Aulas suspensas no Rio de Janeiro

A Secretaria Municipal de Educação do Estado do Rio de Janeiro decidiu a suspensão das aulas nas redes pública e privada de ensino a partir da próxima segunda-feira (16).

O governo do estado optou por parar o ano letivo por 15 dias. Na rede privada, a paralisação também deve ser por 15 dias. O objetivo da medida é reduzir a circulação de pessoas, evitando aglomerações, multidões e a circulação do novo Coravírus- COVID-19.

A decisão afeta toda rede municipal que tem 626 mil alunos; a estadual, 700 mil.

Em Brasília, até o dia 16(segunda-feira), as aulas estão suspensas.

Sinpro lança o Podcast da Educação, o novo canal informativo da categoria

Com o objetivo de ser mais um canal de comunicação para que o professor(a) e o(a) orientador(a) educacional fiquem ainda mais informados sobre tudo que gira em torno do magistério público e da Educação, o Sinpro está lançando o Podcast da Educação. Semanalmente vamos levar à categoria pontos relevantes do magistério público, com a intenção de apontar saídas, além de fazer críticas e sugestões para que cheguemos a uma educação pública de qualidade.

O debate não ficará restrito ao Distrito Federal. À medida que a pauta da educação esteja ligada ao Governo Federal, o Podcast abordará a temática, sempre mostrando as saídas necessárias para o problema apontado.

Em nosso primeiro episódio o diretor do Sinpro Cláudio Antunes e convidados trazem como tema a Importância da nomeação de professores, a necessidade de publicação de editais para novos concursos públicos e a contratação temporária. O conteúdo estará disponível todas as sextas-feiras e pode ser acessado na página do Sinpro e em todas as nossas redes sociais, além de nossas contas no Spotify e no Youtube.

Participe enviando críticas, sugestões e ajude o sindicato a construir uma educação cada vez melhor.

Sinpro cobra providências dos governos Federal e do DF para conter o Coronavírus

O Distrito Federal, a exemplo de todo o Brasil e do mundo, vive um momento de grande apreensão e preocupação por conta da pandemia do Coronavírus. O sentimento de medo gerado após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia global gera, no conjunto da classe trabalhadora, uma incerteza sobre o futuro, além da dúvida sobre quais cuidados e providências estão sendo tomadas por parte dos governos Federal e do DF para conter este problema.

A atitude do GDF em suspender as aulas nas redes pública e privada por cinco dias, além de cancelar missas, shows, eventos esportivos ou quaisquer tipos de atividades com aglomeração de pessoas é uma medida insuficiente se outras providências não forem tomadas, uma vez que uma pessoa infectada terá a necessidade de uma assistência médica condizente com a gravidade do Coronavírus. E, hoje, infelizmente não temos esta estrutura nos hospitais públicos.

O fato dos(as) professores(as), orientadores(as) educacional e dos(as) demais servidores(as) públicos(as) ficarem cinco dias em casa e voltarem ao trabalho com a possibilidade de um quadro ainda mais grave e sem nenhuma medida não faz sentido algum. Entendemos que o governo do DF precisa tomar providências, mas é preciso que estas providências saiam realmente do papel.

 

Fortalecimento do SUS

Uma atitude extremamente necessária é o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). À medida que o SUS tenha a estrutura e o investimento necessário para o cuidado dos infectados, a pandemia pode ser controlada e vidas serão salvas.

Outro ponto indispensável é que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário compreendam a excepcionalidade da situação que estamos vivendo e a importância da ampla concentração de ações em medidas emergências para o enfrentamento da crise gerada por esta pandemia. Também é necessário que haja um amplo debate para que sejam encontradas medidas emergenciais para a proteção dos(as) trabalhadores(as) que utilizam o transporte público, assim como para os trabalhadores que convivem com grande quantidade de pessoas à sua volta, o que os coloca em um quadro de maior risco.

O Sinpro tem tomado todo o cuidado em reforçar junto à categoria as precauções necessárias para se evitar o contágio do Coronavírus, mas é preciso investimento por parte do GDF e do Governo Federal na saúde pública e em criar mecanismos de combate ao vírus, resguardando assim a integridade física da população brasileira como um todo.

 

Cuidados necessários para a categoria

Diante desta pandemia o sindicato também exige que, em caso de retorno das atividades escolares após o período de suspensão das aulas, o GDF monitore as escolas públicas, orientando os(as) professores(as), orientadores(as) e estudantes quais são os cuidados necessários para que não haja o contágio dos trabalhadores e dos estudantes. Já é sabido em todo o mundo que os jovens apresentam a doença na sua forma mais branda. No entanto, os(as) profissionais que trabalham nas escolas precisam estar devidamente protegidos, já que segundo a OMS, quanto maior for a idade, mais grave serão os sintomas do Coronavírus.

Portanto, o GDF deve orientar e adotar junto aos profissionais de educação, protocolos e etiquetas de higiene, fornecendo os devidos materiais básicos para que isto ocorra (informação através de folder e cartaz, distribuição de álcool gel e de máscaras para aqueles que por diversos motivos já mencionados pela OMS necessitam).

Desmantelamento dos serviços públicos e políticas antipovo de Bolsonaro agravam problema do coronavírus no Brasil

Esforços no mundo inteiro vêm sendo feitos para frear a pandemia do coronavírus, que já atingiu cerca de 124 mil pessoas em 113 países e territórios, com quadro geral de mais de 4 mil mortos. Os principais setores mobilizados para ganhar a corrida contra a doença são os de pesquisa, tecnologia, saúde e serviços públicos. Entretanto, no Brasil, essas também são as áreas mais atacadas pelo governo federal.

Ao se deparar com dados obtidos por institutos de pesquisa que impactam negativamente no seu governo, Bolsonaro iniciou um processo de ataque frontal às instituições, com o corte de bolsas de estudo e demissões arbitrárias de seus gestores. Em agosto do ano passado, por exemplo, foram suspensas cerca de 4,5 mil bolsas de estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Qualquer doença nova ou não, para ser tratada, precisa de informação científica. Sem informação e pessoas qualificadas, enfrentaremos grandes dificuldades. Se não tivermos investimentos aqui no Brasil, ficaremos dependente de pesquisas de outros países. E isso não é bom, porque precisamos de pessoal que conheça a nossa realidade para dar uma resposta mais ágil. O que precisamos é de investimento”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional em gestores em Ciência e Tecnologia (SindGCT), Roberto Muniz.

Também são alvos de Bolsonaro as universidades públicas, fundamentais na geração de conhecimento, na inovação e na formação de profissionais, incluindo os da área da saúde. Essas instituições foram e são protagonistas de uma série de estudos com impactos relevantes para o Sistema Único de Saúde (SUS), como pesquisas sobre câncer, dengue, zika, chikungunya e várias outras doenças.

Mesmo com fundamental importância para a sociedade, Bolsonaro decidiu desidratar ao máximo as contas das universidades públicas, pressionando o fechamento das portas de várias delas. Em maio de 2019, a Universidade de Brasília anunciou que o bloqueio orçamentário imposto pelo governo federal impactou em R$ 48,5 milhões a menos para o orçamento discricionário da UnB, correspondendo a 39% do total disponível para pagamento de despesas de manutenção.

 Manifestação em defesa da Educação | UNE/Reprodução

Fora o sequestro do orçamento das universidades, Bolsonaro colocou o Ministério da Educação de ponta cabeça, fazendo trocas arbitrárias de cargos técnicos e escolhendo como representante máximo da pasta ministros que sempre fizeram pouco caso para a educação superior pública e de qualidade. O atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, por exemplo, exalta nas suas redes sociais a monarquia e se refere a atividades acadêmicas dentro das universidades como “balbúrdia”, entre outras frases no mínimo antidemocráticas.

Outra política de desmonte do Estado bancada por Bolsonaro que impacta seriamente no desenrolar dos casos de pessoas com Covid-19, doença causada pelo coronavírus, é o sucateamento dos serviços públicos. Paralelo a falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, que chamou os servidores públicos de parasitas, o governo federal vem tentando emplacar a aprovação da reforma Administrativa.

Embora o texto completo da proposta ainda não tenha sido apresentado ao Congresso Nacional, três PECs (Propostas de Emenda à Constituição 186/2019, 188/2019 e 438/2018) já estão na pauta do Senado, e atacam em cheio os serviços públicos através da retirada de direitos dos servidores dos diversos órgãos do governo.

“Essa reforma Administrativa é, na prática, o desmonte do serviço público. E isso quer dizer a inviabilidade do Estado desenvolver tecnologia, desenvolver estudos, logística e, principalmente, de estruturar o setor da saúde para combater o coronavírus, assim como tantas outras doenças que matam os brasileiros que estão em situação de vulnerabilidade econômica, ou seja, a maioria da população. Essa doença que preocupa o mundo inteiro é a prova concreta de que os serviços públicos devem, mais que nunca, ser valorizados”, afirma a servidora pública federal Ana Paula Cusinato, secretária de Comunicação da CUT-DF.

Dentro do serviço público, a área de saúde, uma das mais importantes no combate à pandemia do coronavírus, também é alvo de ataque do governo federal. Mesmo tendo sido socorrido pelo Sistema Único de Saúde após levar uma facada, Bolsonaro não defende recursos públicos para a saúde, e vem desmontando o SUS, apresentando à população a perversa e falsa lógica de que apenas o sistema privado de saúde funciona.

  Ato Político na Câmara dos Deputados em defesa dos serviços públicos e contra o desmonte do país
                                                                                      

O desmonte da saúde pública começou com a emenda constitucional 95, sobre o teto de investimento para serviços públicos balizado no valor da inflação, ainda no governo ilegítimo de Michel Temer. Com isso, foi inviabilizada a contratação de profissionais de saúde via concurso público e também de manutenção ou criação de programas adotados na área. Associado à EC 95, mantida e defendida por Bolsonaro, o governo federal ainda aplicou outros golpes na saúde pública, como a redução do número de remédios entregues gratuitamente pelo Farmácia Popular, o fim do programa Mais Médicos e a mudança de financiamento da atenção primária à saúde no país.

Para o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, está mais do que comprovado que o Covid-19 é uma situação grave que abala todo país, mas o mais alarmante é a incapacidade que o Estado tem de cuidar de um possível e provável alto número de infectados no Brasil.

“Vários estudos já mostraram que a letalidade do Covid-19 é relativamente baixa, que a maioria da população não se encaixa no grupo mais prejudicado. Entretando, o fato é que já temos pessoas infectadas e a prospecção é que tenhamos muito mais, como aconteceu em outros países. Não falo isso para gerar pânico, mas para fazermos uma reflexão de como o Estado, através dos seus serviços públicos, dará conta dessa situação, das pessoas que precisarão ser atendidas nos hospitais públicos. As ações desse governo federal sempre vieram no sentido de diminuir o quadro funcional da saúde, bloquear investimento na área, provocando um verdadeiro desmonte. E quem são os principais afetados com isso? Sempre foi o povo e continuará sendo”, afirma.

Na opinião do dirigente sindical, mesmo que a letalidade do Covid-19 seja relativamente baixa, é preciso desenvolver métodos que contenham o alastramento da infecção. “Para evitar que o Brasil siga o caminho da Itália, por exemplo, temos que investir em saúde, tecnologia, ciência, educação, serviços públicos estruturados, qualificados e reconhecidos, capazes de desenvolver esses métodos e atender toda a população que necessite. O coronavírus pode até ter uma porcentagem baixa de casos fatais, mas o governo Bolsonaro é 100% letal.”

Fonte: CUT-DF

Corrida do Sinpro é suspensa

Informamos a categoria que a VII Corrida do Sinpro que aconteceria neste sábado (14) foi suspensa. O atendimento para a entrega do kit, que seria realizado neste sábado (14), de 8h às 12h, será feito nesta segunda-feira (16), no mesmo horário.

A diretoria colegiada do sindicato decidiu cancelar a atividade devido ao Decreto nº 40.509/2020 que determina a suspensão das aulas em todas escolas públicas e privadas e eventos públicos no DF pelos próximos cinco dias.

A suspensão acontece como uma medida preventiva aos riscos de contaminação pelo coronavírus (COVID-19), e pode ser prorrogada posteriormente. Sendo assim, estão canceladas todas as atividades que necessitam de alvará do GDF ou quaisquer tipos de atividades com aglomeração de pessoas, como shows, missas etc.

KIT ATLETA

Informamos aos professores (as) e orientadores (as) educacionais inscritos na corrida que, apesar da suspensão da atividade, a entrega do kit atleta acontecerá normalmente. O kit ainda poderá ser retirado nesta sexta-feira (13) e também na próxima segunda-feira (16), de 9h às 17h, na sede e subsedes Sinpro.

PRECAUÇÕES PARA EVITAR O CORONAVÍRUS 

– Cobrir a boca e nariz ao tossir ou espirrar;

– Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

– Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

– Não compartilhar objetos de uso pessoal;

– Limpar regularmente o ambiente e mantê-lo ventilado;

– Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos com água e sabão ou usar antisséptico de mãos à base de álcool;

– Deslocamentos não devem ser realizados enquanto a pessoa estiver doente;

– Quem for viajar aos locais com circulação do vírus deve evitar contato com pessoas doentes, animais (vivos ou mortos), e a circulação em mercados de animais e seus produtos;

– Evitar aglomerações de pessoas.

 

Aulas na rede pública estão suspensas até o dia 16 de março

O Sinpro informa que o governador Ibaneis Rocha decretou suspensão das aulas nas redes pública e privada nos próximos cinco dias devido à pandemia do Coronavírus. Também ficam suspensas missas, shows, eventos esportivos ou quaisquer tipos de atividades com aglomeração de pessoas. O Decreto nº 40.509/2020, com a suspensão das aulas, já está no Diário Oficial do DF.

Apesar de vários jornais da cidade terem anunciado a suspensão das aulas, o sindicato aguardou a confirmação do Palácio do Buriti. A decisão de anunciar a suspensão foi tomada pelo fato de sermos uma instituição que organiza uma categoria que atende a população do DF, e diante disto temos o dever de prestar todos os esclarecimentos sobre as decisões que estão sendo tomadas.

A diretoria conversou com a Casa Civil do DF para verificar a extensão desta suspensão e no momento orientamos que os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais sigam todos os protocolos do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

No momento não abriremos discussão sobre a reposição dos 200 dias letivos ou qualquer tipo de debate desta natureza. Obrigatoriamente as escolas deverão cumprir a orientação de suspensão e isto será objeto de discussão após a crise ocasionada pela pandemia do Coronavírus acabar.

A suspensão se dará por cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período. Independente do prazo fixado pelo governo ou de uma eventual prorrogação, a suspensão pode ser interrompida a qualquer momento, conforme o decreto determina. Este episódio de suspensão de aulas por questões de saúde pública por pandemia também ocorreu na capital federal no ano de 2009, por ocasião do vírus da gripe (H1N1).

 

Calendário de atividades do Sinpro

O sindicato ainda informa que as assembleias regionais que aconteceriam nesta quinta-feira (12) em Ceilândia, Guará, Samambaia, Gama, Planaltina, Paranoá e Itapoã estão SUSPENSAS. Da mesma forma a palestra O direito à educação em tempos de desmontes de direitos, no dia no dia 13 de março com o professor Miguel Arroyo, também está SUSPENSA. A nova data para a realização destes eventos e de outras atividades que o sindicato realizaria nos próximos dias será divulgada assim que o ciclo da pandemia diminuir.

Mais esclarecimentos serão dados pelo sindicato a qualquer momento em nossa página e em nossas redes sociais.

 

Confira como ficam as atividades do Sinpro mediante a pandemia do Coronavírus:

Palestra O direito à educação em tempos de desmontes de direitosSUSPENSA

Assembleias regionais desta quinta-feira (12) – SUSPENSAS

Funcionamento dos atendimentos no Sinpro – MANTIDO

Reunião ampliada com os professores aposentados (17 de março) – SUSPENSA 

VII Corrida do Sinpro (14 de março) – SUSPENSA

IV Jornada Feminista Antirracista Patrícia Galvão (16 de março) – SUSPENSA

 

Cuidados para evitar o Coronavírus:

– Cobrir a boca e nariz ao tossir ou espirrar;

– Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

– Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

– Não compartilhar objetos de uso pessoal;

– Limpar regularmente o ambiente e mantê-lo ventilado;

– Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos com água e sabão ou usar antisséptico de mãos à base de álcool;

– Deslocamentos não devem ser realizados enquanto a pessoa estiver doente;

– Quem for viajar aos locais com circulação do vírus deve evitar contato com pessoas doentes, animais (vivos ou mortos), e a circulação em mercados de animais e seus produtos;

– Evitar aglomerações de pessoas.

 

Circular n°21/2020 da SEEDF

 

 

 

 

 

 

Uma escola diferente do mundo lá fora

Dando prosseguimento à série de artigos sobre o processo de militarização, Margrid Burliga Sauer e Karla Saraiva abordam a temática no artigo Uma escola do mundo lá fora. O artigo investiga porque os pais escolhem escolas militares para matricularem os filhos. A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas. Os dados da primeira etapa permitiram compreender que a motivação dos pais para procurar a escola foi o bom desempenho em vestibulares e no ENEM, bem como seu sistema disciplinar. As entrevistas da segunda etapa mostram que os alunos gradativamente abandonam amigos e atividades que não estejam relacionadas à escola e que a rígida disciplina modifica não apenas os alunos, mas suas próprias famílias. O desempenho no vestibular apareceu também nesta segunda etapa e justifica os sacrifícios impostos pela disciplina.

Este artigo, o décimo primeiro da série, é uma sequência dos trabalhos e estudos sobre o processo de militarização na educação pública brasileira e todos os transtornos que eles causam.

Esta série de trabalhos é produzido pela Revista Brasileira de Política e Administração da Educação, periódico científico editado pela Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE), e tem o objetivo de difundir estudos e experiências educacionais, promovendo o debate e a reflexão em torno de questões teóricas e práticas no campo da educação.

O sindicato recomenda a leitura deste material para todos(as) os(as) professores(as) que tiverem interesse em aproveitar os trabalhos para pesquisas.

Confira abaixo o trabalho na íntegra:

 

INTRODUÇÃO
O soldado é antes de tudo alguém que se reconhece de longe; que leva os sinais
naturais de seu vigor e coragem, as marcas também de seu orgulho: seu corpo é
o brasão de sua valentia
(FOUCAULT, 2007, p.117)

Nos últimos anos, diversos Estados brasileiros vêm entregando a gestão
de escolas públicas à Polícia Militar, em um processo que está sendo denominado
de militarização das escolas (BERTONI, 2015). Na página da Associação Nacional
de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) encontra-se um artigo, de
agosto de 2015, intitulado “Militarização” das escolas públicas – solução? (ANPED,
2015), apontando que a adoção desta estratégia visaria a implantar uma maior
disciplina nas escolas, o que supostamente resultaria em redução da violência e
melhora do desempenho dos alunos. Ainda de acordo com esse artigo, Goiás foi
um dos estados pioneiros na militarização de escolas.
Guimarães e Lamos (2018) corroboram a análise da ANPED, afirmando,
ainda, que a militarização das escolas brasileiras se dá principalmente em instituições
situadas em zonas de periferia. Segundo os autores, a partir da implantação desse
sistema, as escolas militarizadas passaram a exibir bons resultados em avaliações
externas, como o Enem, consagrando o modelo junto à população. Desse modo,
passaram a ser apresentadas como modelo de escola pública com qualidade de
ensino e capaz de enfrentar o caos que aí se encontra. O artigo sinaliza que a
população aceita abrir mão de uma escola democrática e submeter-se a uma
organização militar em troca de melhor desempenho dos alunos.
A militarização das escolas tem ganhado força. No ano de 2019, logo
após assumir a presidência da República, Jair Bolsonaro emitiu um decreto para
reorientar a organização do Ministério da Educação. O Decreto Nº 9.465, de 2 de
janeiro de 2019, em seu artigo 11, parágrafo XVI, determina que a Secretaria de
Educação Básica tem como uma de suas atribuições
Promover, fomentar, acompanhar e avaliar, por meio de parcerias, a adoção por
adesão do modelo de escolas cívicomilitares nos sistemas de ensino municipais,
estaduais e distrital tendo como base a gestão administrativa, educacional
e didáticopedagógica adotada por colégios militares do Exército, Polícias e
Bombeiros Militares (BRASIL, 2019).

No Rio Grande do Sul, não está ocorrendo um processo de militarização
de escolas públicas, como descrito acima. Porém, desde 1980, existe em Porto
Alegre o Colégio Tiradentes, subordinado à Brigada Militar1
e fundado no intuito
de preparar jovens para ingressar futuramente em seus quadros (COLÉGIO
TIRADENTES, 2018a). Gradativamente, a rede Tiradentes de escolas de Ensino
Médio foi ampliada e atualmente existem seis outras escolas no interior do Estado.
Portanto, apesar de não estar ocorrendo a militarização das escolas gaúchas, existe
uma gradativa expansão de escolas militares (TENTARDINI, 2015).
Este artigo resulta de uma pesquisa ensejada pelas discussões em curso
sobre a militarização das escolas. O objetivo é compreender as razões que levam
as famílias a buscar que seus filhos estudem em uma escola militar fortemente
disciplinar e como as famílias de alunos percebem os efeitos dessa disciplina. A
questão foi inicialmente colocada tendo em vista que existe um crescente consenso
de que a disciplina estaria perdendo espaço na sociedade contemporânea frente às
novas configurações sociais, em especial do trabalho (SARAIVA, 2014).
A investigação foi desenvolvida com autorização da direção do Colégio
e realizada em duas etapas: a primeira, por meio de entrevistas estruturadas
com 41 responsáveis por candidatos que participaram do processo seletivo da
escola e a segunda, por meio de entrevistas semiestruturadas com cinco mães de
candidatos aprovados após um ano de ingresso. Na seção seguinte, apresentamos
sucintamente o Colégio Tiradentes, de modo que os leitores tenham maior clareza
sobre o perfil da instituição. A seguir, detalhamos a metodologia da pesquisa e,
posteriormente, analisamos os dados produzidos. Por fim, tecemos algumas
considerações acerca dos resultados obtidos nessa investigação.

COLÉGIO TIRADENTES – CTBM
A disciplina fabrica indivíduos; ela é a técnica específica de um poder que toma
os indivíduos ao mesmo tempo como objetos e como instrumentos de seu
exercício.
(FOUCAULT, 2007, p.143)
O Centro de Ensino Médio Tiradentes foi criado através do Decreto
nº 29.502/1980, então com a denominação de Escola Estadual de 2º Grau da
Brigada Militar, passando a ter a denominação atual no ano de 2000. A Rede
Estadual de Ensino Militar inclui sete estabelecimentos de ensino, localizados
nas seguintes cidades: Porto Alegre, Passo Fundo, Santo Ângelo, São Gabriel,
Pelotas, Santa Maria e Ijuí (COLÉGIO TIRADENTES, 2018a). O foco desta

pesquisa é o Colégio Tiradentes de Porto Alegre, mantido pela Secretaria de
Segurança Pública/RS e administrado por oficiais superiores, auxiliados por um
efetivo militar especialmente designado pelo Comando da Brigada Militar. A
coordenação pedagógica e alguns professores pertencem aos quadros da Brigada
Militar e outros à Secretaria de Educação.
O Ensino Médio ministrado pelo Colégio Tiradentes destina-se à
comunidade em geral,porém, com a reserva de trinta das noventa vagas existentes
a dependentes de policiais militares, pois um de seus objetivos é a garantia de
oferta educacional de qualidade a esse público. Nessa escola, o ingresso se dá por
meio de um disputado concurso2
. A primeira etapa da seleção para ingresso no
Colégio Tiradentes é um exame intelectual, com questões de língua portuguesa
e matemática. Os classificados nessa etapa passam por um exame de saúde e,
posteriormente, por um teste físico, conforme critérios descritos no edital de
seleção (COLÉGIO TIRADENTES, 2018d).
Os exames de saúde e testes físicos exigidos impedem o ingresso de
alunos com deficiências, bem como aqueles com preparo físico considerado
insuficiente (inclusive alunos considerados acima do peso ideal). No caso do
Colégio Tiradentes, essas barreiras de entrada se encontram na Lei nº 12.349/2005,
que instituiu o Ensino Médio da Brigada Militar como “forma preparatória para o
ingresso na carreira de policial militar” (ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL,
2005), permitindo que sejam impostas restrições relativas às limitações físicas dos
alunos.
Portanto, é possível afirmar que o Colégio Tiradentes não se configura
como escola inclusiva, abrigando apenas alunos que mostram competências
intelectuais e físicas avançadas. Frente a isso, o excelente desempenho que a escola
tem em avaliações de larga escala, como o Enem, não pode ser creditado apenas
às condições da escola em termos de infraestrutura bem acima da média e de
uma rígida disciplina, pois seu corpo discente é composto por um conjunto de
indivíduos muito homogêneo e com capacidade de alto desempenho.
A exclusão de alunos que não atendam aos padrões de exigência da
instituição é parte daquilo que Foucault (2007) denominou de sistema disciplinar.
Segundo este autor, a disciplina fixa os corpos no espaço e tende a segregar aqueles
considerados anormais por não se enquadrarem nas exigências normativas. As
escolas militares, bem como as militarizadas, são fortemente pautadas por uma
organização disciplinar, ressoando as teorizações foucaultianas sobre o tema. Os
alunos são controlados por um sistema que combina vigilância hierárquica, exames
e sanções normalizadoras, os três instrumentos da disciplina, segundo o autor. Seus

corpos seguem uma rígida distribuição espacial, o tempo é finamente fracionado
e intensamente utilizado e os regulamentos prescrevem microfisicamente os
comportamentos aceitáveis e as penalidades para as infrações. Nas análises que
desenvolveremos posteriormente, esses elementos ficarão bastante evidentes.
Contudo, antes de passarmos às análises, é necessário um maior detalhamento da
metodologia de pesquisa adotada.

OS CAMINHOS DA PESQUISA
Pesquisas sobre a escolha da escola pelas famílias vêm sendo desenvolvidas
desde os anos 1980 (RESENDE; NOGUEIRA; NOGUEIRA, 2011). Em geral,
essas pesquisas buscam compreender como os diferentes extratos sociais, em
diferentes países e culturas, orientam seu processo decisório sobre a educação
dos filhos. Gostaríamos de destacar, entretanto, que nesta pesquisa não buscamos
detectar a o perfil socioeconômico das famílias que procuram o Colégio Tiradentes,
mas apenas o que os levou a essa escolha.
Conforme já mencionamos, esta pesquisa foi desenvolvida por meio
de entrevistas, em uma primeira etapa, com os responsáveis por jovens que
postulavam uma vaga nessa escola e, em uma segunda etapa, com responsáveis por
jovens que já estudavam na instituição. A primeira etapa de produção de dados,
desenvolvida em 22 de novembro de 2015, consistiu em entrevistas estruturadas
com pais e mães enquanto aguardavam no pátio da escola por seus filhos e filhas,
que realizavam naquele momento a prova de seleção para ingresso no 1º ano do
Ensino Médio. Na ocasião, cerca de 600 jovens participavam do processo seletivo
para o preenchimento de 90 vagas.
A escolha pelo formato de entrevista estruturada se deu em função
da necessidade de entrevistar o maior número de pais e mães possível, tendo
em vista que a segunda etapa seria realizada apenas com aqueles cujos filhos
tivessem sido aprovados e que concordassem em participar da continuidade da
pesquisa. Ao se abordar um potencial sujeito da pesquisa, era exposto o objetivo
do trabalho, sendo necessário seu consentimento para a realização da entrevista.
Com isso, ao final da prova, haviam sido realizadas 41 entrevistas. Aqueles que
manifestaram interesse em participar da segunda etapa da pesquisa forneceram
espontaneamente seus nomes e telefones para que pudessem ser encontrados
posteriormente.
Um ano após esta primeira etapa, voltamos a contatar os pais e mães
entrevistados anteriormente e que haviam aceitado participar da segunda etapa.
Aqueles cujos filhos haviam sido aprovados e estavam cursando o Ensino Médio
no Colégio Tiradentes foram convidados a realizarem uma segunda entrevista,

desta vez com formato semiestruturado, tendo em vista a necessidade de se
explorar a relação dessas famílias com a disciplina imposta pelo Colégio. O
primeiro contato para essa segunda etapa da pesquisa se deu por telefone, com
o objetivo de agendar uma entrevista. Nesse contato, em 24 casos, os filhos não
foram aprovados na seleção. Em dez casos, não foi possível obter retorno com
o número informado. Nos sete casos de contato com responsáveis cujos filhos
tinham sido aprovados, cinco mães se dispuseram a ser entrevistadas, um dos pais
não quis participar e uma menina precisou sair do colégio porque engravidou,
ficando fora do perfil selecionado para a pesquisa.
Novamente, foi solicitado o consentimento dos entrevistados, desta vez
por meio de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, apresentado após a
exposição dos objetivos do trabalho e do modo como seria conduzida a entrevista.
Houve somente um encontro com cada uma das cinco mães participantes. Das
entrevistadas, três são mães de meninas e duas, de meninos. A seguir, analisamos
os dados obtidos em cada uma das etapas da pesquisa.

MAPEANDO OS CANDIDATOS AO COLÉGIO TIRADENTES
Os dados produzidos na primeira etapa da pesquisa permitiram definir o
perfil dos candidatos que buscam o Colégio Tiradentes. A maioria das questões
desta primeira entrevista era objetiva. Houve um equilíbrio entre os gêneros
daqueles que realizavam a prova, sendo 49% meninos e 51% meninas, e uma
predominância de candidatos oriundos de escolas da rede pública de ensino, que
perfaziam 63%, sendo os demais oriundos da rede privada. Em 46% dos casos,
a decisão de estudar no Colégio Tiradentes foi do próprio estudante, segundo
afirmaram os familiares entrevistados, e 40% vinham de famílias que tinham a
presença de algum militar. Apenas 20% dos entrevistados declararam que os
filhos poderiam ter algum problema de adaptação ao regime militar da escola, no
caso de serem aprovados.
A entrevista estruturada era finalizada com uma questão aberta em que
os pais deveriam apontar os motivos que levaram à escolha do Colégio Tiradentes.
A análise das respostas permitiu mapear o que consta na Tabela 1.

Na Tabela 1, os dados totalizam um valor maior do que 100%, tendo em
vista que na maioria das respostas foi possível identificar mais de um motivo para
a escolha. Conforme os dados tabulados, o interesse pelo Colégio Tiradentes se
deve, em primeiro lugar, ao forte desempenho da escola nos processos seletivos
para o Ensino Superior. É importante sublinhar, como já o fizemos anteriormente,
que esse bom desempenho não pode ser creditado somente às condições da escola,
tendo em vista que o processo seletivo rigoroso cria uma barreira que permite
a apenas alunos com potencial de alto desempenho frequentarem a escola. Se
levarmos em conta que a valorização do desempenho nos processos seletivos
está relacionada com a qualidade de ensino, é possível associar esse ponto às
indicações sobre a precariedade da rede pública e com a boa infraestrutura do
colégio.
Outro ponto amplamente destacado foi a disciplina da escola, que
podemos conectar com outros que também estão na lista: segurança, boas
companhias, valores cívicos e bons colegas. Nesse sentido, parece-nos que os
pais veem a ordem fortemente disciplinar, que já não se manifesta de modo tão
intenso em outras escolas, como uma salvação moral dos filhos. É importante
notar que, apesar de a escola ter sido criada como preparação para ingresso na
carreira militar, apenas 12% dos entrevistados manifestaram interesse nesse
sentido.
Portanto, sintetizando os dados produzidos nesta etapa, é possível
afirmar que as duas grandes motivações que levam a uma opção pelo Colégio
Tiradentes é a qualidade de ensino, o que seria previsível para uma escola pública
de alto desempenho em uma sociedade de alta competição por vagas no Ensino
Superior, mas também a valorização da disciplina, questão que está no cerne das

motivações desta pesquisa. Esses achados corroboram as discussões de Guimarães
e Lamos (2018), que apontam para uma aprovação de métodos conservadores
articulada com o desejo de bom desempenho escolar como o que constitui o
apoio à militarização das escolas.
As entrevistas realizadas nessa primeira etapa permitiram conhecer um
pouco melhor o público do Colégio Tiradentes e suas motivações, contribuindo
para construir o instrumento que foi utilizado na etapa posterior.

OS APROVADOS E SUA NOVA VIDA
Esta segunda etapa, realizada aproximadamente um ano após a primeira,
permitiu conhecer como cinco mães avaliavam a experiência dos filhos neste
primeiro ano no Colégio Tiradentes. A partir dos dados produzidos nas entrevistas,
construímos três focos de análise, que são apresentados a seguir: ‘abandonando
o mundo lá fora’, ‘disciplina para a vida’ e ‘desempenho no vestibular como
passaporte para o futuro’. Cabe destacar que os focos de análise confirmam o
que foi levantado na primeira etapa da pesquisa. Os dois primeiros focos estão
relacionados à valorização da disciplina e o terceiro com a preocupação com os
processos seletivos para o Ensino Superior.
Abandonando o mundo lá fora
As heterotopias sempre pressupõem um sistema de abrir e fechar que ao mesmo
tempo as isola e as torna penetráveis. Em geral, não se entra nesses lugares à
vontade. Ou a entrada é obrigatória, como no caso da caserna ou da prisão, ou
então o indivíduo que tem que se submeter a rituais e purificações.
(FOUCAULT, 2003a, p.415)
A partir das entrevistas, foi possível perceber que, no decorrer deste
primeiro ano, parece ter ocorrido uma separação desses jovens do mundo que
está fora do Colégio. O que as mães relatam, por vezes com preocupação, ainda
que disfarçadamente, é que seus filhos vão abandonando os amigos que não
pertencem ao Colégio e deixam de se preocupar com celular, maquiagem, roupas

Mãe 1: Tem alguns pais [referindo-se às reuniões de pais e mestres], que ficam falando [entre
eles] que os filhos não têm tempo para mais nada. Acham a escola puxada, “coitadinho”. Mas
eles não sabiam como era a metodologia da escola?
Pesquisadora: E seu filho, também tem pouco tempo para outras atividades, qual a sua opinião?
Mãe 1: Ele não tem mais tempo para ficar no WhatsApp, brincando no celular e coisas assim,
como ficava antes. Agora está preocupado com os estudos. Eu acho que isso é bom!
O distanciamento do ‘mundo lá fora’ que o Colégio vai produzindo nos
seus alunos marca a família e as relações que nela se estabelecem. O processo
que o sistema altamente disciplinar, com cobranças rigorosas dos alunos, coloca
em movimento faz pensar nesses sujeitos como ‘incluídos’ dentro do espaço do
Colégio e ‘excluídos’, por assim dizer, do mundo que corre lá fora. Esta ‘exclusão’,
mesmo que contingente, parece ocorrer com bastante força, moldando corpos e
subjetividades.
Mãe 2: A exigência da escola acaba afastando eles da vida social. Isso no início foi um
problema para ela, mas agora já está mais adaptada.
Pesquisadora: Ela não tem mais vida social?
Mãe 2: Tem, mas é menos que antes, quando saía mais com os colegas e ia ao cinema. Agora
precisa estudar muito mais.
A convivência intensa do grupo entre si, que aparece como uma
consequência do rigor disciplinar da escola, sinaliza que os alunos compartilham
valores de conduta, morais e éticos de acordo com uma perspectiva interna ao
grupo, promovendo a sua própria normalização. O Colégio retira os adolescentes
da exterioridade, do convívio com aqueles que estão fora de seus muros,
enquadrando-os em uma norma que lhe é própria e que se aloja nos corpos,
acompanhando os alunos mesmo fora do ambiente escolar.
Mãe 3: O sistema educacional é excelente, é uma educação que não se vê “ali fora”.
Pesquisadora: O que, dessa educação, não se vê “ali fora”?
Mãe 3: A educação, o respeito, o coleguismo, responsabilidade. Eles aprendem a respeitar
também o horário e a aceitar as regras. Se o horário é às 7h é 7h, não 7h e 1 minuto, como
temos o hábito de fazer.
A família também é envolvida pela disciplina da escola, poi,s para que as
regras sejam respeitadas, os demais membros precisam compreender e aceitar o
que é imposto pelo Colégio. E, pelo que pudemos perceber nas entrevistas, parece-

nos que, em geral, os pais aceitam essas regras sem maiores questionamentos,
reconhecendo, eventualmente, a superioridade dos comportamentos preconizados
pela instituição em relação a seus próprios, como assinala a mãe no excerto acima.
As normas disciplinares enquadram os alunos e, também, suas famílias.
Mãe 4: Essa questão de horário foi o que mais “pegou” a todos nós aqui em casa. Porque a
gente pensa, são só cinco minutos! Não, até nas reuniões de pais, horário é cumprido à risca.
Aos poucos, nós fomos nos adaptando a isso. Eu aprendi a cumprir horário, e aprendi isso
com ele.
A aliança entre família e escola foi discutida por Comenius já no século
XVII. Para esse educador, passada a primeira infância, os pais deveriam confiar a
educação de seus filhos à escola, que seria planejada por especialistas capazes de
dar-lhes uma melhor formação (NARODOWSKI, 2006). Nesse sentido, parece

nos que o Colégio Tiradentes continua mobilizando essa aliança, ao impor às
famílias seus valores e regras.
Mãe 2: A família teve que se adaptar à rotina dela, que precisa estar de volta no colégio para
o turno da tarde. As aulas lá iniciam às 7h da manhã, então isso exigiu uma adaptação de
horário. É preciso fazer o almoço dela, deixar tudo pronto para ela levar (marmita). Acabamos
nos mudando para perto do colégio e isso facilitou um pouco essa questão dos horários dela.
A aliança da família com o Colégio fica evidenciada pela confiança
necessária para submeter-se a uma disciplina tão rigorosa que chega a obrigar a
uma mudança de endereço. É preciso uma forte crença de que este é o melhor
caminho para a formação daqueles jovens. Muitos dos discursos acerca da escola
contemporânea têm procurado mostrar o distanciamento dessa instituição dos
modos de vida atuais. Há uma incessante busca por parte das escolas, e também
dos indivíduos, de estratégias para lidar com a velocidade do mundo fora dos
muros da instituição. E o que nos parece é que o Tiradentes está ainda mais
desconectado com o que acontece fora de seus muros. Porém, dá-se ali um
processo inverso, e o familiar que está ‘fora’ é que precisa se adaptar a quem está
‘dentro’ daqueles muros. O Colégio Tiradentes parece seguir com sua rigidez sem
concessões a esse mundo líquido, mutável. Nesse sentido, o espaço do Colégio
Tiradentes pode ser pensado como uma heterotopia foucaultiana, que, segundo o
autor, são
Espécies de utopias efetivamente realizadas nas quais os posicionamentos reais,
todos os outros posicionamentos reais que se podem encontrar no interior da
cultura estão ao mesmo tempo representados, contestados, invertidos, espécies
de lugares que estão fora de todos os lugares, embora eles sejam efetivamente
localizáveis (FOUCAULT, 2003a, p.415).

O Colégio Tiradentes, com seu desencaixe em relação à cultura atual,
funcionaria como uma heterotopia que visa a resgatar valores e comportamentos
que estão sendo deixados para trás nas sociedades contemporâneas. O ingresso
nessa heterotopia, nesse lugar tão diferente dos outros lugares, exige uma
transformação dos alunos, que é regrada pela própria escola. Eles passam por
um período de adaptação de cerca de dois meses antes de serem definitivamente
incorporados ao Colégio por meio de uma cerimônia em que devem mostrar
que sabem conduzir-se adequadamente, fazendo continências e saudações e
portando o uniforme de modo impecável. A pertença a esse lugar heterotópico
exige esforços que visam a uma conversão de si que assegure sua integração aos
valores e crenças da instituição. O caráter altamente ritualizado da incorporação à
instituição é parte de um sistema disciplinar.
Portanto, no que foi possível observar ao longo das entrevistas, não só os
alunos, mas a própria a família deve adaptar-se para que seja possível manter o filho
ou a filha no Colégio Tiradentes. Deixar o ‘mundo lá fora’ e incorporar-se a essa
heterotopia faz com que sejam necessários ajustes muitas vezes difíceis. Porém, a
disciplina que é aprendida no Colégio Tiradentes, segundo as entrevistadas, será
um bem que seus filhos levarão para a vida.

DISCIPLINA PARA A VIDA
Conforme Foucault (2007), no sistema disciplinar, o binômio
“gratificação-sanção” se torna operante no processo de treinamento e correção,
tendo a função de marcar os desvios e hierarquizar as qualidades, competências e
aptidões (FOUCAULT, 2007). Este mecanismo se faz bastante presente no Colégio
Tiradentes. Os alunos que se destacam por atingir os objetivos da instituição e por
não incorrerem em falhas puníveis são condecorados com medalhas durante a
formatura
e podem até assumir o posto de comando da turma.
Para os que não atingem desempenho disciplinar ou escolar satisfatório,
o regulamento do Colégio prevê uma série de sanções, chamadas de medidas
disciplinares educativas, constantes do regulamento (COLÉGIO TIRADENTES,
2018c). As medidas disciplinares também são lidas durante a formatura. Portanto,
no momento da formatura, os alunos que se destacam por se conduzirem segundo
as normas da escola são premiados e aqueles que apresentaram desajustes têm
suas punições publicizadas, constituindo-se aí um suplemento punitivo.

De acordo com as mães entrevistadas, a disciplina presente neste Colégio
vai preparar melhor seu filho ou filha para a vida e para o mercado de trabalho.
Lembramos que, por ocasião da primeira etapa da pesquisa, 80% dos pesquisados
disseram que os filhos ou filhas não teriam problemas de adaptação. Entretanto,
na segunda etapa da pesquisa, as cinco participantes referiram que os filhos ou
filhas, e também as famílias, encontraram dificuldades.
Mãe 2: A exigência da escola a pegou de surpresa, porque na outra escola ela tirava notas boas
e quase não estudava. Então, achava que sabia tudo, que estava muito bem. Quando iniciaram
as aulas, ela viu que não conseguia acompanhar o ritmo de exigências do colégio.
Porém, essas dificuldades são, em geral, significadas pelas entrevistadas
como algo que produz bons resultados. Nesse sentido, as mães veem o zelo
com o próprio uniforme, bem como o comprometimento com a manutenção e
limpeza da escola, aprendizagens que transformam seus filhos positivamente e os
preparam para a vida.
Mãe 3: Ela tem que limpar o sapato, tem que se responsabilizar pelo uniforme, e são diferentes
uniformes. Foi caro comprar todos eles, tem o dia do uniforme completo, dia do abrigo, o cabelo
precisa estar arrumado, puxado para usar a boina. Tudo isso são responsabilidades que ela
acabou assumindo e isso prepara para a vida dela depois.
Mãe 4: Fiquei feliz de vê-lo tomando conta de suas coisas, cuidando daquele uniforme, nem me
deixa passar. Ele dá valor, tem respeito [pelo uniforme]. Cumpre o que é combinado. Creio que
isso a gente acaba relaxando na educação e lá ele aprendeu. Acho que todo o jovem devia passar
por essa escola. Vejo que em outras escolas tem vandalismo, está tudo sujo, quebrado. Lá não
tem isso e eles ajudam na limpeza da sala e do pátio do colégio.
Mãe 5: Ela aprendeu muito nesse último ano. Amadureceu, ficou mais responsável. Ela tem
que cuidar do próprio uniforme, passar todos os dias, arrumar cabelo. Enfim, obrigações com as
quais ela não estava acostumada. Eles limpam a sala, ajudam a limpar o pátio, recolhendo as
folhas, são responsáveis em manter a sala de aula e aquele espaço em ordem.
Outra mãe declara que a disciplina é necessária para a vida, que regras são
importantes e que estas devem ser cumpridas.
Mãe 1: A disciplina é necessária para a vida e as regras devem ser cumpridas. A escola é como
o mercado de trabalho, tem regras e horários que precisam ser cumpridos. Acredito que isso vai
tornar ele um profissional mais capacitado para enfrentar as adversidades do mundo. Tenho
incentivado ele a estudar fora do país. Acho que essa escola só irá contribuir para isso.

Percebemos, ao longo das entrevistas, uma defesa intensa do sistema
disciplinar do Colégio. Parece-nos que essas mães querem livrar seus filhos da
instabilidade de um mundo líquido (BAUMAN, 2014) com a solidez das normas
disciplinares. Por meio da disciplina, esses jovens estariam tornando-se mais
responsáveis, desenvolvendo habilidades importantes para a vida, inclusive para
garantir o sucesso profissional. Para as entrevistadas, o duro sistema disciplinar
potencializaria o “desempenho no vestibular”, sendo o preço a pagar para garantir
o ingresso em uma universidade pública.

DESEMPENHO NO VESTIBULAR COMO PASSAPORTE PARA O
FUTURO
Desde o início desta pesquisa, ficou claro para nós que o ingresso numa
universidade pública é o principal motivo da busca pelo Colégio Tiradentes. Na
primeira etapa, 61% dos familiares entrevistados responderam que a busca por
uma vaga numa universidade pública, com ênfase na Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS), era a razão de o filho ou filha estar participando da
seleção. A maioria desses jovens (63%) é oriunda da rede estadual de ensino, como
mostramos na primeira etapa desta pesquisa. Tendo em vista o fraco desempenho
das outras escolas dessa rede em processos seletivos, é compreensível a aspiração
destas famílias. Na segunda etapa, das cinco mães entrevistadas, apenas uma
referiu que o filho desejava estudar neste Colégio por pretender seguir a carreira
militar.
Mãe 4: Ele era escoteiro, então ele que queria vir para esta escola, porque quer ser militar. Essa
escolha é dele e quando vim conhecer o colégio eu me surpreendi com tudo o que vi. Ele fez a
prova e rodou na primeira vez e depois fez novamente. Nós apoiamos a decisão dele.
As demais mães apresentaram o ENEM e/ou vestibular, como motivo
principal da procura pelo Colégio Tiradentes. Desse modo, os benefícios da
disciplina e do abandono de atividades e relações fora da escola ficam subsumidos
a esse grande objetivo de garantir o ingresso em uma universidade. Embora as
falas tenham se concentrado mais na palavra vestibular como forma de acesso à
universidade, elas percebem que um bom desempenho no ENEM também pode
garantir acesso a instituições públicas de reconhecida qualidade, além de aumentar
a probabilidade de acesso a instituições privadas pelo Programa Universidade
Para Todos (ProUni). Em suma, as mães entendem que o Colégio Tiradentes é
uma garantia de bom desempenho nesses processos seletivos de acesso ao ensino
superior, seja ENEM, seja um concurso vestibular.

Mãe 5: Queremos uma boa preparação para ela, para prestar o vestibular. Neste Colégio, eles
ensinam com base nas provas de vestibular. Há toda uma preparação para isso. O processo [de
seleção] é rigoroso e quem está lá, é porque quer estar lá.
Mãe 3: O Colégio Tiradentes tem ótimo desempenho no vestibular e no Enem. Sempre achei
que esta fosse a melhor escola e depois dos resultados de vestibular desse ano eu não tenho mais
nenhuma dúvida.
Mãe 1: O Colégio tem bom desempenho no vestibular, as provas do colégio já são no mesmo
formato do vestibular, o que prepara o aluno para isso e eu quero que ele vá se especializar fora
do País, por isso buscamos a aprovação na UFRGS.
Tendo em vista o rigoroso processo seletivo por que passam os alunos
do Colégio Tiradentes, acreditamos que eles possam ser tomados como aqueles
que Bauman (2005) chama de válidos, ou seja, indivíduos com capacidade de
encarnarem de forma modelar as virtudes do mundo atual, adaptando-se
plenamente às regras sociais, em contraposição aos falhos, que não conseguem
integrar-se adequadamente à ordem vigente. Esses alunos, mesmo oriundos,
em sua maioria, de escolas estaduais que apresentam sérias deficiências,
conseguiram superar essa limitação e obter uma vaga em uma acirrada disputa.
Soma-se a essa vitória sua capacidade de adaptação às rígidas normas da escola,
ficando evidenciado que elas podem ser consideradas válidas de acordo com a
normatividade vigente. Porém, em alguns casos, os alunos, mesmo superando as
dificuldades do processo seletivo, precisam passar por um processo de conversão
que consolide sua validade, conforme demonstra o excerto abaixo.
Mãe 2: A busca foi pelo desempenho no vestibular. Ela provavelmente vai rodar nesse primeiro
ano. Mas não faz mal, muitos iniciam no Tiradentes depois de já ter feito o primeiro ano em
boas escolas de Porto Alegre. Ela já está lá dentro. Mesmo que rode, ano que vem será mais
fácil. Ela é jovem, tem somente 15 anos. Então tem tempo para seguir em frente, e também ela
vai ficar mais bem preparada para o vestibular da UFRGS, que é o objetivo.
Portanto, a aprovação no processo seletivo para ingresso no Colégio é
apenas uma etapa inicial de um processo amplo de validação dos alunos. Ou
seja, de conformação dos alunos a determinadas normas. A ideia de qualidade
educacional no país, principalmente entre pais e alunos, está estreitamente ligada
hoje ao desempenho em avaliações externas, em especial, ao desempenho em
avaliações que constituem parte de processos seletivos para ingresso no ensino
superior, tendo em vista a acirrada concorrência que se estabelece para a obtenção
de vagas nas universidades e cursos mais disputados. Para muitas famílias, o
indicador mais importante, senão o único, para a escolha da escola de Ensino
Médio dos filhos é o desempenho em processos seletivos para o Ensino Superior.

Nesse sentido, para essas famílias seria importante que a escola fosse capaz de
proporcionar tanto um ensino de qualidade, quanto de disciplinar os alunos e
mantê-los longe do mundo lá fora.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Desde o início da pesquisa, o que nos moveu foi a curiosidade sobre
o papel desempenhado no mundo contemporâneo pelas escolas militares,
fortemente disciplinares. Nossa atenção para o tema foi atraída pela crescente
militarização de escolas públicas no país. Parecia-nos que se estava buscando
soluções para problemas atuais no sistema disciplinar, que, segundo Foucault
(2003b), caracterizou a Modernidade, mas estaria perdendo força no mundo
contemporâneo.
Os resultados da primeira etapa da pesquisa já deixavam evidente
a crença dos pais e das mães de que uma escola com mais disciplina poderia
preparar melhor seus filhos e filhas para o vestibular, ou seja, que a preparação
para enfrentar os processos seletivos não seria apenas fruto de um bom ensino
dos conteúdos, mas também da orientação curricular fortemente disciplinar, que
enfatiza a produção de sujeitos com um ethos orientado pelo senso de ordem e de
dever.
Em relação à segunda etapa, foi possível perceber que a organização
disciplinar transborda do ambiente escolar e se estende para o âmbito familiar. A
disciplina cobra um preço que família e alunos pagam para maximizar a chance de
ingresso numa universidade pública de qualidade, conforme foi possível observar
durante a segunda fase da pesquisa. Não apenas pagam como o consideram
justo por crerem que a disciplina é necessária para o sucesso não apenas nesse
empreendimento, mas na vida de modo mais amplo. De acordo com as mães
entrevistadas na segunda etapa da pesquisa, a disciplina que se faz presente no
Colégio Tiradentes será um aprendizado para a vida. Além disso, a necessidade
que as mães relataram de haver uma adaptação das famílias para que os filhos
pudessem seguir as normas da escola sinalizam o desencaixe dessas normas com
o funcionamento da sociedade atual.
Como em todos os sistemas disciplinares, no Colégio Tiradentes
funciona um pequeno mecanismo penal (FOUCAULT, 2007), distribuindo
sanções e prêmios que visam a normalizar os indivíduos. A disciplina se inscreve
na superfície dos corpos. Nesse sentido, vale trazer a fala do comandante por
ocasião da reunião inicial: “é bonito de ver aquele jovem que chega aqui civil e,
dentro de alguns meses, percebe-se a mudança no corpo, na postura deles”. A
forte disciplina que rege os alunos do Tiradentes acaba por distanciá-los do mundo

que está fora dos muros do Colégio, conforme relatam as mães entrevistadas. Os
modos de vida dos jovens na contemporaneidade não parecem encontrar espaço
na vida dos alunos desse Colégio, onde funcionam rígidas normas disciplinares.
Quando as mães entrevistadas se referem ao mundo lá fora, elas se referem a
um mundo que se move. Lembrando o que escreve Bauman (2014, p. 77), “alguns
dos habitantes do mundo estão em movimento; para os demais, é o mundo que
se recusa a ficar parado”. Parece haver nas falas das entrevistadas uma busca por
uma ordem que foi perdida, uma crença de que a disciplina vai preparar melhor os
filhos e filhas para o mundo e para o mercado de trabalho. Uma das mães justifica
a escolha pelo Tiradentes “pela disciplina, pelo respeito e porque o mundo de
hoje está perdido”.
De acordo com Bujes (2012, p. 159), “a escola tem sido percebida como
em descompasso com a sociedade que lhe corresponde. Ela não estaria mais
dando conta de promover em seus alunos as condutas necessárias para que a
sociedade atinja seus objetivos e concretize seus projetos”. E esse desencaixe
estaria, segundo a autora, fortemente ligado a uma herança disciplinar que ainda
está presente nas instituições. Segundo Saraiva (2014), a escola contemporânea
é chamada a transformar-se para continuar cumprindo uma função que já vem
desde a Modernidade: produzir trabalhadores adaptados ao sistema produtivo e
às formas de trabalho de seu tempo. A passagem de um sistema fabril calcado em
um trabalho disciplinar para uma produção organizada por um trabalho flexível e
imaterial exige outros tipos de subjetividade que a disciplina já não seria capaz de
produzir.
Nesse sentido, a forte organização disciplinar do Colégio Tiradentes a
tornaria ainda mais desencaixada do que as outras escolas? Ela não seria diferente
apenas do mundo lá fora, mas também de outras escolas estaduais do RS, onde há
greve, pichação, desordem, insegurança e uma baixíssima colocação no ranking
do ENEM, na opinião das mães. Entretanto, se a expectativa da sociedade, como
escreve Bujes (2012), é uma boa colocação no ranking final [vestibular], se esta
é a ‘caixa’, estaria o Colégio Tiradentes encaixado? Ou será que, apesar de sua
excelência nas avaliações, ele estaria desencaixado por promover modos de vida
particulares que promovem uma socialização fechada sobre o grupo de alunos?
Aqui, é possível perceber um dos dilemas educacionais contemporâneos.
A escola, inserida numa sociedade em que a disciplina tem cada vez menor
destaque (FOUCAULT, 2003b), é conclamada continuamente a buscar formas
de organização menos disciplinares, tanto em relação à disciplina-corpo, quanto
em relação à disciplina-saber. Os projetos de aprendizagem, por exemplo,
rompem com os princípios da fixação dos corpos, do corte da comunicação, da
coletivização do uso do tempo, das fortes hierarquias características da disciplina-

corpo e são fundamentados na ideia de interdisciplinaridade (SARAIVA, 2014).
Essas novas formas de organização escolar estariam mais alinhadas com a forma
com que os alunos aprendem e com as necessidades da sociedade atual, segundo
o que vem sendo defendido por diversos autores.
Contudo, também é possível perceber que escolas fortemente disciplinares
têm desempenhos destacados nas avaliações de larga escala. No cenário
nacional, os colégios militares apresentam uma história de alto desempenho de
alunos em concursos vestibulares e no ENEM, destacando-se entre as escolas
públicas e fazendo frente a muitas escolas privadas. Um dos pontos de defesa da
militarização das escolas em diversos Estados brasileiros é justamente a melhora
de desempenho dos alunos, além da promoção de um ambiente mais ordeiro
e seguro. Portanto, ao mesmo tempo em que se dissemina uma discursividade
amplamente aceita acerca da necessidade de suavizar a disciplina na organização
curricular para atender às novas geometrias do mundo, existe uma crescente
pressão pelo desempenho em processos seletivos para o Ensino Superior que
parece ser favorecido por um currículo fortemente disciplinar.
Desse modo, como já sinalizaram outras pesquisas, acreditamos que
haja aprovação de instituições como o Colégio Tiradentes no contexto nacional,
apesar de um desencaixe dos mecanismos disciplinares em relação aos modos
de vida contemporâneos. A aprovação das mães entrevistadas à dura disciplina
da escola, que isola os filhos do mundo lá fora, parece sinalizar que a solidez dos
valores institucionais seja um alívio às angústias de como educar um filho em um
mundo crescentemente líquido (BAUMAN, 2014).
Todavia, o mundo aqui fora requer sujeitos criativos, capazes de
tomar decisões, de aprender autonomamente, de se mover num mundo fluido
e cambiante. Para Saraiva e Veiga-Neto (2009, p. 192), na sociedade neoliberal
“o cronômetro foi substituído por indicadores e a visibilidade se deslocou do
corpo para o cumprimento de metas”. Segundo esses autores, o trabalho imaterial
modificou as atividades da cadeia produtiva e onde antes precisávamos de corpos
dóceis, hoje temos a ênfase nos cérebros flexíveis e articulados. Além disso, o
mundo contemporâneo é atravessado pela diversidade, exigindo capacidade de
convívio com uma multidão de singularidades, o que parece ser o oposto do que
ocorre no Colégio Tiradentes.
E talvez seja justamente este o desafio dos egressos desta escola: colocar

se de volta no mundo aqui fora. Se a busca pelo vestibular é o que os move hoje,
este é apenas um dos tantos desafios que irão enfrentar. Resta-nos questionar se
a rigidez disciplinar é capaz de produzir um sujeito integrado nesse mundo cada
vez menos disciplinar, mais líquido e em permanente transformação. E também
o quanto de sofrimento eventualmente está sendo causado a esses alunos que

deixaram o mundo lá fora e vivem em um outro mundo particular. Porém, estas
são questões que fogem ao escopo desta investigação e que necessitam novos
investimentos para serem respondidas.

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_____________________________________________________________
MARGRID BURLIGA SAUER é mestre em Educação (ULBRA) e graduada em
Ciências Sociais (Unisinos). Atualmente é diretora de pesquisa do Amostra
Instituto de Pesquisa.
E-mail: margridsauer@yahoo.com.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5548-8523
KARLA SARAIVA é Doutora em Educação (ULBRA), atualmente é professora do
Curso de Pedagogia e do PPG em Educação da ULBRA.
E-mail: profa.karla.saraiva@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2105-0619
Recebido em agosto de 2019
Aprovado em setembro de 2019

Sinpro intensifica mobilização em defesa do novo Fundeb

A diretoria colegiada do Sinpro-DF atendeu ao chamado da Confederação Nacional dos trabalhadores em Educação (CNTE) e deu mais um passo na luta em defesa  do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Diante da importância do tema e do que ele gera para a educação o sindicato convida os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais que estiverem em coordenação pedagógica para acompanharem as atividades.

Na manhã desta terça-feira (10), a diretoria colegiada do Sinpro visitou os gabinetes dos deputados federais e entregou ofício aos parlamentares reivindicando apoio a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 15/2015 que torna o Fundeb permanente.

A expectativa é de que uma Comissão especial vote ainda hoje o parecer do projeto. A reunião está prevista para às 15h, no plenário 1, da Câmara dos Deputados.

A diretora do Sinpro, Rosilene Corrêa explica que o Fundeb é um importante recurso para financiar a educação pública no país. Entretanto, a legislação atual extingue o fundo no fim deste ano. Por isso, a sindicalista ressalta que é essencial defendê-lo.

“Por meio do Fundeb poderemos avançar rumo à uma educação mais justa e igualitária. Sem os recursos do Fundeb escolas poderão fechar as portas e qualidade da educação cairá. Esta luta é fundamental para garantia da educação pública brasileira. Educação não é mercadoria e é dever de todas e todos defendê-la. Só assim garantiremos um ensino de qualidade” alertou.

 

 

Termina às 18h de quarta (11) período de inscrição para curso Jornada Feminista Antirracista Patrícia Galvão

O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) informa que o período de inscrição para o curso Jornada Feminista Antirracista Patrícia Galvão termina às 18h desta quarta-feira (11). Trata-se de um curso de formação para educadoras(es) da ativa da carreira do magistério público do Distrito Federal. As inscrições podem ser feitas por meio do endereço eletrônico a seguir: https://sinpro25.sinprodf.org.br/jornada-feminista-patricia-galvao/.

O curso terá início no dia 16/3, às 19h, com uma aula magna, a ser realizada no Auditório Paulo Freire, na sede do sindicato no Setor de Indústrias Gráficas (SIG). Com 80 horas/aulas, o curso terá certificação e acontecerá entre março e junho de 2020. O objetivo é formar multiplicadoras que adotem, na rede pública de ensino, práticas pedagógicas libertadoras e emancipatórias de enfrentamento às desigualdades vividas pelas mulheres.

Dividido em sete eixos, o curso proporcionará um diálogo com as educadoras(es) sobre tais desigualdades em diversas dimensões da vida. Será ofertado em dois dias na sede do sindicato no Gama, sempre às segundas-feiras; e, dois dias na sede do SIG, sempre às terças-feiras. Sendo uma aula presencial por mês e as demais serão a distância.
Serão cinco turmas com uma única aula presencial no mês. No Gama, as aulas serão nos turnos matutino e vespertino. No SIG, serão nos turnos matutino, vespertino e noturno. Cada turma terá, no mínimo, 15 participantes. Caso não alcance esse número, não haverá turma.

Cada cursista deverá fazer inscrição em uma única turma das 11 previstas no programa e o preenchimento das vagas será por ordem de inscrição. A primeira aula será realizada na sede do Sinpro-DF no SIG. As aulas presenciais ocorrerão nos dias 16 e 17/3; 13 e 14/4; 11 e 12/5. Em junho será o encerramento com atividade em turno único.

CONFIRA NA TABELA A SEGUIR:


CONTEÚDO – O conteúdo está dividido em eixos programáticos e estão em consonância com os pressupostos teóricos do Currículo em Movimento para a Educação do Distrito Federal. Com sete eixos temáticos, o curso terá as seguintes disciplinas: “História das desigualdades de gênero, raça e classe social”; “Mulheres, o público e o privado”; “Educação para a cidadania”; “Educação para a sustentabilidade”; “Educação para e em direitos humanos”; “Histórias e resistências”; “Práticas pedagógicas/boas práticas” e uma referência bibliográfica de apoio.

A coordenação pedagógica é da professora dra. Denise Maria Mantovani. Ela é pós-doutora em Estudos Feministas e doutora em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB) e graduada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica. Terá participação das professores Denise dos Anjos Mascarenhas, Bernadete Maria Konzen, Isabel Freitas e professoras convidadas.

Categoria realiza assembleias regionais nesta quinta (12)

Nos meses de fevereiro e março a categoria realiza assembleias regionais em várias cidades do Distrito Federal com o objetivo é mobilizar todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais para a nossa pauta de reivindicações. Os debates serão de grande importância para nosso ato, que será realizado no dia 18 de março, às 10h, no Teatro Nacional. Nesta quinta-feira (12), é a vez das(os) professoras (as) e orientadoras (as) educacionais das seguintes regionais se reunirem:

Ceilândia – CEM 02, às 9h e 14h
Guará – CEF 04, às 9h e 14h
Gama – CEM 02, às 9h, 14h e 19h
Samambaia – CEE 01, às 9h e 14h
Planaltina – CEM 01(Centrão), às 9h e 14h
Paranoá/Itapoã – CEF 01 do Paranoá, às 9h e 14h

Confira a pauta de reivindicações:

1 – Plano de Saúde Já
2 – Não às OS’s
3 – Cumprimento da Meta 17
4 – Não à reforma da Previdência
5 – Em Defesa da Educação Pública, Gratuita, Democrática e Laica
6 – Não à militarização das escolas
7 – Em Defesa do Novo Fundeb Permanente
8 – Concurso público Já
9 – Nomeações – Convoca Já

Não deixe de participar. Nossa luta depende da mobilização de cada um de nós!

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