Atividades pelo país marcam Dia da Visibilidade Lésbica

O Dia da Visibilidade Lésbica é celebrado em 29 de agosto. A data lembra a realização do I Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), há 18 anos. Em Brasília, a comemoração teve início já nesta quinta-feira (28), reunindo autoridades e militantes para avaliar conquistas, mas também desafios a serem enfrentados em busca de igualdade.
No auditório da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), o evento contou com a presença da ministra da pasta, Ideli Salvatti, a ministra de Políticas para as Mulheres, Eleona Menicucci, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, e a presidenta do Conselho Nacional de Combate à Discriminação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (CNCD/LGBT), Janaína Oliveira.
Janaína, inclusive, entregou às ministras uma carta com reivindicações do Conselho para que seja intensificada a luta contra a discriminação, a violência e a violação de direitos sofrida pelas mulheres homossexuais no Brasil. O documento, a que Fórumteve acesso, exige medidas como a criminalização da lesbofobia, bifobia e transfobia no Código Penal, a aprovação do Projeto de Lei nº 5002/2013 (conhecido como Lei João W. Nery), a concretização de políticas públicas afirmativas para o setor, a criação de núcleos de direitos humanos LGBT nos Ministérios Públicos estaduais, entre outras ações.
Um dos momentos que comoveram a plateia foi o depoimento da juíza Sônia Moroso, a primeira magistrada do país a casar-se com outra mulher e a assumir a relação publicamente. Elas criam, juntas, um filho pequeno. “Alguém já conseguiu mensurar a dor daqueles que se escondem e não conseguem apresentar ao mundo a pessoa que ama pelo medo do preconceito, do escárnio? Lilian e eu vencemos. Não admitimos esconder a pessoa que nos faz feliz, como se fosse um crime”, discursou, sendo aplaudida de pé.
Homenagem
A programação contou ainda com uma homenagem à cantora, compositora, feminista e lésbica Vange Leonel, que morreu no dia 14 de julho, aos 51 anos, vítima de câncer de ovário. A mãe, Maria Helena Leonel, e sua companheira, Cilmara Bedaque, receberam flores e uma placa em reconhecimento à contribuição da artista à causa. Vange escreveu os livros Lésbicas, Grrris: Garotas Iradas, As Sereias da Rive Gauche e Balada para as Meninas Perdidas, além de ter atuado como colunista em revistas, colocando sempre em evidência temas ligados à homossexualidade.
Confira abaixo a programação do Dia da Visibilidade Lésbica em outras cidades:
BELO HORIZONTE – MG 29/08 – Sexta-feira Piquenique da Visibilidade Lésbica Praça Raul Soares, às 19h. 30/08 – Sábado 10ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de Belo Horizonte Praça Sete, às 12h. 31/08 – Domingo Viva as Ocupações Urbanas – Resiste, Sapatão! Local a confirmar, às 14h. 01/09 – Segunda Debate: Feminismo Anti-prisional (Suspirin Feminista) Instituto Helena Greco (Rua Hermilo Alves, 290, Santa Tereza), às 14h.
GOIÂNIA – GO 31/08 – Domingo 1ª Parada Lésbica Concentração na Feira do Cepal, às 15h.
VITÓRIA – ES 31/08 – Domingo 13º Piquenique das Cores Parque Pedra da Cebola, às 15h.
SALVADOR – BA 29/08– Sexta-feira Quinta Temática e o Diálogo dos Saberes / Dia Nacional da Visibilidade Lésbica Auditório do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher (Rua Archimedes Gonçalves, 142, Jardim Baiano), às 9h.
BELÉM – PA 29/08 – Sexta-feira Projeto Luz da Diversidade, com serviços de saúde e orientação jurídica. Praça ao redor da caixa d’água (bairro de São Braz), de 14h às 18h.
SÃO PAULO – SP 28 a 30/08 – Quinta a Sábado Festival de Cinema Lésbico Museu da Imagem e do Som, programação variada. 29/08 – Sexta-feira Roda de Conversa sobre a Visibilidade Lésbica e Bissexual – Tributo a Vange Leonel União de Mulheres (Rua Coração da Europa, 1395, Bela Vista), às 20h. 30/08 – Sábado Festival da Visibilidade Lésbica e Bissexual Largo do Arouche, Centro, às 14h.

Conselheiros escolares serão capacitados em gestão democrática

Cerca de 10 mil integrantes de conselhos escolares das redes públicas de educação básica de 17 estados e do Distrito Federal irão participar do curso sobre gestão democrática da escola, funções e responsabilidades dos conselheiros. A capacitação será ofertada a partir de 1º de setembro e 1º de outubro.
O curso de 40 horas/aula será desmembrado em dois momentos: 28 horas de aprendizagem on-line e as outras 12 horas serão divididas em três encontros presenciais, no município-sede das escolas participantes. Ao todo, serão dois meses de estudos.
Atualmente, 23,8 mil conselheiros estão em formação ou já concluíram o curso em 18 das 27 unidades federativas. Os dados são da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC).
Metodologia
De acordo com o coordenador da atividade na SEB, José Roberto Júnior, o programa desenvolve duas ações. Na primeira, oferecida a distância, a formação de técnicos das secretarias estaduais e municipais de Educação é feita por uma universidade federal. O profissional é preparado para exercer atividades de tutor e articulador no processo de formação de conselheiros. A segunda ação, por sua vez, é a qualificação dos conselheiros das escolas públicas.
O objetivo principal, segundo o coordenador, é preparar os integrantes do conselho para desempenhar funções no âmbito da administração escolar. É preciso, para tanto, compreender a dimensão político-pedagógica do conselho escolar e o exercício das funções deliberativa, consultiva e fiscal.
O curso utiliza material de apoio desenvolvido pelo Ministério da Educação especialmente para essa finalidade. Segundo o coordenador, Roberto Júnior, 12 instituições de educação superior são parceiras do programa.
Coordenações
As 18 coordenações estaduais do programa estão presentes nas cinco regiões do País. A coordenação estadual é responsável pela seleção dos tutores, já os coordenadores municipais, são responsáveis pelo planejamento da distribuição de vagas e pelos critérios de seleção dos cursistas. Cada uma delas trabalha em conjunto com uma universidade pública.
Na região Norte, já foram criadas coordenações nos estados do Acre e de Tocantins. No Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. No Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A região Sul foi contemplada com coordenações nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já o Centro-Oeste possui uma coordenação no Distrito Federal.
O desafio dos parceiros do programa até o final de 2015 é constituir as coordenações em mais nove estados de três regiões e ampliar a oferta de cursos. No Norte: Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima; no Nordeste, o Maranhão, e no Centro-Oeste: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Universidades
O  programa de capacitação dos conselhos escolares conta com a parceria das universidades federais do Rio Grande do Norte (UFRN), do Ceará (UFC), de São Carlos (UFSCar), de Santa Catarina (UFSC), Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), do Espírito Santo (UFES), de Uberlândia (UFU), da Bahia (UFBA), do Piauí (UFPI), de Pernambuco (UFPE), Fluminense (UFF) e da Universidade de Brasília (UnB).
A constituição e o funcionamento dos conselhos escolares estão previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) [Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996], agora reafirmados no novo Plano Nacional de Educação (PNE) [Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014].
(Do Portal Brasil)

Circuito de Ciências da rede pública de ensino chega ao Gama

O 4º Circuito de Ciências chega ao Gama em sua penúltima etapa nesta sexta-feira (29). O evento, que apresenta trabalhos desenvolvidos por professores e alunos das escolas públicas do Distrito Federal, tem entrada gratuita e será realizado no hall de entrada do Estádio Bezerrão, das 9h às 17h.
Após passar por 12 regionais de ensino, o 4º Circuito de Ciências encerra as apresentações no próximo dia 3 de setembro, quando chega a Planaltina. Todos os trabalhos serão avaliados por professores e alunos universitários, e os melhores participarão do Circuito Distrital nos dias 18, 19 e 20 de setembro.
“Na mostra distrital, eles serão novamente avaliados e os três melhores projetos em cada categoria irão para a feira nacional, que acontece durante a Semana de Ciência e Tecnologia, um evento organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) entre os dias 13 e 10 de outubro”, disse a chefe do Núcleo de Ciência e Tecnologia, da Coordenação de Ensino Fundamental, Ana Karina Braga Isaac.
Serviço:
IV Circuito de Ciências
Etapa: Gama
Dia: sexta-feira (29)
Local: Estádio Bezerrão (hall de entrada)
(Da Agência Brasília)

Pesquisa põe Brasil em topo do ranking de violência contra professores

Uma pesquisa global feita com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos) põe Brasil no topo de um ranking de violência em escolas.
Na enquete da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana.
Trata-se do índice mais alto entre os 34 países pesquisados – a média entre eles é de 3,4%. Depois do Brasil, vem a Estônia, com 11%, e a Austrália com 9,7%.
Na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice é zero.
“A escola hoje está mais aberta à sociedade. Os alunos levam para a aula seus problemas cotidianos”, disse à BBC Brasil Dirk Van Damme, chefe da divisão de inovação e medição de progressos em educação da OCDE.
O estudo internacional sobre professores, ensino e aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), também revelou que apenas um em cada dez professores (12,6%) no Brasil acredita que a profissão é valorizada pela sociedade; a média global é de 31%.
O Brasil está entre os dez últimos da lista nesse quesito, que mede a percepção que o professor tem da valorização de sua profissão. O lanterna é a Eslováquia, com 3,9%. Em seguida, estão a França e a Suécia, onde só 4,9% dos professores acham que são devidamente apreciados pela sociedade.
Já na Malásia, quase 84% (83,8%) dos professores acham que a profissão é valorizada. Na sequência vêm Cingapura, com 67,6% e a Coréia do Sul, com 66,5%.
A pesquisa ainda indica que, apesar dos problemas, a grande maioria dos professores no mundo se diz satisfeita com o trabalho.
A conclusão da pesquisa é de que os professores gostam de seu trabalho, mas “não se sentem apoiados e reconhecidos pela instituição escolar e se veem desconsiderados pela sociedade em geral”, diz a OCDE.
Segundo Van Damme, “a valorização dos professores é um elemento-chave para desenvolver os sistemas educacionais”.
Ele aponta melhores salários e meios financeiros para que a escola funcione corretamente, além de oportunidades de desenvolvimento de carreira como fatores que podem levar a uma valorização concreta da categoria.
No Brasil, segundo dados do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDEs) da Presidência da República, divulgados em 2012, a remuneração média dos professores é de pouco menos de R$ 1,9 mil por mês.
A média salarial dos professores nos países da OCDE, calculada levando em conta o poder de compra em cada país, é de US$ 30 mil (cerca de R$ 68,2 mil) por ano, o equivalente a R$ 5,7 por mês, o triplo do que é pago no Brasil.
O especialista da OCDE cita a Coreia do Sul e a China como exemplos de países onde o trabalho dos professores é valorizado tanto pela sociedade quanto por políticas governamentais, o que representa, diz ele, um “elemento fundamental na melhoria da performance dos alunos”.
“Em países asiáticos, os professores possuem um real autoridade pedagógica. Alunos e pais de estudantes não contestam suas decisões ou sanções”, afirma.
A organização ressalta que houve avanços na educação brasileira nos últimos anos. Os investimentos no setor, de 5,9% do PIB no Brasil, estão próximos da média dos países da OCDE (6,1%), que reúne várias economias ricas.
“Entre 2000 e 2011, o nível de investimentos em educação no Brasil, em termos de percentual do PIB, quase dobraram”, afirma Van Damme.
Outro indicador considerado importante pela OCDE, o percentual de jovens entre 15 e 19 anos que estudam, é de 77% no Brasil. A média da OCDE é de 84%.
(Do IG)
 

Prêmio homenageia as feministas históricas; inscrições abertas até dia 10

Estão abertas, até 10 de setembro, as inscrições para o “Prêmio Rose Marie Muraro: Mulheres Feministas Históricas”. A iniciativa é destinada a brasileiras com mais de 75 anos que atuaram ou atuam na vida pública nacional. Os temas abordados podem envolver ações científicas, tecnológicas, culturais, educacionais ou artísticas. O mais importante é destacar a dedicação por mudanças sociais, por meio da militância feminista e da luta cidadã na construção de um país mais justo.
Os cadastros podem ser realizados por via postal ou eletrônica. Na primeira alternativa, deve ser enviada uma ficha de inscrição e breve relato da história de vida ou currículo para o endereço: “Setor de Clubes Esportivos Sul – Trecho 02, Lote 22, Ed. Tancredo Neves 1º andar – CCBB, CEP: 70200-002 – Brasília/DF”.
Para mais informações, é possível entrar em contato pelo e-mail mulheresfeministas@spm.gov.br ou pelo site www.spm.gov.br. O Prêmio será de R$ 50 mil, concedido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Rose Marie Muraro
O prêmio leva o nome da escritora e feminista brasileira Rose Marie Muraro, reconhecida como uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. Falecida no último dia 21 de junho, a intelectual e física nasceu em 1930, no Rio de Janeiro. Ela atuou no cenário de políticas para as mulheres, mesmo com as limitações da cegueira – enxergou parcialmente somente aos 66 anos, após uma cirurgia – além de escrever 44 livros e editar 1.600 obras.
(Da Revista Forum)

Artigo: "Desvendando o PNE: é preciso intencionalidade para alfabetizar"

Os debates sobre alfabetização quase sempre evidenciam a experiência de Sobral, no Ceará. Por muito tempo, a educação pública do município lidou com o amargo percentual de 48% de crianças que não sabiam ler ou escrever no terceiro ano do ensino fundamental. A estratégia para modificar o cenário foi apostar em um plano de gestão diferenciado, centrado na erradicação do analfabetismo, na diminuição da evasão escolar, na valorização do professor e na meritocracia. A ideia deu tão certo que o município foi usado como inspiração para a criação do Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC), iniciativa do estado do Ceará que previa a alfabetização das crianças até o segundo ano do ensino fundamental em todos os municípios. À época, apenas 15 das 184 cidades contava com nível de alfabetização adequado, entre eles Sobral. Em 2011, apenas cinco não atingiram o nível desejável, mas alcançaram “suficiência”.
Meta 5: Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º (terceiro) ano do ensino fundamental.
A questão inicial de Sobral, infelizmente, ainda está presente em escala nacional, na qual as necessidades se projetam de maneira igualmente desafiadoras. Dados do Observatório do PNE mostram que mais da metade das crianças do país não atingem a aprendizagem adequada em leitura, escrita e matemática no terceiro ano do ensino fundamental. A expectativa é que isso seja superado até 2024, ano em que se completa a vigência do atual Plano Nacional de Educação.
Compromisso alfabetizador
De maneira geral, os especialistas veem que a alfabetização já foi reconhecida pela sociedade como parte estruturante do processo educacional. O domínio da leitura e escrita, além de essenciais para uma compreensão de mundo, é pré-requisito para o desenvolvimento escolar. Mas, esse percurso formativo deve ser estruturado com cuidado, como avalia Sônia Kramer, professora da PUC-RJ e coordenadora do curso de especialização em educação infantil na universidade. “Ninguém alfabetiza por decreto. Precisamos ter o compromisso com a qualidade desse processo, o que demanda estratégias de infraestrutura e formação científica”.
Para Silvia de Carvalho, coordenadora executiva do Instituto Avisa Lá, também se faz necessário o entendimento de que a alfabetização não se inicia aos seis ou sete anos de idade, momento em que a criança ingressa no ensino fundamental. “Essa relação com a cultura escrita e letrada começa desde cedo, mesmo sem uma ação intencional para isso. Portanto, as ações direcionadas, como o acesso aos livros e a contação de histórias vão facilitando a criança a se reconhecer nesse cenário. Mas, contando que nem toda criança recebe o mesmo estímulo, é de responsabilidade da educação garantir a equidade ao estimular esse contato”, atesta.
A diversidade de repertório das crianças deve ser valorizada a partir de uma intencionalidade pedagógica que oferte mais do que a decodificação ou interpretação de textos e que valorize momentos de troca e debate acerca de produções culturais diversas, como os próprios livros, letras de música, contos, ditos populares, entre outros. Sônia destaca a necessidade dessa condução ser subsidiada por uma relação que permita a criança – em diálogo com outras crianças ou adultos – construir uma visão positiva sobre si mesma, em que se sinta capaz de aprender, crescer, interiorizar o conhecimento e confiar em si mesma.
“A leitura e a escrita se consolidam ao passo que garantem a expressão da criança, artística, de seu corpo, seus movimentos, como um sujeito de cultura e que se relaciona com ela”, reforça a educadora. Em seu entendimento, o processo de alfabetização deve considerar na equação a dimensão dos conhecimentos, mas também a dos saberes infantis e a atenção aodesenvolvimento integral das crianças.
Um trabalho de continuidade
Nesse contexto, a educação infantil tem um papel importante, prevendo a continuidade do desenvolvimento da criança. “E aqui não se fala do processo de alfabetização na essência e nem da inserção do aluno em um ensino formal”, considera Alejandra Velasco, gerente da área técnica do Todos pela Educação. Mesmo sem a vivência do letramento, é importante que a criança possa criar a sua leitura de mundo, estimulada por meio de símbolos e outros referenciais. Para a especialista, os elementos próprios da educação infantil têm que estar presentes no ensino fundamental e vice-versa, de maneira que o processo ocorra de maneira sequencial.
Aí se molda a necessidade concreta de alternativas práticas, metodológicas e estratégicas que consigam estabelecer a alfabetização como um direito de todos; e também de uma formação que prepare o professor para esse momento, questão problemática para Silvia de Carvalho: “os cursos de pedagogia, quando cedem espaço para a alfabetização, o fazem em um semestre. Vejo um descompasso entre o entendimento da criança e a forma como esse professor ensina”, condena.
A especialista acredita que o trabalho deva ser desenvolvido com base em um tripé, que tenha como primeiro elemento a criança, com seu pensamento, conhecimento e relação com a escrita e a leitura; depois, o olhar para o próprio objeto do conhecimento na perspectiva de reconhecer as particularidades de se trabalhar com a escrita e a leitura; e por fim, a oferta de uma metodologia que não se resuma a um método ou algo tecnicista, mas que permita um diagnóstico sobre essa criança e dos estímulos necessários ao seu desenvolvimento.
Essa estrutura deve encontrar respaldo nas políticas que devem considerar a escola, mas também outros equipamentos sociais e públicos, caso das bibliotecas, e distribuição de livros, por exemplo. “Essas ações são mais bem sucedidas quando conseguem inserir crianças, jovens e adultos em situações concretas de leitura e escrita”, avalia Sônia Kramer. A especialista reconhece tentativas de enfrentamento, mas também interferências negativas na consolidação das mesmas. “Ainda vemos movimentações que visam a sobreposição do patrimônio cultural e artístico pelos materiais didáticos, muitas vezes de origem duvidosa. Para esses leitores iniciantes, a literatura é fundamental, senão acabamos por reduzir o universo delas”, conclui.
(Da Undime)

Artigo: "A educação de Jovens e Adultos (EJA) é tratada de maneira míope e desumana"

Sancionado recentemente, o Plano Nacional de Educação (PNE) tem sido debatido a partir de muitas óticas, que evidenciam diferentes prioridades. Isso é natural. O texto é extenso e os desafios educacionais brasileiros estão acumulados há anos. Contudo, poucos analistas perceberam que as metas mais desafiantes tratam de uma questão complexa, quase esquecida e urgente: a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Após ser um tema central entre as décadas de 1950 e 1980, a EJA tornou-se uma questão invisível no Brasil. Hoje ela reflete, como nenhuma outra, a incapacidade do país em consagrar o direito à educação. E pior: desnuda o descomedimento do Estado Brasileiro e de setores da sociedade com a questão social.
De modo direto, três metas do PNE tratam da EJA. São as metas 8 (equalização dos anos de estudo da população entre 15 e 29 anos)9 (universalização da alfabetização e redução do analfabetismo funcional) e 10 (articulação da EJA com a educação profissional).
Apenas a universalização da alfabetização de jovens e adultos exige a criação de 13,2 milhões de matrículas até 2024, último ano de vigência do PNE. Para se ter uma ideia, todas as outras etapas e modalidades da educação básica juntas, somadas ao ensino superior, exigirão 8,6 milhões de novas vagas públicas no mesmo período. Segundo a Unesco, o Brasil é o oitavo país com o maior número de analfabetos no mundo, sendo o primeiro na América Latina.
No entanto, como a conclusão da educação básica é um direito de todas as cidadãs e de todos os cidadãos, a demanda total da EJA é de 87 milhões de jovens e adultos brasileiros que não completaram seus estudos, segundo dados disponibilizados por Roberto Catelli Jr., coordenador do Programa de Educação de Jovens e Adultos da ONG Ação Educativa. Não é possível resolver esse enorme deficit em uma década, nem o PNE pretende fazer isso, mas esse documento legal – ao menos – evidencia a prioridade da questão e decide dar passos firmes rumo à sua resolução.

EJA: entre a perversidade e a ignorância

O tema da EJA é espinhoso. Os governantes e a opinião pública preferem não abordá-lo, evitando tornar público o desrespeito ao direito à educação de dezenas de milhões de brasileiros. Assim, ao invés de pautar e enfrentar o problema, muitos governos e grande parte da sociedade brasileira limitam-se a dizer que é “difícil e oneroso” empreender esforços para matricular jovens e adultos. Mais complexo ainda é mantê-los na escola ou em ações de educação popular.
Mais grave é o fato de que, em muitos círculos do debate público e educacional, a EJA é tratada como um problema menor, a ser resolvido naturalmente pelo envelhecimento da população. Basicamente, alguns acreditam e defendem que em algumas décadas os analfabetos vão morrer e é preciso centrar esforços na educação de crianças e adolescentes.
Trata-se de um raciocínio tão perverso e indigno quanto ignorante. Em primeiro lugar, reduz a EJA à alfabetização do jovem e adulto, desconsiderando a perspectiva da educação ao longo da vida, dedicada centralmente à conclusão da educação básica. Em segundo lugar, demonstra desconhecimento sobre a realidade dos sistemas públicos de ensino.
No Brasil atual, parcela significativa da população inicia o ensino fundamental, mas cerca de metade dos que ingressam nele não concluem o ensino médio na idade esperada. Em outras palavras, a EJA permanece sendo um caminho para a conclusão da educação básica. E essa realidade precisa ser abordada com reflexão, franqueza e recursos.

O descomedimento frente à EJA

A expressão mais grave desse pragmatismo míope e desumano contra a urgência da EJA está entre aqueles que insistem em afirmar que o PNE trata de pautas ultrapassadas, pois se dedica a enfrentar necessidades e questões educacionais dos séculos 19 ou 20. A pergunta que fica é: o que fazer se tais questões, infelizmente, remanescem no Brasil do século 21? A omissão, certamente, não é uma resposta aceitável.
Alguns, sendo menos hipócritas – mas não menos perversos –, não se envergonham de tomar como exemplo de sua crítica ao PNE o tamanho da demanda da EJA no novo plano. Em outras palavras, dizem que garantir o direito à educação básica de milhões de jovens e adultos não é “inteligente” ou “estratégico”. O Brasil teria “outras prioridades”.
O descomedimento contemporâneo, problematizado por T. Todorov no ensaio “Os inimigos íntimos da democracia”, é desnudado no Brasil no caso da EJA. Aqui muitos entendem que parte significativa da população brasileira é um insumo econômico, sendo tratada como simples mão de obra. A cidadania e a humanidade, portanto, ficam prejudicadas ou são completamente desconsideradas.
Quando muito, a EJA interessa na medida em que forma profissionais para um mercado de trabalho em que o nível de emprego é alto, mas a qualidade das ocupações é muito baixa. Ainda que isso seja muito melhor do que o desemprego, permanece sendo insuficiente tanto para o presente quanto para o futuro das pessoas. A autonomia dos homens e das mulheres fica gravemente prejudicada quando o direito à educação não é assegurado. E a autonomia é um atributo básico da vida.
Infelizmente, há muita gente no Brasil que fala sobre políticas educacionais sem nada saber sobre elas. São pessoas que falham desde o pressuposto. Não conseguem encarar a educação como um direito e as políticas públicas como um meio para alcançá-lo e universalizá-lo.
Isso ocorre porque essas pessoas não aceitam como seu igual o jovem e o adulto analfabeto absoluto ou funcional. Insistem na ideia de que “não é preciso gastar tanto dinheiro com “essa gente” que não vai gerar benefícios econômicos concretos ou imediatos para o país…”.
Escrever tudo isso assim, de modo tão direto, é tratado em algumas rodas como deselegância e afronta. Para alguns, é mais palatável afirmar que milhões de brasileiros deixarão de ser analfabetos simplesmente porque vão envelhecer e, consequentemente, morrer. Há até quem veja racionalidade nesse descomedimento inaceitável. Alguns fazem uso de falaciosas “evidências empíricas”, tentando atribuir uma estrutura de racionalidade à brutalidade.
Analisando as opções postas, considero preferível ser cru e deselegante. Em muitos momentos, uma suposta falta de bons modos é um ato seminal de cidadania – e também de humanidade.
Por Daniel Cara
(Do Uol)

Escolas, alunos e professores 'não falam mesma língua'

Professores, diretores de escolas, alunos e especialistas em educação ouvidos pela reportagem da BBC Brasil apontam para direções diversas, sugerindo que agressões contra educadores seriam fruto do histórico familiar dos alunos, da falta de políticas públicas e policiamento e também de professores mal preparados – e até mesmo agressivos.
A violência em sala de aula contra professores foi um dos temas destacados por internautas em posts de CliqueFacebook e no CliqueTwitter como um dos que deveria receber mais atenção por parte dos candidatos presidenciais, em uma consulta promovida pelo #salasocial, o projeto da BBC Brasil que usa as redes sociais como fonte de histórias originais.
A pedido da BBC Brasil, internautas, entre eles professores, compartilharam, via CliqueFacebookCliquediferentes relatos sobre violência cometida contra profissionais de ensino. Houve também depoimentos feitos via CliqueGoogle+ e CliqueTwitter.
Enquanto ninguém fala a mesma língua, o Ministério da Educação (MEC) diz não ter dados unificados sobre a violência escolar.
Confrontado pela reportagem, porém, o INEP, órgão ligado ao ministério, reconheceu que o tema faz parte da Prova Brasil – avaliação nacional com respostas voluntárias de professores, alunos e diretores. Os últimos dados, de 2011, foram tabulados a pedido da BBC Brasil.
Os resultados apontam que um terço dos professores que responderam ao teste disse ter sido agredido verbalmente por alunos. Um em cada dez afirmou ter sofrido ameaças. Aproximadamente um a cada 50 apanhou de estudantes.
Violência nas escolas – Prova Brasil

PERGUNTAS PARA PROFESSORES SIM TOTAL
Você foi ameaçado por algum aluno? 19.588 (9,6%) 223.253
Você foi agredido verbalmente por algum aluno? 73.857 (33%) 223.019
Você foi agredido fisicamente por algum aluno? 4.195 (1,9%) 224.991

“É simplista culpar crianças e adolescentes por tudo o que acontece”, alerta a socióloga Miriam Abramovay, pesquisadora do tema com passagens pela Unesco, Banco Mundial e Unicef.
“A escola tem culpa, porque se isola das comunidades e não se atualiza. E os professores têm péssima formação, simplesmente não conseguem, e muitas vezes nem tentam, conquistar os alunos”, diz. “No fim, todos são vítimas.”
Descompasso
Para pesquisadora, a desvalorização do ensino resumiria este descompasso. “A estrutura das escolas parou no século 19, os professores dão aulas como no século 20 e os alunos, sempre conectados, vivem no século 21”, diz.
Ela diz que as escolas vivem um “processo de abertura” há 50 anos.
“Se antes havia pouco espaço para as classes populares, hoje a escola se massificou. Todos entram – nem sempre continuam, mas entram. Mas a relação professor–aluno não mudou nada nesse meio tempo e os educadores não sabem lidar com esse novo interlocutor, que antes estava na rua, do lado de fora”, diz.
Abramovay diz que a violência não é consequência direta do entorno. “Há escolas em bairros tremendamente violentos que têm resultados satisfatórios. E colégios particulares, ricos, com problemas enormes”, observa.

A pesquisadora aponta o trabalho participativo, envolvendo pais e alunos na construção de regras e do currículo escolar, como caminho para reduzir a resistência e a agressividade.
“Os muros das escolas não são simbólicos”, afirma. “Eles são reais, ninguém penetra ali. Assim, a escola não é nem protegida, nem protetora”, diz.
CliqueLeia mais: ‘Professores reclamam mais do medo que do salário’, diz psiquiatra
O educador Jorge Werthein, presidente da Unesco no Brasil entre 1996 e 2005, também diz que a escola “precisa ser acolhedora” e critica a formação dos colegas.
“Diferente do médico, que faz residência, a maioria dos professores que se forma não tem nenhuma experiência em sala. Só pisam lá no primeiro dia, encontram coisas que nunca viveram e não sabem lidar”, diz.
Para Wherthein, os educadores precisam se dar conta “da violência que eles próprios exercem sobre os alunos”.
“Perseguição, homofobia e exageros nas repreensões” seriam exemplos. “Outra agressão simbólica é o abismo tecnológico que existe entre professores e alunos”, diz.

Celular
Com um olho no smartphone e outro no repórter, os alunos entrevistados parecem concordar com a avaliação.
“Parece que eles vivem fora do tempo. O professor pede para a gente copiar a lição do quadro, mas eu podia tirar uma foto com o celular e prestar atenção no que ele diz”, reclamou uma estudante da 8º ano de uma escola em Diadema, ao sul de São Paulo.
A seu lado, espinhas no rosto e sorriso tímido, um adolescente do ensino médio completa. “Sei que celular pode atrapalhar. Não é para usar Facebook e Whatsapp na aula. Mas quando ajuda, por que não, né?”, questiona.

Pelo Twitter, @leogomes também se posicionou sobre o tema

Eles reconhecem que as agressões são constantes.
“Na semana passada a professora chamou a atenção de um aluno bagunceiro e ele perguntou se ela não tinha medo de morrer. Ela deu risada e continuou passando a lição”, contou uma estudante do 1º ano do ensino médio.
“Tem brigas combinadas também. Os alunos fingem estar dando porrada para o professor vir separar e apanhar também”, completou.
Professores ouvidos pela reportagem disseram que a escola, hoje, seria “um espaço de conflito”.
“Os professores não são santos que caíram do céu e vêm educar com toda a candura. Sempre que passo pelo pátio me chamam de vagabunda. O educador tenta legitimar a sua autoridade, não consegue, e aí revida”, disse uma ex-professora da rede pública, que não quis se identificar.
Eleições
Para Wherthein, é uma tradição que a violência contra professores e alunos não faça parte da agenda dos principais candidatos a cargos políticos.
“A agenda da educação é genérica. ‘A educação é importante’… ‘Vamos aumentar os investimentos e a carga horária’… ‘País bom é país educado’. Nunca nada é objetivo”, critica.
O pesquisador afirma que o cotidiano das escolas, ponto crucial na discussão, passa à margem do discurso político.
“Educação e segurança estão sempre no topo das preocupações do eleitorado. Mas os candidatos não entenderam que há cruzamento entre estes temas. Num país como o Brasil, com taxas de morte tão altas (somos um país sem guerra), os conflitos são resolvidos sempre de forma violenta. Dentro da escola inclusive. Então a violência na escola não é algo que vem só da vizinhança, das famílias, é algo que faz parte da nossa sociedade e aparece em todos os setores”, diz.
Wherthein diz que uma “nova cultura da solução não-violenta de conflitos” deve ser construída dentro das escolas.
“O caminho não é, portanto, aumentar os mecanismos de repressão, mas aumentar a prevenção por meio da educação e da disseminação de uma cultura pacífica. Escolas e universidades têm que discutir violência! Só assim se transforma as coisas – e essa responsabilidade está nas mãos dos candidatos”, afirma.
(Da BBC Brasil)

CUT comemora 30 anos de história de lutas e conquistas

CUT Brasília realiza, a partir do dia 25 de agosto, uma série de eventos em comemoração aos 30 anos da Central Única dos Trabalhadores. Dirigentes e militantes de entidades sindicais filiadas e do movimento social, bem como representantes da sociedade civil são convidados a participar das comemorações, que terão início na segunda-feira (25), às 15h, no Plenário da Câmara Legislativa do DF. Na ocasião será realizada uma sessão solene de iniciativa do deputado distrital Chico Vigilante em homenagem à CUT Brasília.
No dia 29 de agosto, às 15h, ocorrerá outra sessão solene, desta vez no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. No dia seguinte (30) uma feijoada ao som do Grupo Luz do Samba comemorará a data. O evento será realizado a partir das 12h, na quadra da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), Área Especial 8, Cruzeiro Velho. Os ingressos serão vendidos a R$ 25 por pessoa.
A CUT conta com sua presença em todos os eventos que marcam o aniversário de fundação da maior Central Sindical de Brasília, do país e da América Latina e a quinta maior do mundo. As comemorações representam a reafirmação de nossos princípios e a continuidade da luta pela construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.

Começou hoje (25) o processo pedagógico-eleitoral do grêmio do CEF Polivante

Estudantes do CEF Polivalente durante projeto pedagógico-eleitoral, em 2010
Estudantes do CEF Polivalente durante projeto pedagógico-eleitoral, em 2010

Iniciou nesta segunda-feira (25) e vai até quarta-feira (27) o prazo para inscrição das chapas que vão concorrer às eleições do grêmio estudantil do Centro de Ensino Fundamental (CEF) Polivalente, na W4 Sul. O Regimento Interno do pleito indica que a eleição está prevista para ocorrer no dia 17 de setembro. Os 1.100 estudantes do 6º ao 9º ano da escola vão eleger a nova diretoria do grêmio estudantil para o próximo quadriênio.
A disputa entre aos 34 partidos (turmas) já começou e as regras são claras: somente estudantes Ficha Limpa podem disputar aos cargos eletivos. Trata-se da segunda edição do Projeto Eleições 2014 e o Exercício da Cidadania. A primeira foi realizada em 2010, durante as eleições gerais brasileiras. Este ano, os estudantes eleitos em 2010 terminam o mandato e dão lugar a outros diretores. O projeto apresenta uma proposta pedagógica que visa a envolver os/as estudantes em uma eleição e, com isso, levá-los/as a “compreender a necessidade que todo cidadão tem de exercitar e de participar do processo de escolha de seus representantes de forma crítica e consciente”.
Tem também outros objetivos, como, por exemplo, os de levar os estudantes a conhecer o processo histórico das eleições do Brasil e de Brasília, identificar os principais candidatos às eleições 2014 e conhecer suas propostas; conhecer características fundamentais das eleições, construindo a noção de identidade nacional; conhecer o processo de formação da estrutura política do Distrito Federal; pesquisar e identifica a divisão dos três poderes; compreender a cidadania como participação social e política; pesquisar e conhecer a história do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); contribuir para aumentar a participação dos alunos nas decisões da escola; compreender a importância da escolha correta do seu representante.
Enfim, o projeto enreda o/a estudante em vários procedimentos didático-pedagógicos a fim de que conheçam e compreendam o significado e a importância, para o grêmio e a escola, de ser um/uma aluno/a ficha limpa e, por sua vez, um/uma político/a ficha limpa para o Brasil. É uma forma lúdica que a diretoria, os professores e as professoras encontraram de ensiná-los, na prática, o que é cidadania e a importância do momento histórico, do processo eleitoral e da democracia participativa.
Estudantes votando na eleição didático-pedagógica, em 2010

“É uma maneira de eles exercitarem a cidadania, afinal, a eleição do grêmio segue as mesmas exigências das eleições gerais e ocorre no mesmo ano delas justamente para trabalharmos a cidadania na prática, favorecendo o crescimento estudantil. Para se candidatar, o estudante tem de ser ficha limpa. Ou seja, não pode ter tido nenhuma infração às regras da escola. Se tiver alguma ocorrência, como suspensão, advertência, qualquer indisciplina, não poderá ser eleito/a”, esclarece Cleber Santos, diretor da escola.
A ideia é fazer o/a estudante sentir na pele a importância de ter responsabilidade na vida e, sobretudo, na hora de votar e de eleger os políticos para o Brasil. “Um pai de aluno veio aqui na semana passar reclamar que o filho estava aborrecido porque não podia concorrer em razão de ser um ficha suja. Explicamos como ocorre o processo e ele disse que as regras eram muito duras e que o filho iria ficar com autoestima baixa por causa disso. Chamamos atenção do pai para esse pensamento, afinal, o filho infringiu as regras da escola”, disse o diretor.
Santos explica que os/as docentes ensinam como constituir um partido político, formar uma chapa, realizar uma campanha. “Orientam sobre os papeis do político e advertem que não devem prometer coisas que não vão cumprir, explicando para eles o que é demagogia. Mostram que o voto é uma ato importante e sério, por isso, deve ser bem pensado. Os/as estudantes, por sua vez, têm o trabalho acadêmico de ler e pesquisar sobre o tema. O processo também tem a preocupação de ensinar o aluno a ser sério, que deve pensar duas vezes antes de cometer uma infração às regras de convivência na escola, e, sobretudo, ensina-o/a a convencer o colega de que ele ou ela (o/a candidato/a) é um bom aluno”, informa.
Envolvidos no processo iniciado entre os dias 11 e 14 de agosto, com a apresentação do projeto aos corpos discente e docente, os alunos estão mobilizados. Muitos procuram a Comissão de Ética para justificar as infrações e tentar “limpar” sua ficha. O grêmio tem nove cargos na diretoria, além da suplência. Segundo a estrutura estabelecida, o presidente deve ser da 8ª Série; o vice e o secretário geral, da 7ª; o primeiro secretário, da 6ª; os diretores de Esporte, Cultura e Saúde e Meio Ambiente, da 5ª; e os diretores Social e de Imprensa, da 6ª.

Acessar o conteúdo