Margaridas seguem em marcha rumo ao Palácio do Planalto

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Movimento é por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade

Naquela que é considerada a maior mobilização de mulheres da América Latina, cerca de 70 mil trabalhadoras rurais, extrativistas, indígenas e quilombolas tomam as avenidas da capital federal para dialogar com o governo federal sobre suas reivindicações na 5ª Marcha das Margaridas – que nesta quarta-feira (12), além de completar 15 anos, marca os 32 anos do assassinato de Margarida Alves – então presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB).
As Margaridas marcham agora pelo Eixo Monumental, do Estádio Mané Garrincha, onde estão acampadas, até o Palácio do Planalto, retornando em seguida.
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A 5ª Marcha reivindica a garantia permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, sem comprometer outras necessidades essenciais; acesso à terra e valorização da agroecologia, uma educação que não discrimine as mulheres, o fim da violência sexista, o acesso à saúde, a ser ou não ser mãe com segurança e respeito; autonomia econômica, trabalho, renda, democracia e participação política.
Essas reivindicações – reunidas em um Caderno de Pauta e já entregue ao Governo Federal e ao Congresso Nacional – são resultado de rodadas de discussões coletivas promovidas pela Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais (Contag), em parceria com diversas entidades como a Marcha Mundial das Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (Mama), Movimento Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu, União Brasileira de Mulheres, entre tantas outras organizações de mulheres parceiras.
A diretora de Assuntos e Políticas para Mulheres Educadoras do Sinpro, Vilmara Pereira do Carmo, lembrou o quadro atual brasileiro. “Neste momento que vivemos no Brasil – de manifestações de alguns pedindo a volta da ditadura e de pautas vazias -, é fundamental termos a legitimidade de mulheres rurais, das florestas, das águas que estão fazendo reivindicações concretas de melhoria das suas condições de vida, de defesa de direitos coletivos”, disse.
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Para a também diretora do Sinpro Neliane Maria da Cunha, a Marcha “é a consciência de que as mulheres da classe trabalhadora, do campo e da cidade, estão na luta por direitos, por soberania alimentar, por igualdade de gênero, por um mundo melhor para mulheres e homens. Estamos aqui unidas, porque elas fortalecem a luta das mulheres da cidade e nós fortalecemos a luta das mulheres do campo. Temos a consciência de que estamos no caminho certo porque a pauta da classe trabalhadora, a pauta da luta das mulheres e as nossas conquistas só se garantem assim, com os movimentos na rua”.
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Na abertura do evento, a coordenadora geral da Marcha e secretária de Mulheres da Contag, Alessandra Lunas, ressaltou que “seguiremos na construção de luta das mulheres… A Marcha é um referencial de mudança dos rumos, de conquista de politicas públicas para nosso país”.
“A Marcha é feita por companheiras que atravessaram o Brasil para fazer história. Aqui está um povo que tem ocupado as ruas e vêm construindo proposições para transformar realidades depois de tanto tempo de invisibilidade”, destacou a vice-presidente da CUT Nacional, Carmem Foro.
“Nossa pauta por igualdade e democracia. Sem democracia nós não enfrentaremos o machismo. Queria convocar mais uma vez as margaridas para quando tocarem no nosso Projeto Político estarmos na rua fazendo a defesa do que acreditamos”, continuou Carmem Foro.
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A partir das 15h, a presidenta Dilma Rousseff anunciará, em cerimônia no Mané Garrincha, o compromisso político do governo federal com a pauta das Margaridas.
Fotos: Deva Garcia

Conheça a história de Margarida Alves, que inspira a Marcha das Margaridas

Três meses antes de ser assassinada na porta de casa, na frente do marido e do filho pequeno, a líder sindical paraibana Margarida Maria Alves disse, em um discurso de comemoração pelo 1° de maio (Dia do Trabalhador), que era melhor morrer na luta do que morrer de fome. Trinta e dois anos depois de sua morte, as palavras de Margarida ainda ecoam entre as mulheres trabalhadoras rurais e dão força para a luta diária por representatividade e melhores condições de trabalho e de vida no campo.

Outra frase famosa do mesmo discurso, “da luta eu não fujo”, está gravada em umas das paredes da antiga casa de Margarida Alves, que se transformou em museu em 2001. Na construção simples, uma geladeira azul que foi da camponesa ainda está guardada. Nos quatro cômodos da casinha de fachada amarela também estão à vista documentos da época em que Margarida liderava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, atas de reuniões, instrumentos usados pelos trabalhadores no corte da cana-de-açúcar para as usinas, fotos e objetos pessoais: uma camisa branca com bordado de flores, os óculos, o chapéu usado por ela quando visitava os trabalhadores na roça e uma bolsa.

Nas paredes, recortes de jornais de todo o país e alguns do exterior dão a dimensão da repercussão do crime ocorrido em 12 de agosto de 1983. O assassinato chamou a atenção do Brasil para o clima de tensão entre sindicatos e latifundiários da região do Brejo Paraibano nos anos 1980. Como Margarida Alves, outras lideranças de trabalhadores também estavam marcadas para morrer. Mesmo diante das ameaças, a campesina não se intimidou e só teve a voz calada pela espingarda calibre 12 de um matador de aluguel. Mesmo com a exposição nacional do crime, que chegou a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 30 anos depois nenhum dos mandantes foi condenado.

Luta sindical

Entrar na casa onde viveu a amiga faz a violeira e repentista Maria da Soledade Leite se emocionar. “Margarida era uma mulher determinada, Margarida não era dessas de baixar a cabeça”, conta, sem esconder o orgulho da companheira que foi a primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores na Paraíba.

“O trabalhador tinha a maior confiança nela, nós tínhamos, porque ela quando ingressava numa luta, ia até o final. A luta de Margarida era pelo décimo terceiro, pela carteira assinada, pelo direito ao sítio, porque os patrões plantavam a cana até na porteira da casa, quando a gente abria a porta da casa já estava dentro dos canaviais, a luta dela era para que o trabalhador tivesse uma areazinha onde pudesse ter suas plantações, enfim, poder dar uma vida digna à sua família.”

Soledade e Margarida se conheceram em Alagoa Grande em 1975 e lutaram juntas pelas mesmas causas, na militância sindical e também por meio da arte dos repentes e dos cordéis. Quando Margarida morreu, a homenagem da amiga foi em forma de verso: “Dia 12 de agosto nasceu um sol diferente/um aspecto de tristeza, o sol frio em vez de quente/ era Deus dando o sinal da morte de uma inocente (…) Jesus Cristo deu a vida pra redimir os pecados/ Tiradentes pela pátria foi morto e esquartejado/ Margarida na defesa dos pobres e necessitados”, escreveu na época. “Ela gostava muito de poesia”, lembra Soledade.

Se a saudade ficou registrada no poema, a memória de Margarida continua inspirando Soledade a cantar e brigar pelos direitos das mulheres paraibanas. Desde 2000, a violeira participa da Marcha das Margaridas – mobilização inspirada na líder campesina – e só não vai se juntar à caminhada em Brasília este ano por causa de uma dor no joelho. “O nome de Margarida ficou imortalizado, onde a gente estiver, sempre o nome de Margarida vai estar na frente. Se a gente vai cantar, se a gente quer representar alguma coisa de garra da mulher, a gente diz que é uma Margarida, forte como Margarida, sempre o nome de Margarida.”

Inspiração

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A trajetória da líder sindical também é usada como referência pela assessora técnica da organização não governamental AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, Adriana Galvão Freire, para incentivar outras mulheres a buscar seus direitos. A organização atua no Polo da Borborema, uma articulação sindical e de entidades da agricultura familiar de 14 municípios da microrregião do Brejo Paraibano.

“A Margarida é uma grande inspiração para a gente, assim como outras mulheres que a gente também foi perdendo no caminho pela violência”, diz Adriana.

“A gente sempre usa Margarida como uma referência, uma inspiração para a nossa luta. Ela sempre faz parte do nosso processo, como uma inspiração de que o lugar da mulher também é na luta, como ela mesma dizia. Essas frases, a figura, a força de Margarida sempre contagiam”, completa.

Para que a impunidade do caso Margarida Alves não se repita, mulheres e jovens do Polo da Borborema se mobilizam há dois anos para pedir justiça pelo assassinato da agricultora Ana Alice Valentin, estuprada e morta quando voltava da escola, aos 16 anos, por um vaqueiro. No próximo dia 18, o caso vai a julgamento e o grupo vai acompanhar a sessão com uma manifestação e uma vigília.

(Do Portal Forum)

Pré-sal: frente protesta contra projeto de Serra

Em ato público promovido nesta terça-feira (11) pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras, deputados, senadores e representantes de movimentos sociais se posicionaram contra o projeto de lei (PLS 131/15), do senador José Serra (PSDB-SP), que permite uma maior participação de empresas multinacionais na exploração do pré-sal.
Pelo texto, fica definido ainda a não obrigatoriedade de participação da Petrobras no modelo de exploração de partilha e também a retirada da condicionante de participação mínima da estatal em pelo menos 30% de cada licitação.
José Serra argumenta na proposta que as obrigações impostas a Petrobras no regime de partilha representam um ônus a estatal e ao próprio pré-sal.
O coordenador da frente, deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA), discorda do senador e afirma que a desvalorização da estatal está ligada ao momento de instabilidade do mercado internacional de petróleo. “Ceder parte do pré-sal, em um momento de baixa do petróleo, é entregar isso ao capital internacional. Nossa intenção, hoje, foi esclarecer exatamente isso, que essa crise do setor do petróleo é internacional e não somente da Petrobras. O petróleo estava a 100 dólares, 110 dólares o barril; agora está na faixa de 50 a 56 dólares. Isso desaqueceu a nossa produção e acabou implicando também no trabalho de nossos fornecedores”.
Recursos para a educação
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) se mostrou preocupado, pois acredita que, caso o PL do senador Serra se torne lei, menos recursos serão destinados à educação brasileira. O Plano Nacional da Educação, sancionado pela presidente Dilma Rousseff no ano passado, prevê que 75% dos royalties do petróleo devem ser investidos na educação do País, pelos próximos dez anos.
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, disse que a organização estudantil está mobilizada para impedir que mudanças ocorram nas regras de exploração do pré-sal. Na opinião da estudante, o senador José Serra está contrariando a sua própria história. “Estamos aqui para dizer que somos contra o PL e para cobrar do senador Serra as posições que ele próprio já teve, quando foi presidente da UNE. Quando foi presidente da UNE, ele defendia o monopólio estatal da Petrobras e por que agora ele muda de ideia? Entendemos que essa mudança tem interesses econômicos por trás, interesses políticos também e nós não vamos deixar que a Petrobras seja instrumentalizada pela direita ou por qualquer outra instituição ou pessoa que queira entregar as riquezas do nosso País”.
Manifesto para estudantes
No próximo dia primeiro de setembro, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras, em parceria com movimentos ligados a educação, vão lançar em todas as universidades e escolas de ensino médio do Brasil, um manifesto para mostrar aos estudantes a importância da manutenção do regime de partilha na exploração do pré-sal.
(Do Brasil 247)

70 mil trabalhadoras rurais deverão participar da Marcha das Margaridas nesta quarta (12)

A 5ª Marcha das Margaridas chegou nesta terça-feira (11) ao Distrito Federal. O Estádio Nacional Mané Garrincha já está lotado de “Margaridas” – nome utilizado para designar as trabalhadoras sem-terra que integram a marcha. A previsão dos organizadores é a de que 70 mil trabalhadoras rurais chegarão a Brasília para participar da manifestação. A marcha deverá iniciar às 7h da manhã e percorrerá o Eixo Monumental desde o Mané Garrincha até o Palácio do Planalto e a volta até o estádio.
Na edição de 2015, “a marcha ocorre num momento extremamente desafiador da conjuntura política do nosso país e acredito que tanto quanto a outras marchas, esta demarcou a história de nosso país”, afirma a secretária Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alessandra Lunas.
A abertura irá ocorrer na noite desta terça, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No encerramento, nesta quarta-feira (12), está prevista a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff. Na avaliação de Alessandra, “a conjuntura que se desenha pós-eleições exige que as margaridas assumam a mesma postura que lhes exigiu coragem e ousadia para reconduzir Dilma Rousseff à Presidência da República, para que continuem afirmando-se como sujeitos de direitos e sujeitos políticos a fim de garantir reformas políticas capazes de proporcionar mudanças em estruturas históricas que ainda sustentam as desigualdades e a discriminação no Brasil”.
Em texto publicado no site da Contag, ela afirma que, apesar da conjuntura, as trabalhadoras rurais “seguem lutando para fazer o Brasil avançar no combate à pobreza, no enfrentamento à violência contra as mulheres, na defesa da soberania alimentar e nutricional e na construção de uma sociedade sem preconceitos de gênero, de cor, de raça e de etnia, sem homofobia e sem intolerância religiosa. Seguimos denunciando, reivindicando, propondo e negociando ações e políticas públicas, que contribuam na construção de um desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”.
Ela informa ainda que a 5º Marcha das Margaridas demonstra a necessidade de se efetivar “um forte monitoramento das conquistas de nossa luta, identificando os desafios a serem enfrentados e fortalecendo a nossa incidência em todos os níveis, do local ao nacional, a fim de que estas conquistas aconteçam na vida das mulheres e também enseje a construção do debate da realidade, necessidades e anseios, nas comunidades e municípios, aprofundando a reflexão sobre nossos problemas”, afirma.
A 5º edição da Marcha das Margaridas buscará estabelecer e consolidar parcerias e, com a capacidade organizativa das trabalhadoras do campo, elas pretendem traduzir os problemas em propostas de mudanças para uma vida digna no campo e na floresta. “Seguimos acreditando que a ousadia, a solidariedade e a criatividade da cada Margarida florescerão ainda mais fortes, jogando sementes férteis para mudar a vida de cada mulher trabalhadora do campo, da floresta e das águas”, diz o texto publicado na página da Contag.

Comissão vai discutir criação da Universidade Pública do Distrito Federal

Comissão Geral da Câmara Legislativa irá discutir a criação da Universidade Pública do Distrito Federal, na próxima quinta-feira (13), às 15h, no Plenário da Casa. A iniciativa é do deputado distrital Wasny de Roure (PT).
O parlamentar lembra que a Lei Orgânica do Distrito Federal, em seu artigo 240º, prevê a criação da Universidade, in verbis: Art. 240º O Poder Público criará seu próprio sistema de ensino superior, articulado com os demais níveis, na forma da lei.
Segundo Wasny, “o DF não dispõe de uma universidade própria, o que faz com que sejam propagadas as universidades particulares. Nossa preocupação é criarmos uma verdadeira instituição universitária, preocupada em não apenas difundir conhecimentos, mas que vise a manter uma atmosfera de pleno saber para se preparar o homem que o serve e o desenvolve”. Daí a importância da ampliação dos debates sobre esse tema.
Vamos participar!!!

Marcha das Margaridas fomenta criação de políticas públicas

 Presentes no processo de produção de alimentos no país, mais de 14 milhões de brasileiras que vivem no meio rural tiveram, ao longo dos anos, numerosas conquistas que vão desde o acesso à terra e à documentação, o enfrentamento à violência sexista, até o apoio à produção, saúde e educação. Parte desses avanços resultou de mobilizações sociais como a Marcha das Margaridas que, este ano, chega a sua quinta edição.
Segundo a diretora de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (DPMR/MDA), Célia Watanabe, a participação popular é fundamental na construção e implementação de políticas públicas no Brasil. “Os movimentos sociais apresentam em suas pautas as suas demandas e, assim, subsidiam a criação de programas e políticas que alcançam a realidade das mulheres rurais”, destaca.
Um deles, o Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR), criado em 2004, já realizou em todo país mais de 6,8 mil mutirões, atendendo mais de 1,3 milhão de mulheres com a emissão gratuita de mais de 2,8 milhões de documentos civis, entre eles a carteira de identidade e o CPF.
“O programa surgiu exatamente da percepção dessas mulheres em relação à falta de documentação, pois, mesmo com a incidência dos programas e políticas no campo, o acesso era muito difícil. Os mutirões para emissão de documentos às mulheres trabalhadoras rurais são fundamentais para a inclusão feminina”, ressalta a diretora.
Ampliando conquistas
Outra conquista importante, fruto da Marcha das Margaridas, foi a criação de uma linha específica do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar: o Pronaf Mulher – ampliando, assim, a participação do público feminino na principal linha de crédito do governo federal para a agricultura familiar. Além disso, é garantida a destinação de 30% do total de recursos disponíveis, para o uso exclusivo das mulheres.
De acordo com o Censo 2010, as mulheres rurais contribuem com 42,4% do rendimento familiar. E para que a produção avance a todo vapor, todas as chamadas públicas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) passam a garantir que 50 % das beneficiárias sejam mulheres. A conquista foi oficializada no lançamento do Plano Safra 2014/2015, conforme aprovação na 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, que teve, pela primeira vez, a paridade de gênero entre os (as) delegados (as) participantes.
A percepção das mulheres no cuidado com o meio ambiente também demandou a criação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – Brasil Agroecológico, em 2014. “A participação das mulheres, no trato com a natureza, com o solo e com as sementes, na sua percepção agroecológica, é demarcada na elaboração e monitoramento do plano”, observa Célia Watanabe.
Em 2015, a concentração pra a Marcha das Margaridas começa nesta terça-feira (11) e a passeata será realizada nesta quarta-feira (12), com início no estádio Mané Garrincha e ato político na esplanada dos ministérios. A expectativa é que mais de 100 mil trabalhadoras rurais participem do evento cujo lema este ano é: “Margaridas seguem em marcha, por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”.
Do campo, das águas, das florestas e das cidades

A mobilização nacional, realizada desde o ano 2000, é voltada para todas as mulheres: do campo, como as agricultoras familiares e assentadas da reforma agrária; das águas, como as pescadoras artesanais, marisqueiras, ribeirinhas; das florestas, entre elas as extrativistas e as silvicultoras; e das cidades, aquelas que moram nas áreas urbanas em todo o país.

(Do Portal Vermelho)

Professores de AL mantém greve e protestam em frente à sede do governo

Em assembleia geral realizada na manhã desta 2ª feira (10), na sede do Sinteal, no bairro do Mutange, trabalhadoras/es em educação da rede pública estadual, em greve desde o último dia 16/07, decidiram pela continuidade do movimento até que o Governo do Estado atenda as reivindicações da categoria, que incluem, além do reajuste salarial de 13,01% para todas/os as/os servidoras/es (magistério e funcionárias/os), a reformulação dos Planos de Cargos e Carreira; inclusão de secretárias/os escolares no quadro da educação; ampliação da jornada de trabalho; convocação da reserva técnica do concurso de 2013 e a “recapitalização” da Previdência estadual.
Informes e ato de apoio
A abertura da assembleia foi feita pela presidente do Sinteal, Consuelo Correia, que saudou a presença efetiva da categoria na assembleia e passou à plenária informações sobre a tentativa de negociação e esclarecimentos jurídicos. Em seguida, falou a secretária de Formação do Sinteal e também secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Alagoas, Girlene Lázaro, que convocou a categoria para participar, no próximo dia 20 de agosto, em Maceió, de grande ato público de apoio a presidenta Dilma Roussef e ao ex-presidente Lula, intitulado “Fora fascistas, tirem as mãos da democracia”. O ato acontecerá em centenas de grandes capitais brasileiras.
Indignação
No prosseguimento da assembleia, todas/os as/os representantes dos núcleos regionais do Sinteal apresentaram um quadro de suas regiões. Em seguida foi a vez da categoria se pronunciar, e o que ficou constatado é o enorme sentimento de indignação, de injustiça provocado pela posição do governo estadual contra a educação estadual e seus trabalhadores e trabalhadoras.
“O sentimento não poderia ser outro senão este de injustiça porque, na hora de cumprir a lei, cumprir o piso e outras reivindicações mais do que justas da educação, este governo prefere fazer o contrário daquilo que prometeu no palanque eleitoral”, disse Consuelo.
Chamada a votar, a categoria decidiu pela continuidade da greve.
Ato conjunto
Terminada a assembleia, mais de uma centena de trabalhadoras/es da educação lotaram 03 ônibus que saíram do Sinteal em direção à Praça Floriano Peixoto para um ato-protesto em frente à sede da Assembleia Legislativa Estadual.
Unidos, trabalhadoras/es em educação e trabalhadores e trabalhadoras da luta do campo realizaram uma marcha de protesto até à sede do Governo do Estado, onde mais um ato público foi realizado para cobranças e críticas ao Executivo estadual .
O protesto terminou por volta das 14 horas e teve, ainda, a participação de estudantes, pais e mães, de lideranças da CUT/AL e do SindPrev, e de membros do Movimento de Monitores, que, nas palavras de um de seus representantes, a partir de agora haverá a participação na luta conjunta dos efetivos e do Sinteal.
A luta da educação continua com o cumprimento da agenda de mobilizações, que, nesta 3ª feira (11/08), será no município de Delmiro Gouveia, no sertão alagoano, onde será realizado mais um ato público em defesa das reivindicações da categoria.
(Do Sinteal)

Comissão especial discute LRE com gestores da área na Câmara na quarta (12)

A comissão especial da Câmara dos Deputados sobre a Lei de Responsabilidade Educacional realiza audiência pública nesta quarta-feira (12), às 14h30, para discutir a criação da lei com gestores da educação pública.
Instalada no dia 25 de junho, a comissão analisa o Projeto de Lei 7420/06, da ex-deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO). A proposta estabelece critérios obrigatórios para garantir a qualidade da educação básica e também a responsabilidade dos gestores públicos na área. Presidido pela deputada Gorete Pereira (PR-CE), o colegiado tem como relator o deputado Bacelar (PTN-BA).
Para a audiência desta quarta-feira, foram convidados representantes do Ministério da Educação (MEC); do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed); da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime); da Confederação Nacional de Municípios (CNM); e da Frente Nacional de Prefeitos (FNP).
O debate atende requerimentos do relator da proposta; da 1ª vice-presidente da comissão, deputada Keiko Ota (PSB-SP); e do 2º vice-presidente, deputado Izalci (PSDB-DF).
Ainda não foi definido o local da reunião.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

(Da Agência Câmara)

5ª Marcha das Margaridas terá início nesta terça-feira (11)

Milhares de mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades de todos os estados brasileiros e de várias partes do mundo participarão, nesta terça-feira (11), da abertura oficial da 5ª Marcha das Margaridas. A concentração será às 19h, no Estádio Mané Garrincha, onde todas marcharão pela Esplanada dos Ministérios reivindicando igualdade, democracia, fim da violência, agroecologia, direito à terra, educação, saúde e cumprimento de direitos básicos. A abertura contará com a participação de vários representantes de movimentos e organizações de mulheres do Brasil e do mundo, e também de representantes do governo federal.
As mulheres começarão a chegar em Brasília na manhã da terça-feira, quando acontecerá, a partir das 14 horas, uma conferência com o tema “Margaridas seguem em Marcha por Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”. A Marcha é a maior manifestação pelos direitos das mulheres do mundo e é coordenada pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e por 11 entidades parceiras.
Reivindicações
O Caderno de Pauta de Reivindicações da Marcha das Margaridas, entregue para o Governo Federal e Congresso Nacional, é resultado de intensas jornadas com discussões coletivas realizadas pela Contag e entidades parceiras no último ano em todos os estados do Brasil. Contemplam os anseios e as demandas específicas de cada região brasileira, com fundamentação e vivência de quem está na base, trabalhando e lutando diariamente por uma vida mais digna.
História
A primeira Marcha das Margaridas foi realizada pela Contag no ano 2000, quando cerca de 20 mil mulheres de todas as regiões se reuniram em Brasília para fortalecer a luta das trabalhadoras do campo, das cidades, das florestas e das águas de todo o Brasil. A 2ª Marcha aconteceu em 2003, quando ainda mais mulheres uniram-se na capital federal por um país mais igualitário e com direitos para todos. Em 2007 a 3ª Marcha floriu Brasília mais uma vez e, em 2011, mais de 100 mil mulheres marcharam na 4ª Marcha das Margaridas.
O dia escolhido para a mobilização é sempre 12 de agosto, dia do assassinato de Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Alagoa Grande, na Paraíba. Margarida morreu em 1983, aos 50 anos, vítima de um tiro de espingarda no rosto, crime encomendado por um latifundiário que se viu ameaçado pela luta constante da trabalhadora. Ela esteve à frente do sindicato por dez anos, lutando por direitos trabalhistas como respeito aos horários de trabalho, carteira assinada, 13º salário, férias remuneradas. “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”, afirmava Margarida Alves. Hoje, milhares de mulheres seguem seu exemplo de coragem e determinação e mantem vivos os ideais dessa forte batalhadora.
Programação
Manhã
9h30 – Café
10h – Mesa expositora: Políticas Públicas para as Mulheres
Denise Motta Dau – Secretária Municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo
Rosane Silva (a confirmar) – Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, representante da CUT na Comissão Organizadora da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres
Sonia Auxiliadora – Secretária Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT/SP
11h30 – Grupos de trabalho
13h – Almoço (será por conta de cada participante)
Tarde
14h – Continuidade dos grupos de trabalho
15h30 – Plenário: resultado dos grupos e encaminhamentos
17h – Lançamento da Marcha das Margaridas 2015
Com informações do Portal Vermelho

Movimentos sindical e sociais articulam atos em defesa da normalidade democrática

Contra os ajustes fiscais, mas também contra o golpe. Por direitos sociais, mas também em defesa da democracia. Essas são as bandeiras que os movimentos sindical e sociais do campo e da cidade levarão às ruas de São Paulo, no dia 20 de agosto. A manifestação está prevista para a partir das 17h, no Largo da Batata, bairro de Pinheiros, zona oesta da capital paulista.
Na sexta-feira (7), no auditório da Apeoesp (o sindicato que representa os professores da rede pública estadual de ensino), as organizações que compõem o Fórum dos Movimentos Sociais de São Paulo definiram a realização de atos e marchas para os dias que antecederão o ato do dia 20.
Para o representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, o cenário brasileiro enfrenta três diferentes crises: econômica, de investimento público e política – e um dos caminhos é a reforma do sistema político.
“A cada eleição teremos uma operação lava-jato se não mudarmos este sistema. Isso só mudará se houver uma reforma política drástica, que acabe com o financiamento privado das campanhas, que recupere a fidelidade partidária e o sentido dos partidos”, pontuou.

ROBERTO PARIZOTTI / CUTmovimentosCUTSP2.JPG
Representantes de movimentos sociais e sindical organizam participação popular em defesa da democracia

Deputada estadual pelo PCdoB, Leci Brandão defendeu medida igual. “A reforma política é necessária para que estejamos no poder, porque nós não estamos lá. Quando houver financiamento público de campanha é que ocuparemos os espaços e teremos a representatividade, sejamos nós movimentos sociais, negros e mulheres”, disse.
Durante o encontro, os movimentos aprovaram a carta “O povo de São Paulo é contra o golpe” (íntegra abaixo), na qual repudiam a ameaça de trapaça política da direita brasileira, atrelada ao imperialismo, que tenta desestabilizar o governo federal, abrindo caminho para o impeachment de Dilma Rousseff. No documento, as organizações apontam que o conservadorismo tem como berço o estado de São Paulo, liderado pelo PSDB há mais de 20 anos.
Stédile avalia que os setores mais favorecidos do país também enfrentam problemas e, num cenário de acirramento, estão divididos. “Uma parte está apavorada e levando dinheiro pro exterior. Outra anuncia um programa para sair da crise, que é o realinhamento da nossa economia aos EUA, a volta ao Estado mínimo, com cortes de gastos sociais. E uma terceira proposta é cortar os direitos dos trabalhadores”.

Golpe agora?

Ao falar sobre a atual cena política nacional, Stédile destacou que é preciso sim pressionar o governo Dilma, mas à esquerda. “Votamos num programa que não está sendo colocado. O [Joaquim] Levy não nos representa. Quanto mais passa o tempo, mais Dilma vai sendo desacreditada pelas massas. Daí também que a nossa saída é organizar o povo e ir pra rua defender os nossos interesses”.
O vice-presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, reforçou durante a plenária que é preciso manter as mobilizações nas ruas, em defesa da democracia. “Nosso estado paulista articula toda a política conservadora, que culmina com a política atrasada de ódio e de ataque à democracia brasileira e não aceitamos isso. Nossa resposta se dará nas ruas, no dia 20”.
Leia a seguir a íntegra do documento tirado na plenária:

O povo de São Paulo é contra o golpe

Todos e todas às ruas no dia 20 de agosto

O Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo se organiza a partir de dezenas de movimentos e entidades, do campo e da cidade, que buscam acompanhar e avaliar a conjuntura, bem como construir um projeto de Estado inclusivo, democrático e popular.
As mais de 50 organizações que compõem esta frente acreditam que a ameaça de golpe da direita brasileira, atrelada ao imperialismo, que nesse momento se organiza a partir de partidos, de parcela importante e significativa da mídia, de grupos de direita conservadora e reacionária, precisa ser barrada nas ruas pelo povo.
Aqui em São Paulo, a direita conservadora e golpista tem expressão forte e se alojou no governo do Estado há mais de 20 anos. Como no projeto tucano e da direita nacional, o governo procura reduzir os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, além de combater os movimentos sociais e qualquer sinal de mobilização.
Além de ter privatizado e de querer privatizar ainda mais o estado, há uma blindagem da mídia paulista e nacional em relação ao PSDB e, principalmente, em relação ao PSDB paulista e ao governador Geraldo Alckmin. Isso tudo mesmo diante dos descasos e descalabros que fazem, como a negação da crise da falta de água, a ausência de políticas habitacionais e a repressão aos movimentos de moradia, sem falar do sistema prisional caótico, comandado em grande parte pelo crime organizado.
Há ainda a falta de segurança para o povo e os desmandos da polícia militar paulista, principalmente em relação à juventude e aos negros, os escândalos de corrupção nas obras como o Rodoanel (do esquecido caso do famoso Paulo Preto) e o cartel do metrô, tema que teve como enfoque a articulação das empresas e não as relações com os governos tucanos há anos.
O governo de São Paulo também se recusa a cooperar com os governos municipais e federal no SUS, na participação de programas de sucesso como o SAMU.
Por fim, a educação em São Paulo não vai bem, em todos os níveis, com o desmonte das escolas, universidades e dos institutos de pesquisa, inclusive de referência nacional. Como marca de sua postura, o governo estadual também não dialoga com os sindicatos que fazem greve e combate as categorias. Um dos maiores exemplos dos últimos tempo foi a desmoralização que fez da luta dos professores e professoras do Estado, inclusive desrespeitando decisões do Judiciário.
Por tudo isso, nós, do Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo, conclamamos toda a sociedade paulista para se unir nas agendas de lutas: No dia 20 de agosto estaremos nas ruas em defesa da democracia, da Petrobras e do pré sal, por direitos da classe trabalhadora, contra o ajuste fiscal e por uma reforma do sistema político.
Conclamamos a população de São Paulo a participar das mobilizações defendendo um Estado também democrático e que garanta direitos a todos e a todas.
Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo
São Paulo, 7 de agosto de 2015.
(Da Rede Brasil Atual)

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