Estudantes ocupam a 7ª escola estadual contra a reorganização da rede em SP

A Escola Estadual Dona Ana Rosa de Araújo, na zona oeste de São Paulo, foi ocupada na manhã desta sexta-feira (13) por estudantes. Com esta nova manifestação, já são sete as escolas ocupadas na capital e na Grande São Paulo. Os estudantes protestam contra a reorganização da rede estadual proposta pela Secretaria da Educação.
A Polícia Militar confirmou que foi chamada por volta das 8h, mas não deu mais informações sobre o caso.
Segundo estudantes, a escola foi ocupada de forma pacífica. Em seguida, foi realizada uma assembleia e eles decidiram permanecer no local. Os cadeados da escola foram trocados pelos manifestantes.
A unidade não será fechada, mas deve transferir todas as turmas do ensino médio. Os alunos são contra a mudança e dizem que não foram consultados sobre a reorganização.
Em nota, a Secretaria da Educação disse que está aberta ao diálogo com os manifestantes. “A Diretoria Regional de Ensino está disponível para receber os estudantes da E.E. Ana Rosa de Araújo. A administração reconhece o direito à livre manifestação, mas não compactua com movimentos político-partidários que não têm como objetivo a melhoria da qualidade de ensino e impedem o direito de acesso aos estudos daqueles que foram até suas escolas para assistir às aulas nos últimos dias”.
A pasta disse ainda que a escola passará a ter somente os anos finais do ensino fundamental. “A reorganização visa melhorar a qualidade de ensino dos estudantes e aprimorar as condições de trabalho dos professores”, diz em nota.

Outras ocupações

Além da escola Ana Rosa, estão ocupadas a Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros, a E.E. Diadema, na cidade de mesmo nome, a E.E. Salvador Allende, na zona leste de São Paulo, E. E. Castro Alves, no bairro de Santana, E.E Valdomiro Silveira, em Santo André, e E.E. Profª Heloisa de Assumpção, em Osasco.
Ontem, os alunos da Fernão Dias, onde se concentra o maior número de manifestantes e policiais, receberam uma notificação da decisão da Justiça sobre a reintegração de posse do prédio. Após receberem o documento, eles aceitaram se reunir com representantes da secretaria nesta sexta às 15h.
Por volta das 19h, a PM usou gás de pimenta pela segunda vez em frente à escola de Pinheiros. Segundo o capitão Cunha Neto, os policiais desconfiaram do rapaz por ele estar filmando os policiais que cercam a escola e decidiram revistá-lo.
(Do Uol)

Mulheres criam tecnologia para combater assédio sexual

Cansadas de andarem pelas ruas com medo do próximo “fiu fiu”, jovens mulheres passaram a recorrer à tecnologia para combater o assédio sexual. De aplicativo a “computador vestível”, as invenções vêm unindo uma legião de admiradores, que chegam a doar altas quantias para vê-las funcionando (Assista acima a entrevista a pedido do G1 entre duas das criadoras).
“As estatísticas de violência contra as mulheres são assustadoras, e se tornou evidente que nada que existia no mercado eram ferramentas de que as mulheres realmente precisavam”, afirmou Yasmine Mustafa, presidente-executiva da empresa Roar for Good.
A empresa criou a Athena, um aparelhinho do tamanho de uma moeda que, quando acionado, envia pedidos de ajuda a conhecidos. Para ser carregado dentro do bolso, o dispositivo também emite um barulho para afastar possíveis agressores.
Depois de encabeçar o movimento “Vamos Juntas?”, que incentiva mulheres a andarem juntas para afastar o assédio, a gaúcha Babi Souza, de 24 anos, quer levar a ideia para o mundo dos celulares. Com a ajuda de uma empresa, ela desenvolve um aplicativo que servirá como uma espécie de “Waze do abuso”.
Nele, as mulheres são convidadas a relatar ameaças encontradas pelos caminhos que percorrem – da falta de iluminação a homens que frequentemente as assediam na rua. A partir daí, quando uma rota for traçada, os possíveis itinerários serão acompanhados das fontes de assédio que possuírem. A expectativa é que o app chegue a celulares Android e iOS em janeiro de 2016.
Outra iniciativa é a da estudante paulista Catharina Doria, de 17 anos. Ela usou o dinheiro com que pagaria sua viagem de formatura para custear a criação do “Sai Pra lá”. O app mapeia as manifestações de assédio sexual contra mulheres, da buzinada a contatos físicos.
Apoio
Depois de estrear na primeira semana de novembro, o “Sai pra lá” foi inundado por acessos, o que sobrecarregou seus servidores. Na hora do rush, por volta das 18h, recebia 250 envios. Para melhorar a infraestrutura do app, Catharina iniciou uma campanha de financiamento coletivo na internet. Com 54 dias para o fim, já arrecadou 112% da meta inicial, de R$ 5 mil.
O Athena também é desenvolvido com dinheiro arrecadado online. A pouco mais de dez dias para o fim da campanha, o projeto já recebeu cinco vezes o valor estipulado, de US$ 40 mil. “Nós queríamos criar algo que atendesse às necessidades da mulher moderna ao mesmo tempo que fosse uma ferramenta contra o abuso”, diz Yasmine.
Assédio
Em geral, todas as ideias surgiram depois de as mulheres se depararem com casos de violência sexual ou encararem o medo de ser a próxima vítima.
Após ouvir muitas mulheres contarem histórias de abuso em uma viagem à América do Sul, em 2013, Yasmine retornou à Filadélfia (EUA), mas a violência bateu à sua porta. “Uma semana depois de voltar pra casa, uma mulher da minha vizinhança foi brutalmente estuprada apenas a um quarteirão de onde eu estava morando”, afirmou.
Já Babi cansou de ficar apreensiva ao andar sozinha pelas ruas em um dia que saiu do trabalho tarde da noite. “Eu pensei, ‘Bah que merda ser mulher, chega a hora de voltar pra casa e, em vez de tu ficar feliz, fica com medo por ser tarde’.”
Catharina foi chamada de “gostosa” por um homem muito mais velho, que disse que queria levá-la para casa. Não respondeu, mas levou o incômodo de não ter feito nada para casa. Quatro meses depois, o aplicativo foi lançado.
Não é suficiente
Apesar de recorrer à tecnologia, as desenvolvedoras acreditam que criar aplicativos ou aparelhos não é um esforço suficiente. “Definitivamente, a tecnologia tem potencial de ajudar a focar essas questões. Enquanto dispositivos como o Athena são capazes de ajudar a deter ataques e conseguir ajuda instantaneamente, ele não foca na raiz da causa de abusos e violência”, diz Yasmine.
A Roar for Good, destina uma percentagem do dinheiro arrecadado com a venda dos aparelhos para organizações que trabalham na conscientização de jovens. Um décimo da grana arrecadada na campanha de financiamento coletivo no site “Indiegogo” vai para a One Love Foundation, que se dedica a criar programas de educação para acabar com a violência doméstica. “Nosso objetivo é que aparelhos como o Athena um dia não sejam mais necessários. Até lá, nós faremos tudo que pudermos empregando a tecnologia para ajudar a diminuir os abusos”, comenta Yasmine.
A criadora do “Vamos Juntas?” recorreu ao financiamento coletivo para criar um portal de informações sobre o que é feminismo.
Para Catharina, levar a discussão da violência contra mulher para o mundo digital não resolve o problema. “A questão é essa: a tecnologia é suficiente? É tipo uma semente. Para uma plantinha crescer, você tem que regar com água. Nesse caso, essa água é a educação. A gente tá apenas tentando podar a situação. O aplicativo faz com que a gente mapear os assédios para depois as instituições colocarem cartaz, colocar mais luz, falar com as faculdades. Mas o certo seria a educação desde pequeno: o homem ser conscientizado desde pequenininho que ele não pode fazer isso.”
(Do FNDC)

Frente Brasil Popular ocupará as ruas por democracia e desenvolvimento

A manifestação da Frente Brasil Popular irá compor o ato dos estudantes, que estarão participando do congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) em Brasília, nesta sexta-feira (13). Na opinião da presidenta da entidade, Bárbara Melo, o momento conjuntural exige, principalmente, a atuação dos movimentos sociais contra a real ameaça imposta pela direita. “É de extrema valia defender a democracia que é ameaçada por setores golpistas, que não aceitam o resultado eleitoral e as ações que fizeram nosso país avançar”, avalia.
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), que compõe a Frente Brasil Popular, estará presente nas manifestações da próxima sexta-feira (13). Segundo o presidente da central, Adilson Araújo, o momento é de luta. “É muito importante fortalecer a Frente Brasil Popular, que tem como o marco central, fazer a defesa da democracia, do mandado constitucional da presidenta Dilma, a defesa dos direitos sociais e trabalhistas, pautando também a retomada do desenvolvimento e da nossa principal estatal, a Petrobras, que vive um momento dramático com o impacto negativo dos desdobramentos da operação Lava Jato. Não podemos permitir que país caminhe para a recessão e agravamento da crise”, afirma.
Adilson Araújo alerta para a ofensiva conversadora que paira sobre o país. “A direita alimenta o ódio, o preconceito e a intolerância, somada a uma vontade clara de manipular o resultado eleitoral. Precisamos enfrentar a crise criando caminhos para a alavancagem no crescimento do país, e isso pressupõe uma alteração no curso do conservadorismo, quando, por exemplo, o governo defende uma política econômica que não beneficia o trabalhador. Sair da crise política é mudar drasticamente as políticas econômicas do país. Além disso, é essencial a realização das reformas estruturantes. Na medida que vamos às ruas e levamos as bandeiras, fazemos o enfrentamento”, conclui.
A presidenta da UNE, Carina Vitral, afirma a importância da manifestação na próxima sexta-feira (13). “Repudiamos a tentativa dos movimentos golpistas em desestabilizar aquilo que conquistamos a duras penas, com a luta dos estudantes, trabalhadores, de todos que enfrentaram uma ditadura militar e que não aceitarão nenhuma forma de retrocesso”.
A Frente lançou uma carta convocatória chamada “Novembro de Luta”, anunciando as atividades que ocorrerão no mês da Consciência Negra.
Confira as principais reinvindicações:

  • Defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras;
  • Ampliar a democracia e a participação popular nas decisões sobre o presente e o futuro de nosso país;
  • Promover reformas estruturais, para construir um projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular e defender a soberania nacional.

A Frente Brasil Popular é composta por 27 entidades. Fazem parte da organização artistas, intelectuais, pastorais, assim como integrantes e representantes de movimentos populares, sindicais, partidos políticos, movimento estudantil, indígenas, quilombolas e LGBTs.

Várias manifestações ocorrerão em todo país, que além de compor a Frente Brasil Popular, pedem a saída do Eduardo Cunha da presidência da Câmara.

Confira onde ocorrerá o ato em sua cidade:
Brasília –  a partir das 17:00, no Museu de Brasília.
Manaus –  às 17:30, na Praça da Matriz
Belo Horizonte – às 17:00 na Praça 7
Aracaju –  às 16:00 na Praça Fausto Cardoso
Recife – às 16:00 na Praça do Derby
Natal – às 15:00, na Parada Do Circular
Fortaleza – às 15:00 na Praça Do Ferreira
Santa Maria – às 18:00, Praça Saldanha Marinho
São Paulo – às 17:00 no MASP – Avenida Paulista

Porto Alegre
– às 18:00 no Largo Glênio Peres
Campinas – às 17:00, no Largo do Rosário
Salvador – às 15:00 no Campo Grande
Goiânia – às 18:20, na Praça Dos Bandeirantes
Vitória– às 17:00, na Praça Costa Pereira
Belém– às 18:30, na Praça de São Brás
Blumenau – Prefeitura de Blumenau (sábado, 21 de novembro) às 9:00
Saiba mais sobre o evento no Facebook.
(Do Portal Vermelho)

Lei Antiterrorismo colocará Brasil na escalada repressiva internacional contra direitos

A chamada Lei Antiterrorismo é uma séria ameaça aos direitos individuais e ao estado democrático de direito. “No plano da teoria do Estado, estamos avançando rapidamente para a deterioração absoluta do regime democrático”, afirmou o jurista Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC-SP, em seminário promovido pelo Fórum 21 sobre o tema, realizado hoje (11) na Assembleia Legislativa de São Paulo. “A Lei do Antiterrorismo é pura importação de medidas de exceção de modelagem europeia, que foi transferida ao Brasil sem necessidade. Se na Europa é ruim, aqui vai ser terrível, porque aqui nós temos o Judiciário como agente de exceção”, disse Serrano.
Para Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, a incorporação de países, principalmente com a importância do Brasil, entre aqueles que adotam medidas nesse âmbito “faz parte da estratégia dos Estados Unidos”. “O Brasil entrou na órbita dessa preocupação. A forma como o Brasil vai lidar com isso é considerada importante”, avalia Nasser.
Márcio Sotelo Felippe, ex-procurador-geral do estado de São Paulo (de 1995 a 2000, no governo de Mário Covas), afirmou que “o projeto traz grave risco à democracia”. “Tanto que, nas justificativas, faz referência aos compromissos internacionais do Brasil.”
O grande problema de tal legislação é que, diante da dificuldade de se conceituar o que é terrorismo, a interpretação caberá a agentes públicos como policiais, promotores e juízes. Segundo o artigo 2° do projeto, “terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos de atos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.
O perigo dessa previsão, avalia Felippe, é a ampla possibilidade de interpretação pelas autoridades. “O que é ‘terror generalizado’? Essas conceituações ‘abertas’ permitem a interpretação que for mais conveniente ao policial, ao promotor ou ao juiz. Terror generalizado pode ser um coquetel molotov? Pode ser a bomba de Hiroshima?”, ironiza.
A adoção, pelo Brasil, de medidas “de exceção” como a Lei Antiterrorismo não é casual. “Hoje se dissemina no mundo um crescimento da direita contra movimentos sociais”, constata Felippe. Ele cita a chamada Lei da Mordaça, da Espanha, que fala em “segurança da sociedade”. “Estamos diante de uma escalada repressiva em âmbito internacional.” Para ele, o fato de o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) ter sido o relator do projeto no Senado é sintomático, assim como é estranho que a proposta seja de iniciativa do Executivo e, mais estranho ainda, do Ministério da Fazenda, e não da Justiça, como seria de se esperar.
O PLC 101/2015, já aprovado no Senado, precisa ser novamente votado na Câmara. Proposto pelo Executivo, o projeto relatado por Aloysio Nunes ficou ainda mais preocupante após passar no Senado dia 28 de outubro por 38 votos favoráveis e 18 contra.
Pelo texto aprovado na Câmara, estavam excluídas da tipificação de terrorista “pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos sociais ou reivindicatórios”. No texto original, ficavam fora da tipificação de terrorista “pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender direitos, garantias e liberdades constitucionais”.
Aloysio retirou a exceção aos movimentos sociais do texto. Isso significa que um movimento de rua ou um protesto, caso a lei entre em vigor, pode ser enquadrado como “terrorismo”, de acordo com os debatedores no seminário do Fórum 21.

História

Pedro Serrano acredita que, enquanto no século 20 as ditaduras eram implementadas por meio de “formas de governos com pretensão de provisoriedade”, no século 21 as medidas de exceção são adotadas “no interior da democracia”, como, por exemplo, por meio de leis ou da atuação do Judiciário. “Marcadamente depois do 11 de setembro, com o Patriot Act (adotado pelo governo norte-americano de George W. Bush), sob o pretexto de combater o inimigo muçulmano.”
Segundo Serrano, “hoje, no primeiro mundo, o que se observa são atos legislativos que se traduzem em medidas de exceção, as quais, a título de combater o inimigo, têm o condão de suspender os direitos humanos fundamentais.” O Brasil caminha nesse sentido, avalia.
(Do Rede Brasil Atual)

Rádio e TV no Brasil, uma terra sem lei

Uma série de ilegalidades se embrenham na base do sistema de rádios e TVs no Brasil, afrontando a Constituição e gerando prejuízos para a liberdade de imprensa, conforme aponta o relatório da ONG internacional Repórter Sem Fronteiras. A lista de ilegalidades combinada com a frouxa fiscalização por parte do governo federal resulta no surgimento de oligopólios e em uma situação de pouca diversidade de vozes e ideias, algo danoso à democracia e à representação dos diversos grupos que compõem a sociedade.
Segundo a Constituição, cabe à União, por meio do Ministério das Comunicações, conceder a empresas privadas, por meio de concessões, o direito de possuir um canal de rádio ou televisão no Brasil. Essas regras existem porque, ao contrário de jornais, revistas e sites, cuja existência é, em tese, ilimitada, há um limite físico para a existência de emissoras de rádio e televisão, determinado pelo espectro das faixas de frequência.
Para ter o direito à concessão, as emissoras devem vencer um processo licitatório e cumprir uma série de regras em relação a seu conteúdo e programação, a fim de garantir a pluralidade e a diversidade da sociedade brasileira. A fiscalização do cumprimento destas regras, no entanto, nem sempre é realizada pelo Ministério das Comunicações, conforme aponta o relatório do Repórter Sem Fronteiras, o que contribui para falta de representação de minorias nas telas nacionais.
Diante do descaso do governo, o setor de rádio e televisão no Brasil é praticamente uma terra sem lei, realidade que o Ministério Público Federal e organizações da sociedade civil, como o Intervozes, parceiro de CartaCapital, tentam mudar.
A seguir, conheça e entenda alguns dos principais problemas nos quais estão envolvidas as emissoras de rádio e televisão brasileiras.
1 – Concentração de mídia e a falta de conteúdo local
Em conjunto, a Constituição e o Decreto-Lei 236, de 1967, proíbem a formação de oligopólios na radiodifusão e colocam barreiras na veiculação de conteúdo unificado em todas as regiões brasileiras, como maneira de garantir a produção local e diversificada de conteúdo. A realidade mostra que essas exigências não são cumpridas.
Atualmente, os grupos Globo, SBT, Record e Band dominam 69,4% da audiência televisiva. Os números derivam do fato de esses canais terem empresas afiliadas que, em sua maioria, retransmitem e reproduzem a grade de programação das empresas sede, as chamadas cabeças-de-rede. Por meio das afiliadas, a Globo, maior cabeças-de-rede do Brasil, transmite sua programação para 98,6% do território nacional, seguida por SBT (85,7%), Record (79,3%) e Band (64,1%).
Apesar da proibição de que concessionárias estejam “subordinadas a outras entidades que se constituem com a finalidade de estabelecer direção ou orientação única”, as cabeças-de-rede têm um significativo domínio sobre a produção de conteúdo. Um estudo do Observatório do Direito à Comunicação, de 2009, mostrou que 90% dos conteúdos veiculados pelas afiliadas são produzidos pela cabeça-de-rede.
Na prática, o domínio se dá por meio de contratos entre as cabeças-de-rede e as afiliadas que driblam as regras sobre a quantidade de geradoras de sinal de grande alcance permitidos por empresa de televisão: são cinco por proprietário em todo o País, sendo no máximo duas por Estado. Como o Ministério das Comunicações não estabeleceu regulações a respeito da propriedade por pessoas físicas e jurídicas, há casos de pessoas e empresas que extrapolam o limite do decreto de 1967, controlando mais de cinco geradoras nacionalmente e mais de duas por estado.
2 – Posse de veículos de mídia por políticos

Coronelismo eletrônico
Os senadores do PSDB, Aécio Neves (MG) e Tasso Jereissati CE), são proprietários da Rádio Arco Íris – Jovem Pan e TV Jangadeiro, afiliada da Band TV, respectivamente

O artigo 54 da Constituição Federal proíbe deputados e senadores de possuírem empresas que firmem ou mantenham contratos com autarquias, empresas públicas ou concessionárias de serviço público. O último caso enquadra as emissoras de rádio e televisão, mas ainda assim mais de 40 deputados federais e senadores controlam diretamente pelo menos uma emissora de rádio ou televisão em seu estado de origem, fenômeno conhecido como coronelismo eletrônico.
Desde 2011, tramita no Supremo Tribunal Federal uma ação, elaborada pelo Intervozes e pelo PSOL, que pede a declaração de inconstitucionalidade à concessão de outorgas de radiofusão a emissoras controladas por políticos. Além do artigo 54 da Constituição, a ação também entende que a prática do coronelismo eletrônico viola o direito à informação (artigos 5º e 220); a separação entre os sistemas público, estatal e privado de comunicação (art. 223); o direito à realização de eleições livres (art. 60); o princípio da isonomia (art. 5º); e o pluralismo político e o direito à cidadania (art. 1º).
3 – Vendas de concessão: o caso MTV
A Lei 4.117/62 e o Decreto 52.795/63 proíbem, segundo entendimento do Ministério Público Federal, que uma concessão pública de radiodifusão seja repassada a terceiros sem uma nova licitação. Isso porque canais abertos são um serviço público e, por isso, o uso das frequências deve ser disputado em concorrência aberta.
Ainda assim, em dezembro de 2013, o grupo Abril vendeu a frequência que abrigava a MTV Brasil para a empresa Spring por 290 mil reais. Sob novo comando, o canal aberto tem toda a sua programação ocupada por conteúdo produzido pela Igreja Mundial do Poder de Deus.
Para o MPF, tratou-se de uma negociação inconstitucional. “Uma empresa que é concessionária de um serviço público possui duas opções: explorar o serviço ou restitui-lo para a União. Neste caso, o grupo Abril vendeu o direito de explorar o serviço para outra empresa, o que entendemos ser inconstitucional”, afirma o procurador
Pedro Antonio de Oliveira Machado, do MPF-SP. Segundo ele, a controvérsia envolve o uso da frequência, e não a venda da marca MTV, que já foi devolvida à empresa proprietária e continua sendo usada na TV fechada. Atualmente, o MPF recorre de um parecer negativo da Justiça a respeito de uma ação cautelar sobre o caso. Outra ação que visa anular a venda da concessão ainda está em desenvolvimento.

Valdemiro Santiago
O pastor Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, acertou com o Grupo Spring a veiculação de seus programas religiosos na frequência que pertencia à MTV Brasil

4 – Subconcessão 
A venda de espaço de programação para terceiros, a chamada subconcessão, é outra ilegalidade. O arrendamento de parte da programação é prática comum entre as emissoras de tevê e ocorre sob a vista grossa do Ministério de Comunicações. De acordo com o mais recente levantamento sobre o tema, feito pelo Intervozes em 2014, a Band vendia 19% de sua programação, a Record, 21%, a Gazeta, 23%, RedeTV, 50% e Rede 21, quase toda sua programação: 92%. A maioria destes espaços são vendidos para igrejas, prática que é alvo de uma ação do MPF.
As emissoras alegam que a venda de espaço em sua programação não se caracteriza como subconcessão, mas como uma forma de publicidade. Entidades da sociedade civil, contudo, refutam este argumento afirmando que mesmo a publicidade, com estas proporções de ocupação da programação, seria ilegal. O fundamento para isso está no Código Brasileiro de Telecomunicações, que estabelece um limite à publicidade comercial em cada canal de televisão. Segundo a lei, o tempo destinado à publicidade comercial não pode ultrapassar 25% da duração total da programação diária.
5 – Descumprimento do percentual de conteúdo educativo na programação

Televisão
Os programas de entretenimento ocupam quase metade da programação das televisões brasileiras

O Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT) determina que as emissoras de radiodifusão destinem ao menos 5% de sua programação para a transmissão de notícias e reservem 5 horas semanais para programas educacionais. Muitas empresas, contudo, não respeitam esses parâmetros.
Produzido em 2014 pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), o Informe de Acompanhamento do Mercado da TV Aberta revelou que a categoria Entretenimento ocupou 49,4% das grades de programação da TV aberta de São Paulo, seguida pelos grupos Outros (20,1%), que engloba os programas religiosos; Informação (19,3%), e Publicidade (7,7%, sem considerar comerciais e chamadas). O grupo Educação aparece com 3,5%.
O mesmo levantamento apontou a inexistência de programas educativos na Record e no SBT. Na Band e na Rede TV!, menos de 1% da programação era dedicada à educação. Na Rede CNT e na TV Gazeta, eram menos de 2%. De acordo com a Ancine, o percentual mínimo era respeitado somente pela Globo (5,6%) e pelas emissoras públicas: Cultura (9,2%) e TV Brasil (12,5%).
6 – Emprego do veículo para a prática de crime ou contravenção

Cidade Alerta
Imagem retirada de vídeo do ‘Cidade Alerta’ da Record mostra policial atirando em suspeito

Uma pesquisa da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), realizada em 2015, em parceria com o Intervozes, a Artigo 19 e Ministério Público Federal, verificou que o conteúdo de programas policialescos, veiculados pelas principais emissoras do País, violam pelo menos 12 leis brasileiras e 7 dispositivos multilaterais em vigor no país, como a Constituição e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Apesar das diversas e reincidentes infrações, o Ministério das Comunicações adota uma postura omissa em relação à fiscalização destes programas. O exemplo mais recente é a denúncia, encaminhada pelo coletivo Intervozes ao ministério, sobre a transmissão, ao vivo, de uma perseguição policial a dois suspeitos, que terminou com um deles sendo alvejado pela PM. As imagens foram veiculadas pela Rede Record e pela TV Bandeirantes de São Paulo.
No programa Cidade Alerta, da Rede Record, o apresentador Marcelo Rezende fez declarações que afrontam os Direitos Humanos e a legislação brasileira, como “atira, meu filho; é bandido”. Apesar disso, o Ministério das Comunicações limitou-se a dizer que analisa a denúncia, mas que o Poder Judiciário deveria ser procurado em busca de reparação.
*Com informações da cartilha Caminhos para a luta pelo direito à comunicação no Brasil, produzida pelo Intervozes
(Da Carta Capital)

Lei cria programa nacional de combate ao bullying nas escolas

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática em todo o território nacional. O objetivo principal é prevenir e combater a prática de bullying no País, sobretudo nas escolas.
Também está no rol de finalidades da lei “promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura de paz e tolerância mútua” e “evitar, tanto quanto possível, a punição dos agressores, privilegiando mecanismos e instrumentos alternativos que promovam a efetiva responsabilização e a mudança de comportamento hostil”.
A norma considera bullying “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.
De acordo com a lei, oito atos podem ser caracterizados como prática sistemática de intimidação, humilhação ou discriminação: ataques físicos; insultos pessoais; comentários sistemáticos e apelidos pejorativos; ameaças por quaisquer meios; grafites depreciativos; expressões preconceituosas; isolamento social consciente e premeditado; e pilhérias.
Também há na lei menção ao cyberbullying, pelo qual são usados os instrumentos da internet “para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial”.
O texto estabelece que é dever do estabelecimento de ensino, dos clubes e das agremiações recreativas assegurar medidas de conscientização, prevenção, diagnose e combate à violência e à intimidação sistemática. A lei ainda determina que deverão ser produzidos e publicados relatórios bimestrais das ocorrências de intimidação sistemática nos Estados e municípios para planejamento das ações.
A nova lei está publicada na edição desta segunda-feira, 9, do Diário Oficial da União (DOU) e entra em vigor em 90 dias.
(Do Uol)

Confira os locais e horários dos ônibus para a assembleia desta segunda (9)

A diretoria colegiada do Sinpro-DF põe à disposição da categoria ônibus para a participação de todos e todas na assembleia desta segunda (9), às 9h, na Praça do Buriti. Confira o local e o horário a seguir.
Professores (as) e orientadores (as) educacionais, a vitória da categoria depende de nossa unidade!
Participem!

Local Horário
BRAZLÂNDIA – Praça do Laço 8h
CEILÂNDIA – Estacionamento do BRB (2 ônibus) 8h
FORMOSA – Praça da Matriz/Catedral 7h45
GAMA – CEM 02 8h
GUARÁ II – Centrão passando pelo Guará I –
parada de ônibus Igreja São Paulo Apóstolo
8h
8h30
LUZIÂNIA – em frente à Prefeitura passando pela passarela do Valparaiso 8h
NÚCLEO BANDEIRANTE – CEM N.B 01 8h
PARANOÁ – Praça Central (em frente à Igreja) 8h
PLANALTINA – Centro de Ensino Especial 01 8h
PLANALTINA DE GOIÁS (Brasilinha- Fórum) ônibus 8h
RECANTO DAS EMAS – CEF 308 passando pela Faculdade da Terra (2 ônibus) 8h
SAMAMBAIA – CEF Myriam Ervilha BR 060 passando pela
Escola Buritis
8h
8h30
SAMAMBAIA – Feira da 202 8h
SANTA MARIA – C.E.E 01                                   C.E.F 215 8h
SÃO SEBASTIÃO – CAIC 8h
SOBRADINHO – CEM 01 8h
TAGUATINGA – Nene’s Chopp 8h30
UNAI – Praça da Prefeitura passando pelo CED PAD-DF 6h30

CUT e sindicatos filiados fazem ato no Eixão neste domingo (08)

A CUT Brasília, o Sinpro, sindicatos filiados, além de militantes e servidores públicos em greve realizam, neste domingo (08), um ato cultural no final do Eixão Sul (altura da 116). A partir das 8h todos e todas percorrerão o Eixão até a altura da Quadra 109 Sul dialogando com a população com a distribuição de panfletos e atividades musicais.
O objetivo é mostrar todo repúdio ao modelo de segurança pública adotado pelo Governo do Distrito Federal, que criminaliza e reprime os movimentos sociais com violência e truculência, à gestão neoliberal de Rollemberg, que dá calote nos servidores e ainda penaliza a população com aumentos de tarifas e impostos, além do sucateamento dos serviços públicos. O ato também é uma resposta à nova proposta de pagamento divulgada pelo governador do DF, proposta esta insuficiente para encerrar todas as greves do funcionalismo local.
Várias categorias, como a dos professores e orientadores educacionais, servidores do Detran, DER e Novacap, bem como os médicos da saúde pública, metroviários, assistentes sociais e servidores socioeducativos seguem parados, considerando insatisfatória nova proposta do governo.
Entre as atividades do ato estão educação física (alongamento); apresentações musicais; apresentações teatrais; espaço lúdico para as crianças, com pintura de rosto, contação de histórias e oficina de massinha; e caminhada ao som da Acadêmicos da Asa Norte.
Compareça ao ato e fortaleça a luta dos servidores públicos do Distrito Federal. Não aceitaremos calote e perda de direitos.
 
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CUT e servidores em greve fazem ato no Eixão

Categoria em greve realiza ato político-cultural, a partir das 16h, desta sexta (6)

Os (as) professores (as) vão realizar, na tarde desta sexta-feira (6), um ato público político-cultural para esclarecer à população os reais motivos da greve. A atividade faz parte da agenda da greve desta semana.
A concentração será a partir das 16h, na Praça Zumbi dos Palmares, no Setor de Diversões Sul (SDS, ou, popularmente, CONIC). A partir da praça, os manifestantes irão, em passeata e distribuindo panfletos, para a Plataforma Inferior da Rodoviária, local em que haverá várias atrações culturais e boa música.
A categoria docente repudia todo tipo de violência e estimula o debate sério e responsável com a sociedade sobre os reais motivos que a levou à greve. Além disso, incentiva todo tipo de ato público que envolva atividades culturais.
É por isso que, aproveitando o fato de serem produtores de cultura e de conhecimento, professores e professoras, bem como orientadores e orientadoras educacionais, irão realizar o ato público político-cultural na Rodoviária, na tarde desta sexta-feira (6).
Trata-se de um momento planejado pelo Comando Geral de Greve para esclarecimento da sociedade sobre os motivos da greve e explicação de que a luta não é somente pela sexta parcela do reajuste salarial previsto no plano de carreira, e sim contra uma série de ataques à educação pública e gratuita, cujo objetivo é privatizá-la, como vem ocorrendo em outros estados administrados por governos neoliberais.
Não será apenas uma mera distribuição de panfletos. Durante a panfletagem, a categoria deverá estabelecer um bate-papo com a população, o qual será acompanhado de muita música boa e várias atrações culturais.
Venham! Participem!
Professores e professoras, a nossa vitória depende de nossa unidade e luta!
#CaloteNão!

O perigo da O.S1 na educação pública

Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta quando, na verdade, as diferenças locais (desigualdades locais, grifo meu) são aprofundadas. Há uma busca de uniformidade, ao serviço dos atores hegemônicos, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal. Enquanto isso, o culto ao consumo é estimulado.
Neste artigo, o professor Cristino Cesário Rocha aborda um pouco do tema.
Clique aqui e confira o artigo na íntegra.

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