Começam na segunda-feira (23) as inscrições para os cursos de inglês, de francês e de espanhol nos 11 Centros Interescolares de Línguas no Distrito Federal. A expectativa é que 4 mil alunos da rede pública de ensino manifestem interesse em estudar nas instituições que complementam o currículo de idiomas das escolas. A quantidade de vagas, no entanto, será conhecida apenas em janeiro de 2016, quando forem concluídos o ano letivo e as rematrículas.
O estudante deve cursar o ensino fundamental, a partir do 6º ano, o ensino médio ou participar da Educação de Jovens e Adultos. As inscrições serão feitas por meio do site da Secretaria de Educação, até 18 de dezembro. A previsão para divulgar os nomes dos selecionados é fevereiro de 2016. O aluno pode optar por quatro unidades do centro de línguas e por um dos três idiomas oferecidos. Os mais novos de cada série escolar têm prioridade na seleção.
O coordenador pedagógico central para os Centros Interescolares de Línguas, Ivo Marçal, explica que a metodologia adotada é semelhante à de instituições particulares. São no máximo 20 alunos por turma, com acesso a vídeos, áudios, televisores, computadores e à internet. Há dois tipos de currículos para os 42 mil matriculados. O primeiro, com duração de três anos, é direcionado aos do ensino médio e aos da Educação de Jovens e Adultos. Os estudantes do ensino fundamental concluem o curso em seis anos. “Eles saem daqui falando fluentemente o idioma que escolheram”, garante o professor. Outros idiomas As unidades de Taguatinga, de Ceilândia e de Sobradinho oferecem também aulas de japonês. O idioma ainda não faz parte do currículo oficial dos centros e está em fase de projeto. Já na escola que fica na 906 Sul se ensina alemão graças a um termo de cooperação firmado com um instituto privado. Para se inscrever nessas disciplinas não oficiais, o aluno deve se dirigir diretamente às secretarias desses centros a partir de fevereiro de 2016.
Veja onde ficam os 11 Centros Interescolares de Línguas:
Brazlândia
Quadra 2, Área Especial 7
3901-3671 Ceilândia
QNM 13, Área Especial (Ceilândia Sul)
3373-2923 e 3901-3746 Gama
Entre as Quadras 16/18, Praça 2, Área Especial, Setor Central
3901-8111 Guará
QE 7, Lote Q
3901-3697 e 3901-4436 Planaltina
Quadra 3/4, Lote H, Setor Residencial Leste
3901-4440 Plano Piloto
SGAS 907/908 Sul, Módulos 25/26
3901-7613 e 3901-7619
L2 Sul, 611/612
3901-7604, 3901-4359 e 3901-7603 Recanto das Emas
Quadra 306, Área Especial, Avenida Monjolo
3332-1757 Santa Maria
CL 310, Conjunto H, Área Especial Sobradinho
Quadra 11, Área Reservada 1
3901-4099 e 3901-4096 Taguatinga
CSB 2/3, Área Especial
3352-6244 e 3901-6771
(Da Agência Brasília)
Faleceu ontem em Brasília, no dia que completou 90 anos, uma das principais militantes na luta contra a ditadura militar: Zilda Xavier Pereira.
Ela foi integrante do comando da Ação Libertadora Nacional (assim como seus filhos, que foram assassinados por agentes da ditadura), e também era companheira de militância e namorada de Carlos Marighella.
Zilda nasceu em Recife, no dia 22 de novembro de 1925. Vinte anos depois, assim que chegou ao Rio de Janeiro, ela se associou ao Partido Comunista Brasileiro. O PCB foi declarado ilegal em 1947, quando ela adotou “Zélia” como nome de guerra, referência à Zélia Magalhães. Ela integrou a Liga Feminina da Guanabara, até o momento em que a associação foi banida pelo golpe de 1964.
A família foi pioneira da Ação Libertadora Nacional: ela, seu ex-marido, João Batista, e os filhos Iuri, Alex e Iara. Em 1970, ela foi presa, torturada à exaustão e não conseguiram dela nenhuma informação. Afirmava que guardava seus segredos e que jamais trairia Marighella, que foi fuzilado um ano antes.
Ela escapou do hospital onde a internaram e ela foi pro exílio, voltando ao país em 1979. Zilda foi um dos três dirigentes mais poderosos da ALN, junto com Marighella e o jornalista Joaquim Câmara Ferreira.
O velório desta eterna lutadora será às 13h30, na capela 5 do cemitério Campo da Esperança. O sepultamento será às 15h.
(Com informações do blog do Mario Magalhães)
Mobilização aumenta e alunos ocupam 64 escolas em São Paulo
Jornalista: Leticia
Levantamento divulgado na manhã hoje (19) pelo Sindicato do Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) informa que 64 escolas estaduais estão ocupadas por alunos e professores, em protesto contra a “reorganização” imposta pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), que pretende separar as escolas por ciclos e fechar ao menos 93 unidades.
Hoje pela manhã, mais cinco escolas foram ocupadas, na capital, Osasco, Campinas e Santos. Em São Paulo, estudantes ocuparam a escola Brigadeiro Gavião Peixoto, a maior escola do estado com mais de 4 mil alunos, que fica no bairro de Perus, zona leste da cidade. Outra unidade ocupada foi a Professora Maria Petrolina Limeira dos Milagres, em Santo Amaro, na zona Sul.
Em Osasco, alunos ocuparam a Francisco Lisboa Peralta. Em Campinas, a Professor Antônio Vilela Junior e, em Santos, a Cleobulo Amazonas Duarte.
Ainda ontem, os alunos ocuparam a Caetano de Campos, na Aclimação. Trata-se da mais antiga e tradicional escola pública do estado, fundada em 1846, e que funcionou até o ano de 1978 no prédio hoje ocupado pela sede da secretaria estadual de Educação,no centro.
Outras cinco escolas que haviam sido tomadas por estudantes foram desocupadas entre ontem e terça-feira. Confira a relação de escolas que estão ocupadas:
Golpistas têm 48 horas para sair do gramado do Congresso
Jornalista: Leticia
Precisou quase ocorrer uma tragédia, com golpistas dando tiros na Marcha das Mulheres Negras que reuniu 20 mil pessoas e no acampamento da CUT, para o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciar nesta quinta-feira (19) que os manifestantes que defendem o impeachment ou o golpe militar têm 48 horas para desmontar suas barracas em frente ao Congresso Nacional. “Se o prazo não for cumprido e se não saírem pacificamente, usaremos os meios necessários para fazer a desobstrução. A gente percebe que os riscos são cada vez maiores e por isso a necessidade de retirar os acampamentos”, disse o governador Rollemberg à Agência Brasil.
A decisão foi apresentada após reunião de Cunha com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), e lideranças partidárias, no início da noite de ontem na presidência do Senado.
Após acordo com congressistas, os dirigentes e militantes CUTistas, que montaram acampamento na quarta-feira (18) exatamente entre dois grupos de segmentos da direita, resolveram transferir as barracas no meio da noite de quinta para a sede da Contag no Núcleo Bandeirante. A mobilização CUTista,prosseguirá, mesmo a certa distância, para pressionar o Congresso a destravar a pauta de interesse da classe trabalhadora e exigir do governo nova política econômica para desenvolvimento com geração de emprego e renda e redução das desigualdades sociais.
“Defendemos o fim da discussão golpista, de retrocessos políticos e econômicos. Queremos prioridade dos parlamentares e dos governantes na aprovação e implementação de projetos e políticas que assegurem mais direitos e mais democracia”, explica Rodrigo Rodrigues, secretário-geral da CUT Brasília e um dos coordenadores do acampamento da Central. Insegurança e radicalização
“O governador Rollemberg manifestou a todos nós a preocupação com a incapacidade que ele tem de manter a segurança, a ordem pública no jeito que as coisas estão ficando […]. Em função disso, nós tomamos a decisão de buscarmos uma saída de consenso. Solicitamos que aqueles que entraram ontem [CUT], que não tinham autorização nossa, que, se pudessem, se retirassem”, contou Eduardo Cunha, claramente acuado pela possibilidade de ser responsabilizado por conflitos com gravidade diante do Congresso, já que autorizou o acampamento dos segmentos dos golpistas na área.
“Nós vamos pedir, também, para os demais grupos que lá estão para que num prazo de 48 horas possam também se retirar para que a gente possa restabelecer a ordem”, completou o presidente da Câmara. Cunha, no entanto, afirmou que a atitude não é uma tentativa de cercear a liberdade de expressão. “A medida foi tomada pela incapacidade que nós temos de garantir a segurança deles. Não é por qualquer vedação à manifestação, ou vedação a qualquer tipo de ideologia que possa estar sendo expressada”, ponderou.
Entre os grupos de direita acampados desde outubro, há aquele que defende o golpe militar e promete resistir no acampamento, segundo anunciou um dos integrantes à imprensa, admitindo haver muito armamento. Fazem parte deste grupo os dois policiais que deram disparos de pistolas na 1ª Marcha Nacional das Mulheres Negras e no acampamento dos CUTistas. Depois dos tiros, ambos os policiais procuraram refúgio na barreira policial militar e legislativa, onde foram detidos, mas liberados após pagamento de fiança na delegacia.,
Estudantes dizem não à proposta de Alckmin pelo fim das ocupações em SP
Jornalista: Leticia
Uma audiência de conciliação entre governo do Estado São Paulo e alunos, pais e professores da rede estadual paulista de educação terminou, na tarde desta quinta-feira (19), sem acordo. Diante da pressão e com mais de 60 escolas ocupadas por alunos que são contra a reorganização do sistema, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) foi obrigado a recuar e propôs uma abertura de negociação com a comunidade escolar, com a condição de que os estudantes deixassem as escolas ocupadas. Os alunos, no entanto, recusaram.
“É um prazo exíguo demais. O governo não quis negociar, o secretário afirmou que vai apresentar outra contraproposta, mas não disse quando vai fazer isso”, informou à Caros Amigos a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, que esteve presente na audiência.
De acordo com os estudantes, eles permanecerão ocupando as unidades de ensino até que suas exigências sejam atendidas pelo governo. Entre elas estão o não fechamento de nenhuma escola, a convocação de toda a comunidade escolar para discussão do plano ao longo do ano que vem e a não execução do plano em 2016.
Confira aqui a lista de escolas que permanecem ocupadas.
(Do Portal Forum)
O Centro de Ensino Médio 01 do Núcleo Bandeirante convida professores(as), orientadores(as) educacionais e a comunidade escolar para a apresentação do Projeto Poesia de Dentro. O evento será realizado no dia 20 de novembro, às 19h30, nas dependências do CEM 01.
Participe!
Diretoria lamenta falecimento da professora Regina Vinhaes
Jornalista: Maria Carla
A diretoria colegiada do Sinpro-DF lamenta e comunica, com pesar, o falecimento da professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE/UnB), Regina Vinhaes Grancindo. Ela faleceu, na manhã desta quinta-feira (19), em decorrência de uma doença degenerativa progressiva. O velório será realizado nesta sexta-feira (20), a partir das 12h, na Capela 3, do Cemitério Campo da Esperança, Plano Piloto. O enterro será às 15h.
Regina é considerada um dos ícones da gestão democrática da educação pública no Brasil. Estudiosa dessa temática, ela foi diretora da FE/UnB. Na gestão dela na FE foi criado o doutorado em educação. Por onde a professora passou deixou uma transformação positiva. A professora da FE/UnB e ex-secretária de Mulher do governo Agnelo Queiroz (PT) (2010-2014), Olgamir Amância, diz que foi a primeira orientanda de Regina nesse doutorado. Quando foi secretária de Educação do Governo do Distrito Federal (GDF), durante o mandato do ex-governador Agnelo Queiroz, Regina assegurou a gestão democrática nas escolas públicas e gratuitas do Distrito Federal.
Marxista, a professora dedicou-se à pesquisa no campo da gestão democrática. Defendia não só a gestão democrática da escola, mas também a do sistema de ensino. Afirmava que esse modelo de gestão teria de ser casado com a democratização do acesso ao ensino. Ela era uma das maiores defensoras da educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.
Os estudos e a luta da professora Regina foram fundamentais para o fortalecimento dos Conselhos Escolares do país durante o governo do ex-presidente Lula. Um das obras mais citadas de Regina Vinhaes é o livro “O dito, o escrito e o feito”. Nessa obra, ela analisa os partidos políticos em relação à educação.
“A marca dela foi a defesa da escola pública e democrática. Regina dizia que não havia como atuar na realidade sem transformá-la para melhor. Ela era movida por esse desejo de colocar, por onde passava, algo muito melhor no lugar daquilo que estava lá”, afirma Olgamir Amância. Amiga de Regina, Olgamir conta que um dos poucos projetos de Regina não realizados foi o Projeto da Escola do Cerrado.
Regina foi conselheira do Conselho Nacional de Educação, durante o governo do ex-presidente Lula, e dirigente das principais entidades nacionais de pesquisa em educação, como a Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE) e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).
Todavia, nenhuma dessas ocupações a tornaram mais importante do que como a mestra e formadora acadêmica dos (as) professores (as) da rede pública de ensino do DF. Apaixonada pela educação, ela ingressou na UnB para o curso de direito. Porém, quando a instituição criou a FE, ofereceu aos estudantes da época a oportunidade de cursarem educação. Regina abandonou o curso de direito e dedicou a sua vida à pesquisa em educação. “Ela dizia que havia feito uma opção de vida”, conta Olgamir. Não são poucos os (as) estudantes que se tornaram professores (as) na rede pública de ensino após experimentarem da fonte de conhecimento da professora Regina Vinhaes.
Organizados e com apoio popular, jovens dão lição de democracia em escolas de SP
Jornalista: Leticia
Eram só 10h, mas os alunos da Escola Estadual Ana Rosa Araújo, na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo, já tinham realizado muitas atividades. E não estamos falando da resolução de problemas de matemática ou de interpretação de textos. Os jovens já haviam limpado a escola, cozinhado, recebido os pais e realizado uma assembleia para definir os rumos da ocupação do colégio, iniciada na última sexta-feira (13), em protesto contra o fechamento de pelo menos 93 instituições de ensino anunciado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). São 48 escolas ocupadas no estado contra a medida, que faz parte do projeto de “reorganização” da educação paulista.
“Nós realizamos uma assembleia aqui em frente à escola às 5 horas da sexta-feira, antes do início das aulas, e concordamos que ocupar era nossa única alternativa de conseguir permanecer aqui. Foi o que fizemos”, conta o estudante do primeiro ano do ensino médio na escola José Vinicius Soares. A partir do ano que vem, sua escola passará a oferecer apenas o fundamental II e ele e os amigos terão de imigrar para a escola Adolfo Gordo Senador. A transferência será automática, por um sistema informatizado. Os alunos são apenas notificados da mudança.
Desde que ocuparam as escolas, eles se dividiram em comissões, que são responsáveis pela limpeza do local, pelo preparo da comida, pelo contato com a imprensa, pelo controle dos portões e pela organização de atividades culturais. “Já fizemos sessões de cinema ao ar livre, shows, teatros, saraus e leituras de poesias. Esta escola nunca teve tanta vida cultural como agora”, conta José Vinicius, que se mantém em contato com os estudantes de outras ocupações pelas redes sociais, em especial o Facebook e o Whatsapp.
“Está sendo um grande aprendizado de política, democracia e convivência. Conheci várias pessoas que estudam na mesma escola que eu há anos, mas que eu nunca tinha visto. Nós não vamos desocupar. Vamos resistir até que essa proposta seja revista. Precisamos sim de uma reorganização, mas que ela seja discutida com a comunidade escolar e não imposta”, conta estudante Marissol Dias, também do primeiro ano do ensino médio, sentada atrás de um cartaz feito pelos estudantes, que dizia: “Ordem e progresso é coisa de fascista. Quero liberdade, igualdade e justiça”.
A conversa foi interrompida por uma moradora do bairro, que rapidamente encostou o carro na porta da escola, abriu o vidro e chamou os estudantes: “Do que vocês estão precisando?” “De produtos de limpeza”, responderam os jovens. “Eu vou trazer para vocês”. Ela não é a única: vizinhos, professores e ex-alunos vão com frequência ao colégio levar doações. Os pais são bem-vindos. “Queremos que eles entrem e vejam que não estamos fazendo bagunça aqui. A grande maioria dos pais nos apoia e nos incentiva a resistir. Eles também não querem que tenhamos de mudar de escola”, conta José Vinicius.
“Fico muito satisfeito de ver meus alunos desempenhando sua autonomia, que é exatamente a proposta da educação estadual. É muito hipócrita que agora que os alunos estão mostrando o que aprenderam o governo se negue a dialogar”, lamenta o professor de História do colégio Luís Mendes. “Nós estamos apoiando os alunos, que estão lutando por um direito legítimo. E essa reorganização nos afeta também. Os professores de Sociologia e Filosofia desta escola, que só lecionam para o ensino médio, ainda não sabem que vai acontecer com eles.”
Há pouco mais de cinco quilômetros dali, outro grupo de estudantes permanece ocupando a escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste da capital. A instituição foi uma das primeiras a iniciar o movimento e, como resposta, foi sitiada pela Polícia Militar durante a toda semana passada, até que, na noite de sexta-feira (13), o juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 5ª Vara da Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, suspendeu a reintegração de posse do prédio, que ele mesmo havia determinado horas antes, e estendeu a decisão para todas as escolas da capital paulista, acatando um recurso impetrado pelos advogados do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp), da Defensoria Pública e do Ministério Público.
“Estamos realizando saraus, que ocorrem ali na escadaria do pátio da escola. Todos podem participar. Inclusive, o (Eduardo) Suplicy (secretário de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo) esteve aqui e participou cantando uma música dos Racionais”, conta uma das estudantes que integra a comissão de comunicação com a imprensa. Os grupos de trabalho se revezam e são organizados pelos próprios estudantes. Tudo é definido em assembleia.
Desde que a Polícia Militar liberou os portões, a passagem é livre para os alunos da escola. As pessoas sem relação direta com a instituição de ensino, mas que querem conhecer a ocupação, devem procurar os alunos, que estão organizando visitas monitoradas. Por decisão do grupo, profissionais de imprensa não podem entrar no prédio.
Desde ontem circula nas redes sociais uma lista de sete formas de apoiar as ocupações das escolas, que incluem ajuda na produção do material gráfico, comunicação por telefone e doação de alimentos e produtos de higiene. No portão da Fernão Dias, há um cartaz dizendo que a escola José Lins do Rego, na Estrada do M’boi Mirim, é no momento a que mais precisa de doações. “Nosso colégio ficou muito em evidência e por isso recebemos muitas doações. Estamos agora fazendo uma campanha de levantamento de verba para conseguir mandar parte das coisas para outras escolas que precisam mais”, conta a porta-voz dos alunos, em frente a uma estátua do bandeirante Fernão Dias, que decora o pátio do colégio, e que foi encapuzada pelos alunos.
“Nós temos um ensino bancário que perpetua as desigualdades, mas esses jovens estão lutando pelo direito de poder conviver. Estão indo contra este modelo. Esta foi a aula mais importante que eles tiveram no ano: a aula de desobedecer, de enfrentar o poder, de questionar e de descobrir a força que tem”, afirmou o padre Júlio Lancellotti, conhecido pela atuação em defesa dos direitos humanos, dos pobres e dos moradores de rua. Na última semana, ele esteve na ocupação do Fernão Dias, em solidariedade aos estudantes.
O governo Alckmin justificou o fechamento das escolas dizendo que vai reunir apenas alunos do mesmo ciclo – fundamental I e II e médio – nas instituições de ensino e com isso melhorar a qualidade da educação. Professores e estudantes temem que as mudanças levem à superlotação de salas, demissão de docentes e à redução de salário decorrente da redução de jornada. Além disso, a Apeoesp acredita que o número de escolas a serem fechadas será muito maior.
Na escola recém-ocupada Godofredo Frutado, também em Pinheiros, os alunos começavam a organizar as primeiras doações, enquanto aguardavam a saída da diretora que, ao contrário de professores e funcionários, negou-se a deixar o prédio até o fim do seu expediente, que terminou às 19h de ontem (17). “Está tudo assim, em cima das mesas, porque ela não quer nos entregar as chaves da cozinha, nem do banheiro que tem chuveiro. Mas isso não vai nos fazer voltar atrás. A nossa escola está ocupada, isso já é uma realidade. Só saímos quando o governo rever sua decisão”, diz uma jovem, que preferiu não se identificar.
Pelo projeto do governo, no próximo ano, a escola deixará de ter ensino médio e todos os alunos dessa etapa do ensino irão migrar para a Fernão Dias. “Nós temos medo da superlotação. As salas de aula já estão cheias. Como vão colocar mais gente ainda?”, questiona um aluno que integra a comissão de limpeza da ocupação, enquanto limpava uma mesa.
No prédio funciona também uma Escola Técnica Estadual (Etec). Funcionários do Centro Paula Souza, que administra esse tipo de instituição de ensino, foram ao local recolher os computadores, por “questões de segurança”. Enquanto isso, uma senhora entregava aos alunos uma sacola cheia de produtos de higiene: “Obrigada, meninos! Vocês estão dando uma lição para todos nós”, disse.
(da Rede Brasil Atual)
"Forjadas na luta, elas não serão intimidadas", por Maria do Rosário
Jornalista: Leticia
As ruas de Brasília foram tomadas neste 18 de novembro por ares de luta, gritos de liberdade e a energia vibrante das mulheres negras em marcha. Quem pensa que o movimento aconteceu aqui, na capital do Brasil, engana-se. Tão importante como o marco dessa ocupação histórica foi sua preparação nas bases, em todo o território nacional. Juntando recursos para a viagem, arrumando as malas e reunindo as mulheres negras nas suas cidades de origem, quilombos e comunidades. O saldo é uma nova força organizada, pronta para seguir em frente. Tenham certeza, essa foi a primeira de muitas marchas.
O mais bonito de tudo isso é que diante de poderes que as excluem, e do racismo que busca manter amarras de opressão, as mulheres negras mostraram que estão dispostas a lutas importantes, e que lideram com autonomia suas próprias vidas, sua própria história. Interessante perceber uma organização muito própria, acolhedora e feminina, que faz da luta um abraço, das palavras de ordem um canto, da vibração com heroínas históricas, a especial valorização das que seguram a barra deste país racista todos os dias, sendo mulheres, negras e pobres.
O acontecimento infeliz ficou por conta do acampamento pró-golpe, que está instalado na frente do Congresso Nacional, com as bênçãos do atual presidente da Câmara. Uma vergonha! As mulheres foram impedidas de se aproximarem do Parlamento e várias foram atingidas com a violência desse grupo que privatizou para si o espaço que pertence a toda a população. Mesmo num tempo difícil como o que vivemos, os parlamentares devem resgatar o princípio de que o Congresso é o espaço sagrado da democracia. Não pode, portanto, estar fechado para um movimento como a Marcha das Mulheres Negras, pela imposição autoritária e armada de um grupo fascista.
Mas a melhor resposta foi oferecida pelo movimento de mulheres. Talvez até pela força que ele carrega, sendo construído em muitas batalhas. A marcha seguiu altiva, com ideias de igualdade, direitos, reconhecimento de uma cultura e de uma identidade negra que faz muito bem ao Brasil reconhecer. A lição que fica para os poderes da República é que as mulheres negras estão dispostas a exercer mais seu poder político e transformador. Forjadas na luta, elas não serão intimidadas. *Maria do Rosário é deputada federal (PT-RS)
(do Portal Forum)
Marcha das Mulheres Negras atrai mais de 20 mil na capital federal
Jornalista: Luis Ricardo
Na antevéspera do Dia da Consciência Negra, mais de 20 mil pessoas de todo o Brasil se reuniram na Marcha das Mulheres Negras, nesta quarta-feira (18), em Brasília, que contou com total apoio da CUT e de seus sindicatos filiados. Integrando as organizações do movimento negro do país, a marcha luta pela cidadania plena das mulheres negras, denunciando e combatendo o racismo, o machismo, a pobreza, a desigualdade social e econômica. Os movimentos saíram do ginásio Nilson Nelson pouco antes do meio dia e caminharam em direção ao Congresso Nacional, onde mulheres foram provocadas e atacadas com bombas, agressões verbais e físicas e intimidadas com tiros por parte dos integrantes do movimento pró-golpe militar acampados há dias na Esplanada.
O tema da Marcha foi “Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver”. As milhares de manifestantes ocupam o Ginásio Nilson Nelson desde o dia 16. No espaço, estão sendo realizadas várias oficinas e vários debates com a abordagem de temas como violência, saúde, racismo e etc, todos analisados sob a ótica de raça e gênero.
A secretária de Política Racial da CUT, Maria Júlia Nogueira, explica que a Marcha é um marco na história do país. “Milhares de pessoas vieram de todo o país, até de outros lugares do mundo para esta marcha hoje. Mas, a nossa luta vem desde a época das senzalas onde já nos organizávamos em quilombos na luta pela liberdade e igualdade. E hoje o recado é para o Congresso Nacional, para todos os políticos machistas, sexistas e racistas que vêm disseminado o ódio no nosso país. Não cabe mais a discriminação no nosso país, nem nos locais de trabalho. Conquistamos o nosso espaço e isso será multiplicado”, ressalta a dirigente. “Um sonho que se sonha só, é apenas um sonho. Quando se sonha junto é realidade”, parafraseou Miguel de Cervantes e Raul Seixas, referindo-se ao sonho do fim do racismo.
As mulheres negras representam 25% da população brasileira. Isso significa que 49 milhões pessoas estão sujeitas, diariamente, aos ataques racistas e sexistas, e se tornam alvo vivo da desigualdade social.
Através de faixas e cartazes as mulheres denunciavam o genocídio da juventude negra brasileira, a violência contra a mulher, a desigualdade de oportunidades, sociais e profissionais, e gritavam “Fora Cunha”, protestando contra o projeto de lei que dificulta o atendimento de mulheres vítimas de estupro no SUS. Mesmo com indignação, as mulheres espalharam alegria pelas ruas de Brasília cantarolando as músicas dos ancestrais e fazendo referência a cultura africana. Golpistas atacam a Marcha
Infelizmente, ao chegarem nas proximidades do Congresso Nacional, as mulheres foram alvo de agressões físicas e verbais por golpistas e defensores da Ditadura Militar que estão acampados no Congresso. Eles ainda dispararam bombas para assustarem as mulheres. Um deles ainda disparou tiros espalhando medo e, por pouco, causando uma grave tragédia. O atirador foi levado pela Polícia Militar, que dispersou as manifestantes, que protestavam contra o atirador-provocador, com gás de pimenta. Um dos jatos atingiu os olhos do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) que intercedia para impedir conflito. O atirador é policial civil reformado de Sergipe que já foi preso na semana passada com armas, gás de pimenta e furadores de coco na Esplanada, segundo informes da PM à imprensa local.
Um dos integrantes do movimento pró-golpe adentrou a área dos CUTistas para provocar. Fugiu ao ser interpelado, fazendo disparos de pistola para o ar (veja foto e vídeos). Também policial civil, o atirador correu para a barreira da PM, onde foi detido.
O episódio ocorreu cerca de uma hora depois do mesmo grupo atacar as mulheres negras que marchavam próximo ao Congresso. Nesta hora, as mulheres já haviam seguido rumo ao Nilson Nelson.
O acampamento CUTista foi instalado pela manhã desta quarta-feira (18), reunindo dirigentes e militantes CUtistas de várias categorias, especialmente dos rodoviários, de vários pontos do país. Logo cedo, até mesmo antes do ataque que fizeram às mulheres, o golpistas (que também estão acampados nas proximidades) já haviam provocado os sindicalistas com palavras ofensivas.
O secretário de Comunicação da CUT Brasília e do Sindicato dos Rodoviários do DF, Marco Junio, explica que os trabalhadores ficaram revoltados com a postura da Polícia Militar que não realiza a revista de forma igual nos grupos que permanecem acampados no gramado do Congresso. Vários CUTistas foram revistados sob a mira de armas, enquanto os golpistas circulavam tranquilamente. “Já é um absurdo um cara atirar sem motivo algum no meio de mulheres, homens, idosos e crianças. Pior é a Polícia Militar não tomar providências, o que levou outro a atirar também no meio de pais de famílias, trabalhadores”, explica o dirigente.
O presidente da CUT Brasília, Rodrigo Brito, manda um recado: ‘É lamentável a intolerância, o ódio e o desrespeito daqueles que não se conformam com as vitórias do povo trabalhador. É triste o ocorrido, mas os CUTistas não arredarão o pé enquanto o Congresso não colocar em pauta as reivindicações do trabalhadores. Queremos garantir e ampliar direitos e implementar nova política econômica que promova o desenvolvimento de acordo com os interesses dos trabalhadores, com mais emprego e renda e menos desigualdade social. E não é um grupo de ditadorezinhos e ‘coxinhas’ que precisam usar das armas para conseguir o que quer que vai nos intimidar. Somos da paz, da luta e da coragem e é através disso que vamos avançando na luta”, ressalta o dirigente.
Mesmo com o triste episódio (outro iria acontecer quase uma hora depois, com provocação dos golpistas contra militantes CUTistas), e, ao contrário do que a mídia local noticiou, as mulheres permaneceram firmes, unidas e mobilizadas no ato. Juntas deram continuidade as atividades. Deram a volta em frente ao Congresso e continuaram a caminhada retornando ao Nilson Nelson para atividades de encerramento com show musical. Com informações da CUT Brasília
Fotos: Deva Garcia