No Dia do Professor, docentes em início de carreira relatam desafios

Entrar em sala de aula com crianças e adolescentes e um currículo para cumprir é uma atividade repleta de prazer e também de desafios. No Dia do Professor, comemorado hoje (15), docentes que estão há pouco tempo na sala de aula conversaram com a Agência Brasil sobre o dia a dia em escolas públicas e particulares, as dificuldades com estrutura, materiais didáticos e em prender a atenção dos alunos. Eles falaram também sobre a importância do diálogo e do respeito entre professores e estudantes. Apesar das dificuldades, lecionar é um sonho realizado para muitos deles.
Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), da Organização para a Cooperação (OCDE), divulgada este ano, mostrou que são muitos os desafios a serem vencidos pelos professores do ensino básico. Quase 90% dos professores brasileiros acreditam que a profissão não é valorizada na sociedade. Mesmo assim, a maioria (87%) sente-se realizada com o trabalho. Também, segundo a pesquisa, 20% do tempo em sala de aula são usados para controlar o comportamento dos alunos.
A formação é fator relevante quando se fala da carreira de professor. Os dados do Censo da Educação Superior mostram que, em 2013, os formandos em licenciaturas foram 201.353. O número vem caindo desde 2011, quando foram registrados 238.107 concluintes no grau acadêmico. Em 2012, foram 223.892. O número era 145.859 em 2003 e atingiu o pico dos últimos dez anos em 2009, com 241.536 concluintes em licenciaturas.
Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas a serem cumpridas no setor em dez anos, até 2024, todos os professores do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio devem ter licenciatura na área em que atuam. Esse percentual está em 32,8% nos anos finais do ensino fundamental e em 48,3% no ensino médio, segundo dados do Observatório do PNE, que reúne informações sobre cada meta e estratégia do plano.
O Ministério da Educação tem incentivado a formação dos professores com ações como o Programa de Consolidação das Licenciaturas (Prodocência), que oferece apoio financeiro a projetos pedagógicos inovadores que contribuam para melhorar os cursos de formação de professores da educação básica. Outra iniciativa é o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), desenvolvido em parceria com instituições de educação superior e secretarias de Educação dos estados e municípios, que estimula as licenciaturas.
(Da Agência Brasil)

Transformar realidade de alunos incentiva atuação de jovens professoras

O desejo de transmitir conhecimento e a possibilidade de transformar a realidade de jovens por meio da educação são alguns dos fatores que incentivam a atuação de duas jovens professoras recém-chegadas às salas de aula. Elas já conhecem os desafios da profissão, mas continuam certas de que fizeram a escolha correta.
Filha de professores, Agnes Serrano, 23 anos, tinha ideia dos desafios a serem enfrentados na profissão, mas não teve dúvidas quando decidiu ser professora. Há quatro meses, elá dá aulas de geografia em uma escola pública de Ceilândia, cidade do Distrito Federal próxima a Brasília, para alunos do 6° ao 9° ano do ensino fundamental.
“Sempre ouvi dizer que dar aula era um desafio, mas era prazeroso. Só fui entender agora que dar aula é difícil porque você tem que lidar com realidades muito complicadas do ponto de vista social”, conta Agnes.
O sentimento de que é possível mudar para melhor a realidade dos estudantes é um incentivo para a professora. “A gente se percebe como agente que pode modificar a realidade dos estudantes, incentivando os meninos a seguir em frente, dar prosseguimento aos estudos. Sabemos que é só o estudo que vai mudar essa realidade em que vivem. Temos muitos estudantes que percebem a dificuldade da realidade social deles e querem mudar”, disse.
Na avaliação de Agnes, o professor não chega à sala de aula com o preparo necessário para enfrentar o dia a dia da profissão. Segundo ela, o curso superior oferece uma boa formação teórica, mas falta a prática.
“Acho que a universidade e a educação básica não são próximas e é na educação básica que os alunos são preparados também para entrar no curso superior”. E completa: “Quando entramos em contato com o público com o qual vamos trabalhar, já estamos no fim do curso. Então, acho que a preparação é muito deficiente”.
Em poucas palavras, a professora de geografia resume o que tem sido a experiência desses quatro meses de magistério. “Não imaginei que eu fosse gostar tanto de dar aula. Está sendo muito bom. Tenho a expectativa de devolver à sociedade tudo que aprendi”, diz Agnes, que sempre estudou em instituição pública de ensino.
A professora de espanhol Maria Eduarda Andrade, 23 anos, lecionou por seis meses em escola particular e, desde setembro, dá aulas no Centro de Ensino Médio 01 do Gama, no Distrito Federal. Ainda criança, ela brincava de ser professora e hoje o que era brincadeira se tornou realidade.
Maria Eduarda relata que, como professora de espanhol, tem encontrado prós e contra na atividade. “Espanhol é para alunos de ensino médio e não é uma matéria que reprova, aí você se depara com alunos que não dão a mínima importância para a matéria. Fiquei chocada com algumas coisas que ouvi”, lembra.
Esse susto inicial, no entanto, é compensado pelo retorno positivo de alunos interessados em aprender. “Estou adorando dar aula. Ao mesmo tempo, há os que fazem questão da aula e isso compensa os que não querem nada”.
Ela conta que busca tornar as aulas mais dinâmicas, interagir com os alunos e não se apegar tanto ao livro didático para tornar o aprendizado mais interessante. O uso da tecnologia em sala de aula é citado como meio para prender a atenção dos jovens, mas observa que isso pode ter também um lado negativo. “Muitos estudantes não sabem usar a tecnologia a favor deles e querem bater uma foto do conteúdo que está no quadro em vez de copiar para fixar a matéria”, acrescenta.
(Da Agência Brasil)

Semana pela Democratização da Mídia faz combate ao 'coronelismo eletrônico'

A Semana pela Democratização da Mídia, organizada pelo Fórum Nacional da Democratização da Comunicação (FNDC) em nove estados, de ontem (13) até sábado, promove debates em universidades, audiências públicas nas assembleias legislativas e a coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática (Plip). Na próxima sexta-feira (17) comemora-se o Dia Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação.
Bia Barbosa, integrante do coletivo de jornalismo Intervozes e militante do fórum, explica à Rádio Brasil Atual que, além de promover atividades sobre a conscientização da necessidade de uma mídia democrática, a mobilização quer acabar com o coronelismo eletrônico. “A gente chama de coronelismo eletrônico o controle de deputados e senadores que detêm os meios de comunicação e através da mídia influenciam e controlam o resultado eleitoral”, explica.
Para Bia, durante o período eleitoral, a concentração dos meios de comunicação nas mãos dos interesses privados é “muito grave” para a democracia. “O impacto que esse tipo de tendência, de informação seletiva, em que se fala mais de um ou menos de outro político, tudo isso influencia no resultado eleitoral”, afirma. A militante pontua que nossa mídia é controlada por um grupo de famílias e que o impacto da manipulação de informação, para defender interesses políticos durante as eleições, compromete os resultados.
“A diversidade de ideias, vozes e pluralidades culturais acabam não circulando de forma democrática no conjunto dos meios de comunicação de massa, que são controlados por poucos grupos. Quando a gente fala em democratizar, a gente fala em ampliar o número de vozes que podem se expressar”, considera.
O FNDM integra entidades sindicais e movimentos sociais e elaborou o Plip, que visa a regulamentar as leis de mídia no país. Para tramitar no Congresso Nacional, o projeto precisa do apoio de 1,3 milhão de assinaturas.
A regulamentação da mídia passa pela adoção de medidas de regulação democrática sobre a estrutura do sistema de comunicações, o combate à monopolização da mídia, a luta pela pluralidade de ideias e opiniões nos meios de comunicação e a promoção da cultura nacional em sua diversidade e pluralidade.
(Da Rede Brasil Atual)

CNTE lança campanha em homenagem ao Dia do(a) Professor(a)

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) adotou a selfie como forma carinhosa de homenagear o (a) professor (a) no Dia do (a) Professor (a) e lançou uma campanha nas redes sociais. No dia 15 de outubro, irá publicar com destaque na página inicial do site www.educacaopublicaeuapoio.com.br todas as selfies postadas por docentes e estudantes.
Para participar, basta o (a) professor (a) ou o (a) estudante postar em seu perfil no Facebook a selfie com a hastag #EnsinaEAprende. Estudante: tire uma selfie com seu (sua) professor (a). Educador (a): tire uma selfie com seus (suas) educandos (as). Compartilhe essa ideia!
Veja como é fácil e rápido participar!
1. Tire uma selfie professor e aluno
2. Poste no seu mural do Facebook com a hashtag #EnsinaEAprende
Compartilhe essa ideia!
ensina aprende cnte interna
 

Dilma reafirma compromisso com reforma política

Ao receber o resultado do plebiscito pela reforma do sistema político, com quase oito milhões de brasileiros favoráveis à convocação de uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o tema, a presidenta Dilma Rousseff disse sentir a força e o cheiro de uma transformação social.
O encontro com a presidenta abriu 5ª Plenária Nacional da campanha do Plebiscito Constituinte, que reúne diferentes movimentos do campo e da cidade para debater os próximos passos de mobilizações regionais e nacional.
Diante de militantes de vários estados do país e uma plateia majoritariamente jovem que lotou um teatro da capital federal nesta segunda (13), ela traduziu a importância da campanha que os movimentos social e sindical promoveram na semana da pátria como a comprovação de uma tese na qual acredita: o Brasil deseja mudar as regras do sistema político.
“Eu sou a favor, mas não houve correlação de forças para fazer isso”, apontou, ao destacar a importância de os movimentos ampliarem ainda mais a pressão para que o Congresso convoque uma consulta oficial.
A presidenta ressaltou ainda que não acredita numa autoregulação do Legislativo, o que explica a necessidade de convocar uma Constituinte Soberana, conforme defendem organizações como a CUT, com representantes eleitos pela população exclusivamente para discutir as novas regras do jogo.
Dilma defendeu também que o plebiscito coloque em consulta um programa mínimo, sob risco de questões fundamentais perderem espaço no debate, caso alguns pontos não cheguem aos parlamentares com a chancela do crivo popular.
Para ela, a paridade entre as candidaturas de homens e mulheres, o fim das coligações proporcionais parlamentares – que hoje permitem a um deputado com boa votação eleger outro com baixa, desde que o patido esteja coligado – e o financiamento privado de campanha são questões essenciais.
A presidenta referiu-se ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), citando que, mesmo sem ter filiados de partidos na direção da Polícia Federal e um “engavetador-geral da União”, como era conhecido o ex-procurador-Geral da União, Geraldo Brindeiro, por engavetar denúncias contra parlamentares e ministros de FHC, só haverá um combate efetivo à corrupção com o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais.
Vocês podem se perguntar aonde estão os vários denunciados como tendo feito crimes, malfeitos ou atos de corrupção ao longo de toda a história política desse país. Todos soltos. Nós mudamos essa prática.
A presidenta disse ainda que os programas sociais permanecerão como prioridade em um possível segundo mandato e mais uma vez comparou os projetos em disputa nestas eleições, ao dizer que “gratuito” e “subsídio” são duas palavras que a oposição detesta.
Dilma falou também da vitória em primeiro turno do presidente Evo Morales, na Bolívia, como uma prova da consagração de um projeto popular e de integração da América Latina, segundo ela, que estará em risco, caso os setores conservadores sejam eleitos.
Mídia calou
O silêncio da velha mídia, que ignorou a campanha pelo plebiscito, também recebeu críticas dos dirigentes durante o ato.
Presidente da CUT, Vagner Freitas, apontou que a definição de um marco regulatório para o setor deve ser uma das prioridades de Dilma para o segundo mandato, caso reeleita. “A mídia no Brasil é um artigo político contra o desejo dos trabalhadores”, disse.
Representante da secretaria operativa do Plebiscito, Paola Estrada lembrou que o movimento pelo plebiscito envolveu mais de 1.800 comitês em todos os estados do Brasil e reuniu cerca de 100 mil ativistas que trabalharam para colocar 40 mil urnas nas ruas. Números completamente ignorados pelos grandes meios de comunicação.
Membro da direção do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stédile, afirmou que a reforma política deve enfrentar a atual conjuntura em que o poder econômico das empresas sequestrou a democracia no Brasil e classificou a rede Globo como o quarto poder da República, emendando que os votos também seriam entregues no Rio de Janeiro.
Olho no decreto
Enquanto isso não acontece, a organização do Plebiscito levará o resultado das urnas nesta terça-feira (15) a membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e visitará gabinetes de parlamentares do Congresso Nacional.
O deputado federal Renato Simões (PT-SP) lembrou que há um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para convocação de um plebiscito oficial que depende de 172 assinaturas, o equivalente a um terço da Câmara dos Deputados, para ir ao plenário.
“Esperamos conseguir as assinaturas já no começo de novembro, quando os parlamentares voltam do recesso, para deixar o projeto pronto para ser votado. Acredito que conseguimos chegar a 110 assinaturas, mas esperamos elevar esse número com a pressão dos movimentos em um corpo a corpo com os parlamentares e o apoio da presidenta Dilma”, pontuou.
(Do Portal CUT)

Conselho escolar poderá participar do projeto pedagógico das escolas

Projeto de lei da Câmara dos Deputados que trata da participação de conselheiros escolares na elaboração do projeto pedagógico das escolas públicas de ensino básico encontra-se na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). Os conselhos devem ser formados, segundo a proposta, pelas comunidades escolar e local.
PLC 25/2014, da deputada Fátima Bezerra (PT-RN), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – Lei 9.394/96), que já garante autonomia para os sistemas de ensino estabelecerem normas de gestão democrática. Mas a LDB limita exclusivamente aos profissionais da educação a participação na elaboração do projeto pedagógico da escola. O texto do projeto amplia aos conselheiros escolares essa possibilidade.
Fátima Bezerra (PT-RN) afirma que o Conselho Escolar busca aperfeiçoar a gestão democrática da escola pública. Para a deputada, a participação ativa de todos os segmentos que interferem diretamente na dinâmica escolar – professores, servidores, pais, alunos e comunidade circundante – é importante para a conformação de um laboratório vivo de boas práticas de gestão comunitária e corresponsável.
“O Conselho Escolar pode ser vital para o exercício da democracia participativa. A implementação deste colegiado nas escolas sustentará em nível social ampliado dois pilares fundamentais das sociedades contemporâneas: democracia e cidadania”, afirma.
Conselho escolar
A proposta define conselho escolar como o órgão colegiado da escola pública, com função deliberativa, consultiva, fiscalizadora, mobilizadora e pedagógica, ao qual cabe tanto elaborar o projeto pedagógico como acompanhar sua execução, inclusive sob os aspectos administrativos e financeiros.
A composição, competência e eleição dos membros do conselho deverão ser definidas em lei específica aprovada no âmbito dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, na qual serão divididas igualmente as funções entre os membros que trabalham na escola e o grupo formado por pais e alunos. O funcionamento do conselho será disciplinado no regimento interno da escola. Pelo projeto, a atuação no conselho escolar é considerada serviço público relevante.
(Da Agência Senado)

Escolas técnicas do DF abrem processo seletivo

A Secretaria de Educação do Distrito Federal divulgou nesta segunda-feira (13) processo seletivo para a educação profissional da Escola Técnica de Brasília (ETB) e para o Centro de Ensino Médio Integrado do Gama (Cemi-Gama). São 780 vagas distribuídas em diversos cursos. Para quem concluiu o ensino médio ou estuda a partir do 2º ano, a ETB oferece cursos de eletrônica, eletrotécnica, informática e telecomunicações na modalidade presencial, além de Informática e Telecomunicações a distância. Já o Cemi tem vagas para Informática integral para alunos, a partir de 14 anos, que concluíram o nível médio.
“São cursos de alta qualidade, ministrados por professores da Secretaria de Educação, que fornecem certificado e formam técnicos prontos para o mercado e também prepara para a vida acadêmica. No ano passado, dos nossos 160 formandos, 120 chegaram à Universidade de Brasília (UnB)”, destacou o vice-diretor da Cemi, Carlos Lafaiete Formiga.
Para a ETB, as inscrições para o processo classificatório podem ser feitas até 31 de outubro, na própria escola, que fica na Avenida Águas Claras, QS 7, Lotes 2/8, Águas Claras. A prova está prevista para 23 de novembro. A Cemi, com inscrições no mesmo período, está instalado na Área Especial (SOE Eq 12/16, Gama Oeste). A avaliação vai aocntecer em 30 de novembro. A íntegra do edital foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal desta segunda-feira (13/10).
(Do Correio Braziliense)

Palestras sobre "esporte, política e a mídia" começam nesta segunda (13), na UnB

O Grupo de Pesquisa e Formação Sociocrítica em Educação Física, Esporte e Lazer (AVANTE), da Faculdade de Educação Física da UnB, está promovendo 1º Ciclo de Palestras do AVANTE, que debaterá o tema “esporte, política e mídia”. As palestras acontecerão nos dias 13, 23 e 30 de outubro  no Auditório da Faculdade de Educação Física da UnB. As inscrições serão realizadas no evento. Vagas limitadas.
Confira a programação:
Dia 13 de outubro às 19h o convidado é o jornalista Lúcio de Castro (ESPN Brasil)
Dia 23 de outubro às 19h30, o convidado é o jornalista Mauro Cezar Pereira (ESPN Brasil)
Dia 30 de outubro às 18h30, o convidado é o professor Lino Castellani Filho (Unicamp)
Participe!

MEC anuncia dados preliminares do Censo Escolar de 2014

O Ministério da Educação divulgou no Diário Oficial da União desta segunda-feira (13) os resultados preliminares do Censo Escolar de 2014.
Os resultados referem-se à matrícula inicial na creche, pré-escola, Ensino Fundamental e Ensino Médio (incluindo o médio integrado e normal magistério), no Ensino Regular e na Educação de Jovens e Adultos presencial Fundamental e Médio (incluindo a EJA integrada à educação profissional) das redes estaduais e municipais, urbanas e rurais em tempo parcial e integral e o total de matrículas nessas redes de ensino.
Os resultados são apresentados por Unidade da Federação, em ordem alfabética, segundo os municípios. Confira no DOU todos os dados. As matrículas da Educação Especial constam no Anexo II.
(Do Portal Brasil)

Como professores de todo o Brasil transformaram a vida de seus alunos

Marcio Silva
Professora Ana Telles com seus alunos: crianças apresentaram sarau para a comunidade

No município de Campo Bom (RS), alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santos Dumond fazem mutirões para recolher lixo e plantar mudas de árvores nas margens do arroio. Em São Paulo (SP), estudantes do colégio Stance Dual fizeram um levantamento dos problemas do bairro, elegeram prioridades, se organizaram e enviaram uma carta à subprefeitura responsável pela região, solicitando a recuperação da praça Contos Fluminenses. Em Cacoal (RO), alunos da Escola Estadual Cora Coralina estão envolvidos numa iniciativa que ajuda a controlar a dengue no município: eles distribuem sementes de crotalária, uma planta que atrai libélulas, predadores naturais das larvas e do mosquito que causa a doença.
Embora diferentes entre si e fortemente vinculadas às realidades em que estão inseridas, as iniciativas acima descritas possuem algo em comum: foram colocadas em prática por professores e extrapolaram o ambiente escolar, impactando o entorno de suas escolas. No Rio Grande do Sul, a evasão escolar diminuiu junto com a redução das enchentes do arroio Peri. Em Rondônia, o projeto Cacoal contra a dengue ganhou fôlego e escala, resultando numa parceria da escola com as secretarias municipais de Saúde e do Meio Ambiente. Em São Paulo, a praça foi reformada e, agora, o desafio é envolver os comerciantes da região da Bela Vista para fazer a manutenção do local.
Esses exemplos mostram que, apesar de um cotidiano atribulado e permeado de desafios, em todas as partes do Brasil muitos docentes transformam problemas e desafios do dia a dia em iniciativas que mudam (para melhor) a vida dos alunos, das escolas e, muitas vezes, da comunidade. Quais seriam, então, as características que fazem com que esses profissionais se destaquem em seu grupo? Como eles conseguem superar a realidade muitas vezes desanimadora das escolas brasileiras? O que faz com que eles se tornem professores transformadores?
Para Bernadete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, são muitos os professores que realizam ações transformadoras e inovadoras no Brasil e que, para isso, muitas vezes, superam as dificuldades que encontram no trabalho e, até, as falhas de formação. Segundo a pesquisadora, o diferencial desses profissionais é aliar uma insatisfação com a realidade ao impulso de encontrar soluções para os problemas.
COMPROMISSO SOCIAL
Como se sabe, o cenário para o exercício da docência no Brasil oferece condições distantes do ideal. Um a cada quatro docentes tem contrato precário ou é terceirizado, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A remuneração ainda deixa a desejar, embora tenha melhorado nos últimos anos: na média, o salário dos docentes corresponde a 51% do salário médio de um profissional com curso superior, formado em outras áreas. Além de ganhar menos, os professores trabalham longas horas, muitas vezes em diversos estabelecimentos: cerca de 40% dos professores fazem jornada dupla ou tripla, segundo dados de 2009 do Ministério da Educação (MEC).
Para Bernadete, o que faz surgir algo de diferente em meio a esse cenário de problemas marcados é o sentido de compromisso social que impulsiona alguns profissionais a buscar soluções para os problemas que identificam, articulando-as com práticas educativas que, por vezes, assumem caráter inovador. A pesquisadora ressalta ainda que esses professores estão insatisfeitos com os modelos tradicionais de ensino e aprendizagem e acreditam que a educação pode melhorar, apostando em seu poder transformador.
Por vezes, as iniciativas e ações são individuais, gestadas na convivência com os alunos na sala de aula, conforme o docente vai percebendo suas dificuldades e potenciais, identificando seus interesses e possibilidades de mobilização. Quando se abre o canal de diálogo e interação entre alunos e professores, as ações se traduzem em ampliação do universo de conhecimento (tanto de alunos quanto dos professores), melhoria da aprendizagem, desenvolvimento da consciência cidadã, dentre outras.
PARCERIAS ESTRATÉGICAS
Outras vezes, as iniciativas inovadoras estão associadas a projetos de maior fôlego, ligados a organizações sociais, cada vez mais presentes no cotidiano das escolas. Para Maria Amabile Mansutti, coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a presença das ONGs e outras entidades é um fator que tem colaborado para o surgimento de experiências inovadoras e transformadoras na escola.
“As ONGs complementam o papel do poder público, oferecendo apoio técnico, o que pode ajudar a potencializar projetos e ações que se diferenciam das práticas tradicionais”, analisa Amabile.
Na cidade de Irecê, no interior da Bahia, a criação de uma rádio e de um jornal escolar, com apoio de uma entidade do terceiro setor, o Instituto Brasil Solidário, foi a via para modificar profundamente o ambiente da Escola Municipal Luiz Viana Filho. Na medida em que os alunos assumiram a rádio e o jornal, o clima e as relações sociais foram melhorando, a ponto de a escola deixar de ser temida, para se tornar uma das mais concorridas da região. “Hoje temos fila de professores querendo ser transferidos para cá”, conta o professor Jefferson Maciel Teixeira, que há três anos assumiu a direção do colégio.
DIREITO DE APRENDER
Para o chefe de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Marcelo Mazzoli, o somatório de compromisso social com valorização do aluno, típico das experiências transformadoras que acontecem no ambiente escolar, remete a uma dimensão fundamental: a garantia do direito de aprender. “Esses professores assumem um compromisso desenvolvendo ações que materializam, no cotidiano da escola, o direito de aprender”, diz Mazzoli.
Mas, como ganhar escala em iniciativas que hoje se restringem ao âmbito do esforço pessoal? Por isso a importância de que as ações lideradas por professores sejam valorizadas, ganhem cada vez mais espaço como prática didática e sejam propagadas, diz Mazzoli. “São iniciativas que estabelecem a adesão do aluno, da escola e da comunidade do entorno a um projeto educativo”, justifica.
Nesse ambiente, o professor assume uma posição de protagonista, na medida em que desencadeia processos que modificam hábitos, práticas, comportamentos, além de ampliar horizontes. Nesse sentido, resgata-se a centralidade do papel do docente no processo educacional. Veja, nos links abaixo, as histórias de quem já assumiu um papel central na educação brasileira.
(Da Revista Educação)

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