Câmara Legislativa debate PDE nesta sexta-feira (8)

A Câmara Legislativa do DF realiza na próxima sexta-feira, dia 8, uma audiência pública para debater o Plano Distrital de Educação (PDE).
Proposta pela Comissão de Educação, Saúde e Cultura da CLDF, a atividade está prevista para começar às 10h, no Plenário da Casa.
O Sinpro orienta a categoria a comparecer e participar, levando opiniões sobre as demandas da Educação no Distrito Federal.
Após aprovado pela Câmara Legislativa, o PDE – uma ferramenta de planejamento da educação, elaborada com base no Plano Nacional de Educação (PNE) – será transformado em lei, sendo aplicada no DF pelos próximos dez anos (2015/2024).
Compareça!

António Nóvoa: Aprendizagem não é saber muito

Um dos principais pensadores da Educação contemporânea fala do papel do professor diante dos novos contextos

A disponibilidade e a forma clara e simples como o português António Nóvoa, 60 anos, fala contrastam com seu currículo. Autor de mais de duas centenas de trabalhos científicos na área de História e Educação, é reitor honorário da Universidade de Lisboa e professor convidado em Colúmbia (Estados Unidos), Oxford (Inglaterra), Paris 5 (França), além de colecionar condecorações, como a da Ordem do Rio Branco, do Brasil. Fora as citações a outros pensadores e a segurança com que responde, seu discurso evoca para a sala de aula a recuperação do básico. “O professor tem de ajudar o aluno a transformar informação em conhecimento”, diz, resumindo em outro ponto que o bom profissional é o aquele capaz de “conseguir que, no fim, o aluno goste daquilo que, no princípio, não gostava nada”.
Para chegar a tanto, Nóvoa prescreve mudanças profundas na formação incial e continuada, maior participação da sociedade e que cada educador assuma seu papel de formador inclusive de si próprio e dos colegas. Em sua opinião, as novas tecnologias nos tornam personagens da terceira grande revolução da humanidade e é preciso “usar o potencial” delas, o que não substitui a necessidade de um bom professor.
Carta na Escola: Em uma sociedade da informação, em que quase tudo pode ser buscado em textos e vídeos. Qual o papel do professor?
António Nóvoa: O professor tem de ajudar o aluno a transformar a informação em conhecimento. O que define a aprendizagem não é saber muito, é compreender bem aquilo que se sabe. É preciso desenvolver nos alunos a capacidade de estudar, de procurar, de pesquisar, de seleccionar, de comunicar. Para isso, o professor é insubstituível.
CE: Apesar de termos no currículo disciplinas como Filosofia e Sociologia, é comum adolescentes reclamarem que a escola tem muito conteúdo e pouco espaço para pensar. Por que isso ocorre?
AN: A Filosofia e a Sociologia são fundamentais. Mas aprende-se a pensar em todas as disciplinas, das ciências às artes e às humanidades. É necessária uma pedagogia que coloque os jovens numa atitude de pesquisa, de procura, de resolução de problemas, em vez de lhes servir uma matéria já pronta e acabada. É inacreditável como, em pleno século XXI, ainda temos de repetir o que Montaigne já dizia no século XVI: é preciso ter uma cabeça bem feita e não bem cheia.
CE: Qual a prioridade, ensinar a pensar ou os conteúdos?
AN: Deve-se ensinar a pensar e a estudar. Mas isso não se faz no vazio. É preciso adquirir bases e fundamentos que nos permitam pensar e criar. Sabemos que o estímulo e a exigência desde a mais tenra idade criam bases e rotinas (de leitura, de cálculo, de pensamento) que nos libertam para outras aprendizagens. Dito de outro modo: quando as rotinas básicas são feitas “automaticamente”, a nossa atenção e energia podem concentrar-se noutras tarefas e atividades.
CE: Como o professor pode levar o aluno a pensar?
AN: Por exemplo, adotando os métodos da ciência: colocar problemas, fazer o diagnóstico, conhecer as diversas soluções, trabalhar com os outros, experimentar novas soluções, comunicar os resultados. Mas não era isso que Freinet propunha, há quase cem anos, quando falava de experimentação, criatividade, autonomia e cooperação?
CE: Quais evidências se vê na sociedade hoje de que a escola tem ou não ensinado a pensar?
AN: Muitas vezes, na Educação Básica, esquecemos que o conhecimento é a base da liberdade, da possibilidade de construirmos o nosso próprio percurso pessoal. Já na educação superior caímos, frequentemente, na tentação de formar “cultos ignorantes”, pessoas que sabem muito de certas áreas e nada das outras. Precisamos de novas concepções de educação. O modelo escolar, tal como o conhecemos, já não serve. A sala de aula, os quadros negros, os horários escolares rígidos, os professores a darem a matéria frente a uma turma de alunos, currículos, uniformes… Precisamos de uma outra pedagogia, a partir de duas ideias centrais: Primeira, construir um percurso individualizado e um acompanhamento próprio para cada aluno, permitindo que ele estude e trabalhe o conhecimento ao seu ritmo, no espaço escolar e noutros espaços e tempos, certamente em diálogo com os professores e os outros colegas. E segunda, assegurar uma forte participação dos alunos na vida da escola e também uma ligação mais forte com os espaços familiares e sociais, que vão adquirir nas próximas décadas uma maior importância na educação.
CE: Em que pontos as novas tecnologias ajudam e atrapalham os educadores em sua missão?
AN: Os educadores sempre tiveram resistências em relação às tecnologias por receio de que elas pudessem prejudicar o convívio e a proximidade entre as pessoas. A grande novidade dos últimos tempos é que as tecnologias se têm desenvolvido no sentido de facilitar a relação e a comunicação. Nesse sentido, contêm um importante potencial educativo, sem nunca substituírem “a educação de humanos por humanos para o bem da humanidade”, como diz Mikhail Epstein. Nenhum de nós ignora certos usos preocupantes das tecnologias, mas essa crítica não nos deve impedir de compreender a revolução que está em curso na forma como buscamos o conhecimento, como usamos o cérebro, como pensamos, como nos relacionamos e comunicamos, numa palavra, a revolução em curso na forma como aprendemos.
CE: Muitas pesquisas apontam para o uso de tecnologias para facilitar o trabalho docente ou para aumentar o interesse dos estudantes sobre um determinado tema. Como o senhor vê tais recomendações?
AN: Como diz Michel Serres, somos contemporâneos da terceira grande revolução na história da humanidade. A primeira, foi a escrita, há 6 mil anos. A segunda, foi o livro impresso, há 500 anos. A terceira é hoje, a revolução digital. As tecnologias fazem parte do dia a dia das novas gerações. Claro que têm de ser integradas na escola e nos processos de aprendizagem e que têm de ser objecto de uma reflexão profunda sobre a forma como devem ser utilizadas por professores e alunos.
CE: Uma corrente pedagógica acha que as escolas tem sido usadas com laboratórios de experiências. Em sua análise, quando uma política pública deve ser mudada para conseguir mais resultados de aprendizagem?
AN: É uma pergunta difícil. Por um lado, há muitos políticos que acham que basta fazer leis e reformas e não se apercebem que isto nada muda. Por outro lado, há a inclinação de muitos educadores para seguirem modas importadas daqui e dali. São duas tendências muito negativas, que, muitas vezes, transformam as escolas em laboratórios das políticas ou dos modismos. Mas é preciso manter nas escolas um trabalho de reflexão permanente, para ir encontrando as melhores soluções, os melhores caminhos. Nesse sentido, é impossível ser professor sem assumir uma atitude de experimentação, de procura, de inovação.
CE: Como o senhor vê as avaliações padronizadas aplicadas para que os conhecimentos entre estudantes, escolas, estados ou países possam ser comparados?
AN: São instrumentos muito pobres que pouco dizem sobre a vida escolar e o trabalho dos alunos. Mas não os podemos ignorar, por duas razões. Primeira, porque apesar da sua pobreza, têm uma grande visibilidade e podem ajudar a desencadear uma reflexão útil. Segunda, porque influenciam profundamente a maneira como a sociedade e os próprios alunos vêem a escola e os professores, o que é importante para a criação de um melhor ambiente educativo.
CE: Os professores reclamam da falta de formação para produzir aprendizagem? Como é possível preencher tal lacuna? Qual parte cabe a cada educador e quais outras a outras esferas?
AN: Tem de haver mudanças profundas na formação de professores. Na formação inicial, aproximando mais a universidade das escolas e das culturas profissionais, para que haja uma fertilização mútua entre a teoria e a prática. Na formação contínua, recusando formações por catálogos de cursos e instaurando processos de colegialidade e de cooperação nas escolas, em torno do trabalho pedagógico. Sim, ser educador é assumir também uma responsabilidade perante a nossa própria formação e perante a formação dos nossos colegas.
CE: Os professores também reclamam da falta de interesse dos estudantes pelas matérias. Até que ponto o professor é responsável pelo desinteresse e pode mudar esta realidade?
AN: Claro que pode. É isso que fazem os melhores professores – conseguir que, no fim, o aluno goste daquilo que, no princípio, não gostava nada. Conseguir que, depois do trabalho do professor, o aluno que não gostava de matemática passe a gostar de matemática. Mas, para isso, é preciso fazer também um trabalho de sensibilização no plano social, criando “territórios educativos” em que toda a gente se mobiliza para apoiar e valorizar as aprendizagens, como está a ser feito em municípios brasileiros.
CE: O Brasil vive um momento de propostas de reforma no Ensino Médio após mais de uma década de monitoramento de indicadores ruins. Entre as propostas estão agrupar disciplinas em áreas, flexibilizar o currículo e aumentar o tempo integral. O que o senhor acha?
AN: O Ensino Médio constitui, hoje, em todo o mundo, o nível mais problemático. Em muitos países, a escolaridade obrigatória alargou-se até aos 18 anos, mas temos dificuldade em saber exatamente o que fazer. Uma nova organização curricular parece-me uma medida acertada, bem como uma flexibilização do currículo. O tempo integral é importante, se não for para dar mais do mesmo, mas sim para construir novas dinâmicas de aprendizagem, de ligação à sociedade e ao trabalho.
Fonte: Carta Escola

CLDF promove debate sobre a Escola de Música de Brasília

 

A Câmara Legislativa do Distrito Federal promove nesta quarta-feira (06), às 10h, um debate sobre a manutenção e funcionamento da Escola de Música de Brasília. O debate será realizado na Sala de Reuniões das Comissões da CLDF e é aberta ao público.

Servidores e alunos da Escola de Música de Brasília exigem melhorias na escola, que apresenta diversos problemas em sua estrutura, além de muitos equipamentos musicais em péssimo estado e manutenção incipiente. Há também uma série de reclamações, como a ingerência da direção da escola, que através de uma liminar na justiça impediu que os(as) professores fizessem uma assembleia (prevista na Lei da Gestão Democrática), que formularia pedido de exoneração da direção. Através da “circular da censura”, os servidores estão proibidos de divulgar os problemas da escola, e a própria imprensa precisa de autorização da assessoria de comunicação do GDF para poder adentrar na escola, que é pública.

Participe deste debate e ajude a melhorar a Escola de Música de Brasília.

Professores se vestem de preto em solidariedade aos colegas do Paraná

A categoria respondeu em peso à campanha em solidariedade aos professores(as) do Paraná, que foram vítimas de uma truculenta ação por parte da Polícia Militar na quarta-feira (29 de abril), no momento em que a categoria protestava em frente da Assembleia Legislativa do Estado. Nesta segunda-feira (4) milhares de professores e professoras do Distrito Federal foram trabalhar vestidos de preto. A adesão chegou perto dos 100% e não se restringiu ao DF. Se espalhou por todo o país.
O fato reforça a unidade da categoria, que não se cala no momento de defender os colegas de qualquer parte do Brasil. O Sinpro recebeu centenas de fotos dos(as) professores(as) vestidos de preto em prol da luta dos colegas paranaenses (confira a extensa galeria de fotos abaixo).

Anunciados os vencedores do 17º Concurso Museu da Imprensa

A Comissão Julgadora do 17º Concurso Nacional Museu da Imprensa anunciou os trabalhos vencedores do certame deste ano. Na categoria Redação (Ensino Médio), com o tema “O sentimento nacional de Ary Barroso”, o vencedor foi Brendon da Silva Sant’Ana, da cidade de Aparecida, São Paulo. O 2º lugar ficou com Francisco Diego de Oliveira Gomes, de Fortaleza-Ceará; e o 3º lugar coube a Kaique Porto Almeida, da cidade de Pocinhos, Paraíba.

Ainda em Redação, mas dessa vez para os estudantes do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), com o tema “O legado de Dorival Caymmi”, Davi Santim Lima, Brasília-DF, conseguiu o primeiro lugar. Seguiram-se  Amanda Rodrigues Mendonça, de Inhumas-Goiás (2º lugar) e Andrey Ferreira Marques Cavalcante, da Candangolândia-DF (3º lugar).

A categoria Desenho (1º ao 5º ano), com o tema “Ayrton Senna visita o Museu da Imprensa” teve como vencedores os seguintes alunos: Érico Henrique da Silva Vasconcelos Filho, de Ceilândia-DF (1º lugar); Geovana Ramos Pereira, de Taguatinga-DF (2º lugar); e Guilherme Galdino Bacelar, de Ceilândia-DF (3º lugar).

Na categoria Artigo Jornalístico (Nível Superior), tema “A importância dos museus na formação cultural do País”, os estudantes vencedores foram Junior Lucas Araújo de Oliveira, da cidade de Ouro Preto-Minas Gerais (1º lugar) e Janaina Bárbara Bolonezi, de Brasília-DF (2º lugar).

Com informações da Imprensa Nacional

Central e Sindicato vão denunciar deputado federal que votar a favor

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e seus sindicatos filiados vão divulgar cartazes com a imagem e denunciar todos os deputados federais que votarem a favor das Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665. A votação dessas MPs está prevista para ocorrer na tarde desta terça-feira (5).
Desde janeiro deste ano, logo após a edição delas pelo governo federal, a CUT vem denunciando o prejuízo que essas medidas vão provocar na vida de todos(as) os(as) trabalhadores(as). Todavia, apesar das denúncias, os deputados federais insistem em levar a Plenário e seguir em frente com essa votação.
E também, desde o início do ano, a CUT e seus sindicatos filiados vêm anunciando seu posicionamento contra a política de ajuste fiscal em curso que impõe aos(às) trabalhadores(as) perdas históricas de direitos trabalhistas. As MPs fazem parte desse ajuste fiscal e dificultam o acesso a benefícios, como o seguro-desemprego, o seguro-defeso e vários outros direitos elencados na legislação trabalhista brasileira.
A direção colegiada do Sinpro-DF reitera seu posicionamento contrário a todo o conteúdo das medidas provisórias e exige a retirada imediata das MPs da pauta do Congresso Nacional. Em Nota Oficial, a CUT também pede a retirada das MPs e denuncia que elas foram editadas pelo governo federal no fim de 2014 sem qualquer consulta ou discussão prévia com a representação sindical dos trabalhadores e trabalhadoras.
Na época, o Poder Executivo justificou a edição das MPs com o argumento de que seria necessário adotar uma política econômica que tivesse o objetivo de “corrigir distorções e fraudes”. O argumento, contudo, não se sustenta, visto que as MPs reduzem direitos referentes ao seguro-desemprego, abono salarial (PIS-Pasep), auxílio-doença, pensões, seguro-defeso, auxílio-reclusão.
As MPs, juntamente com o PL 4330, que hoje tramita no Senado Federal sob o número PLC 30/2015, vão na direção contrária à estruturação do sistema de seguridade social, com redução de direitos e sem combate efetivo às irregularidades que teriam sido o motivo que levou o governo a adotá-las. Medidas de ajuste fiscal não podem ser feitas com prejuízos ao(à) trabalhador(a), e sim, com medidas que mexam no bolso dos mais ricos, como uma reforma tributária séria, com taxação de grandes fortunas.
É necessário também uma reforma política que determine o financiamento público das campanhas para impedir que o empresariado brasileiro e estrangeiro e a banca internacional continuem financiando parlamentares comprometidos com esse tipo de política econômica que votam leis contra a classe trabalhadora e trazem prejuízos para o país, como o PL da Terceirização e as MPs 664 e 665.
As alterações propostas pelas MPs terão efeito negativo na política de redução das desigualdades sociais, bandeira histórica da classe trabalhadora. Contra esse tipo de política, a CUT vem se mobilizando ao longo deste primeiro trimestre, conclamando seus sindicatos e Estaduais a mobilizarem suas bases e irem às ruas de todo país.
Uma mobilização está prevista para o dia 29 de maio, Dia Nacional de Lutas contra o PL 4330, o qual precariza ainda mais as relações de trabalho ao permitir a terceirização sem limites em qualquer categoria e setor, ampliando as desigualdades de tratamento e de salário, bem como os acidentes e mortes no trabalho, e contra as MPs 664 e 665, que retiram direitos da classe trabalhadora.

Chora Paraná, luta Brasil: A resistência dos servidores e a solidariedade de todo o país

Chora Paraná, luta Brasil: A resistência dos servidores do Paraná e a solidariedade de todo o país
Ontem recebi um vídeo do Paraná e fiquei impressionada com o que vi. Aliás, a organização dos servidores do Paraná, com o protagonismo dos professores da rede estadual na linha de frente, já vem me impressionando há tempos. Há muito tempo não vemos nada parecido com isso no país.
Foram eles que contaram ao mundo o absurdo de Beto Richa: mexer na aposentadoria dos servidores para pagar o rombo tucano no governo do Estado. Ao invés de o governador ser julgado pelo Tribunal de Contas do Estado por sua improbidade administrativa, ferindo a lei de Responsabilidade Fiscal, a Assembleia do estado do Paraná que deveria defender os interesses do Paraná, votou contra os servidores do Paraná e o povo do Paraná.
E há meses os servidores estão em luta, denunciando o projeto que foi apelidado de pacotes de maldades, porque é o que ele efetivamente é.
A resistência e mobilização dos professores em março fez com que Beto Richa recuasse. Mas o governador tirano e irresponsável não desistiu e voltou com toda a força, mobilizando o aparato policial do Paraná inteiro para garantir a aprovação do pacote de maldades.
Os professores mobilizados também saíram de todas as cidades do Paraná e foram para o Centro Cívico em Curitiba, local onde fica a Assembleia Legislativa, Richa autorizou o massacre: mais de 300 professores feridos, mais de uma dezena hospitalizados, gravemente feridos, e o mundo todo assistiu incrédulo a cenas grotescas de violência gratuita: professores desarmados sendo massacrados pela polícia, professores apelando por clemência e sendo massacrados pela polícia, uma barbárie noticiada no mundo todo.
O projeto foi aprovado por uma Assembleia completamente em sintonia e apoio ao governador ditatorial.
Mas a luta dos servidores do Paraná não parou e o que foi mais impressionante, a solidariedade à luta dos professores do Paraná se nacionalizou: estádios, teatros, ruas e redes viraram espaços de luta e solidariedade em todo o país. A luta dos professores virou a nossa luta #somostodosprofessores
tirano
A belíssima e emocionante canção no vídeo abaixo é resultado desta lufada de decência e resistência que tomou conta do Brasil e tomara que permaneça, tomara que nenhum outro governador tenha a ousadia de jogar a polícia contra os trabalhadores deste país. E se assim fizer, tomara que tenha o mesmo destino de Richa: execração pública, limbo da história.
Apreciem: https://www.youtube.com/watch?v=uqo0jOT9ghk
“Chora Curitiba
Chora chora Paraná
Hoje quem te ensinou 
Tá deitado no asfalto

A voz que te cuidou
Deu um grito engasgado
Quem decide educar pela vida
Quer ser reconhecido e vai
Com a certeza da missão cumprida
E ter sua velhice em paz
Hoje fui marcado a ferro e fogo
e borracha em praça pública
Eu estava armado
livros debaixo do braço e tinta guache na mão
Hoje fui a luta,
botei minha cara a tapa
e então soltaram os cães
Mas mesmo com cara estapeada
Mesmo com a carcaça aviltada
Amanhã levanto
Amanhã levanto
Amanhã levanto a cabeça, o corpo e a voz
Luta Curitiba
Segue a luta Paraná”
Confira “29 de Abril”, composição feita lá em João Pessoa – Paraíba como forma de apoio aos professores do Paraná e repúdio contra as ações do governo, ocorridas no dia 29 de abril de 2015. Como os autores mesmo dizem, “é a música que gostaríamos de não ter feito, dado as circunstâncias, mas também por causa delas, a composição se fez urgente”.
Composição de Daniella Gramani e Erick de Almeida;
Fotos de Julio Garrido, Arranjo Erick de Almeida e Baluarte;
Instrumentos e técnico de gravação Erick de Almeida.
Vozes Carol Pacheco, Erick de Almeida, Daniella Gramani.
Apoio Estúdio Angelim.
(Do Portal Forum)

 

"As greves dos professores e o direito de manifestação", por Daniel Cara

O Brasil pode encarar uma escalada de greves nas redes públicas de ensino. Não bastassem salários baixos, condições ruins de trabalho e carreiras pouco atrativas, os profissionais da educação enfrentam também os efeitos cotidianos da inflação alta e da baixa arrecadação em seus Estados e Municípios.
Diante de um cenário inóspito, a maior parte dos governantes lança mão da crise econômica como argumento definitivo para recusar (ou ignorar) as reivindicações trabalhistas. E fazem isso do pior jeito possível: sem tornar pública a situação das redes que administram, deixando a sociedade sem quaisquer condições de debater prioridades e possibilidades. Verdade seja dita, em que pese todas as conquistas democráticas das últimas décadas, a transparência ainda é uma quimera na coisa pública.
Para piorar o quadro, o bom governante é tratado por aqui como sinônimo de gerente, do tipo “fazedor de coisas”. E se hoje há dúvidas da eficácia do gerencialismo no setor privado, certamente ele não coopera na arena pública.
Supostamente pragmático, o “governante-gerente” brasileiro não negocia, manda. Não enfrenta o contraditório, quer suprimi-lo. Beto Richa (PSDB), governador do Estado do Paraná, passou as eleições de 2014 dizendo que seria um governador eficiente, racional. As cenas de 29 de abril demonstram o contrário. Gerentes acuados não hesitam em agredir, desrespeitando os direitos humanos e o direito de democrático de livre manifestação.
Agressões a professores, infelizmente, são mais comuns do que se imagina. No geral, o Brasil tem um extenso histórico de violência contra manifestantes e manifestações. É um traço vergonhoso da nossa cultura política, distante de ser superado… Dias atrás, professores de Goiânia também foram agredidos pela guarda civil daquele município, administrada por Paulo Garcia (PT-GO).
Nesse momento, além do Paraná, há greves em outros Estados, como Pará, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo – ainda que o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), negue o fato.
Frente à tendência de escalada de greves, os governantes devem negar o gerencialismo – ele de nada adianta. O melhor caminho é estabelecer canais concretos de interlocução e negociação com a categoria dos profissionais da educação. E se as greves ou paralisações ocorrerem, em observância do direito constitucional de greve, é preciso ter clareza de alguns princípios básicos: em um regime democrático, cabe às autoridades públicas a defesa da liberdade de manifestação e a própria segurança dos manifestantes. É algo tão básico quanto está distante da nossa realidade!
(Do Uol)

Dos 392 professores feridos no PR, mais de 90% foram atingidos acima da cintura

professores feridos do ParanáCuritiba, 29 de abril de 2015. Pela manhã, professores, funcionários da rede estadual de ensino e de outras categorias do serviço público do Paraná começaram a chegar à Praça dos Três Poderes. O Centro Cívico da cidade. Aí, ficam a Assembleia Legislativa (Alep), o Palácio Iguaçu (sede do governo do Estado) e o Tribunal de Justiça.
Já havia policiais a postos, por todo lado. O governador Beto Richa (PSDB) trouxe 1.600 do interior, que se juntaram aos 4 mil de Curitiba e Região Metropolitana. Eles ficaram se revezando.
Os trabalhadores resolveram permanecer o dia todo em frente à Alep para fazer pressão sobre os deputados estaduais para que não votassem o projeto de lei que confisca a poupança previdenciária de 200 mil servidores públicos do Estado. A votação estava prevista para as 14h30.
O projeto, agora lei aprovada pelos parlamentares e já sancionada por Richa, permite ao governo tucano sacar mensalmente R$ 150 milhões – ou R$ 2 bilhões ao ano em valores corrigidos – do fundo ParanaPrevidência.
Havia uma liminar para que 480 trabalhadores acompanhassem a votação dentro da Assembleia. Só que o Tribunal de Justiça cassou-a.
Por volta das 14h, um grupo de deputados pró-professores foi até o presidente da Alep, Ademar Traiano (PSDB), para tentar convencê-lo a liberar a entrada dos 480.
O presidente da Assembleia não liberou o acesso nem mesmo dos diretores da APP-Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Estado do Paraná.
Parêntese. APP significa Associação dos Professores do Paraná (APP). Como até 1988, funcionário público não podia ser sindicalizado, os professores criaram-na . A partir de 1989, a proibição caiu e os professores puderem criar o seu sindicato. Só que eles quiseram manter a marca APP. O sindicato é de professores e funcionários de escolas públicas.  Fechando o parêntese.
Na hora em que essa notícia chegou lá fora, um helicóptero com policiais militares começou a fazer voos rasantes sobre os milhares de professores que estavam na praça”, relembra José Cândido de Moraes. “O intento, acredito, era desviar a atenção dos professores para começar o ataque. Foi o que ocorreu.”
José Cândido é professor de História e Filosofia e integra um grupo chamado Cinema da Luta, que nasceu em fevereiro deste ano. Ele está fotografando e fazendo vídeos da greve e das manifestações, para produzir um documentário.
“Como os professores já estavam  bastante assustados com os voos a baixíssima altitude do helicóptero, ficou mais fácil iniciar o ataque”, expõe. “De repente, os policiais começaram a lançar bombas e tiros de balas sobre os professores e demais funcionários públicos.”
Concentrados na Praça dos Três Poderes, eles foram atacados covardemente pelas tropas do tucano Beto Richa e do seu secretário de Segurança, o delegado  Fernando Franscischini, reeleito deputado federal em 2014 pelo Solidariedade.
Durante quase duas horas, 1.800 policiais lançaram sobre os manifestantes aproximadamente 1.500 bombas de efeito moral, além de balas de balas de borracha, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e cães. Isso sem falar dos cassetetes pra todo lado.
“Eu nunca vi tamanho aparato policial”, avalia, ainda perplexo, Mário Sérgio Ferreira Souza. “Nós não esperávamos nem estávamos preparados para o massacre do dia 29.”
Mário Sérgio é professor aposentado rede pública estadual (deu aula de matemática) e secretário de Assuntos Jurídicos da APP-Sindicato.
“Os policiais não agiram para conter ou dispersar a manifestação, como é a norma; eles nos atacaram”, prossegue. “Foi um ataque premeditado. Ao entrar na área do Centro Cívico, a tropa de choque foi dividindo e encurralando o pessoal que estava na praça. Ao mesmo tempo, jogava bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, balas de borracha, spray de pimenta e cães em cima da gente.”
Sobrou até para o jornalista da Band, que foi mordido por um pitbull do Richa.
“Por ordem do governador e do secretário de Segurança, os policiais vieram preparados para o massacre”, observa Mário Sérgio. “Tanto que foram jogando as bombas  indiscriminadamente em todos os cantos da praça, a ponto de atingir duas creches do outro lado da rua, deixando as crianças muito assustadas.”
Mário Sérgio participou de todas as mobilizações de professores nos últimos 35 anos: 1978, 1980, 1981, 1982, 1986, 1988, 1990, 2001, 2014 e 2015.
Há divergência sobre o número de feridos. Segundo a Prefeitura de Curitiba, seriam 213. Para a APP-Sindicato,  bem mais.
“Dos 392 professores feridos, mais de 90% foram atingidos da cintura para cima: cabeça, tronco, rosto, até nos olhos”, denuncia Mário Sérgio, secretário de Assuntos Jurídicos da entidade. “Na nossa avaliação, foi ordem do comando para que os policiais atirassem assim nas pessoas.”
Um dos feridos é o advogado e blogueiro Tarso Cabral Violin. É dele o Blog do Tarso.
 
“Os tiros de balas de borracha visavam atingir o rosto das pessoas. Os soldados miravam as nossas cabeças”, reforça José Cândido. “A impressão é de que queriam nos acertar de qualquer forma. Depois de um ataque com bombas e tiros, eles paravam um pouco. Esperavam a gente se aproximar e reiniciavam o ataque. Esse processo durou aproximadamente duas horas.”
“Mulheres, senhoras idosas, estudantes e professores aposentados, todos foram atacados como bandidos”, continua, indignado. “Havia a intenção de ferir as pessoas. Os policiais miravam para acertar. Parecia que estavam fazendo um treinamento, utilizando os professores e professoras como alvo!”
A truculência e covardia dos ataques não pararam por aí.
Bastava ter um aglomerado de três ou quatro pessoas, para os policiais atirarem nelas.
“Eles não respeitaram sequer a retirada dos feridos da praça”, enfatiza Mário Sérgio.
Do caminhão de som da APP-Sindicato, o pessoal implorava para que os policiais esperassem a retirada dos feridos. Mas os pedidos eram ignorados e as bombas sucediam.
Os feridos tinham que ser resgatados sob o “fogo” cerrado das balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral lançadas às vezes de longa distância.
“Os que caíam no chão eram ainda agredidos com cassetetes até que os colegas conseguissem levá-los para longe da linha de frente”, observa José Cândido.
Os policiais não portavam apenas as chamadas armas não letais, mas que podem matar, sim. Muitos carregavam também no coldre armas de fogo, como este soldado que está atrás das professoras. Na mão, ele tinha escopeta calibre 12 para balas de borracha. Na cintura, aparentemente uma pistola 380, que usa no dia-a-dia de trabalho.
professores do paraná e soldado
Além disso, muitos dos policiais, que estavam dentro da Assembleia Legislativa na hora da votação, portavam uma submetralhadora.
“Portar armas de fogo em manifestações é um perigo a mais”, atenta Mário Sérgio. “O soldado é um ser humano. Na hora da pressão, pode acabar atirando.”
Ele observa: “90% dos professores da rede pública do Estado do Paraná são mulheres. E a mulher tem mais o espírito de cuidar. Não é uma categoria que vai atropelando o outro. Ao contrário. Se a categoria tivesse mais homens, o massacre teria sido maior”.
“Na verdade, não foram as bombas e balas que me assustaram”, conclui José Cândido. “O que mais ainda me assusta é que os policiais não demonstraram qualquer compaixão, qualquer senso de humanidade.”
Vergonha nacional. A excessiva violência do governo Richa no fatídico 29 de abril maculou a história do Paraná e do Brasil inteiro, como bem observaram os professores da USP num abaixo-assinado em solidariedade “com os todos os professores, funcionários e estudantes em luta”.
Agora veja quais deputados estaduais, mesmo sabendo do massacre dos trabalhadores na praça. votaram a favor da reforma da ParanaPrevidência. Veja também quem votou contra. O infográfico é de jornal Gazeta do Povo.
paraná pacotaço 1-001Paraná pacotaço 2
(Do Viomundo)
 

GDF bate cabeça com a "circular da censura"

A circular da censura, Circular nº 11 da secretaria da Educação – que impede servidores de divulgarem “informações, áudios, imagens das unidades educacionais, de documentos e alunos” sem autorização prévia – continua repercutindo negativamente na comunidade escolar e na sociedade.
Se por um lado o governador Rollemberg afirmou ontem (29) que a circular é “um equívoco”, portanto presume-se sua revogação, por outro lado, o secretário de Educação Júlio Gregório insiste em remediar o irremediável. “[A circular] será alterada nos artigos ou nos parágrafos que deram margem a esse tipo de interpretação, mas a diretriz no sentido de proteger os alunos e professores será mantida”, afirmou o secretário em entrevista a uma emissora de televisão. Gregório, porém, não informou prazo para que as tais alterações sejam feitas.
Apesar do aparente recuo, a situação não está muito clara. O que isso significa exatamente? O que vai prevalecer? A transparência tão apregoada pelo governador desde o início do mandato ou a postura autoritária do secretário?
Para a diretoria do Sinpro a circular é tão ruim que não há o que ser melhorado ou alterado. “Ela simplesmente tem que ser revogada. As escolas não precisam deste tipo de instrumento para se organizarem. Precisam, sim, de segurança, de investimentos; enfim, da presença do Estado e não de um ‘chá de cala a boca’ para a comunidade escolar”. E acrescenta: “por trás das palavras do secretário Gregório, quando diz que vai manter a diretriz da circular para proteger alunos e professores, muita coisa pode se encaixar aí. E isso é um grave problema”.
O Sinpro destaca ainda que a circular repercutiu mal em todos os veículos de comunicação, que se sentiram desrespeitados no acesso à informação, não podendo mais fazer coberturas jornalísticas sem prévia autorização, o que caracteriza censura.
“Nunca se tentou impedir que professores trabalhassem, que a imprensa fizesse seu trabalho. Do jeito que está, nem as coisas positivas podem ser divulgadas”, disse o diretor de imprensa do Sinpro, Cláudio Antunes. O diretor lembra que os servidores que se sentirem intimidados podem procurar o sindicato para receber orientação. “Além disso, a ausência de punição específica na circular gerou um clima de apreensão na comunidade escolar. Se eles dizem qual é a sanção, a gente vai na canela e desconstrói. Como não diz, parece mais um assédio moral”, afirmou a um grande portal de comunicação.
Ao reiterar que não aceitará mais nenhum tipo de ingerência como essa, o Sinpro enfatizou que “os movimentos sociais e lideranças comunitárias da cidade entraram em contato com o Sindicato, ao longo da semana, justamente por entender que é inadmissível que a comunidade seja cerceada de participação”.
O Sinpro está atento e esperando uma definição do governador Rollemberg se a comunidade escolar será ou não censurada. Caso necessário, o Sindicato se reunirá com as lideranças comunitárias para definir um calendário de atividades e ações.
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