CUT chama Abril de Lutas para barrar PL 4330 e ataques aos direitos

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O presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), em reunião ocorrida na última quinta-feira 11 com representantes das confederações patronais da indústria, das instituições financeiras, da agricultura e pecuária, dos transportes, da saúde e das cooperativas, marcou a votação do PL 4330 (da precarização. flexibilização e subcontrações ilimitadas) em plenário para o próximo dia 7 de abril, logo após o feriadão da Semana Santa.
O texto que irá a votação será o substitutivo do deputado Artur Maia (SD-BA), que liberaliza a terceirização e quarteirizações para todas as atividades das empresas, incluindo as atividades principais e permanentes, das áreas rurais e urbanas, empresas públicas, sociedades de economia mista, autarquias e fundacionais. Mantém a responsabilidade subsidiária entre contratantes e contratadas e diz explicitamente que salários, direitos e benefícios serão diferenciados em função do enquadramento sindical.
“Ou seja, prevalece o enquadramento sindical pelo conceito de categoria profissional, quando na verdade todas as categorias serão esfaceladas. A classe trabalhadora será ainda mais fragmentada em sua organização e representação e com isso, em pouco tempo, seus direitos conquistados após décadas de lutas serão solapados. As negociações coletivas só terão alguma efetividade, onde os empresários tiverem interesse e para os segmentos que avaliarem ser necessário”, afirma Miguel Pereira, secretário de Organização da Contraf-CUT e integrante do Fórum em Defesa dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização.
“Vamos organizar o Abril de Lutas, uma das maiores e mais amplas mobilizações na sociedade  para derrubar o PL 4330 e todos os ataques aos direitos da classe trabalhadora. Não podemos aceitar uma reforma trabalhista que rouba direitos que os trabalhadores levaram séculos para conquistar, com muita luta, suor e sangue. O PL 4330, por exemplo, representa mais rotatividade de mão de obra, com demissão imotivada para substituição por salários menores, o fim de pisos salariais e de menores jornadas, o fim de concursos públicos e de carreiras, a criação de subcategorias com remuneração e direitos inferiores, a pulverização e disseminação de pequenos sindicatos, a falta de representação sindical em muitas novas categorias e o enfraquecimento da organização dos trabalhadores ”, explica Rodrigo Britto, presidente da CUT Brasília. “É uma dos mais graves ataques aos trabalhadores que se têm notícia. Precisamos organizar um chamamento geral para toda a sociedade para barrar o grave retrocesso nas condições de trabalho que estão querendo promover, que objetiva na verdade aumentar a exploração da mão de obra e os lucros dos patrões, em detrimento da qualidade de vida e de trabalho da maioria da população brasileira”, completa o dirigente CUTista.
Rolo compressor do patronato
Durante a reunião com Eduardo Cunha também foi orientado às entidades patronais buscar dialogar com os líderes partidários, a fim de construir os consensos, porque o projeto irá a votação de qualquer maneira no dia 7 de abril. Participaram representantes das confederações nacionais da Indústria (CNI), das Instituições Financeiras (CNF), da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Transporte (CNT), da Saúde (CNS), da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Em audiência com as centrais sindicais, em 25 de fevereiro, o mesmo procedimento foi apontado por Eduardo Cunha com a realização de debates neste mês de março. “Mas a conjuntura econômica e política vem dominando a agenda e institucionalmente até o momento nenhum debate ocorreu na Câmara. Aliás, fica claro que pautar a votação do PL 4330 é um dos preços exigidos agora pelo financiamento privado das campanhas eleitorais em 2014″, acrescenta Miguel Pereira.
“Aproveitando o cenário político conturbado e a fragilização momentânea do PT e do governo da presidenta Dilma, o deputado Eduardo Cunha, mesmo tendo seu nome citado na operação Lava-Jato, se sente à vontade, ou pressionado pelo grande capital, a fazer a votação logo no início dessa legislatura”, avalia o dirigente da Contraf-CUT.
Retomar a mobilização já
Diante desse quadro gravíssimo, é preciso retomar a mobilização,  visitando novamente todos os gabinetes, preferencialmente as lideranças partidárias, com o dossiê sobre os impactos da flexibilização do trabalho sobre a classe trabalhadora, lançado em 3 de março pela CUT em parceria com o Dieese.
Importante também que os sindicatos filiados à Contraf, juntamente com as CUTs estaduais, organizem atos, visitas aos parlamentares nos estados, vigílias, envio de correspondências cobrando o compromisso de cada parlamentar e divulgando o seu posicionamento, como os trabalhadores fizeram na batalha de 2013/2014, com pleno êxito na suspensão do trâmite do projeto.
Próximos passos
Caso o PL 4330/2004 seja aprovado no plenário da Câmara, seguirá para o Senado, onde existe projeto idêntico (PLS 087), de autoria do então senador e hoje ministro da Indústria, Armando Monteiro.
A única saída dos trabalhadores nesse momento é mobilizar contra essa grande ameaça.
Fonte: Contraf-CUT, com CUT Brasília

Estudar encanta alunos das escolas públicas

Estudar estava longe de ser um dos prazeres da vida de Douglas Alves dos Santos, 17 anos. As notas dele nunca foram as piores, mas não se destacavam em relação às dos colegas. Assim que entrou para o Centro de Ensino Médio nº 9 do Setor O, em Ceilândia, a rotina e o modo de pensar do jovem mudaram completamente. “O saber passou a ter sabor”, resume o adolescente do 3º ano, que recebeu menção honrosa na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) em 2014 e hoje é professor voluntário de história.
Esse é apenas um exemplo diante de centenas de alunos do Centro de Ensino Médio nº 9 que cultivam a mesma paixão pelo estudo. O mérito vem da própria instituição, que mudou a metodologia de ensino e começou a colher frutos pouco tempo depois. “Estabelecemos uma reação do aluno com o conhecimento e não com a matéria em si”, destacou o diretor da escola, José Gadelha.
Desde 2007, o colégio foi premiado três vezes na Obmep, ano em que foi implementado o projeto Matemática Todo Dia, que ocorre no turno contrário às aulas. Jogos de raciocínio lógico, filmes e aulas interativas fazem parte da rotina dos alunos no programa.
Professores, ex-alunos e os próprios estudantes são responsáveis por ministrarem as aulas não só para as olimpíadas de matemática, como também para as de filosofia, biologia e robótica, entre outras.
A vice-diretora, Maria Fernanda Ferreira dos Passos, disse que os estudantes fazem questão de participar das olimpíadas de todas as disciplinas: “Visamos à universidade pública, e esse objetivo é visto nos nossos dados de aprovação na Universidade de Brasília (UnB), onde ingressam 20 a 30 alunos nossos por semestre”.
O índice de reprovação foi reduzido a quase 20%, pois além das aulas para as olimpíadas, a escola oferece reforço e simulado para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e para o Programa de Avaliação Seriada (PAS).
(Do Jornal de Brasília)

Encontro de Mulheres destaca prioridades na luta por igualdade

Terminou neste domingo (29) o 8º Encontro Nacional de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores, em Brasília, Distrito Federal. O já histórico e também chamado “Encontro da Paridade”, teve Início na sexta-feira (27) e reuniu durante três dias, mais de 600 sindicalistas CUTistas  de todos os estados brasileiros, de diversas categorias e ramos de atividade econômica para discutir, além da paridade, temas como democratização do Estado, reforma política e democratização dos meios de comunicação, além de lutas históricas da pauta feminista, como a presença das mulheres no mercado de trabalho e a situação das mulheres negras.
Maria Betânia Áv8-encontro-de-mulheres-da-CUT_FOTO-JOSE-JUNIOR-1ila, do SOS Corpo e Amanda Villatoro, secretária de Política Sindical e Educação da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), fizeram análise de conjuntura nacional e internacional em mesa coordenada pela secretária nacional de Relações de Trabalho, Graça Costa e pela presidenta da CUT Paraná, Regina Cruz.
O tema Paridade: por uma democracia sindical, foi debatido com as contribuições da secretária nacional da Mulher Trabalhadora, Rosane Silva, da secretária nacional de Saúde do Trabalhador e presidenta da Internacional de Serviços Públicos (ISP), Junéia Martins Batista, e de Clarissa Cunha, vice-presidenta do Partido dos Trabalhadores. A mesa teve a coordenação de Rosana Fernandes, da Executiva Nacional da CUT e Amélia Costa, presidenta da CUT Alagoas.
Junéia Martins ressaltou a importância da luta por equidade salarial entre homens e mulheres, enfatizando que este tema deve ser prioridade no movimento sindical. Junéia também chamou a atenção para a questão do empoderamento das mulheres no movimento sindical. “Devemos impor este debate dentro das entidades sindicais, afinal, estamos preparadas para assumir qualquer cargo no movimento sindical. Temos que estar unidas para esse enfrentamento”, conclamou.
Paridade
8-encontro-de-mulheres-da-CUT_FOTO-JOSE-JUNIOR-3E por que paridade? Segundo a vice-presidenta do PT, Clarissa Cunha, para responder a esta pergunta é necessário entender o contexto histórico. “Vivemos em uma sociedade capitalista, machista, patriarcal e desigual. Por isso, a paridade deve ser entendida como um desafio e, ao mesmo tempo, entender os obstáculos para fazermos um debate mais geral da sociedade também. A luta por reforma política, a lista com alternância de gênero nas eleições, por exemplo, colocam este debate da paridade também para a sociedade”, esclarece Clarissa.
“O debate da paridade precisa evidenciar que existe uma desigualdade tamanha na sociedade e, com a paridade, partimos de outro patamar dentro da sociedade, o da igualdade, que nunca existiu antes. E é esse investimento necessário para que possamos partir do mesmo patamar dentro da sociedade que nos fará ocupar cada vez mais espaços de decisão”, enfatiza Clarissa.
Rosane Silva reitera: “não queremos paridade como número apenas. Queremos condições objetivas para atuar no movimento sindical. E quando falamos em condições, estamos dizendo que a CUT deve incorporar esta luta no seu dia a dia, porque essa não é uma luta só de mulheres, é uma luta da Central”.
Segundo Rosane, as mulheres representam mais de 50% da classe trabalhadora, mas em condições diferenciadas. Em pleno século 21, ainda há opressão em todos os espaços e no espaço do trabalho produtivo é onde ela mais persiste. Rosane destaca que o sindicato também deve ter o papel de reverter esse quadro. “Um sindicato e uma central sindical que pensa sua pauta politica e de ação sem incorporar o tema da opressão às mulheres, não está representando toda a classe trabalhadora. O tema da igualdade salarial é tão importante quanto o aumento real de salário. Por isso, nós mulheres precisamos estar também nos espaços de negociação coletiva. É preciso preparar as mulheres para que elas possam estar na mesa de negociação”.
A secretária faz um desabafo e alerta: “Temos que provar todo dia que somos capazes, que conquistamos esse espaço por capacidade política. Mas, só vamos avançar e ter uma CUT de fato paritária, se estivermos unidas e solidárias. Se nos dividirmos, é o machismo que avança”.
Democratização do Estado e democratização da comunicação
O debate sobre Democratização do Estado, reforma política, democratização dos meios de comunicação e a luta feminista foi coordenado pela presidente da CUT Maranhão, Adriana Oliveira e pela secretária nacional de Comunicação da CUT, que destacou: “se queremos fortalecer a democracia e fortalecer a luta das mulheres, a luta da democratização da Comunicação é uma luta chave”.
Tatau Godinho, da secretaria de Política para as Mulheres da Presidência da República, falou sobre o papel do Estado, que é o de cumprir um mandato de uma vontade politica e social que é determinada pelas formas de organização da sociedade. “Às vezes a gente não se da conta que a forma de funcionamento do Estado é resultado de uma correlação de força social, de classe, de relações de gêneros, de herança patriarcal, de formas de dominação que envolve a desigualdade racial e as diversas formas de opressão a grupos sociais. Por isso, quando falamos em democratização do Estado, temos que buscar quais são as formas de organização da sociedade capazes de interferir na organização que não dialoga e não responde às demandas sociais. Parte importante disso é a organização como movimento social, mas outra parte importante é a organização das diversas instituições que acabam construindo verdades, relações, mentalidades e luta política. E talvez  não haja um instrumento tão forte de construção da luta politica, hoje, como os meios de comunicação. A imprensa, os meios de comunicação tem um papel brutal de construir realidades, de construir visões politicas de que forma cada sociedade está sendo construída”, sublinha.
Para Tatau, junto com o debate de aumento da participação feminina, temos que defender uma plataforma de igualdade entre mulheres e homens, de direitos iguais. Segundo a painelista, é preciso ter clareza sobre qual participação queremos, sobre que Estado queremos. Nossa plataforma é de democracia na participação, mas também de igualdade, de romper com a dominação e a exploração, de garantir a ampliação dos direitos sociais e que a participação politica das mulheres seja parte da construção de uma sociedade igualitária. “Temos que ter esse cuidado, senão, estaremos criando condições para que as mulheres sejam portadoras de uma plataforma que oprime o conjunto das mulheres, e não é isso que queremos”, reitera.
Para Silvia Camurça, da Articulação de Mulheres Brasileiras, democratizar o Estado democratizar o poder do Estado. Silvia menciona três campos de disputa que considera fundamental para as forças populares para que essa democratização possa ocorrer:  no campo jurídico, na disputa pela legislação da comunicação; na disputa do Fundo Público – que nasce a partir impostos e outras taxações e é usado para financiar politicas publicas, e na orientação das politicas dos governos que estão gerindo o Estado a cada momento.  Silvia cita como exemplo, quando a presidenta Dilma lançou um decreto sobre o sistema de participação, proposta bem menor que os movimentos queriam, segundo ela, e que causou uma rebelião na burguesia e no empresariado, que diziam que presidenta queria fazer do Brasil uma república bolivariana. “Até onde o Estado permite que cidadãos não proprietários, possam influenciar diretamente na orientação das politicas? Até onde isso é legítimo? Isso é um tema de disputa, até onde se participa ou não, e luta das mulheres faz parte desta disputa”.
Mercado de trabalho e situação das mulheres negras
A secretária de Combate ao Racismo, Julia Nogueira e a presidenta da CUT Goiás, Bia de Lima, coordenaram mesa com as convidadas Sandra Mariano, coordenadora Nacional de Entidades Negras (CONEN), a economista Marilane Teixeira e Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM).
Sandra apresentou dados importantes levantados pelo Conen, sobre a situação da população negra no Brasil. Segundo estudo, atualmente, pretos e pardos somam 50,7% dos brasileiros e ocupam em torno de 30% do funcionalismo brasileiro, são 17,6% dos médicos e menos de 30% dos professores universitários. Já entre os diplomatas apenas 5,9% são pretos e pardos.
O estudo também demonstra que a formalização tem crescido mais acentuadamente entre negros, mas ainda é baixa se comparada à taxa de formalização dos brancos.
Os índices mostram melhorias, apesar de ainda expressivas diferenças de rendimento, estrutura ocupacional, formalização, rotatividade e desemprego entre negros e brancos, o que atinge especialmente as mulheres negras.
Segundo dados do PNAD/IBGE 2013, no Brasil são 37 milhões de mulheres a serem inseridas no mercado de trabalho. Marilane Teixeira analisa que para reverter esse quadro será necessário uma mudança no sistema produtivo. “A redução da jornada de trabalho é central pra mulheres. Reduzir a jornada é garantir que no futuro mais mulheres possam se inserir no mercado de trabalho”, diz.
Rendimentos – Segundo Marilane, há poucas alterações em relação aos rendimentos. As mulheres negras foram favorecidas pela valorização do salario mínimo, que permitiu que houvesse um processo em que, na base da pirâmide salarial, os salários de homens e mulheres se aproximaram, mas no topo, se distanciaram. Para a pesquisadora, isso também é reflexo da diminuição do peso na indústria e no crescimento no comercio e serviço no mercado de trabalho.
“As mulheres são mais escolarizadas em todas as faixas. Mesmo escolarizada, elas ganham menos que o homem e para atividades menos qualificadas. Nos últimos dez anos mais de 25 milhões de mulheres estavam concentradas em 27 ocupações com renda média em torno de 1.000 reais. Enquanto os homens tinham um rendimento médio de  1.500 reais. Por isso, temos que discutir a estrutura produtiva, repensar a estrutura de produção”.
Marcha das Margaridas
Após os debates, foi feito um ato sobre a Marcha das Margaridas, que acontece de quatro em quatro anos, em agosto, evento que reúne mulheres do campo e da cidade por direitos, reformas, liberdade, autonomia e igualdade. Para Carmen Foro, vice-presidenta da CUT, a marcha traz para o centro do debate a crítica ao atual modelo de desenvolvimento vigente no País, e diz: “O campo precisa de dignidade, precisa de saúde e educação de qualidade. O campo precisa de respeito aos direitos. O projeto capitalista é muito cruel com quem vive no campo, especialmente com as mulheres. Por isso marcharemos juntas, com o sentimento de que isso pode transformar nossas vidas”, enfatizou.
Resoluções
As delegadas trabalharam em grupo, discutindo temas a serem levados aos CECUTs e ao CONCUT (congressos estaduais e nacional da CUT) e aprovaram resolução, que inclui a defesa da Petrobrás, Reforma Política e Democratização da Comunicação. Confira abaixo as principais resoluções do 8º Encontro Nacional de Mulheres da CUT
– Sensibilização das direções dos ramos e sindicatos sobre a paridade
– Mapeamento da quantidade de mulheres na CUT
– Cursos de formação para mulheres
– Paridade nas delegações em todos os fóruns da CUT
– Secretarias de Mulheres das Estaduais devem participar da coordenação dos CECUTs
– Formação sobre o tema, para poder viabilizar a discussão de gênero nos sindicatos CUTista – com envolvimento de homens e mulheres
– Lutar por creche nos sindicatos  e nas mesas de negociação
– Pensar uma política de enfretamento contra o assedio moral e sexual no movimento sindical e no trabalho
– Formação sindical – estruturar curso de formação na CUT sobre a luta feminista, abordando a luta das mulheres na CUT, com recorte racial.
– Implementação do Plano Nacional de Saúde Integral da Mulher

Inscrições abertas para a Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas

Seguem até 31 de março as inscrições para a décima primeira Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Podem participar alunos do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental e de todo o período do Ensino Médio. As inscrições devem ser feitas pelas escolas, por meio do site da Olimpíada.
Na edição de 2015 serão distribuídas 6,5 mil medalhas, sendo 500 de ouro, 1,5 mil de prata e 4,5 mil de bronze, além de menções honrosas. As Olimpíadas serão divididas em duas etapas. No dia 2 de junho, acontecem as provas da primeira fase. Os alunos classificados farão a prova da segunda fase no dia 12 de setembro, e os resultados serão divulgados no site da Olimpíada no dia 27 de novembro.
Os 6,5 mil medalhistas da OBMEP 2015 serão convidados a participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC) que será realizado ao longo de 2016. Além de premiar os estudantes com melhor desempenho na prova da segunda fase, a OBMEP também premia professores, escolas e secretarias de educação de municípios que se destacaram em virtude do desempenho dos seus alunos.
Promovida com recursos dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação, com apoio da SBM (Sociedade Brasileira de Matemática), a Olimpíada foi criada em 2005 com o objetivo de estimular o estudo da matemática nas escolas públicas e revelar talentos.
(do Zero Hora)

Protestos pelo país pedem que verba da educação não seja cortada

Nesta quinta-feira (26), estudantes e professores fazem manifestações em diversas cidades do País para pedir que recursos da educação não sejam cortados. Hoje foi marcado o Dia Nacional de Luta pela Educação.
Em Brasília, estudantes protestaram em frente ao Ministério da Educação pedindo a liberação do Fies (programa de crédito estudantil para ensino superior).
Em Manaus, centenas de professores das redes municipal e estadual se concentraram em frente à Arena Amazônia para pedir aumento salarial e melhorias na carreira docente. Os docentes saíram em carreata.
Estudantes fazem manifestação pelas ruas de Porto Alegre pedindo mais investimentos na área de educação.
Em São Paulo, professores e alunos da rede estadual, em greve desde o dia 13 de março, fazem protesto pedindo negociação salarial com o governo do Estado.
Orçamento
Após a aprovação do Orçamento Geral da União pelo Congresso, a presidente Dilma Rousseff informou que o governo fará um contingenciamento “significativo” nos recursos previstos. Segundo ela, é preciso fazer cortes para cumprir a meta do superávit primário.
A presidente vai decidir pessoalmente quais serão os cortes feitos em cada ministério.
(Do IG)

A contribuição da mídia para o debate da redução da maioridade penal

O debate em torno da redução da maioridade penal voltou à agenda pública nos últimos dias, quando a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados desengavetou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.
Na pauta da CCJ desde o dia 17 de março, a PEC 171/93 ainda não foi votada. De lá para cá, o debate ganhou destaque na cobertura midiática. De blogueiros à grandes redes nacionais de televisão abordam o tema. Nada mais natural. Mas, qual a real contribuição da mídia para o debate da redução da maioridade penal?
Antes de entrar no assunto, é preciso ter em mente que a atual composição do Congresso Nacional é considerada a mais conservadora desde a redemocratização. A bancada da bala, com seus 55 deputados, nunca antes esteve tão consolidada. De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o número de parlamentares policiais ou próximos desse segmento, como apresentadores de programas de cunho policialesco, cresceu de forma alarmante. Nas pautas defendidas, a revisão do Estatuto do Desarmamento, o recrudescimento penal e a redução da maioridade.
A grande (des)contribuição midiática
“E você? [repórter] Não tenho o que falar não. Não fui eu, não. [jovem acusado e facilmente identificável pela reportagem] Garoto que chega a mandar até alô (…) porque nega qualquer envolvimento, mas o fato é que tratam-se de dois adolescentes, segundo a polícia, de alta periculosidade. Pessoas que apresentam sim risco para a comunidade, que estavam à solta. Infelizmente, por serem menores, o período em que eles vão passar (privados de liberdade) é muito curto. [repórter]”
– Programa Cidade 190 (de Fortaleza, CE), da emissora TV Cidade.
“Ele tem apenas dezessete anos. De aparência franzina, é considerado pela polícia como um adolescente infrator dos mais perigosos do bairro do Guamá, periferia de Belém. Conhecido com Joãozinho é acusado de aterrorizar a população da área e pratica em média quatro assaltos por dia, para ele o tipo de arma usada é o que menos importa. [repórter]
– Programa Barra Pesada, do Diário Online, da emissora RBA.
Os recortes transcritos acima nos dão um claro panorama de como a mídia historicamente aborda notícias relacionadas a adolescentes acusados da autoria de atos infracionais. Nos programas policialescos (ambos os casos citados acima), a abordagem é conhecida e as violações também: discurso de ódio, criminalização da pobreza, exposição indevida e identificação de adolescentes em conflito com a lei, ridicularizarão de vítimas e acusados, julgamento antecipado, incitação à violência.
Os programas policiais, autointitulados jornalísticos, enfatizam uma suposta “alta periculosidade juvenil” e nos bombardeiam com manchetes sobre atos infracionais praticados com alto grau de violência e atentados contra a vida, sem apresentar as reais estatísticas da violência, ou muito menos problematizá-la.
As violações de direitos nestes programas vêm gerando uma maior incidência de órgãos fiscalizadores como o Ministério Público, que ajuizou em diferentes estados Termos de Ajustamento de Conduta e Ações Civis Públicas contra as emissoras responsáveis por sua veiculação.
Mas e quando esta abordagem não é predominante apenas nos programas policias? E quando ela é prerrogativa também dos noticiários locais e nacionais das grandes emissoras de TV? Como esquecer o esdrúxulo comentário de Rachel Sheherazade no SBT Brasil?
E aos defensores dos Direitos Humanos que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: “faça um favor ao Brasil: adote um bandido!”. [âncora, Rachel Sheherazade]
– Programa SBT Brasil, emissora SBT.
A eficiência midiática em provocar uma sensação de pânico na população é incontestável! Os adolescentes são retratados como os algozes, responsáveis pela onda de violência no País. Quando e se apreendidos, são logo liberados pela “aberração que é o Estatuto da Criança e do Adolescente”, que serve apenas para “proteger os delinquentes juvenis”. “Vão para a engorda”, eles bravejam. Legitimar uma alteração na legislação vira tarefa fácil nessa conjuntura…
Mas, quando vemos a mídia debater com profundidade a conflitualidade e a violência, ou retratar ou dados sem distorções ou omissões?
O que a mídia omite sobre a redução
A maioria dos atos infracionais que levam a medidas de privação de liberdade de adolescentes não envolve crimes com alto grau de violência e atentados contra a vida. Pesquisa do Conselho Nacional de Justiça, de 2012, revela que os delitos cometidos por adolescentes são predominantemente de roubo, furto e tráfico (aproximadamente 80% do total).
Os adolescentes, na realidade, são mais vítimas do que autores de violência. O último Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), realizado em 2012 nas cidades com mais de 100 mil habitantes, estimou que mais de 42 mil adolescentes poderão ser vítimas de homicídios até 2019.
De acordo com os dados, para cada grupo de mil pessoas com 12 anos completos em 2012, 3,32 correm o risco de serem assassinadas antes de atingirem os 19 anos de idade, taxa que representa um aumento de 17% em relação a 2011. A IHA mostrou ainda que adolescentes negros ou pardos possuem aproximadamente três vezes mais probabilidade de serem assassinados do que adolescentes brancos. De acordo com os dados das pesquisas: “Mapa da Violência 2012 e de 2013” em 2011, a vitimização dos jovens negros também aumentou substancialmente, de 71,7%, em 2002, para 154%, em 2010.
O Brasil já possui a quarta maior população carcerária do mundo e o investimento de nossas políticas públicas segue na linha de mais recrudescimento. O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sianse) é absolutamente violador de direitos básicos fundamentais. Exemplo disso é uma recente denúncia formulada pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced), Fórum Permanente das ONGs de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes do Ceará (Fórum DCA) e Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca), denunciando o Estado Brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos por graves violações nas Unidades Socioeducativas do Ceará. Relatos de torturas sistemáticas no interior das Unidades Socioeducativas, superlotação em todas as Unidades, denúncia de estupro cometido por agente público e até episódios de dopagem coletiva.
Finalmente, não há atualmente qualquer estudo que comprove que o recrudescimento de sanções aplicadas a adolescentes diminuiria os índices de violência no Brasil ou mesmo geraria uma maior sensação de segurança para a população. O que está em risco com a aprovação da PEC 171/93 é um imensurável retrocesso para a sociedade brasileira, que sequer chegou a conseguir implementar integralmente o ECA e a lei 12.594/2012 (que institui o Sinase).
Para engrossar o caldo: interesses em jogo
Vale lembrar que vários dos programas policiais que se arvoram na defesa do rebaixamento da idade penal são comandas por parlamentares que integram a bancada da bala. Mais uns tantos deputados e senadores são concessionários do serviço público de rádio e TV, muito embora o artigo 54 da Constituição Federal proíba isso. São muitos interesses em jogo. Basta ver o ataque à qualquer tentativa de debater a necessidade de avançarmos na regulamentação da comunicação no Brasil, à exemplo do que já fizeram tantos outros países.
Quem acompanhou as sessões da CCJ que tiveram como pauta a PEC 171/93 deve ter percebido como o debate sobre a redução da maioridade em si foi escanteado. Não bastasse a superficialidade e as distorções midiáticas, os parlamentares não chegaram a fazer um debate aprofundado sobre o tema. Nada perto disso. A coisa toda acabou virando uma grande queda de braço entre oposição X situação. O acirramento da polarização em curso no País pode chegar a uma concretude em breve: um gigantesco e imensurável retrocesso para os direitos humanos dos adolescentes.
(Da Carta Capital)

Deixa o crespo crescer, irmão!

Apesar de haver poucas mulheres negras com cabelos crespos naturais, elas existem – principalmente nos movimentos pela valorização do cabelo natural, como o Meninas Black Power, e entre as blogueiras de beleza negra que se esforçam para promover os crespos femininos. No entanto, os homens negros que possuem cabelos crespos ainda estão invisíveis, esquecidos devido ao racismo brasileiro.
Culturalmente, até mesmo os cabelos humanos são separados de acordo com o gênero: às mulheres, a sociedade impõe cabelos longos, pois seriam um suposto símbolo de feminilidade. Por esse motivo, é comum que homens tenham cabelos curtos, para que não deixem de transmistir uma imagem masculina. No caso dos homens negros, no entanto, o “curto” exigido vai além, já que a cabeça raspada é, muitas vezes, a única alternativa socialmente aceitável.
Não por acaso, poucos questionam esse padrão capilar empurrado aos homens negros. Com a desculpa cínica da “boa aparência”, nossa cultura continua lutando para esconder qualquer característica negra. De fato, muitos racistas acreditam que traços negros jamais poderiam ser belos e que, portanto, é melhor que sejam omitidos.
Pode ser incômodo ser confrontado a respeito do racismo de suas “preferências estéticas”. Felizmente, há homens negros com cabelos crescidos e naturais que apontam o problema. É preciso rever as opiniões, pois ninguém nasce racista. Não é por acaso que o homem negro de cabelo natural, trançado ou com dreads, é sempre retratado como figura perigosa, como um bandido ou vagabundo; ao longo da vida recebemos uma enorme carga de ensinamentos tendenciosos, espalhados pela mídia, pela indústria de beleza e até mesmo na escola. O nome disso é, sim, racismo.
Deixa o black crescer!
O estudante de Letras Franklin Arruda tinha um sonho muito simples: ele queria amarrar seu cabelo. Para tal, o deixou crescer após ter acesso ao movimento negro e passar a se identificar como negro. Com reconhecimento da própria negritude, Arruda entendeu muito mais sobre sua relação com seu cabelo e o que isso implica na sociedade.
“De certo modo, os homens negros não têm relação com os cabelos afro”, afirma Arruda. “A influência histórica tem o seu papel no encurtamento do cabelo masculino afro, como tem influência no cabelo feminino, alisando-o”, afirma. Para ele, a questão é muito mais do que estética: “Lutamos por uma causa maior”, explica.
Franklin Arruda (Foto: Arquivo Pessoal)
O assessor de imprensa Diogo Oliveira, que também exibe seus belos cachos naturais, compartilha posturas similares. Ele comenta o fenômeno social que é encontrar homens negros de cabelo raspado: “O grande número de homens negros de cabelo muito baixo ou raspado definitivamente é reflexo do racismo. Aprendemos que o nosso cabelo é ruim, que o nosso cabelo é feio e que raspar é a única opção de corte; no máximo deixamos um pouco de cabelo no topo da cabeça e raspamos as laterais. A vaidade é negada ao homem negro e mesmo quando há algum movimento em busca de recuperá-la, como aqueles desenhos na cabeça, grafismos ou descolorir os fios, mesmo assim essas mudanças são vistas como motivos de chacota ou são marginalizadas”.
É interessante que os processos de alisamento ou relaxamento, tão presentes na relação das mulheres com seus cabelos crespos, também fizeram parte da história de Oliveira. “Eu, como muitos homens negros, usei durante muito tempo o cabelo raspado. Antes disso, na infância e adolescência, tentei ‘dar um jeito’ no meu cabelo de diversas maneiras, como relaxamento, cortes diferentes, hidratações, mas tudo tentando mascarar meu cabelo crespo, com o desejo de torná-lo mais liso, mais dentro dos padrões das revistas e do que era considerado ‘bonito’”, explica.
Não por acaso, Oliveira chegou a essas reflexões por meio de discussões femininas sobre a valorização do cabelo afro. “O meu processo de assumir os cabelos crespos começou graças ao feminismo realizado por mulheres negras, foi lendo algumas autoras que eu entendi que o cabelo crespo era lindo e que as mulheres negras não precisavam alisá-los para se sentirem mais bonitas. Nessa época, eu raspava o cabelo bem curtinho e, me achando muito esclarecido, tentava passar esse conceito para amigas que alisavam o cabelo. Foi quando eu percebi que raspar a cabeça para mim estava como o alisamento para algumas pessoas. Era a busca por ser aceito, por parecer mais branco”, constata.
Diogo ainda conta que, quando decidiu deixar o cabelo crescer, não tinha nenhum conhecimento sobre a textura dos seus fios, não sabia se seriam de cachos mais abertos ou fechados, ou se seriam crespos com mais volume e sem definição de cachos. Ele mantinha sua intenção de ter os cabelos crescidos e naturais ainda escondida, pois tinha muita vergonha. No início, recebeu diversas críticas e comentários ofensivos que lhe trouxeram momentos de baixa autoestima. Apesar disso, Oliveira buscou na internet uma alternativa diferente das opiniões depreciativas e, por meio de blogs e página no Facebook, encontrou a representação positiva que precisava. “Hoje, lá se vão quase dois anos sem cortar o cabelo e o melhor de tudo é que consegui influenciar algumas pessoas à minha volta a assumirem os fios crespos também”, conta com alegria.
Gênero e racismo
Embora os cabelos compridos sejam considerados símbolos de feminilidade e não sejam tão comuns em homens, homens brancos de cabelos lisos ainda enfrentam menos hostilidade do que homens negros de cabelos crespos. Para os brancos, há referências como músicos, artistas e atletas, pessoas em quem podem se inspirar. “Fora que há uma inegável valorização da beleza branca, eurocêntrica. Mesmo que um homem branco tenha cabelos crespos e ostente um Black Power, ele será muito mais valorizado e reconhecido do que um homem negro; é o que vemos com os dreads, por exemplo. Ao pesquisar sobre dreads na internet, há uma enxurrada de imagens de homens brancos com dreads, todos em uma pose de sex symbol alternativo e quase nenhuma imagem de homens negros”, argumenta Diogo Oliveira.
Para ele, que é gay, essa separação é ainda mais evidente. “O meio gay é um ambiente racista, existem homens gays que abertamente declaram que não se relacionam com homens negros e o preocupante é que isso é visto de maneira natural e quase cultural. Há uma nova moda de festas que se apropriam da cultura negra e das músicas voltadas ao público gay, que são muito bem sucedidas e recorde de público; no entanto, a cultura negra é muito bacana, mas os negros não”.
Diogo Oliveira (Foto: Arquivo Pessoal)
Construindo o diálogo entre as questões raciais e as de gênero, ainda é possível identificar muito machismo barrando a liberdade capilar dos homens negros. Para Franklin Arruda, esse ponto sempre lhe foi muito familiar: “Posso dizer que sou um exemplo ótimo pra isso. Em casa, meu cabelo é visto como feio para um homem, pelo simples fato de que o cabelo masculino é o cabelo curto e o longo carrega um contexto, um conceito machista. Alguns familiares perguntavam: ‘vai amarrar o cabelo que nem mulher?’, como se parecer-se com uma mulher fosse descer o nível”, relata. Arruda ainda deixa três dicas para os homens que não têm o cabelo crescido e natural: “Primeiramente, é preciso mostrar que ‘se parecer com uma mulher’ não é ruim, no caso de cabeleiras que se pareçam com cabelos femininos longos; segundo, você pode ter o cabelo que quiser, o cabelo não define ninguém; e terceiro, entenda o porquê de seu cabelo estar como está e o porquê de deixá-lo grande ou curto”.
Apesar dos obstáculos, Diogo Oliveira se mostra encorajado e diz que as coisas podem, sim, mudar no sentido de mais aceitação e mais liberdade para os cabelos crespos masculinos. “Eu vejo que algumas mães e pais começaram a valorizar os cabelos crespos dos filhos e isso é muito legal! Acho que o principal é a representatividade, o que vai demorar muito para acontecer nas grandes emissoras e revistas, mas pode ser encontrado na internet e nas ruas também. Em um dia desses, uma senhora me parou na rua e me pediu dicas para o cabelo do filho dela, ou seja, mais um crespo na rua”, comemora.
Oliveira também compartilha sua postura de encorajamento, estimulando outros homens negros para que tenham associações positivas com seus cabelos.  “Outra ação que eu tomo é sempre elogiar o cabelo de um irmão que está na transição ou que está deixando o cabelo crescer. Não vão nos valorizar, então nós temos que nos valorizar por nós mesmos, cuidando um do outro, mas claro que sempre cobrando nosso espaço”, afirma.
Para os homens negros, quebrar as barreiras do racismo e aprender a amar, cuidar e exibir suas características naturais, negras, é algo que rompe estruturas opressivas e propaga transformação social. “Eu costumo falar que deixar meu cabelo crescer foi uma decisão política e não estética. Nesses dois anos em que eu tenho o cabelo grande, minha relação com a cultura negra, com os projetos que valorizam os negros e também com os principais problemas que nos afligem ficou muito maior. À medida que meu cabelo crescia, eu tomei consciência do que representava ser um jovem negro na nossa sociedade”, conta Oliveira. “É a valorização da sua beleza, da sua origem e do seu posicionamento político”.
(Do Portal Forum)

CEM 9 de Ceilândia é premiado três vezes em Olimpíada de Matemática

O Revista Brasília desta quarta-feira (25) entrevistou a professora Maria José Ferreira dos Passos, vice-diretora do Centro de Ensino Médio 9 de Ceilândia, no Distrito Federal. A escola foi premiada pela terceira vez na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).
“A escola trabalha voltada para o conhecimento. Ela pauta tudo o trabalho para o aluno e para o conhecimento”, disse a vice-diretora. O ensino médio por muito tempo não tinha uma cara e o Centro de Ensino Médio 09 de Ceilândia escolheu a cara dele ser a universidade, buscar o conhecimento” disse a vice-diretora.
De acordo Maria José Ferreira, o diferencial do projeto é o trabalho coletivo, o incentivo ao aluno, a segurança que o professor tem para trabalhar na sala de aula, com o suporte que a direção dá, é o encaminhamento dos alunos para os vários projetos que a escola oferece, que não é somente na área de Ciências Exatas, mas também de Astronomia, Robótica, História, Geografia, Oceanografia. A escola tem um projeto pedagógico chamado “Sem 9 Olimpíadas”.
A professora ressalta que escola participa de todas as olimpíadas e já foi premiada em várias outras, porém a de Matemática foi o destaque. “Para os alunos, é muito bom porque eles se desenvolvem porque a maioria das aulas são desenvolvidas pelos ex-alunos e ele participa como aluno, como professor e os pais ficam orgulhosos”, complementa.
Acompanhe esta entrevista completa sobre os destaques do Centro de Ensino 09 de Ceilândia, ao programa Revista Brasília, com o jornalista Miguelzinho Martins, no ar de segunda a sexta-feira, às 10h, na Rádio Nacional de Brasília.
Áudio da entrevista no link: http://radios.ebc.com.br/revista-brasilia/edicao/2015-03/escola-publica-de-ceilandia-e-premiada-3-vezes-em-olimpiada-de
(da Agência Brasil)

Seguridade Social aprova garantia de ensino para aluno internado em hospital

A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (25) proposta que garante atendimento educacional ao aluno do ensino básico internado para tratamento de saúde durante o período de internação. A proposta deixa para um regulamento detalhar como será feito o atendimento.
O texto aprovado é um substitutivo do deputado Mandetta (DEM-MS) aos projetos de lei 4415/12, do ex-deputado Roberto de Lucena, e 6297/13, da ex-deputada Liliam Sá. Segundo o relator, as propostas originais tinham um detalhamento excessivo. “Parece-nos mais adequado apenas garantir no texto da lei o direito, deixando que o detalhamento de sua implementação conste do regulamento”, disse Mandetta.
O texto original obrigava hospitais com atendimento pediátrico a garantir o direito à educação a crianças e adolescentes internadas por tempo indeterminado e superior a 90 dias.
Uma resolução do Conselho Nacional de Educação, segundo Mandetta, já trata do atendimento escolar da criança internada em regime tanto hospitalar quanto domiciliar. “A aprovação desses projetos de lei ratificará os dispositivos que hoje se encontram somente em norma infralegal, assegurando sua validade e relevância”, afirmou.
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pelas comissões de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte: Câmara dos Deputados

Professores não falam de educação, analisa tese de Mestrado

Tese de Mestrado defendida na Universidade de São Paulo (USP) expõe a falta de voz dos educadores na mídia

 

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Os professores não contam para ninguém o que se passa dentro da escola – ao menos, não para jornalistas. Há cerca de 10 anos, desde que a ONG Observatório da Educação começou a acompanhar o tratamento dado pela mídia a políticas educacionais, o educador não tem voz nas reportagens sobre o tema. A cada novo índice ou política pública proposta, gestores falam, historiadores, economistas e acadêmicos opinam, mas educadores não são ouvidos.
O fenômeno, acompanhado por Fernanda Campagnucci desde 2007, quando era editora do site do Observatório da Educação, foi tema de mestrado defendido pela jornalista em 2014 na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). A dissertação “O silêncio dos professores” identifica e analisa o processo de construção desse silenciamento.
O trabalho mostra como os profissionais responsáveis por ensinar as pessoas a terem capacidades como autonomia, pensamento crítico e capacidade de reflexão sentem-se tolhidos a não falar sobre sua profissão e rotina. São figuras raras não apenas nas reportagens educacionais, mas no próprio debate sobre as medidas a tomar para que seu desempenho seja bom.
“É um silêncio construído e reiterado”, afirma Fernanda, que entrevistou dez profissionais de várias regiões da cidade de São Paulo para explicar por que não falam ou o que ocorre quando conversam com jornalistas. O estudo também ouviu jornalistas que comentam suas tentativas frustradas de entrevistas. A conclusão é de que os educadores não são silenciados propositalmente ou deixam de falar por convicção, mas por uma “impregnação na cultura institucional” que inclui fatores como condições de trabalho e autoimagem do professor.
Muitos citam que declarações à imprensa são proibidas por lei. De fato, até 2009, um resquício da ditadura, popularmente chamado de “lei da mordaça”, proibia as entrevistas. Uma campanha do próprio observatório culminou na mudança da legislação, mas não do comportamento dos professores. “Mesmo os mais novos, quando entram, aprendem com os mais velhos que não devem falar do que acontece dentro da escola. Eles não citam exatamente o artigo, no máximo o estatuto do servidor sem ser específico”, conta.
As entrevistas também mostraram que o cuidado é aprendido na prática. Dos dez professores, dois foram escolhidos por já terem falado em reportagens e um deles foi repreendido pela diretora. “Embora as secretarias de Educação afirmem que há liberdade de expressão, o trabalho para silenciar é explícito”, diz Fernanda. Durante as greves estaduais, por exemplo, um comunicado dúbio reforça que não é permitido falar pelas instituições e acaba reprimindo qualquer fala. Da mesma forma, quando ocorre um caso pontual, como um episódio de violência, uma equipe de “gestão de crise” é enviada para “intermediar” o diálogo. Como resultado, nenhum professor comenta o assunto.
A desvalorização geral do educador também acaba por impactar subjetivamente o professor. “Ele vê reportagens que falam sobre educação e sabe que não é assim. Às vezes vive um conflito entre a realidade que vivencia e a que é retratada, mas acaba tão estigmatizado pela mídia, pela sociedade, até mesmo dentro da família que muda a sua autoimagem e aceita”, lamenta a pesquisadora.
Outro problema é a precariedade do trabalho. A profissão tem grande número de profissionais temporários, contratados sem concurso e que são dispensados após alguns meses. Também são muitos os docentes em estágio probatório por terem sido aprovados há menos de três anos. Mesmo os que são efetivos têm pouco vínculo com a direção, pela alta rotatividade ou pela jornada que, não raro, estende-se por mais de uma escola. No Estado de São Paulo, por exemplo, 26% dos docentes lecionam em dois ou mais estabelecimentos. “Eles não se sentem seguros o suficiente, estão em um ambiente burocrático e sem vínculos fortes, por isso uma entrevista é algo tão difícil”, explica a mestre.
Segundo sua pesquisa, depois de certo ponto da carreira, falar sobre o próprio trabalho passa a ser estranho para o professor que nunca tomou tal iniciativa. “A situação toda vai criando uma pré-disposição para não falar que depois se torna permanente ao longo da carreira.”
O levantamento mostrou também que os casos de professores retratados em reportagens são exceções extremas, em que os educadores aparecem como heróis apesar de um contexto ruim ou como responsáveis pela má qualidade na Educação, de forma isolada. A constatação deu origem à campanha “Nem herói nem culpado, professor tem que ser valorizado”, do mesmo Observatório da Educação. “Estas reportagens reforçam ainda mais a visão de que os educadores em geral não estão preparados.”
Para ela, apesar de todos os setores da sociedade e especialmente os governos desempenharem um papel de protagonista no silêncio, educadores e jornalistas podem ajudar a romper o ciclo vicioso. Por parte da imprensa, Fernanda diz que é preciso enfocar a falta de liberdade de expressão. “A mídia não pode naturalizar o silenciamento dos professores nem deixando de procurá-los e nem em respostas como ‘não respondeu à reportagem’. Quanto mais for enfatizada a razão dos educadores não constarem nos textos, maior a visibilidade para este problema”, diz.
Ao mesmo tempo, ela acredita que o tema deve constar das formações continuadas dentro das escolas e servir de reflexão para os educadores. “Todo esforço para mostrar a realidade influencia para que haja mudanças. É um processo amplo, que envolve questões objetivas e subjetivas do educador sobre o seu papel. O primeiro passo é tomar consciência”, conclui.
Saiba Mais
Silêncio dos professores? Uma interpretação sociológica sobre a “ausência” da voz docente no jornalismo educacional, de Fernanda Campagnucci Pereira. USP, 2014.
Fonte: Carta na Escola

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