A CNTE organiza no dia 30 de abril, em diversos estados e no Distrito Federal, mobilizações em defesa do Plano Nacional de Educação (PNE) e de uma educação pública de qualidade. Cada estado participará da sua maneira. Desta forma a CNTE convoca uma paralisação no dia 30 para que os estados e municípios possam debater os seus planos estaduais de educação, tendo em vista que o PNE aprovado determina que todas as unidades federadas tenham, no prazo de um ano, o seu plano local.
Tendo em vista os movimentos de paralisação realizados no início do ano letivo, no Distrito Federal a categoria realizará plenárias que discutem os rumos do movimento dos trabalhadores e trabalhadoras. Estas plenárias tiveram início no dia 28 de abril e percorrerão todas as cidades satélites até o dia 14 de maio. Desta forma o DF fará a discussão das melhorias da educação pública estudando e se organizando para que o Plano Distrital de Educação seja aprovado dentro do prazo estipulado pela Lei Federal, que termina em junho.
Confira o calendário das plenárias:
Greves de professores em SP, PR e Goiânia expõem crise na educação
Jornalista: sindicato
Professores das rede estaduais de São Paulo e do Paraná e da rede municipal de Goiânia, capital do estado de Goiás, estão em greve e enfrentam a falta de diálogo e a truculência das autoridades locais. Em São Paulo, a paralisação chega ao 48º dia, e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) continua negando a existência do movimento. De acordo com a Apeoesp, o sindicato da categoria, a greve tem 59% de adesão e, na segunda-feira (27) foi considerada legal pela Justiça.
“Abra negociação e pare de achar pretexto, porque a nossa greve é pelo fechamento e 3.390 salas de aulas, nossa greve é pelos baixos salários que São Paulo vergonhosamente consegue pagar, menos que o Acre, menos que o Piauí”, apelou a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, em entrevista à repórter Michelle Gomes, do Seu Jornal, da TVT.
No Paraná, a Polícia Militar voltou a agredir professores estaduais, ontem (28), em frente à Assembleia Legislativa. Os professores, que retomaram a greve na segunda-feira, tinham liminar da Justiça garantindo o direito de entrar nas galerias durante a votação do projeto de lei da previdência, mas foram agredidos pela PM do governador Beto Richa (PSDB).
Desde segunda-feira, eles pressionam os deputados estaduais a não aprovar mudanças na previdência que trazem prejuízos aos servidores públicos estaduais. A confusão começou quando a PM obrigou os professores a retirar o caminhão de som e ampliou o isolamento em torno da sede do legislativo, fazendo uso de spray de pimenta e bombas de gás e jatos d’água contra os manifestantes, que bradavam “Professor não é bandido”.
Em Goiânia, os professores municipais em greve também foram agredidos, durante uma assembleia da categoria, em frente ao Paço Municipal. A agressão começou quando os professores tentaram fazer uma caminhada nos corredores da prefeitura. A guarda civil reprimiu a manifestação com violência e gás de pimenta. Quinze pessoas ficaram feridas.
Os professores estão parados há 15 dias e reivindicam melhores condições de trabalho, reajuste salarial de acordo com o piso da categoria e o pagamento retroativo à data-base de 2014.
No Paraná, policial que não reprime professor é preso
Jornalista: sindicato
Se é possível extrair algum tipo de notícia positiva da manifestação de professores e funcionários públicos no Paraná desta quarta-feira (29) é que nem todos os policiais convocados para reprimir a população concordam com a decisão do governador Beto Richa (PSDB). Ao menos dezessete PMs se recusaram a participar do cerco contra os manifestantes em frente à Assembleia Legislativa do estado e, por descumprir as ordens, foram presos. As informações foram fornecidas pela própria Polícia Militar ao jornal O Estado de São Paulo.
De acordo com a prefeitura de Curitiba, 213 pessoas que protestavam contra um projeto de lei do governador Richa que altera a previdência dos funcionários públicos ficaram feridas em meio a bombas de gás e balas de borracha desferidas pela PM. Até cachorros pit-bull chegaram a ser utilizados.
Diante do cenário de guerra, a prefeitura disponibilizou dezenas de agentes de saúde para acolher a população ferida e liberou os funcionários públicos que estavam trabalhando e crianças que estavam nas creches.
“Estamos fazendo o possível para atender os feridos na Prefeitura, mas nossa capacidade é limitada. Faço um apelo ao governador, Secretaria de Estado da Segurança Pública e Assembleia. Por favor. Momento é de pacificar. Já temos muitos feridos aqui”, apelou o prefeito Gustavo Fruet (PDT).
(Do Portal Forum)
Secretaria de Educação do DF publica “circular da censura”
Jornalista: sindicato
A Secretaria de Educação do DF, após os episódios da última semana na Escola de Música de Brasília, publicou na quinta (23) a circular número 11/2015 censurando todas as escolas públicas do DF. Os(as) professores(as) e diretores(as) estão proibidos(as) de divulgar qualquer informação a respeito das escolas (fotos, filmagens, gravações de áudio, etc), inclusive nas redes sociais, sem a prévia autorização da Secretaria. Se descumprido, a circular ameaça com “apuração rigorosa”.
O documento também proíbe os veículos de comunicação da cidade de fazer qualquer registro no interior das escolas, sem a prévia autorização da Ascom (Assessoria de Comunicação) da SE-DF. O texto orienta a direção da escola a “pedir a imprensa, gentilmente, que aguarde na área externa até que a Ascom emita um posicionamento”.
O Sinpro repudia com veemência este documento, tendo em vista que ele fere os princípios constitucionais e a Lei de Gestão Democrática do DF. Em uma breve análise, o documento assinado pelo gabinete do Secretario de Educação é análogo aos Atos Institucionais 5, 14 e 15 do regime militar, época que teria ficado para trás na história do país.
Nesse sentido, o Sindicato dos Professores no DF reintera que as escolas públicas do DF, com base na Constituição Federal e na Lei 4.571/2012 (Gestão Democrática) aprovada pela CLDF, fundamentam que a escola avalie o que pode ou não pode ser divulgado. E caso algum(a) professor(a) ou diretor(a) de escola venha a sofrer qualquer tipo de ameaça ou retaliação por parte do GDF, o(a) mesmo(a) deverá acionar imediatamente o Sinpro.
Segue abaixo a circular:
O governador Beto Richa (PSDB), do Paraná, é o retrato doloroso do que se transformou o principal partido de oposição no país.
O partido fundado por Franco Montoro, Mário Covas, que abrigou a generosidade de Sérgio Motta, a sensibilidade social de Bresser-Pereira, e até a temperança de um José Richa, a esperança de uma socialdemocracia moderna, tornou-se um valhacouto do que pior e mais rancoroso a política brasileira exibiu nos últimos anos.
A usina de ideias e propostas que parecia brotar do partido no inicio dos anos 90 foi substituída por uma cloaca interminável, um lacerdismo sem talento, um samba de uma nota só desafinado.
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Derrotado em Minas Gerais, restaram ao partido dois estados para mostrar, até 2018, um mínimo de políticas inovadoras: São Paulo e Paraná.
De São Paulo não se espere nenhuma pró-atividade. Por aqui, definham institutos de pesquisa, aparelho cultural, universidades e, especialmente, as ideias.
Hoje haverá audiência pública para a extinção da Fundap (Fundação de Desenvolvimento Administrativo) e da Cepam (Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal).
Hoje em dia, há uma disputa ferrenha para definir o governo mais inerte: se o de Dilma ou de Alckmin.
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Mas nada se equipara ao desastre completo que se observa no Paraná.
O massacre que a Polícia Militar impôs, ontem, aos professores que manifestavam contra o governo entrará para a história política contemporânea como o dia da infâmia.
200 pessoas feridas, 15 em estado grave, uma covardia sem fim, cujo único gesto nobre foi o de 17 policiais que se recusaram a atacar os manifestantes – e foram punidos por isso.
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É apenas o desfecho de uma gestão desastrosa, que quebrou o estado. Mas reflete um estado de espírito que se apossou do partido, quando substituiu os intelectuais por pitbulls de baixíssimo nível.
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Nos últimos anos, a reboque da mídia, a única bandeira que o partido cultivou foi o antipetismo – como se fosse possível se tornar alternativa de poder sendo apenas anti.
Hoje em dia definha o PT e definha o governo Dilma, o país está rachado ao meio, há um ódio permanente no ar. A política econômica procede a aumentos sucessivos da taxa Selic, com a atividade econômica agonizante. E o governo patina sem um projeto de país para oferecer.
Seria o momento de se apresentarem os mediadores, os que conseguissem ser a síntese das políticas sociais do PT com a visão de mercado do velho PSDB desenvolvimentista.
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Mas a miopia reiterada dos seus gurus, a falta de visão estratégica, o personalismo absurdo de uma geração geriátrica que se aboletou no poder, impediu a renovação do PSDB e permitiu que o infame Beto Richa se tornasse a cara do partido.
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O que Richa fez foi apenas externar, com atos, a virulência desmedida da cara do partido, os Aloysios Nunes, Aécios Neves, Carlos Sampaios, Josés Serras.
Não foi à toa que, nas últimas eleições, a parcela mais moderna do empresariado paulista saltou fora do bonde do PSDB e tentou fazer alçar voo a candidatura de Marina Silva.
O espaço político está vago para aventureiros políticos, porque a geração das diretas acabou.
(Do Luis Nassif Online)
Truculência da polícia de Beto Richa deixa 107 servidores feridos no Paraná
Jornalista: sindicato
Mais de cem pessoas ficaram feridas em cerca de uma hora e meia de repressão da polícia do governador tucano Beto Richa a servidores que protestam desde o início da semana contra um projeto de lei que altera as regras de custeio da Paraná Previdência, no Centro Cívico, em frente à Assembleia Legislativa. O projeto promove perdas em direitos previdenciários do funcionalismo a pretexto de socorrer as finanças do estado. Os professores, em greve, estão acampados desde segunda-feira (27) no local.
Ambulâncias tiveram dificuldade de se aproximar para socorrer os feridos, uma vez que a Tropa de Choque da Polícia Militar fez um cordão para isolar o prédio da Assembleia e lançou bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e jatos de água.
A maioria das vítimas era composta de manifestantes: 107. Havia entre os feridos idosos, crianças e deficientes. Uma senhora que se apoiava nas grades do prédio da Assembleia foi alvejada à queima-roupa por um disparo de bala de borracha no meio das costas enquanto a polícia avançava contra os manifestantes.
O deputado Rasca Rodrigues (PV) e um repórter foram mordidos por um cachorro da PM. Entre as forças de repressão, 25 soldados intoxicaram-se com o gás lacrimogêneo lançado por seus colegas.
O governo Richa é acusado pela oposição, que tenta protelar a votação, de promover ação “truculenta”, ao enviar policiais militares para cercar a Assembleia Legislativa. “São trabalhadores organizados fazendo uma mobilização não para conquistar direitos, mas para não perdê-los. O governo não tem diálogo nenhum com o setor público e ainda por cima manda colocar a polícia”, disse o deputado estadual Enio Verri (PT).
Os feridos procuraram refúgio na prefeitura de Curitiba. “Parece uma praça de guerra”, publicou no Twitter o prefeito Gustavo Fruet (PDT). No prédio do Executivo municipal, a menos de 100 metros da Assembleia, servidores foram obrigados a deixar seus postos de trabalho por causa do gás lacrimogêneo. A todo tempo servidores apelavam para que a polícia parasse de atirar. “Os professores estão sendo massacrados”, denunciou o presidente do sindicato da categoria, Hermes Leão.
A maioria dos deputados deixou o plenário, mas o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), recusou-se a parar a sessão, que já tem os votos favoráveis de 31 dos 54 deputados estaduais.
Enquanto deputados governistas falavam na ação de supostos black blocs, o deputado Nereu Ramos (PMDB) ironizou: “São black blocs armados de giz e avental”. O também peemedebista Requião Filho foi mais realista: “Nós, como poder, deveríamos nos envergonhar do que aconteceu aqui hoje”.
Pouco antes do início da sessão, os senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) reuniram-se com lideres do governo e da oposição para pedir que os deputados esperassem ao menos um parecer do Ministério da Previdência solicitado pelo próprio governador antes de seguirem com a votação, o que não demoraria mais do que alguns dias.
Gleisi advertiu que um eventual parecer negativo pode impedir o Paraná de ter acesso a repasses voluntários da União e inviabilizar uma certidão que garantiria ao estado acesso a empréstimos. A base governista optou por seguir com a pauta apesar dos protestos e da advertência de Gleisi. “Por que a pressa?” questionou o deputado Anibelli Neto (PMDB). “Porque esse governo quebrou o estado”, respondeu ele mesmo.
O projeto de lei em votação na Assembleia Legislativa foi encaminhado pelo Executivo para alterar a previdência estadual. O governo paranaense quer tirar 33 mil aposentados com mais de 73 anos do Fundo Financeiro, sustentado pelo Tesouro estadual e que está deficitário, e transferi-los para o Fundo de Previdência estadual, pago pelos servidores e pelo governo, que está superavitário.
Diretores ameaçam paralisar todas as escolas do Gama a partir de maio
Jornalista: sindicato
Os diretores e vice-diretores das escolas públicas do Gama ameaçam paralisar as atividades das 49 escolas da região administrativa caso o Governo do Distrito Federal (GDF) não nomeie supervisores e não libere os professores eleitos para atuar como coordenadores pedagógicos imediatamente. Se paralisarem, mais de 40 mil estudantes, do Gama e do Entorno, ficarão sem aula a partir de maio.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF reitera seu total apoio à luta dos diretores e vices eleitos e vê nessa ação do GDF a intenção de enfraquecer a Lei de Gestão Democrática no Distrito Federal. No entendimento da diretoria colegiada do Sindicato, os diretores e vices precisam de condições para administrar a escola a fim de fazer com que o projeto pedagógico possa fluir normalmente.
“Todas as escolas do Gama estão trabalhando no limite, com apenas um terço dos coordenadores que deveriam ter. Defendemos o fechamento das escolas antes que algum estudante morra dentro de alguma delas”, desabafa o vice-diretor do Centro de Ensino Médio (CEM) 2, Júlio Ferreira Campos.
Cansados da sobrecarga de trabalho e da falta de recursos financeiros, que deveriam vir do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), eles e elas estão dispostos(as) a mobilizar todo o corpo docente e a comunidade escolar do Gama contra a situação generalizada de precarização, de falta de verbas e de péssimas condições de trabalho, o que tem estafado boa parte dos diretores e do professorado.
A precarização do trabalho afeta todas as escolas, sobretudo, os Centros de Ensino Fundamental (CEF) 8, 15 e 3, o Centro de Ensino Médio (CEM) 2 e o Jardim de Infância II. Todos enfrentam falta de mão de obra para cuidar da parte operacional. Por causa da falta de coordenadores e supervisores pedagógicos, bem como de diretores e vice-diretores, as escolas estão até mesmo vulneráveis ao tráfico de drogas. CEF 15
A situação é tão grave que os diretores constituíram um grupo na rede social WhatsApp para discutir os problemas. Foi nesse grupo virtual que a diretora do CEF 15, Ana Elen Ferreira Moitinho, postou uma imagem que chocou os colegas. Ela mostrou nove receituários médicos com pedidos para 24 exames, comprovando, com isso, o adoecimento por excesso de trabalho.
Ela administra uma escola de ensino integral na qual falta tudo, desde coordenadores e supervisores pedagógicos até recursos financeiros para comprar o gás. “Só tenho verba para comprar o gás para este mês”, declara. Ela conta que em março trabalhou sozinha. “A vice-diretora e a secretaria estavam de férias, o supervisor pedagógico pediu afastamento para estudos e a escola não tem supervisor administrativo desde 2014″. Por ser ensino integral, os estudantes ficam das 7h30 até 17h e fazem as principais refeições na escola.
“Os estudantes almoçam no chão porque não temos mesas suficientes e metade da escola está estudando sentada em cadeiras e carteiras da educação infantil por falta de equipamento adequado”, informa Ana Elen. Ela diz ainda que “o CEF 15 recebeu uma parcela de R$ 10.800,00 e outra de R$ 25.000,00, ou seja, recebeu R$ 35.000,00 do PDAF, o que foi absolutamente insuficiente para o pagamento das dívidas oriundas de 2013 e 2014″, assegura.
Quando os funcionários da empresa terceirizada responsável pelo preparo da comida entraram em greve, a diretora não teve dúvidas: arregaçou as mangas, lavou os pratos e fez a comida. “Ela abraça essa escola como se fosse a própria casa. O governo passado prometeu total respaldo para implantar o Projeto Piloto de Educação em Tempo Integral (Proeiti) e disse que ela teria mais coordenadores, mais verba, um refeitório. Ela embarcou no sonho e não teve nada disso”, conta o vice-diretor Júlio Campos. CEM 2
Em algumas escolas, diretores e vice encaram sozinhos a guerra contra o narcotráfico. Não que sejam super-heróis, é que não querem deixar a escola se tornar território do tráfico e de outros crimes. É o caso do diretor do CEF 03, Júlio Cerqueira, que também enfrenta a falta de mão de obra e de segurança, e do vice-diretor do CEM 2, Júlio Campos, que conseguiu identificar e retirar da escola três traficantes infiltrados entre os estudantes.
Nessa segunda-feira (27), por exemplo, o diretor do CEF 3 não pôde participar da entrevista para esta matéria porque teve de atender a uma demanda da escola na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), relacionada a um conflito entre estudante e professora. “Essa situação é a prova da falta de pessoal. Se a escola tivesse um supervisor pedagógico, eu teria podido ir ao nosso encontro”, comenta. A ex-supervisora pedagógica do CEF 3, Maria Gorethi, pediu exoneração por não aguentar mais a carga de trabalho. Professores estão assumindo sem nenhuma remuneração extra e nenhuma contrapartida do GDF a função dos supervisores e dos coordenadores por pena dos que estão desamparados na direção das escolas.
No CEM 2, uma das maiores escolas do Gama em metro quadrado e em quantidade de estudantes, a situação é das mais graves. Uma ilha rodeada de tráfico de drogas, a escola recebe todos os dias quase 2,6 mil estudantes. Além dos serviços operacionais administrativos e pedagógicos, diretor e vice têm de realizar rondas sistemáticas várias vezes ao dia, e todos os dias, acompanhados do Batalhão Escolar, para detectar situações suspeitas, como furtos, tráfico e até mesmo estupro, dentre outras.
“Na hora do intervalo fico de plantão na porta dos banheiros para impedir o consumo de drogas. Mas eu sozinho não tenho a menor chance de fiscalizar tudo ao mesmo tempo, ser bedel, ser vice-diretor e outras várias funções que exerço diariamente. Entro às 8h da manhã e saio às 23h30. Não dá tempo nem de ir em casa almoçar”, conta o vice-diretor. CEF 8
Com 870 estudantes, o CEF 8 não tem nenhum supervisor nomeado, nenhum coordenador eleito liberado e nem sequer um diretor. Jamielton Amorim, vice-diretor eleito, teve de assumir todas as competências para gerir a escola assim que Fernando Freire foi designado para ser coordenador regional. Fernando e Jamielton, respectivamente, diretor e vice, foram eleitos e assumiram os cargos, mas, em janeiro deste ano, o diretor foi retirado do cenário para exercer o cargo de coordenador regional da cidade-satélite.
A partir da nomeação de Freire para a Regional de Ensino a vida de Jamielton se tornou um pesadelo. Sem diretor e sem coordenadores pedagógicos e com apenas uma única coordenadora administrativa, ele assumiu sozinho todas as atribuições de gestão da escola. O CEF 8 perdeu o supervisor pedagógico em outubro de 2013 e de lá para cá nenhum outro foi nomeado. Passaram o ano de 2014 com a promessa de que haveria, a qualquer momento, uma nomeação.
“Só para se ter uma ideia, abro a escola às 7h10 e encerro o turno matutino às 12h30. Saio para almoçar e, meia hora depois, às 13h, tenho de retornar para reabri-la para o turno vespertino. E fico até as 18h. Tenho uma supervisora administrativa, mas o cargo por si só já tem uma demanda muito grande porque ela cuida de folha de ponto, atestado médico, todas as demandas diárias, incluindo aí a merenda”, relata.
Ele diz que todas as outras responsabilidades estão sobre ele. “Qualquer coisa que ocorra na escola que envolva estudante e todas as outras demandas, hoje, quem responde sou eu. Somente eu tenho a competência e o carimbo oficiais para isso e, quando saio da escola por alguns minutos, meu celular toca o tempo todo e tenho de voltar imediatamente tanto para resolver problemas como para assinar pilhas de documentos porque somente eu respondo por eles”, afirma.
Jamielton Amorim conta que não tirou recesso de Natal nem de Ano Novo em 2013, suspendeu as férias de janeiro e não gozou o recesso de carnaval este ano. Além disso, tem de ir para a escola em todas as reposições dos fins de semana.
Essa situação tem ocorrido, sistematicamente, em todo o Distrito Federal porque, no início do ano, o GDF, arbitrariamente, editou a Portaria 284, de distribuição de turma com a qual suspendeu a nomeação dos coordenadores e supervisores pedagógicos, avisando que só os liberaria a partir do segundo bimestre deste ano.
O artigo 22 dessa portaria desamparou as escolas ao deixá-las sem nomeação de supervisores e sem a liberação de professores eleitos para serem coordenadores pedagógicos, bem como outros cargos necessários à organização, vigilância e gestão das escolas da rede pública.
Professor aborda a tentativa de sequestro da democracia na educação pública do DF
Jornalista: sindicato
Em artigo publicado pelo professor Cristino Cesário Rocha, as ingerências e conflitos envolvendo a democracia e os direitos na educação pública do Distrito Federal são abordados. Clique aqui e confira o artigo completo.
Direção da EMB desrespeita Gestão Democrática e impede assembleia dos professores
Jornalista: sindicato
Na última quarta-feira (22), a direção da Escola de Música de Brasília, obteve uma liminar na Justiça proibindo que os professores(as) organizassem uma assembleia na escola, com multa de R$ 5 mil se a mesma fosse realizada. Porém essa liminar contraria a Lei n° 4.751/2012 (da Gestão Democrática), uma conquista histórica da categoria no DF. A assembleia seria para formular o pedido de exoneração do diretor. Os(as) professores(as) preencheram todos os requisitos para a realização desta assembleia, mas a mesma não foi realizada após esta intimidação.
Desde o início do ano, os(as) professores(as) da Escola de Música enfrentam diversos problemas, que dizem respeito com as questões pedagógicas e administrativas da escola (como a não execução do plano político-pedagógico, o desrespeito aos planos de curso, não liberação dos coordenadores pedagógicos e não encaminhamento das deliberações do conselho escolar). Em face destes problemas, os(as) professores(as) fizeram vários encaminhamentos até a regional de ensino e também para a Secretaria de Educação, para tentar intermediar esta questão. Júlio Gregório, Secretário de Educação, afirmou em entrevista para o DFTV na quinta-feira (23) que a Secretaria “não vai intervir, pois este processo deve ser resolvido pela mesma comunidade que elegeu o diretor”.
Enquanto isso, a escola está com professores(as) doentes e desanimados(as). Ela apresenta problemas na estrutura, com a maioria dos instrumentos musicais danificados e os demais sem a manutenção correta. A comunidade escolar está desmotivada. A situação é crítica. Censura
Para agravar a situação, na sexta-feira (24), a direção da escola encaminhou por email aos professores(as) um texto, no qual proíbe qualquer membro da comunidade escolar de fazer qualquer registro da escola (fotografar, filmar e/ou gravar áudio). Proibiu que se fizessem matérias sobre o que está acontecendo dentro da escola. Qualquer vazamento seria “rigorosamente apurado”. A imprensa só pode ter acesso após a aprovação da assessoria de comunicação da Secretaria de Educação.
O Sinpro lamenta profundamente esta postura autoritária e intransigente da direção. Reforça que a escola passa por uma situação de penúria que prejudica a todos(as) e pede para que a Secretaria de Educação não se omita e tome providências para que todos estes problemas sejam imediatamente solucionados. A Escola de Música de Brasília pede socorro.
“Este é o pior ano da Educação em São Paulo”, diz dirigente
Jornalista: sindicato
Francisca é professora há 25 anos, neste período não foram poucas as lutas que travou em defesa da educação pública de qualidade e pode falar com propriedade sobre como o governo do PSDB trata a questão há mais de 20 anos no poder no estado de São Paulo.
Segundo ela, neste 2015 a situação chegou a um ponto insustentável, é como se a Educação estivesse sendo desmontada em três pilares: os professores precisam lidar com salas extremamente lotadas depois que mais de 3 mil turmas foram fechadas; a desvalorização da profissão e um plano de carreira precário completam o atual cenário da categoria.
Já em janeiro o governador anunciou que não haveria reajuste salarial dos professores este ano. A data base da categoria é 1º de março, no dia 13 do mesmo mês foi deflagrada a greve que está em seu 47º dia sem sinalização de avanços. As reuniões realizadas entre as duas partes não trouxeram bons resultados porque o governo não está disposto a avançar nas negociações.
Francisca vê a atitude do governador Geraldo Alckmin como uma estratégia política de avançar em seu projeto neoliberalista de precarização dos serviços públicos e criminalização dos movimentos sociais. “Ele [governador] está disputando com a Apeoesp para se consolidar como o candidato dessa direita que está na rua, o nosso sindicato é o que mais enfrenta este governo”, explica.
De acordo com Francisca o governador vem tentando, de diversas formas, enfraquecer o movimento organizado. Seja por meio da grande mídia que constantemente ataca a categoria e criminaliza as ações dos professores, ou através de desestabilizações. Recentemente todos os dirigentes, supervisores e diretores de escola receberam passaram a receber uma gratificação de R$948, inclusive com o retroativo até janeiro deste ano. Esta é uma das estratégias de segmentar a categoria e isolar os professores na luta.
A mobilização conta com grande apoio popular, segundo Francisca, muitos pais e alunos apoiam a paralisação. “Quem não aderiu a greve enfrenta muitas dificuldades em sala de aula, com esta superlotação há muitas comunidades onde o índice de indisciplina é alto e não há como professor desempenhar um trabalho satisfatório”, explica Francisca. Ela acredita que, com o descaso do governador, tanto o professor quanto o aluno são vítimas de um desmonte da educação.
Para Francisca, a prioridade do governo do PSDB, que administra o estado há mais de 20 anos, não é melhorar os serviços públicos, pelo contrário, o que existe é uma precarização das condições de trabalho que se torna mais grave e evidente a cada ano.
Há inúmeras tentativas do governo de enfraquecer a greve até por meio de assédio moral e ameaça de demissão por parte de dirigentes regionais de ensino, diretores e supervisores sobre professores temporários. Mesmo com inúmeras investidas de enfraquecer o movimento, a categoria está unida e a Justiça já julgou a greve legal.
Apesar da pouca vontade política do governador em resolver a situação, Francisca não hesita em afirmar que os professores vão seguir unidos. “Mesmo com a truculência e o autoritarismo do governador Geraldo Alckmin, a categoria tem disposição em continuar na luta”, afirmou
(Do Portal Vermelho)