Verba da Educação financiou campanha de Beto Richa (PSDB)

O dia 29 de abril de 2015 ficará registrado na história do Paraná como um dos mais tristes e reveladores episódios de como a educação é tratada por governantes no País. Em frente à Assembleia Legislativa, em Curitiba, cerca de 200 professores foram agredidos por policiais militares quando protestavam contra uma proposta de mudança no sistema de previdência estadual.
As imagens de professores ensanguentados correram o mundo. O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), chegou a dizer que os policiais teriam apenas se “defendido” .
A confusão de conceitos entre democracia, pedagogia e violência parece fazer parte da rotina do governador. Alvo de uma ação de improbidade administrativa pelo Ministério Público por ter, segundo a investigação, se omitido no caso, Richa disse “lamentar” a propositura do processo.
A evolução dos indicadores da educação no Paraná mostra que quem tem mesmo a lamentar no Estado onde governa pelo segundo mandato são os alunos da rede pública. Indicadores do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) mostram que desde 2009 o aproveitamento dos alunos do ensino médio vem caindo. A nota que já beirava a mediocridade naquele ano (3,9) caiu (para 3,6) em 2011 e despencou em 2013 (3,4).
Dinheiro é o que não falta, pelo menos nos bolsos do tucano e de seus aliados, segundo afirmam testemunhas e delatores de uma investigação do Ministério Público do Paraná batizada oportunamente de “Quadro Negro”.
A apuração mostra uma operação engenhosa criada para que recursos que deveriam servir para construir escolas acabassem como fonte de financiamento da campanha de Beto Richa para sua reeleição e de políticos ligados a seu governo. As provas estariam em diálogos gravados, nos quais seria acertado o repasse do dinheiro dos contratos para as campanhas dos políticos.
A história que vai ser contada agora começa faz quase 20 anos e mostra uma rede de relações incestuosas envolvendo políticos, empresários, laranjas e corrupção, muita corrupção.
Os detalhes da investigação constam na denúncia do MP e no inquérito em posse da Procuradoria Geral da República e vídeos de depoimentos, aos quais CartaCapital teve acesso com exclusividade, encaminhados faz duas semanas a Rodrigo Janot. Um dos personagens centrais nessa história e que hoje se diz “inimigo” de Beto Richa é o empresário Juliano Borguetti, irmão da vice-governadora e braço direito de Richa, Cida Borguetti.
Para entender quem é Juliano é preciso incluir mais um nome nesse enredo. Juliano é muito próximo de um executivo chamado Eduardo Lopes de Souza, dono da Valor Construtora e Serviços Ambientais, a quem chama de “amigo” e diz já ter lhe ajudado em diversas ocasiões.
Os dois trabalharam juntos na campanha a governador de Jaime Lerner no início dos anos 90 e desde então estreitaram seus laços de amizade aproximando os interesses públicos e privados. Borguetti passou os últimos 22 anos pulando de órgão público em órgão público até assumir a cadeira de vereador em Curitiba em 2008. Como não foi reeleito em 2012, ganhou de bonificação um cargo de superintendente dentro da Secretaria de Planejamento do Estado por conta do laço de família com a vice-governadora.
Borguetti acabou exonerado após ser flagrado em uma briga envolvendo torcedores do Atlético Paranaense e Vasco no final de dezembro de 2013. O irmão da vice-governadora decidiu então se voltar novamente para a seara dos negócios privados.
Dono de quatro apartamentos em Curitiba, sendo três alugados, um em uma das áreas mais caras na cidade, o bairro do São Francisco, é detentor de uma renda só com alugueis na casa de 8 mil reais. O patrimônio declarado à Justiça eleitoral em 2012 foi de 482 mil reais, mas segundo as investigações, os imóveis valem juntos pelo menos dois milhões de reais.
Preso no final do ano passado, mas já solto pela justiça do Paraná, Borguetti seria o encarregado de intermediar os interesses da Valor Construtora e Serviços Ambientais Ltda junto ao Estado.
De acordo com uma das testemunhas, Borguetti era quem “ajudava” a acelerar os pagamentos de contratos para a construção de escolas, que, segundo o MP, em alguns casos sequer chegou a sair do papel. O esquema teria causado um rombo de pelo menos 18 milhões aos cofres do Estado. Borguetti receberia uma mesada de 15 mil reais pelo serviço. Apenas um troco perto do grosso do esquema.
Quem conta os detalhes da engenharia financeira por trás da operação é uma advogada de Eduardo. Úrsulla Andrea Ramos trabalhou como procuradora da construtora, mas, para o MP, também ajudou a lavar dinheiro do esquema. Surpreendida por uma busca e apreensão em sua casa no final do ano passado, a advogada foi até o MP prestar depoimento sobre o seu suposto envolvimento no caso.
Assustada, Úrsulla chegou acompanhada de dois advogados e de um representante da OAB-PR. Alegando inocência, a advogada contou que se tornou próxima do dono da construtora e acabou conhecendo de perto detalhes da vida de Eduardo.
Os detalhes dessa história, o envolvimento do governador Beto Richa; do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), do ex-chefe da Casa Civil de Richa e conselheiro do TCE, Durval Amaral, e do deputado estadual e primeiro secretário do legislativo paranaense, Plauto Miró (DEM), você lê na íntegra e os principais trechos do depoimento da investigação na edição de CartaCapital que começa a circular nesta sexta-feira 8. Segundo Úrsulla, Eduardo é um homem bomba e registrava todos os encontros com os políticos: “ele tem todas essas conversas gravadas”.
Outro lado
O governo do Paraná informou que “as irregularidades que envolvem a construtora Valor foram descobertas por sistemas internos de controle do Governo do Paraná e se transformaram numa sindicância aberta em maio de 2015 pela Secretaria de Estado da Educação e, em seguida, em inquérito aberto pela Polícia Civil. Desde o início, o Governo vem tomando todas as medidas necessárias para apurar, punir desvios de conduta e recuperar recursos desviados. Os bens de todos os envolvidos foram bloqueados pela Justiça, a pedido da Procuradoria Geral do Estado. Todos os servidores públicos suspeitos foram demitidos ou exonerados de seus cargos.”
O TCE informou que o conselheiro Durval está de férias no norte do Estado. Segundo a Corte, em novembro do ano passado, o TCE-PR determinou suspensão de contratos de sete escolas em que foram apontados indícios de fraude nas medições, com o pagamento de serviços ainda não executados. Seis são da Valor Construtora e Serviços Ambientais Ltda.; e uma da Machado Valente Engenharia. Na Assembleia Legislativa do Paraná foi informado que não há ninguém para tratar das investigações envolvendo os deputados e que o recesso termina apenas em 20 de janeiro.
O PSDB do Paraná informou que não recebeu nenhuma doação da construtora Valor.
(da Carta Capital)

Estudantes de escolas públicas ficam com 780 das 2 mil vagas do PAS

Alunos da rede pública do Distrito Federal fizeram bonito no Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS-UnB). Dos 2 mil aprovados na terceira etapa, cerca de 780 estudavam em escolas do governo, segundo informação da Secretaria de Educação do DF (SEDF). Só no Centro de Ensino Médio Setor Oeste (Cemso), instituição da Asa Sul, 56 conquistaram uma vaga em cursos como direito, relações internacionais e engenharia da computação.
A diretora da escola, Ana Maria Gusmão, conta que esperava o bom desempenho e os altos níveis de aprovação, tradição do Setor Oeste. A surpresa foi que, apesar da greve deflagrada no fim do ano letivo  — momento primordial para estudantes de ensino médio que tentam vaga na universidade —, os números chegaram a ultrapassar os da última edição do PAS. “A espinha dorsal da nossa escola é a preparação para provas seletivas, como Enem, PAS e Sisu, mas o mérito é dos alunos. Muitos moram longe, acordam de madrugada para estar aqui todos os dias. São vitoriosos”, elogia.
Aprovada em relações internacionais, Janayna Martins aponta justamente a greve dos professores, ocorrida entre outubro e novembro do ano passado, como a maior dificuldade enfrentada. A garota de 17 anos relata que se esforçou para não ser prejudicada pela paralisação. “Eu não esperava passar, porque a concorrência era grande, e 2015 foi um ano muito conturbado. A gente estava em casa quando deveria estar na escola. Revisei, estudei, tentei me recuperar por conta própria e deu tudo certo.”
O Cemso teve três alunos aprovados em direito, um dos mais concorridos cursos da UnB. Mayra Luiza Santana, 17, foi um deles. “Passei por muita pressão, porque o curso que escolhi é um dos mais disputados. Mas a minha família, os professores e os meus amigos acreditaram em mim”, conta.
Quem também integra a lista de novos alunos de direito é Amanda Celeste, 17. “Minha família não me pressionou. Pelo contrário. Eles diziam que, mesmo se eu não passasse agora, com certeza conseguiria depois. A maior pressão partia de mim mesma. Eu estudava muito. Foi cansativo, mas eu precisava saber que fiz tudo o que podia.”
Esforço recompensado
Parceria foi a palavra-chave para a aprovação dos alunos do Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb) Wériklis Marques, 18, e Poliane Dias, 17. Ele é calouro de pedagogia da UnB e ela, de história. Eles fazem parte da lista dos 22 estudantes do Cemeb que agora integram o quadro de alunos da universidade pública. “Acho que a ficha só vai cair quando eu fizer a matrícula. Essa conquista só foi possível com apoio da escola, em especial da diretora. Ela informava a gente de tudo o que acontecia na UnB, incentivava, envolvia os alunos em projetos, tudo em preparação para as provas”, lembra Poliane.
A diretora do Cemeb, Joselma Ramos, considera que o papel da escola é aumentar a autoestima dos alunos e reforçar constantemente que entrar na universidade pública é algo possível. A informação, diz Joselma, é ferramenta essencial desse trabalho. “Os alunos da escola pública costumam acreditar que não têm potencial, mas, quando um contato dos estudantes com a universidade se desenvolve minimamente, eles se sentem mais seguros”, explica.
Oferecer informações sobre como funcionam os processos seletivos ou como os alunos devem se preparar é, para Joselma, parte do trabalho que deve ser feito pela escola. “Nós devemos fazer com que eles vençam  as dificuldades. Muitas famílias não têm estrutura para apoiar, buscar informações. Então, tentamos desempenhar esse papel.”
A diretora declara, ainda, que os resultados no Cemeb no PAS só não foram melhores porque a inscrição não foi gratuita. “Quando as inscrições para o PAS foram abertas, vários alunos já estavam inscritos no Enem e não tinham condições de bancar financeiramente as duas provas.”
Ser professor é um sonho de longa data de Wériklis. A oportunidade de cursar pedagogia em uma universidade pública torna a vitória ainda maior. “Sou o primeiro da minha família a fazer uma universidade pública. É uma realização pessoal muito grande.” A amizade com Poliane incentivou o jovem a perseguir o sonho. Os dois faziam um “corujão de estudos”, que começava às sextas-feiras, às 22h, e se estendia até as 5h do dia seguinte. “Desde o primeiro ano, nós nos dedicamos juntos. A Poliane foi um gatilho para mim, ela que me incentivou a estudar.”
Shaiane Gomes, que também é estudante do Cemeb, já tinha até se matriculado em uma faculdade particular, porque, apesar do empenho que teve nos estudos, não acreditava que o sonho de ser aluna de uma universidade federal fosse se tornar realidade. “O ano passado foi o mais puxado de todos. Moro em Samambaia e estudo na Asa Sul. Acordava às 5h e pegava ônibus. Vinha em pé para a escola todo santo dia. Voltava para casa às 20h e ainda ia estudar. Foi muito difícil, mas a sensação agora é de que tudo valeu a pena”, comemora Shaiane.
No Centro de Ensino Médio Setor Leste, o número de aprovados no PAS chegou a 54, como o Correio mostrou na edição de terça-feira. Um deles, David da Silva Nunes, 18, passou para o curso mais concorrido da instituição de ensino superior, o de medicina.
Fora do plano
O sucesso no PAS não se restringiu às escolas de Brasília. Juliana Ferreira, 17 anos, era aluna do Centro de Ensino Médio 9 de Ceilândia, instituição que teve 25 aprovados no programa. A garota, agora, é caloura de relações internacionais da UnB e conta que já havia escolhido o curso antes mesmo de entrar no ensino médio, por sugestão de uma professora de inglês. “Pesquisei sobre o curso, me apaixonei e fiz tudo o que podia para entrar. Acho que a palavra que resume essa trajetória é renúncia. Deixava de me divertir para estudar. Mesmo durante a greve, ia para a escola e ficava na biblioteca. Dediquei tanto tempo aos estudos que a sensação é de dever cumprido.”
A nova aluna de fisioterapia da UnB Larissa Oliveira, moradora do Sol Nascente, também fez o ensino médio do CEM 9 de Ceilândia e diz que não somente a conquista dela merece reconhecimento, mas de todos os estudantes de escola pública que são admitidos na universidade. “Infelizmente, não temos a mesma infraestrutura de colégios particulares. Eu mesma duvidava da minha capacidade de passar, porque sempre estudei em escola pública. Agora, estou orgulhosa de mim mesma e da minha escola, que me motivou muito. Meus professores são muito bons. São referência”, diz Larissa. No Centro de Ensino Médio 01, do Gama, um total de 48 alunos também conquistaram uma vaga na UnB.

Pedagogia da cidadania. As lições dos estudantes para 2016

Pelos planos do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o estado entraria em 2016 economizando com o fechamento de 94 escolas e demitindo professores e demais funcionários escolares. O que ele não contava é com a reação dos 300 mil estudantes que seriam diretamente afetados com a transferência compulsória para outras escolas, distantes de casa ou do local de trabalho. Tampouco poderia imaginar que tal resposta, vinda das salas de aula, ganhando ruas e avenidas, faria das escolas a mais importante trincheira na luta que já não era mais contra a reorganização, mas pelo ensino público de qualidade. Ou que os alunos teriam entre os aliados pais, professores, trabalhadores, artistas e intelectuais nacionais e estrangeiros. Até mesmo de pessoas comuns, que mesmo distantes das lutas pelos seus direitos justamente pela baixa escolaridade, sabem que escola não se fecha.
Alckmin foi pego de surpresa também numa noite do início de novembro, quando alunos ocuparam a Escola Estadual Cefam Diadema, no município de mesmo nome, na região do ABC. E novamente na manhã seguinte, quando a Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na capital, foi ocupada. Por causa da tensão, o fechamento de ruas laterais, a presença da Tropa de Choque da Polícia Militar e o cordão de isolamento formado por soldados sem identificação na farda aumentaram o medo de que a qualquer momento os policiais armados invadiriam a Fernão com a violência empregada em reintegrações de posse determinadas pela Justiça tucana. Foi o gatilho que desencadeou outras ocupações.
O movimento cresceu apesar da repressão policial e das tentativas de se jogar a sociedade contra o movimento, como ataques de pessoas estranhas a escolas ocupadas para responsabilizar os alunos, artimanha que contou com aval da mídia. Mas, no final, o governo do estado também perdeu na Justiça e ainda viu cair seu secretário da Educação, Herman Voorwald.

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Enquanto Alckmin adotava a pedagogia da repressão, cada vez mais alunos trocavam a preocupação com provas, exames, vestibulares e vida pessoal pela defesa da escola. Pintavam muros e paredes, carpiam o mato, cuidavam de jardins, desentupiam canos, lavavam banheiros, cozinhavam e realizavam atividades culturais e artísticas, como jamais visto antes naqueles espaços. Não demoraram para perceber que aprendiam, na prática, sobre cidadania, direitos humanos, política, organização, convivência.
Tudo era pretexto de aprendizado e amadurecimento, inclusive o enfrentamento às ameaças e intimidações de policiais que rodeavam as escolas à noite ou pulavam muros, com armas na mão, chamando adolescentes de 15, 16 anos de idade para “uma conversa de homem para homem” do lado de fora, como aconteceu em uma escola na Brasilândia, zona norte da capital. Ou como em Perus, na zona noroeste, quando alunos foram levados para um batalhão da PM, onde foram agredidos física e psicologicamente. A lição, da polícia, era desencorajar novas ocupações.

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Em 4 de dezembro, quando havia 213 ocupações, maior número alcançado no movimento, também ocorriam prisões, a violência policial crescia e a aprovação do governo Alckmin caiu para 28%, o jeito foi suspender a reorganização. Na tentativa de recuperar sua imagem, que não havia sido desgastada nem com a crise hídrica, ele prometeu realizar audiências públicas ao longo deste ano.
O tempo vai mostrar se o governador vai cumprir sua promessa de ano novo e as determinações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garantem o direito à educação, à participação na discussão de políticas públicas e também à livre manifestação. A certeza é que ficaram muitas lições.
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Aprendizado
Professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), filósofo e pedagogo, Dermeval Saviani havia acabado de chegar de Manaus quando soube da ocupação da Escola Estadual Carlos Gomes, no centro de Campinas, no final de novembro. “Fui lá conversar com os alunos e percebi a seriedade deles, a capacidade de visão da importância da educação, a atenção para o risco da entrada de estranhos na escola para depredar e culpá-los”, conta.
Segundo Saviani, por meio das ocupações, os estudantes ensinaram que o movimento em defesa da educação não é apenas dos professores e estudantes universitários. Mas também dos alunos da educação básica. “É importante que eles participem e se mantenham mobilizados”, defende.
“A participação do conjunto da comunidade na vida da escola, com os estudantes participando das decisões, é essencial à qualidade da educação, que por sua vez é essencial para a democratização do conhecimento para toda a sociedade”, diz o filósofo, autor de Escola e Democracia (Cortez Editora). Principal reivindicação na luta pela democratização do ensino nos anos 1970 e 1980, a participação de professores e alunos na gestão da escola e no projeto político-pedagógico acabou contemplada pela LDB. No entanto, a participação, de fato, está ameaçada pela falta de políticas que garantam mais tempo para a preparação das aulas, turmas menos numerosas e o fim da chamada meritocracia, baseada em resultados de testes e avaliações, que agrava as desigualdades na educação e enriquece empresas que vendem cursos e sistemas de ensino.
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Brinde à democracia
Vice-coordenadora da pós-gradução em Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, a professora Branca Jurema Ponce considera o movimento um brinde à democracia que vai além da palavra, num exercício cotidiano. “É um brinde a uma nova concepção de escola, de conhecimento escolar, de currículo. O currículo escolar também é isso, tem de preparar o sujeito para a cidadania. É uma forma também de os pais, de os próprios alunos se formarem para a participação”, diz. ”Bendito seja esse movimento estudantil de jovens de 15 a 18 anos, num momento tão importante, formador. São garotos que trouxeram de volta uma esperança grande, que foi deixada de lado, e que vão levar para sempre essa reflexão.”
O advogado Thyago Cezar, de Bauru, no interior, vai além. “A lição que deram é uma das mais belas demonstrações de democracia participativa da história do Brasil, em que os alunos secundaristas se reuniram voluntariamente para lutar por pautas locais, regionais e estaduais, se mostrando valentes e coesos em seus pleitos, mesmo quando o governo com suas investidas, tentava desarticulá-los. As ocupações das escolas paulistas servem como modelo a toda a sociedade e devem ser lembradas como um grande marco social de lutas estudantis”, diz.

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Conforme ressalta, ainda que a pauta principal do movimento fosse atrelada a questões de educação, o período de ocupações trouxe grandes momentos de discussões políticas e sociais, servindo como um grande laboratório de cidadania. “Foi um aprendizado imensurável que acredito muito ser difícil de se repetir nos próximos anos. Acredito que esta luta entrará para a história como o caso dos meninos que derrotaram o governador, a luta do coletivo contra o grande poder.”
No começo de dezembro, o advogado protocolou medida cautelar na Corte Interamericana de Direitos Humanos, que tem sede em Washington. Na petição foram anexadas notícias de jornais, vídeos, fotografias, moções de repúdio de universidades, parecer do Ministério Público Estadual e uma análise da Universidade Federal do ABC sobre a política de reorganização. O objetivo é a análise e punição, pelos estados-membros da corte internacional, de violações aos direitos de acesso à educação e cultura, ao desenvolvimento social, psicológico e educacional, ao acesso à Justiça, à livre manifestação do pensamento e à proteção da saúde física e psicológica de crianças e adolescentes.

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Para o músico e videomaker Jimmy Bro, autor do documentário Escolas ocupadas – a verdadeira reorganização, quem reorganizou o ensino foram os alunos. “O que vi foi inspirador. Além de protestar, fizeram a verdadeira reorganização em vários sentidos. O que veio através de um problema refletiu em mudanças positivas, nas relações dos alunos com a escola, com os colegas e com a educação em si.”
Com o anúncio da suspensão da reorganização, no começo de dezembro, os estudantes fizeram assembleias e foram, aos poucos, desocupando as escolas, com atos simbólicos, num processo educativo e afetivo. Muitas foram pintadas e grafitadas, numa derradeira demonstração de apreço ao espaço público que tanto defenderam. As últimas desocupações ocorreram entre 18 e 22 de dezembro, com a garantia dos estudantes de permanente mobilização frente a manobras do governo. Em manifesto que publicaram, deixaram claro que estavam saindo das escolas, não da luta. E ressaltando que o conjunto das reivindicações não havia sido atendido, não cederiam.
“Essa escolha de maneira nenhuma significa ceder às pressões do governo do estado e das entidades burocráticas. Analisamos, porém, que as ocupações já cumpriram sua função e que é hora de mudar de tática.” Para eles, foi o fracasso de uma “reorganização dos poderosos, cujo plano maior era cobrar de trabalhadores e seus filhos o pagamento da fatura de uma crise.”

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(da Rede Brasil Atual)

Um mês após suspender reorganização, Alckmin oficializa superlotação

Sem consultar professores, alunos e pais, governo paulista edita resolução que permite elevar em 10% o número de alunos nas salas de aula já lotadas atualmente; maior prejuízo será no ensino médio
A superlotação das salas de aula, que hoje chega a ter mais de 50 alunos na maioria das  mais de 5 mil escolas estaduais, está sendo regulamentada pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Resolução da Secretaria da Educação de São Paulo (2/2016), assinada na última sexta-feira (8) e publicada no Diário Oficial do Estado no sábado, estabelece diretrizes e critérios para a formação de turmas e permite acréscimo de 10% no número de estudantes “excepcionalmente, quando a demanda, devidamente justificada, assim o exigir”.
Pela resolução, já em vigor, as turmas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental (EF I) deverão ter 30 alunos, as do 6º ao 9º ano (EF II), deverão ter 35. No ensino médio, 40, e no ensino de jovens e adultos (EJA), 45. Com isso, classes de EF I poderão ter mais de 33 alunos; de EF II, 38; no ensino médio, 44; e no EJA, quase 50.
“Com a medida o estado normatiza a superlotação das salas, que já existe com o fechamento de classes que há anos denunciamos e que foi um dos principais pontos de nossa greve em 2015, quando o estado fechou pelo menos 3.390 classes no início do ano letivo”, diz a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel de Azevedo Noronha, a Bebel. “Trata-se de outra medida do governo Alckmin de ‘reorganizar’ a rede estadual de ensino e cortar gastos prejudicando a educação.”
O fim da superlotação das salas foi uma das principais reivindicações dos professores da rede estadual na greve de 2015, a maior da história, entre 13 de março e 12 de junho do ano passado. O movimento contou com o apoio de estudantes e pais por defender turmas menos numerosas, o que melhora a qualidade da educação ao permitir que os alunos recebam mais atenção dos professores durante as aulas.
E o temor da superlotação foi uma das principais reivindicações dos alunos que chegaram a ocupar 213 escolas estaduais contra a proposta governamental que previa o fechamento de 94 escolas sem ter sido discutida com a comunidade.
Com o apoio de pais, professores, artistas e intelectuais do Brasil e do exterior, a resistência dos estudanteslevou o governo a demitir o então secretário da Educação, Herman Voorwald, a suspender a reorganização e se comprometer a debater o tema com a sociedade ao longo deste ano.
“Sabemos muito bem que os chamados ‘módulos’ que determinam o número de estudantes por classe não é respeitado”, diz Bebel. De acordo com ela, em 2015 houve classes com até 61 estudantes no ensino regular e com até 90 estudantes na educação de jovens e adultos. Na pauta da greve estava a reivindicação, que se mantém, de que o limite máximo seja de 25 estudantes por classe em toda a educação básica.
Ainda segundo ela, o governo Alckmin não cumpriu seu compromisso de chamar os professores para discutir a reabertura das salas fechadas. “E agora torna oficial que avançará na superlotação das classes, fazendo exatamente o contrário do que desejam professores, estudantes e pais. Se estivesse preocupado com a qualidade do ensino, iria reduzir em 10% o número de alunos. Passaria de 30 para 27 nas classes dos anos iniciais do ensino fundamental, de 35 para 32 nos anos finais, de 40 para 36 no ensino médio e assim por diante.”
Em nota, a Secretaria da Educação informou que o objetivo da reorganização – que deverá ser debatida neste ano com a comunidade – era entregar escolas melhores, com ambientes mais preparados, além de utilizar classes ociosas disponíveis nas unidades. Desta forma, salas com baixa demanda receberiam alunos de classes com mais estudantes, proporcionando equilíbrio dentro de cada módulo.
A resolução “normatiza a inclusão de alunos, em casos excepcionais – como em áreas de mananciais, de regularização fundiária, por exemplo, onde não se consegue construir novas escolas –, em salas que já trabalham dentro do módulo, e estabelece um teto de até 10% para esse recebimento, criando uma espécie de trava, que antes não existia”.
A secretaria informou ainda que, atualmente, a média de estudantes por classe na rede estadual de ensino é de 26,9 no EF I, 29,8 no EF II e 32,3 no Ensino Médio. No Ensino de Jovens e Adultos (EJA), que teve o módulo alterado de 40 para 45 alunos por classe, a média em 2015 foi de 35,2 alunos para os EF II e de 37,5 para o ensino médio.
(do Luis Nassif Online)

Sucesso na rede pública: estudantes do Setor Leste foram aprovados no PAS

A última sexta-feira foi de festa para estudantes do 3º ano do Centro de Ensino Médio Setor Leste. Cinquenta e quatro deles foram aprovados no Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS/UnB). Um dos calouros passou para o curso mais concorrido da instituição de ensino superior, o de medicina. Ele foi o segundo aluno da escola da rede pública do Distrito Federal, localizada no Plano Piloto, a ser classificado para essa graduação.
Em clima de festa, quase metade deles se reuniu ontem no colégio e recebeu os cumprimentos de colegas, funcionários e professores. David da Silva Nunes, 18 anos, o calouro de medicina, conta que estava confiante na aprovação, mas que o alívio só veio depois de ver o nome escrito no mural de aprovados, no câmpus Darcy Ribeiro. “Eu queria fazer a diferença na vida das pessoas de algum modo, por isso escolhi a medicina”, relata.
Ele e a colega Thaís Cardoso Pereira, 18, que passou para ciência política, fizeram os cursos gratuitos do Vestibular Cidadão e do Galt, que ajudaram na preparação puxada. Os dois saíam de casa cedo, por volta das 6h, e só voltavam depois das 23h. Thaís usava até o tempo livre dentro do ônibus para estudar. “A gente lutou muito, e deu certo”, comemora. Já Júlia Pereira Salvino, 18, aprovada para agronomia, precisou conciliar os estudos com o trabalho nos fins de semana. Ela acredita que as atividades desenvolvidas pelo colégio contribuíram para o resultado. “O Setor Leste é uma escola muito voltada para o PAS”, destaca.
“Tinha semanas em que eu não via a minha mãe. Eu saía cedo, antes de ela acordar, e chegava quando ela já estava dormindo”, afirma Francisco Vladimir Oliveira Almeida, 18, aprovado para o curso de música. “Lá em casa, ninguém da minha família nunca passou no vestibular da UnB. Só agora é que a minha geração, eu e meus primos, conseguimos. Por isso, a aprovação tem um significado muito grande também”, completa.
Agora, os aprovados esperam se tornar exemplos para os estudantes que farão a prova este ano. “Nós nos tornamos um espelho. Eu mesmo não acreditava muito que conseguiria passar na universidade. Quem me fez acreditar foi um amigo meu, que foi aprovado no ano passado. Isso me motivou muito”, conta Francisco.
Outro desejo compartilhado por todos é o de que o governo dê mais atenção à educação. No ano passado, além da greve de professores de quase um mês, eles enfrentaram o atraso na entrega dos livros didáticos. “Espero que o governo dê mais atenção aos alunos de escola pública, até porque o lema do mandato da presidente Dilma é ‘pátria educadora’”, observa David.
Ele, que também é o primeiro da família a conseguir uma vaga na UnB, deseja que, no futuro, mais alunos de escolas públicas consigam seguir o mesmo caminho e não precisem necessariamente recorrer a cursos em instituições privadas, como ele percebe que tem ocorrido com frequência. “As pessoas estudam na rede pública para, depois, ir para uma faculdade particular. Essa é uma realidade que precisa mudar.”
“Independentemente de você estudar em escola pública ou particular, você consegue”, reforça Thaís. Para Francisco, que também foi presidente do grêmio no ano passado, a participação dos alunos nas manifestações do movimento estudantil — como os protestos pela volta da isenção da taxa de inscrição do PAS e o apoio aos estudantes que ocuparam escolas em São Paulo — também foi importante. “Acho que a nossa luta pela valorização da educação também influenciou nesses bons resultados. A gente fica com mais vontade de que as coisas deem certo”, diz.
Orgulho
Os pais não escondem o orgulho com a conquista dos estudantes. O filho caçula de Maria de Nazaré Freitas Paiva, 42 anos, foi o último dos quatro a garantir uma vaga na UnB. “Fiquei muito feliz e emocionada”, relata. Daniel Paiva, 17, foi aprovado para engenharia elétrica. Denise, 25, e José, 23, estão formados em letras e em contabilidade pela instituição. Mateus, 19, cursa química. Todos foram alunos do Setor Leste.
Na avaliação da vice-diretora, Amanda Oliveira Batista, o sucesso tem relação com o trabalho conjunto entre a equipe de professores e demais servidores do colégio, que tinha aproximadamente 350 alunos matriculados no 3° ano do ensino médio no ano passado. “Temos professores muito comprometidos com o desempenho pedagógico do aluno. Eles trabalham com os conteúdos voltados para o PAS desde o 1º ano do ensino médio”, afirma.

Reunião do GTPA-Fórum EJA, neste sábado (9)

O Grupo de Trabalho Pró-Alfabetização do Distrito Federal e o Fórum de Educação de Jovens e Adultos do Distrito Federal (GTPA-Fórum EJA) convidam a todos e todas que atuam na EJA para reunião ampliada, neste sábado (09/01), às 9h, no CED 06 de Ceilândia – QNP 16, Área Especial.
Confira a pauta:
– Análise de conjuntura local (O que nós temos a ver com isso?)
– IV EREJA CO (Será aqui no DF, em agosto)
– Contribuições ao documento da Confintea+6;
– Recomposição da coordenação colegiada (segmentos indicarem seus
representantes);
– Agenda de reuniões e atividades 2016.
Participe!

Curso de Verão da Escola de Música está ameaçado por descaso de Rollemberg

O Curso de Verão da Escola de Música de Brasília é considerado o maior da América Latina e em 2016 pode ir para sua 38ª edição, caso o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) manifeste tal interesse e não continue deixando a Educação do DF em segundo plano.
“É um curso reconhecido internacionalmente, com professores e alunos oriundos de outros países, uma troca de experiências única, fundamentais para a formação dos músicos da cidade. Porém ele está em xeque, em função das prioridades que estão sendo estabelecidas pelo governo atual”, afirma Polyelton Lima, diretor do Sinpro.
O diretor endossa que em 2015, o curso já foi severamente ameaçado e aconteceu “aos trancos e barrancos”, com tudo feito na última hora. E parece que se ele ocorrer neste ano, não será diferente.
Não há nenhuma justificativa, que não seja a má vontade do governo, em não querer fomentar esta atividade que é tão importante e tradicional na cidade. Isso reflete a situação de penúria e de descaso que a Escola de Música vem enfrentando ultimamente.
A direção da EMB foi procurada pela reportagem e afirmou que as informações sobre a possível realização do Curso de Verão devem ser obtidas com Júlio Gregório, Secretário de Educação, por orientação do mesmo. Portanto, fica claro que o GDF não quer publicizar que o evento pode não ocorrer ou acontecerá de uma forma ainda mais precária que em 2015. Por isso a imprensa só terá as informações necessárias quando o mesmo ocorrer. Se ele acontecer.

Alunos de escolas ocupadas denunciam intimidação em Goiás

Estudantes que ocupam 24 escolas estaduais, em Goiás, denunciam agressões e intimidações por parte dos órgãos de segurança do Estado. Eles protestam contra o plano do governo estadual de transferir a gestão das unidades para organizações sociais. Além da presença ostensiva de viaturas próximo das escolas, alunos alegam que policiais à paisana têm se infiltrado nas manifestações para causar tumulto.
Na segunda-feira (4/1) um suposto policial em trajes civis empunhou uma arma e ameaçou alunos que instalavam cadeiras escolares em uma avenida, durante protesto, em Goiânia.
De acordo com o estudante Lucas Xavier, que postou imagens do homem armado em redes sociais, ele se juntou aos policiais militares para agredir os manifestantes com socos e empurrões. O homem ainda tentou tomar sua câmera. A Polícia Militar de Goiânia não identificou a pessoa armada e informou que as imagens serão averiguadas. Segundo a PM, no caso das ocupações, a orientação é para agir com cautela e respeito ao direito de manifestação, mas garantindo a ordem pública e o direito de outras pessoas.
Desde o dia 9, quando começou a mobilização, foram ocupados 12 colégios em Goiânia, sete em Anápolis e três em Aparecida de Goiânia, além de uma unidade em Cidade de Goiás e outra em São Luis de Montes Belos. Os estudantes receberam o apoio de professores e sindicatos e fazem campanhas pedindo principalmente alimentos.
A Secretaria de Educação, Cultura e Esporte informou que o início do ano letivo está previsto para o dia 20 de janeiro. A secretária Raquel Teixeira tem visitado as escolas ocupadas para tirar dúvidas dos alunos sobre o projeto, que inicialmente abrangerá 23 escolas, e pedir a desocupação dos prédios.
Desde segunda-feira, ela se reuniu com ocupantes de três escolas de Goiânia e duas de Anápolis. Apesar desse diálogo, o cronograma de transferência da gestão para as organizações sociais está mantido. No dia 5 de fevereiro, serão abertas as propostas das entidades qualificadas.
(do Correio Braziliense)

Rollemberg erra e rebaixa déficit de servidores na Saúde

De acordo com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), o déficit de servidores na área da Saúde pública local é de 1 mil servidores. O número, entretanto, vai em desacordo com os apontamentos feitos por pesquisas e pronunciamentos oficiais. Na realidade, a Saúde do DF tem quase 6 mil servidores menos do que deveria ter. O pronunciamento do governador foi feito à imprensa nessa terça-feira (5), após reunião com diretores de hospitais e coordenadores regionais de saúde pública do DF, na Residência Oficial, em Águas Claras.
Em 2015, durante audiência pública sobre saúde pública do DF, na Câmara dos Deputados, o ex-secretário de Saúde, João Batista de Sousa, anunciou a necessidade de 6.530 profissionais para a área. Segundo Sousa, para implementar a reestruturação na área da Saúde, proposta no Plano de governo de Rollemberg, o número necessário de servidores seria de 15 mil.
Desde o início do governo Rollemberg, foram convocados 1.119 profissionais para a área da Saúde. Desses, 722 tomaram posse. Com isso, se antes o déficit de servidores era de 6.530, agora é de 5.808 e não de 1 mil, como disse o governador do DF.
De acordo com o Sindicato dos Médicos do DF – Sindmédico, a saúde pública do DF tem carência de cerca de 5 mil médicos. Já o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF – Sindate-DF afirma que o déficit da categoria é de 30% do efetivo de técnicos em enfermagem, cerca de 3.500 profissionais.
Além da falta de profissionais, os servidores da Saúde pública do DF ainda denunciam a falta de medicamentos e de serviços de manutenções.
Fonte: CUT Brasília, com Política Distrital e Agência Câmara

3º Concurso de Cinema do CEF 1, do Gama, nesta sexta-feira (8)

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