Nova campanha do Sinpro chama a atenção para a importância da nomeação de professores efetivos
Jornalista: Luis Ricardo
Como parte da campanha Convoca Já, movimento criado pelo Sinpro para a nomeação de professores(as) e orientadores(as) educacionais aprovados em concurso público, o sindicato está criando uma nova campanha com o objetivo de chamar a atenção do Governo do Distrito Federal e da sociedade em geral para a importância destas nomeações para a busca de uma educação pública de qualidade. As nomeações de educadores(as) para vagas efetivas sempre foram uma bandeira defendida pelo sindicato, pela importância que tem para uma educação pública de qualidade e pela necessidade que a rede pública possui hoje.
Diante disto a categoria está convidada a participar desta mobilização doando brinquedos, alimentos e incentivando os(as) demais educadores(as) a participar, porque as nomeações fortalecem a educação pública, assim como a sua qualidade.
Dentro da campanha, o sindicato realizará uma série de movimentos no sentido de sensibilizar a sociedade e pressionar o governo para as nomeações. O primeiro movimento será uma campanha de arrecadação de donativos para a Creche Escola Crianças Movendo o Céu, na Estrutural. A arrecadação será do dia 2 ao dia 20 de setembro e os interessados poderão doar alimentos não perecíveis, brinquedos, além de itens de higiene e de limpeza, e entrega-los na sede e subsedes do Sinpro.
Esta luta não é somente daqueles(as) que aguardam suas nomeações, mas de toda a categoria e da Educação. “A importância da campanha é em defesa de uma educação pública de qualidade, socialmente referenciada, que é o conceito de educação que defendemos. Estamos movimentando a sociedade em torno do tema através de uma ação de solidariedade com estas crianças que necessitam de proteção social, que será o futuro do nosso país. Diante disto, o objetivo principal é mostrar à sociedade a importância da convocação desses professores concursados por sua qualificação e perlo que podem contribuir para a continuidade desta educação”, ressalta o diretor do Sinpro Jairo Mendonça.
Sinpro convoca a categoria para Ato em Defesa da Previdência Social
Jornalista: Luis Ricardo
A diretoria do Sinpro convoca os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais que estiverem em coordenação para Ato em Defesa da Previdência Social na próxima terça-feira, dia 3 de setembro, às 9h, no auditório Petrônio Portela do Senado. O Ato repudiará todas as alterações nefastas nas regras de aposentadoria e concessão de benefícios pelo INSS, geradas pela reforma da Previdência de Bolsonaro.
A participação de todos e todas é de grande importância, uma vez que o Senado ainda votará a reforma da Previdência (PEC 06/2019) e já propôs uma PEC paralela para incluir estados e municípios, fato que atinge diretamente os professores e orientadores do Distrito Federal.
“Este ato é mais uma oportunidade de manifestar nossa discordância com a proposta (PEC 6/2019) e pressionar os senadores a dizerem não às mudanças que atacam em cheio a população, principalmente os mais vulneráveis socialmente. É importante que os sindicatos mobilizem sua base e se somem a atividade”, convoca o secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues.
Robôs impulsionaram hashtags contra ONGs na Amazônia e a favor de Salles
Jornalista: Leticia
Cerca de 1% dos perfis foram responsáveis por mais de 20% das postagens com as tags que chegaram aos assuntos mais comentados do Twitter
Na semana passada, entre 19 e 24 de agosto, as queimadas na Amazônia foram um dos assuntos mais comentados no Twitter mundialmente. Em meio à polarização no Twitter, as hashtags foram mais uma vez usadas como armas para ganhar a opinião pública – mas dessa vez, com auxílio de robôs e turbas virtuais, segundo levantamento feito pela Agência Pública.
No dia 21 de agosto, o presidente acusou, sem provas, organizações não governamentais (ONGs) pelos incêndios na Amazônia. “Pode estar havendo a ação criminosa desses ‘ongueiros’ para chamar atenção contra o governo do Brasil”, disse em coletiva de imprensa. No mesmo dia, seus apoiadores lançaram a hashtag #AmazoniaSemOng, que chegou aos assuntos mais comentados da rede no Brasil.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também recebeu uma hashtag de apoio nas redes. A tag foi lançada, com pouca expressividade, no dia 21 de agosto. No dia seguinte, depois que o partido Rede Sustentabilidade entrou com pedido de impeachment do ministro, a #SomosTodosRicardoSalles chegou aos Trending Topics no Brasil.
A Pública teve acesso às primeiras 50 mil postagens de cada uma das hashtags #AmazôniaSemONG e #SomosTodosRicardoSalles durante os dias 21 e 22 de agosto, extraídas pelo Laboratório de Pesquisadores Forenses Digitais (DFRLab), da organização Atlantic Council. Os dados mostraram que por trás das tags estavam perfis com indícios de automação, responsáveis por manipular as tendências na rede social.
Além disso, a reportagem verificou que o uso das hashtags foi orquestrado em grupos bolsonaristas no Whatsapp. Um número identificado como “Tv a Cabo” publicou em quatro grupos ligados a Jair Bolsonaro de diferentes estados mensagem chamando para “Twittaço” com as tags #AmazôniaSemONG e #ApoioTotalRicardoSalles.
A mensagem também conclamava os participantes do grupo a seguir a conta oficial de Twitter da Secretaria Especial de Comunicação Social do governo federal (Secom), criada no auge da crise, em 21 de agosto.
Mensagem chamando para twittaço em favor do ministro Ricardo Salles e contra ONGs na Amazônia circulou em grupos do Whatsapp (Printscreen Whatsapp)
Mensagens quase idênticas foram publicadas mais de 100 vezes pelo perfil @direitaforte7 no Twitter. O perfil, que foi excluído pela plataforma, mencionava outras contas, como a do próprio presidente e de ministros do governo, chamando para o “Twittaço”.
Procurada, a Secom não respondeu sobre sua relação com o Twittaço até a publicação da reportagem.
Poucos perfis, muitas postagens
O primeiro registro da hashtag #AmazoniaSemONG apareceu 4 horas depois de Bolsonaro publicar fala acusando as ONGs pelos incêndios na Amazônia em seu Twitter. Às 20h10 do dia 21 de agosto, o influenciador digital conservador Jouberth Souza, que acumula mais de 45 mil seguidores na rede social, comentou em publicação do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro: “Usem a tag: #AmazoniaSemONG”. O comentário teve 130 retweets.
Primeira menção à tag #AmazôniaSemONG veio do perfil @Jouberth19 (Reprodução/Twitter)
Uma hora depois, a tag já tinha mais de 1500 menções no Twitter, de 617 perfis diferentes. A grande maioria de postagens vinha de usuários anônimos e alguns ativistas digitais mais influentes.
Entre os anônimos, estavam perfis estranhamente ativos. Das 1500 primeiras postagens, 379 (25%) vieram apenas de 10 usuários. O perfil @jogomartins, de João Gomes Martins, com apenas 159 seguidores, publicou ou replicou a hashtag 87 vezes na primeira hora. Em seguida vem o perfil @ajulia366, com 73 publicações com a #AmazoniaSemONG no período. Em terceiro lugar, o perfil @MayDgoni, identificado como Mayra, publicou e retuitou a hashtag 53 vezes na primeira hora.
No total, apenas 180 usuários (1% do total de perfis que usaram a tag) foram responsáveis por 20% das primeiras 50 mil postagens com a #AmazôniaSemONG.
A hashtag #SomosTodosRicardoSalles também teve poucos usuários publicando muitas vezes, mas a atividade anormal só começou horas depois do primeiro tweet, feito às 10h01 da manhã do dia 21 de agosto por Nadja Clea (@najinhas), perfil ligado à direita com 9,4 mil seguidores. Ela retuitou uma publicação do site Conexão Política, alinhado ao governo, que dizia “ONGs que perderam verbas e cargos vão à PGR contra Ricardo Salles”, e comentou “A roubalheira acabou. #SomosTodosRicardoSalles”. Durante a manhã do dia 21 apenas ela usou a tag.
Às 16h50 o perfil @AVerdade_Libert, identificado como “Angel”, comentou com a tag em resposta a uma postagem do site de direita Renova Mídia. E às 17h18 convidou seus 22 mil seguidores a se engajarem na #SomosTodosRicardoSalles: “Podem me dar um up?”.
O perfil @AVerdade_Libert impulsionou o início da hashtag #SomosTodosRicardoSalles (Reprodução/Twitter)
O pico de publicações da tag, no entanto, só ocorreu no dia seguinte, quando também chegou aos Trending Topics a tag #ForaSalles, em apoio ao pedido de impeachment do ministro.
Uma das publicações com maior repercussão com a #SomosTodosRicardoSalles veio de Dani Wine Brasil.
O perfil, que segue e é seguido por 11 mil pessoas, foi o 6º que mais publicou a tag, com 183 postagens. Dani Wine ficou atrás dos perfis Silvana Merissi, com 446 tuítes, Murilo Defanti, com 420 tuites, Bronko Documentaries, 309, Mari Luci Ferraz, 274, e Giane R. Silva, 260. Das primeiras 50 mil publicações com a tag entre 21 e 22 de agosto, 11 mil (23%) vieram de apenas 122 perfis – 1% do total de perfis que usaram a tag.
É uma atividade que indica manipulação das tendências no Twitter, segundo a pesquisadora da organização Atlantic Council Luiza Bandeira. “Existem várias formas de manipular o Twitter. Uma delas é o uso de contas automatizadas, mas você também pode manipular as tendências fazendo com que poucas pessoas tuitem muitas vezes a mesma hashtag.”
Para as hashtags críticas ao governo na questão ambiental, as taxas de usuários estranhamente ativos foi muito menor. Segundo análise da pesquisadora, no caso da #ActForAmazonia, 1% dos perfis foram responsáveis por 9% das postagens, e no caso do #PrayforAmazonia, por 11%.Como é comum, perfis de influenciadores alinhados ao governo se engajaram nas Tags, como a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que fez os dois tuítes com a tag #SomosTodosRicardoSalles mais retuitados, com 2,9 mil e 2,8 mil retuítes. Um tuíte do próprio Salles que retuitava o jornalista José Roberto Guzzo ficou em terceiro lugar, com 2,8 mil retuítes.
O próprio Ministro Ricardo Salles utilizou a hashtag em seu apoio (Reprodução/Twitter)
Já Allan dos Santos, dono do site Terça Livre, alinhado ao governo, foi o mais influente na hashtag #AmazôniaSemONG. Ele retuitou uma publicação de outro perfil e ironizou a cantora Anitta: “Índios, invadam a mansão da Anitta”. Foi retuitado por mais de 3 mil pessoas.
25 publicações mais retuitadas com a #AmazôniaSemONG (Reprodução/DFRLab-AtlanticCouncil)
Evidências de automatização
Além das duas hashtags terem sido amplificadas por usuários estranhamente ativos, elas tiveram o engajamento dos mesmos perfis. No total, 26.821 perfis diferentes mencionaram alguma das tags entre os dias 21 e 22 de agosto. Desses, 18% (4.859) mencionaram ambas.
Entre os usuários mais ativos, a proporção é ainda maior. Dos 100 usuários que mais mencionaram a #SomosTodosRicardoSalles, 26 também estavam entre os que mais mencionaram a #AmazôniaSemONG.
O perfil de Silvana Merissi, que se apresenta como apoiadora de ministros do governo bolsonaro sob o nome de “SilzinhaBolsomoroGuedesWeintraubTarcisioDamaresAja” foi recordista de publicações com as duas tags. Pela #SomosTodosRicardoSalles, ficou em primeiro lugar com 446 menções. Pela #AmazoniaSemONG, levou o sétimo lugar, publicando a tag 142 vezes. Em todos os casos, “Silvana” retuitou publicações de outros perfis.
“A gente considera mais de 140 tuites por dia em média como suspeito”, explica Luiza Bandeira. “Esse perfil na última semana fez quase 400 tuites por dia, em média, o que é estranho. Além disso, ela retuita algumas coisas no mesmo segundo, o que também é indício de automação”.
Outros 4 usuários que ficaram entre os dez mais ativos têm características semelhantes. Os perfis Murilo Defanti, Bronko Documentaries, Mari Luci Ferraz e Anderson Souza, assim como Silvana Merissi, somaram mais de 1500 menções às hashtags e só fizeram retuites, com poucos segundos de diferença. Eles também se engajam em outras hashtags ligadas à direita. No dia 27 de agosto, as quatro contas retuitaram postagens com a tag #GloboLixoTraidoraDaPatria, que chegou aos Trending Topics.
Uma rede de robôs em defesa de Salles
O segundo perfil que mais tuitou ambas as tags foi o @Sah_Avelar, com 417 publicações com #AmazoniaSemONG e 157 #SomosTodosRicardoSalles. Diferentemente de Silvana, Sah Avelar não fez retuites com as tags, mas suas postagens sempre começam com um número que corresponde a um horário. Seu primeiro tuíte com a #AmazôniaSemONG foi às 20h45 do dia 21 de agosto. O texto começava com o horário “23:45” e divulgava um vídeo do canal de Youtube Conservative Core, que tratava de outra temática. Todas as postagens seguiam o mesmo padrão: horário três horas para frente, link para Youtube e hashtag.
Primeira das 417 postagens do perfil @Sah_Avelar com a tag #AmazoniaSemONG (Reprodução/Twitter)
O perfil de Sah Avelar também parece vinculado a outros três que ficaram entre os mais ativos das duas hashtags. Os usuários @sasa_news, @savelar4 e @tmr_kyle seguem os mesmos padrões de postagens que @sah_avelar, têm a mesma imagem de capa e perfil e são identificados com o nome “sasa – Conservative Core”. Outros dois perfis utilizam esse mesmo nome e imagens, @myamyers_ e @noMatte34020924, mas esses não se engajaram nas tags em questão.
Postagens do perfil @sasanews_ divulgam canal Conservative Core do Youtube (Reprodução/Twitter)
Perfil @tmr_kyle posta coordenadamente com @sasa_news e @savelar4 (Reprodução/Twitter)
As postagens dos três perfis foram feitas nos mesmos segundos (Reprodução/Twitter)
Na #AmazoniaSemONG os três postaram coordenadamente, no mesmo segundo. E também agiram em sintonia para impulsionar a hashtag #ApoioTotalRicardoSalles. Contudo, a hashtag não foi para frente, e não chegou nem a 1.000 menções.
Segundo Bandeira, esses perfis têm comportamento parecido ao de uma rede de robôs, como publicações idênticas, nomes de usuários e fotos de perfis parecidos.
O Twitter possui uma política específica contra spam e manipulação de conteúdo na plataforma. Apesar de serem permitidas contas automatizadas, “não é permitido usar os serviços do Twitter com o intuito de amplificar ou suprimir informações artificialmente”. Dentre as violações dessa política, está multiplicidade de contas operando “com propósitos sobrepostos” e “usar um assunto ou uma hashtag popular com a intenção de subverter ou manipular uma conversa”.
Muitos dos usuários que se engajaram em peso nas hashtags analisadas violam tais políticas. Alguns deles, inclusive, já foram excluídos pela plataforma, como é o caso do perfil @direitaforte7, que publicou 175 vezes a #SomosTodosRicardoSalles e 105 vezes a #AmazôniaSemONG entre os dias 21 e 22 de agosto.
Procurado pela Agência Pública, o Twitter afirmou ter tomado medidas de precaução com os perfis apontados pela reportagem com indício de automação. “Em linha com o procedimento adotado quando são identificados proativamente comportamentos suspeitos na plataforma, o Twitter impôs desafios a contas compartilhadas pela reportagem para averiguar se são usuários reais ou contas falsas/automações mal-intencionadas.”
A plataforma também disse estar se esforçando “para combater proativamente tentativas de manipulação das conversas” e que exclui postagens automatizadas do cálculo para os Trending Topics.
SSP-DF divulga dado incorreto ao dizer que estudantes aprovam militarização
Jornalista: Maria Carla
Por muitos dias a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) mancheta o site dela com uma informação não verídica. Uma das matérias em destaque apresenta a seguinte afirmação: “Comunidade escolar quer permanência de gestão compartilhada, revela pesquisa”.
O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) fez uma análise mais aprofundada da referida pesquisa da SSP-DF, divulgada em junho deste ano, e verificou que a maioria dos estudantes rejeita a militarização das escolas (gestão compartilhada).
Com o título I Pesquisa de Situação Escolar – Escolas de Gestão Compartilhada, que utilizou técnica de amostragem e método survey, a SSP-DF apresenta vários dados muitos dos quais inconsistentes. Um exemplo é o primeiro quadro que faz uma síntese do denominado Programa de Gestão Compartilhada (GC) (militarização ou intervenção militar) e diz, no cabeçalho do quadro, que a militarização foi avaliada positivamente.
Não é verdade. Nesse quadro, a SSP-DF mostra quatro gráficos em forma de pizza. O problema começa nos quadrantes dos estudantes, professores, servidores e militares. Além do gráfico em forma de pizza, nos quadrantes de estudantes, professores e servidores há outro gráfico em forma de torre com a pergunta “Quer que a GC continue?”. No quadrante dos militares, esse segundo gráfico não aparece.
O Sinpro-DF já solicitou os dados dos militares e a disponibilização da pesquisa completa e não teve resposta até hoje. A Lei de Acesso à Informação diz que o órgão público tem um prazo de 20 dias para esclarecer apresentar as informações solicitadas. Esse prazo começou a ser contado a partir do dia 15 de agosto.
“Somente com a pesquisa completa teremos a real dimensão da opinião da comunidade escolar a respeito da militarização. A falta do dado na apresentação da pesquisa ao público revela problemas de transparência e até de manipulação de dados.
Outro quadro comparativo da gestão compartilhada, também em forma de pizza, mostra, claramente, que a maioria dos estudantes gosta da escola como ela era antes da militarização. Confira.
Nota da diretoria | Governo Ibaneis institui censura prévia nas escolas
Jornalista: Maria Carla
O governo Ibaneis não para de atacar a educação pública do Distrito Federal. Nessa quinta-feira (29), divulgou a Circular 67/2019, que inviabiliza as propostas pedagógicas das escolas.
Na circular, o Governo do Distrito Federal (GDF) institui a censura e o monitoramento contido na Lei da Mordaça (Escola sem Partido) ao dizer que todas as atividades pedagógicas a serem desenvolvidas nos espaços escolares, como palestras, shows, espetáculos teatrais e atividades similares devem passar por uma censura prévia dos gestores e autoridades escolares.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF vê todas as ações do governo Ibaneis com muita preocupação porque, no geral, promovem o desmonte da educação pública e gratuita em todos os seus aspectos e atendem a um segmento que não tolera a democracia e os serviços públicos gratuitos.
Entendemos que o GDF deveria, antes de tomar qualquer atitude, conhecer as escolas e suas atividades pedagógicas e instituir políticas que investem e estimulam a realização de mais projetos. E mais do que isso, conceder a estrutura necessária para que cada escola possa desenvolver seu próprio Projeto Político-Pedagógico (PPP).
Importante ressaltar que a Circular 67/2019 é desnecessária porque as escolas têm uma rotina administrativo-pedagógica que já informam para a Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) qual é o seu PPP. Toda escola tem um PPP, o qual é revisado anualmente. Cabe à Coordenação Regional de Ensino e à SEEDF fazer gestão para acompanhar o desenvolvimento e a atualização desses projetos. Nada mais.
O que a Circular 67/2019 impõe é que as CRE entrem no âmbito do cerceamento uma vez que não cabe à CRE julgar se a palestra ou um palestrante X ou Y, por exemplo, são ou não adequados para aquele projeto da escola. Isso quem define é a escola com o seu PPP, com sua comunidade escolar, por meio do Conselho Escolar.
A diretoria colegiada repudia a Circular 67/2019 e a ousadia do GDF de tentar implantar o terrorismo da censura nas escolas públicas do DF. Já não basta a imposição da intervenção militar, agora quer empurrar o cerceamento político e a perseguição da liberdade de cátedra. Uma atitude autoritária que nem durante os anos de chumbo do Brasil, a ditadura militar ousou fazer.
Essa malfadada e autoritária circular deve ser retirada e invalidade porque irá provocar a desistência de muitas escolas de desenvolver seus PPP não porque não sejam bons projetos, mas por causa da burocracia, da má-fé e da intransigência de algumas pessoas e grupos oportunistas que utilizam o poder para implantar suas ideias neofacistas, seus métodos de doutrinação (Escola sem Partido) e sua visão autoritária de mundo.
Uma coisa é a SEEDF solicitar a atualização dos PPP com inclusão dos projetos de rotina da escola ao longo do ano. Outra coisa é submeter a inclusão dos PPP a alguém que assume um comando nas CRE e se posiciona como um censor. Esse tipo de ação é típico de quem não tem um projeto de governo para a cidade e nem disposição de fazer investimentos na rede pública de ensino.
Por falta de políticas públicas de valorização da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o governo tem reduzido a modalidade de ensino em diversas unidades país afora. Nos primeiros meses de governo Bolsonaro, várias incertezas para EJA foram vistas. Logo no início do mandato, o presidente dissolveu a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC).
O órgão era responsável não apenas pela modalidade de EJA em específico, como também por outras modalidades cujos sujeitos, frequentemente, são também estudantes da EJA, como a Educação do Campo e a Educação nas Prisões. Em seu lugar, foram criadas duas novas secretarias: a Secretaria de Alfabetização e a Secretaria de Modalidades Especializadas da Educação. No decreto que as instituiu, entretanto, não há nenhuma diretoria específica dedicada à modalidade.
O GDF tem seguido o mesmo viés do governo federal e também anunciou o fechamento de diversas turmas de EJA. O episódio mais recente aconteceu na última semana, quando a Secretaria de Estado de Educação (SEDF) determinou a redução da modalidade em duas escolas de Ceilândia: Centro de Ensino Médio (CEM) 3 e no Centro Educacional (CED) 11. De um total de 14 salas no CEM 3, sete seriam fechadas. Já no CED 11, de 12 turmas, outras quatro seriam extintas.
A notícia não foi bem recebida pela comunidade escolar e, graças a mobilização conjunta entre o Sinpro, professores(as), orientadores(as), estudantes e movimentos sociais o governo recuou da decisão. Agora, todas as turmas serão mantidas até o final do ano e o enfrentamento para que o GDF apresente uma política de valorização da EJA será intensificada.
A professora da modalidade no CEM 3, Emanuelle Mendes, alerta que a decisão de redução das turmas foi tomada sem práticas de prevenção. A professora explica que além do desconforto e da superlotação, a mudança poderia resultar no fechamento de turno para o próximo semestre, prejudicar professores e estudantes e aumentar ainda mais os índices de evasão escolar.
“Mesmo não sendo professora de português, no que se refere aos investimentos na área educacional, acho no mínimo imoral que o governo conjugue os verbos fechar, devolver, reduzir. Temos que conjugar fomentar, incentivar, apoiar. Uma pena a palavra investimento ser associada a gastos pela Secretaria de Educação. Ao meu ver, o recuo foi, sem dúvida, a vitória foi da democracia. O momento agora é de cobrar o Estado. Ele tem que pensar em construir espaços de aprendizagens e não em minimizar os que já existem. Queremos a ampla divulgação das vagas nas grandes e pequenas mídias”.
Já a professora do CED 11, Ana Reulma Aires acredita que fechar turmas é fechar portas para as possibilidades que estes estudantes têm de recuperar o tempo perdido. “Nós não lidamos só com meros espectadores de aulas, nós lidamos com o sonho das pessoas. Sonho de mudança de vida, de deixar de lado a perspectiva de manutenção e se tornarem agentes de transformação. Nós já estamos em campanha para a conquista de novos estudantes. A nossa luta não acabou, é só um respiro. Porque o objetivo de fechar turmas não mudou, o que mudou foi o prazo para que isso aconteça. Então, onde houver combate, haverá resistência”, concluiu.
A Secretaria alegou que o motivo do fechamento de turmas seria a falta de estudantes nessas unidades, porém esta é uma afirmativa no mínimo contestável. Para os professores(as) e orientadores(as) dessas unidades existe sim um problema de evasão escolar na EJA. Muitas vezes, esses problemas estão relacionados à diversos fatores, como dificuldade de aprendizagem, longa jornada de trabalho, larga heterogeneidade no mesmo espaço que pode variar entre jovens a partir de 15 anos, adultos, idosos, trabalhadores urbanos e rurais, jovens em liberdade assistida, alunos com necessidades especiais e um grande conjunto de pessoas que por diversas razões foram excluídas da escola.
Entretanto, mesmo em meio a todos os desafios impostos aos professores e estudantes da EJA, simplesmente querer cortar turmas e devolver professores não é a solução, muito menos uma justificativa.
A integrante do Grupo de Trabalho Pró-Alfabetização do Distrito Federal (GTPA-Fórum EJA/DF), Maria Luíza Pinho Pereira explica que a demanda social da modalidade EJA em todo o DF é enorme. Atualmente, um contingente significativo de pessoas não é atendido pela oferta de matrículas na rede pública.
Existe um grande número de possíveis estudantes para ingressarem na modalidade de ensino EJA. Somente em Ceilândia, por exemplo, segundo dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) de 2018, estima-se que 100 mil pessoas na faixa etária acima dos 25 anos não terminaram a educação básica.
Segundo Pereira, o conceito da EJA na forma integrada à Educação Profissional conquistado na lei do Plano Nacional de Educação (PNE) em 2013 e incluído no Plano Distrital de Educação (PDE), foi fruto da luta dos movimentos sociais, popular, estudantil e sindical. “A Lei 5.499 que instituiu o PDE foi construída coletivamente pelo Fórum Distrital de Educação. Ela obriga o governo a cumprir as Metas 8, 9, 10 e 11 referidas à EJA na forma integrada à Educação Profissional (EJA/EP), o que não está acontecendo. O GTPA-Fórum EJA/DF tem lutado por todos os aspectos da EJA junto aos poderes legislativo e executivo”, esclarece.
Madalena Torres, diretora do Centro Educação Paulo Freire de Ceilândia (Cepafre) e coordenadora do Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor (Mopocem), explica que além de disponibilizar o 156, número da Central de Atendimento ao Cidadão para matrícula de novos estudantes, é preciso uma ampla mobilização e divulgação por meio de uma busca ativa. “Muitos não conseguem fazer sua matrícula devido a burocracia. É preciso facilitar o acesso e, principalmente, criar uma escola atrativa para trazer esses alunos. Precisamos receber essa população com respeito e cuidado e entender que não são apenas estudantes, e sim trabalhadores estudantes”, reitera.
Na avaliação da diretora do Sinpro, Eliceuda França, o recuo representa uma vitória importante para todos diante do papel social da Educação de Jovens e Adultos. Para ela, em período de desmonte e ataques à educação, o governo pelo menos cogitar a quebra do processo pedagógico desses estudantes é no mínimo cruel e deve ser fiscalizado para que isso de fato não ocorra. “Realmente tem poucos alunos por turma na EJA, mas parece que o principal propósito do governo é simplesmente fechar de fato, ao invés de batalhar para trazer novos estudantes. Hoje não temos uma política clara de valorização e defesa dessa modalidade. A EJA é uma correção para os jovens e adultos que no seu período normal de formação não tiveram acesso à educação por inúmeros motivos; constituíram famílias muito cedo e só agora estão voltando a estudar, jovens que largaram os estudos para trabalhar e a ajudar a família e muitos outros. Por isso, é fundamental investir em campanhas publicitárias e educativas para divulgar essas vagas para população e trazer os alunos para a escola”, afirma.
Para a diretora do Sinpro, Mônica Caldeira, a medida é mais um ataque. “É absurdo que se negue aos estudantes a oportunidade de voltar a estudar. Não se trata apenas de ter um certificado de conclusão do Ensino Médio. É o retorno ao ambiente de conquista da cidadania, do sonho por qualificação profissional. A vida passa pela escola, e ao negar esse direito, o Estado comete uma violência contra alunos e professores.”
O também diretor do Sinpro, Luciano Matos concluiu afirmando que a militarização, outra iniciativa do GDF que segue a linha autoritária de Bolsonaro, também pode contribuir para o desmonte da EJA. “A militarização imposta pelo governo irá acabar ainda mais com a oferta da modalidade. Muitas escolas que foram militarizadas extinguiram a Educação de Jovens e Adultos. É preciso começar a valorizar e tratar a EJA como política pública e não apenas política compensatória como tem sido feito. Disponibilizar para todas as modalidades de ensino acesso à escolas bem estruturadas, atrativas, com laboratórios, salas de recursos, bem como contratar mais orientadores, fundamentais para atuação na EJA e, principalmente, seguir as metas que tratam de segurança pública, transporte etc”, concluiu.
Clique AQUI e confira a carta aberta do Centro de Ensino Médio (CEM) 3
Grupo de psicanalistas realiza atendimento nas ruas para democratizar serviço
Jornalista: Leticia
Todas as sextas-feiras, no finalzinho da tarde, a Praça Zumbi dos Palmares, em frente ao Conic, ganha um aspecto diferente. O espaço que por vezes passa despercebido em meio à correria do dia a dia, se converte em uma clínica a céu aberto. Ali, por onde passam milhares de pessoas diariamente, um grupo de psicanalistas de diferentes percursos realiza atendimento gratuito, das 16h30 às 19h.
Pares de cadeiras são organizados no chão da praça. Tudo muito simples, mas carregado de profissionalismo e respeito à pessoa humana. De um lado, um profissional disposto a ouvir e analisar. Do outro, um cidadão, em busca do autoconhecimento e de respostas para as angústias internas. Não é necessário agendamento prévio. É só chegar, sentar e bater um dedo de prosa.
O projeto, intitulado Psicanálise de Rua, existe há pouco mais de um ano, mas vem sendo idealizado desde 2017. Em meados de novembro daquele ano, um grupo de psicanalistas se reuniu e iniciou os debates sobre os objetivos da ação. A proposta é simples: democratizar a psicanálise por meio da ocupação dos espaços públicos. Para isso, além da Praça Zumbi dos Palmares, o grupo atende também na Rodoviária do Plano Piloto, todos os sábados, das 10 às 12h. “Uma das intenções do coletivo é exercitar e refletir sobre a democratização da psicanálise. Sabemos que não é um serviço barato quando feito em consultórios privados”, esclarece o psicanalista integrante do Coletivo Raoni Machado.
Em cada plantão, o Coletivo atende aproximadamente 10 pacientes, entre primeiros atendimentos e retornos. “Não temos o número exato de quantas pessoas retornam. O que se pode dizer é que muitos gostam e acabam voltando”, afirma a psicanalista Maíra Volpe.
Além do atendimento nas ruas, o grupo se reúne toda quarta-feira. As três primeiras reuniões de cada mês são restritas aos integrantes do Coletivo. Nelas, são realizados estudos, discussões dos atendimentos e assembleias, que podem ser deliberativas ou não. Já na última quarta-feira, o encontro, que acontece na Casa da America Latina, às 20h30, é aberto ao público.
Serviço O que? Psicanálise de Rua Quando? Toda sexta-feira, de 16h30 às 19h, e sábado, das 10 às 12h. Onde? Sextas-feiras, na Praça Zumbi dos Palmares, em frente ao Conic; Sábados, na Rodoviária do Plano Piloto
Escola militarizada não impede briga entre estudantes
Jornalista: Maria Carla
Um vídeo com o registro de uma briga entre estudantes no interior do Centro Educacional (CED) 03, de Sobradinho, foi enviado ao Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), nesta quinta-feira (29), para mostrar como a escola militarizada não resolve os problemas de indisciplina entre adolescentes.
A Imprensa do sindicato investigou e confirmou que o vídeo-denúncia, apresentado no final desta matéria, é verídico e se trata do registro de uma briga entre estudantes no interior do CED 03 de Sobradinho, uma das primeiras escolas que sofreu intervenção militar no início deste ano.
Desde que o governo Ibaneis adotou a militarização como forma de gestão pública das escolas, a rotina do Sinpro-DF passou a ser esta, de receber denúncias anônimas de gestões ineficazes, opressão e ações de total falta de pedagogia dentro das escolas militarizadas.
O retrocesso na política educacional é revelado por estudantes, professores e orientadores educacionais,os quais não querem se identificar por medo de represálias. Passaram, por isso, a denunciar o fracasso da chamada “gestão compartilhada”.
A diretoria colegiada do sindicato mostra que esse tipo de gestão interventora é fracassada porque, diferentemente do que ocorria antes, quando os problemas de relacionamento eram administrados e resolvidos pela Orientação Educacional por meio da mediação de conflitos, com a intervenção militar passaram a ser tratados como caso de polícia.
O resultado disso é o prejuízo do estudante, da família dele, do magistério e da escola pública porque, com receio de retaliação, a comunidade escolar deixou de resolver os conflitos de forma humanizada porque o ambiente escolar deixou de ser civil.
Outro aspecto grave dessa negligência do GDF é que, ao empurrar a militarização, obriga a escola pública a abandonar competências inerentes a sua função no magistério, como a de mediar conflitos por meio de uma abordagem pedagógica, psicossocial e psicoeducacional para ter de se sujeitar e se esconder atrás de denúncias anônimas, numa tentativa desesperadora de resolver problemas naturais dos seres humanos, como é o caso do conflito e do embate físico entre adolescentes.
O sindicato orienta a toda a comunidade escolar das unidades militarizadas a continuarem denunciando situações como essa e outras que venham a presenciar com as quais se sintam ameaçados nas suas liberdades individuais e democráticas e no seu direito à educação pública e gratuita de qualidade, bem como a doutrinação e a ideologização impostas pelos adeptos da Lei da Mordaça (Escola sem Partido).
O Sinpro-DF orienta também professores, estudantes e orientadores educacionais a denunciarem outras formas de imposições, opressões, repressões, abuso de poder entre outros crimes que venham a ocorrer dentro das escolas militarizadas.
Nesta denúncia anônima enviada por vídeo (no final desta matéria), o denunciante afirma que, muitas vezes, são repreendidos e recebem ordens absurdas dos policiais militares mesmo sem terem acesso a nenhum tipo de regramento.
Confira, a seguir, o diálogo nas redes sociais sobre esse episódio e, após os diálogos, veja o vídeo-denúncia da briga.
CUT Brasília: 36 anos em defesa da classe trabalhadora
Jornalista: Luis Ricardo
Em meio à Ditadura Militar, a luta pela liberdade de expressão e pelo respeito aos direitos da classe trabalhadora entoavam pelos quatro cantos do país. Foi diante deste cenário que no dia 28 de agosto de 1983 a Central Única dos Trabalhadores (CUT) iniciava sua trajetória. Na capital federal, a CUT Brasília dava início à sua história um ano depois, nos dias 7 e 8 de julho de 1984.
A Escola Santa Dorotéia, localizada na Quadra 911 Norte, recebeu dezenas de sindicalistas para o 1º Congresso Estadual da Classe Trabalhadora (1º Ceclat-DF), evento que fundou a Central no Distrito Federal. O Congresso recebeu a inscrição de 146 delegados representando 15 sindicatos ligados a várias categorias, dentre elas a dos Jornalistas, Arquitetos, Vigilantes, Domésticas, Nutricionistas, Economistas, Engenheiros, Assistentes Sociais, Gráficos, Médicos, Enfermeiros, Orientadores e Formadores Profissionais, Auxiliares de Administração Escolar, Professores e Servidores.
A fundação da CUT Brasília foi fruto de uma ampla mobilização sindical/social iniciada no final da década de 70, um processo de aguerrido enfrentamento popular – com vistas à redemocratização do país – que levou a ditadura militar a dar os primeiros sinais de enfraquecimento. À época, as principais reivindicações dos(as) trabalhadores(as) eram o fim da política econômica do governo; liberdade e autonomia sindical; salário-desemprego; estabilidade no emprego; reforma agrária sob o controle dos trabalhadores; eleições livres e diretas, já; e fim do regime militar.
Segundo o documento que assinala a fundação da CUT Brasília, “a criação da CUT-DF significa um passo concreto no processo de consolidação da nossa Central Única e deve significar também a união de um maior número de companheiros na luta intransigente pela defesa de nossas reivindicações e no combate ao desatrelamento dos nossos sindicatos. Assim estaremos construindo nossa organização de base, democrática e de luta”.
Passadas três décadas e meia, a CUT Brasília mantém a luta pela organização da classe trabalhadora e, principalmente, pelo respeito aos direitos destes(as) trabalhadores(as), que são responsáveis pelo crescimento do Brasil.
Desde sua construção, a CUT responde à necessidade de organizar os trabalhadores em suas lutas concretas por melhores salários, por melhores transportes, por condições dignas de habitação, por liberdade e autonomia sindicais.
Para o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, ao fazer 36 anos neste 28 de agosto, a CUT se depara com desafios semelhantes aos apresentados na sua fundação, em 1983. “O desemprego em escala sem precedente, a ausência de políticas públicas, o ataque às mulheres, homossexuais, indígenas, quilombolas e tantas representações do nosso país; o ataque à organização sindical e aos sindicalistas. Paralelamente, o fortalecimento dos laços do governo brasileiro com os Estados Unidos e uma ampla aliança com gigantes do mercado se reconstroem e trazem de volta os mais temidos ventos de quem lutou pela redemocratização do Brasil”, comenta o sindicalista, ressaltando que hoje, 36 anos depois, se faz necessário fortalecer esse tripé e mostrar que fomos forjados na luta. “Não vamos permitir retrocesso. Não vamos permitir que o maior líder da classe trabalhadora, o presidente Lula, continue sendo um preso político. Não vamos permitir que atropelem a democracia em nome da ganância. Não vamos permitir que nos calem. É tempo de coragem! E não há nada mais corajoso que resistir em tempos de ódio e retrocesso!”, finaliza Rodrigo.
Em sua história, a CUT Brasília teve como primeiro presidente Chico Vigilante (1984 – 1990) e um professor ocupando a presidência da Central – Rejane Pitanga (2006 – 2010).
Parabéns à Central Única dos Trabalhadores e parabéns à luta de cada um que faz da CUT uma central em defesa de todos e todas.
Como na época da fundação, CUT completa 36 anos em meio à luta pela democracia
Jornalista: Luis Ricardo
A CUT completa 36 anos com desafios semelhantes aos que enfrentou na época da sua fundação. Os cenários político e econômico de 1983 e 2019 impõem organização, mobilização e estratégias de luta contra o desemprego e os ataques aos direitos da classe trabalhadora.
Em 1983, com o país imerso em grave recessão, taxas de desemprego batendo recordes históricos, arrochos salariais, ditadura militar e muita repressão e opressão, mais de cinco mil trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade fundaram a Central Única dos Trabalhadores, a CUT.
Em 2019, a CUT realiza seu 13º Congresso Nacional da CUT (Concut), enfrentando desemprego recorde e o maior ataque aos direitos sociais e trabalhistas já vistos na historia do Brasil. Desde que assumiu, há oito meses, o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL), não anunciou uma única medida em benefício da classe trabalhadora. Tudo, até agora, beneficia empresários, em especial do agronegócio.
“A CUT surgiu porque sabíamos que os sindicatos são extremamente importantes na vida do trabalhador, da trabalhadora e da democracia, mas também sabíamos que tinha que ter uma entidade com capacidade para liderar a organização de todos os sindicatos do país em torno de uma mesma ideia. Só assim era possível dar mais força para a luta e a conquista dos trabalhadores. O desafio é semelhante 36 anos depois”, afirma o presidente da CUT, Vagner Freitas.
Com Bolsonaro, a CUT tem um papel mais importante ainda, pois ele está promovendo um ataque feroz aos direitos conquistados com muita luta em todos esses anos, além dos ataques direcionados à organização sindical e à democracia, analisa Vagner.
“O governo de Bolsonaro não tem nenhum respeito com a história e a democracia do país, com os trabalhadores, com as trabalhadoras e muito menos com o movimento sindical brasileiro, responsável por inúmeras conquistas que melhoraram a vida de milhões de pessoas”, disse o presidente da CUT.
Ele trabalha todos os dias para sufocar o sindicalismo e, assim, impedir avanços e destruir direitos que muita gente deu a vida para conquistar
Para Vagner, Bolsonaro quer destruir o movimento sindical porque sabe a força de centrais como a CUT que “há 36 anos mostra no dia a dia sua importância, capacidade de organização e luta, além do enorme compromisso com os direitos da classe trabalhadora”. É isso que tornou a CUT, diz o dirigente, a maior do Brasil, quarta maior do mundo e uma das mais respeitadas pelos trabalhadores do mundo inteiro.
A fundação da CUT
CEDOC/CUTA aprovação da fundação da CUT no 1º Conclat em 1983
O 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizado há exatos 36 anos, entre os dias 26 e 28 de agosto, no Pavilhão Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, reuniu trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões do Brasil. Eles representaram 912 entidades, sendo 335 urbanas, 310 rurais, 134 associações pré-sindicais, 99 associações de funcionários públicos, 5 federações e 8 entidades nacionais e confederações.
E em 28 de agosto de 1983 conseguiram, depois de várias tentativas, consolidar a organização da classe trabalhadora, fundando a primeira central nacional intersindical e intercategorias construída após o golpe militar de 1964.
As reivindicações aprovadas no 1º Conclat foram o fim da Lei de Segurança Nacional e do Regime Militar, combate à política econômica do governo, contra o desemprego, pela reforma agrária, reajustes trimestrais dos salários e liberdade e autonomia sindical. E para coordenar essas lutas foi eleita uma direção colegiada, presidida por Jair Meneguelli, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
“Depois da fundação da CUT, resistindo à ditadura militar e lutando por uma democracia, nós viajamos o Brasil inteiro dando palestras e debatendo com os sindicalistas com uma malinha de roupa e de remédios. Trouxemos muitos sindicatos para a CUT e mostrávamos a importância de uma entidade estar filiada a uma central combativa e forte. Foi com muita luta e dificuldade que chegamos até aqui”, disse o primeiro presidente da CUT, Jair Meneghelli.
Quando a CUT foi fundada, já existia um histórico de lutas lideradas pela Comissão Nacional Pró-CUT [grupo de trabalhadores criado para organizar a CUT em 1981]. A pauta era ampla, ia desde a luta pelo fim do desemprego, redução de jornada de trabalho para 40 horas semanais, greves gerais e seguridade social, passando pela luta contra a carestia e pelo direito à moradia, até e liberdade e autonomia sindical e liberdades democráticas.
CEDOC/CUTMesa da diretoria na plenária que decidiu a fundação da CUT
Em 1984, um ano depois da sua fundação, a CUT foi uma das protagonistas da luta pelas eleições diretas. A Central organizou, inclusive, uma marcha à Brasília, que agregou outras reivindicações como salário-desemprego e contra o Decreto-Lei 2.065 que arrochava ainda mais os salários.
Os desafios do 13º Concut
O presidente da CUT destaca a importância do 13º Congresso Nacional da CUT (Concut) para os próximos anos da Central. De acordo com Vagner, a CUT tem que se adequar aos novos tempos.
“Em 1983, 1984, era uma classe trabalhadora, uma organização. Agora é outra classe trabalhadora em outra organização. Somos exitosos no que construímos até agora, mas não é mais suficiente pro que vem adiante”, disse Vagner se referindo aos novos desafios do mundo do trabalho.
“Esse tem que ser o congresso da virada da CUT para representar toda classe trabalhadora, tanto os afetados pelos novos modelos de contratos, como o intermitente legalizado pela reforma Trabalhista, quanto os trabalhadores informais e a nova classe trabalhadora com a indústria 4.0”, pontuou Vagner.
“Esse é o grande desafio do 13º Congresso, o segundo mais importante depois da fundação. O desafio do primeiro foi o de construir a CUT e chegar até onde chegamos. Agora será hora de rever, modernizar, readaptar a CUT ao mundo moderno e continuar trabalhando para que ela seja combativa e importante”, afirmou Vagner Freitas.
Sobre o 13º Concut
O 13º Congresso Nacional da CUT “Lula Livre” acontecerá entre os dias 7 e 10 de outubro, na Praia Grande, mesmo local onde foi realizado o congresso da Comissão Nacional Pro-CUT. O mote será “Sindicatos Fortes = direitos, soberania e democracia” e tem como objetivo intensificar e aprofundar o debate, definir estratégias e elaborar um plano de lutas para fazer frente aos desafios que estão colocados para a classe trabalhadora, para o movimento sindical e para o povo brasileiro. O Congresso também vai eleger a direção para o período de 2019 a 2023.
A participação das mulheres
CEDOC/CUTDidice na criação da Comissão sobre Questão da Mulher Trabalhadora
As mulheres participaram desde o inicio da construção e das lutas da CUT, mas as fotos mostram que elas aparecem pouco nas mesas e nos destaques porque ainda era esta a constituição do sindicalismo brasileiro, muito mais masculino do que feminino.
Mas a CUT saiu na frente mais uma vez e foi no 2º Congresso Nacional da CUT (2º Concut), em 1986, que deu início a política de gênero na CUT e foi criada a Comissão Nacional sobre a Mulher Trabalhadora, uma conquista das mulheres da CUT.
“Conseguimos aprovar a comissão sobre a questão da mulher trabalhadora e isso mostrou justamente que a CUT, como central sindical moderna e progressista, tinha que assumir esta luta pela igualdade entre homens e mulheres e os direitos das trabalhadoras e foi aprovado.”, contou a primeira coordenadora da Comissão da Questão da Mulher Trabalhadora da CUT, Didice Godinho Delgado.
Segundo ela, isso só foi possível porque tinha um ambiente mais favorável a introduzir questões consideradas novas no sindicalismo e também porque teve muito apoio e influência dos movimentos feministas.
Didice disse que um dos legados importantes daquele período, que se mantém até hoje, é a união entre as mulheres.
CEDOC/ CUTFormação da Comissão sobre a Questão da Mulher Trabalhadora
“Nós somos mulheres diferentes, de setores diferentes, vindas de regiões diferentes, com ideologias políticas diferentes, do campo e da cidade, mas estávamos convencidas e seguras que precisávamos construir uma atuação unificada. E esta compreensão de que unidas somos fortes foi fundamental para o êxito da organização das mulheres na CUT”, disse ela.
“Atuar de forma unificada possibilitou que as divergências entre as mulheres não comprometessem o objetivo maior, que era e continua sendo, que a CUT seja uma central comprometida com a igualdade de gênero, na luta contra o racismo, por direitos da população LGTBQI e contra todo tipo de discriminação. Legado importante e que a CUT tem dado ao sindicalismo a nível mundial”, conclui Didice.