Aulas presencias são a preferência entre pais e professores

A necessidade de interação humana na educação é muito forte e faz toda diferença para uma aprendizagem de sucesso. A pesquisa de opinião do Sinpro-DF, realizada entre os dias 21 e 31 de maio, com dez mil com mães, pais e responsáveis por estudantes da escola pública descobriu que eles e elas entendem que as aulas presenciais devem estar no centro da discussão e sabem que a situação de emergência sanitária exige adequações  que combinem a interação humana com o distanciamento social.

“Embora pareça um paradoxo, teremos de enfrentar o desafio de manter as aulas presenciais e o distanciamento social no centro da discussão da recomposição do ano escolar. A rede pública tem 460 mil estudantes e ela existe para atender a todos esses jovens e crianças”, afirma Cláudio Antunes, coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro-DF.

Impressão de atividades
Para 54,27% dos pais da rede pública as aulas presenciais podem ser acrescidas de atividades impressas que seriam enviadas para casa para recompor a carga horária e poderiam ser acrescidas de atividades pela internet e TV. Para 45,73% as atividades poderiam ser feitas de forma remota pela internet e TV. Estes dados também são compatíveis com uma leitura integrada da pesquisa que revelou que  86,73% dos pais não enviariam os filhos para a escola antes da contaminação começar a reduzir. Lembramos também que 68,30% dos pais declararam que alguém que mora na residência pertence ao chamado grupo de risco e portanto, não aceitam que a escola seja um vetor que aumente as chances de contaminação da família.

O momento de introduzir os materiais impressos também é objeto de preocupação de toda a comunidade escolar. O envio de impressos para a casa de estudantes e posteriormente para a casa dos professores aumentará chance de contaminação, tendo em vista que o vírus sobrevive em superfícies como papéis e plásticos.

Na China, essa dificuldade foi superada com criatividade: estudantes imprimiam as atividades em casa e as enviavam para seus professores por fotografias (arquivo de imagem), os docentes corrigiam as atividades e reenviavam para os alunos.  A questão é que a China ofereceu equipamentos  e internet  para os estudantes, professores e escolas que tinham dificuldade de acesso. Nossa pesquisa também revelou que apenas 28,46% dos estudantes possuem impressora em casa. Segundo o GDF, os estudantes sem equipamentos eletrônicos/internet receberão em casa os impressos. São 120 mil estudantes sem nenhum equipamento (tablet, celular, computador/notebook).

A Educação a Distância não foi criada para ser aplicada em crianças  e adolescentes. Quando perguntamos aos pais se haveria alguém para acompanhar as aulas neste formato, 47,05% respondeu que não. Ao analisarmos a etapa de atendimento o percentual varia de 79,06% no ensino médio a 30,65% na educação especial de estudantes que não teriam assistência de ninguém no acompanhamento destas aulas (vide gráfico detalhado por etapas). Poderiam crianças de 4 a 17 anos de idade fazer sozinhas e diariamente a conexão e configuração do equipamento eletrônico e as aulas à distância?

A pesquisa também revelou que para 65.76% dos professores  o retorno das aulas deveria ser de forma presencial combinadas com atividades a distância. Para 34,24% dos professores as aulas deveriam ser apenas presenciais. Quando analisamos as respostas a pesquisa entre os professores regentes, para 38,96% as aulas deveriam ser apenas presencias.

 

 

A rede de ensino possui cerca de 23 mil professores regentes, dos quais 5 mil não possuem computadores para desenvolver aulas a distância. Este equipamento é essencial para que aulas nas plataformas digitais sejam planejadas e ofertadas aos estudantes. No entanto, até o momento o GDF, através do secretário de educação, Pedro Ferraz, apenas acenou em obter linha de crédito junto ao BrB para que os professores busquem pelo endividamento o equipamento que o patrão deve oferecer para que o empregado desempenhe a atividade laboral.

A situação não é diferente em relação aos estudantes. Nossa pesquisa identificou  que 120 mil estudantes (26,27%) também não dispõem de nenhum equipamento eletrônico (tablet, celular, computador/notebook) para assistirem aulas remotas. Para estes estudantes, a EaD representará a maior exclusão educacional já vista no DF. O plano de retorno das aulas via EaD expõe claramente as mazelas da má distribuição de renda, reforçado pelo próprio Estado quando propõe que 120 mil crianças e adolescentes fiquem  sem acesso e sem as mesmas condições de equipamentos dentro do projeto Educação Em Casa DF da Secretaria de Educação. Segundo o planejamento do GDF, a partir do dia 29 de junho as aulas já valerão como carga horária/dia letivo, ou seja, esse procedimento diminuirá as aulas presenciais do ano escolar, dificultado o processo de aprendizagem de 120 mil estudantes.

Professores(as) não se sentem preparados(as)

74,30% dos professores regentes declararam que não se sentem preparados para realizar atividades remotas. A falta de investimento em informática educativa explica  esse sentimento. O governo Arruda fechou a maioria dos laboratórios de informática da rede pública de ensino, retirando professores que atuavam nestes espaços pedagógicos. Ao fazer isso, praticamente paralisou a formação em massa de professores que os NTEs (núcleos de tecnologia educacional) realizavam desde 1999 por ocasião do programa federal de modernização educacional, o PROINFO.

 

 

Manifestações pela democracia e antirracismo marcaram o domingo no Brasil

Neste domingo (7), manifestações contrárias ao governo Bolsonaro, contra o fascismo, racismo, em defesa da democracia e do SUS pipocaram no país inteiro.

Ao menos 20 capitais brasileiras registraram protestos pacíficos durante todo o dia.  Os atos convocados surgiram das insatisfações de grande parte da população ao governo e suas ações criminosas, autoritárias e genocidas. 

Em Brasília, essa foi a primeira manifestação contra Bolsonaro desde o início da pandemia. A concentração do ato teve inicio na Biblioteca Nacional e os manifestantes marcharam pela Esplanada dos Ministérios.

A mobilização contou com diversos cartazes, faixas e gritos em referência ao Black Lives Matter (vida negras importam), movimento que ocorre nos Estados Unidos em protesto ao assassinato de George Floyd por um policial branco.

A manifestação, foi tranquila e pacífica e reuniu profissionais da saúde, torcidas organizadas, comunidade negra, comunidade LGBT, estudantes, mulheres, professores, artistas, movimentos sociais e partidos políticos.

Houve distribuição gratuita de máscaras e os manifestantes, em sua maioria, usaram máscara de proteção facial.

Água, sabão e álcool em gel também eram entregues em um espaço chamado de “ponto anticovid”.

Com informações Brasil 247

 

Sinpro convida os gestores para reunião nesta segunda (08)

O Sinpro convida os(as) gestores(as) para uma reunião com a direção do sindicato nesta segunda-feira (08), às 19h30. A reunião terá como pauta Teletrabalho e Educação em tempos de pandemia.

A reunião será feita pela plataforma “Zoom”. Se você ainda não instalou o aplicativo do “Zoom”, o link te direcionará para a ‘Play Store’ (celulares Android) ou ‘App Store’ (celulares Apple).

Para baixar em celulares Android: https://play.google.com/store/apps/details?id=us.zoom.videomeetings  

Para baixar em celulares Apple: https://apps.apple.com/br/app/zoom-cloud-meetings/id546505307

Os(as) interessados(as) em participar da reunião deverão confirmar participação pelo WhatsApp 99685-4997 para que possam receber o link uma hora antes da abertura da sala virtual. Participe!

Sinpro convida delegados sindicais para reunião neste sábado (06)

O Sinpro convida todos(as) os(as) delegados(as) sindicais para uma reunião com a direção do sindicato neste sábado (06), às 14h. A reunião terá como pauta Teletrabalho e Educação em tempos de pandemia. A análise de conjuntura será feita por Gabriel Magno e a mediação pelos diretores do sindicato Jairo Mendonça e Letícia Montandon.

A reunião será feita pela plataforma “Zoom”. Se você ainda não instalou o aplicativo do “Zoom”, o link te direcionará para a ‘Play Store’ (celulares Android) ou ‘App Store’ (celulares Apple).

Para baixar em celulares Android: https://play.google.com/store/apps/details?id=us.zoom.videomeetings  

Para baixar em celulares Apple: https://apps.apple.com/br/app/zoom-cloud-meetings/id546505307

Os(as) interessados(as) em participar da reunião deverão confirmar participação pelos telefones abaixo (WhatsApp) para que possam receber o link uma hora antes da abertura da sala virtual. Participe!

 

1 – Brazlandia/Ceilândia/Taguatinga

Mônica 99951-6710

Elineide 99943-0217

 

2 – Plano Piloto/Guará/Núcleo Bandeirante/Paranoá/São Sebastião/ Candangolândia/Riacho Fundo I/Park Way/ 

Melqui 99677-1501

Ruth 99995-9049

 

3 – Santa Maria/Gama/Recanto/RF II/Samambaia

Carolina 99951-6410

Leilane 99948-7390

 

4 – Planaltina/Sobradinho

Vanilce 99685-4997

Consuelita 99836-0396

Imprensa do DF chama plano da Secretaria de Educação de Migué

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE) impôs uma retomada às aulas na rede pública de ensino e jogou uma verdadeira bomba no colo dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais, e, principalmente, dos(as) estudantes. Para a imprensa de uma forma geral, para a categoria e para a comunidade escolar, a “medida” tomada pelo governo nada mais é que um “Migué”.

Utilizando a Teleaula como tábua de salvação para o ano letivo, a SEE se esquece das dificuldades e limitações que muitos(as) estudantes e até mesmo professores(as) terão para colocar em prática o projeto do governo.

 

Dificuldades evidentes

Em matérias anteriores, o Sinpro apontou que a realidade da Educação do Distrito Federal requer cuidados para o atendimento aos cerca de 460 mil estudantes dos ensinos fundamental e médio. A Secretaria de Educação tem ciência que 127 mil alunos não têm Internet, que 125 mil não têm computador ou qualquer tipo de equipamento eletrônico para utilizar nas Teleaulas, assim como tem conhecimento que 8 mil professores(as), 5 mil destes regentes, não possuem computadores.

Outro ponto que mostra que o projeto da SEE é um verdadeiro “Migué” é o resultado de uma pesquisa feita pelo sindicato. Dos dias 23 a 31 de maio, a pesquisa conversou com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública para saber o que eles(as) achavam da Teleaula. Segundo a pesquisa, 57,90% dos estudantes não assistiram as teleaulas disponibilizada pela Secretaria de Educação, e dos 460 mil estudantes da escola pública, 265 mil não assistiram a nenhuma Teleaula da programação da SEE.

O resultado da pesquisa mostra que o problema não é a falta de interesse por parte do estudante, mas a ausência de estrutura destes alunos para acompanhar o conteúdo. Ausência de computador e de Internet são algumas das barreiras para que este grupo tenha acesso ao conteúdo.

 

Veja abaixo trechos de matéria publicada pelo site Metrópoles, cujo título questiona: Aula a distância para salvar o ano letivo no DF: solução ou migué?

 

Anúncio

O anúncio do retorno das atividades foi realizado pelo secretário de Educação do DF, João Pedro Ferraz, em live na noite de quarta-feira (03/06). Nessa quinta-feira (04/06), foi publicada portaria com detalhes e áreas ainda sem definição.

As novidades, no entanto, não agradaram a toda a comunidade escolar. Ao Metrópoles, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), docentes, e também responsáveis e estudantes, comentaram sobre a definição de retorno às atividades.

A professora Mônica Felix, do apoio pedagógico do Centro Educacional 6 de Ceilândia (CED 6), afirmou que tem recebido perguntas de pais e alunos sobre a retomada do calendário escolar. “Percebi muita boa vontade da secretaria em se esforçar para salvar o ano letivo. Porém, vejo pouca preocupação de fato com a educação. O que esses alunos vão aprender? Se vão. O professor desses alunos terá pouquíssima liberdade de trabalho, já que o conteúdo diário é dado pela pasta”, disse.

A profissional reconheceu que a proposta tenta fazer com que todos estejam no mesmo nível de aprendizagem, mas acredita que não existe uma cultura de educação de fato autônoma. “Nossos alunos ainda não são protagonistas. Além do fato de muitos não terem acesso aos meio tecnológicos. E o pior, mesmo que tenha, muitos não sabem usar”, afirmou.

 

Sindicato critica

Por meio de nota, o Sinpro-DF considerou que o retorno às aulas, na plataforma de Educação a Distância (EAD), é um total desrespeito ao estudante da rede pública de ensino da capital federal.

“Entre os dias 23 a 31 de maio, realizamos pesquisa de conversa com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública para saber o que eles achavam da Teleaula. Segundo a pesquisa, 57,90% dos estudantes não assistiram as teleaulas disponibilizadas pela Secretaria de Educação, e dos 460 mil estudantes da escola pública, 265 mil não assistiram a nenhuma Teleaula da programação da SEEDF“, diz trecho do texto.

A entidade entende que o ano letivo de 2020 deve ter como foco as aulas presenciais, as quais devem ocorrer após a passagem do pico de contaminação do novo Coronavírus. Para o Sinpro, apenas aulas presenciais promovem a interação direta do professor com todos os estudantes. Além disso, o resultado da pesquisa conduzida pela entidade mostra que o problema não é a falta de interesse por parte do aluno, mas a ausência de estrutura para acompanharem o conteúdo.

“O isolamento social é necessário para diminuir os casos da Covid-19, mas o governo está propondo a distribuição de cópias aos alunos sem acesso aos meios tecnológicos. Sem dúvida alguma, esse vai e vem de papéis entre as famílias excluídas das aulas remotas e os responsáveis nas escolas pela entrega dessas atividades, irá aumentar os números de mortes e de pessoas infectadas pelo Coronavírus’, opinou o diretor do sindicato Samuel Fernandes.

Clique aqui e confira a matéria do Metrópoles na íntegra.

Pais e mães de estudantes só enviam filhos às escolas após a pandemia

A maior parte dos pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino não vão enviar seus filhos(as) às aulas presenciais enquanto a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, estiver em crescimento no Distrito Federal. A pesquisa do Sinpro-DF sobre a volta às aulas na pandemia mediu esse grau de preocupação e revelou que 86,73% dos entrevistados disseram que não enviariam seus filhos para as atividades presenciais antes da contaminação reduzir.

Nesta quinta matéria da série “Exclusão educacional no DF”, a pesquisa de opinião do Sinpro-DF, feita por livre adesão, entre os dias 21 e 31 de maio, com pais, mães e responsáveis por estudantes da escola pública do Distrito Federal mostram dados sobre a volta às aulas presenciais. O questionário com 14 perguntas foi disponibilizado no site da entidade e contou com dez mil respostas espontâneas completas. O posicionamento dos(as) entrevistados(as) que não enviariam seus filhos(as) à escola é justificada pela característica das famílias.

Quando perguntados se o(a) filho(a) ou alguém da casa faz parte do grupo de risco, 68,30% responderam que sim.  Quando perguntados se enviariam os(as) filhos(as) para aulas presenciais a partir do dia 15 de junho, 87,90% disseram que não. Essa foi a data colocada na pesquisa para representar a ideia de retorno imediato, antes do pico da pandemia no DF.

Quando perguntados qual seria o melhor momento de início de retorno dos estudantes à escola, 69,53% respondeu que seria quando o contágio estivesse controlado, sem uma data determinada. Outros 17,60% acredita que é possível retornar em agosto. O conjunto dos dados revelam que pais, mães e responsáveis estão decididos a não ter a escola como um vetor de contaminação.

“Portanto, podemos concluir que a tentativa do GDF de um retorno das atividades escolares presenciais antes da contaminação começar a diminuir poderia motivar nas famílias dos estudantes um boicote ao retorno sem segurança. O que pode ser confirmado nos espaços de comentários de nossas redes sociais, nas publicações da campanha “Meu filho não é cobaia”, quando pais expressavam que ‘os filhos perderiam o ano, se fosse preciso, mas não perderiam a vida’”, afirma Cláudio Antunes, coordenador de Imprensa do Sinpro-DF.

A pesquisa constatou o que os(as) trabalhadores(as) do magistério já vêm alertando, sistematicamente, toda vez que o Governo do Distrito Federal (GDF) se manifesta em favor da volta às aulas presenciais: toda a família dos estudantes está preocupada com o retorno das atividades presenciais nas escolas e querem que ele seja feito de forma segura.

Quando o governador anunciou que iria reabrir as escolas, começando pelas militarizadas, ainda no mês de abril, a reação dos pais foi a de interagir com a campanha publicitária do Sinpro-DF intitulada “Meu filho não é cobaia”. A campanha conjunta de pais e professores derrubaram os planos do governo Ibaneis/Bolsonaro. Atualmente, Ibaneis tem dito que o retorno presencial irá acontecer em meados de agosto.

“É claro que o ano letivo não será perdido. Ele pode, até mesmo, ser cumprido de forma presencial e com segurança, da forma que os pais desejam.  Basta aguardar que a contaminação comece a diminuir. Ela diminuiu em todos os países atingidos bem antes do Brasil. A contaminação também irá diminuir aqui, permitindo o retorno seguro dos(as) estudantes a suas escolas. As aulas presenciais garantem uma educação sem exclusão”, assegura o diretor.

Professores e orientadores: 62,9% moram com pessoas do grupo de risco
A pesquisa realizada com a categoria constatou que professores(as) e orientadores(as) educacionais têm as mesmas preocupações dos pais e mães.

O questionário disponibilizado no site para os(as) trabalhadores(as) do magistério, entre os dias 21 e 31 de maio, obteve 4.020 respostas espontâneas e por livre adesão e revelou que, para 81,82% dos(as) professores(as) e orientadores(as), o retorno presencial ao trabalho deve ocorrer quando a contaminação já estiver controlada.

Apenas para 6,20% da categoria se sentiria seguro em retornar ao trabalho presencial no momento em que o GDF determinasse. A pesquisa também revelou que 39,70% da categoria está no grupo de risco e que 62,9% mora com alguém que é do grupo de risco.

Teletrabalho
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) instituiu, nesta semana, o teletrabalho para quem estava com atividades suspensas. A Portaria nº 133/2020 apresenta as etapas de retomada do trabalho, porém, de forma não presencial. A diretoria colegiada do Sinpro-DF ressalta que nenhum(a) professor(a) ou orientador(a) educacional está sendo convocado(a) a comparecer ao trabalho de forma presencial.

“Recomendamos que nem de forma voluntária, professores(as) e orientadores(as) que estavam com suas atividades suspensas compareçam à escola para quaisquer que sejam os motivos: arrumar o armário, buscar material, distribuir livros e impressos. O vírus está lá fora, no ar e em todas as superfícies. Ele demora dias para morrer e você pode trabalhar de casa”.

Atividades impressas
O sindicato não parou de atuar em nenhum momento e está cobrando do GDF as condições de trabalho adequadas para o período de teletrabalho, uma vez que é o patrão que deve oferecer a ferramenta de trabalho. “Internet e um computador são hoje insumos necessários ao teletrabalho, os quais devem ser fornecidos pelo GDF. Mesmo professores e orientadores que têm acesso à rede mundial em casa, têm o direito a esses insumos”, afirma Antunes.

Ele alerta para o fato de que muitos trabalhadores(as) do magistério relataram que o computador que possuem também será usado pelos(as) filhos(as) quando as aulas a distância começarem. “Assim, como conciliarão o uso de um único computador com várias pessoas que precisam dele ao mesmo tempo?”, indaga. As lideranças sindicais do Sinpro-DF, por sua vez, recomendam que as atividades impressas sejam evitadas no período instituído pela portaria para acolhimento e planejamento EaD.

“Os(as) professores(as) estão, nesse período, planejamento atividades EaD para serem encaminhadas aos(às) estudantes, portanto, recomendamos que não sejam colocadas nesse planejamento atividades impressas para serem utilizadas e movimentadas neste período de alta contaminação. Essas atividades deverão ser utilizadas apenas quando a contaminação começar a diminuir, em meados de agosto”, orientam.

Importante lembrar que o Brasil, sem contar o número imenso de subnotificações por falta de testes, está em 3º lugar no mundo no número de mortes (34 mil mortes). “Infelizmente, nos próximos 8 dias, nosso País deverá alcançar a segunda posição mundial. É muito importante ressaltar que o vírus permanece vivo e ativo em diversos tipos de superfícies por um tempo que ainda não está, cientificamente, consensuado. Não arrisque se contaminar com essa história de que o vírus só vive por alguns dias. O trânsito de impressos neste momento entre a casa do professor e a casa dos estudantes aumentará as chances de exposição ao coronavírus”, alertam.  

Escola em casa? Por que devemos parar de romantizar o homeschooling

Tudo acontece dentro de casa agora: lives o tempo todo, faxinas homéricas, home office, divã digital e aulas adaptadas à nova rotina imposta pelo isolamento. Os filhos estão fora da escola, mas não de férias: inquietação, irritabilidade, insônia, medo, solidão e tédio estão entre as principais mudanças no comportamento infantil, diz a cartilha “Crianças na pandemia de Covid-19”, publicada pela Fiocruz no início de maio, mês que registrou a marca de 91% de estudantes sem aula presencial no mundo todo

Na casa de Mayim Bialik, porém, impera a paz. “Apesar da tragédia global, nós, tipo hippies introvertidos, estamos nos sentindo confortáveis com esses ajustes. Há muita paz em se sentir confortável como nós nos sentimos com nossos filhos”, declarou a atriz norte-americana, famosa pela série “The Big Bang Theory”, à agência Bloomberg. Bialik é neurocientista, mãe de dois garotos, autora de livros sobre pais e filhos e, no YouTube, dá dicas de homeschooling. “Não é preciso ser um super-herói para educar em casa. Mas o que muitas pessoas estão experimentando agora não é homeschooling, é educar em casa enquanto tenta trabalhar”, definiu

Se nos primeiros dias de pandemia foi tentador “romantizar” o homeschooling como um momento sublime para aproximar famílias, não demorou muito para pais e mães relatarem dificuldades com a modalidade de ensino, encurralado entre afazeres domésticos e home office — principalmente para mães, a quem historicamente é atribuída a responsabilidade da casa e do cuidado dos filhos. Segundo estudo da demógrafa Jordana Cristina de Jesus, da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), no Brasil pré-pandemia mulheres respondiam por 85% do trabalho doméstico, com dedicação diária de até 6 horas, enquanto a participação dos homens se restringia a 60 minutos. “Sou muito grata porque posso oferecer o ensino à [minha filha] Clara, já que a maior parte da população nem tem Wi-Fi. Mas salvem os professores e as mães. É chato, temos que fazer um trabalho que não sabemos. Para ela entender que não era férias foi um perrengue. O dia que ela voltar às aulas, vou dar uma festa”, relatou a atriz Ingrid Guimarães à revista Quem.

“Em tempos de isolamento, quando o assunto é ajudar os filhos a aprender, os dilemas variam, mas giram em torno dessa missão que de longe parecia tão trivial, mas de perto é um mistério insondável: como diabos se faz para uma criança estudar? Aos poucos, vamos percebendo se trata de um enigma que se desdobra em mil perguntas: quais materiais devo oferecer? Quanto tempo devo insistir? Pode fazer na frente da TV?”, questionou o jornalista Rodrigo Ratier, colunista de Ecoa. Segundo a experiência de Ratier, junto à filha Luiza, a quarentena é a “melhor propaganda possível” contra o homeschooling.

Expectativa x realidade

Teoricamente, homeschooling não é apenas “ajudar” nas lições de português, assistir vídeo-aulas ao lado do filho ou tirar da cartola brinquedos para “atividades lúdicas” para distrair a criança enquanto se lava louça. É uma modalidade de ensino, na qual pais (ou tutores e professores particulares) são responsáveis pela educação dos filhos, incluindo um projeto pedagógico, do abecedário à história. Em tempos de tendências negacionistas, vale lembrar: a terra não é plana e o nazismo não era de esquerda.

O modelo é legalizado em diversos países (como Estados Unidos e Portugal), mas não no Brasil, onde tramita um projeto de lei para regulamentá-lo desde 2012, indicado inclusive como uma das metas prioritárias do governo de Jair Bolsonaro desde 2019. Segundo reportou a agência BBC News Brasil, já se rascunhou uma medida provisória sobre o assunto, aproveitando o contexto atual para avançar com a pauta no Congresso.

“No Brasil, a defesa do homeschooling é fruto de uma ideologia que rejeita a dimensão pública da vida. Ideia importada dos Estados Unidos, trata-se de um braço das disputas ideológicas em torno da escola, que começa a tirar a criança do espaço exclusivamente privado e a introduz numa sociabilidade maior, em que ela vai conviver com gente diferente, que pensa diferente, com valores diferentes. A escola é o espaço onde a criança terá contato com ideias distintas das de seu círculo familiar”, avalia o sociólogo José Ruy Lozano, conselheiro do Core (Comunidade Reinventando a Educação).

A modalidade desperta discussões inclusive nos países onde é permitida. Na edição deste mês da Harvard Magazine, a acadêmica norte-americana Elizabeth Bartholet, diretora da Faculdade de Child Advocacy da Escola de Direito de Harvard, fez críticas ferrenhas e defendeu banir o homeschooling nos Estados Unidos, principalmente sobre a ausência de regulamentação nos requerimentos mínimos aos pais, como a proposta de grades curriculares. “Também é importante que as crianças cresçam expostas a valores sociais e democráticos, ideias de tolerância e não-discriminação”, argumentou.

Mas o que muitos pais vêm realizando não é homeschooling, mas uma mediação para dar apoio, estrutura e estabilidade para seus filhos estudarem em casa, a partir de conteúdos vindos das escolas, públicas e particulares. No Brasil, e-learning e EaD (ensino a distância) integral, dizem especialistas ouvidos pelo TAB, devem ser vistas como alternativas paliativas e provisórias, não definitivas. “Se considerarmos as dez competências que fundamentam a BNCC (Base Nacional Comum Curricular, documento que apresenta os objetivos de aprendizagem na educação básica brasileira), vemos pontos como empatia e cooperação, responsabilidade e cidadania, cujo desenvolvimento demanda a interação presença, não distância”, diz Lozano.

Os 99% Pegos de surpresa, pais mundo afora foram “convocados” a educar os filhos dentro de casa, muitas vezes sem conhecimento das disciplinas, didática e demais habilidades para conduzir o processo de ensino e aprendizagem. “A pandemia jogou uma lupa sobre as muitas diferenças que já existiam, só que ficaram escancaradas. O aprendizado dessa situação é: a ideia de que as crianças podem ser educadas só pelos pais não é viável, sobretudo porque educação também é relacionamento, é o contato com outras crianças”, analisou o psicólogo Rossandro Klinjey no UOL Debate sobre educar durante a pandemia.

Especialistas destacam três fatores que pesam nessa discussão: desigualdade no acesso a tecnologia (telefone, tablet, internet, computador); desigualdade no acesso a mediadores (pais e professores já preparados para adaptar aulas e não ficar reféns de vídeo-aulas, que não permitem interação); a o impacto psicológico nos alunos devido à quebra de rotina escola-casa e a ausência de interação física na escola.

“Homeschooling tem sido discutido em muitos países. Mas a demanda no Brasil corresponde a menos de 1% da população escolar”, diz Tatiana Filgueiras, vice-presidente de educação e inovação do Instituto Ayrton Senna. Segundo dados do Censo Escolar de 2018, levantados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), há 48,4 milhões de alunos matriculados na educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) no Brasil. “Este é o momento de focar nas políticas públicas mais universais, nos outros 99% que precisam que as políticas funcionem agora. Discutir homeschooling agora é tirar o foco do problema principal”, avalia Filgueiras.

Alternativas de ensino remoto são emergenciais para amenizar a suspensão das aulas presenciais, permitindo que os alunos consigam continuar realizando atividades e mantendo o vínculo com a escola. “Não há condições de repor 800 horas letivas ainda neste ano. A atividade que acontece agora em casa é fundamental. Mas o ensino remoto deixa muita gente de fora: 44% dos alunos de 6 a 19 anos que estão entre os 20% mais pobres não têm acesso a internet e a nenhum recurso, como computador”, destaca. “No mundo todo e nos rincões do Brasil, do Oiapoque ao Chuí, redes públicas têm discutido o retorno às aulas. Tudo indica que não vai poder acontecer simultaneamente para todos os alunos, será escalonado ou rodiziado”.

Há também desigualdades regionais, destaca Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais do movimento Todos pela Educação: de um lado, há estados já estudando a reabertura das escolas, por exemplo, no Maranhão, Pernambuco e São Paulo; de outro, há cidades que mal conseguiram reagir ao fechamento dos colégios. Segundo levantamento do Cieb (Centro de Inovação para a Educação Brasileira) junto a 3 mil secretarias de educação espalhadas no país, enquanto as redes estaduais majoritariamente recorreram a estratégias de ensino online, a maioria das redes municipais não adotou nenhuma ação – nem digital, nem material impresso como apostilas ou livros didáticos, nem transmissão via TV.

“Precisamos pensar já na volta às aulas, pois a pandemia não vai durar para sempre. Criticar o homeschooling e defender o ensino presencial não tem a ver com desdenhar a tecnologia ou as famílias. Tecnologia deve ser um aliado contínuo para a educação neste futuro que está logo aí, como ferramenta do trabalho pedagógico do professor. Famílias são muito importantes, principalmente neste momento de incerteza tão delicado. Todos podem contribuir para que este não seja um ‘ano perdido'”, aposta.

Fonte: TAB UOL

Com aulas remotas, pandemia escancara desigualdade no acesso à educação de qualidade

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) lançou, nesta terça-feira (2), a campanha “Internet pra Geral”, cujo objetivo é discutir os efeitos da desigualdade no acesso à educação de qualidade, principalmente durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, em que as aulas escolares e universitárias são remotas. 

De acordo com João Carlos Salles, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reitor da Universidade Federal da Bahia, a pandemia expôs as condições desiguais em que os estudantes brasileiros se encontram.

Para ele, no início da implementação das medidas de isolamento social, quando as aulas passaram a ser remotas, houve quem imaginasse que as tecnologias digitais poderiam dar continuidade integral, e com a mesma qualidade, às aulas presenciais. “Isso é evidentemente falso.”

Segundo uma pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), em 2018, 58% dos domicílios no Brasil não têm computadores e 33% não possuem internet. “A desigualdade é muito forte. Desigualdade de recursos, de condição para estudar, de tempo, dedicação. Tudo isso, é claro, afeta a educação”, afirma Salles. 

Para ele, dois elementos são fundamentais: acesso às condições materiais necessárias e capacitação dos professores para as aulas remotas. Ele também elenca que é necessário que a sociedade se mobilize.

“Nós estamos mobilizando para defender uma educação de qualidade. Nós estamos nos mobilizando para que a educação superior possa, após a pandemia, ser protegida”, defendeu Salles em entrevista ao Brasil de Fato.  

Brasil de Fato: Como o senhor enxerga que a pandemia expõe a desigualdade no acesso à educação de qualidade no País?

João Carlos Salles: A pandemia trouxe algumas informações importantes para nós, infelizmente, desagradáveis. A primeira delas é que há uma grande diferença regional, uma enorme desigualdade social, uma forte exclusão entre os estudantes. Primeiro, vamos só pegar por um aspecto muito simples: o do acesso às tecnologias digitais

A pandemia revelou um grande déficit da nossa população. É possível notar que no momento em que foi dado o auxílio emergencial, por exemplo, muitas pessoas não conseguiram acessar pela internet, não tinham sequer uma conta bancária, ou seja, estavam excluídas de uma certa vida social, possibilitada pela cidade e pelo Estado.

Então, é importante notar isso. Isso se agravou muito. A pandemia trouxe esse sinal, a clareza de um grande déficit. Temos um grande déficit não só de tratamento de esgoto, de água e luz, mas também no acesso às tecnologias digitais. Isso ficou muito claro no país. 

Então isso é um dado importante. A primeira constatação é que o Estado fracassou em incluir efetivamente, em grandes camadas da população, estudantes desde a educação básica até a educação superior, e em preparar as habitações, ou seja, as políticas públicas que deem a mínima tranquilidade para que as pessoas possam, em situação extrema como é a que estamos vivendo, continuar a sua formação, os seus estudos. 

Esse acesso à educação de qualidade envolve outros fatores para além da educação, como saneamento básico. 

Tudo isso, a desigualdade é muito forte. Desigualdade de recursos, de condições para estudar, de tempo, dedicação. Tudo isso, é claro, afeta a educação. Mas esse elemento foi muito destacado, porque alguns imaginaram que a tecnologia digital poderia salvar, digamos assim, a educação em um momento de pandemia. As pessoas poderiam continuar as suas atividades no momento de pandemia, o que é evidentemente falso. 

Para ser possível uma continuidade dessa forma, dois elementos são fundamentais. O primeiro é o acesso, que significa internet de qualidade e equipamentos minimamente razoáveis para que as pessoas possam acompanhar atividades de formação.

Outra questão eu diria que é uma grande aposta que o país deixa de fazer há muito tempo nos professores, na capacitação. Não basta ter o computador, ainda que seja fundamental. Não basta ter internet, ainda que seja fundamental. Sem esses dois elementos, não podemos seguir adiante. Mas além disso é preciso ter uma capacitação dos docentes para o uso adequado das tecnologias digitais

Agora em cima desse cenário, como o senhor avalia a posição do governo em mitigar esses efeitos dessas desigualdades na conjuntura? E como o senhor avalia a atuação do Ministério da Saúde, do governo, em um âmbito mais estrutural desses problemas?

É fundamental que o governo reconheça, não apenas numa declaração formal, mas por meio de ações práticas, a situação de calamidade sanitária. Ao reconhecer isso, deve também enfatizar a prioridade que deve ser concedida a esse valor fundamental que é a vida. A vida não pode ser objeto de cálculo, é a condição para que nós façamos qualquer coisa. 

Só podemos considerar estranha a postura de um governo que tentou ao mesmo tempo simular normalidade. Só podemos estranhar uma política de governo quando declarações do Ministério da Educação e da Presidência da República que lançavam as pessoas a uma atividade de risco, só pode ser o sacrifício da vida das pessoas. 

E em relação à Educação especificamente?

Em relação à Educação, a gente notou primeiro algumas campanhas estranhas no estilo do “Brasil não pode parar”, que escondiam uma profunda desigualdade na vida dos estudantes e imaginavam que todos pudessem se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio [Enem]. 

O Enem é uma forma de acesso fundamental à educação superior. Evidentemente nenhuma prova pode corrigir injustiças. Essas são mais graves, precisamos de uma grande decisão política, de uma transformação social para corrigir injustiças.

Mas também não podemos aceitar que uma prova venha a aprofundar injustiças, agravar a desigualdade existente. E é o que existiria se o calendário do Enem fosse mantido. E notem, o recuo do governo é um recuo estranho, porque dá um prazo limitado, e não espera para redefinir o calendário após as condições sanitárias serem restabelecidas. 

O Congresso Nacional aprovou o adiamento do Enem. O senhor acredita que a gente pode ter o legislativo como um contraponto ao governo, no âmbito da política educacional?

Esse é um momento delicado em que o Congresso pode ser um contraponto ao governo não só no âmbito educacional, mas em relação a várias sugestões autoritárias que têm aparecido no cenário. Nós vivemos um momento de grande preocupação, de grave crise política, onde as instituições estão ameaçadas. 

É compreensível que o Congresso pretenda manter o diálogo com o Poder Executivo, é necessário que se tenha o equilíbrio e que se procure o bem da Nação nesse sentido. Mas ao mesmo tempo a resistência do Congresso precisa ser clara, não permitindo que certos equívocos com danos previsíveis sejam continuados. 

Um deles é com relação ao Enem, ou seja, o Congresso poderia ter tido uma posição mais definitiva a esse respeito e não ter recuado a partir de uma primeira sinalização muito tímida feita pelo Ministério da Educação

Como o senhor avalia também a posição da sociedade e dos movimentos estudantis em, por exemplo, convocar atos. Esse aspecto também pode ser tido como um contraponto?

É necessário, nesse momento, que a sociedade se mobilize. E nós estamos nos mobilizando não só para adiar o Enem. Nós estamos nos mobilizando para defender uma educação de qualidade. Nós estamos nos mobilizando para que a educação superior possa, após a pandemia, ser protegida.

A educação, universidade pública e o SUS  [Sistema Único de Saúde] são projetos de Estado. A lição da pandemia é que são essenciais para responder a uma crise como essa, hoje a sociedade precisa se mobilizar para que sigamos defendendo as instituições. 

A pandemia deve continuar pelos próximos meses, assim como as aulas pelo modelo de educação a distância. Qual é a perspectiva? Como o senhor analisa os próximos meses?

Do jeito que nós estamos, o risco que temos pela indefinição da política pública faz com que possíveis retomadas parciais agravem a situação da pandemia. De toda forma, é importante que a sociedade faça uma aposta no sentido da inclusão das pessoas e, ao mesmo tempo, procure ter garantias de qualidade, porque não podemos agora tornar as universidades em fábricas de diplomas. 

Nós temos uma responsabilidade com ensino, pesquisa e extensão. Essas três dimensões devem ser protegidas. Retomar as atividades não é só retomar aulas a distância, não é somente passar conteúdos, é retomar uma vida onde a universidade pública se caracteriza por ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Esse é o primeiro cuidado.

O outro é o retorno presencial. É preciso ter cuidado, os espaços precisam ser repensados. Será que nós poderemos utilizar as mesmas salas de aulas nas mesmas condições? As salas de aulas não estavam cheias? Aglomerações não precisarão ser evitadas? Certos serviços não precisarão ter outras sistemáticas? Equipamentos de proteção individual não precisarão ser distribuídos em larga escala? É uma série de questões que precisarão ser equacionadas ouvindo as universidades, as autoridades sanitárias, os interesses da formação e, é claro, com investimentos nas pessoas que são investimentos na saúde nesse momento tão difícil.

Edição: Leandro Melito

 

Fonte: Brasil de Fato

25 mil estudantes do Ensino Médio nunca usaram o Google Classroom

Pesquisa de opinião entre pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino do DF descobriu que 25 mil estudantes nunca usaram o Google Classroom, a plataforma interativa escolhida pela Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) para as aulas de Educação a Distância (EaD). O levantamento detectou também que essa plataforma tem melhor avaliação do que as teleaulas  do Governo do Distrito Federal (GDF).

O levantamento constatou que 31,80% dos 80 mil estudantes do Ensino Médio não estão usando a ferramenta proposta pela SEEDF. Isso representa 25.440 estudantes que nunca acessaram a plataforma. Importante lembrar que o levantamento constatou que 120 mil estudantes não têm equipamentos de informática, como computador, tablet, celular, notebook em casa e, outros 127 mil não têm Internet.

A análise dos dados da pesquisa mostra que, dentre os 68,20% % dos estudantes que estão usando a plataforma de EaD da SEEDF, 48,10% avaliaram como satisfatório o uso desta ferramenta; 43,2% avaliaram como insatisfeitos; e, outros 8,7% não estão conseguindo acompanhar as atividades. No cômputo geral, a avaliação do Google Classroom é melhor do que a das teleaulas em razão do fato de o estudante interagir com seu próprio professor.

 

As atividades propostas pelo professor buscam atender às necessidades e especificidades da turma e essa proximidade faz toda diferença quando é feita a comparação das teleaulas com as ferramentas interativas. No entanto, a avaliação positiva abaixo dos 50% é preocupante e revela um paralelismo com a realidade da EaD em outras regiões do planeta em que ficou provado, na prática, que ela não é adequada para a Educação Básica.

O Google Classroom foi avaliado pelos pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino na pesquisa específica para eles e elas sobre Covid-19 e volta às aulas, realizada pelo Sinpro-DF entre os dias 21 e 31 de maio. O questionário com 14 perguntas, que ficou à disposição no site da entidade por 8 dias, foi respondido por dez mil pais, mães e responsáveis.

A pesquisa “Covid-19 e volta às aulas” também foi realizada com os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais com um questionário, também disponibilizado no site por 8 dias, com 16 perguntas. Ambos estão em análise e compilação. Para divulgar os resultados, o Sinpro-DF criou a série de matérias intitulada “Exclusão educacional no DF”.

Fracasso em outros países não serviu de aprendizado para o GDF 
A Ásia e a Europa usaram a EaD durante a pandemia e os resultados foram os mesmos: um fracasso até mesmo em países que forneceram aos estudantes Internet de boa qualidade e equipamentos eletrônicos (tablet/notebook).  “Nos outros continentes a constatação do fracasso da EaD é com base nos mesmos procedimentos e resultados que já prevemos aqui: a culpa não é do professor. A EaD não foi planejada para ser usada na Educação Básica, com crianças e adolescentes, por isso está, por si só, fadada a fracassar”, afirma Cláudio Antunes, coordenador de Imprensa do Sinpro-DF.

No DF, o governo Ibaneis foi alertado pelo Sinpro-DF sobre as conclusões sobre esse fracasso nos outros continentes e sugerido que o melhor a fazer era desenhar um plano de retorno às aulas de forma presencial, a ser implantado quando os números da contaminação do novo coronavírus começassem a cair. Com um retorno seguro, com adaptações, as aulas presenciais seriam ofertadas para todos os estudantes.

“Mas, aqui, a SEEDF já está cadastrando os estudantes do Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano na plataforma Google Classroom e a ideia é também estender o uso dessa ferramenta nas demais modalidades de ensino”, critica o diretor. Nessa quarta-feira (3), o secretário de Educação, João Pedro Ferraz, anunciou, numa live, que o ano letivo será retomado na rede pública, no dia 22 de junho, com as atividades a distância por meio de teleaulas e a pesquisa mostrou que mais de 120 mil estudantes vão ficar de fora delas.

A portaria publicada no Diário Oficial do DF (DODF), desta quinta-feira (4), instituiu que os(as) professores(as) retornam ao trabalho com teletrabalho, nesta sexta-feira (5) e que, entre 22 e 26 de junho, os estudantes voltam às aulas a distância e que a presença não será cobrada. Só a partir do dia 29, os professores passarão a computar os faltosos e contar as aulas como horas letivas. Ou seja, a partir desta data, os mais de 120 mil estudantes sem computador, passarão a levar falta.

A diretoria colegiada alerta para o fato de que o governador Ibaneis, do MDB, será o responsável por uma exclusão educacional gigantesca, nunca vista no DF, como a pesquisa sobre Covid-19 e volta às aulas tem demonstrado.  “Por um lado, o trabalhador obrigado pelo patrão cumprirá o plano excludente de Ibaneis. Por outro, não poderemos inocentar o GDF: ele foi avisado que a EaD é inadequada, que há 120 mil estudantes sem aparelhos eletrônicos para acompanhar as aulas a distância. Portanto, no DF, a culpa deste fracasso e da exclusão educacional de milhares de estudantes é do governador Ibaneis”, denuncia a diretoria.

Série “Exclusão educacional no DF” sobre o resultado da pesquisa Covid-19 e volta às aulas, realizada entre 21 e 31 de maio:

GDF quer fazer EaD com 127 mil estudantes sem Internet e 8 mil professores sem computador
Reportagem completa no site
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Mais de 120 mil estudantes da escola pública do DF não conseguem acessar a EaD
Reportagem completa no site
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Pesquisa comprova fracasso da teleaula
Reportagem completa no site
Sinopse no Facebook

Teletrabalho sem estrutura começa sexta (05)

Em uma Live realizada na noite dessa quarta-feira (03), o secretário de Educação do Distrito Federal, João Pedro Ferraz, anunciou que os(as) professores(as) estarão em Teletrabalho a partir dessa sexta-feira (05). Nesta fase inicial o(a) professor(a), juntamente com a escola, terá de se organizar neste formato de trabalho para começar a atender estudantes via EAD a partir do dia 22 de junho. As aulas, segundo o secretário de Educação, passarão a ser contabilizadas como Frequência/Carga horária a partir do dia 29 de junho.

Ignorando toda a realidade da Educação do Distrito Federal, o secretário colocará professores(as) para atender estudantes mesmo sabendo que 127 mil alunos não têm Internet, que 125 mil não têm computador ou qualquer tipo de equipamento eletrônico para utilizar nas Teleaulas, e mesmo tendo ciência que 8 mil professores(as), dos quais 5 mil são regentes, não possuem computadores.

 

Desrespeito ao estudante

O retorno às aulas, mas na plataforma de Educação à Distância (EAD), é um total desrespeito ao(à) estudante da rede pública de ensino da capital federal, conforme revela pesquisa de opinião realizada pelo Sinpro. Dos dias 23 a 31 de maio, a pesquisa conversou com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública para saber o que eles(as) achavam da Teleaula. Segundo a pesquisa, 57,90% dos estudantes não assistiram as teleaulas disponibilizada pela Secretaria de Educação, e dos 460 mil estudantes da escola pública, 265 mil não assistiram a nenhuma Teleaula da programação da SEE.

O resultado da pesquisa mostra que o problema não é a falta de interesse por parte do estudante, mas a ausência de estrutura destes alunos para acompanhar o conteúdo. Ausência de computador e de Internet são algumas das barreiras para que este grupo tenha acesso ao conteúdo.

O Sinpro-DF entende que o ano letivo de 2020 deve ter como foco as aulas presenciais, as quais devem ocorrer após a passagem do pico de contaminação do novo Coronavírus. Isso porque somente com aulas presenciais é possível uma interação direta do professor com todos os estudantes. É essa interação que oportuniza, de fato, neste momento de emergência, uma educação inclusiva e não de uma exclusão generalizada na rede pública. Afirma ainda que a SEE escolheu o caminho que fracassou em vários países, o qual, no Brasil, vai levar a uma exclusão educacional sem precedentes.

 

Falta de organização por parte do GDF

A categoria estará entrando em Teletrabalho sem que a SEE tenha organizado essa forma remota de trabalho O Sinpro orienta os professores a terem atenção à opção em planejar atividades nas próximas semanas para atender estudantes com materiais impressos. O pico de contaminação, conforme o próprio governador Ibaneis Rocha disse na última semana, deve estar ocorrendo no mês de julho.

Portanto, o Sinpro avalia que o trânsito de materiais impressos entre o professor e os estudantes pode expor tanto os alunos quanto suas famílias, assim como pode contaminar os professores e suas famílias ao vírus, que sobrevive alguns dias em superfícies como o papel, que será utilizado para fazer as atividades.

O Teletrabalho seria melhor aproveitado se a Secretaria de Educação fornecesse Internet de banda larga para todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais, e se a SEE entendesse que este momento do Teletrabalho poderia ser utilizado para o planejamento das aulas e dos materiais que seriam utilizados nas aulas presenciais quando a contaminação do Coronavírus começar a reduzir, ou seja, em meados de agosto.

 

Confira as datas de retorno no modelo Teletrabalho:

4 de junho – Gestores

5 de junho – Professores

8 a 12 de junho – Semana de Acolhimento e Formação

15 a 19 de junho – Professores produzem conteúdo para a plataforma

22 a 26 de junho – Estudantes voltam sem aferição da frequência

29 de junho – Começa o ano letivo do ensino mediado com aferição da frequência para todas as etapas, com acesso gratuito à plataforma.

 

GDF QUER FAZER EAD COM 127 MIL ESTUDANTES SEM INTERNET E 8 MIL PROFESSORES SEM COMPUTADOR

PESQUISA COMPROVA FRACASSO DA TELEAULA

MAIS DE 120 MIL ESTUDANTES DA ESCOLA PÚBLICA DO DF NÃO CONSEGUEM ACESSAR A EAD

 

 

 

 

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