Sinpro cobra imediato pagamento dos professores aposentados na CLDF
Jornalista: sindicato
A Comissão de Negociação do Sinpro teve duas reuniões nesta sexta-feira (20), com o presidente da Câmara Legislativa do DF, deputado Wasny de Roure (PT).
Na parte da manhã, os diretores do Sinpro expuseram para Wasny e para a deputada Arlete Sampaio (PT), da necessidade de se resolver o quanto antes a questão dos acertos financeiros dos(as) professores(as), que se aposentaram em setembro e outubro e que ainda não foram realizados. Os representantes do Sindicato endossaram que os(as) professores(as) precisam receber o que é devido antes do encerramento do exercício fiscal de 2014. O deputado Wasny afirmou que está acompanhando toda essa questão orçamentária. Ele disse que marcará, junto com a deputada Arlete, uma reunião com a equipe que executa o orçamento do GDF para priorizar este acerto financeiro.
Na parte da tarde, o deputado Wasny recebeu 13 professores(as) aposentados(as) que estão sem acerto financeiro e também a Comissão de Negociação do Sinpro. O deputado disse que irá marcar uma reunião com o Secretário de Educação (Marcelo Aguiar), o Secretário de Planejamento e Orçamento (Paulo de Oliveira) e o Secretário de Fazenda (Adonias Santiago), para discutir esta questão. Também estarão presentes três diretores do Sinpro e três representantes dos(as) professores(as) aposentados(as). O encontro está previsto para a manhã de terça-feira (25).
O Sinpro acompanha o caso de perto. Já realizou dois atos públicos (o último deles na terça-feira, dia 18) e exige o imediato acerto financeiro com estes(as) professores(as) que já trabalharam 25 e 30 anos e não puderam usufruir da licença prêmio quando estavam em exercício. De acordo com o artigo 42 da Lei Complementar 840, eles(as) fazem jus em receber o pagamento em pecúnia. O Sinpro exige que a lei seja cumprida.
O Sindicato estabeleceu para esta sexta-feira (21) o prazo para que o GDF se posicione e divulgue a data em que fará o acerto para os(as) professores(as). O Sinpro não admite uma data que seja posterior ao 5° dia útil do mês de dezembro. PDE
Também foi cobrado do deputado Wasny a urgência na apreciação do Plano Distrital de Educação (PDE), que foi construído com toda a sociedade. O atraso do envio do plano, pelo Secretário de Educação Marcelo Aguiar, é preocupante. O deputado afirmou que cai cobrar do Secretário para que o PDE ainda seja apreciado nesta magistratura.
Brasil relembra 10 anos de morte do economista Celso Furtado
Jornalista: sindicato
Na semana em que o país perdeu um dos grandes nomes da área do Direito, o ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos, e oito dias após a morte de um dos mais importantes filósofos marxistas brasileiros, Leandro Konder, completou-se também uma década da morte de um dos mais brilhantes economistas do país: Celso Furtado.
Bastos (1935-2014) era um advogado criminalista disputado por acusados dos crimes de colarinho branco. Faleceu nessa quinta-feira (20/11), aos 79 anos, e entre as preciosidades encontradas no seu legado, deixou a máxima de que “toda e qualquer pessoa merece defesa e desde que me procure eu tentarei, mesmo ela sendo culpada, uma condenação mais justa”. Não é à toa que ele era fundador e conselheiro do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).
Leandro Konder (1936-2014), por sua vez, defensor das causas trabalhistas e das associações sindicais durante a ditadura militar, época em que era proibido o direito de formar organizações de trabalhadores no país, dizia que “o sentimentalismo patriótico camuflou contradições e disfarçou grandes desigualdades” no Brasil. Publicou 21 obras e, dentre elas, “O que é dialética?”, “Introdução ao fascismo”, “Sobre o amor”.
Se Márcio Thomaz Bastos passou pela vida defendendo o direito de toda pessoa ter direito à defesa e, Leandro Konder, os direitos políticos e uma sociedade mais justa, Celso Furtado (1920-2004) não ficou para trás. Furtado lutou para o Brasil sair do subdesenvolvimento. Ele, que morreu num sábado, em 20 de novembro de 2004, dizia que “o desafio dos países de industrialização avançada, incluindo aí o Brasil, é ser competitivo e ganhar espaço no plano internacional, gerar emprego de remuneração adequada à população crescente e avançar em uma distribuição de renda mais igualitária”.
A máxima de Celso Furtado era a de que “a luta contra o subdesenvolvimento é um processo de construção de estruturas, portanto, implica na existência de uma vontade política orientada por um projeto”. A coincidência na vida desses três personagens não está somente na luta, mas na insistência é materializar, em termos de distribuição de renda e justiça social, o desejo de ver o povo brasileiro em condições de igualdade com os povos dos países ricos.
O dia 20 de novembro passou, assim, a ter um significado triplamente importante para a luta por justiça social, não só por trazer à memória o dia da morte de Zumbi dos Palmares e reivindicar essa figura histórica como símbolo de resistência — e , com isso, todo ano, pautar nos debates políticos, o problema do racismo e suas consequências nefastas, bem como a reafirmação da data da consciência negra —, mas também passou a ser o marco do desaparecimento do advogado humanista Thomaz Bastos e de Celso Furtado, ambos comprometidos com a justiça social. Este último, considerado internacionalmente como um dos maiores intelectuais latino-americanos do século XX pela valiosa contribuição à Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), desde o ano de 1948, data de sua inauguração.
Apesar de a obra consagrada de Furtado ser “A formação econômica do Brasil”, outra merece destaque. Trata-se do livro “Liberalismo econômico, publicado em 1938, apresentado em sala de aula do Ginásio Pernambucano, em Recife. Esse livro foi publicado também em “Anos de formação 1938-1948”, Arquivos Celso Furtado, volume 6, 2014, e é considerada uma das mais importantes obras para quem quer conhecer a trajetória do economista paraibano.
Contemporâneo de John Maynard Keynes, autor do clássico em economia intitulado “A teoria geral do emprego, do juro e da moeda”,Furtado escreveu, no limiar da sua carreira profissional e trajetória intelectual, que “assim como não se compreende a história sem o fator econômico, a economia não possui expressão isolada da história” (1938). Na primeira metade do século XX, o jovem economista considerava haver choques de interesses, desigualdades e conflitos sociais em jogo no capitalismo.
A contribuição de Furtado extrapolou o campo da economia. Ele faz parte dos pensadores brasileiros que consideram o subdesenvolvimento como uma forma de organização social no interior do sistema capitalista, sendo contrário à ideia de que seja uma etapa para o desenvolvimento, como podem sugerir os termos de país “emergente” e “em desenvolvimento”.
Para ele, o subdesenvolvimento é um processo estrutural específico e não uma fase pela qual tenham passado os países hoje considerados desenvolvidos. Ele dizia que não faria “como esses economistas que isolam um grupo de fenômenos e sobre ele constroem um mundo de abstrações como se o homem fosse uma matéria inerte, ou como se eles não fossem homens”. Uma sociedade harmônica seria uma sociedade de mortos, uma paz de cemitérios, sem movimentos, conflitos, anseios, desejos, riscos, incertezas, possibilidades e mudanças históricas. Com informações da internet.
Alunos do CEE 01 de Brazlândia visitam museu na Cidade de Goiás
Jornalista: sindicato
A Educação Precoce do Centro de Ensino Especial 01 de Brazlândia visitou novamente o Museu Casa de Cora Coralina na Cidade de Goiás – GO. A visita aconteceu no dia 13 de novembro e, além das crianças de três anos, foram também os pais ou responsáveis, professores, direção da escola e um representante do SINPRO/DF, totalizando 85 pessoas.
O projeto nasceu no ano de 2013, partindo de alguns livros de literatura infantil da poeta e doceira Cora Coralina e de uma coletânea de suas receitas, da qual foram escolhidas, juntamente com os alunos, as receitas que seriam produzidas por eles no decorrer do ano, geralmente uma por semana. Para a materialização dessa ação foi necessário adquirir livros, um tacho de cobre, uma colher de pau e um pequeno fogão a lenha.
O objetivo da viagem foi tornar possível a concretização da experiência cultural e espacial vivenciada pelos alunos durante o ano letivo. As crianças relataram que o passeio foi incrível. Elas se encantaram com a casa e com a atmosfera da cidade e sua culinária, fazendo todos voltarem no tempo, vivenciando a época em que Cora Coralina escrevia seus livros.
No Dia da Consciência Negra, movimentos pedem reforma política e da mídia em SP
Jornalista: sindicato
Para comemorar o Dia da Consciência Negra, movimentos negros foram às ruas em São Paulo para pedir por reforma política e da mídia, desmilitarização da polícia e pela destinação de mais recursos para as políticas de inclusão social. Cerca de 500 pessoas, segundo a Polícia Militar, participam do ato, que reúne baterias de escola de samba, passistas e baianas, além de religiosos.
O ato começou na Avenida Paulista e, no fim da tarde, os manifestantes ocupavam um dos sentidos da Avenida Consolação, com destino ao Theatro Municipal, no centro da capital.
Esta é a 11ª edição da Marcha da Consciência Negra e, este ano, segundo Dennis Oliveira, coordenador do Coletivo Quilombação, o protesto engloba sete eixos principais de luta: a reforma política, em que pedem o fim do financiamento privado nas campanhas políticas; a reforma da mídia, em que defendem a democratização da mídia; a desmilitarização da polícia e o fim dos autos de resistência; a destinação de mais recursos para as políticas de inclusão social; a implantação das leis antirracismo; o direito de expressão das religiões de matriz africana; e contra o machismo e a violência contra a mulher negra.
“Esta é uma marcha que a gente faz pela décima primeira vez na cidade de São Paulo. O objetivo principal é dizer o que significa a consciência negra não só para nós, negros, como para toda a sociedade brasileira”, disse Flávio Jorge Rodrigues da Silva, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen).
Segundo ele, o ato vai terminar este ano no Theatro Municipal porque o local é um dos símbolos da luta do movimento negro. “O Theatro Municipal tem uma importância muito grande para nós, negros e negras, porque foi onde realizamos nossas primeiras manifestações públicas do movimento negro recente, em julho de 1978, nas escadarias do municipal, em plena ditadura”, lembrou.
De acordo com Silva, duas lutas são fundamentais no ato de hoje. A primeira é a reforma política.“Nos sentimos subrepresentados no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais”, disse. A segunda, envolve a juventude negra. “Há um genocídio da juventude negra brasileira. Então, para nós, a desmilitarização da polícia e o fim dos autos de resistência são questões centrais”, acrescentou.
Rafael Costa, da União Nacional dos Estudantes, ainda destacou a questão envolvendo a maioridade penal. “Também estamos nas ruas para dizer que somos contra a redução da maioridade penal que não só não resolverá o problema de segurança pública como aumentará o encarceramento principalmente da juventude negra e periférica”, disse. “Está em curso no Brasil um verdadeiro genocídio da juventude negra, onde 75% dos jovens assassinados são negros”, ressaltou.
Antes da caminhada ao Theatro Municipal, quando o ato ainda estava concentrado no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a artista plástica Olívia Vitória fez uma performance tirando toda a sua roupa e a substituindo por colares no pescoço e lenços amarrados na cabeça e na parte de baixo do corpo. Segundo ela, a performance demonstrava um ritual da estética afro. “Fiz isso em homenagem a Dandara, Zumbi e a todos os meus ancestrais negros”, explicou. “Vim aqui hoje na tentativa de mostrar para a sociedade o que é a estética afrodiaspórica. Por que as pessoas não se vestem mais assim?”, indagou.
Rio
Centenas de pessoas do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fizeram uma manifestação hoje, na Praia do Leblon, no Rio de Janeiro, e aproveitaram para passar o feriado da Dia da Consciência Negra na praia. De ônibus, eles partiram de São Gonçalo, na região metropolitana, onde a ocupação Zumbi dos Palmares foidesmontada semana passada . A ideia era aproveitar o dia também para lembrar que o racismo e a exclusão social nas cidades dificultam o acesso à moradia digna.
Um dos coordenadores do MTST, Carlos Augusto Melo, disse que a sociedade precisa acelerar o acesso a direitos para a população negra, como forma de superar a exclusão provocada pela escravidão e a falta de políticas públicas desde então. “Há racismo na própria ausência de negros em espaço privilegiados como esse. E, mais diretamente, na revista que as pessoas sofrem, por exemplo, para chegar até aqui”, criticou.
Nas contas do movimento, cerca de 55% da população de São Gonçalo – município mais populoso do estado – são formados por pessoas pretas e perdas, os chamados negros, que também eram maioria na Ocupação Zumbi dos Palmares. Vivendo de aluguel e em moradias precárias, eles aderiram ao movimento, com a expectativa de receberem imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, em que o governo atua em conjunto com organizações da sociedade.
(Da Rede Brasil Atual)
Mais um 20 de novembro e seguimos em resistência, seguimos em urgente e necessária luta. Porque os estigmas, estereótipos e representações sobre o feminino negro nos mais diversos espaços, sobretudo na mídia, se repetem, se atualizam e se recriam. Não só em termos de conteúdo, mas também de apresentação e articulação, encontrando ressonância, inclusive, entre os nossos parceiros de militância, como aconteceu recentemente com o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ).
O deputado Jean recebeu críticas de quem luta contra a estereotipação do corpo da mulher negra. O parlamentar concordou com a representação cultural que continua a colocar os corpos femininos negros num lugar de hiperssexualização e subalternidade. Ignorou as denúncias de diversas organizações de mulheres negras em relação ao programa “Sexo e as Negas”, ao defender a produção que contribui para reforçar os estereótipos e lugares de subalternidade que nos inferiorizam e nos afastam do que é intelectual e pensante.
Justamente por considerar o deputado Jean um parceiro, pois é um dos poucos que enfrenta o conservadorismo no Congresso Nacional, que é preciso cobrar a coerência e imediata retratação. De forma solidária, mas também incisiva, porque a população negra, as mulheres negras já foram silenciadas e violentadas demais. Queremos inclusão e visibilidade, mas não de forma subalterna ou estereotipada. Não mais, nunca mais. É preciso o respeito ao fato de que o protagonismo na luta e o poder de determinar o que nos agride ou não serão sempre nossos, do povo negro.
A hipersexualização das mulheres negras na mídia brasileira nos leva à discussão sobre a sub-representação, a invisibilidade e a representação distorcida da população negra em geral na mídia, que, por sua vez, nos leva a uma discussão também muito urgente: a revisão do marco regulatório das comunicações, a partir da ausência de pluralidade e diversidade na mídia, que esvazia a dimensão pública dos meios de comunicação.
Um novo marco regulatório que garanta o direito à comunicação a todos e todas, ampliando a liberdade de expressão, a diversidade e pluralidade na televisão na mídia, é urgente para que esse setor se torne um ambiente realmente democrático. Como propõe o Projeto de Lei Iniciativa Popular da Mídia Democrática (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação-FNDC, 2012), esta nova legislação deve “promover a pluralidade de ideias e opiniões; fomentar a cultura nacional, a diversidade regional, étnico-racial, de gênero, classe social, etária e de orientação sexual; garantir os direitos dos usuários”, entre outros princípios.
Nesse contexto de baixa representação e estigmatização da população negra brasileira, uma certeza permanece: o racismo se mantém no espaço midiático, atualizando-se, reinventando-se, e reaparecendo sob os mais diversos modos, estilos, contextos e títulos. Hoje, “O Sexo e as Nega”. Amanhã, o que será? Não sabemos. Sabemos apenas que não vamos mais permitir que nos calem ou nos violentem. Nunca mais. Seguimos em resistência e, se for preciso, lutaremos por vários anos, por mais alguns novembros.
Palmares vive. Não nos calaremos.
*Por Cecília Bezerra *Cecília Bizerra é jornalista, militante da Irmandade Pretas Candangas e integrante do Coletivo Intervozes. Com colaboração de Daniela Luciana, jornalista e militante da Irmandade Pretas Candangas.
(Da Carta Capital)
Escolas de Brasília festejam o Dia da Consciência Negra
Jornalista: sindicato
O Brasil é uma imensa diversidade — que se revela na paisagem e no povo. Já reparou como as pessoas daqui são diferentes umas das outras? Tem gente de pele parda, negra, branca, amarela… E as texturas do cabelo, então? Vão desde o mais liso até o mais crespo! Tudo isso é fruto da miscigenação entre os diferentes povos que ocuparam as terras brasileiras durante o período da colonização: os europeus, os indígenas e os negros, que chegaram ao Brasil trazidos da África e contribuíram imensamente com a formação da cultura brasileira.
Para refletir sobre o papel dos negros na história e celebrar a diversidade cultural que eles ajudaram a trazer para o nosso país é que existe o Dia da Consciência Negra, celebrado na próxima quinta-feira (20). A data foi escolhida por conta da morte de um importante personagem histórico: o Zumbi — mas não é aquele dos filmes de terror! Esse Zumbi foi um importante guerreiro que combateu a escravidão e liderou o quilombo dos Palmares, um dos maiores e mais famosos da época. Zumbi dos Palmares, como ficou conhecido, morreu há muito tempo, lá em 1695, mas as conquistas dele ainda são lembradas e, até hoje, ele é reconhecido como um verdadeiro herói brasileiro.
Descobrindo a cultura africana
Isabele e Carlos, 10 anos coloriram máscaras africanas
A história da África está na ponta da língua dos alunos da Escola Classe 5, do Guará. Ou melhor… diante dos olhos! Em novembro, eles conheceram um pouco da cultura do continente e montaram um mural com máscaras típicas da arte africana. Não parou por aí: eles também assistiram a uma roda de capoeira, apresentada por professores e estudantes. Para Isabele Silva, 10 anos, celebrar a data é uma maneira de conhecer mais sobre as origens do Brasil.
— Estudei várias personalidades e achei muito legal pintar as máscaras. Conhecer a história é importante para conseguir conscientizar outras pessoas.
Carlos Eduardo Rodrigues, 10, também pintou uma máscara e se surpreendeu com a apresentação de capoeira.
— Eu nunca tinha visto assim, de perto. Foi a primeira vez. Gostei bastante e acho que deve ser muito difícil fazer os movimentos que eles fazem.
Mesmo quem já conhecia a mistura de dança com arte marcial gostou da apresentação. Marco Aurélio Pereira, 11, pratica capoeira há dois anos e cantou todas as ladainhas — como são chamadas as músicas tocadas nas rodas. Ele acha que ter um dia especial para falar sobre o tema é importante para acabar com o preconceito.
— Se não fosse a luta dos negros que vieram para o Brasil, não teríamos tanta liberdade, como temos hoje. Acho o preconceito uma bobagem e fico muito chateado que esse tipo de coisa ainda exista. Conhecer a nossa história ajuda a combater isso.
Dando pano para a… cabeça!
A moda no Jardim de Infância 603 do Recanto das Emas é enfeitar a cabeça e assumir a cabeleira! Eles aprenderam a lição com a história de Lelê, uma garota que questiona o porquê de ter o cabelo tão cheio de cachinhos. Assim como ela, os colegas conheceram a história da África e descobriram as semelhanças entre as pessoas daquele continente e as que moram no Brasil. O passeio reservou mais uma surpresa: eles aprenderam a usar turbantes — adornos feitos com tecidos na cabeça bastante comuns no norte e no leste da África. Joanna Tainá dos Santos, 4 anos, já conhecia o enfeite:
— Eu já tinha usado turbante porque a minha mãe sabe fazer. Acho que fica muito bonito. Também achei a história da Lelê muito linda.
Já Heloisa Lourenço, 6, nunca tinha usado um turbante, mas gostou de conhecer um pouco mais sobre a cultura africana.
— Eu sempre uso tiara, mas o turbante também é legal. Eu gostei muito das roupas que eles usam por lá também. Dá para usar os dois juntos.
A brincadeira não ficou só entre as meninas. Os meninos também ganharam tipos diferentes de turbantes para enfeitar a cabeça, como conta Thayson Barboza, 5:
— Eu já sabia que os meninos também podiam usar. Eu gostei porque não faz calor.
Para ler
Homens da África
Ahmadou Kourouma
Edições SM, 160 páginas, R$ 49
O livro apresenta características culturais, religiosas e sociais dos habitantes da África do Oeste.
Martin e Rosa: Martin Luther King e Rosa Parks, unidos pela igualdade
Raphaële Frier
Editora Zahar, 48 páginas, R$ 39,90
Conheça a história de Rosa Parks e Martin Luther King, que desafiaram a divisão entre brancos e negros nos Estados Unidos.
O cabelo de Lelê Valéria Belém
Editora IBEP Nacional, 31 páginas, R$ 27,90
Lelê descobre que em cada cachinho de seu cabelo existe um pedaço da herança africana.
Um pouco de história
Da colonização para cá, muita gente passou a conhecer e ter orgulho das origens africanas, mas nem sempre foi assim. Por mais de 300 anos, os negros foram aprisionados e trazidos em navios negreiros para o Brasil, onde eram forçados a trabalhar nas fazendas de cana-de-açúcar ou nas minas de ouro. Naquele tempo, os negros não podiam expressar suas crenças e seus costumes e precisavam ficar escondidos para praticar os rituais religiosos, cantar as músicas e participar das danças típicas da cultura deles. Todo esse horror só acabou em 1888, quando a Princesa Isabel colocou um fim na escravidão, com a assinatura da Lei Áurea, dando aos negros o direito de serem livres. Herança que vem de longe
Você sabia que várias coisas no seu dia a dia foram criadas no Brasil pelos africanos? Quando comemos aquela feijoada no final de semana, por exemplo, estamos saboreando um prato criado pelos escravos. Foi mais ou menos assim: os senhores das fazendas não gostavam de comer as orelhas, o rabo e os pés dos porcos, então ofereceram as partes para os escravos, que cozinharam tudo isso com o feijão e acabaram criando um prato tipicamente afro-brasileiro. Também podemos ver a herança daquela época quando assistimos à apresentação de uma escola de samba: a cuíca e o reco-reco são dois instrumentos musicais de origem africana. Até quando falamos deixamos à mostra a nossa origem! Várias palavras da língua portuguesa foram adaptadas do idioma falado pelos povos bantos, que moravam no litoral da África. Quer exemplos? Fubá, macaco, gangorra, moleque, dengo e bagunça são todas expressões de origem africana.O jeito dengoso, amoroso, do brasileiro também é uma herança dos africanos.
Minha escola também participa
Seu colégio também está comemorando o Dia da Consciência Negra? Então, envie um e-mail com foto, nome completo, idade e telefone para super.df@dabr.com.br. Você pode aparecer na próxima edição do seu caderno infantil.
Consciência na telona
No mês da consciência negra, os alunos do 6º ano do Centro de Ensino Fundamental 1 do Paranoá pararam para refletir um pouco sobre o preconceito. Eles assistiram ao filme Vista minha pele, dirigido por Joel Zito Araújo, no qual uma garota branca tenta ganhar votos num concurso de beleza da escola. Mas, nesse filme, a história do Brasil é contada de uma maneira diferente: na ficção, as pessoas brancas é que foram escravizadas durante a colonização e que sofrem, até hoje, com o preconceito. Veja a opinião de estudantes sobre o filme:
Marcos Paulo Pereira, 12 anos:
— Se eu estivesse no lugar da garota do filme, acho que teria desistido. Nos dias de hoje, algumas coisas mudaram, mas precisamos mudar mais ainda para acabar com o preconceito.
Rosilene Lourenço, 12 anos:
— A troca de lugares no filme é muito legal. Desde a escravidão, muita coisa mudou em relação ao preconceito, mas algumas pessoas ainda precisam se colocar mais no papel das outras.
Antonia Gabrielle, 12 anos:
— Achei o filme muito interessante. Tratar alguém mal pode ter uma consequência muito séria. Muita gente ainda não tem consciência do quanto o preconceito é ruim.
Vitória Lourenço, 13 anos:
— Hoje são os negros que sofrem com o preconceito, e no filme é o contrário. Achei importante a troca de papéis, porque algumas pessoas ainda não conseguem se colocar no lugar do outro.
Camila Moreira, 11 anos:
— O filme é bom para fazer com que as pessoas tenham consciência e mudem as suas atitudes. Quando você sente o que o outro passa, consegue entender e mudar.
João Victor dos Santos, 12 anos:
— Uma vez vi um vídeo de um homem tratando uma moça mal porque ela era negra. As pessoas que fazem isso precisam respeitar as diferenças.
Exposição fotográfica "Áfricas Invisíveis" entra em cartaz neste sábado (22)
Jornalista: sindicato
Entre os dias 22 de novembro e 30 de dezembro, o Festival de Arte e Cultura Negra de Brasília promove a exposição fotográfica “Áfricas Invisíveis”, com fotografias de Sérgio Navalli. Será no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, entre 10h e 18h.
No mesmo local, na sexta (21) ocorre a 10ª edição do Cara e Cultura Negra. O evento consiste em apresentações de vídeos, shows e seminários, a partir das 19 horas.
Todas as informações (e programação completa) estão disponíveis no site www.caraeculturanegra.com.br
Participe!
Juventude negra reivindica mais participação política
Jornalista: sindicato
Em Samambaia, região administrativa do Distrito Federal (DF), a existência de poucos espaços públicos e áreas de lazer levou a própria comunidade a se organizar para construir uma praça. Mas a presença dos jovens incomodou. Para evitá-la, moradores retiraram os bancos e as mesas que eram usados nos encontros. O exemplo retrata uma lógica recorrente: o reconhecimento dos jovens, sobretudo, negros, como sujeitos perigosos e que devem ser mantidos à margem.
Sem equipamentos como praças, salas de cinema e bibliotecas, resta a esses jovens ocupar lugares sem infraestrutura, por vezes inseguros, ou ainda construir os próprios espaços de convivência. Esta foi a opção do Artsam (Arte Solidária, Autônoma e Militância). O grupo reúne jovens que, por meio de diversas expressões culturais, como a música e o teatro, procuram dialogar com a comunidade.
“Foi um despertar coletivo para a necessidade de ter uma organização que dialogasse com a juventude e com o movimento hip hop Samambaia”, conta Marcus Dantas, o Markão Aborígine, 29 anos. Ele relata que os integrantes decidiram “se organizar e passar a reivindicar direitos que são historicamente violados”.
“Não dava para a gente ficar reclamando uma política pública de cultura. Decidimos colocar o cinema na rua. Então, a gente faz um cineclube, vai para as praças e para as garagens das casas fazer debates”, explica.
Além dos cineclubes, os integrantes do Artsam, moradores de Samambaia, do Recanto das Emas e de outras regiões administrativas do DF, desenvolvem uma série de atividades, como saraus, ensaios abertos e escolas de formação. O coletivo também participa de ações com outros movimentos sociais, como o plebiscito popular pela reforma política e a luta contra as opressões.
A organização da juventude negra e moradora da periferia é um dos pontos destacados pelos integrantes do grupo, que reclamam da falta de representação política dessa população e de, muitas vezes, serem os brancos a terem a voz valorizada, mesmo quando falam sobre a questão racial.
“Em qualquer lugar que a gente vá, principalmente institucional, a gente não tem uma maioria de negros e negras atuando. A gente ainda tem a elite branca, classista e racista aparecendo como salvadora da pátria de um negro, querendo defender pautas de moleques que apanham da polícia quase todos os dias, na periferia”, avalia Henrique QI, 22 anos, rapper e educador social.
A opinião é compartilhada por Markão. Embora comemore conquistas, como a ampliação do acesso à universidade e ao mundo do trabalho, ele aponta que a desigualdade permanece, o que gera uma grande demanda por participação em diversas esferas da sociedade.
“Há uma demanda de participação no mundo do trabalho, no cinema, em uma festa. Uma demanda de se colocar, de espaço de fala. E como isso foi historicamente arrancado da gente, muitas vezes eles vão participar de outras maneiras para serem vistos e vistas, daí a gente pode pensar nos submundos que existem”, destaca Markão.
Um desses espaços é o mercado ilegal do varejo de drogas. Henrique conta que chegam à periferia não apenas drogas, mas também armas, que acabam sendo usadas para matar esses jovens. Por isso, ele aponta a importância de debates sobre a legalização das drogas e a proposta de mudança na idade penal, por exemplo, para envolver esses jovens. “A gente tem noção do perfil que está sendo eliminado [jovens negros], mas não proporciona [a eles] espaço de fala”, destaca.
(Da Agência Brasil)
Escola Parque de Ceilândia realiza flash mob nesta quinta (20)
Jornalista: sindicato
Na quinta-feira (20), às 14h, será apresentado um Flash Mob na Escola Parque Professor Anísio Teixeira. O evento é aberto à comunidade e a proposta é realizar um manifesto por meio da dança, propondo o fim da violência contra a mulher, além de fomentar estratégias de conscientização dos alunos participantes.
Na data, a unidade escolar receberá a visita de músicos para um pocket show. Será tocada a música tema Break the chain, que teve uma versão em português produzida pela artista Larissa Vitorino e Gregoree Júnior, do Estúdio Veras (Ceilândia), realizou a produção musical, o que deu uma característica bastante brasileira ao evento.
Desde o início de setembro, as professoras de dança estão trabalhando a sensibilização e apresentando a coreografia aos alunos. Em outubro e novembro, além das aulas e ensaios, os estudantes participaram de debates e palestras ministrados por profissionais do TJDF, Deam, SMDF e do Ceam. Haverá sorteio de brindes para alunos e integrantes da comunidade. Serviço:
Escola Parque Anísio Teixeira
QNM 27, Módulo B, Área Especial, em Ceilândia
Mais informações: escolaparquecei@gmail.com
(Da Agência Brasília)
O Sinpro reconhece a importância deste movimento e parabeniza o Movimento dos Sem Terra pelos 30 anos de fundação. A reforma agrária é uma demanda antiga dos(as) trabalhadores(as) e o MST tem papel fundamental neste processo.
Abaixo, segue uma matéria na qual a Câmara dos Deputados parabeniza o MST por esta data:
Nesta segunda-feira (17), a Câmara dos Deputados, em Brasília, realizou uma sessão solene para homenagear os 30 anos do MST.
A iniciativa, proposta pelo deputado federal Valmir Assunção (PT-BA), comemorou o aniversário do Movimento e apresentou para a Casa a unidade dos diversos movimentos de luta pela terra, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf). De acordo com Assunção, a organização política do Sem Terras trouxe conquistas importantes para o povo camponês. “Hoje, são quase 130 mil famílias acampadas. Assentamentos já organizaram mais de 100 cooperativas e mais de 1900 associações em todo o Brasil. Filhos de trabalhadores rurais puderam estudar e se formar em universidades públicas. O Movimento é o maior produtor de arroz orgânico do país e é reconhecido internacionalmente por sua ação na área dos Direitos Humanos” afirmou o parlamentar baiano que é oriundo do MST.
Durante as homenagens, militantes Sem Terra portaram bandeiras e produtos da Reforma Agrária.Uma projeção de fotos, que contava a história do MST, foi exibida para os participantes.
O integrante da coordenação nacional do Movimento, Alexandre Conceição, afirmou que a luta do MST não é fruto, apenas, de um desejo coletivo. “Somos frutos da história, das grandes lutas históricas, como a dos indígenas e das Ligas Camponesas”.
Representando a juventude, o advogado e integrante do Movimento, Diego Vedovatto, destacou o simbolismo da sessão, justamente no momento em que um Senador da República, Eunício Oliveira (PMDB-CE), é questionado por uma ocupação de mais de três mil famílias por possuir um latifúndio de 21 mil hectares da região de Corumbá (GO).
Já para o deputado federal Marcon (PT-RS), assentado da Reforma Agrária, o embate com o latifúndio está no cotidiano da Câmara dos Deputados.
“Aqui a União Democrática Ruralista ainda é presente. Eles não conhecem que o MST se relaciona com diversos países latinoamericanos, da Europa, de todos os continentes”, argumentou. Unidade Camponesa
Representantes da Contag e da Fetraf estiveram presentes na comemoração da Câmara Federal. O Secretário de Política Agrária da Contag, Zenildo Xavier, mostrou a relevância da agricultura familiar para o país ao apresentar os dados da produção de alimentos no Brasil – 70% deles garantidos por este segmento.
O coordenador geral da Fetraf, Marcos Rochinski, por sua vez, ressaltou o protagonismo do MST na luta pela terra. “Inclusive quando o movimento sindical não estava articulado”, pontuou.
Também presente na sessão, a deputada federal Érika Kokay (PT-DF) lembrou da importância das mulheres para as conquistas referentes à Reforma Agrária. Já segundo o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), “o MST é um pedaço da luta pela cidadania e democracia no país”.
(Do Blog do Miro)