O Brasil se mobiliza contra o desmonte da educação pública

Abraço na Biblioteca Central da UnB nesta terça-feira (7)/ Crédito: Secom/UnB

 

Dezenas de estudantes, professores(as) e funcionários(as) técnico-administrativos da Universidade de Brasília (UnB) realizaram, no meio-dia desta terça-feira (7), um abraço simbólico à Biblioteca Central (BCE) da universidade, no Campus Darcy Ribeiro, situado na Asa Norte.

A manifestação é um protesto contra o corte de 30% no orçamento da UnB, anunciado, na semana passada, pelo ministro da Educação Abraham Weintraub. Esse corte atingiu também a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), bem como todas as Instituições Federais de Ensino (Ifes) e o ensino básico do país.

Também contra esse corte, pais, estudantes e professores(as) do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, realizaram uma manifestação, nessa segunda-feira (6), que forçou o presidente da República, Jair Bolsonaro, a sair da comemoração do aniversário de 130 anos do Colégio Militar do Rio pela porta dos fundos.

Nas redes sociais, os(as) estudantes cariocas chamaram a mobilização de #LevanteDosLivros, e levaram livros para a manifestação. No mesmo dia, centenas de estudantes, pais, professores(as) e funcionários(as) de instituições públicas de ensino realizaram uma grande passeata pelas ruas de Salvador, Bahia, contra o corte de verbas.

Novas manifestações estão previstas para ocorrer em Brasília e em todo o país nos próximos dias. A indignação toma conta das pessoas. Nesta quarta-feira (8), estudantes e professores(as) da Universidade Federal de Goiás (UFG) planejam realizar uma manifestação em Brasília também contra o corte, que já está comprometendo as pesquisas científicas em razão, também, do completo desmonte da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e outras instituições públicas de fomento à pesquisa científica.

A comunidade universitária em todo o país denuncia a gravidade da situação e lembra que a Emenda Constitucional 96/2016 (EC95/16) já materializou cortes inconstitucionais, improbidosos e até persecutórios no orçamento público da pesquisa científica, universidades públicas e institutos federais, bem como na educação básica desde 2016.

Na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a reitora Myrian Serra divulgou um vídeo relatando os problemas que irão ocorrer por causa dos cortes. Ela destaca que a população também irá sofrer com os impactos dos cortes orçamentários das universidades federais públicas. Confira aqui o vídeo.

As manifestações são contra o segundo ministro da Educação do governo Bolsonaro, Abraham Weintraub, que anunciou, na semana passada, o corte de 30% na educação básica, na pesquisa científica, nas Ifes – sobretudo Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal Fluminense (UFF) – porque não admite que brasileiros que se opõem ao governo Bolsonaro utilize o espaço público da universidade pública para realizar eventos.

Na sexta-feira, 3, estudantes de engenharia da UFF de Volta Redonda, Rio de Janeiro, estenderam uma faixa na grade que cerca parte da instituição, em resposta ao bloqueio de 30% no orçamento das universidades. O corte na UFF é de R$ 45 milhões. Foto: Twitter Midia Ninja

 

“Ele ficou irritado com essa ocupação legítima do espaço público da universidade pública e decidiu agir com autoritarismo, como se ele fosse o dono do dinheiro, das instituições e do espaço públicos, e “punir” as universidades públicas federais que permitiram a realização de atividades políticas – classificados por ele como “balbúrdia” – em seus campi”, diz a imprensa.

“Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”, ordenou Weintrab, em reportagem de Renata Agostini, na edição de terça-feira (30) do jornal O Estado de S.Paulo.

Ele chamou de “balbúrdia” as atividades realizadas nos campi de universidade que tenham orientações políticas diferentes da do pensamento único que o governo Bolsonaro tenta implantar no Estado democrático brasileiro. “Ele e o Presidente da República usam o cargo público para manipular o dinheiro do Estado e fazer política partidária, censura e abuso de autoridade. Isso configura improbidade administrativa”, alerta a mídia.

“A balbúrdia vai continuar”, disse o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Culturas, Gêneros e Sexualidades da UFBA. Essa é a resposta dos estudantes da UFBA aos ataques do governo à educação. A instituição teve R$ 37,3 milhões de seu orçamento bloqueado. Foto: Jonas Santos/Mídia NINJA

 

 

Por trás dos cortes de orçamento, o interesse pela privatização
Depois que a mídia anunciou o corte, ela mesma divulgou que Elizabeth Guedes, irmã do ministro da Fazenda Paulo Guedes, é vice-presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) e tem interesse na privatização da educação superior pública. Também divulgou que a empresa Crescera Investimentos, fundada pelo ministro da Fazenda, pretende levantar até US$ 500 milhões nos setores de educação e saúde.

Em profunda crise financeira por causa da EC95 /2016, que congelou os investimentos de dinheiro público nos setores sociais do país, a educação e a pesquisa científica entram em colapso com os últimos cortes financeiros de Jair Bolsonaro. O jurista, professor da Faculdade de Direito e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Souza Júnior, diz que, ao enquadrar as Ifes e a pesquisa científica na sua política de corte de verbas, o ministro comete grave desvio de finalidade, ofende a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e infringe a Constituição Federal quanto ao princípio da autonomia e da liberdade de ensinar.

“É um absurdo o anúncio do corte. Cada vez mais fica nítido que o governo elege a educação e os(as) professores(as) como os principais inimigos. Trata-se de uma campanha de ataque à educação que vem desde antes, mas, sobretudo, com o Escola sem Partido, de constrangimento dos(as) professores(as) dizendo que devem ser vigiados e filmados nas escolas, até chegar a dizer que o Estado brasileiro gasta muito com a educação”, lembra Rosilene Corrêa, diretora do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Ela afirma que, com esse discurso de criminalização da educação e de seus protagonistas, os(as) professores(as) e estudantes, em apenas 100 dias de governo, os dois ministros que passaram pelo Ministério da Educação e militam contra a educação pública e gratuita fizeram um grande estrago no setor e que o resultado disso é o fim da educação pública com a redução salarial e a extinção do emprego e dos direitos da categoria.

“Esse bloqueio de recursos financeiros é mais um desses ataques. A mentira do presidente Bolsonaro ao dizer que ia tirar recursos financeiros do ensino superior para investir no ensino básico não durou 30 minutos. O próprio MEC divulgou um documento no qual constam que os cortes em toda a educação pública brasileira passam de R$ 2 bilhões. Justamente para inviabilizá-la definitivamente”, observa a diretora.

Rosilene afirma que o anúncio do corte é grave do ponto de vista da administração pública, em um país que precisa valorizar a educação. “A expressão “balbúrdia” é o argumento do Presidente e do ministro para difamarem e desqualificarem as universidades importantes e respeitadas no mundo inteiro pelo trabalho realizado, pelos resultados científicos e pela produção de conhecimento novo para o Brasil e o mundo”, afirma.

A diretora alerta para o fato de que o Presidente da República e o ministro da Educação usaram a palavra “balbúrdia” também para reprimir e perseguir ideologicamente atividades realizadas por profissionais brasileiros que se destacaram no cenário político por oposição ao governo de plantão no Palácio do Planalto. E lembra que a educação básica tem sido criminalizada e perseguida pela Lei da Mordaça (Programa Escola sem Partido) em todo país.

“Esse corte e as perseguições políticas são completamente ilegais, inconstitucionais, discricionários, improbidosos, opressivos. Um governo que se utiliza do controle da verba pública para agir com práticas autoritárias. Nem na época da ditadura militar se chegou a tanto. O governo Bolsonaro se utiliza desse poder e dessa prática para fazer chantagem política sobre as universidades federais. E um governo que usa a prática da chantagem política com o orçamento da universidade pública não há o que se dizer dele a não ser repudiá-lo”, afirma Rosilene.

A diretora lembra ainda que o Presidente da República mentiu sem nenhum constrangimento ao falar, na mídia, que o corte é justificável porque as universidades públicas federais não produzem ciência e pesquisa e que quem produz é a universidade privada.  O relatório Research in Brazil, disponibilizado pela Clarivate Analytics à Capes, e divulgado em janeiro do ano passado, mostra que as universidades particulares não produzem absolutamente nada de conhecimento relevante no Brasil.

O documento indica que a produção científica no país é dependente exclusivamente das universidades públicas. O estudo da Clarivate Analytics também vai de encontro ao relatório do Banco Mundial, divulgado na mesma época, produzido para justificar a EC 95/16 e a drenagem de dinheiro público para o sistema financeiro internacional, que não levou em conta a produção científica e acadêmica brasileira.

A destruição das universidades públicas no Brasil, como está acontecendo com as Ifes, pode ser a destruição de todo o conhecimento científico que o país produz e ameaça seriamente a soberania e o bem-estar social de seu povo. A publicação britânica Times Higher Education (THE), que colocou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) na frente da Universidade de São Paulo (USP) como a melhor universidade da América Latina, também mostrou que as universidades particulares brasileiras estão entre as piores das Américas. Outro estudo, produzido pelo próprio MEC, revela que as dez melhores universidades do Brasil são públicas e gratuitas.

O impacto de mais congelamento no orçamento da educação básica e superior
Gabriel Magno, diretor do Sinpro-DF e da CNTE, disse que nunca foi e nem é preciso retirar dinheiro público do orçamento das universidades públicas federais e da pesquisa científica para aplicar na educação básica. Ao contrário, o que o Brasil precisa é de que o governo federal coloque em curso o Plano Nacional de Educação (PNE), que determina o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor.

“O problema do Brasil não é remanejar recursos de uma esfera da educação para outra, e, sim, ter um investimento global e forte na educação pública; garantir o cumprimento da Constituição de 1988; e, mais do que isso, assegurar a ampliação de direitos e o cumprimento das Metas do PNE. Infelizmente, desde 2016, com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a agenda pública do país se transformou em um plano de restrição à educação e de transformação do país em colônia das grandes potências”, critica o diretor.

Ele explica que essa agenda de restrição está evidente quando os governos aplicam a EC 95/16, que congela investimentos nas áreas sociais do orçamento público; retira da Petrobras a exclusividade da exploração dos campos de pré-sal em território brasileiro e os entrega para multinacionais norte-americanas e europeias; muda do regime de partilha para o de concessão; ataca os royalties e o Fundeb, que está para vencer, em 2020, e o Congresso Nacional ainda não tem uma posição sobre se irá aprovar uma lei para transformá-lo em fundo permanente e ampliado; não debate o CAQ, Custo Aluno-Qualidade, que também está no PNE; enfim, quando várias estratégias do PNE para ampliar o investimento geral e global na educação pública brasileira não são efetivadas.

“A agenda do governo brasileiro desde o impeachment da presidenta Dilma, e, agora, aprofundada pela eleição de Jair Bolsonaro, é de regressão: é de menos investimento nos setores sociais e de retirada, cada vez mais, de recursos financeiros da educação para passar para o setor privado. Essa é a prioridade. Quando o governo anuncia a tal homeschooling (educação domiciliar), militarização, precarização, privatização das escolas, é esse o modelo que está sendo pensado, e tudo isso escondido no Escola sem Partido, que usa o discurso da “doutrinação ideológica” para criminalizar professores, insuflar o ódio e justificar o desmonte da educação pública e gratuita”, afirma o diretor.

Magno ressalta que puseram também em curso uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e uma reforma do Ensino Médio, aprovadas no governo Temer, que autoriza mais de 30% do currículo escolar ser explorado pelas empresas privadas de Educação a Distância numa Parceria Público-Privada (PPP). “Isso é um programa de transferência de dinheiro público para o setor privado. Esse é o problema. Portanto, não é necessário retirar das universidades para pôr na escola pública de educação básica”, denuncia.

Corte vai afetar o salário e adoecer ainda mais os professores 

Berenice D’Arc, diretora do Sinpro-DF, também critica a atitude do governo federal. Ela diz que é necessário ampliar o investimento em educação e que o PNE prevê metas para isso. “É preciso mexer na parte do Orçamento público que é imexível, por exemplo, a dívida pública. Isso aí governo nenhum fala. Escondem dados. Omitem que quase metade do Orçamento público (40,66%) vão para bancos e banqueiros a título de pagamento de juros e amortizações de uma dívida pública que ninguém sabe o que é, quanto é e que nunca foi auditada”.

A diretora diz que o congelamento na educação básica anunciado pelo governo Bolsonaro na semana passada irá causar um impacto brutal na educação pública brasileira porque desde 2016 o setor da educação está com investimentos congelados pela EC95/16. Ela afirma que o novo congelamento irá repercutir nos salários, na formação do docente e nas estrutura e infraestrutura das escolas.

“Já estamos, este ano, sem os livros didáticos. Vai repercutir na merenda etc. Esse é um problema latente e evidente em todas as escolas públicas do país. Todo semestre aumenta a demanda de vagas e de estudantes, não se constroem novas escolas e nem se reformam as que existem, as condições de trabalho se deterioram a cada ano e isso tem consequências no adoecimento cada vez maior da categoria. Tudo isso resulta no congelamento dos salários, que também é um processo de desvalorização da carreira e de aprofundamento do adoecimento de professores(as), uma vez que o salário congelado perde o poder de compra”, alerta a diretora.

Ela lembra que “estamos falando de uma categoria que já tem um dos piores salários do serviço público de nível superior do Brasil e que, historicamente, sobrevive há mais de 50 anos num processo de desvalorização, desde que o governo da ditadura militar fez o acordo MEC-USAID para acabar com a qualidade e a quantidade de escolas públicas e gratuitas no país para entregar o setor à iniciativa privada”.

E completa: “Por isso é importante agirmos para alterarmos esse quadro. O congelamento aprofunda um quadro grave e crítico do país. Limita as nomeações de novos servidores públicos, o que abre ainda mais a brecha para a terceirização, para ampliação de terceirizados e temporários, enfim, é a total precarização e fragilização da carreira do magistério público”, afirma Berenice.

Reprodução Twitter – Manifestação em Salvador-Bahia

 

Organização e unidade é a saída para impedir o desmonte da educação: greve no dia 15 de maio

Dados comparativos do site Nexo mostram que, após o impeachment da presidenta Dilma, o Brasil se tornou um dos países em que há menos investimento em educação. E um país só se desenvolve com pesados investimentos em educação. O PNE mostra isso e a indicação de custeio do setor está baseada num estudo do Movimento Educacional que justifica a destinação de 10% do PIB para a educação.

“Esse estudo teve como base os países que conseguiram ter melhorias nos índices sociais e  desenvolvimento econômico. Todos eles passaram por um profundo investimento de seu PIB nessa ordem dos 10% na educação. Importante destacar que, hoje, o Brasil investe menos de 5% do PIB no setor. Já chegou a 6% e tem diminuído rapidamente com os governos Temer e Bolsonaro”, afirma Berenice.

Ela ressalta que as principais potências mundiais, tanto em índices sociais como econômicos, só conseguiram se tornar potências mundiais porque passaram, necessariamente, por investimentos massivos em educação. “O Brasil, hoje, vai na contramão disso. Não tem experiência no mundo que deu certo, que resolveu problemas sociais e econômicos, investindo menos em educação pública. Todos que conseguiram resolver seus problemas, só o conseguiram porque investiram muito mais em educação e em todas as áreas sociais. O Brasil vai na contramão do mundo com políticas que não deram certo em lugar nenhum do planeta até hoje e degeneram a nação brasileira”, denuncia a diretora.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF alerta a categoria para os prejuízos que a política de desmonte da educação pública do ensino básico ao superior irá causar a cada professor e professora, orientador e orientadora educacional e a cada família brasileira. “A mensagem que temos, tanto enquanto sindicato filiado à CNTE como enquanto entidade sindical do magistério público do Distrito Federal, é que a organização da categoria e a luta garante direitos. Estamos sob ataque. Estamos no centro do ataque desta agenda neoliberal. É preciso resistir mais do que nunca”.

As lideranças sindicais do Sinpro-DF lembram que o magistério público já passou por muitos desafios, muitos ataques e até por momentos mais duros do que o atual e sobreviveu por causa da unidade, do engajamento e do fortalecimento do sindicato. “O momento atual exige unidade e muita luta. Para isso, temos o dia 15 de maio, com a Greve Nacional da Educação; o dia 14 de junho, a greve geral do Brasil contra a reforma da Previdência que também coloca os(as) professores(as) no centro do ataque”.

A diretoria lembra que o elemento fundamental para se superar tudo isso e garantir direitos sociais, trabalhistas e até humanos é fortalecer os sindicatos. “Uma pesquisa recente da Nexo mostra que as categorias que conquistam mais direitos são as que têm sindicatos mais fortes. Isso é comprovado no mundo todo e no Brasil não é diferente. Ter sindicato forte significa ter mais direitos, melhores condições para lutar pela manutenção e ampliação de direitos já conquistados e avanço futuros na conquista de novos direitos. Não temos dúvidas de que a luta e a organização sindical são essenciais e precisamos ter muita unidade entre professores(as) e orientadores(as) e ficar atentos(as) à agenda de lutas da categoria no ano todo”.

 

 

 

Luta garante nomeação de 412 orientadores educacionais

Em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal dessa sexta-feira (03), o documento traz a nomeação de 412 orientadores(as) educacionais para a rede pública de ensino do DF. O grupo aguardava há quase quatro anos a nomeação do concurso que realizaram em 2014.

Após uma série de atos, manifestações, encontros com os(as) candidatos(as) e reuniões realizadas pela Comissão de Negociação do Sinpro com o governo, a rede de ensino ganha um importante reforço de educadores faltando quatro dias para o concurso expirar. Essa vitória é fruto da luta da categoria e quem ganha é a Educação e a comunidade escolar do DF, que terá um reforço significativo em busca da qualidade de ensino.

É bom lembrar que em reunião do Sinpro com o GDF no mês de fevereiro, o governador Ibaneis Rocha havia firmado compromisso com o sindicato em fazer este reforço no quadro de orientadores da rede em duas grandes nomeações. A princípio o governo afirmou que nomearia dois grupos de 234 orientadores. No entanto, desde as nomeações do primeiro grupo realizadas no dia 11 de março, o sindicato tem mediado e sensibilizado o governo para a contratação de mais educadores da área, de forma a contemplar todas as vagas previsto para este cargo no Plano de Carreira (Lei nº 5.105/13).

Com a nomeação dessa sexta-feira (03), caso todos(as) tomem posse, a meta de ocupar todas as vagas será atingida. (Confira DODF de 3 de maio de 2019, com as nomeações).

Histórico

Paralelamente à luta do Sinpro para a nomeação de todos os cargos previstos atualmente no Plano de Carreira (1.200 cargos), o sindicato já vinha discutindo o aumento no número de cargos para 1.800. No entanto isso não foi possível para este momento, de forma que com essas nomeações serão preenchidos, pela primeira vez, todas as vagas previstas na lei do nosso plano de carreira para o cargo de orientador(a).

O Sinpro continuará lutando para que o número de cargos seja aumentado para 1.800 e um novo concurso seja realizado o mais breve possível.

Professores anunciam Greve Nacional contra o desmonte da aposentadoria

No dia 15 de maio, professores e professoras de todo o país se unirão na Greve Nacional da Educação. A mobilização é um protesto unificado contra a reforma da Previdência (PEC 6/2019), que atinge em cheio toda a classe trabalhadora, em especial, o magistério público.

A atividade foi convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e diversos atos estão sendo organizados nos quatro cantos do Brasil. Em Brasília, a mobilização começará a partir das 10h, com concentração no Museu Nacional da República. O objetivo é rechaçar a proposta e realizar o diálogo direto com a população para alertar sobre os retrocessos que a reforma da Previdência representa.

O diretor do Sinpro-DF Cláudio Antunes explica que apesar de manter as regras especiais para os(as) professores(as), a reforma traz mudanças drásticas para a aposentadoria da categoria. O texto possui sérios condicionantes que fazem com que seja neutralizado qualquer efeito atenuante da aposentadoria especial. Dessa forma, os(as) professores(as) precisam trabalhar até 40 anos para ter direito a uma aposentadoria integral.

Atualmente, professores(as) da rede pública podem pedir a aposentadoria após 25 anos (mulheres) e 30 anos (homens) de contribuição, desde que tenham exercido, exclusivamente, funções de magistério. Sendo que a idade mínima é de 50 anos para mulheres e 55, para homens. As mulheres professoras do setor público serão o segmento profissional que sofrerá maior impacto na reforma, podendo ter que trabalhar por até 15 anos a mais antes de obter o benefício. Nos últimos dois anos, o cenário é de total desmonte e extinção de políticas que garantem uma educação pública, gratuita e de qualidade como, a desvalorização do trabalho docente, a criminalização do conhecimento e a redução de investimentos em educação. Por esse motivo, além da luta contra a reforma da Previdência, na Greve Nacional da Educação será engrossada também a mobilização por temas que incluem o cumprimento das 21 metas do Plano Distrital de Educação (PDE), em especial, a meta 17, que trata da valorização profissional, construção e reforma de creches e escolas, nomeação de orientadores educacionais, abertura de concursos públicos, a luta contra a militarização e muito mais.

“A classe trabalhadora brasileira está vivendo um completo Estado de exceção em que os ataques são contra todos os direitos trabalhistas, sociais e até humanos. E essa reforma vem para consumar ainda mais esse desmonte. Cabe a nós resistirmos, lutarmos e disputamos uma sociedade justa, com distribuição igualitária, com direitos conquistados e uma educação pública, plural e de qualidade. Por isso, é fundamental a participação de todos trabalhadores em educação para barramos os retrocessos. Todos juntos, rumo a Greve Nacional da Educação”, conclama a diretora do Sinpro Rosilene Corrêa.

Participam da Greve Nacional da Educação:

Associação de Pós-graduação e Pesquisa em Educação – ANPED
Associação Brasileira de Currículo – ABdC
Associação Brasileira de Ensino de Biologia – SBEnBio
Associação Brasileira de Ensino de Biologia – SBEnBio
Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências – ABRAPEC
Associação Nacional de História – ANPUH
Associação Nacional de Política e Administração da Educação – ANPAE
Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia – ANPOF
Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação – ANFOPE
Centro de Estudos Educação e Sociedade – CEDES
Fórum dos Coordenadores Institucionais do PIBID e do Residência Pedagógica – Forpibid-rp.
Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio
Rede Latino-Americana de Estudos sobre Trabalho Docente – Brasil – REDESTRADO
Sociedade Brasileira de Ensino de Química – SBEnQ

Sindicatos estaduais e municipais de professores

Festa do Trabalhador reúne mais de 20 mil pessoas no Taguaparque

Mais de 20 mil pessoas passaram pelo Taguaparque, na tarde e noite de quarta-feira (1º de maio), para a festa de comemoração do Dia do Trabalhador e dos 40 anos do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF). Intitulada “Sinpro com a classe trabalhadora”, a festa foi realizada pelo Sinpro-DF.

Além de atividades recreativas para os(as) trabalhadores(as) e seus(as) filhos(as), foram realizados vários shows de artistas locais e nacionais, com o ponto culminante sendo o show dos cantores Odair José e Vanessa da Mata. Além deles, teve também apresentação da dupla Israel e Rodolffo e outras atrações artísticas locais.

Os(as) participantes elogiaram a iniciativa do Sinpro-DF de levar a Festa do Trabalhador para o Taguaparque, local mais perto das cidades em que reside a população operária do Distrito Federal.

“O público elogiou essa descentralização da atividade e a decisão de levar um show dessa magnitude para a região de Taguatinga”, disse Rosilene Corrêa, coordenadora da Secretaria de Finanças do Sinpro-DF.

A festa teve grande diversidade cultural, com samba, sertanejo, MPB. Odair José, com suas canções românticas, encantou um público mais velho. Vanessa da Mata, por sua vez, o púbico mais novo.

“Nem a chuva impediu o público de se divertir. Ela deu uma trégua de tarde e, à noite, desabou um temporal na hora do show de Vanessa da Mata. Mas o aguaceiro não intimidou o público, que continuou na festa até o encerramento. Foi uma linda festa do Dia do Trabalhador e de comemoração dos 40 anos do Sinpro”, comenta Thaís Romanelli, coordenadora da Secretaria de Assuntos Culturais do sindicato.

Confira vídeos e fotos.

 

1º de Maio é o Dia do Trabalhador: data para reflexão e luta

O Dia do Trabalhador ou Dia Internacional dos Trabalhadores ou Festa do Trabalhador é uma data comemorada internacionalmente no dia 1º de maio e dedicada aos(às) trabalhadores(as) em quase todos os países do mundo. É feriado em muitos países desde a segunda metade do século XIX. A data foi instituída como feriado nacional, pela primeira vez, em 1920, na União Soviética, em homenagem aos trabalhadores de Chicago, que, no dia 1º de maio de 1886, iniciaram uma greve geral pela redução da jornada de trabalho de 17 horas para 8 horas diárias e contou com a adesão de 340 mil trabalhadores de todo o país.

A história conta que, em 1884, os sindicatos estadunidenses estabelecem o prazo de 2 anos para os empregadores limitarem a jornada em 8 horas diária e iniciaram a campanha no dia 1º de maio, dia em que muitas empresas começavam seu ano contábil e que os contratos de trabalho terminavam e os trabalhadores buscavam outros empregos. A greve de 1886 foi brutalmente massacrada, com assassinato de várias lideranças sindicais e ficou conhecida, historicamente, como a Revolta de Haymarket.

Durante a manifestação, inicialmente pacífica, em defesa da jornada de 8 horas de trabalho, realizada no dia 4 de maio de 1886, na Haymarket Square, Chicago, uma bomba estourou no local em que policiais estavam posicionados, matando um e ferindo outros sete. A polícia, imediatamente, reagiu, abrindo fogo contra os manifestantes em uma ação que resultou em dezenas de feridos, quatro mortos e mais de cem manifestantes presos. Lideranças sindicais foram presas, julgadas e condenadas à morte e à prisão perpétua. Pouco tempo depois se descobriu que foi a própria polícia que detonou a bomba para criar o clima de conflito e os condenados à prisão perpétua foram soltos. Mas os condenados à morte já haviam sido assassinados na forca.

Anos depois, países como a França e a União Soviética aderiram à redução da jornada e decretaram, oficialmente, o 1º de Maio como Dia do Trabalhador, sendo seguidos pela maioria dos países do mundo. No Brasil, apesar dos relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895, ela só foi instituída, oficialmente e com feriado, em 26 de setembro de 1924, após a edição do Decreto nº 4.859/1024, do então presidente da República Arthur da Silva Bernardes. Mas, ainda que o Dia do Trabalhador tenha sido oficializado em 1924, a luta por direitos trabalhistas, como jornada de trabalho de 8 horas diárias chegou no Brasil no século XIX, juntamente com as primeiras levas de europeus que imigraram para as terras brasileira para trabalharem nas lavouras e, mais tarde, nas fábricas.

Muitas lideranças de trabalhadores foram também assassinadas no Brasil. Apesar dos crimes de mando e das polícias contra trabalhadores, a luta garantiu conquistas relevantes, até mesmo para os policiais, dentre elas, o direito ao contrato de trabalho, firmado com base na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), oficializado por meio de uma Carteira de Trabalho. Conquistou o salário mínimo, condições dignas de trabalho, direito a férias, descanso semanal remunerado. Também conquistou o direito à aposentadoria e o fim do trabalho infantil.

Foi também com muita luta da classe trabalhadora que se instituiu o direito ao 13º salário, à Justiça do Trabalho, ao salário insalubridade e adicional noturno, à licença maternidade remunerada, seguro-desemprego, dentre muitos outros benefícios regulamentados pela CLT. E desde sempre tais conquistas foram questionadas pelas elites ricas, donas dos meios de produção. Até que 80 anos depois de sancionada a Lei nº 5.452/1943, essas elites conseguiram aplicar mais um golpe de Estado no Brasil e, em 2017, impuseram uma reforma trabalhista que desmontou a CLT e as leis de proteção ao trabalhador.

Num primeiro momento, o Dia do Trabalhador, no Brasil, tinha influências do anarquismo e, mais tarde, do comunismo, e era considerado, no âmbito desses movimentos, um momento de luta, protesto e crítica às estruturas socioeconômicas do país. Mas, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, essas influências foram, gradativamente, dissolvidas pelo chamado trabalhismo. A propaganda trabalhista de Vargas transformou, de forma sutil, o dia destinado a celebrar o trabalhador em Dia do Trabalho. Essa mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as atividades realizadas no 1º de maio.

“Agora, 95 anos após a oficialização do 1º de maio como Dia do Trabalhador no Brasil, voltamos às ruas para reivindicar direitos já conquistados no século XX e formalizados em lei que a elite brasileira destruiu em pouco menos de 2 anos do governo ilegítimo de Michel Temer”, afirma Rosilene Corrêa, coordenadora da Secretaria de Finanças do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF).

Confira, a seguir, uma entrevista pingue-pongue com Rosilene Corrêa sobre a importância do Dia do Trabalhador neste 1º de maio de 2019 e os ataques que a classe trabalhadora tem sofrido desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

ENTREVISTA
Rosilene Corrêa

Sinpro-DF – Quais são os ataques que a classe trabalhadora brasileira está vivendo que remonta às lutas do fim do século XIX e início do século XX?
Rosilene Corrêa – Os ataques a todos os direitos trabalhistas, sociais e até humanos. Em 2019, apesar da eleição de 2018, vivemos numa espécie de Estado de exceção, que teve início com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Na época, denunciávamos que o impedimento não era contra ela e, sim, contra a classe trabalhadora, um atentado à democracia e abriria brechas para atacar os direitos da classe trabalhadora. Isso é demonstrado na aprovação da terceirização sem limites do serviço público, o que precariza o trabalho e a forma de contratação e ameaça o serviço público de maior precarização, uma vez que a terceirização instaura fragilidades tanto para a prestação de serviços como para a segurança do próprio trabalhador, quer seja pela segurança jurídica de sua contratação, quer seja a segurança física do exercício da profissão, uma vez que é demonstrado e comprovado que trabalhadores terceirizados são mais sujeitos a riscos de acidente de trabalho do que trabalhadores com contratação formalizada, direta.

Sinpro-DF – Por que a reforma trabalhista pode ser considerada um desses ataques e um retrocesso imenso na política de proteção aos trabalhadores?
Rosilene Corrêa – A aprovação da reforma trabalhista foi outro ataque porque fragilizou completamente as relações de trabalho no Brasil e acabou com uma série de seguranças e direitos, enfraquecendo a representatividade sindical e colocando o trabalhador a ter de negociar individualmente e diretamente com o patrão. Também colocou a Justiça do Trabalho, que era uma salvaguarda dos trabalhadores injustiçados, sob ameaça e sob o risco de ser extinta e dificulta o acesso do trabalhador a buscar direitos justos que ele tenha.

Sinpro-DF – E a reforma da Previdência?
Rosilene Corrêa – Essa é a bola da vez desse processo de eliminação de direitos trabalhistas e sociais. A reforma da Previdência é um ataque que tenta acabar com todo regime de seguridade social construído no Brasil ao longo dos últimos 80 anos. É válido lembrar que a Previdência não é apenas a aposentadoria. Esse é, talvez, o maior e mais conhecido de todos os benefícios e aquele que os trabalhadores têm maior clareza da sua existência, mas a seguridade social é um arcabouço de seguros que contemplam os trabalhadores em momentos de dificuldades, como, por exemplo, o seguro desemprego, pensão por morte, licença maternidade, uma série de outros benefícios que, juntamente com o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), representa o fim de qualquer tipo de assistência do Estado ao cidadão necessitado. O(a) cidadão(ã) e sua família estão por sua própria conta e risco em caso de doença, acidente, morte, na sua velhice. O que estão fazendo no Brasil é retirando as responsabilidades do Estado com os(as) cidadãos(ãs) e colocando eles e elas nas mãos do mercado financeiro para ter de contratar esses serviços por conta própria, dispendendo parte de seus salários para isso, uma vez que já paga impostos para ter esses serviços do Estado.

Sinpro-DF – Você acha que esses ataques afetam a democracia?
Rosilene Corrêa – Claro que sim. Juntamente com tudo isso, a partir do impeachment de Dilma Rousseff a democracia foi ferida. A fragilização da democracia enfraquece ainda mais a relação da classe trabalhadora dentro da sociedade. O exemplo disso foi a eleição de Bolsonaro, uma eleição marcada por mentiras, que chamamos de fake news, por manipulação de redes sociais com financiamento empresarial, que é expressamente proibido; com silenciamento do Judiciário, desde o início do golpe e, principalmente, no processo eleitoral: todo o sistema judiciário calado; além da prisão do presidente Lula, que era o candidato favorito com chances enormes de se reeleger com o discurso de que retomaria o Brasil das mãos dos golpistas e o colocaria de volta para a classe trabalhadora. Ele foi preso sem crimes e sem provas de cometimento de crimes. É um preso político, impedido de se manifestar, de dar entrevistas, de receber visitas, colocando-o numa situação de sequestrado do Judiciário para que o golpe pudesse prosperar, uma vez que, com ele, o povo brasileiro poderia escolher, novamente, quem governaria o país em seu nome.

Sinpro-DF – Diante dessa situação, que conclusão podemos tirar neste 1º de maio de 2019: Dia do Trabalhador?
Rosilene Corrêa – Esse arcabouço a que chegamos hoje, neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, demonstra a quantidade de lutas que temos de enfrentar para retomarmos um Brasil que olhe os trabalhadores como prioridade. Nesse contexto, temos a luta pela educação pública, gratuita, laica, de qualidade, emancipadora e de qualidade socialmente referenciada.

Sinpro-DF – Como fica a educação nesse cenário de ataques aos direitos dos trabalhadores?
Rosilene Corrêa – Sem sombra de dúvidas, um dos caminhos em que é mais possível se construir para haver justiça social é a educação. Não à toa que, entre 2003 e 2014, houve um maior investimento em construção de novas universidades, ampliação das existentes; construção de creches e escolas de ensino básico; investimentos da melhoria da qualidade do Ensino Fundamental. Hoje assistimos a um ataque sem precedentes à educação. É tão sério que os ataques privatistas estão criminalizando educadores brasileiros, como Paulo Freire; criminalizando os(as) professores(as), caluniando-os ao acusa-los de doutrinadores, ameaçando-os com projetos politiqueiros e fundamentalistas, como a Lei da Mordaça (Escola sem Partido), e, com isso, criminalizando o próprio conhecimento, uma vez que professores(as) estão em sala de aula para fazerem com que estudantes pensem e sejam críticos. Também estão colocando a militarização como o caminho para a doutrinação ostensiva e de uma disciplina, no sentido de comportamento, sem questionamento.

E, agora, com a retirada de mais recursos financeiros das universidades públicas e da pesquisa científica produzida no Brasil e o desmonte da própria universidade pública, além da criminalização de ciências que estimulam o raciocínio e o pensamento crítico, como a sociologia, a filosofia e as artes, constrói o projeto que o educador Darcy Ribeiro denunciava ao dizer que a crise da educação brasileira é um projeto das elites que querem uma classe trabalhadora não crítica, não pensante e submissa a seus comandos. Tudo isso somado aos ataques aos direitos da classe trabalhadora instaura, no país, as condições para a superexploração sem questionamentos. Cabe a nós resistirmos, lutarmos e disputamos uma sociedade justa, com distribuição igualitária, com direitos conquistados e educação de qualidade para a classe trabalhadora.

Hoje, véspera do Dia do Trabalhador, o governo Bolsonaro, num desses ataques de esquizofrenia obsessiva, fundamentalista e autoritária, ataca a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, com corte de 30% de recursos financeiros para reprimir e impedir as atividades extensão – que fazem parte do tripé ensino, pesquisa e extensão, que conceitua a universidade pública brasileira – realizadas em parceria com movimentos sociais nos campi de universidades públicas em que a própria universidade participa.

Crédito para pagamento da pecúnia previsto para essa terça, 30

A Comissão de Negociação do Sinpro se reuniu na tarde dessa terça-feira (30) com o Governo do Distrito Federal, dando continuidade ao calendário de negociação. As reuniões fazem parte do Decreto nº 39.711/2019, que cria um Grupo de Trabalho para a execução do Plano Distrital de Educação (PDE) e resolução de outros pontos de interesse dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.

Confira abaixo os pontos debatidos:

 

Artigo 10

O ponto central da reunião foi a alteração do Artigo 10 do Plano de Carreira, que amplia o conceito da coordenação pedagógica aos(às) que atuam dentro da unidade escola. Apos longo debate realizado em várias reuniões, houve entendimento por parte da equipe do governo que o direito conquistado há muitos anos pela categoria não causaria impacto financeiro. Dessa forma o compromisso é que o projeto seja enviado à Câmara Legislativa do Distrito Federal nos próximos dias.

Entendemos que a aprovação do projeto soluciona o problema, uma vez que já tratamos do assunto com a Comissão de Educação e há entendimento da necessidade de urgência na votação desse projeto.

 

Meta 17 do PDE

A Comissão de Negociação do Sinpro cobrou agilidade no debate do cumprimento da Meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE). Ficou agendada para o dia 16 de maio uma nova reunião com o governo, tendo a Meta 17 como pauta principal.

 

Pagamento da pecúnia

Cobramos um posicionamento do governo com relação ao pagamento da pecúnia da licença-prêmio, uma vez que o governador Ibaneis Rocha se comprometeu em quitar a dívida de 2016 até 15 de maio. Com relação a este ponto, o governo confirmou um crédito de 7 milhões e 50 mil reais para a noite dessa terça-feira (30). O crédito é referente ao mês de julho de 2016.

Para tratar especificamente deste ponto está prevista uma reunião para a próxima semana.

 

Nomeação de orientadores(as) educacionais

A comissão foi incisiva ao cobrar a nomeação dos(as) orientadores(as) educacionais, tendo em vista que o prazo de validade do concurso expira no próximo dia 7 de maio, mesmo período em que o governo deixou de nomear devido às restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, e até o momento nem mesmo as nomeações tornadas sem efeito foram preenchidas. A representante da Secretaria de Fazenda informou que o processo que solicita a autorização para as nomeações encontra-se sob a análise do Tesouro, mas não soube antecipar a decisão técnica.

A comissão insistiu para que o governo não promova mais um prejuízo à Educação e, claro, aos(às) profissionais devidamente qualificados prontos para assumirem o cargo.

O governo se comprometeu em dar um retorno com urgência.

 

Somente a luta e a união de todos e todas vai garantir que tenhamos avanços nas discussões com o governo, e que nossas reivindicações sejam respeitadas.

Os enfrentamentos são muitos e precisamos unir forças para derrotar a onda de retrocesso. Diante disso, os(as) trabalhadores(as) estão convocados(as) para a Greve Nacional da Educação pelo direito à aposentadoria e contra a proposta de reforma da Previdência no próximo dia 15.

Reunião do Grupo de Trabalho debate a pauta de reivindicações da categoria

A Comissão de Negociação do Sinpro se reuniu na tarde da última quarta-feira (10) com o Governo do Distrito Federal para debater a pauta dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. As reuniões fazem parte do Decreto nº 39.711/2019, que cria um Grupo de Trabalho para a execução do Plano Distrital de Educação (PDE) e resolução de outros pontos.

Durante a reunião o governo informou que está buscando mecanismos para reverter a determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) de que o GDF deve frear os gastos públicos, para que possa cumprir com seus compromissos.

Diante da determinação do Tribunal, os itens financeiros serão discutidos na próxima reunião, marcada para daqui a quinze dias. O governo aguarda a decisão do TCU para que possa tomar algumas providências.

Confira abaixo os pontos debatidos:

Pagamento da pecúnia

O governo confirmou que dará continuidade à dinâmica de pagamento da pecúnia da licença-prêmio todo final do mês, com um valor de no mínimo R$ 11 milhões. Para a Educação o valor repassado será de aproximadamente R$ 7 milhões. O valor total para quitar o ano de 2016 é de R$ 53 milhões.

Artigo 10

O Artigo 10 do Plano de Carreira estava sendo discutido com o governo para ampliar o conceito da coordenação pedagógica. Segundo o GDF, a previsão é que na próxima segunda-feira (15) a Casa Civil encaminhe a nova redação para ser votada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Gratificação dos(as) coordenadores(as) pedagógicos(as)

O GDF disse que a atualização dos valores da gratificação dos gestores e dos coordenadores pedagógicos também está no debate dos impactos financeiros, ponto que a Secretaria de Fazenda e Planejamento aguarda parecer da área econômica para reavaliar.

PDAF

O governo disse que tem uma previsão para o repasse do PDAF para essa quinta-feira (11) e outro para segunda-feira (15). É importante frisar que estamos caminhando para o final de abril e até o momento várias escolas ainda não receberam nenhum centavo do repasse, fato que traz uma série de prejuízos para a escola.

Nomeação de orientadores(as) e professores(as)

O Sinpro cobrou agilidade nas 209 nomeações de orientadores(as) educacionais para completar o total de 468 acordadas com o governo. Além disso, o GDF se comprometeu em fazer as nomeações das “tornadas sem efeitos” até a próxima semana. Nossa luta também é para ampliação do prazo de validade do concurso que expira no próximo dia 7 de maio, mesmo período em que o governo deixou de nomear devido às restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Plano de Saúde

Está prevista para o início da próxima semana uma reunião da Comissão de Negociação do Sinpro com o presidente do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do DF (INAS) para tratar especificamente de uma proposta de plano de saúde para a categoria.

Somente a luta e a união de todos e todas vai garantir que tenhamos avanços nas discussões com o governo, e que nossas reivindicações sejam respeitadas.

Plano de saúde em pauta

A Comissão de Negociação do Sinpro se reuniu na tarde dessa terça-feira (16) com o presidente do Instituto de assistência à saúde dos servidores do DF (INAS) Ricardo Perez e sua equipe, para elaborar uma proposta de plano de saúde para os(as) servidores(as) públicos(as) do Distrito Federal. Durante a reunião o Instituto informou que foi feita uma avaliação e que um plano de autogestão pode ser mais viável ao conjunto dos(as) servidores(as). A discussão sobre esse plano já está na fase final de estudos e a previsão é que até maio haja uma avaliação técnica e financeira sobre a aplicabilidade do plano.

Conforme o governador Ibaneis Rocha havia anunciado em reunião no dia 12 de fevereiro, de que a Educação será a primeira a ser comtemplada, o INAS confirmou o cronograma. Diante disso, os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais serão os primeiros servidores a usufruírem do plano de saúde.

Apesar do avanço, vale ressaltar que os estudos não estão concluídos e será necessária uma avaliação muito cautelosa para que a categoria não tenha problemas futuros. A proposta é de uma política de prevenção, que se estende aos atendimentos.

O Sinpro sabe da realidade da categoria, do alto índice de adoecimento, e esta é uma reivindicação antiga do sindicato, embora saibamos que não podemos abrir mão de uma saúde pública de qualidade para todos e todas.

Para debater os demais pontos da pauta de reivindicações da categoria, está prevista uma reunião do Grupo de Trabalho para a próxima semana.

 

Greve Nacional da Educação

Diante de tantos ataques que a classe trabalhadora, sobretudo a Educação vem sofrendo, a CNTE, juntamente com suas entidades afiliadas, deliberou pela Greve Nacional da Educação no dia 15 de maio.

Todos à luta em defesa de uma educação pública, laica, de qualidade e gratuita.

 

Sinpro participa de reunião sobre fechamento do noturno do Gisno

O Sinpro, representado pelas diretoras Delzair Amâncio, Letícia Vieira e Thaís Romanelli, participou de uma reunião na noite de quarta-feira (24) para debater a possibilidade apresentada pela Secretaria de Educação do DF de fechamento do noturno do Gisno. O encontro reuniu estudantes, o diretor da escola, representantes da regional de ensino do Plano Piloto e a comunidade escolar.

Segundo o diretor da escola, Isley Marth, a regional comunicou o fechamento do Gisno durante uma reunião no último mês, sob o argumento de insuficiência de estudantes no noturno. Com o objetivo de impedir o fechamento da escola, os presentes propuseram iniciativas para aumentar o número de matriculados, impedindo assim que vários alunos fiquem sem o direito de estudar. “A grande maioria dos alunos não são moradores da Asa Norte, são trabalhadores do setor. A regional foi taxativa dizendo que o noturno vai fechar, mas vamos lutar para que isso não aconteça, uma vez que o Gisno presta grande benefício para a comunidade”, afirma Isley.

O direito a uma educação de qualidade foi um dos argumentos utilizados por Letícia Vieira durante a sua fala. Segundo a diretora, o Sinpro teve uma reunião com o coordenador da regional de ensino assim que soube da possibilidade de fechamento do Gisno. “Quando soubemos, nos colocamos à disposição para ajudar não somente os professores, mas para garantir que os moradores tenham uma educação pública de qualidade. Durante conversa com o coordenador, ele nos garantiu que aumentando o número de matrículas e de frequência, o Gisno não fechará”, afirmou Letícia.

A diretora Delzair Amâncio complementou a fala dizendo que lutar pela manutenção do Gisno é lutar pela educação, “pois aqueles que estudam aqui não tiveram condições, oportunidade ou possibilidade de estudarem”. “Educação é um direito de cada um e o Estado tem a obrigação de fornecer isso”, disse Delzair.

Uma das primeiras iniciativas elencadas pelos presentes foi a de buscar aqueles que desistiram do curso e incentiva-los a voltar. “Essa tarefa é de cada um. Depende de nós lutarmos para que o Gisno continue aberto à comunidade e oferecendo uma educação de qualidade, como tem sido em mais de 40 anos”, explicou a diretora Thaís Romanelli.

Na próxima quinta-feira, 19h, uma nova reunião será feita, dessa vez com o coordenador da regional de ensino do Plano Piloto, Álvaro Matos de Souza.

Abaixo-assinado contra a reforma da Previdência já está disponível no Sinpro

A CUT e demais centrais sindicais lançaram campanha nacional de coleta de assinaturas contra a reforma da Previdência de Jair Bolsonaro (PSL).

O abaixo-assinado em defesa da Previdência Social e contra a reforma de Bolsonaro foi lançado recentemente e a campanha rodará os 27 estados e o Distrito Federal com a coleta de assinaturas.

A ação tem o objetivo de dialogar com a população sobre as consequências nefastas da Proposta de Emenda à Constituição (PEC006/2019), que dificulta o acesso à aposentadoria e reduz o valor do benefício, e, ao mesmo tempo, coletar as assinaturas que serão enviadas ao Congresso Nacional.

Nessa terça-feira (23), durante as Plenárias nas Cidades que aconteceram no Guará, no Gama e em Brazlândia, o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) começou a apresentar o abaixo-assinado aos profissionais da educação da rede pública de ensino.

Os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais interessados(as) em participar da campanha podem pegar o formulário na sede e nas subsedes do Sinpro-DF e, também, com diretores(as) do sindicato. O objetivo é apresentar o abaixo-assinado nos locais de trabalho e nas reuniões bimestrais aos pais, responsáveis, amigos, vizinhos e toda sociedade em geral. Após a coleta de assinaturas, os professores devem encaminhar os documentos ao Sinpro que, posteriormente, encaminhará o documento final para a sede da CUT em Brasília, no endereço SDS – Setor de Diversões Sul – Ed. Venâncio V, bloco R, subsolo, lojas 4, 14 e 20 – Asa Sul – Brasília/DF – CEP 70.393-904. Os Os formulários do abaixo-assinado também podem ser acessados clicando aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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