Entidades de professores lançam manifesto contra MP do Ensino Médio

A Apeoesp considera a reforma, nos moldes colocados pelo governo federal, “um ataque à profissão docente, e um ataque à educação pública brasileira”.
O manifesto repudia a iniciativa do governo federal de promover, por meio da Medida Provisória 746/2016, uma reforma no Ensino Médio sem que houvesse debate ou consulta à sociedade. A MP reestrutura e flexibiliza o ensino médio no país e foi anunciada pelo governo federal no dia 22.
“Não aceitamos o método autoritário utilizado pelo governo e não concordamos com o conteúdo do projeto encaminhado ao Congresso Nacional em regime de urgência, com a clara intenção de impedir que seja discutido democraticamente”, diz o manifesto.
Segundo o manifesto, a reforma “esvazia e empobrece o currículo, ao descartar a obrigatoriedade de disciplinas fundamentais para a formação de nossos jovens, como artes, educação física, filosofia e sociologia, além de indicar a redução do número de aulas de outras disciplinas, como história e geografia. Também somos contrários à revogação da obrigatoriedade do espanhol no currículo, pois estamos inseridos no contexto da integração latino-americana”.
As entidades discordamos também implementação de tempo integral nas escolas, porque acreditam que isso desconsidera a realidade concreta dos estudantes do ensino médio, pois muitos deles são trabalhadores.
“Tampouco se pode falar em escolas de tempo integral se persistem problemas básicos como a falta de infraestrutura, projetos arquitetônicos anacrônicos [ainda centrados na lousa, giz e apagador], jornada de trabalho estafante e mal estruturada [pois é preciso que sejam dedicados no mínimo 33% da jornada para atividades extraclasse], falta de condições de trabalho, carreira e salários dignos aos profissionais da educação e tantos outros”, acrescentou o documento.
A presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, considera a reforma, nos moldes colocados pelo governo federal, “um ataque à profissão docente, e um ataque à educação pública brasileira”.
“Temos claro o seguinte: de novo está aqui colocada o aprofundamento da dualidade histórica entre as escolas para os filhos e filhas da classe trabalhadora e as escolas para os filhos da elite, que vão sempre poder se dar bem na vida. Essa coisa de que é comum para todos não é verdade, é mínimo para os filhos e filhas da classe trabalhadora e máximo para os da elite para continuarem dominando esse país”, disse Maria Izabel.
(do Portal Vermelho)

Governo manipula e chama as renúncias de rombo na Previdência

O governo Michel Temer anunciou nesta semana que deixou a apresentação da proposta de reforma da Previdência para depois das eleições municipais. A ideia é não atrapalhar a eleição com medidas impopulares como essa, porém, enquanto isso, atua no Congresso Nacional para acelerar a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/16, que congela por 20 anos investimento de dinheiro público nos serviços públicos.
Mas a reforma da Previdência não está parada e vai voltar ao cenário nos próximos dias. Ela faz parte desse conjunto de propostas reformistas elaboradas para retirar os direitos conquistados e o poder aquisitivo da classe trabalhadora tanto do setor público como da iniciativa privada.
Assim, a extinção do direito social à aposentadoria se materializa no governo não eleito Michel Temer para que se cumpra o projeto do PMDB intitulado Ponte para o Futuro. Aprovar a contrarreforma da Previdência até o fim deste ano é uma meta desse projeto.
Com propagandas e reportagens nos jornais, revistas, rádios e TVs, o governo Temer recupera o discurso dos governos neoliberais da década de 1990 e bombardeia a população com explicações capciosas, argumentos nebulosos e informações inverídicas para tentar convencer o povo de que a Previdência Social só dá prejuízo e que, só no ano passado, acumulou um rombo de R$ 85 bilhões. Daí dizerem que a reforma seria um mal necessário.
Nesta terceira matéria da série Reforma da Previdência, a diretoria colegiada do Sinpro-DF divulga estudos atuariais que reforçam a existência do superávit, mostram que todo o discurso sobre o rombo da Previdência não condiz com a verdade e revelam o desfalque causado pelas renúncias previdenciárias. Nas matérias da próxima semana, vamos mostrar como a Desvinculação de Receitas da União (DRU) representa um rombo na Previdência e como o sistema da dívida é usado para drenar dinheiro público para o mercado financeiro.
Nesta série, com base em estudos atuariais da Auditoria Cidadã da Dívida, da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) e outras entidades, o Sinpro-DF têm divulgado informações que desmascaram o governo, desmentem a mídia, revelam as más intenções do empresariado e desmoraliza o velho discurso sobre a existência de um rombo permanente na Previdência.
RENÚNCIAS PREVIDENCIÁRIAS: ESSAS SIM SÃO ROMBOS NA PREVIDÊNCIA
O que realmente ameaça a Previdência são as renúncias previdenciárias, a Desvinculação de Recursos da União (DRU), o sistema da dívida e outros mecanismos de desvio do dinheiro público para o setor privado. O governo não explica que o valor (R$ 85 bilhões só em 2015) divulgado como rombo é causado por ele mesmo ao permitir o número elevado de renúncia de contribuição previdenciária. Em 2015, ele deixou de cobrar de empresas mais R$ 45 bilhões. Confira na tabela ao final.
Esse é um dos desfalques da Previdência, porém, ainda assim, não é o suficiente para torná-la deficitária. O superávit de 2015 superou os R$ 11 bilhões. Todavia, embora a Seguridade Social e, juntamente com ela, a Previdência Social, seja superavitária, esses recursos não cobrados farão falta no sistema público de saúde, previdência, assistência social brasileiro.
“No ano de 2015, os valores de renúncia foram responsáveis por aproximadamente 50% do pseudo déficit previdenciário e, conforme demonstrado na tabela, os valores efetivos de renúncia são ainda maiores”, indica o estudo da Anfip intitulado “Previdência Social – Contribuição para o debate”. Nos últimos 5 anos, as renúncias previdenciárias representaram R$ 145,1 bilhões. Em 2015, R$ 64,2 bilhões de renúncias previdenciárias representaram 18% da arrecadação total líquida das contribuições previdenciárias e 75% do que equivocadamente se divulga como sendo o déficit previdenciário.
O estudo da Anfip mostra também que esse valor representa, ainda, o triplo dos valores dispendidos com esse benefício em 2011, demonstrando que as contribuições previdenciárias, que deveriam ser usadas exclusivamente para o pagamento dos respectivos benefícios, têm sido cada vez mais utilizadas para os mais diversos fins na política econômica.
Além disso, as renúncias previdenciárias não têm cumprido os objetivos a que se propõem e têm servido apenas para aumentar a lucratividade de empresas, acabar com direitos sociais e trabalhistas e enriquecer segmentos econômicos beneficiados. Basta ver o nível de desemprego que grassa no país.
DE ONDE VEM O SUPERÁVIT DA SEGURIDADE E DA PREVIDÊNCIA SOCIAL?
O estudo da Anfip mostra, sobretudo, que “os partidários das reformas sempre esconderam da sociedade que o modelo previdenciário brasileiro foi criado numa lógica tripartite de financiamento – empresa, empregado e Estado”.
E esclarece que os políticos geralmente denominam de déficit “a diminuta parcela de recursos que caberia, naturalmente, ao Estado brasileiro contribuir. Como é, aliás, em todos os demais países que adotam o mesmo modelo previdenciário”.
Para dizer que a Previdência é deficitária, o governo parte de uma informação falaciosa que parte apenas de uma comparação simplista entre o que é arrecadado exclusivamente com as contribuições que incidem sobre a Folha de Pagamentos e a totalidade dos valores gastos com benefícios previdenciários e omite a existência de outras fontes de financiamento, como os recursos arrecadados com a Contribuição para financiamento da Seguridade Social – Cofins – e a Contribuição Social sobre o Lucro (CSL).
Importante ressaltar que, diferentemente de outros países, no Brasil, o financiamento da Previdência Social é coberto com recursos próprios da Seguridade Social e não do Orçamento Fiscal.
“Repetimos: no Brasil, a necessidade de financiamento da Previdência Social é coberta com recursos oriundos de contribuições sociais criadas para financiar a Seguridade Social, ou seja, a própria Previdência Social”, esclarece o estudo da Anfip.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF defende o Sistema de Seguridade Social Público – uma conquista da classe trabalhadora na década de 1980 e que, desde lá, vem sendo atacada por políticos comprometidos e financiados pelo mercado financeiro e empresários sonegadores.
Nas próximas matérias desta série, vamos mostrar a relação que a reforma da Previdência 2016 visa a favorecer banqueiros e como tem relação com um o chamado “sistema da dívida”. Acompanhe!
Confira outras matérias da série:
Estudos demonstram que há superávit na Previdência e reforma é para retirar direitos
Reforma da Previdência do presidente não eleito põe fim à paridade no funcionalismo
Tabela sobre renúncias previdenciárias
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Confira o cronograma das entrevistas do concurso de remanejamento 2016/2017

Os procedimentos preparatórios para o concurso de remanejamento deste ano, começaram com a publicação da portaria n° 314/2016. Esta portaria vai tratar apenas da concessão de aptidão onde o(a) servidor(a) que tiver interesse em escolas de naturezas especiais (CEE, CIL, Proem, EEAA, dentre outras) deverão participar deste procedimento, observando os requisitos desta portaria.
O concurso de remanejamento terá portaria e edital próprios, que serão publicados em breve. Os(as) servidores(as) que desejam trabalhar nas unidades acima citadas, já deverão ter sido avaliados(as) quando sair a publicação.
Alguns professores(as) que já estão em atendimento especial poderão ser dispensados de parte das fases das entrevistas. No entanto o Sinpro recomenda que cada um(a) avalie o seu caso, observando as orientações desta portaria.
As normas de remanejamento para as escolas de atendimento regular e também para as de natureza especiais serão publicadas nos próximos dias.
Para ver a Portaria n° 314/2016, clique aqui
As entrevistas devem seguir o cronograma abaixo:
cronograma

PEC 241 é um meteoro prestes a cair no Brasil

O governo, a pretexto de controlar a despesa pública, apresentou a proposta com vistas a instituir o novo regime fiscal. Se aprovada, o governo poderá fixar limite individualizado para a despesa primária total, ou seja, congelará o valor estipulado do orçamento do ano de 2016, apenas reajustando-o de acordo com a inflação, com duração de até vinte anos.
Vejamos os problemas específicos da PEC 241. Primeiro, ela se propõe a congelar o orçamento por até vinte anos. Exemplificando, um casal que gasta por mês R$ 600,00 em saúde e educação com um único filho e planeja ter um segundo, por óbvio sua despesa dobrará, totalizando assim R$ 1.200,00. Caso se aplicasse a regra semelhante da PEC 241, o valor a ser gasto seria apenas R$ 600, atualizado com o índice da inflação, o que resultaria em pouco menos de R$ 700,00 para ambos os filhos.
Imagine-se a possibilidade de se congelar essa despesa por até vinte anos? A população brasileira irá crescer. Segundo o IBGE, no ano 2000 o Brasil tinha pouco mais de 173 milhões de habitantes, encontrando-se atualmente com 206 milhões, com uma perspectiva de atingir a marca de 220 milhões em 2027 (dez anos após a vigência da PEC 241), significando que o Estado precisará aumentar os gastos com a prestação de serviços públicos.
Segundo, foi escolhido o orçamento do ano de 2016 como parâmetro. Ora, esse ano é trágico, marcado por um agressivo corte orçamentário, atingindo as áreas de Educação, Saúde e Judiciário. O Ministério da Saúde sofreu um corte de R$ 2,5 bilhões, em um orçamento bastante semelhante ao ano anterior, enquanto que a Justiça Federal teve um corte de quase 40% e a Justiça do Trabalho de cerca de 45%. Já o Ministério da Educação teve um bloqueio de R$ 1,3 bilhão. Definir um ano deficitário como paradigma do congelamento não é nada razoável!
O Governo se defende. Pretende, com a PEC 241, diminuir os gastos públicos, para fins de gerar superávit primário, permitindo o pagamento dos juros da dívida e melhorando a letra de crédito do Brasil. Mas como diminuir as despesas públicas de educação, saúde e outros serviços em um país com tamanha concentração de renda?
No Brasil, 1% dos mais ricos detém 27% de toda a renda, um dos maiores índices de concentração do mundo. Isso tem consequências: aumento da pobreza e, por isso, também da necessidade de criação de políticas públicas, implicando em crescimento das despesas do Estado. Conforme a Agência Nacional de Saúde, 75% dos brasileiros são usuários do SUS. Além disso, a atual crise econômica e o desemprego aumentarão esse número, visto que outros brasileiros cancelarão seus planos de saúde.
Mas não é só! Caso seja descumprido os limites propostos pela PEC 241, as consequências serão, entre outras, a vedação a reajustes dos servidores públicos e a proibição de concurso público. Será praticamente impossível cumprir tais metas e isso terá um grave preço aos servidores, que sofrerão com salários ainda mais defasados, reduzindo sua qualidade de vida. Será um verdadeiro sucateamento dos serviços públicos.
Em tempos de tratamentos privilegiados aos superávits primários, resta questionar o Governo se educação e saúde geram retorno ao país, afinal não é com educação que se pretende emancipar um povo, qualificando-o para o emprego e a consequente geração de renda? Não deveríamos melhorar a educação oferecida, como grande investimento do Brasil?
Neste ritmo, com tantas reformas apresentadas de forma brusca e impensada, a Constituição Federal de 1988 corre o sério risco de se transformar, definitivamente, em uma “mera folha de papel” (Lassale), contrariando o seu objetivo fundamental (art. 3, III) de erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
Fruto de um belo trabalho da Constituinte de 86, a qual absorveu os desejos democráticos da população, a Constituição apresentou um extenso leque de direitos sociais. Saúde e educação foram alçados como direito de todos e dever do Estado.
Não se está aqui a advogar a desnecessidade de um ajuste fiscal nas contas públicas, porém a forma escolhida pelo Governo Temer pretende amputar direitos, penalizando uma população numerosa e necessitada, ao invés de colocar a conta para as elites do país. Por que não priorizar a cobrança da dívida dos devedores com o Governo federal que, aliás, ultrapassou R$ 1 trilhão? Um dos diretores da Fiesp, por exemplo, possui uma dívida de cerca de R$ 6,9 bilhões. Por que não taxar as grandes fortunas do país?
A corda está arrebentando do lado mais fraco, como sempre!
* Antônio José de Carvalho Araújo é Juiz Federal em Alagoas.
(do Portal Vermelho)

5 de outubro é Dia Nacional de Luta contra o Desmonte do Estado Brasileiro

Esta quarta-feira (5) será marcada por uma grande mobilização contra as medidas de desmonte do estado brasileiro e da educação pública, com ato no Congresso Nacional.
A mobilização, que será das 8h às 18h, é especialmente contra a PEC 241 (congelamento em investimento público).
A concentração será no espaço do servidor público, localizado ao lado do Ministério do Planejamento.
Confira, abaixo, matéria da CUT Nacional sobre o assunto:
No dia 26 de setembro, a Direção Executiva Nacional da CUT reuniu-se em São Paulo com representantes das Estaduais da CUT e dos Ramos para avaliar os resultados do “Dia Nacional de Paralisações e Mobilizações”, organizado no dia 22 pela CUT e pelas demais Centrais Sindicais em defesa dos direitos sociais e trabalhistas ameaçados pelo governo golpista de Michel Temer, em defesa da soberania nacional, contra as privatizações e a entrega do Pré-sal às multinacionais.
A CUT resistiu ao golpe organizando, com a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, inúmeras manifestações de massa contra a ação das forças golpistas e seu projeto de restauração neoliberal. Ao mesmo tempo, a CUT iniciou o processo de construção da greve geral, mobilizando suas bases em torno da consigna: NENHUM DIREITO A MENOS!
Em torno desta bandeira, cerramos fileiras, unindo trabalhadores/as do campo e da cidade, do setor público e do setor privado, e não recuaremos. O que está em jogo não são apenas os direitos conquistados ao longo de décadas de luta, mas o destino do País e o futuro da classe trabalhadora.
Na preparação da Greve Geral, definimos uma estratégia de acumulação progressiva de forças que teve como primeiro marco o dia 22 de setembro. Greves, paralisações parciais, passeatas, panfletagens, debates e outras atividades ocorreram em todo o Brasil, demonstrando a vontade de luta da classe trabalhadora e “esquentando os motores” para a deflagração da greve que deve paralisar o País.
O sucesso da Greve Geral depende ainda de um trabalho mais intensivo dos ramos orientando seus sindicatos a realizarem Assembléias com os trabalhadores para votar a adesão à mobilização. Há motivos de sobra para a indignação dos/as trabalhadores/as nas medidas anunciadas pelo governo golpista – como a reforma da Previdência, a retirada de direitos ( terceirização irrestrita, prevalência do negociado sobre o legislado, flexibilização do contrato de trabalho), a  reforma regressiva do Estado prevista na PEC 241 e no PL 257, além da recente  MP da “reforma do Ensino Médio”.  No entanto, é necessário que essas medidas sejam abordadas nas Assembleias, esclarecendo-se como elas atingirão a classe trabalhadora e a sociedade como um todo.
Neste sentido, a reunião reafirmou as orientações emanadas da reunião da Executiva Nacional da CUT realizada em Brasília em 14 de setembro de buscar a unidade de ação com as demais centrais sindicais na construção da Greve Geral em torno dos pontos citados acima, preservando sua autonomia na explicação da origem desses ataques (o governo golpista de Temer) e na agitação das palavras de ordem que decorrem de sua análise da situação política do país: “Nenhum direito a menos, Rumo à Greve Geral, Fora Temer, Diretas já com Constituinte com assembléia constituinte para a Reforma Política”.
No processo de acumulação de forças em preparação da Greve Geral, que a Executiva ampliada indicou para o início de novembro (entre os dias 8, 9 e 10), duas mobilizações se destacam: o Dia Nacional de Paralisação dos Metalúrgicos em defesa dos empregos e direitos em 29 de setembro; o Dia Nacional de Luta contra o Desmonte do Estado Brasileiro (contra a PEC 241) em 5 de outubro, com concentração de manifestantes em Brasília.
 “NENHUM DIREITO A MENOS”;
“Rumo à Greve Geral”
“Fora Temer”
“Diretas Já, com assembléia constituinte para a reforma política”.

Entidades ligadas à educação rejeitam a Medida Provisória Nº 746 – Reforma do Ensino Médio

A CNTE, Sinpro-DF, CONTEE, CNTEEC, FEPESP, FETRAEEP/Centro-Norte, NCST, SINDPD-DF/CUT, SINPROEP/DF e o Sinpro-SP manifestam total rejeição aos termos da Medida Provisória nº 746, editada em 22 de setembro de 2016, que introduz reformas no ensino médio. O manifesto foi feito na sede do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP).
Em nota, as entidades afirmam que é patente a inconstitucionalidade de uma medida provisória, editada em descompasso com a realidade e com o papel das instituições de Estado e da sociedade civil que debatem o tema, e que desrespeita o direito ao devido processo legislativo reiteradamente reafirmado pelo Supremo Tribunal Federal.
O seu conteúdo não responde às necessidades do País e dos estudantes, introduzindo de forma açodada e não planejada mudanças que afetam a estrutura do ensino público e privado, os currículos e o próprio perfil do ensino médio no País.
A reformas do ensino médio já se acham em debate no Congresso desde 2013, sendo inaceitável o atropelamento do processo de discussão por uma medida provisória editada sem qualquer consulta aos que por ela serão afetados, e ignorando princípios longamente debatidos e presentes no Plano Nacional de Educação.
Defendemos, assim, a sua imediata devolução ao Poder Executivo pelo Congresso Nacional, a fim de que a discussão possa se dar em prazos razoáveis, envolvendo a todos os atores do Congresso, do Governos e da Sociedade, evitando-se a prática da política do fato consumado.

Professor do Guará necessita de doadores de sangue

Elber Martins Santos é professor no Guará e diariamente necessita de transfusões de sangue, em virtude de seu tratamento contra a leucemia. Porém, o estoque de sangue está baixo e ele pede ajuda para que a categoria possa auxiliá-lo.
Quem puder doar em sangue nome dele, gentileza comparecer até a hemoclínica localizada ao lado do Hospital Santa Lúcia (716 Sul, Conjunto B, Bloco 3, térreo, no Centro Médico de Brasília, telefone 3346-9788).
Vamos ajudar!

Escola Classe 203 de Santa Maria realiza caminhada pela paz

Nesta sexta-feira (30), estudantes e professores da EC 203 de Santa Maria farão uma caminhada pela paz nas proximidades da escola, como parte do conteúdo trabalhado neste bimestre: “Cultura da PAZ”.
O horário de concentração para o evento será às 8h.
A equipe gestora pede que os estudantes, acompanhados por responsáveis, venham vestidos com a camiseta do uniforme, short ou calça na cor branca, boné e tênis. É importante também trazer garrafas com água.

Filho de professores de Ceilândia precisa de doadores de sangue

Pedro de Alcântara Mendes Pereira, filho de Pedro de Alcântara e Ivone Miguela, professores da rede pública de Ceilândia, está precisando de doadores(as) de sangue. Ele luta contra um câncer que está em estágio avançado e com frequência, necessita de transfusões de sangue. Pedro está internado no Hospital Sarah Kubitschek, mas as doações devem ser realizadas no Hemocentro da Asa Norte, em nome dele.
Doe sangue! Doe vida! Colabore!

Professora cria projeto para debater questões de gênero em escola de SP

Por que, nas escolas, as filas são separadas entre meninos e meninas? E por que é ‘natural’ que, nas aulas de educação física, as meninas joguem vôlei, enquanto os meninos jogam futebol?
Refletindo sobre questões como essas, Mayla Rosa Rodrigues, professora da Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Frei Francisco Mont’Alverne, na Vila Domitila, zona leste de São Paulo, percebeu como a escola costuma reforçar práticas desiguais que acontecem na sociedade.
“Os meninos são muito mais incentivados a desenvolver atividades físicas e muito mais elogiados pelo seu desenvolvimento em matérias como matemática, enquanto as meninas brincam de como “ser mamãe” e são mais incentivadas a se desenvolver em matérias linguísticas”, conta a professora.
A partir disso, Mayla passou a analisar com um olhar mais crítico os livros didáticos e livros de literatura infantil –e encontrou neles também uma repetição de estereótipos, “seja quando apresentam meninas apenas como ajudantes dos meninos cientistas ou quando deixam de mostrar meninas negras”.
Mulheres na História
Mayla resolveu, então, criar o projeto “Mulheres na História”, onde são debatidos estereótipos de comportamento, sejam eles de gênero, raciais, sexuais ou de classe. Para isso, os principais mecanismos que são utilizados com uma turma de alunos do 4º ano são a pesquisa e as leituras biográficas de mulheres.
“As crianças estão pesquisando mulheres que fizeram parte da nossa história e que são frequentemente apagadas e silenciadas. Por exemplo, muitos sabem quem foi Martin Luther King, mas poucos conhecem [a ativista negra norte-americana] Rosa Parks”, explica Mayla.
Para a professora, é papel da escola desconstruir a ideia de que apenas os homens constroem e transformam a história. “Quando mulheres são apresentadas apenas como coadjuvantes, elas passam a acreditar que essa é sua única possibilidade”, afirma.
Entre as mulheres que os alunos já estudaram, estão Aqualtune, grande símbolo de resistência negra e avó de Zumbi dos Palmares; Jackie Joyner-Kersee, atleta americana de destaque no heptatlo e no salto a distância; e Maria da Penha, líder brasileira de movimentos em defesa dos direitos da mulher e que inspirou a criação da lei homônima que completa uma década este ano.
Mudanças no comportamento
Mayla, que se considera feminista, conta que para ela as desigualdades de gênero sempre foram motivo de inquietação. “Fui criada pela minha mãe com mais duas irmãs e, toda vez que alguém via minha casa minimamente bagunçada, o comentário era imediato: ‘como uma casa com tanta mulher pode ser bagunçada?’. Aquilo me incomodava muito”, lembra.
É justamente essa visão de mundo que a professora busca ampliar, além de não limitar o potencial das crianças em “caixinhas” de coisas destinadas apenas para meninas ou para meninos. Com a realização do projeto, ela diz que a mudança no comportamento das crianças é nítida.
“Os conflitos que enfrentávamos no início do ano estão quase extintos, pois as crianças passaram a se respeitar mais, a entender o limite do outro e a ouvir o ‘não’ do colega. Além disso, como todas as crianças se sentem ouvidas, o interesse delas em sala de aula aumentou consideravelmente.”
Autonomia e pensamento crítico
Outro reflexo do projeto é um maior desenvolvimento da autonomia das crianças, que não esperam mais que apenas a professora traga leituras ou diga a elas o que escrever. “Elas me trazem notícias que querem discutir em sala ou livros que gostariam que eu lesse para todos e criticam filmes e livros que não tenham personagens negros”, explica Mayla.
Apesar de o projeto ter sido desenvolvido por iniciativa própria, a professora ressalta a importância do suporte da escola. “Desde que comecei a desenvolver o projeto em sala, recebi apoio da equipe gestora, além de muitos elogios”, afirma.
Escola sem Partido
Para Mayla, “todo profissional da educação deveria ter autonomia em sala de aula” – uma ideia que bate de frente com o programa “Escola sem Partido”, que condena uma suposta doutrinação ideológica no ensino.
“Quando defensores do programa dizem que os professores não são isentos de ideologia e, por isso, vão ensinar às crianças o que se deve pensar, ignoram que elas não são sujeitos sem capacidade de crítica”, explica.
A professora ainda diz que a escola é um espaço onde o direito de aprendizagem da criança e a pluralidade de ideias e de concepções devem ser mantidos. “Há a necessidade urgente de se pensar em práticas inclusivas, que considerem as diferenças e a diversidade de opiniões sem demonizá-las, nunca o contrário”.
(do Uol)

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