Nesta quinta-feira (15), o Coletivo de Juventude da CUT São Paulo reuniu-se na capital paulista e discutiu ações estratégicas para os próximos dois meses. Dentre as deliberações, a bandeira do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político foi definida como eixo principal do Dia Internacional da Juventude de 2014, em 12 de agosto.
Os jovens dirigentes de diferentes categorias promoverão atividades conjuntas com os movimentos sindical, social e estudantil em todo o estado paulista para debater com a população a necessidade de um plebiscito que pressione o Congresso a mudar as regras do jogo e tornar a política mais democrática e representativa dos brasileiros.
A proposta de mudança nas estruturas do modelo político não se refere a questões apenas eleitorais, afirmou o dirigente da Executiva da CUT Nacional, Júlio Turra, que colaborou com a formação. “Quando falamos de sistema político, estamos nos referindo aos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. O tema é amplo e envolve até mesmo o fim do Senado, que se tornou apenas uma casa revisora das leis”.
A necessidade de uma reforma política é antiga e abrange as bandeiras por maior representação de trabalhadores, mulheres, negros e indígenas nas cadeiras do Congresso, participação efetiva do povo em conselhos e em outros espaços de poder e o financiamento público de campanha eleitoral. Segundo Turra, a reforma política já havia sido colocada como necessária nos cadernos do 11º Congresso Nacional da CUT, realizado em julho de 2012.
Dados do IBGE apontam que o número de jovens ultrapassa os 50 milhões. Considerando que a população de 16 a 35 anos representa 40% do eleitorado, esta compõe apenas 3% do Congresso Nacional.
A secretária de Imprensa da CUT São Paulo, Adriana Magalhães, ressaltou que os sindicatos são fundamentais para sensibilizar a classe trabalhadora sobre o plebiscito. “A meta dessa campanha é alcança 10 milhões de votos”, lembrou.
Militância nas bases
O Coletivo de Juventude da CUT/SP se comprometeu a fortalecer os comitês regionais do Plebiscito, a construir novos comitês e a debater o assunto com as categorias nos locais de trabalho. Até o momento, já foram implantados mais de 600 comitês em todos os estados brasileiros. Em São Paulo já estão formados mais de 100 comitês.
Os jovens também vão organizar as urnas entre os dias 1º e 7 de setembro de 2014 em todo o país. A consulta popular fará uma única pergunta à população: “Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?”.
Histórico
O plebiscito tem origem nos protestos de junho de 2013, que não puderam ser ignorados pela grande mídia. Os jovens carregavam mensagens que apresentavam a descrença no modelo político e críticas com relação à aplicação do orçamento público, em parte explorado por grupos econômicos no Brasil.
Em resposta às manifestações, a presidenta Dilma Rousseff propôs a adoção de cinco pactos: saúde, transporte, educação, responsabilidade fiscal e reforma política – esta última foi jogada de lado pelos parlamentares não alinhados com a presidenta e com a classe trabalhadora.
Os movimentos social e sindical passaram a se reunir em agosto de 2013 e construíram como plataforma unitária o Plebiscito Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, lançada em Brasília em novembro do ano passado.
Câmara aprova destinação de ônibus apreendidos para transporte escolar
Jornalista: sindicato
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou hoje (16) o Projeto de Lei 6711/09, que destina os veículos de transporte coletivo de passageiros (ônibus ou micro-ônibus) apreendidos pela fiscalização alfandegária e objeto de perdimento (perda de bens em favor da Fazenda) ao transporte escolar municipal.
A proposta recebeu parecer favorável da relatora, deputada Sandra Rosado (PSB-RN), que recomendou apenas um ajuste na numeração dos parágrafos e de redação. Como tramitava emcaráter conclusivo, o projeto segue para sanção presidencial, a menos que haja recurso para votação em Plenário.
Conforme a proposta, do Senado, a distribuição dos veículos entre as prefeituras obedecerá a uma lista de prioridade elaborada anualmente pelo Ministério da Educação (MEC).
A proposta altera o Decreto-Lei 1.455/76, que hoje determina que as mercadorias irregulares apreendidas pela Receita Federal devem ser destinadas à compra por pessoas físicas e jurídicas, por meio de leilão; à incorporação por órgãos públicos das diferentes esferas da administração; e à doação a entidades sem fins lucrativos. As mercadorias também podem ser destruídas.
O GTPA Fórum EJA/DF convida todos os segmentos envolvidos de forma direta/indireta com/na Educação de Jovens e Adultos – EJA (gestores/as, professores/as, estudantes) para reunião ampliada neste sábado (19), às 9h na Faculdade de Educação (Prédio FE 1 sala dos Papirus – Centro Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte).
A pauta do encontro será constituída dos seguintes temas: FDE/PDE, Conselho Comunitário da Unb, Plebiscito Popular, PROEJA, DF Alfabetizado, III Curso de Especialização, CMV, Portal e preparação da delegação ao III EREJA-Centro-oeste de 07 a 09/8/2014 em Cuiabá (MT).
Na ocasião, será realizado o sorteio de um tablet Samsung, doado para ajudar na compra das passagens das/os delegadas/ ao III EREJA-Centro-oeste. Participe!
Movimentos sociais dos cinco países dos BRICS preparam agenda conjunta de lutas
Jornalista: sindicato
Há muitas dúvidas sobre se tem sido, ou ainda será, verdadeiramente bom para as populações de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul o bloco comercial e político intitulado BRICS (acrônimo formado pela inicial das cinco nações). O que dizer, então, do papel que será desempenhado pelo banco cuja criação foi anunciada com certa pompa pelos chefes de Estado que passaram por Fortaleza nesta terça, dia 15, para a sexta reunião de cúpula dos BRICS?
Sobre esses temas estiveram debatendo também nesta terça, na mesma capital cearense, representantes de movimentos sociais dos cinco países, reunidos no encontro “Debate e Mobilização Social Frente aos BRICS”. Uma espécie de Fórum Social Mundial em miniatura, promovido pela Rebrip (Rede Brasileira pela Integração dos Povos) e pela FES (Fundação Friedrich Ebert), o encontro, que segue até esta quarta, 16, pretende dar início a um trabalho conjunto das forças populares dos cinco países para pressionar o bloco a tomar decisões inclusivas do ponto de vista econômico e democrático e para tentar impedir que se torne, no futuro, uma réplica de outros instrumentos multilaterais de comércio e fomento financeiro.
Porque, a depender dos debates desta terça, restam pouquíssimas dúvidas – uma ou outra, talvez retóricas – de que se os movimentos sociais não se mobilizarem e não construírem propostas objetivas para interferir nas decisões, a lógica empresarial e financista, já instalada oficialmente na estrutura institucional do bloco, vai nadar de braçada.
Debates simultâneos
Do mesmo modo, nos debates que a CUT conseguiu acompanhar nesta terça – são muitos, simultâneos e com diversas entidades –, ninguém nega que a criação do banco e o fortalecimento dos BRICS possa ser uma oportunidade que, se bem aproveitada, servirá de contraponto ao modelo hegemônico estadunidense e europeu.
Parecido com o diagnóstico divulgado também nesta terça pela plenária do BRICS Sindical, realizada na mesma cidade, como evento paralelo ao encontro dos chefes de Estado.
Pela diversidade de bandeiras e em muitos casos, pela falta de convivência anterior, talvez a tarefa dos movimentos sociais desses países seja mais incipiente que os desafios que o movimento sindical, já reunido há mais tempo em outras instâncias, lançou para si.
Mais cooperação que comércio
O problema é que as diferenças econômicas e sociais dos países do bloco e as agendas políticas de cada um representam uma incógnita sobre o funcionamento do futuro banco e do aprofundamento do bloco, como alertou a professora Mônica Hirst, da Universidade de Quilmes, Argentina. “Por enquanto, os BRICS não deixaram claro, não demarcaram que o banco será dedicado à cooperação Sul-Sul”, disse. Para ela, isso seria uma sinalização política importante de que a prioridade não será a reprodução de empreendimentos predatórios. Cooperação, esclarece, compreendida como algo além de comércio, como projetos de reconstrução e soberania com inclusão social.
“Sou muito cético de que a África do Sul possa desempenhar um papel que ajude a criar outro modelo de desenvolvimento, sustentável e com trabalho decente”, disse, por exemplo, o representante da AIDC (Alternative Information and Development Centre) Brian Ashley, sul-africano.
“Temos uma economia quase toda baseada na atividade extrativista, colhendo minérios do chão sem sequer ter a preocupação de promover melhorias no entorno das minas. Temos 40% de desemprego, reproduzimos um modelo inspirado no apartheid que pune os negros e uma grande parte dos sindicatos em posição colaboracionista com o governo”, diagnosticou.
Brian teve tempo para uma interpretação esperançosa: “Devemos olhar para o passado e ver as grandes mobilizações internacionais, como contra o apartheid e contra a Guerra do Vietnã, ou mais recentemente, os movimentos contra a especulação desenfreada, e construir algo parecido”. E deu uma dica: “Podemos começar por temas que já conhecemos. As atividades da brasileira Vale em Moçambique, por exemplo, removendo pessoas de suas terras e explorando a mão de obra e destruindo o meio ambiente, poderiam servir de ponto de partida para nossas ações conjuntas”.
Os dois concordam que, para uma ação conjunta nessa direção, será preciso com rapidez um trabalho de pesquisa para que os movimentos sociais se conheçam, compreendam as realidades um dos outros e construam propostas factíveis que as unam. Questionar a hegemonia do Norte
Integrante da Fundação Perseu Abramo, o ex-dirigente cutista Kjeld Jacobsen, ao lembrar as origens da Rebrip, apontou em sentido positivo. “A Rebrip nasceu quando começamos a construir uma articulação entre diferentes movimentos para derrotar a proposta da Alca”, lembra, em referência à área de livre comércio proposta pelos EUA e rejeitada pela mobilização popular – incluindo um plebiscito com 10 milhões de votos.
Questionado pela plateia se valeria a pena os movimentos sociais pleitearem espaço para participar das discussões dos BRICS, Kjeld disse “que é importante pressionar e participar. Participar não significa aprovar todas as decisões, mas disputar e criticar o que está errado”. Sobre as disparidades entre as agendas políticas dos países do bloco, exemplificou: “Eu não gosto do Putin, que é autoritário e neoliberal. Mas não podemos negar que a posição da Rússia na questão recente da Síria foi importantíssima para impedir outra ação desastrosa dos Estados Unidos. Então, acho que esses organismos podem sim ser úteis para pelo menos questionar a hegemonia do Norte”. Prática: como fazer
A secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, lançou mão de um exemplo de como entidades com concepções diferentes podem construir propostas comuns e com resultados práticos no âmbito internacional. Citou a REAF (Reunião Especializada Sobre Agricultura Familiar). A REAF antecede as reuniões de cúpula do Mercosul. Nela, entidades como Contag e Fetraf e integrantes da Via Campesina debatem uma agenda de propostas para orientar as ações do bloco nas questões do acesso à terra e da produção agrícola familiar.
“É preciso criar consensos que gerem propostas claras. Não se pode querer participar de um debate internacional levando cada um sua demanda particular. Para chegar a isso, é preciso criar uma agenda de encontros, eleger para esses debates representantes da sua base social e dar continuidade ao processo, o que exige a formação de novas lideranças”, explicou. “E é preciso cobrar dos governos acesso às informações do setor, sem o quê fica difícil trabalhar”. Um dos resultados práticos que a REAF já produziu nos países do Mercosul foi a adoção de regra que concede titularidade da terra oriunda de reforma agrária prioritariamente à mulher, segundo Rosane.
Casos como o da REAF, ao sintetizarem e traduzirem para o inteligível demandas complexas, pode ir ao encontro do que defendeu Michelle Pressend, da AIDC sul-africana: “Precisamos desmistificar as discussões e contar de maneira simples para as pessoas de que forma os blocos comerciais interferem na vida delas”.
(Do Portal CUT)
Artigo: "Promoção da dignidade humana – para além da prevenção"
Jornalista: sindicato
Por Cristino Cesário Rocha
Promoção é diferente de prevenção, sendo a primeira ampla em termos de construção do sujeito, considerando suas contingências no mundo e a partir daí, oportunizando condições de mudanças significativas no indivíduo, na sociedade e nas estruturas de poder. A segunda, menos impactante, mas com a sua contribuição, antecipa o ingresso no mundo das drogas e algumas doenças. A promoção atinge causas mais profundas, já a prevenção é parcial em sua atuação pontual.
Promover a Saúde integral com vontade/ação política de maior alcance tem maior impacto e significado do que prevenção de qualquer patologia do corpo físico, da mente e do corpo social. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade. Mas o problema é que a OMS não cumpre com a sua missão, de promover saúde a todos os cantos do mundo, omitindo em muitos casos e sendo apenas Organização Mundial do Sofrimento, por isso OMF, sem perda de sentido e necessidade de redefinição, tanto da prática, como da sigla.
FMI, OMC, e Banco Mundial, juntos formam a tríade que faz investimento sem atingir a causa profunda das demandas de autonomia, cidadania, culturas, educação, proteção, saúde e a paz. Trocam migalhas por dependência e subserviência da América Latina e Continente Africano e o pior é que governos, entre as décadas de 70 e 90 aliaram aos grandes bancos em detrimento dos trabalhadores/as com arrocho salarial, agravamento da miséria, desemprego e violência que são moedas de troca com os organismos internacionais.
É a dor humana apropriada de maneira perversa, que ao receber o pão, vende a alma ou no mínimo troca o dedo por anel de lata. Quem se lembra das grandes siglas, deve lembrar-se de Margaret Thatcher, George W. Bush, Friedrich Von Hayek, Milton Friedman e suas criaturas.
FMI, no monetário, OMS, na saúde, OMC, no comércio, ONU, nas relações diplomáticas, não mais do que isso, descuidam de um princípio maior da existência: viver e viver bem. A lógica do toma lá dá cá, associada ao pacote dos defensores do mercado, em detrimento da promoção da pessoa, mercantilza a proteção, a saúde e a educação. É a ideologia subjacente às práticas de quem pretende controlar o mundo, tão presente nas políticas sociais dos que pretensamente se intitulam nação soberana.
No reino da fantasia, ao estilo hollywoodiano, criado pelos organismos internacionais, há paraíso antes, durante e depois de Adão e Eva; convive-se com educação de qualidade total, ao estilo neoliberal, capitalista e global; há saúde para quem pode comprar e salário achatado para quem trabalha; segurança privatizada para empresários, governos e fazendeiros; polícia na rua para recolher o moribundo; mordomia e privilégio para os que controlam e concentram rendas e Mais – valia que empobrece a família e enriquece o patrão.
Prevenir é melhor do que remediar, diz o ditado popular. Comprar bebida alcoólica para beber em casa não é prevenção, mas fator de risco para a família, inclusive paras as crianças e adolescentes que aprendem mais vendo do que ouvindo. Promover a vida em sua integralidade é melhor do que remediar e a prevenção deixa de ser mera antecipação.
Há uma série de slogans sobre a prevenção do uso indevido de drogas, entre as quais “droga mata”, “crack tô fora”, “cigarro é prejudicial à saúde”, “Ao beber, não dirija”, mas esses slogans não têm força sem a atitude de quem possui vontade e poder de decisão. Não basta decisão do indivíduo, é urgente que governantes façam suas lições, sem ler as cartilhas dos viciados em corrupção, nem adotar a receita dos ideólogos do liberalismo.
É preciso transformar slogans em promoção da vida, ainda que seja necessário intervir nos donos de empresas que fabricam e comercializam drogas visíveis/invisíveis e nos anúncios da televisão, ação que diz respeito ao poder público que precisa se libertar do ideário de Estado Mínimo, pouco ou nada interventivo.
Questão de saúde pública não é coisa de polícia, nem de internação compulsória, muito menos de detenção. Polícia nas ruas para proteger a nação, não para recolher quem já vive na opressão. Estado – nação não é Estado – militar, nem Estado – mínimo que de mínimo não tem nada, pois está sempre de um lado ou de outro, a serviço do capital ou do trabalhador.
Dos auxílios à vida digna, há um fosso muito grande, e enquanto se previne a fome, continua a dependência, tanto do Estado quanto dos seus súditos. O alcoolista está presente nos bastidores e entrelinhas de quem dizem prevenir, melhor do que remediar, sem pensar no que fazer para promover antes de prevenir.
Aviões do Forró lançou a música Beber, Cair e Levantar que tem o refrão sugestivo Vamos simbora prum bar beber, cair e levantar. Seguramente há quem cai e não levanta sem a mão amiga que acolhe e orienta. Consumir álcool faz parte de um apelo que parte de várias direções, sendo o sujeito alvo crianças, adolescentes e jovens, não escapando sequer os adultos. Qual a letra de música que se ouve e como se avalia o teor alcoólico-narcotizante da mensagem que exerce tirania sobre a mente e os desejos?
Faz-se prevenção de câncer do seio, câncer do colo do útero, uso indevido de drogas, câncer de próstata, DST, mas não há como prevenir o sofrimento humano causado por estruturas de poder. Essas são rompidas com promoção da dignidade humana em contraposição às estruturas que oprimem, excluem e produzem empobrecimento, sofrimento e morte prematura.
A dignidade humana promovida por estruturas de poder deixa de ser responsabilidade apenas da escola, dos professores/as que só são vistos apenas na ordem dos acontecimentos que desprestigiam o ser. Os êxitos ou são silenciados ou são méritos dos sistemas de ensino. Leci Brandão, em música Anjo da Guarda, enaltece a profissão professor, expressando enfaticamente na sala de aula é que se forma um cidadão. Na sala de aula que se muda uma nação. Na sala de aula não há idade nem cor, por isso aceite e respeite o meu professor (professora, grifo meu). Reconhecer, Valorizar, Formar, Promover a dignidade e Respeitar são condições indispensáveis para a melhoria de todas as relações, inclusive no mundo do trabalho.
A nova lei, a do PNE2, no Artigo 2º, inciso IX deixa claro que é urgente a valorização dos profissionais da educação. Ainda não é o bastante, pois a luta faz a lei e melhorias só se concretizam com mobilização, diálogo e pressão social. É de se considerar que houve avanços, mas é preciso continuar a luta. A educação escolar não é tudo, nem pode fazer a mudança sozinha, como dizia o imemorável Paulo Freire, se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.
Prevenção é mera antecipação, já a promoção gera alteração em atitudes, sentimentos, emoções e práticas, além de reconduzir a nação, que sendo vítima da colonização e ainda sofre o reflexo da ditadura, da escravidão e do neonazismo, precisa se recompor com promoção da dignidade e do senso de nação. Mas o que é parte constituinte da promoção da dignidade humana?
Promover a dignidade humana começa pelo amor à vida, que dentro de sistemas opressivos, encontra-se em crise de mediações, jamais de seu sentido. A vida é sempre vida, deteriorada ou bem vivida.
As estruturas de poder roubam dinheiro, mas não conseguem aviltar o significado da vida que é intangível, porque dom de Deus e realização humana. Tudo leva a crer que todas as vidas no planeta Terra possuam um quê do sagrado, independente do lugar religioso que se ocupa e se vive. Vida é sempre ressurreta, hoje se vai, amanhã ressurge, com novo alcance e novas oportunidades.
A saúde integral, aliada a educação integral, são fatores de promoção da vida, que será melhor vivida sem as amarras da ausência de investimento e do uso indevido do dinheiro e do poder público. Se há uso indevido de drogas, há também o uso indevido dos bens públicos, que sendo público deve ser investido no público. Dinheiro público aplicado no privado é gasto sem retorno, já o que aplica do público no público é investimento com retorno que traduz em democratização do acesso ao público de qualidade.
Promoção da dignidade humana não se faz com privatização e privilégio de direitos, mas com a consolidação da democratização da qualidade dos serviços públicos, estendendo o acesso às populações que pagam impostos que vão para o ralo da corrupção e financiar os que defendem a privatização, a mercantilização da saúde, da educação e da proteção.
IPTU, IPVA, ICMS, I.R, Seguridade Social e outros mais. Para onde vai o imposto que se paga, para a promoção da dignidade humana ou para
enriquecer o patrão? Quem é que paga a conta do patrão, do servidor e da nação, quem representa ou quem sustenta a nação?
Acesso os hospitais públicos e privados sem qualidade é mera inclusão a espaços físicos, mas não passa de inclusão formal ou inclusão precária. Promoção da saúde tem que ver com qualidade de vida que remete ao bem-estar social, político, econômico, educacional e espiritual. Promover a saúde pública é fator de proteção, prevenção e realização. Optar pela prevenção sem promoção pode ocultar alienação, reducionismo e falsa preocupação, promover é melhor que prevenir.
Acesso a educação pública de qualidade socialmente referenciada é sinal de promoção social, sem a qual vê sem os dois olhos, o da consciência e o da práxis social. Educação é coisa séria, ocorre dentro e fora da sala de aula, do pátio e do corredor, por isso não se pode banalizar a profissão professor.
PIB, Royalties do petróleo, Fundo Social do pré-sal e outras formas de orçamento público podem fazer a diferença, oxigenando a educação pública e motivando as ações, seja da comunidade interna, seja da comunidade externa. Valorização dos profissionais da educação, qualificar a formação e ampliar os recursos pedagógicos é uma das faces da promoção da dignidade humana.
Ações em prol da vida digna de todas as pessoas passam pela educação e pela política, de tal maneira que o grande sociólogo Herbert de Souza (Betinho) chegou a dizer que a alma da fome é política e no campo da educação, Nelson Mandela fortalece o ideário emancipador ao considerar que a educação seja um instrumento poderoso que se pode usar para mudar o mundo.
Saneamentos básicos de água potável e esgoto, além da energia elétrica promovem a qualidade, a dignidade humana nos bairros e nas metrópoles. Melhorias só nos grandes centros é discriminação sócio-espacial, o que produz marginalidade, pois não há marginal sem quem o marginaliza. Há uma margem produzida de forma infra-estrutural, como diz Leonardo Boff A margem é o lugar onde a vida é Severina e onde o sistema econômico, social e político em que vivemos põe à mostra toda sua iniqüidade, deteriorando todas as formas de vida.
Mosquitos que matam todo ano, principalmente em tempo de chuvas intensas, seguidas de ações que não promovem a vida e apenas imputam a sociedade pelos males decorrentes e recorrentes da picadura de um mosquito. Vacinas são mais eficazes do que a mera culpabilização do indivíduo, que hoje limpa o espaço da casa, amanhã é picado pelo mosquito da dengue e a cada segundo, a mesma população é picada pela sanguessuga que está nos gabinetes. É preciso fazer o saneamento básico nos espaços dos poderes públicos e privados.
Segurança e proteção no trabalho, em casa e nas ruas são fatores de promoção da dignidade humana. Entretanto segurança pública não se confunde com repressão, nem com recolhimento do lixo social produzido pelas estruturas de poder.
Na concepção do poder arbitrário e desumano, há um lixo social que precisa ser eliminado ou no mínimo enclausurado por meio de uma detenção confundida com internação compulsória. A lei é clara, mas não é justa, ora pune, ora segrega, mas não cria condições de reinserção e promoção social.
Onde está o ex-presidiário, no trabalho, na escola ou no mundo do crime e de volta à prisão? Se existe ex-presidiário, porque então ainda se convive com as marcas da detenção?
Quem é punido pela lei sente na condição de fora da lei, mas não adianta ter punição sem as condições de promoção da dignidade humana. A lei antecipa e até exclui a promoção, daí prevenir sem promover. Lei por si só não é solução, seja a que assegura a paz, a vida e a proteção, seja a que determina a detenção, mesmo porque, ainda persiste a lei pra inglês vê.
Direitos civis, políticos e sociais, que sendo constitucionais e garantidos na práxis social, deixam de serem letras mortas para ser promoção da dignidade humana. Não se previne o que será da vida sem a garantia do que já é direito, pois há muitas vidas inalienáveis antes e depois das leis. Chega de Leis para inglês ver!
Pão e leite, cesta básica, sopa, renda minha, cartão material escolar, bolsa família, vale camisinha e auxílio motel são recursos que não substituem a carência de espírito de luta, de emprego e educação, que juntos, entre outros, promovem a dignidade humana. Prevenção para não adoecer pode ser mera ilusão, pois quem vive a mercê de toda forma de vulnerabilidade socioeconômica, cultural e política não há o que prevê.
Promoção com alimentação saudável, educação de qualidade social, empregabilidade e saneamento básico são fatores de proteção, muito mais do que prevenção. Tudo isso tem um quê de política, que se difere da politicalha, o que lembra Pedro Casaldáliga, grande defensor dos povos indígenas, que disse com precisão que tudo é política, ainda que a política não seja tudo.
Alimentação precária enche a barriga mas não nutre, sendo pobre ou sendo rico, mas quem mais sofre é certamente os que padecem com ausência do que comer, seja para nutrir,seja para encher. Leonardo Boff faz a diferença entre o pão fruto da exploração e o abençoado, ao dizer que o pão que comemos, fruto da exploração do irmão, não é pão abençoado por Deus. É pão que apenas nutre mas não alimenta a vida humana que é somente humana enquanto vive na reta ordem da justiça e da fraternidade. O pão injusto não é nosso, mas roubo; pertence ao outro.
A paz entre as nações, religiosidades, lideranças políticas, culturas e sociedades é fator de equilíbrio, seja do indivíduo, seja da sociedade. Paz não é ausência de guerra, é estado de espírito, em que o amor-cuidado é a fonte instauradora do equilíbrio e da paz. Entretanto, não se muda o mundo sem mudanças no sujeito, como lembra o monge tibetano Dalai Lama: se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior.
Cultura de paz, tão propalada no Brasil e no mundo, mas pouco vivida, principalmente por populações empobrecidas sem Poder, sem Ter e sem Ser.
A destituição dessas condições produz violência, marginalidade e morte prematura. A convivência sem Ser, Ter e Poder dificulta o Conviver. A privatização desses três elementos desarticula e deteriora uma convivência saudável entre humanos e do humano com o não humano. Paz é o próprio caminho, meio e fim da ação humana, como lembra Mahatma Gandhi Não há caminho para a paz, a paz é o próprio caminho.
Respeitar a si, o outro e as coisas do mundo, inclusive a Terra como organismo vivo é condução para a promoção da saúde integral, da promoção da dignidade humana e convivência fraterna com todos os seres vivos. O desrespeito quebra com a lógica do amor-cuidado, desconsidera o significado profundo das diferenças, superestima a desigualdade e produz violência em todo o tecido social.
O respeito de si estendido ao outro e às coisas cria laços de amizade, aproxima o diferente, apesar da identidade pessoal de quem acolhe, promove a interação muito além do simples contato social e gera paz consubstanciada no equilíbrio do encontro entre as diferenças que amam e cuidam para além dos modos diferentes de ser, pensar, agir, sentir e celebrar.
Eliminar todas as formas de preconceito e discriminação promove a vida, a saúde e a paz. A paz social não substitui a paz interior, mas sem a social a interior torna-se intimista e desprovida de um sentido comunitário. A saúde do indivíduo, principalmente a privatizada e marcada por privilégios é apenas uma farsa, porque uma grande maioria vive em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Saúde, proteção, edifícios e alimentação saudável para a elite e planeta dos macacos, chaparral, caldeirão do diabo, alimentação precária e outras mazelas para populações empobrecidas. Essa lógica é a da inclusão de poucos e exclusão da maioria. O preconceito por meio da linguagem é fator de risco, sendo necessária uma mudança na cultura e na política brasileira, do Distrito Federal e do mundo. O que representa a caixa d’água de Ceilândia? Mais do que um objeto, porque traduz o alcance da dignidade humana.
Exercitar a cidadania, vivenciar direitos fundamentais, civis, políticos e sociais, além de instituir a cultura de paz entre as nações, culturas e sociedades, marca o que buscamos como fonte inspiradora: Promoção da dignidade humana é maior do que prevenção de toda ordem.
O trabalho para a execução de uma promoção genuinamente efetiva parte do que se tem como fundamento epistemológico: a intersetorialidade, a visão/prática sistêmica e o trabalho em rede. A prevenção para qualquer tipo de doença e mazela social precisa dar espaço para a promoção da dignidade humana, da saúde integral, do exercício da cidadania e direitos compartilhados. Caso contrário, a prevenção do uso indevido de drogas e de outros problemas humanos não passará de um mecanismo paliativo (antecipação de problema) sem afetar o sistema.
A promoção antecipa e elimina muitos problemas que poderiam desencadear em função da ausência de direitos. Para quem já vive e convive com os problemas, prevenção já não cabe mais, dando lugar definitivamente para o ideário de promoção da dignidade humana.
Democracia não é governo do povo e pelo povo, como se acostumou a dizer o clichê de vozes que não permitem outras vozes. Não se faz democracia com governos no poder que não representam a sociedade, mas seus bolsos, fazendas e empresas. O que existe é a tirania do mercado, da mídia e dos poderes repressivos que exercem a função de protetores do Estado. Democracia é, em termo prático, a defesa do interesse de quem detêm as leis, os meios de comunicação social, o controle das prisões, a manipulação das massas e o controle da máquina público-privada.
Milton Santos, geógrafo brasileiro, diante do sofrimento humano sem fronteiras, disse com precisão que nuca houve humanidade, mas apenas ensaios de humanidade. Da mesma forma, pode-se dizer, parafraseando Santos que nuca houve democracia, mas apenas ensaios de democracia.
O senso moral do indivíduo, grupos sociais, da sociedade, do poder público e privado é uma necessidade em um mundo marcado pela crise de mediações culturais, políticas, religiosas, econômicas, familiares e educacionais. Senso moral é diferente de falso moralismo, em que a primeira dimensão imprime valores significativos a serem avaliados e redefinidos em um mundo mutável, já a segunda dimensão impõe um modo de vida a ser seguido sob a pressão de uma concepção unilateral da vida, geralmente sob os efeitos do sectarismo e do fundamentalismo político-religioso.
A virtude humana corrobora com a promoção da dignidade de si, do outro e das coisas. Um mundo virtuoso é aquele que desarticula todas as formas de violência e valoriza o equilíbrio pessoa – natureza – cultura. Essa virtualidade tem a solidariedade e a sociedade redistributiva mais do que distributiva como fator de alteração nas diversas relações societárias.
Política Pública social é mais eficaz do que prevenção divulgada na televisão, pois gastar com propaganda na grande mídia não soluciona problemas que não podem ser visto como mera prevenção. Propaganda televisiva só enriquece empresários/as, enquanto isso a população padece, sem vacina contra a dengue e outras doenças que são prevenidas sem medidas eficazes.
Dignidade humana, saúde pública, paz, alimentação saudável e cidadania são direitos, não são temas transversais. Ao falar muito, vive pouco, pela ausência de praticidade, cria-se uma lacuna entre o dito e o vivido. O que se diz na TV muitas vezes não se pode crer, porque a mesma que noticia o uso indevido de drogas que causa violência no trânsito, na família e nas ruas é a mesma que divulga o consumo de álcool como se fosse normal, advertindo apenas que não dirija se beber.
Política Pública de combate às drogas, as visíveis e as invisíveis não se faz com simples prevenção, mas com ação que transforma a nação em consciente ambulante, sem os efeitos dos produtos que deterioram corpo, mente, família, amores e até os desafetos. Educação emancipadora é parte do processo de instituição da promoção da vida, associada a outras ações também significativas.
Ao optar pela prevenção, sem intervir nos grandes produtores de drogas, as que vêem e as ocultas, faz-se de conta que trabalha, aplicando dinheiro sem retorno desejável e perdurando o desejo de enriquecimento ilícito dos que vivem acima da pirâmide, esmagando os de baixo.
Investir em educação, saúde pública, valorização profissional, cultura para todas as gerações, acesso a alimentação saudável para todos, saneamento básico para os bairros e centros, medidas protetivas para todos os cidadãos, transporte público de qualidade, salário decente e trabalho são políticas públicas fatores de proteção, muito maior do que prevenção e bolsa detenção.
Indivíduo, família, grupos sociais, sociedade, nação e politização são partes de um mesmo processo, que sem eles não haveria o Estado, instituição que usa mais a força do que a promoção. Há instituições que narcotizam a consciência, produzem a violência e culpam o indivíduo. As subjetividades humanas são fabricadas por estruturas de poder, seja pela TV, seja pela educação, os donos do poder e os destituídos do ter, saber, poder.
Mas o que você faz com o poder em suas mãos, alija o outro pela opressão ou educa para promover a libertação? Que expectador você é, o que apenas vê sem avaliar ou o que vê para descontrair e analisar? Que tipo de estudante você é, o que só ouve o que se diz ou participa como sujeito de voz? Que tipo de docência você aposta, a que aliena e narcotiza ou a que vislumbra maiores níveis de práxis social? O que você quer na candidatura, principalmente se eleito, encher a vestimenta de dinheiro público porque não cabe nas malas e bolso ou promover a dignidade humana? Dinheiro nas calcinhas, cuecas, malas e camisolas, ambos os objetos que combinam com mensalinho/caixa de pandora ainda não resolvido, sabe lá quais interesses que estão em jogo, sendo que o mensalão comprometeu e atingiu apenas os bodes expiatórios.
Diversidade, sustentabilidade humano-ecológica, esperança e luta, ambas promotoras da promoção humana, por isso não há uma lógica melhor do que fazer valer o direito ao viver e viver bem. Chega de fazer de conta que se vive, mesmo morrendo em vida, sem consciência e luta, deitado na rede vendo a TV, que faz emburrecer.
A espiritualidade é parte da promoção da vida, que não se confunde com religião, nem com o anúncio de perdição. Amor, solidariedade, compaixão, escuta, perdão, justiça social e fraternidade, ambas as atitudes que partem do coração de carne e a petrificação do espírito, gera confusão. Do grande templo corpo, onde habita o ser maior, faz do espírito corpo viajante, daí a importância de ver a vida além do tempo-espaço que não é determinada pelo tempo cartesiano nem pela vulgarização do cotidiano.
Espiritualidade não se restringe a uma religião, porque de dimensão maior. Frei Beto acredita ser a espiritualidade uma experiência mística, mistérica, que adquire uma conotação normativa na nossa vida. A mística, diz ele, é experiências fundantes no ser humano desde que ele existe na face da terra, mas há diferentes espiritualidades.
Enfim, nutrir de uma espiritualidade do amor, da descida aos abismos da condição humana, da solidariedade, da justiça, do senso moral e compaixão que promove a dignidade são energias revitalizadoras do sentido de todos os viventes da terra. Promoção humana: para além da prevenção!
BSB, Junho de 2014. Artigo produzido no contexto do Curso Prevenção do uso indevido de drogas para educadores das escolas públicas. 6ª edição, articulado pela parceria Ministério da Justiça, Ministério da Cultura, Secretaria Nacional de Políticas sobre drogas e Universidade de Brasília. Curso em andamento de abril a outubro de 2014. Artigo contributivo para o debate em fórum de discussão, precisamente no terceiro módulo.
Uma criança que chora por culpa do pai dá pena. Com o pai, como haveria de ser, não aprendeu que o futebol é apenas um jogo e que a pátria não calça chuteiras, além de ser o derradeiro refúgio dos covardes, conforme o doutor Johnson. Pela lição paterna, deveria entender a justa dimensão do ludopédio, e hierarquizar a sua importância na relação com outras questões propostas pela vida, embora esteja longe de ser pecado perceber graça e arte no trato da bola.
Há situações que não se dão por ocaso. As crianças choram na arquibancada, mas a nação em peso habilita-se à puerilidade. Sou de um tempo em que Pedro Luís Paoliello e Mario Moraes formavam, desde o imediato Pós-Guerra até meados dos anos 60, a mais ouvida e celebrada dupla radiofônica das transmissões futebolísticas. Pedro Luís, locutor insuperável, conheci, já sessentão, cavalheiro impecável. Moraes, comentarista de voz pastosa, pensador do esporte bretão, não conheci. Lembro ambos, com saudade.
Ao cabo da partida, Moraes analisava os jogadores por duas lentes: tecnicamente e taticamente. Hoje a ele perguntaria, meu comentarista preferido, sucinto e certeiro nas apreciações, que diria a respeito do desempenho da Seleção Canarinho na fatídica semifinal de 8 de julho de 2014, contra o time teutônico. Muito teutônico, ao som de Wagner, a bem da verdade factual. Ouço-o sentenciar: tecnicamente abaixo de medíocre, taticamente um desastre. Deste específico ponto de vista, me seduz enxergar nos jogadores a criança mal ensinada pelo pai. E penso em Felipe Scolari, a encarar a tragédia entre atônito e perplexo.
Haverá quem evoque, a favor dele, Scolari campeão em 2002. Pois naquela seleção os craques autênticos sobravam, e o time jogou como sabia, a dispensar técnicos. O mesmo aconteceu em 1958, quando os jogadores impuseram a Vicente Feola a escalação e inventaram por conta própria um esquema, o 4-3-3 que poderia tornar-se 4-2-4, destinado a revolucionar o futebol mundial. O qual, nos últimos 56 anos, mudou muito. Mudou demais.
Dinheiro em proporções exorbitantes adentrou o gramado e uma quadrilha passou a comandar a Fifa, instruída a contento por um brasileiro, João Havelange. Jules Rimet, aquele frágil senhor que entregou a taça em 1950, tadim, não tinha a mais remota possibilidade de imaginar seu atual sucessor, Joseph Blatter. Totò Riina não se sairia melhor do que Blatter. Só que Riina está na cadeia.
Sobe à memória, do longínquo passado, uma foto de Djalma Santos, campeão em 58 e 62, a carregar as chuteiras embrulhadas em papel jornal, e logo sobrevém de chofre a imagem de David Luiz em lágrimas ao sair de campo. No microfone que prorrompe debaixo de sua boca trêmula, soluça: “Eu queria apenas a felicidade do meu povo, a alegria de todos”. Mario Moraes afirmaria dele: tecnicamente razoável, taticamente nota zero. E no mais, que dizer do zagueiro recém-adquirido pelo PSG por 50 milhões de libras: hipócrita ou parvo? Ou reuniria em um único ser humano as duas características?
Moraes e Pedro Luís não se permitiam concessões e aí está outra comparação: raríssimos, ao longo desta Copa, os comentários sensatos. Em contrapartida, a enchente impetuosa das informações dispensáveis a tomar inexoravelmente todos os espaços disponíveis, como se nada mais houvesse a ser noticiado além do festival da bola, e os comentários amiúde equivocados, como se o objetivo fosse levar a plateia a acreditar no impossível e a estimular-lhe a imbecilização. A campanha da Seleção foi pífia e a semifinal imerecida. Em dois jogos, contra Croácia e Colômbia, os canarinhos gozaram da colaboração decisiva dos juízes. No jogo contra o Chile, os fados haviam acordado de excelente humor. O outro encontro foi o empate com o México. Neymar mostrou seus limites de criança mimada. Esporádicas as avaliações isentas, responsáveis, de sorte a preparar a plateia para o desenlace melancólico.
Enredado pelas recordações, enveredei por reflexões pretensamente técnicas. Cabem outras mais significativas, e são políticas, e também sociológicas, se quiserem, sem a mais pálida intenção de escrever um tratado. A Copa teve o condão de deixar claro que o problema do Brasil não estava fora dos estádios, e sim no próprio gramado. Este Campeonato Mundial exibiu um país bem diferente daquele anunciado. A assistência global viu uma boa organização em um recanto civilizado, deste ângulo digno da melhor contemporaneidade, na contramão das circunstâncias previstas alhures e, mais ainda, por aqui.
A quem aproveita? Ao País. A todos nós. Não falta, entretanto, quem queira tirar vantagem no bem e no mal. Ouvimos nos últimos meses contraditórias versões a respeito de quem se valeria da situação para favorecer seus interesses, proclamadas em ambientes diversos e sustentadas pela mídia nativa. A Copa sela o enterro de Dilma. Nada disso, Dilma pretende usar a Copa em seu benefício. Perdão, perdão, boi na linha: o desfecho da Copa trabalha contra Dilma. Há mesmo alguns, desvairados, a afirmar que a derrota, acachapante, diria Mario Moraes, sofrida contra a Alemanha, é culpa da Dilma. CartaCapital esforçou-se para sustentar, amparada nas aulas que a história costuma ministrar aos menos desavisados, que resultados futebolísticos e eleitorais seguem por caminhos próprios e não se cruzam. Mesmo assim, preparemos nossos corações para assistir a mais uma quermesse de sandices a respeito. Registre-se que, de fato, o Brasil oferece uma prova de sua contingente decadência futebolística e outra, muito mais importante, de um inesperado grau de maturidade, embora misturado com a puerilidade nacional quando trila o apito.
(Da Carta Capital)
Mais Educação: escolas podem aderir ao programa até dia 4
Jornalista: sindicato
Escolas da educação básica pública, municipais e estaduais, podem aderir ao Programa Mais Educação até 4 de agosto. Em 2013, o programa atendeu estudantes de 49 mil escolas das 27 unidades da Federação e, neste ano, a meta é atingir 60 mil escolas.
Ao oferecer educação integral ou jornada ampliada, as redes públicas contribuem para qualificar a aprendizagem de crianças, adolescentes e jovens, reduzir a repetência e a evasão escolar. Escolas que ingressam no programa oferecem, no mínimo, sete horas diárias de atividades, que compreendem aula das disciplinas do currículo, orientação de leitura e estudo, acompanhamento pedagógico e atividades orientadas nos campos da cultura e dos esportes.
Para facilitar a escolha de diretores e coordenadores pedagógicos, o Ministério da Educação oferece às escolas uma relação de atividades nas áreas de educação ambiental; esporte e lazer; direitos humanos em educação; cultura e artes; cultura digital; promoção da saúde; comunicação e uso de mídias; investigação no campo das ciências da natureza; e educação econômica. O acompanhamento pedagógico é obrigatório.
Para participar do Mais Educação, as escolas devem preencher o cadastro no PDDE Interativo, informar dados como os número de estudantes e escolher as atividades.
(Do MEC)
Sindicato dos Professores deseja um bom retorno às aulas
Jornalista: sindicato
As aulas nas escolas públicas do Distrito Federal terão início nesta segunda-feira (14). Devido à realização da Copa do Mundo em Brasília o segundo bimestre foi interrompido e só terminará no dia 1º de agosto, quando o terceiro bimestre começa (04 de agosto). É importante lembrar que nos dias 4 e 5 de agosto as escolas deverão se organizar para o planejamento pedagógico com a comunidade escolar (Dia Letivo Temático). O Dia Letivo Temático é o momento que a escola e a comunidade fazem a avaliação do projeto pedagógico e organizam a segunda metade do ano letivo.
Após este retorno o semestre será mais longo (115 aulas) em função do calendário escolar aprovado pela rede em 2013.
Até a próxima sexta-feira (18) o Sinpro enviará para as escolas o resumo das propostas de Calendário Escolar para 2015, e sugerimos que todas debatam as propostas de 21 a 25 de julho. O calendário será enviado posteriormente para a Secretaria de Educação do Distrito Federal.
Novos professores – Nesta volta às aulas a rede de ensino contará com cerca de 2.300 professores e professoras que tomaram posse esta semana. Todos(as) estão sendo alocados(as) principalmente nas regionais mais periféricas ao Plano Piloto.
O Sinpro dá as boas-vindas a todos e todas e deseja um bom restante de ano letivo.
Olimpíada de matemática, na 10ª edição, leva motivação a educadores e estudantes
Jornalista: sindicato
Duas escolas municipais com tempos de atividade diferentes, uma com 50 anos de história e outra com apenas dois anos, tomaram a mesma decisão em 2014. Elas resolveram romper o isolamento e inscrever seus alunos na 10ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Dos 18,1 milhões de estudantes inscritos na primeira fase da olimpíada, 409 representam essas duas escolas.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Cecília, do município de Viamão (RS), participa com 274 alunos do sexto ao nono anos, de 639 estudantes matriculados. A professora Rosaura Dille Girardi explica que assumiu a direção da escola neste ano e, em conjunto com os professores, resolveu entrar na Obmep. “Vim de outra escola que participava da olimpíada e decidi motivar os educadores e os alunos para a essa experiência”. Segundo Rosaura, a entrada na olimpíada motivou os alunos a estudar e melhorou a autoestima. A escola Santa Cecília tem 50 anos, informa a diretora, mas ainda não tinha dado esse passo.
Localizado na região metropolitana de Porto Alegre, Viamão tem 239,3 mil habitantes, segundo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizado em 2010. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do município em 2011 é de 4,7 pontos no quarto e quinto anos e de 3,7 pontos no oitavo e nono anos. Na 10ª Obmep, o Rio Grande do Sul inscreveu 2.998 escolas e 658,2 mil estudantes.
Distante cerca de 1800 quilômetros de Viamão, a Escola Municipal José Francisco de Melo, no município de Bom Jesus de Goiás, no Centro-Oeste, tem apenas dois anos de atividade e inscreveu 135 estudantes do sexto e sétimo anos na Obmep. Motivar os alunos é a bandeira da diretora Mirene de Almeida Cardoso Lopes.
Com a realização da primeira fase da olimpíada, que foi em 27 de maio, a diretora observou o despertar do interesse pela matemática e pela competição. Segundo Mirene, a melhor nota obtida pela escola foi de um estudante do sexto ano que era muito inquieto na sala de aula. Outra conquista destacada pela diretora foi a ótima aceitação dos alunos – nenhum estudante faltou à escola no dia da aplicação dos testes.
Bom Jesus de Goiás, que fica no sul do estado, distante 218 quilômetros de Goiânia, tem 21 mil habitantes, conforme o censo demográfico de 2010. O município registrou, em 2011, Ideb de 5,4 pontos no quarto e quinto anos e 4,1 pontos no oitavo e nono anos do ensino fundamental. Goiás tem 1.497 escolas e 598,4 mil estudantes inscritos na Obmep este ano. Euforia – O município, segundo Mirene Lopes, vive um momento de descoberta e euforia na educação. O motivo da procura é a exigência de profissionais com ensino fundamental completo, feita pelas usinas de produção de álcool e açúcar instaladas há pouco tempo na região. Para conseguir emprego, o trabalhador precisa ler, escrever, saber matemática, diz a diretora.
Bom Jesus de Goiás, explica Mirene, era um município agrícola até o fim do século 20 e as opções de trabalho estavam nas fazendas. A chegada das usinas de cana de açúcar na última década criou opções de emprego, trouxe trabalhadores de diversos estados, especialmente do Nordeste, e a exigência de escolarização.
Aqui, diz Mirene, tem briga por vaga na educação infantil e, para atender os trabalhadores, o município criou uma escola que oferece diversas turmas de educação de jovens e adultos no turno da noite. Além dos pais que buscam a escola para garantir vaga nas usinas, Mirene relata outra boa consequência: os filhos também querem aprender e disputam vaga nas escolas. Olimpíada – A 10ª Olimpíada Brasileira das Escolas Públicas recebeu este ano 18,1 milhões de inscrições de estudantes do ensino fundamental e médio, a adesão de 46.712 escolas situadas em 5.533 municípios, o que corresponde a 99,41% do número de prefeituras do país. As provas da primeira fase, realizadas nas escolas, foram em 27 de maio; a segunda fase, que será em centros de aplicação, acontece em 13 de setembro; a divulgação dos vencedores em 12 de dezembro.
Promovida pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação, a olimpíada é realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).
(Do MEC)
Inscrições abertas para vestibular da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes
Jornalista: sindicato
A Faculdade de Artes Dulcina de Moraes abre as inscrições para o vestibular em Artes Cênicas, Artes Visuais e Interpretação Teatral. Pela inscrição será cobrada a taxa de R$ 30 e pode ser feita até dia 24 de julho. As provas serão entre os dias 26 de julho a 2 de agosto. Os 100 primeiros professores da rede pública de ensino interessados em fazer a segunda graduação terão condições especiais e desconto de 50%.
Outras informações pelo site www.dulcina.art.br, ou pelos telefones 9604-2284 e 9312-2141.