Estudantes de Goiás resistem à reintegração de posse de escolas

Estudantes secundaristas que ocupam escolas da rede pública em Goiás divulgaram nota afirmando que não se sentiram intimidados pelas liminares concedidas na última sexta-feira (22) por juízes das comarcas de Aparecida de Goiânia e de Anápolis, determinando a reintegração de posse das escolas ocupadas nos dois municípios.
“Deixamos claro que esta reintegração de posse não nos intimida”, diz um trecho da nota. “Temos clareza de que nossa causa é justa e resistiremos até o último momento em nome dela. Não tem arrego! Ocupar, Resistir! Só a luta muda!”, finaliza a nota publicada na página do Facebook, Secundaristas em Luta – GO, usada pelos estudantes para dar informações sobre as ocupações.
Os estudantes ocupam as escolas em protesto à proposta do governo estadual de fazer com que organizações sociais cuidem da administração e infraestrutura das escolas e possam também contratar professores e funcionários administrativos. O quadro atual de concursados será mantido, mas novos profissionais podem ser escolhidos pelas organizações. Para um grupo de estudantes e professores, a decisão foi tomada sem diálogo com a comunidade escolar.
O projeto-piloto do novo modelo de gestão das escolas começará por 23 unidades da Subsecretaria Regional de Anápolis, que compreende também os municípios de Abadiânia, Alexânia, Campo Limpo de Goiás, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Goianápolis, Nerópolis, Ouro Verde, Petrolina de Goiás, Pirenópolis e Terezópolis de Goiás.
De acordo com a Secretaria de Educação, as escolas continuarão “100% públicas e gratuitas”. O objetivo do novo modelo, segundo o governo, é dar maior eficiência e melhorar a qualidade das unidades, que terão as estruturas melhoradas e manutenção constante.
(da Agência Brasil)

Hoje é dia de "esquecer um livro e espalhar conhecimento"

Esta segunda-feira (25) será um dia para praticar o desapego e, de quebra, ajudar muitas pessoas.

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O projeto é válido por todo ano

A ideia do “Esqueça um livro” partiu paulista Felipe Brandão. Por dois anos ele trabalhou em uma grande rede de livrarias e atualmente trabalha na área de marketing de uma editora de best-sellers.
Em abril passado, percebeu que a estante de sua casa estava novamente cheia de títulos já lidos. Ao invés de comprar outro móvel para acumular mais livros, vender as edições em um sebo ou negociá-las em um site de trocas, optou pelo desapego, abandonando os livros pela cidade. Nasceu assim o projeto “Esqueça um Livro”.
“A ideia é inspirada no conceito de BookCrossing, criado nos EUA no começo dos anos 2000”, explica. Combinando leitura e urbanidade, o conceito convida os leitores a deixar um livro em local público, para que outra pessoa o encontre, o leia, e volte a abandoná-lo, ampliando assim o acesso à leitura. Há diferentes versões do BookCrossing espalhadas por cidades do Brasil e do mundo.
A base do “Esqueça um livro” é uma fanpage no Facebook. Nela, Felipe posta as fotos dos livros “esquecidos”, acompanhadas de uma breve sinopse e da indicação do local onde a edição foi deixada. “Sobre a Brevidade da Vida”, de Sêneca, foi o primeiro livro a ser abandonado no projeto, em 4 de abril, numa janela cercada de plantas próximo à estação Marechal Deodoro do Metrô. De lá pra cá, vários amigos e entusiastas passaram a colaborar com o projeto, “esquecendo” livros por São Paulo.
Simples na teoria e na prática, o projeto não tem maiores intenções além de espalhar livros e difundir a leitura na cidade. “Quero que os livros cheguem até pessoas que não teriam condições de comprá-los”, deseja Brandão.
Então? Quem topa? Vamos?
Deixe no restaurante, no ponto de ônibus, dentro do metrô, sobre a bancada do banco…
Vale um bilhetinho, explicando o projeto e o presente !
Modelo de Bilhetinho:
Ei, você que achou este livro!
Agora ele é SEU!
A iniciativa faz parte de um projeto de incentivo à leitura e compartilhamento de conhecimento.
Eu escolhi este livro porque XXXX (sua justificativa) XXXX.
Participe!

A disputa por uma creche

Mesmo sabendo que não é preciso dormir na fila para fazer a inscrição em creches do Distrito Federal, pois o critério para conseguir a vaga não é a ordem de chegada, muitos pais amanheceram nos portões das Coordenações Regionais de Ensino (CREs) em todo o DF.  As inscrições para as instituições do governo e conveniadas foram abertas ontem, e a mãe de primeira viagem Ana Carolina Aragão, 25 anos, estava logo cedo na CRE do Guará tentando um lugar para o filho Enzo, 1. “Eu cheguei aqui às 7h porque estava ansiosa. Preciso procurar um emprego para dar boa condição de vida ao meu filho e só conseguirei sair de casa se ele estiver seguro, em um lugar onde cuidem dele. Entreguei todos os documentos e espero conseguir.”
A Secretaria de Educação estima que a situação de Ana Carolina seja a mesma de mães, pais e familiares de mais de 21 mil outras crianças que procuram um lugar para cuidar dos filhos de até 5 anos. A oferta em todo o DF é de 5.344 vagas — 1.344 a mais que em 2015. O número é inferior, por exemplo, à procura das regiões administrativas de Ceilândia e Samambaia. Juntas, as duas cidades são responsáveis por cerca de 8 mil carências. A rede pública tem 39 creches espalhadas pelas regionais de ensino. Três unidades — em Santa Maria, Asa Sul e Lago Norte — serão inauguradas em 11 de fevereiro e mais outras duas estão em fase final de construção. Além dessas, há 59 creches particulares conveniadas.
O desconforto da busca por matrículas para os gêmeos de 1 ano e 4 meses é uma realidade também para o casal morador do Guará Augusto Lucatelli, 32, e Bruna Lucatelli, 27. Desde o ano passado, eles aguardam uma vaga. “Já fomos a uma escola particular perto de casa e não podemos arcar com as despesas. Além dos gêmeos, temos um filho de 5 anos, que entrou no colégio agora”, disse Bruna. Para ela, a quantidade de vagas oferecidas está aquém da demanda do DF. “Creche é um direito de todas as crianças. É um absurdo você precisar e ter que ficar aguardando. Se os meus filhos não conseguem a vaga, eu não posso trabalhar.”
Pais ou responsáveis devem ir à regional de ensino da creche de interesse e apresentar a documentação exigida. A ordem de chegada é irrelevante e estar na CRE logo cedo não garante vaga, pois as crianças são classificadas por pontuação (veja quadro). Em caso de empate, a prioridade serão mães com maior número de filhos ou a criança mais velha.
A auxiliar de serviços gerais Jéssica Regina dos Santos, 34, tenta uma vaga para o filho de 2 em uma creche conveniada no Gama, onde mora com o marido e mais uma filha de 8. “Meu marido chegou às 5h e fomos os primeiros atendidos. No ano passado, tentei a matrícula, mas não deu certo. Não considero os critérios justos. Tudo é pontuação. Se fizer parte de algum programa do governo ou se a criança tem risco nutricional, a chance é maior. Como não tenho nada disso, não vou conseguir a vaga?”, questiona Jéssica. Ela conseguiu um emprego recentemente e espera a resposta do governo para saber se vai poder ficar no novo serviço.
Ampliação

A Diretora de Acompanhamento da Oferta Educacional da SEDF, Raphaella Cantarino, afirma que o governo tem planos para aumentar a oferta de vagas, mas o processo de ampliação tem peculiaridades. “A legislação obriga o atendimento a crianças a partir dos 4 anos, o que não inclui a creche, mas há três anos temos ampliado significativamente o serviço. Essa faixa etária depende de muitos cuidados, principalmente os bebês. Para aumentar a quantidade de creches, é preciso muita cautela.” Segundo Raphaella, até julho, mais cinco unidades serão inauguradas.
Onde elas estão
» Brazlândia   —   1
» Guará   —   1
» Plano Piloto  —    2
» Lago Norte   —   2
» Planaltina   —   3
» Sobradinho  —    3
» Águas Claras   —   4
» Recanto das Emas   —   4
» Santa Maria  —    5
» Ceilândia  —    7
» Samambaia    —  12
Fonte: Secretaria de Educação do DF

Passo a passo

As inscrições nas creches públicas e conveniadas vão até sexta-feira.
Os documentos necessários para solicitação de vagas são (original e cópia)
» Certidão de nascimento da criança
» Comprovante de residência ou do endereço de trabalho do responsável legal
» CPF ou RG do responsável legal

Critérios para classificação e pontuação

» Baixa renda (25 pontos)
. Crianças de famílias que participam de algum programa de assistência social
» Medida protetiva (20 pontos)
. Criança em situação de vulnerabilidade social
» Risco nutricional (15 pontos)
. Criança em estado de vulnerabilidade nutricional comprovada por declaração da Secretaria de Saúde
» Mãe trabalhadora (10 pontos)
. Criança cuja mãe trabalha formal ou informalmente
* Todos os critérios devem ser comprovados por documentação.
Fonte: Secretaria de Educação do DF
(do Correio Braziliense)

Estudantes e sem-teto protestam contra comentário de Alexandre Garcia

Estudantes de diversas correntes de organizações estudantis se reuniram na noite desta terça-feira (19/1) na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto para manifestar repúdio ao comentário do jornalista Alexandre Garcia, da Rede Globo, sobre as cotas raciais e sociais. O ato também contou com o apoio dos trabalhadores sem-teto (MTST).
“Fizemos panfletagem e vamos entregar uma carta de repúdio à Globo”, explicou a aluna de serviço social da Universidade de Brasília (UnB) e integrante da Associação Nacional dos Estudantes Livres (Anel) Clarissa Araújo, 22 anos. Segundo Licio Jonatas, 23, integrante do Rua-Juventude Anticapitalista, a fala do jornalista representa todo um sistema de mídia contrária ao ingresso das classes mais pobres na universidade.
Durante a edição de quinta-feira (14/1) do DFTV, ao falar sobre o aumento de 40% de estudantes da escola pública no Programa de Avaliação Seriada (PAS), da Universidade de Brasília (UnB), Alexandre Garcia opinou que a política de cotas fere a meritocracia.
“Temos que pensar na qualidade do ensino. Aqui em Brasília, é tudo na base do pistolão, do empurrãozinho. A tradução disso são as cotas. Só 67 (dos alunos das escolas públicas) entraram por mérito… Sem a humilhação de receber empurrãozinho”, disse Garcia no comentário.
(do Metrópoles)

Acesso à pré-escola cresce 17% em uma década

Na última década, as crianças de 4 a 5 anos, idade correspondente a pré-escola, foram as que mais tiveram avanço no acesso à educação básica. O percentual de atendimento nessa faixa etária evoluiu de 72,5% em 2005, para 89,1% em 2014, o que representa uma variação de quase 17 pontos percentuais.
Também houve avanço constante nos últimos dez anos no acesso à educação básica para as crianças e jovens de 4 a 17 anos, passando de 89,5% para 93,6% entre 2005 e 2014, aumento de quatro pontos percentuais no período.
Os dados são de levantamento divulgado hoje (19) pela organização não-governamental Todos Pela Educação, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa tem como objetivo monitorar a meta 1 da entidade, de garantir que toda criança e jovem de 4 a 17 anos frequente a escola. A meta estabelece que, até o ano de 2022, 98% dessas crianças e jovens devem estar matriculados na escola ou ter concluído o ensino médio.
A diretora executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, diz que, em parte, esses avanços se devem à Emenda Constitucional 59, de 2009, que dá prazo até este ano para que seja garantida a matrícula escolar a todos os brasileiros com idades entre 4 e 17 anos.
Outro fator, segundo ela, é o aumento da conscientização sobre a importância da educação infantil para garantir a aprendizagem nos anos seguintes da vida escolar. “Quanto antes a criança entra na escola, isso vai ajudá-la a se alfabetizar corretamente na idade certa e, consequentemente, aprender tudo que ela tem direito nas etapas posteriores”, disse.
Educação no campo
Na faixa de 4 a 17 anos, que abrange os estudantes da educação básica, o atendimento aos alunos que vivem na área rural cresceu mais que entre a população das áreas urbanas. Entre 2005 e 2014, o percentual de acesso à educação nessa faixa de idade na área rural passou de 83,8% para 92,5%; e o da área urbana, de 90,9% para 93,9%. O levantamento também mostra que o avanço foi maior entre pardos, seguido por pretos e brancos.
Em relação à faixa etária de 4 a 5 anos, também houve maior avanço no acesso à educação nas áreas rurais e entre as crianças pardas.
Segundo Priscila Cruz, esses segmentos eram os que estavam mais atrasados, portanto, era esperado que apresentassem maior evolução nos indicadores. Ela diz que os dados são motivo de comemoração e que é preciso mobilizar esforços para que os avanços se mantenham nos próximos anos.
“É uma boa notícia o Brasil conseguir avançar na inclusão, principalmente de uma população historicamente excluída. Você tem aí área rural, os 25% mais pobres, os pardos e negros. Eles constituem o grupo que mais cresceu. Isso é motivo de celebração e temos que nos inspirar nessa conquista dos últimos dez anos e aprofundá-la nos próximos”, disse.
Entre os estados que em que o acesso à educação básica na faixa de 4 a 17 anos mais cresceu na última década, em pontos percentuais, estão Rondônia (8,4), Pará (8,2) e Maranhão (6,7). Entre as crianças e jovens de 4 e 5 anos, o aumento no atendimento foi maior em Rondônia (36,6 pontos percentuais), Rio Grande do Sul (33,4) e Mato Grosso (25,1).
(do Luis Nassif Online)

Artigo: "O que incomoda a elite brasileira? As cotas em debate", por Cristino C. Rocha

Em 2011, em uma cidade do interior de goiás, escutei uma pessoa usar a seguinte expressão inconformada: “hoje em dia até pobre tem carro”. Essa afirmação carregada de preconceito de classe social revela um pouco do perfil de uma classe média/alta e/ou dos pretensos, por haver aqueles/as que ao ter um fusca, aluguel em bairro nobre e um emprego fixo dizer “sou classe média/alta” e ainda há quem tem dois palmos de terra, uma vaca, um bode, bate no peito e diz “sou fazendeiro”.
A elite/burguesia nacional brasileira tem seu repertório ideológico em lugares concretos. Estão enraizados na colônia (com seus feitores, senhor do engenho, forma de organização socioeconômica de exploração…); no sistema escravocrata (proprietário de pessoas a serem escravizadas, luxo a partir do sofrimento alheio…) e na ditadura militar (democracia sequestrada, silenciamento de vozes, rua como propriedade da elite e seu aparato militar…). É a partir desse cenário que o discurso da elite toma corpo e se transforma em práticas sociais opressivas em sociedades contemporâneas.
A expressão estereotipada possui seus significados, entre os quais que só os ricos deveriam ter carro. Denota também que desde 2002 até hoje, em que pese a crise ético-política e financeira, as camadas populares tiveram acesso a uma vida mais digna nunca experimentada nos governos anteriores, não podendo apenas ter carro, mas também acesso à formação superior, a viajar de avião, casa própria etc. Esse tipo de política incomoda os que sempre estiveram por cima, alimentados pela dor humana. Os ricos pretendem diferentes a partir da produção das desigualdades multifacetadas.
Uma constatação acoplada a expressão estereotipada “hoje em dia até pobre tem carro” sinaliza o que proponho a contribuir no debate sobre a relação entre educação pública como direito, a questão das cotas nas Universidades públicas e o que incomoda a elite/burguesia nacional brasileira contemporânea: direitos não são oportunidades, dádivas, ação benevolente dos ricos nem méritos. Direitos, portanto, se constituem como para além das cotas por serem amplos e transcendem qualquer ação afirmativa de níveis institucionais. Quero dizer com isso que direitos humanos não estejam atrelados unicamente às cotas, nem às ações afirmativas, nem às leis, embora essas dimensões façam parte dos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana.
Trata-se de um debate que leva em consideração a questão da demanda por reconhecimento com o teor posto pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Culturas Afro-Brasileira e Africana2:
 

A demanda da comunidade afro-brasileira (classe popular em geral, grifo meu) por reconhecimento, valorização e afirmação de direitos, no que diz respeito à educação, passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 10.639/2003, que alterou a Lei 9.394/1996, estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas (MEC/SEPPIR, 2004:11).

 
Reconhecimento tem implicações e perspectivas distintas de oportunidades, dádivas, ação benevolente e méritos. Diante de direitos inalienáveis se faz escolha de qual posicionamento: pela via das migalhas (oportunidade, dádivas, benevolência e mérito) ou pela via da garantia de direitos (reconhecimento e respeito). Ainda nesta contribuição, as Diretrizes apontam várias faces do reconhecimento, o que adoto duas de igual importância:
 

Reconhecimento requer a adoção de políticas educacionais e de estratégias pedagógicas de valorização da diversidade, a fim de superar a desigualdade étnico – racial presente na educação escolar brasileira, nos diferentes níveis de ensino. Reconhecer exige que se questionem relações étnico-raciais baseadas em preconceitos que desqualificam os negros e salientam estereótipos depreciativos, palavras e atitudes que, velada ou explicitamente violentas, expressam sentimentos de superioridade em relação aos negros, próprios de uma sociedade hierárquica e desigual (MEC/SEPPIR, 2004:13).

 
As contribuições das Diretrizes faz pensar no que vem ocorrendo com a discussão em torno das cotas para negros/as nas universidade públicas brasileiras e às discussões sobre a recente divulgação de resultados do PAS em que estudantes da rede pública do Distrito Federal obtiveram aprovação significativa no conjunto das vagas na Universidade de Brasília. O contributo específico das Diretrizes (questão racial) se estende às questões de classe social, de gênero e outras correlatas, dada a abrangência e complexidade dos discursos em torno das cotas e o sutil e mesmo escancarado ataque à garantia de direitos fundamentais da pessoa humana.
Nesta perspectiva, ao falar de cotas para negros nas Universidade públicas e cotas sociais para procedentes de camadas populares empobrecidas, abrangendo classe social, ambos historicamente excluídos e marginalizados por pessoas e instituições, cabe dizer que cotas são necessárias e direitos de inclusão, dada trajetória de vida de milhares de pessoas que foram e continuam sendo vítimas de todo tipo de violência, inclusive da midiática que tem prestado um desserviço às camadas populares, com raras exceções. Trata-se de devolução do que fora subtraído e não ação caritativa de instituições e pessoas.
É importante compreender o que está em risco ao lidar com discursos e práticas sociais, na particularidade do que se reacendeu como campo de disputa: garantia de direitos humanos. Precisamos ter o cuidado para não resvalar na vala comum do discurso simplista e simplificador em torno das cotas sociais e raciais nas Universidades públicas. As cotas são pontas do iceberg. Uma pergunta precisa ser discutida: O que de fato a elite brasileira rejeita e se incomoda? José Carvalho3 traz para o debate a intranquilidade da elite branca da universidade em relação às cotas raciais:
 

As cotas já assaltam de tal modo a intranquilidade da elite branca da universidade que não podemos deter o ímpeto da discussão por causa da reação da academia à possibilidade da inclusão racial. Mais ainda, sustento que só conseguiremos entender porque há tão poucos negros na universidade hoje se analisarmos a pirâmide do mundo acadêmico pelo topo e não só pela base (Carvalho, 2004:03).

 
A reação inicial da academia em relação às cotas para negros tem sua extensão na reação de outros grupos e pessoas que se incomodam quando diante da possibilidade de compartilhar direitos com camadas populares. O caso do discurso de Alexandre Garcia (DFTV de 14/01/2016) é emblemático de uma postura que tende a privilegiar a elite em detrimento das camadas populares. Ele representa o ideário de uma sociedade organizada para a elite/burguesia, por isso ser coerente seu discurso contra cotas e a inserção de estudantes da escola pública na UnB.
Em outra passagem Carvalho (idem, 2004:14) evidencia a meta das ações afirmativas que põe em cheque a elite/burguesia que se pretende hegemônica em todas as esferas da vida humana: “A meta das ações afirmativas em discussão é deselitizar radicalmente o ensino superior público e com isso demandar da universidade pública um retorno à função social, desvirtuada há muito pela sua hegemonia de classe, (de etnia/raça e gênero, grifo meu).
Obviamente não é tarefa fácil deselitizar o ensino superior público, mas creio ser possível, na medida em que for crescendo posturas humanitárias de luta pela inclusão negra e de outros segmentos sociais nas esteira de José Jorge, Rita Laura Segato e outros comprometidos com a luta por direitos reconhecidos.
Está posto concretamente que a elite brasileira não rejeita o acesso de camadas populares à educação. Ela rechaça o tipo de educação, a que promove emancipação, libertação e acesso a direitos, sendo a própria educação um dos direitos.
A burguesia/elite aceita tranquilamente que camadas populares tenham acesso a uma educação para servi-la; uma educação que transforme o sujeito em subserviente, com obediência servil e submetido aos ditames do que a elite decide. Não é bom e aceitável para a elite/burguesia um acesso amplo e qualitativo, que promova lucidez diante dos acontecimentos locais, nacionais e de mundo; mobilidade socioeconômica, política e cultural etc.
Nesse patamar de compreensão, a educação pensada pela elite para as camadas populares é basicamente a de acesso mínimo e de qualidade restrita, apenas para garantir pão e circo. O circo é montado por grandes emissoras de televisão, inclusive pelo que se usa metaforicamente como REDE BOBO4.
 
Ao que a elite/burguesia teme, há elementos concretos que servem para uma análise, mais do que informação já feita por emissoras televisivas que não se preocupam com a reflexividade, porque vender notícias seja mais rentável, principalmente a que mais veda os olhos e amortece a consciência crítica.
A elite/burguesia teme e rejeita uma ação que qualifica o estudante da escola pública para a inclusão sem ranqueamento e sem meritocracia. Teme e rejeita a valorização e respeito do magistério público, daí o ataque à escola pública, aos professores/as e estudantes, sendo o ataque a direitos a chave de leitura importante que se deve fazer ao lidar com pessoas e instituições que tentam desqualificar e desvirtuar a importância dos serviços públicos. Portanto, o ponto nevrálgico não são cotas, mas direitos amplos que vem sendo atacados.
Há um temor e rejeição da elite/burguesia da democratização dos direitos historicamente privilégios de um grupo. O ideário privatista de direitos está escancarado em ideologias contrárias ao público, ao exercício da cidadania e à dignidade humana como direitos. Muitas das ideologias são repletas de estereotipias e preconceitos, seja pela grande mídia, seja no cotidiano que reproduz o modo de ser da elite. O discurso contra contas propalado por qualquer pessoa não tem força política no contexto de uma luta pela dignidade humana, dignidade que só será possível na medida em que houver direitos compartilhados e não privatizados.
O grande temor e rejeição da elite/burguesia é que os empobrecidos, na maioria negra, mulheres e nações indígenas atinjam um patamar de vida digna em pé de igualdade. Não admitem que esses segmentos tenham uma qualidade de vida igual ao que os burgueses sempre tiveram e têm. Por essa razão, atacam os meios que conduzem a essa possibilidade de inclusão e garantia de direitos, a educação pública, laica, democrática e qualitativa do ponto de vista sociocultural, técnico e político. Esses temores e rejeições são as mesmas que se processam em outras dimensões. Compartilho algumas para o debate.
 
A elite/burguesia sente incomodada com a ascensão e empoderamento das mulheres, fruto da luta ininterrupta de mulheres e homens engajados no mesmo ideário. A elite ultraconservadora e em certa medida neofascista, neo-escravocrata e neo-colonizadora não admite a inserção da mulher em espaços econômicos, políticos e culturais de grande alcance social, de modo particular em relação à mulher negra, maior vítima no que tange ao corte de etnia/raça e gênero. Maria Júlia é caso emblemático, jornalista que foi duramente agredida em rede social na condição de profissional negra em 2015. A maneira como a elite brasileira trata a presidenta Dilma Rousseff demonstra a articulação do tripé intolerância, intransigência e machismo. O desrespeito para com Dilma perpetrado pela elite brasileira não tem nada a ver com a democracia. Trata-se de uma violência contra a mulher.
A elite/burguesia rejeita o acesso de negros/as e camadas populares empobrecidas às universidade públicas por serem meios de acesso a um possível rompimento com a exclusão socioeconômica e educacional. Fazer chacota em rede televisiva pelo fato de estudantes da escola pública entrar na UnB faz parte de um ideário maior do que a chacota e o ataque às cotas: ataque aos direitos fundamentais da pessoa humana, inclusive o de acesso a uma educação qualitativa técnica, social e política. Há clivagem de etnia/raça, classe social e gênero na disputa por direitos. Os que são contra cotas desejam perpetuar as relações desiguais de etnia/raça, gênero e classe social.
 
Os burgueses sempre tiveram dificuldade de lidar com direitos compartilhados. É mais cômodo o direito privatizado, em que um pequeno grupo faça jus a todas as benesses e a maioria viva das migalhas que caem debaixo da mesa da elite/burguesia. E muitos senhores/as de determinadas redes televisivas cumprem bem o papel de agentes do capital, do mercado, porque não são donos das emissoras, apenas trabalham em favor do patrão e veiculam uma ideologia que favorece uma elite midiática e governos atrelados aos interesses dominantes da grande mídia.
Nesse sentido, a elite/burguesia sente incomodada e rejeita qualquer avanço trabalhista (PEC das domésticas, aumento salarial dos trabalhadores/as…). O caso mais recente (final de 2015) do acesso dos trabalhadores/as a um aumento salarial nunca visto na história de governabilidade brasileira anterior aos anos 2002-2010, passando de 788,00 para 880,00, salto quantitativo significativo em termos históricos.
A elite/burguesia sempre temeu e teme um governo que não teme nem rejeita o lado dos empobrecidos. A grande luta de hoje é contra a burguesia/elite que usa todos os meios para impedir o exercício das camadas populares dos direitos fundamentais. O inimigo da classe trabalhadora tem nome: elite/burguesia que não aceita compartilhar direitos e não escondem esse ideário: está explícito no próprio discurso.
 
A elite/burguesia sente incomodada com a camada popular viajando de avião, basta dar uma olhada nos olhares, redundância pequena ante o olhar que denuncia preconceito. Por muito tempo e ainda hoje se adota a ideia do “não posso ter os mesmos hábitos dos pobres” e mais “eles, os pobres, são muito diferentes de nós ricos”. Sabem ou não sabem os ricos que são sustentados pelo trabalho e carências dos trabalhadores/as empobrecidos? Sabem ou não sabem que a opulência de um pequeno grupo reflete no sofrimento da maioria? O afastamento do lugar dos empobrecidos faz da elite/burguesia uma ilha com acesso ao luxo e nas circunvizinhanças está o empobrecido, no mundo do lixo produzido pela própria elite/burguesia.
A elite/burguesia sente incomoda e rejeita uma educação libertadora e emancipatória, o que decorre acreditar que “Paulo Freire” e outras referências instigadoras do pensamento que medita, produz e analisa sejam esquecidos e retirados do contexto educativo. Um sinal desse modo de rejeitar é o PL nº 01/2015 intitulado de “Escola sem Partido” de Sandra Faraj na condição de Deputada Distrital e que está posto em nível Federal com o mesmo teor, o PL nº 867/2015, que tramita na Câmara Federal, de autoria do Deputado Izalci. Paradoxalmente os que propõem “escola sem partido” possuem um partido enquanto sigla e enquanto postura ideológica.
Os PLs em evidência objetivam submeter profissionais de educação e estudantes aos ditames de uma pedagogia positivista, ultraconservadora e tecnicista, amordaçando sujeitos de direitos dentro e fora da escola, com a finalidade de manter o status quo da elite/burguesia que trata a dimensão pública como posse, degrada e argumenta a necessidade de privatizá-la.
 
Enfim, a elite/burguesia sente incomodada e rejeita o acesso de estudantes da rede pública de ensino a um patamar de direitos, entre os quais a universidade pública de qualidade técnica, política e sociocultural. Há algo que não se pode deixar de perceber: a grande mídia articulada com a elite/burguesia, sendo a própria mídia burguesa está se sentindo cada vez mais incomodada com uma escola pública que por muito tempo tem sido invisibilizada em seus feitos e que se desponta como afronta a uma elite individualista, enquanto as privadas divulgavam uma falsa qualidade. E creiam: a elite/burguesia capitaneada pelo capital e pela grande mídia não se curvarão diante do ideário da democratização de direitos que passam pela educação pública como um dos meios de consolidação de direitos e como direito… A disputa de ideários se aprofunda em nossa realidade brasileira contemporânea… Desafio constante para sindicatos, CUT, categorias, lideranças religiosas e políticas comprometidas e engajadas, movimentos sociais…
Cristino Cesário Rocha
Taguatinga Norte-DF, 18 de janeiro de 2016.
 

1 Cristino Cesário Rocha é professor de rede pública de ensino do Distrito Federal. Formação filosófico-teológica e Especialização em Gestão da Educação; Culturas Negras no Atlântico: história da África e afro-brasileiros; Educação na Diversidade e Cidadania com ênfase na Educação de Jovens e Adultos e Educação, Democracia e Gestão Escolar.

 

2 As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana é um marco político importante na luta antirracista com maior envergadura no governo federal brasileiro entre 2002 e 2010. A referida diretriz ajuda no entendimento de conceitos e práticas sociais que afetam negros e negras no Brasil atual, cuja relatora do material sistematizado foi Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Brasília, 10 de março de 2004.

 

3 José Jorge de Carvalho é Antropólogo, do Departamento de Antropologia da UnB, criou o sistema de Cotas na UnB. Seu artigo “as ações afirmativas como resposta ao racismo acadêmico e seu impacto nas ciências sociais brasileiras” traz uma reflexão sobre as condições reais do povo negro brasileiro e as cotas como possibilidades de inclusão. disponível em http://www.redeacaoafirmativa.ceao.ufba.br/uploads/ufscar_artigo_2003_JJdeCarvalho.pdf acessado em 18 de janeiro de 2016.

 

4 Rede Bobo é usado por críticos da TV Globo que consideram esse meio de comunicação um desserviço para a população. Programas e notícias não ajudam no despertar de uma consciência crítico-criativa.

 

Marcha abre atividades do Fórum Social Mundial 2016. Sinpro estará presente

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Entre os dias 19 e 23 de janeiro, a capital gaúcha receberá cerca de 40 mil participantes para o Fórum Social Mundial Porto Alegre 2016 – 15 anos. Esse público virá de todas as regiões do Brasil e de mais de 35 países que já confirmaram presença. Este ano, o evento carrega o lema: “Paz, Democracia, Direitos dos Povos e do Planeta”.
O comitê organizador do FSM 2016 informa que o evento terá 60 atividades macro dentro do princípio central do primeiro Fórum, de 2001: fazer contraponto à reunião anual do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que desde 1971 é a plataforma global do pensamento e das política neoliberais.
O Fórum Social começa com sua tradicional Marcha de Abertura. A caminhada terá sua concentração no Largo Glênio Peres a partir das 15h, seguindo pela Avenida Borges de Medeiros, e terminando no Largo Zumbi dos Palmares, Cidade Baixa, onde acontecem os shows culturais de abertura. A organização espera 20 mil pessoas participando na Marcha.
As demais atividades do fórum serão realizadas na Redenção (Parque Farroupilha) e no Auditório Araújo Viana, na Assembleia Legislativa e na Casa de Cultura Mário Quintana. Só o Parque da Redenção terá 20 tendas para abrigar atividades.
O Sinpro-DF enviou delegação que, no dia 22, apresentará uma oficina autogestionada com o tema “Educação para Sustentação da Vida”.
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Escola do DF inova em metodologia de ensino bilíngue para alunos surdos

A inovação e a criatividade estão em toda a escola. Por salas de aula e corredores silenciosos flui o conhecimento que poucos ouvintes conseguem entender e apreender. Com gestos rápidos e uma infinidade de sinais, que traduzem palavras, frases e conceitos, professores e alunos interagem e avançam nos conteúdos obrigatórios da educação básica. A Escola Bilíngue Libras e Português Escrito, em Taguatinga, uma das regiões administrativas mais populosas do Distrito Federal, é a única da rede pública do Brasil a criar metodologia adequada para crianças e adolescentes surdos que têm como língua materna a Libras (Língua Brasileira de Sinais).
Criada em 2013, por lei local, a escola nasce, portanto, sob um projeto político inovador e se revela inclusiva também no sentido reverso. “O que é bom para o aluno surdo é bom para o aluno ouvinte”, explica a diretora, Maristela Batista de Oliveira Bento, pedagoga com 20 anos de experiência na educação de alunos surdos. Por isso, por escolha das famílias, nas salas de aulas há alunos ouvintes, que aprendem a língua de sinais para se comunicar com parentes e amigos surdos. O bilinguismo na língua de sinais e no português escrito configura-se, portanto, numa espécie de chave para aproximar pessoas de dois mundos que não se integram por não dominarem os códigos da comunicação.
Thalya da Silva, 18 anos, aluna do segundo ano do ensino médio, conta que a escola tem permitido a ela se aprofundar nos conhecimentos cobrados nas provas de seleção para ingresso nas universidades. Com talento para desenhar, Thalya pensa em seguir uma profissão nessa área. Porém, entender o conteúdo das provas é ainda um problema e, por isso, os alunos surdos precisam de intérprete na realização dos exames.
“O português é muito pesado e seria importante ter uma prova adequada, com tradução na íntegra para libras por meio de vídeos”, sugere a aluna, que ficou surda antes dos dois anos em decorrência de uma meningite. A dificuldade com a língua portuguesa ocorre também no contexto social e familiar, uma vez que são poucas as pessoas que dominam a língua de sinais. Em casa, por exemplo, Thalya não consegue se comunicar com o irmão, apenas com a mãe. Ela não é exceção. Outros alunos da escola relataram a mesma dificuldade.
Inclusão
Luana de Jesus, 17 anos, aluna do primeiro ano do ensino médio, diz que pretende estudar direito para lutar pelos direitos dos surdos. “Existe uma pressão da sociedade ouvinte sobre os surdos porque não sabem das suas habilidades e potencial. É preciso dar acesso aos ouvintes à cultura surda”, observa.
Em razão de todas essas dificuldades, Hudson Gonçalves, 20 anos, aluno do segundo ano do ensino médio, fala da importância da escola bilíngue de Taguatinga. “Eu consigo não apenas aprender, como tirar dúvidas e me aprofundar no conhecimento de biologia, química, física, português e matemática para ingressar num curso superior”, explica. “As traduções feitas pelos intérpretes em libras nas escolas onde estudei são rápidas demais. Não dá para absorver tudo.”
Nas escolas regulares em que há inclusão, de acordo com a diretora, o aluno surdo muitas vezes sente-se isolado por estar numa turma de ouvintes. “Ele se sente intimidado em expressar dúvidas e acaba acumulando defasagem de aprendizagem.”
A professora de biologia Thatiane do Prado, que prepara os alunos surdos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB), salienta que a metodologia adotada pela escola possibilita um aprendizado mais ativo. “Os alunos são sujeitos ativos no processo do conhecimento, opinam o tempo todo e não ficam apáticos”, afirma.
A escola bilíngue atende alunos da educação infantil ao ensino médio, com limite de dez alunos por turma, em razão da especificidade do ensino. O sistema bilíngue adotado pela escola atrai estudantes de outras regiões do Distrito Federal e Entorno.
Experiências inovadoras
A Escola Bilíngue Libras e Português Escrito foi uma das 178 instituições de ensino selecionadas pela chamada pública aberta pelo Ministério da Educação, em 2015, para divulgar experiências de inovação e criatividade nas escolas de educação básica no Brasil.
Para participar da chamada, a direção decidiu enviar o projeto político-pedagógico da própria escola, que já nasceu dentro de uma proposta de inovação na gestão e na metodologia de ensino. O objetivo é divulgar e mostrar os resultados positivos e emocionantes que os 53 professores surdos e ouvintes, com proficiência em libras, têm alcançado.
Com a metodologia empregada pela escola, as crianças matriculadas adquirem fluência em libras e português escrito e, assim, podem ser entendidas dentro e fora dos limites do contexto escolar.
Filha de pais surdos, a professora da educação infantil Andréa Beatriz Messias Belém Moreira conta que conviveu em meio a ouvintes e surdos, habitantes de dois mundos que têm dificuldades em se comunicar e se compreender.
A professora relata que desde cedo teve de aprender a superar o sofrimento pessoal por sentir a rejeição e o preconceito de professores que não chamavam seus pais na escola para saber do seu desempenho em sala de aula. “Ouvia-os dizer que meus pais eram aqueles mudinhos, mas eu não aceitava isso, e dizia que eles falavam, sim, e que eu os entendia muito bem porque sabia a língua deles.”
Libras
A Língua Brasileira de Sinais foi instituída pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e reconhecida como sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, para a transmissão de ideias e fatos. É a língua natural usada pelas comunidades surdas brasileiras. Estudos sobre a libras foram iniciados no Brasil em 1981.
Libras e português carregam estruturas diferenciadas. Documento publicado pelo Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos do Ministério da Educação, em 2004, sobre a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa, evidencia que, como em qualquer língua falada, “a fonologia é organizada baseada em um número restringido de sons que podem ser combinados em sucessões para formar uma unidade maior, ou seja, a palavra. Nas línguas de sinais, as configurações de mãos, juntamente com as localizações em que os sinais são produzidos, os movimentos e as direções, são as unidades menores que formam as palavras”.
(da Agência Brasil)

Ministério da Educação divulga a lista de aprovados no Sisu

O resultado do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foi divulgado nesta segunda-feira (18). Ao todo, 2.712.937 candidatos se inscreveram para 228.071 vagas em 131 instituições públicas de ensino superior. Os candidatos selecionados deverão fazer a matrícula nos dias 22, 25 e 26 de janeiro.

Clique aqui para ver o resultado

O Sisu usa as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar candidatos às vagas em instituições públicas de educação superior em todo o país. Podem participar os estudantes que tenham participado do exame em 2015 e não tenham tirado nota 0 na redação.

O resultado está disponível na página do Sisu. Para acessar o resultado, o candidato deve digitar o número de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a sua senha.

Lista de espera

Aqueles que não foram selecionados na primeira opção de curso poderão participar da lista de espera, também a partir de hoje (18). O prazo para que isso seja feito vai até 29 de janeiro. Basta acessar o portal do Sisu e clicar na opção que confirma a inscrição na lista de espera.

O resultado dos selecionados pela lista será divulgado no dia 4 de fevereiro. Caberá ao estudante procurar a instituição de ensino e fazer a matrícula.

(do IG)

Bolsonaro grava vídeo sobre educação e é desmentido frase por frase

No último dia 10 de janeiro o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) publicou em seu Facebook um vídeo em que se propõe falar sobre o tema ‘educação’. Sua fala, no entanto, foi toda direcionada à críticas ao caderno do Governo Federal “Escola sem homofobia”, material didático para escolas públicas sobre questões de gênero e sexualidade que, por pressão de frentes conservadoras, está engavetado desde 2011.
Bolsonaro, entre outras inverdades que diz ao longo de todo o vídeo, mostra livros que sequer são distribuídos nas escolas e ainda confunde a revista ‘Nova Escola’ também com um livro, afirmando que ela é distribuída para crianças em escolas públicas.
A publicação, então – que é especializada em educação -, resolveu produzir um outro vídeo em que desmente cada informação improcedente dita por Bolsonaro.
“Quando o assunto é educação, pergunte a quem conhece”, escreveu a revista no final do vídeo que batizou de “Checagem de informações”.
O vídeo pode ser conferido aqui.

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