V Encontro de Mulheres Educadoras

A Secretaria de Mulheres do Sinpro-DF tem assumido o compromisso de reafirmar, por meio de sua política, a importância de fortalecer uma educação para a igualdade de gênero, a saúde, a autonomia da mulher trabalhadora, o enfrentamento à violência doméstica e todo o tipo de violência, a participação política nos espaços de poder na sociedade, dentre outros. É por isso que o slogan do encontro é “Mexeu com uma, mexeu com todas!”
Para refletir, debater e apontar caminhos sobre tudo isso e outros temas que afetam a vida profissional da professora e da orientadora e a luta da mulher educadora, a categoria irá reunir-se no V Encontro da Mulher Educadora, nos dias 19 e 20 de junho, a ser realizado na Chácara do Professor.
Este ano, o encontro homenageará Maria da Penha e trará como um dos temas principais a educação para a igualdade de gênero e a autonomia da mulher trabalhadora. Professora, venha participar e trazer para o debate sua valiosa colaboração.  Confira a programação e o link para as inscrições disponíveis a seguir:
http://www.sinprodf.org.br/v-encontro-de-mulheres-educadoras/
 

PROGRAMAÇÃO

V Encontro de Mulheres Educadoras do Sinpro

Mexeu com uma, mexeu com todas!

Maria da Penha

19 e 20 de junho de 2015

 
PROGRAMAÇÃO:
19 DE JUNHO:
16H – ACOLHIDA
19H – MESA DE ABERTURA – CUT Nacional e CUT Brasília
Sinpro-DF
CUT Brasília
CNTE
19h30 – ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
Cleuza Santos
Presidenta do Sindoméstico-BA
Gina Vieira Ponte
Projeto Mulheres Inspiradoras
Cristiane Sobral
Autora do livro “Só por hoje vou deixar meu cabelo em paz”.
LANÇAMENTO DA 2ª EDIÇÃO DA REVISTA SINPRO MULHER
20 DE JUNHO
9H – PDE – EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE
Natália Duarte
Fórum Distrital de Educação
Rejane Pitanga
Professora aposentada da Secretaria de Educação do Distrito Federal e autora da Lei nº 4.751/12
Olga Freitas
Professora da Secretaria de Educação do Distrito Federal e da Universidade Católica de Brasília (UCB)
14H – IGUALDADE E AUTONOMIA NA VIDA E NO MUNDO DO TRABALHO
Érika Kokay
Deputada Federal – PT/DF
Thiele Muller
Psicóloga da Clínica do Trabalho no Sinpro-DF
 
 
15H – RESOLUÇÕES PARA O 10º CONGRESSO DO SINPRO – PAULO FREIRE
16H – III PRÊMIO MULHER EDUCADORA – CIDADÃ DO MUNDO
PAINÉIS COM EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS
20H – ENCERRAMENTO – ATIVIDADES CULTURAIS – 20h
Tambor de Crioula, Caco de Cuia e artistas educadoras
AO LONGO DO ENCONTRO HAVERÁ FEIRA DE LIVROS, ARTESANATO E AGROFLORESTA

"Olha o respeito! Valorização do professor não é favor", por Guilherme Perez Cabral

Nesses tempos em que professores que reivindicam direitos apanham da polícia, vale parar e pensar um pouco nas (in)competências do Poder Público, em matéria de valorização do docente.
Valorização que não quer dizer outra coisa senão respeito ao profissional, reconhecendo a importância do papel social por ele exercido. Isso envolve bastante coisa: remuneração digna; condições adequadas para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem; espaço escolar seguro, limpo, sem goteiras, provido de recursos necessários (carteira, lousa, computador, etc.). Demanda tempo para estudar, para preparar aula, para se dedicar aos alunos e às suas particularidades.
Mas a história não é nova. Sempre volta e tem se repetido, ultimamente, de forma preocupante. Temas sociais, ligados ao acesso a direitos fundamentais, são tratados como problema de segurança pública, caso de polícia. Tem se discutido a redução da maioridade penal, enrijecimento de penas, criminalização de tudo. Chamou atenção, dia desses, no Paraná, professores recebidos, pelo Governo do Estado, com bordoadas.
Não parece que essa solução (a truculência), aparentemente rápida, seja, de fato, uma solução. Não parece que haja soluções rápidas para problemas de longa data, que tanto afetam a população, no caso, a precariedade de nosso sistema público de educação. Exigem, sem dúvida, políticas cujos efeitos não são tão imediatos como os de gás lacrimogêneo.
Ao direito de todos à educação corresponde um conjunto de deveres do Poder Público, repartido com a família e a sociedade civil. No exercício de suas competências, cumpre à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios prestar educação e zelar por sua qualidade. E, para tanto, cumpre-lhes valorizar o profissional da educação. Trata-se de um princípio constitucional. Está no Artigo 206 da nossa Constituição.
Nesse cenário, a valorização já aparecia como objetivo e prioridade do Plano Nacional de Educação (Lei no 10.172/2001). Tendo vigorado até 2010, previa, como parte dela integrante, a garantia de condições adequadas de trabalho, incluindo tempo de estudo e preparação de aulas, salário digno e carreira de magistério. Está presente, agora, como diretriz e em meio a estratégias, no novo Plano (Lei no 13.005/2014), a vigorar até 2023.
Voltando à Constituição, ela faz referência, ainda, em sua parte final – o denominado Ato das Disposições Finais Transitórias –, à remuneração condigna dos trabalhadores da educação (sim, isso é verdade), prevendo a manutenção de um Fundo com recursos públicos para esse fim.
Abaixo do texto constitucional, com suas Emendas e Disposições Finais Transitórias, e junto com os Planos Nacionais, vem um amontoado de leis e regulamentações prometendo direitos e garantias no campo da educação. Aliás, a Constituição do Estado do Paraná – os Estados (e Municípios) têm, também, suas constituições próprias – assegura o direito à educação de qualidade, projetando a valorização dos profissionais do ensino.
Mas tudo isso, evidentemente, não basta. A lição extraída da poesia Drummond merece mais atenção. As leis não bastam / Os lírios não nascem da lei. Apesar dessa estrutura legislativa – tanta norma, tantos direitos e deveres –, quando se olha para a realidade, o que se vê, ainda, é desrespeito e incompetência do Poder Público. No descompasso entre o que a lei proclama e o que, de fato, os governantes pretendem, o professor do Paraná (que apanhou na manifestação), o de São Paulo, o do Brasil inteiro continua ganhando pouco. Muito pouco.
Sem a valorização docente não haverá educação de qualidade. Se nosso objetivo é trazer o projeto constitucional para a prática do cotidiano, precisamos fazer mais. Os professores estão reivindicando. Não é um pedido. Não é um favor. Muito menos assunto de polícia.
*Guilherme Perez Cabral é advogado especialista em direito educacional, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito.
(Do Uol)

GDF aplica calote e trabalha para destruir aposentadoria dos servidores públicos

Com um Projeto de Lei Complementar (PLC), enviado em maio à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o governo Rodrigo Rollemberg trabalha para destruir a aposentadoria dos (as) servidores (as) públicos (as).
Depois de aplicar o calote de mais de R$ 280 milhões nos (as) servidores (as), ao deixar de recolher a previdência dos meses de dezembro de 2014 e janeiro de 2015, agora ele apresenta três PLCs que alteram a Lei Complementar nº 769/2007 a fim de eliminar direitos e não ter nada que o impeça de se apropriar dos recursos do Fundo Capitalizado do Instituto de Previdência do Governo do Distrito Federal (IPrev-DF).
Com a desculpa de ajustar a legislação previdenciária do DF, o governo Rollemberg apresenta, de forma autoritária, os PLCs 19, 20 e 21/2015, que criam uma previdência complementar e regras para a aposentadoria especial e para a aposentadoria de deficientes em projetos diferentes. E, dentro do projeto que cria a aposentadoria complementar, ele cria também alterações na LC 769/2007, que rege a Previdência do DF.
Para acessar esse dinheiro vale tudo, incluindo aí, passar por cima do Fórum dos Servidores Públicos do Distrito Federal e do Conselho de Administração (CONAD) do Instituto de Previdência do DF (IPrev), criado com a participação democrática dos servidores.
O Fórum dos Servidores Públicos do DF repudia a forma truculenta, arbitrária, unilateral com a qual o governador Rodrigo Rollemberg se comporta em relação aos (às) servidores (as). Com os PLCs, ele retira a paridade e reduz a participação dos trabalhadores no CONAD, além de criar uma taxa de administração por meio da qual ele vai retirar 1% do dinheiro do trabalhador para custeio.
Essa modificação é exatamente a mesma que ocorreu no Paraná e que revoltou as categorias em greve e um embate entre Polícia Militar e servidores, cujo saldo foi vários servidores feridos e usurpados no seu direito de aposentar com dignidade.
Assim como o governo Beto Richa, Rollemberg vem seguindo uma lógica de desmandos na gestão pública com repressão aos servidores para impedir qualquer questionamento. Desde que tomou posse, o governo Rollemberg trabalha para retirar direitos e dinheiro dos servidores públicos.
Os sindicatos dos servidores públicos, reunidos no Fórum de Defesa do Serviço Público, vão solicitar formalmente que o governo retire os projetos da CLDF e, caso vejam necessidade, só envie nova proposta após diálogo com a representação dos (as) servidores (as) públicos (as).
Para impedirmos mais esse desfalque, é necessária ampla mobilização dos (as) servidores (as). Convocamos a todos e todas para comparecer em peso na audiência pública, dia 3 de junho, às 9h, na Câmara Legislativa, para discutir a lei complementar que altera a nossa Previdência.

EC 09 do Gama comemora 50 anos com evento nesta quarta-feira (3)

IMG-20150601-WA0001Nesta quarta-feira (3), a partir das 9h, a EC 09 do Gama realiza evento para comemorar os 50 anos da instituição. A direção da escola convida toda a comunidade escolar para prestigiar.
Na ocasião, serão realizadas oficinas para a criançada (pintura de rosto, jogos, brincadeiras, corte de cabelo…) e para todos(as) os demais interessados(as). Em seguida, será cantado um grande “parabéns” para a escola, que desde 1965 trabalha por uma educação de qualidade. Participe!
 

Governador mente sobre dinheiro em caixa e golpeia servidores

No dia 1º de janeiro de 2015, o governador Rodrigo Rollemberg anunciou nos veículos de comunicação comerciais que havia no caixa do DF apenas R$ 64 mil. O deputado distrital do PT Chico Vigilante duvidou da veracidade do pronunciamento e averiguou pelo SIGO – Sistema Integrado Gerência Operacional o saldo do GDF. O resultado foi alarmante: pelo sistema, o governo local tinha em caixa R$ 1,41 bilhão.
IMG_7072 “Quando o governador disse que o DF tinha R$ 64 mil, este era o valor apenas de uma conta. Só que o GDF tem 20 contas no BRB, 20 contas no Banco do Brasil e 15 contas na Caixa Econômica Federal. Juntando todas as contas, o saldo do GDF, no dia em que o governador disse ser de R$ 64 mil, era de R$ 1,41 bilhão”, explica o deputado Chico Vigilante.
Nessa quinta-feira (28), o Tribunal de Contas do DF apresentou relatório que comprova a veracidade da pesquisa feita pelo parlamentar do PT. “O GDF mentiu para a sociedade”, disse Chico Vigilante.
Atualmente, o caixa do GDF é de quase R$ 2 bilhões. Mesmo assim, o governo afirma que o caixa do DF enfrenta sérios problemas e, a partir dessa justificativa, apresenta propostas de aumento de impostos, anulação de reajustes salariais negociados e ajustes na previdência.
Previdência em risco
Já está na Câmara Legislativa do DF, em regime de urgência, o projeto que institui o altera a previdência do funcionalismo local. Na Casa ele tramita como PLC 19.
“Estamos extremamente preocupados porque este projeto mexe profundamente no fundo de previdência. Inicialmente, o que o governador Rollemberg passou para a imprensa era de que se estava criando a previdência complementar, que seria para os servidores que vão entrar. Mas ao analisar o projeto, nós vemos que não é isso. O governador está mexendo no atual sistema de previdência. Como pontos graves, o projeto acaba com a IMG_7092paridade no Conselho de Administração do Iprev-DF, dando maioria para os representantes do governo. Isso quer dizer que passa o que o governo quiser. O projeto pede para que seja dada autorização legal para o governo mexer na previdência a hora que ele quiser, do jeito que ele quiser, sem ouvir a Câmara Legislativa”, alerta o deputado distrital Chico Vigilante (PT).
A proposta de projeto do GDF impulsionou uma moção de repúdio aprovada pelos próprios integrantes do Conselho de Administração (Conad). “O governo, na calada da noite, sem ouvir o Conad, encaminhou um projeto para a Câmara Legislativa, que cria a previdência complementar, um tema que era foco de debate do próprio Conselho. Mas junto com esta proposta, no mesmo projeto, ele faz diversas mudanças no Conad, como o fim da paridade de representantes, e garante total autonomia para deixar a previdência do jeito que ele quiser. Isso é um absurdo, é um golpe. Este é um tema para ser tratado com a participação do Conad, que contempla governo e trabalhadores. Isso é lei, não é um pedido nosso. Rollemberg passou dos limites”, avalia o presidente do Conad/Iprev-DF, Denivaldo Alves.
No dia 3 de junho, a Câmara Legislativa do DF realizará audiência pública, às 9h, para discutir o PLC 19 e os impactos da proposição na vida dos servidores públicos.

Richa gasta quase R$1 milhão com massacre contra professores

Segundo dados da Polícia Militar encaminhados ao Ministério Público na última semana, os policiais chegaram a disparar uma média de 20 tiros por minutos naquele fatídico dia.
Conforme o documento, os 2.516 policiais que trabalharam na operação usaram 2.323 balas de borracha e 1.413 bombas de fumaça, gás lacrimogêneo e de efeito moral e 25 garrafas de spray de pimenta contra um grupo desarmado de servidores públicos.
A PM agredeiu os servidores públicos que protestavam contra a votação que autorizou o governo do estado a ter acesso à previdência dos trabalhadores estaduais. Mesmo com a violência exagerada dos policiais militares e o pedido de deputados para que a votação fosse adiada, o projeto foi aprovado.
Dos 2.516 policiais militares de Curitiba, 855 foram deslocados do interior do estado para participar da operação. O gasto com o efetivo chegou a R$ 550 mil.
Já as bombas, havia cerca de 1.500 prontas para o uso, algumas delas foram lançadas contra os educadores e servidores no dia do massacre curitibano.
O artefato usado é chamado de Kit Operacional Especial Não Letal 2 – Longa distância, custa R$ 14 mil a unidade e lança munições não-letais, cartuchos de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.
A PM gastou ainda 1.094 granadas de efeito moral ou lacrimogêneo e 300 projeteis de longo alcance. Cerca de 12 projeteis de borracha eram disparados de uma só vez contra os professores.
Prioridade

O governo do Paraná gastou, só em 2014, R$ 6,3 milhões em uma licitação para compra de munição e artigos de baixa letalidade quando o Estado passa por uma crise financeira e deve mais de R$ 1 bilhão a fornecedores.
Com o valor aplicado em armas não letais, Beto Richa poderia construir sete ou oito unidade básicas de saúde, aos moldes da construída recentemente na cidade de Pato Branco, na região Oeste do estado.
(Do Portal Vermelho)

No Brasil, intolerância religiosa nega e tenta inibir cultura mestiça

Formalmente, o Brasil é visto como um país de paz religiosa. Este consenso ideológico, no entanto, é desafiado quando observamos religiões sendo, cotidianamente, discriminadas por adeptos de outros grupos religiosos e excluídas das políticas públicas do Estado. Neste contexto, religiões de ancestralidades africanas são os mais frequentes alvos, indicando que a intolerância religiosa é, sim, uma questão a enfrentar grandes desafios na sociedade brasileira.
País mestiço de partida, o Brasil abriga religiões cujas fronteiras se tocam e avançam umas sobre as outras, num notório sincretismo entre doutrinas, tradições e ritos. Neste caldo cultural e religioso, diversos conflitos de poder se instalam, cujos principais agentes ativos de ataques e enfrentamentos são religiosos de referências neopentecostais, aderindo a práticas de exorcismo e tipificações do mal como demoníacas.
Para discutir o assunto, a Adital entrevistou, com exclusividade, o psicólogo Rafael Oliveira Soares, doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pesquisador das populações afro-brasileiras. Ele é também diretor-executivo da Koinonia, entidade ecumênica que presta serviços aos movimentos sociais e é composta por pessoas de diferentes tradições religiosas.
O cientista social destaca que é um movimento comum no convívio entre culturas as migrações de pessoas entre grupos, religiosos ou não, gerando novas visões e expressões de sua fé. Porém, práticas religiosas fundamentalistas imporiam, pelo medo ou pela lógica de resultados, que há migrações incompatíveis, negando a cultura. Isto deságua, primordialmente, em religiões nascidas da mescla com elementos da África. De acordo com Rafael, aos embates de contexto religioso, associam-se o racismo e o preconceito, que figurariam como “instrumentos sociais de segregação de toda a sorte, especialmente da contínua redução das religiosidades dos negros e de suas herdeiras em ações do mal, ‘negras’ na magia, nas intenções e na fé”.
Nesse cenário, o Estado reconhece, de fato, a diversidade religiosa do país, mas não de direito. Uma discrepância no respeito às religiões prossegue em espaços e instituições que, ao contrário, deveriam zelar pela pluralidade de religiões e garantir sua proteção por meio de políticas públicas de diversos aspectos. Para Rafael, o Estado não admite, oficialmente, dialogar e estabelecer relações formais com religiões de ancestralidade africana.
O Brasil é composto por uma grande diversidade de expressões religiosas, que são todas partes da nossa cultura. Podemos dizer que essa pluralidade é reconhecida pela população?
Há diversas abordagens para essa questão. Em geral, pessoas da população, se perguntadas sobre a aceitação de todas as religiões, tendem a responder positivamente, haja vista o consenso ideológico de que somos um país de paz religiosa. Mas a realidade diverge disso. Em geral, esse mito de paz se reproduz como verdade, quando vemos promoções de eventos inter-religiosos. Ninguém gosta, diria eu, jocosamente, de sair mal na foto, nem mesmo os fundamentalistas mais arraigados. Mas esse é outro capítulo.
No entanto, a questão muda completamente de figura quando se pensa a convivência da diversidade a partir dos conflitos existentes no Brasil. Notoriamente, entram em cena em diversos conflitos, como agentes ativos, os religiosos de matriz neopentecostal — e digo assim porque, depois de mais de 30 anos, quase 40, de neopentecostalismo no Brasil, este já ganhou ares de uma matriz religiosa repetida em muitas vertentes eclesiais, tradicionais protestantes e evangélicas ou não.
A nosso ver, o neopentecostalismo começa como uma reforma dentro dos adeptos da Umbanda e não dentro do mundo evangélico. Que assim, ligeiramente, poderíamos explicar como uma religiosidade que, e a partir de um certo ponto, decidiu aderir ao exorcismo e à tipificação de toda aparência do mal como demoníaca — para isso, as fontes bíblicas e da cultura evangélicas estavam à mão para este fim. Reforma dentro da Umbanda, nesse sentido de que a Umbanda aceita que manifestações do mal podem ser acolhidas, tratadas, curadas e encaminhadas para uma vida melhor.
E um neopentecostal, acreditando nas mesmas coisas que um umbandista, rejeita a busca do equilíbrio entre o bem e o mal e cria sua versão de caricatura de demônios e eleva o exorcismo ao status de focal do seu fundamentalismo. Não é por acaso, então, que a negação das religiões de matriz afro-brasileira passe a ser a generalização e a própria identificação do mal por parte dos neopentecostais — saindo de um momento inicial da demonização de alguns seres encantados (orixás, inquices, voduncis, caboclos, entidades, conforme a tradição ou a nação) para a identificação de todas as manifestações de matriz africana como seres do mal.
Mutação esta esperada de um processo fundamentalista que se expande, mas também consequência de um crescimento das igrejas no mercado de fiéis, prioritariamente devotos que admitem, em sua visão de mundo, que o universo está habitado por encantados, os devotos de uma religiosidade de matriz africana principalmente ou simplesmente um brasileiro comum, formado em uma cultura que admite a existência de todas essas manifestações religiosas.
Essas reflexões colocam em perspectiva o que é cultural e o que não é.
Os instrumentos acessados pelos neopentecostais para a dinâmica do conflito estão presentes no mundo evangélico, mas não só. Estão presentes na cultura e não foram inventados pelos evangélicos. Trata-se de uma herança colonial, derivada da dominação de Estado feita pelo catolicismo. As formas de dominação latino-ibéricas, ao contrário das colonizações anglo-saxãs, não negaram nem os deuses nem a religiosidade dos colonizados, a lógica sempre foi da apresentação de um deus maior e vitorioso sobre todas as religiosidades e entidadesque habitam a colônia. Enfim: nada de novo em relação ao modo de guerra que estabelecem os neopentecostais.
Por último, e mais importante, na mesma cultura nasceu e sobrevive o racismo e o preconceito, instrumentos sociais de segregação de toda a sorte, especialmente da contínua redução das religiosidades dos negros e de suas herdeiras em ações do mal, “negras” na magia, nas intenções e na fé.
O sincretismo religioso do nosso país também desafia as fronteiras entre as religiões. De que maneira isso se expressa na convivência entre os grupos religiosos?
Há dois tipos de sincretismo. Aquele que a convivência entre as pessoas produz, como forma de compartilhar crenças, e aquele que se expressa nas relações de poder. O Brasil está mais eivado do segundo tipo, herdeiro de jogos de poder. Mas há uma tradição não planejada, de fazer o sincretismo refletido — ainda que a força tenha sido sua origem. Exemplo de sincretismo refletido é a própria constituição do Candomblé. Trata-se de uma religião de fontes africanas reinventadas aqui, na convivência com indígenas e com uma diversidade de africanos de diferentes nações, incorporando, inclusive, alguns elementos dos africanos muçulmanos trazidos para cá.
Outro exemplo é a tradução das características de santos católicos para as de entidades africanas — ressalto o tema das qualidades de cada um, pois isso é mais do que simplesmente ocultar a entidade africana e seus fundamentos em um santo do pau oco qualquer, para evitar a repressão, o santo católico foi escolhido, de forma refletida, para representar por similaridade o panteão africano.
Sobre fronteiras e o sincretismo que se produz sem conflitos, é bom lembrar que é necessária uma ampla aceitação da cultura brasileira, o que não é o caso dos missionários evangélicos que vieram para o Brasil. Sua tradição é a de negar a cultura, converter e não conviver, “a la colônias anglo-saxãs”. Isto é o que nos faz dizer que o neopentecostalismo não é herdeiro dessa tradição evangélica, porque ele não nega a cultura, apenas elenca aspectos que devem ser demonizados.
Já a Umbanda nasce de anos de sincretismo entre origens afros, religiosidades indígenas, kardecistas e outras a depender, com a vocação de ser a religião brasileira, conformada nos anos de 1930, no calor do nacionalismo vigente à época.
Nesses contextos, é natural que haja migrações de pessoas entre grupos que compartilham a mesma visão de mundo e isso ocorre muito, inclusive, entre expressões afro-brasileiras e ibérico-católicas, de certo modo isolando os evangélicos que ainda insistem em negar a cultura — o que não é o caso dos neopentecostais. O fundamentalismo não é barreira para a busca de migrações, mas impõe, pelo medo ou pela lógica de resultados, que há migrações incompatíveis e, é claro, falamos das religiões de matriz africana.
E pelo Estado? A diversidade religiosa é reconhecida de fato e de direito?
O Estado reconhece de fato, mas não de direito. Há uma discrepância original oriunda do século XIX, pelo menos, que deixou para a Igreja Católica (Icat) ares ou o status de religião oficial. Além disso, uma naturalização do Cristianismo como religião nacional e oficial em todos os espaços de função pública do Estado. Mas o pior está na falta de reconhecimento do mesmo direito para todas as religiões. Apenas para dar um exemplo, a imunidade fiscal, em geral, é aplicada à Icat, com alguns casos evangélicos oriundos de lobbies políticos, e uma grande ausência de tal reconhecimento para outras religiões — na maioria dos municípios, cobra-se Imposto Territorial Urbano de casas de religiões de matriz africana, o que não ocorre para a Icat e outros cristãos.
Há hierarquias/favorecimento/discriminação no trato com cada religião? Como isso se dá?
Além do já exposto acima, há os empecilhos ao atendimento religioso em hospitais, a falta de proteção a rituais funerários, também com impedimentos em cemitérios, fora o fato de que o Estado não admite, oficialmente, dialogar e estabelecer relações formais com religiões de matriz africana, exigindo que se constituam em associações civis.
O que pode ser considerado “intolerância religiosa”?
Desrespeito à liberdade de expressão, proibições de uso de vestimentas rituais em público, agressões físicas a pessoas e a monumentos religiosos, além do uso indevido de símbolos de outra religião com o fim de desmerecer, condenar ou mesmo demonizar a mesma.
Que diferenças há entre a intolerância religiosa no âmbito ideológico e no âmbito político?
No âmbito ideológico, estão a conformações do universo de compreensão do outro sobre o divino, sobre o sagrado, como em si erradas e passíveis de condenação, segundo os critérios de outras religiões. Em nível político, as questões se colocam basicamente no aspecto da igualdade de direitos, reconhecida e protegida pelo Estado (vide questão anterior), nos três poderes — fato raro no Brasil, haja vista, por exemplo, as bancadas no Congresso Nacional.
Há práticas de perseguição religiosa hoje no Brasil? Como ela pode se manifestar na contemporaneidade?
Infelizmente, já iniciamos esta entrevista apontando para o olhar sobre os conflitos, como necessário. Assim sendo, as diferentes formas de estruturas de conflito têm em foco, principalmente, os neopentecostais como autores. Avançando fortemente contra as religiões de matriz africana e também aumentando os casos de agressão a católicos e suas igrejas locais.
Não se pode imaginar que o foco da perseguição ou agressão seja diretamente ordenado pelos pastores em suas pregações, mas as consequências são quase que inevitáveis. Um pastor não manda que se quebrem os templos e os símbolos de outrem, mas a reiterada identificação dos outros como demônios leva a que membros mais exaltados tomem em suas próprias mãos a extirpação da fonte dos demônios.
Some-se a esse quadro outro, de caráter mais geral, quando se assimila exemplos relacionados com direitos sexuais, que acabam por gerar violência dupla, por intolerância religiosa e por, por exemplo, homofobia. O estado contemporâneo das religiosidades passa por essa fronteira crítica, dos fundamentalismos, que negam o outro. Se não buscarmos formas de superá-lo, podemos chegar à barbárie religiosa ou a um câncer social sem volta.
Quais tipos de religião mais sofrem de intolerância e perseguição no Brasil?
As religiões de matriz africana são as que mais sofrem perseguição e intolerância, com os casos recentes aumentados de agressões contra muçulmanos em janeiro (motivados pela questão do assassinato de profissionais da revista Charlie Hebdo, em Paris) e imagens e templos da Igreja Católica. Se tomarmos mais o ponto de vista ideológico, aí devemos ampliar para judeus, Fé’Bah’aí e Hare Krishna, todos estigmatizados pela história, com destaque para os judeus.
Ainda há falta de informação/preconceito entre a população sobre as inúmeras religiões que estão presentes no país? Esse desconhecimento sobre as variadas religiões seria uma questão ideológica?
Há pouca formação e não produção de informação. Digo que, no plano educacional, tanto informal-popular como no âmbito formal-escolar, temos uma grande lacuna. Há problemas ideológicos, sim, mas de caráter de representação a fé de cada, deixadas à mercê da maioria ideológica que se impõe à minoria. Nesse sentido, a intervenção do Estado no plano educacional é fundamental, focando-se nos ditames da Constituição e garantindo o pleno exercício e visibilidade das minorias numéricas. Infelizmente, a Constituição não foi respeitada nos Estados do Rio de Janeiro e Bahia, que adotaram o ensino confessional nas escolas.
Como avalia a atuação do Estado brasileiro hoje com relação à intolerância religiosa?
Muito lento e burocratizado. Há melhoras com o Disque 100, da Secretaria Nacional de Direitos humanos, e há o caso ímpar do Estatuto da Igualdade Racial e contra a Intolerância Religiosa na Bahia. O Estado deveria configurar e desenvolver um Plano Nacional de Superação da Intolerância Religiosa, envolvendo, além da educação, saúde, direitos humanos e os setores fiscais e de formação de todos os quadros do Estado sobre o tema, no mínimo, em todos os níveis federal, estadual e municipal.
Há políticas públicas no país que contribuam para avançar na questão? Quais?
Muito pouco, como já citamos, e referências à Política Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, que atentam para as religiões de matriz africana.
Quais são as lacunas dessas políticas?
A nosso ver, é o amplo despreparo dos quadros do Estado para aplicá-las, além, é claro, da presença do preconceito nessas pessoas que, ainda que saibam, não aderem ao respeito ao outro.
Por um longo período da história brasileira, as religiões e práticas religiosas que contêm elementos africanos foram perseguidas e criminalizadas no país — pelo Estado e por outros grupos religiosos. Como está essa realidade hoje?
Comentamos esse tema acima, e acrescentamos aqui que há casos de morte por agressão por intolerância no Brasil. Veja aqui.
Quais os avanços nessa questão? Que problemas ainda temos de superar no respeito esses religiões em específico?
Não há muitos avanços se não considerarmos os movimentos sociais de combate à intolerância, que vêm reproduzindo diferentes mobilizações por direitos em níveis municipais e estaduais, com caminhadas, seminários, participações em outras movimentações da sociedade civil. Esse movimento social tem conseguido algumas conquistas. Por exemplo: no Rio Grande do Sul, com um Conselho da Diversidade Religiosa, e no Estado do Rio de Janeiro, com uma Política Estadual de Combate à Intolerância Religiosa já elaborada, aguardando sanção governamental, e também as políticas setoriais na área de saúde no Estado de São Paulo, com o GT [Grupo de Trabalho] Religiões.
Há uma diversidade de problemas a superar ainda, e já citamos a formação e educação do Estado. Os mais críticos são de caráter cultural, são muito graves, porque levaram séculos de elaboração, em um caldo de preconceitos, dominação cristã e racismo. A superação desse quadro exige um esforço de diálogos a longo prazo, convivências entre diferentes e ações para fazer o Estado cumprir seu papel, nem que seja às expensas de atos do Ministério Público.
Recentemente, um caso que chamou a atenção no Estado do Ceará foi a formação de grupos de jovens em programa intitulado “Gladiadores do Altar”. Eles marcham, batem continência e gritam estarem “prontos para a batalha” durante culto na Igreja Universal do Reino de Deus. O caso foi interpretado por alguns como a formação de “milícias” pelo “fundamentalismo religioso”. Como lidar com isso?
A mobilização de religiosos e religiosas junto à sociedade civil teve como acolhida, no Rio de Janeiro e na Bahia, uma ação do Ministério Público para investigar e acompanhar esse movimento no interior da Igreja Universal do Reino de Deus – Iurd. O receio das religiões de matriz africana baseia-se nos diversos atos sofridos de agressões por neopentecostais, cuja Igreja Universal do Reino de Deus é uma das maiores, senão a maior.
Fala-se de investigar, pelos mesmos motivos que apresentamos, de que a oficialidade de uma igreja vai negar que tenha promovido atos de violência e que tais possíveis atos seriam individuais ou de grupos não autorizados. Mas as imagens dos tais guardiões e um futuro próximo de possíveis agressões não podem ser descartados. Outrossim, é a primeira vez que o belicismo de aparência fascista toma corpo em uma igreja, a Iurd, com forte potencial para a guerra religiosa. Isso só facilitará a responsabilização da instituição caso haja casos..
Moções e ações do Ministério Público não são suficientes, mas devem ser buscadas, pois, afinal, as religiões de matriz africana não têm sido contadas entre as maiorias religiosas, mas não se pode negar que são parte da maioria que construiu nossa cultura brasileira.
(Da Rede Brasil Atual)

Dia de Luta no DF: insatisfação e indignação contra retrocesso

Servidores públicos do GDF, terceirizados que prestam serviço em órgão públicos distritais, e diversas outras categorias de trabalhadores da cidade e do campo manifestaram, nesta sexta-feira (29), repúdio às tentativas de retrocesso e retirada de direitos feitas pelo governo federal e pelo governo local. A ação, realizada na Praça do Buriti, marca o Dia Nacional de Luta e Paralisação no DF, chamado pela CUT, e integra a programação do 13º Cecut Brasília, que estará sendo realizado até saábado (30), na sede da Contag, no Núcleo Bandeirantes.IMG_7107

Em Brasília, além de rebater as medidas provisórias 664 e 665 – que restringem e dificultam o acesso a direitos como seguro desemprego, seguro-defeso e pensão por morte – e o restante da política de ajuste fiscal e de arrocho orçamentário do governo federal; o PL 4330, que libera a subcontratação indiscriminada em todos os serviços; e defender o fim do financiamento privado de campanha eleitoral, pautas de âmbito nacional, a classe trabalhadora brasiliense também protestou contra os anúncios de mudanças drásticas na previdência do funcionalismo local e o corte de 20% nos contratos de serviços com empresas terceirizadas, o que já vem provocando desemprego em massa dos trabalhadores subcontratados.

“Baseada nos seus princípios de autonomia e independência perante governos e partidos, a CUT sempre fez a luta de forma intransigente e defendeu a classe trabalhadora. Foi assim em janeiro, quando os demais agrupamentos sindicais aceitaram a proposta do governo Rollemberg, e a CUT ficou sozinha fazendo a luta para não permitir o parcelamento de salários e direitos de servidores públicos. Daremos prosseguimento a este protagonismo e não deixaremos que desrespeitem a classe trabalhadora”, disse o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Brito, durante o ato na Praça do Buriti.

Britto afirmou que propôs o agendamento de uma reunião com o GDF para tratar dos abusos cometidos contra os trabalhadores terceirizados que prestam serviço em órgãos públicos locais, que não receberam os reajustes firmados no último acordo coletivo da categoria ou não estão com IMG_7046pagamentos em dia. “O GDF também é responsável pelo cumprimento dos acordos e convenções coletivas dos trabalhadores. Existe uma coisa chamada responsabilidade social, e não dá para o governo se esconder e imputar apenas às empresas contratantes a responsabilidade em relação aos terceirizados. Ele não pode se manter omisso e deixar que trabalhadores percam seus empregos”, avalia o presidente da CUT Brasília.

De acordo com o dirigente da CUT Nacional, Jacy Afonso, o Dia Nacional de Luta apresenta para todo o Brasil a insatisfação da classe trabalhadora aos ataques neoliberais. Ele afirma que, neste cenário, a CUT tem que reafirmar seu princípio de autonomia a governos e partidos e manter a luta em defesa da classe trabalhadora. “Indicamos o voto à presidenta Dilma, mas isso não significa que nós temos que aceitar todas as propostas do governo. A presidenta Dilma e o seu ministro da Fazenda, Levy, estão equivocados ao optar por uma política econômica recessiva. E a CUT, pela sua autonomia, está fazendo manifestações e greves contra o governo, contra essas medidas e contra o Congresso Nacional, que quer precarizar a legislação trabalhista. Se for necessário, nós faremos uma greve geral contra a política econômica e contra a precarização”, avisa o dirigente CUTista.

Unidade na luta

As medidas neoliberais tanto do governo federal, como do local, atingem toda a classe trabalhadora. Em um exemplo de unidade, participaram do Dia Nacional de Luta e Paralisações do DF trabalhadores comerciários, jornalistas, hoteleiros, técnico-administrativos da UnB, professores, terceirizados, instruIMG_7078tores de auto-escola, bancários, intérpretes de libras, bancários, servidores de autarquias.

Os professores das escolas públicas do DF, que paralisaram totalmente as atividades nesta sexta-feira (29), avaliaram que a efervescência da classe trabalhadora é consequência da arbitrariedade e autoritarismo do governo local. “O GDF optou trabalhar em um clima de ameaça. Por isso, avaliamos que a responsabilidade de tantas paralisações e de tanta mobilização por parte dos professores é do governo. Por nós, estaríamos agora nas escolas, dando aula, recebendo nossos alunos normalmente, mas infelizmente o governo local não nos deu essa opção”, criticou a dirigente do Sindicato dos Professores do DF – Sinpro-DF, Rosilene Correa.

“Essa foi uma amostra do que podemos fazer. Se o governo desmerece a nossa categoria, desrespeita os trabalhadores terceirizados, vamos mostrar aIMG_7098 falta que fazemos nos hospitais, nas escolas, nos órgãos públicos. Somos trabalhadores comode qualquer outra categoria, e merecemos respeito e dignidade”, protesta a presidente do Sindserviços, que representa os trabalhadores terceirizados do DF, Maria Izabel Caetano.

Para o dirigente da CUT Brasília e do Sindser-DF, que representa os servidores de autarquias, fundações e empresas públicas e sociedade de economia mista, Andre Luiz da Conceição, o atual governo tenta soterrar as conquistas alcançadas pelos trabalhadores nos últimos anos. “Várias categorias de servidores do GDF estavam com a expectativa de garantir a implantação dos planos de carreira, reestruturação de carreira, programa de valorização do vale alimentação, mas os anúncios do governo frustraram essas expectativas. Iniciamos o ano com várias manifestações e mobilizações e a tendência é intensificar a luta para consolidarmos a unificação das categorias e fazermos um contraponto ao governo”, afirma André Luiz.

Já os trabalhadores jornalistas, presentes ao ato no Buriti, têm como principal preocupação a aprovação do PL 4330. “O Sindicato dos Jornalistas já enfrenta a terceirização, quarteirização e pejotização e os efeitos nefastos delas. Então, a gente tem vivenciado na pele como as empresas terceirizadas violam direitos, desrespeitam a legislação, desrespeitam as convenções coletivas. Isso sendo estendido para a área-fim, se consolidará um ataque aos direitos e uma precarização sem precedentes. Temos também o debate das empresas públicas de comunicação, como é o caso da EBC, onde os trabalhadores lutam para que a terceirização não passe”, contextualiza o dirigente do Sindicato dos Jornalistas, Jonas Valente.

O repúdio ao PL 4330 também é bandeira de luta dos trabalhadores comerciários. “Os deputados que querem dar golpe nos trabalhadores não ficarão impunes. O Congresso Nacional hoje representa para nós não mais que uma quadrilha de empresários que está lá simplesmente para roubar a classe trabalhadora. E nós vamos resistir, não vamos deixar que roubem nossos direitos”, alertou Francisco Luiz Saraiva, dirigente da Confederação dos Trabalhadores do Comércio e Serviços – Contracs.

Na Esplanada dos Ministérios, servidores públicos federais no DF também realizaram ato, tendo como pauta principal a política de ajuste fiscal adotado pelo governo federal, nomeado pela categoria como Plano Levy. A manifestação foi realizada em frente ao Ministério da Fazenda.

Fonte: CUT Brasília

Sindicatos e movimentos sociais protestam contra PL 4330 e pauta conservadora

Manifestações, paralisações, ocupações de terra e de prédios públicos, travamentos de avenidas e rodovias ocorrem nesta sexta-feira (29) em todo o país como parte das mobilizações iniciadas em março, em defesa dos direitos sociais e da democracia e em protesto contra as Medidas Provisórias 664 e 665, o ajuste fiscal e, com mais ênfase, contra o Projeto de Lei 4.330, de 2004, que libera a terceirização em todas atividades realizadas pelas empresas. O PL aprovado na Câmara tramita agora no Senado com o nome de PLC 30. “Nós precisamos dar um basta nisso. E dar condições para que a agenda vitoriosa que foi eleita com a presidenta Dilma seja aplicada no Brasil”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas.
Centrais sindicais e movimentos sociais avaliam que o PL da terceirização liquida com a organização sindical e vai reduzir salários e aumentar a carga horária dos trabalhadores, conforme aponta estudo elaborado pela CUT. O projeto foi defendido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e pelo presidente licenciado da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP).
“Esse projeto 4.330 rasga a CLT. Queremos que os 12 milhões de terceirizados sejam regulamentados. Mas o projeto não fala disso. O que ele fala é de precarizar e desregulamentar os outros 37 milhões de trabalhadores que têm carteira assinada”, afirmou Freitas.
As MPs 664 e 665 fazem parte do ajuste fiscal proposto pelo governo da presidenta da República Dilma Rousseff e também são consideradas danosas aos trabalhadores. A primeira muda as regras para a concessão do auxílio–doença e pensão por morte e a segunda dificulta o acesso ao abono salarial e ao seguro–desemprego. Os ajustes fiscais promovidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, contemplam um corte de R$ 69,9 bilhões em gastos no orçamento de 2015, afetando todos os ministérios.
“Ajuste fiscal é com taxação das grandes fortunas, com a auditoria da dívida pública, com reforma tributária. O enfrentamento da corrupção precisa ser feito com o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais. E não penalizando os mais pobres”, defendeu o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos.
Em São Paulo, as mobilizações começam ainda de madrugada. A partir de 3h, os motoristas e cobradores de Sorocaba, Guarulhos, São José dos Campos, Jacareí e do ABC paulista vão parar os ônibus urbanos e de turismo. Metalúrgicos de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, químicos e bancários de São José dos Campos, químicos de Osasco e diversas categorias de Campinas também vão paralisar atividades amanhã. Veja a relação completa de atos ao fim do texto.
Nas estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) haverá panfletagem sobre o ajuste e o projeto da terceirização. Avenidas e pontes serão bloqueadas a partir das 6h. Sindicatos e movimentos sociais também vão realizar atos nas cidades da Baixada Santista e travar rodovias, entre elas: Raposo Tavares, José Ermírio de Moraes – conhecida como Castelinho –, Castelo Branco, Anhanguera, Anchieta e Imigrantes.
Na região central da capital paulista, a partir das 7h, manifestantes vão parar o Terminal Bandeira e, depois, seguirão em caminhada pelas avenidas Santos Dumont e do Estado até o Terminal Parque Dom Pedro II. Os bancários também vão paralisar atividades em diversas regiões da capital e da região metropolitana.
O MTST vai ocupar agências e superintendências da Caixa Econômica Federal em vários pontos da capital e da região metropolitana de São Paulo, e também do Rio de Janeiro, Ceará, Tocantins e em Goiás, para reivindicar também o lançamento da terceira versão do programa Minha Casa Minha Vida. Já o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), junto a outros grupos, vai realizar ocupações de terra e manifestações em rodovias de várias cidades do país.
“Lutamos também contra os mais de 50% de cortes feitos ao Ministério da Agricultura por conta dos ajustes fiscais. Lutaremos para que os Sem Terra não paguem a conta de anos de privilégios, através de investimentos e financiamentos ao agronegócio”, afirmou a coordenadora nacional do MST Kelli Mafort.
A partir das 17h todos os movimentos e centrais envolvidos no Dia Nacional de Paralisação vão realizar uma grande manifestação na praça da República, no centro da capital paulista.
Entre as organizações que vão realizar atos amanhã estão sindicatos ligados à CUT, CTB, CSP-Conlutas, CSB, Intersindical e Nova Central, o MTST, o MST, o Movimento dos Atingidos por Barragens, Levante Popular da Juventude, Psol e o PSTU.
(Da Rede Brasil Atual)

Perguntas e respostas para entender a crise no Paraná

Submerso em uma crise política, financeira e ética, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), assiste há 30 dias a uma greve de professores marcada por uma repressão violenta e é ameaçado pornovas denúncias de corrupção em sua campanha eleitoral.
Somado a isso, na segunda-feira 25 um grupo de juristas e professores universitários entregou à Assembleia Legislativa um pedido de impeachment. Entenda a crise em curso hoje no Paraná,os principais atores envolvidos e o que pode vir acontecer com o governo tucano.
Qual é o tamanho da crise no Paraná?
O Paraná vive uma crise financeira sem precedentes. A dívida vencida com fornecedores supera 1,6 bilhão de reais. Para cobrir o rombo, o governador reeleito,Beto Richa (PSDB), tomou uma série de medidas que pesaram no bolso dos paranaenses. Elevou as taxas do IPVA em 40% e aumentou a alíquota do ICMS de 12% para 18% ou 25% em mais de 95 mil itens.
Mexeu ainda no fundo de previdência dos servidores, transferindo um saldo superavitário de 8,5 bilhões de reais para o caixa do governo. O resultado pode ser mensurado pelo índice de inflação no Paraná ─ o maior do Brasil. Segundo o IBGE, em abril, enquanto a média nacional foi de 0,71%, no Paraná a taxa ficou em 1,46%.
Qual é a responsabilidade de Beto Richa nessa crise?
Além dos aumentos excessivos, sua primeira gestão foi ruim em diversas áreas. Na segurança pública, chegou a faltar dinheiro para abastecer as viaturas policiais. PMs foram flagrados nas ruas empurrando carros sem combustível. Em 2014, aconteceram mais de 20 rebeliões em presídios.
A saúde enfrentou sérios problemas: não foi construído um único hospital público em quatro anos. O mesmo se repetiu na educação. Enquanto isso, o governo estourou o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal em função dos aumentos de salário para os cargos comissionados. Nos quatro primeiros anos de governo, o índice de reajustes para os comissionados foi de 349%.
Por que os professores estão em greve?
No projeto enviado à Assembleia Legislativa em fevereiro, Richa propôs o fim de 2,2 mil turmas, principalmente nas áreas rurais, a dispensa de 33 mil servidores temporários, a subtração de uma série de direitos incluídos no Plano de Cargos e Salários da classe e a transferência de 8,5 bilhões de reais da previdência dos servidores para o caixa do governo.
Agora, o governo não quer conceder o reajuste da data-base de 8,1%, de acordo com o IPCA de maio. Propôs 5%, parcelados em duas vezes. Os professores não aceitaram e mantém a greve que já dura quase 30 dias.
Os problemas afetam só os professores?
Não. As medidas atingem todos os paranaenses, mas os servidores sentem mais. O reajuste vale para todos os funcionários públicos. Outras categorias (educação, saúde, agricultura, meio-ambiente, universidades estaduais e agentes penitenciários) começam a engrossar o movimento.
O que aconteceu naquele dia em que mais de 200 pessoas ficaram feridas?
Os professores pressionavam os deputados estaduais a não votar o projeto do Executivo que tratava da questão previdenciária. O número de manifestantes era pequeno, de 6 a 8 mil pessoas. Na ocasião, mais de 2.500 policiais militares, armados com balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio, gás de pimenta e cães, atacaram os manifestantes. Parte da tropa era composta por militares vindos do interior às pressas. Eram policiais de cidades pequenas, totalmente inexperientes e despreparados para enfrentar aquela situação.
Alguém foi punido pelos excessos?
Até o momento os secretários de Segurança, Fernando Francischini, da Educação, Fernando Xavier, e o comandante da Policia Militar, César Kogut, foram demitidos.
Qual é o quadro político no Paraná?
Richa cooptou setores do PMDB e do PDT em troca de favores políticos e, por enquanto, mantém uma base de apoio. No entanto, o desgaste do governo faz que com que essa situação tenha contornos diferentes de quatro meses atrás. Em janeiro de 2015, o bloco de oposição não somava mais do que sete votos na Casa. Na votação das mudanças na previdência, foram 21 votos contrários.
Beto Richa tem apoio do PSDB?
Sim. O governador tem o controle da executiva estadual do partido. A queda de braço pela disputa partidária é com o senador Álvaro Dias, mas Richa tem pleno controle da situação.
O PT e a presidenta Dilma Rousseff têm influência no Paraná?
Dos 54 deputados que integram a Assembleia Legislativa, apenas três são do PT. Em 399 municípios, o partido elegeu 41 prefeitos ─ a maioria em municípios com menos de 30 mil eleitores. O partido, como a presidenta Dilma, sofre o desgaste político pela conjuntura nacional. Assim, a influência de ambos é muito pequena nesse momento.
Qual a posição do prefeito de Curitiba?
O prefeito Gustavo Fruet (PDT) mantém-se alheio às discussões. Em 2012, foi eleito numa coligação com o PT, que indicou a candidata a vice Miriam Gonçalves. Seu ato de maior envolvimento com os fatos que marcam a crise foi transformar o hall de entrada da prefeitura de Curitiba num imenso pronto-socorro no dia em que os policiais atiraram nos manifestantes.
Qual a posição do senador Roberto Requião?
O senador Roberto Requião é um crítico contumaz do governo tucano. Na convenção do seu partido, em 2014, impôs uma derrota ao governador Richa e aos seus adversários internos que defendiam uma coligação com o PSDB. Disputou a eleição para o governo como candidato do PMDB, mas foi derrotado.
Quais devem ser os próximos capítulos desta crise?
Ainda é cedo para qualquer diagnóstico eleitoral visando 2018. A única certeza é que o desgaste do governador Beto Richa é enorme, sem paralelo na história política do Paraná. Em dezembro, 64% dos eleitores paranaenses apoiavam seu governo, mas, em fevereiro, antes de eclodirem as denúncias de corrupção e dos excessos contra os professores, sua rejeição era de 76%. Os candidatos a prefeito de Curitiba que até então brigavam por seu apoio, recuaram. O mesmo deve acontecer em outros municípios do interior do Paraná.
O movimento “Fora Beto Richa” tem força real?
Será preciso aguardar o resultado final das investigações promovidas pelo Ministério Público. Até então, o que havia eram denúncias com evidências de corrupção. Nos últimos dias, um dos auditores presos pelo Gaeco, Luiz Antonio de Souza, em acordo de delação premiada com o MP, afirmou que a campanha para reeleição de Richa recebeu 2 milhões de reais oriundos de recursos extorquidos de empresários e que todo esse esquema de arrecadação era de conhecimento da cúpula tucana.
Souza apresentou ainda uma nota fiscal da compra de material de campanha que não foi declarada à Justiça Eleitoral, o que comprovaria a existência de Caixa 2. Um grupo de sete parlamentares já impetrou na Procuradora Eleitoral o pedido para instauração de inquérito pela Policia Federal.
Qual a posição da Assembleia Legislativa?
O governador ainda mantém o apoio da maioria dos deputados. No entanto, após a repressão violenta dos professores e a negativa em conceder o reajuste de 8,1% aos servidores, Richa viu sua base encolher. Alguns parlamentares que ainda votam com o governo já admitem não aprovar um reajuste menor que o exigido pela data-base, ou seja, de 8,1%.
O pedido de impeachment protocolado por juristas, professores universitários e que conta com mais de 6 mil assinaturas, tem chances reais de acontecer?
A medida está fundamentada na ação da polícia militar contra os professores, ocorrida em 29 de abril, quando mais de 200 servidores foram feridos por bombas de gás lacrimogêneo, pimenta e balas de borracha. Como se trata de um processo político, protocolado junto à presidência da Casa que conta com uma maioria absoluta de parlamentares da sua base de apoio, neste momento as chances da ação ser votada em plenário são pequenas. O presidente da AL, aliado do governador, pode optar pelo arquivamento da matéria.
Mas Richa sofre um enorme desgaste político. Ou seja, à medida que surgirem novas denúncias contra o governo, somada a pressão da sociedade organizada, a base de apoio pode enfraquecer ainda mais. O desenrolar desse processo depende fundamentalmente da pressão popular, que fatalmente irá repercutir no plenário da Assembleia Legislativa.
Por onde anda o primo de Richa que foi preso por corrupção?
Luiz Abi Antoun, o primo de Richa, está em prisão domiciliar por força de um habeas corpus. Nega ter sido favorecido em casos de licitações fraudulentas, assim como sua influência na escolha de amigos para ocupar cargos no governo do Paraná. Mas já foi indiciado como réu pelo Ministério Público. O delator Luiz Antônio de Souza reiterou que Abi está envolvido em todo esse processo de corrupção.
O governador está envolvido em mais algum caso de corrupção ou algo semelhante?
Não há nenhuma prova material ou documental que atinja o governador Beto Richa. A delação premiada do auditor, contudo, poderá trazer novidades. Uma denúncia anônima divulgada pela imprensa na última sexta feira, 22, incrimina a mulher do governador, Fernanda Richa, secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social.
Segundo essa versão, ela teria exigido 2 milhões de reais dos auditores fiscais da Receita Estadual para que o governador assinasse o decreto de promoção da classe. Ela, obviamente, nega. No entanto, em uma publicação do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná (Sindafep), de maio de 2014, a classe agradece “o empenho da esposa do governador Beto Richa (PSDB) e secretária da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, nas promoções de auditores fiscais da Receita Estadual”.
Como tem sido a cobertura da crise pela mídia paranaense?
A mídia age segundo os interesses políticos e econômicos. A Rede Massa, afiliada ao SBT, de propriedade do apresentador Ratinho, cujo filho é deputado estadual e secretário de estado, mantêm apoio incondicional ao governador Beto Richa. O mesmo acontece com a imprensa das cidades de pequeno e médio porte do interior, onde predomina a propaganda custeada por verbas oficiais. Em Curitiba, dois jornais diários ligados ao mesmo grupo empresarial dominam praticamente 100% do mercado, além de sete emissoras de televisão afiliadas da Rede Globo em todo o estado. A cobertura diária da mídia tem veiculado os fatos acontecidos, mas os espaços para o debate ou crítica dos problemas estruturais que afetam o Paraná é pouco relevante. Ademais, há uma guerra de bastidores entre os grupos SBT e s afiliada da Rede Globo pelas verbas do governo para a propaganda. A força política do deputado Ratinho Jr faz com que o bolo orçamentário influencie a linha editorialdo grupo RPC/Gazeta do Povo, afinal, por aqui, a fidelidade tem seu preço.
(Da Carta Capital)

Acessar o conteúdo