e municípios.
Veja na íntegra a matéria abaixo sobre a decisão.
Em sessão remota nesta quinta-feira (23), o Senado aprovou o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 22/2020, que desobriga escolas e universidades de cumprir a quantidade mínima de dias letivos em 2020 devido à pandemia da Covid-19. Aprovada com 73 votos, a matéria será encaminhada à sanção presidencial.
O PLV 22/2020 tem origem na Medida Provisória (MPV) 934/2020, que promove ajustes no calendário escolar de 2020. O texto foi relatada pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT). A matéria será encaminhada à sanção presidencial.
O relator apresentou voto pela aprovação da matéria na forma do projeto de lei de conversão aprovado na Câmara dos Deputados, no último dia 7, e rejeitou as 41 emendas apresentadas ao texto no Senado.
Carlos Fávaro explicou que rejeitou as emendas para que não houvesse a caducidade da MP, cujo prazo de vigência vence em 29 de julho. Ele ressaltou ainda que muitas alterações previstas nas emendas já estariam contempladas no texto do projeto.
Discussão
Como forma de não prejudicar a tramitação da MP, os líderes partidários retiraram os destaques apresentados. Alguns defenderam o veto presidencial a alguns dispositivos do texto, entre eles o que prevê a entrega de dinheiro diretamente aos pais dos alunos para a compra de alimentos. O senador Lasier Martins (Podemos-RS) entende que essa possibilidade favorece a ocorrência de fraudes, a exemplo das irregularidades ocorridas no recebimento do auxílio emergencial de R$ 600 pela população.
Líder do governo, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) ponderou que o veto presidencial ao dispositivo relacionado à compra da merenda escolar poderá ocasionar problemas a ações que já estão em curso em diversos municípios do país.
Na presidência dos trabalhos, o senador Marcos Rogerio (DEM-RO) sugeriu que o governo elabore um regulamento para definir de que forma serão entregues esses recursos, que poderá ocorrer na forma como já é praticada em outros municípios, por meio de vouchers.
Dessa forma, Fernando Bezerra assumiu o compromisso de que, na regulamentação da matéria, serão atendidas as preocupações dos senadores como forma de não desvirtuar os recursos da merenda escolar e prestigiar a agricultura familiar.
Outros parlamentares, como o vice-presidente da Frente Parlamentar da Educação, senador Izalci Lucas (PSDB-DF), também defenderam o veto presidencial ao art. 5º do texto, segundo o qual o Ministério da Educação deverá definir as datas do Enem após ouvir os sistemas de ensino e que, no ano letivo subsequente ao afetado pelo estado de calamidade pública, os processos de ingresso no ensino superior que tenham aderido ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ao Programa Universidade para Todos (Prouni) levem em contas o calendário do Enem.
O senador Acir Gurgacz (PDT-RO), por sua vez, defendeu o acolhimento de médicos se formaram em outros países e não conseguiram fazer o Revalida, suspenso desde 2017, dada a falta desses profissionais em diversas regiões do país. Ele abriu mão de destaque nesse sentido, tendo em vista que há um acordo com o governo, que deverá tratar da revalidação de diplomas por meio de uma MP a ser encaminhada ao Congresso.
Já a senadora Kátia Abreu (PP-TO) defendeu a destinação de recursos da Covid-19 da área da saúde para o setor da educação, como forma de auxiliar a proteção dos alunos no retorno às aulas.
O senador Esperidião Amim (PP-SC) ressaltou que o ato que regula as MPs editadas no período da pandemia está sendo desconsiderado pela Câmara no que se refere ao prazo de tramitação. A prática, segundo ele, impede o Senado de deliberar adequadamente e incluir providências úteis e necessárias no exame das proposições.
O que foi aprovado
De acordo com o projeto de lei de conversão aprovado na Câmara e mantido pelo Senado, os calendários escolares da educação básica poderão ser recompostos com um número inferior a 200 dias letivos, desde que garantido o cumprimento do mínimo de 800 horas de carga horária.
Na educação superior, será possível o encerramento do ano letivo sem a obrigação de cumprimento dos 200 dias letivos. Também será permitida a antecipação da conclusão dos cursos de Medicina, Farmácia, Enfermagem e Fisioterapia, desde que cumpridos 75% da carga horária dos estágios. O objetivo é atender a necessidade de profissionais habilitados nessas áreas para atuarem no Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.
O PLV 22/2020 também autoriza ainda a antecipação da formatura também no curso de Odontologia e a ampliação do rol de cursos de saúde nessa situação, a critério do Poder Executivo, estendendo a mesma possibilidade para os cursos de educação profissional técnica de nível médio da área de saúde
O texto também mantém a dispensa dos dias letivos no ensino fundamental e no ensino médio. Na educação infantil, dispensa também o cumprimento da carga horária. Mesmo assim, as escolas não estão impedidas de promover atividades pedagógicas não presenciais, desde que observados os cuidados essenciais.
Sobre o Enem, o projeto determina que a data de sua realização seja definida em coordenação do Ministério da Educação com os sistemas estaduais, e que o Sisu seja compatibilizado com a nova data do Exame Nacional do Ensino Médio.
O texto atribui ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a definição de diretrizes nacionais sobre as atividades pedagógicas não presenciais e seu cômputo para a integralização da carga horária, respeitadas as normas locais e a autonomia das escolas.
Também obriga a União, estados, Distrito Federal e municípios a coordenarem suas ações com apoio técnico e financeiro federal, como forma de assegurar tanto a garantia de atividades não presenciais quanto o retorno das atividades regulares, que devem observar as diretrizes das autoridades sanitárias.
Pela matéria, permite-se o estabelecimento de um período de dois anos (2020-2021) para o cumprimento da carga horária e dos currículos que eventualmente tenham sido prejudicados pela paralisação das atividades durante a pandemia. Dessa forma, o conteúdo curricular deste ano poderá ser aplicado no próximo ano, por meio da aglutinação de duas séries. Permite também que o aluno concluinte do ensino médio possa fazer novamente uma parte ou todo o 3º ano como forma de recuperar eventual prejuízo em razão da paralisação das aulas.
Os entes federados ficam obrigados a oferecer condições para alunos e professores terem acesso às atividades não presenciais, com assistência técnica e financeira da União. Para tanto, autoriza a utilização de recursos do regime extraordinário fiscal instituído pela emenda Constitucional (EC) 106, de 2020, que também poderão ser aplicados com as medidas de retorno às atividades escolares regulares.
Ainda de acordo com o texto, são exigidos cuidados excepcionais com estudantes em situação de risco epidemiológico, a serem atendidos em regime hospitalar ou domiciliar.
E fica garantida a manutenção de programas suplementares — Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (PNATE) e Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) — por 200 dias, mesmo durante o período da pandemia, e permite que os recursos da alimentação escolar sejam repassados para as famílias diretamente ou por meio da distribuição de gênero alimentícios.
Pandemia deve intensificar abandono de escola entre alunos mais pobres
Jornalista: Leticia
A chegada da Covid-19 trouxe um cenário de dúvidas e questionamentos. No âmbito cenário educacional, as marcas deixadas pelo novo Coronavírus são imensuráveis. Em todo o país, estudantes, professores(as), orientadores(as) educacionais estão aflitos e preocupados com os crescentes números de pessoas sem acesso à educação, o que com a pandemia agrava a realidade daqueles que não conseguem garantir um ensino de qualidade.
O que fazer para reduzir ao máximo o prejuízo? A resposta, na maioria dos países, tem sido dada com o investimento na educação, garantindo acesso e a democratização do ensino, assim , facilitando e dando oportunidade para todos.
Confira abaixo, matéria completa com um retrato dessa realidade.
No litoral cearense, há alunos do ensino médio que já não conseguem mais acompanhar as aulas online, porque têm de trabalhar durante o dia inteiro. No interior do Piauí, educadores recorrem a visitas domésticas e vídeos motivadores para tentar atrair os estudantes que não têm aparecido nos encontros virtuais. Em São Paulo, alunos de baixa renda atendidos por uma organização sem fins lucrativos temiam “voltar para a estaca zero” nos estudos em meio à pandemia.
Em todos esses lugares, são vários os relatos de estudantes sem equipamentos ou conexão à internet, famílias em situação econômica cada vez mais frágil, professores com crescentes dificuldades em manter os alunos engajados nas aulas remotas e pais tanto ansiosos quanto temerosos pela perspectiva da volta às aulas presenciais — marcada, em alguns Estados, para agosto ou setembro.
O resultado dessa combinação é que cresce o temor, entre educadores e pesquisadores, de que as circunstâncias impostas pela pandemia façam com que mais estudantes simplesmente desistam da escola neste ano, engordando as estatísticas de evasão escolar no Brasil.
“Em uma turma do 1° ano (do ensino médio), dos 40 alunos, só uns 15 têm participado” das aulas remotas, diz à BBC News Brasil a professora de biologia Joseline Souza Nascimento, que dá aulas na rede estadual na cidade de Cascavel, na costa do Ceará.
A equipe da escola chamou psicólogos para darem palestras aos estudantes e fez apostilas aos alunos que não têm internet ou celular, mas teme que alguns percam a motivação ou as condições de voltarem à escola.
“Muitos são filhos de pais autônomos, como pedreiros ou pescadores. Alguns até têm celular para assistir às aulas, mas estão trabalhando manhã e tarde. Com certeza dá medo de eles não voltarem, pelo impasse (de perder a renda extra) e pela ideia de ‘não vou conseguir aprender mais'”, prossegue Nascimento.
Brasil dizem que alunos estão cada vez menos motivados com aulas remotas
Pais e mães dos alunos, diz ela, também manifestaram receio de mandar os filhos de volta à escola quando for hora de reabrir, por temer o contágio pelo coronavírus.
Para completar, “na escola temos uma sala de EJA (educação para jovens e adultos). De 20 alunos, só três ficaram. Muitos acham que o ano está perdido e não sabem se vão voltar.”
O preço que o Brasil paga pela evasão
A evasão escolar é um problema crônico, com altos custos humanos, sociais e econômicos para o Brasil.
Dos quase 50 milhões de brasileiros entre 14 e 29 anos, mais de 20% — ou seja, 10,1 milhões de jovens — não completaram alguma das etapas da educação básica (que engloba os ensinos fundamental e médio), segundo a pesquisa Pnad Contínua 2019, divulgada na última quarta-feira (15) pelo IBGE.
As principais causas apontadas para o abandono escolar foram necessidade de trabalhar, desinteresse pelas aulas e gravidez. A ampla maioria (71,7%) desse contingente de jovens é negra ou parda.
Por cada jovem que abandona a escola, o Brasil perde R$ 372 mil reais por ano, apontam cálculos de Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, em estudo feito neste mês em parceria do Insper com a Fundação Roberto Marinho.
No total, o custo anual da evasão escolar é de R$ 214 bilhões, ou 3% do PIB (Produto Interno Bruto), com base na redução das possibilidades de emprego, renda e retorno para a sociedade das pessoas que não concluem a educação básica.
“Isso porque os jovens que têm a educação básica completa passam, em média, mais tempo de sua vida produtiva ocupados e em empregos formais, com maior remuneração; têm maior expectativa de vida com qualidade — estima-se que cada jovem com educação básica viverá quatro anos de vida a mais que um jovem que não terminou a escolaridade — e tendem a ter um menor envolvimento em atividades violentas, como homicídios”, diz o estudo.
Taxas de abandono haviam sido reduzidas na última década, mas problema é ainda crônico no Brasil
“O cálculo é de que a evasão representa uma perda de 26% do valor da vida de um jovem.”
A despeito desse enorme contingente de jovens que abandonaram a escola, o Brasil havia conseguido alguns avanços positivos na última década: a taxa de abandono do ensino médio na rede pública de ensino havia caído 7 pontos percentuais, de 13,7% em 2008 para 6,7% em 2018, segundo dados oficiais compilados pelo Observatório de Educação do Instituto Unibanco.
A taxa de jovens de 15 a 17 anos fora da escola, embora alta (8,8% em 2018), também vinha em queda.
Agora, porém, existe o temor de que alguns desses ganhos possam ser perdidos no pós-pandemia, diante de uma confluência de pressões negativas.
‘Depois que ele sai, é difícil trazê-lo de volta’
“Muitos jovens têm pais que são trabalhadores informais e tiveram uma queda abrupta na renda. Então eles próprios podem ser os únicos capazes de gerar renda para a família”, explica à BBC News Brasil Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco.
Considerando o histórico brasileiro de índices baixos de aprendizado nos anos finais do ensino fundamental e ao longo do ensino médio, além de um cenário de desinteresse dos jovens pelas aulas, “este longo tempo longe da escola pode acabar sendo o empurrão final (para a evasão), para a sensação de que ‘já não estava interessante, então não vale a pena’ prosseguir na escola”, agrega Henriques.
“E depois que o aluno sai, é muito maior o esforço para trazê-lo de volta.”
Em algumas regiões pobres do Brasil, como áreas do Nordeste, Henriques teme por um outro impacto da covid-19: muitos dos idosos vítimas da doença eram (por meio de suas pensões) responsáveis por prover grande parte da renda da família. Isso também deve aumentar a pressão sobre jovens para que migrem ao mercado de trabalho.
Essa entrada precoce no ambiente profissional, em um momento particularmente ruim da economia, pode cobrar seu preço ao longo das décadas seguintes da vida desse jovem: sem a escolaridade, ficará mais difícil conseguir empregos qualificados.
“O prêmio pela educação ainda é alto no Brasil, mesmo se essa educação for ruim. Completar o ensino médio brasileiro define uma trajetória de vida muito mais positiva do que não completá-lo, quanto a mobilidade de vida”, diz Henriques.
Por cada jovem que abandona a escola, o Brasil perde R$ 372 mil reais por ano
Dificuldades de acesso às aulas
Com o celular quebrado e sem computador para acompanhar as aulas remotas, Sabrina Oliveira Lopes, 17, estudante do 3° ano do ensino médio na rede estadual de São Paulo, perdeu o ânimo quando as aulas passaram ao ambiente remoto por conta da pandemia e chegou perto de não conseguir acompanhar os estudos.
“Ficou meio bagunçado. Algumas lições estavam em uma rede social; outras estavam em outra. Não acho que eu teria desistido tão fácil da escola, mas a gente (alunos da turma) meio que entrou em desespero”, conta à BBC News Brasil.
Sabrina acabou retomando o ímpeto com a ajuda dos professores e de um notebook doado pelo Instituto Proa, organização social onde fazia um curso extra.
“Não tem muita gente nas aulas online (da escola). Tinha no começo, mas foi baixando. Teria que chamar um por um, ligar para eles. Sei que é trabalhoso, mas vale a pena. Você se sente acolhido, sente que não é só mais um”, diz ela.
Ela acabou perseverando na escola, também formou-se no curso do Proa e agora estuda com vistas para o Enem e para a faculdade — ela pensa em cursar administração de empresas.
O Proa atende jovens de baixa renda e de escolas públicas, com aulas suplementares, atividades que aumentem seu repertório cultural, apoio emocional, mentoria e, depois, ajuda para entrar no mercado de trabalho.
Tudo isso também precisou ser transportado para o ambiente virtual quando veio a pandemia, além de doações de equipamentos e cestas básicas aos alunos.
“A primeira aula online foi só para ouvi-los soltarem suas angústias”, conta Rodrigo Dib, executivo-chefe do Proa. E entre essas angústias, havia frases como “meu pai perdeu o emprego”; “não mais sei o que faço da minha vida”; “não vai dar mais, vou voltar para a estaca zero”.
“Tivemos que agir super-rápido e fazer com que eles continuassem acreditando. O mundo depois disto (pandemia) vai ser mais desafiador, e eles tinham que continuar, por eles próprios”, diz Dib.
A centenas de quilômetros de distância dali, em Bocaina, no interior do Piauí, a professora de matemática Maura Silva vê angústias semelhantes entre seus alunos do ensino médio.
“No primeiro mês, eles tiveram participação muito ativa nas aulas online. No segundo mês, pararam de dar retorno das atividades. Alguns já desistiram das aulas remotas”, lamenta Silva.
“Estamos sempre em contato com eles, pedindo calma e paciência neste período. (Mas) o atendimento remoto deixa um vazio grande, nem sempre conseguimos falar com todos de modo individual.”
A professora pediu a alguns alunos que fizessem vídeos motivacionais para os colegas, enquanto a direção da escola fez visitas domiciliares aos estudantes sem acesso à internet.
Mas o cenário é de “muita dificuldade”, diz ela. “Alguns pensam em refazer o ano letivo, porque acham que este não está sendo útil.”
Uma pesquisa do Datafolha feita em junho com pais ou responsáveis de 1,5 mil estudantes da rede pública do país apontou que um índice relativamente alto deles (79%) estava recebendo atividades não presenciais de suas escolas.
Mas quase um terço dos pais temia que seus filhos desistissem da escola se não conseguissem acompanhar as aulas em casa. Quase dois terços dos responsáveis disseram que seus filhos estão ansiosos neste período e 37% deles contaram que os filhos estão tristes, aponta a pesquisa, encomendada pelas fundações Lemann, Itau Social e Imaginable Futures.
O ineditismo da pandemia atual impede a comparação com outros momentos da história, mas locais que viveram catástrofes e epidemias (como o oeste da África durante o surto de ebola entre 2013 e 2016) costumam sofrer posteriormente o aumento da evasão escolar.
Em palestra online no evento Bett Educar, no final de junho, o secretário-executivo de Educação do Estado de São Paulo, Haroldo Rocha, citou a desconexão dos alunos e o possível aumento do abandono escolar como as grandes preocupações atuais.
Protocolos de limpeza também preocupam pais e educadores na volta das aulas presenciais
Como vai ser a volta à escola?
Existe, também, o receio de como vai ser a volta às aulas com as exigências sanitárias necessárias para impedir o contágio do coronavírus.
Para Carlos Roberto Cardoso, diretor de uma escola de ensino fundamental em uma das áreas mais carentes da zona leste da capital paulista, “a pandemia só acentuou a dura realidade” vivida por famílias e escolas vulneráveis.
Entre os educadores, diz ele, há muitas dúvidas de como vai ser possível manter o distanciamento social e as regras de higiene, por exemplo na alimentação dos estudantes e na limpeza de banheiros.
Na pesquisa do Datafolha, os pais de 87% das crianças disseram que elas temem a contaminação pelo coronavírus na volta às aulas.
“Tenho três pessoas para fazer a limpeza em uma escola grande (cerca de 900 alunos)”, diz Cardoso. “E como controlar (o espalhamento do vírus) em um ambiente tão fechado como são as escolas públicas? Tenho lido muitos relatos de pais, e não só os daqui da escola, inseguros com a questão sanitária. Li a postagem de um na internet dizendo ‘meu filho perde o ano, mas não volta para a escola tão cedo’.”
No Estado de São Paulo, a previsão é de que a volta às aulas presenciais comece em 8 de setembro, escalonada e sujeita às decisões individuais de cada rede municipal de ensino. Na capital paulista, a Secretaria Municipal de Educação informa que ainda está definindo as datas do retorno e o secretário, Bruno Caetano, está se reunindo virtualmente com todas as diretorias regionais de ensino para ouvir suas preocupações.
Haverá, segundo a pasta, distribuição de kits individuais com máscara, sabonete e copo, além de álcool gel, controle de temperatura e demarcação de lugares.
Na volta às aulas presenciais, será preciso lembrar que, mesmo que os alunos vão à escola, “mantê-los ali vai ser mais difícil do que antes”, opina especialista
Sobre o tamanho das equipes de limpeza, a assessoria da secretaria diz em nota que “conforme está descrito na minuta do protocolo de retorno às aulas, os contratos de limpeza serão revistos. E as empresas precisarão também se adequar a essa nova realidade sanitária”. A assessoria diz também que já estão ocorrendo reuniões entre a prestadora de serviço e a diretoria regional de ensino “para pensarem formas de adequar o protocolo seguido pela secretaria ao novo modelo de higienização que será adotada no pós pandemia” na escola de Cardoso.
Problemas antigos
Para além das questões de higiene, especialistas em educação preveem que, para conter a alta na evasão, será necessário buscar ativamente os alunos e lidar com problemas antigos e complexos do ensino brasileiro — por exemplo, reduzindo os abismos da desigualdade social do país, melhorando o ambiente escolar, acolhendo emocionalmente alunos e professores, e fazendo com que o conteúdo ensinado fique mais próximo da realidade e das necessidades dos estudantes e do mundo atual.
“A cada 100 crianças brasileiras que entram no ensino fundamental, apenas 65 concluem” os estudos, afirma Ricardo Henriques, do Instituto Unibanco. “Os que terminam, já são sobreviventes.”
Na volta às aulas presenciais, opina ele, será preciso lembrar que, mesmo que os alunos vão à escola, “mantê-los ali vai ser mais difícil do que antes”.
“Os estímulos negativos para a evasão vão continuar intensificados e os alunos vão estar mais vulneráveis. Se o aluno não se sentir acolhido, se houver um clima escolar ruim, com bullying, ele pode ir embora”, diz.
“E é algo duradouro, que não vai se resolver em uma semana, porque vidas inteiras de famílias vão se reconfigurar (por causa da pandemia).”
Primeiras a suspender as atividades, as escolas agora estão no fim da lista da retomada. A explicação para isto é simples: com a curva de contaminação em alta, atividades com grande aglomeração são propícias para disseminar ainda mais o vírus. Isto representa um risco ainda maior para professores, estudantes e para a sociedade como um todo.
Países como China, Coreia do Sul, Alemanha, Portugal e Uruguai já retornaram as aulas, mas no caso deles a curva de transmissão está em baixa. A situação é contrária da que vemos no Brasil. Somente no Distrito Federal, mais de mil pessoas morreram por COVID-19 e quase 88 mil foram infectados. O retorno das aulas nas redes pública e privada seria um verdadeiro genocídio.
Diante desta preocupação, o Sinpro convida os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais a ouvirem o Podcast – Retorno das escolas, da jornalista Renata Lo Prete, que conta com a participação do médico Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.