Professora lança livro de contos e crônicas

Supravida é o nome do terceiro livro escrito pela professora Ana Maria dos Reis. Formada em Letras e pós graduada em Língua Portuguesa, Ana Reis optou desta vez por uma publicação de caráter didático. Ela conceitua contos e crônicas e ainda dá sugestões de leituras das obras dos maiores contistas e cronistas brasileiros. O livro será lançado na Livraria Cultura do Casa Park-Saída Sul no dia 29 de setembro, às 19h, e no dia 6 de outubro no Ced 06 do Gama.
Em 2006, ela lançou dois livros: O Saga Mineira (romance regionalista)  e o Minha Alma Azul (poesias). Participou de três coletâneas de poesias: pelo Sesc-DF,2004. Pela ATL (Academia Taguatinguense de Letras, 2007 e pelo Sinpro-DF, também em 2007.
Sustentabilidade
O conto Supravida que abre o livro aborda a temática sustentabilidade. Os contos regionalistas mostram a variação linguística como riqueza para a comunicação. São contos divertidos, personagens cômicos, onde a autora brinca com as palavras buscando a beleza da literatura.
As crônicas são na sua maioria, críticas sociais e políticas, mostrando o lado crítico que todo cidadão deve possuir para não serem bonecos teleguiados, sem opiniões próprias, sem perspectivas.
 

III Conferência dos Direitos da Pessoa Idosa discute envelhecimento com dignidade

Está acontecendo hoje e amanhã(12 e 13 de setembro), a III Conferência Distrital dos Direitos da Pessoa Idosa com o tema: “O compromisso de todos por um envelhecimento digno no Brasil”. O evento está sendo realizado no auditório da LBV-Legião da Boa Vontade que fica na 915 Sul. Nesta segunda a palestra é com o Coordenador de Pesquisa  e educação em Saúde do Idoso, Renato Maia, da Escola Superior de Ciências da Saúde do DF. Os principais eixos em discussão são: Envelhecimento e políticas de estado: pactuar caminhos intersetoriais; Pessoa Idosa: protagonista da conquista e efetivação dos seus direitos; Fortalecimento e integração dos conselhos: existir, participar, estar ao alcance, comprometer-se com a defesa do   direitos dos idosos; e as Diretrizes orçamentária, plano integrado e orçamento público da União, Estado, Distrito Federal e Municípios: conhecer para exigir; exigir para incluir; fiscalizar. Todos os participantes recebrão o certificado de participação no evento.

Novo Código Florestal tramita no Senado

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável pretende recolher mais de 1 milhão de assinaturas contrárias ao PLC 30/11, que trata do Novo Código Florestal, num abaixo-assinado que já está sendo divulgado na página da entidade na Internet (www.florestafazadiferenca.com.br). A matéria originária da Câmara Federal (PL 1876/99) agora tramita no Senado sob a denominação de PLC 30/2011 e, devido às modificações propostas pelo relator do projeto, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC), a questão será rediscutida em “turno suplementar” e deverá passar por uma nova votação. Porém, nada garante que o projeto de lei tenha uma conclusão rápida e a previsão de votação poderá ultrapassar até a expectativa dos defensores do agronegócio e ruralistas.
Segundo o relator do projeto no Senado, o substitutivo proposto por ele evitará que algumas “brechas” deixadas pela Câmara permitam o desmatamento nas Áreas de Preservação Permanente (APPs). Porém, não são somente esses os problemas observados numa proposta que, quanto mais se modifica, mais possibilidades de desastres ambientais aparecem.  A matéria ainda deve passar pela apreciação na Comissão de Constituição e Justiça (com a conseqüente votação do relatório), sendo levada para a apreciação do mérito nas Comissões de Agricultura (CRA), de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Meio Ambiente (CMA). Nas duas primeiras o relator ainda é Luiz Henrique, mas na terceira comissão o relator é o senador Jorge Viana (PT-AC).
A situação da proposta de Código Florestal no Senado não parece ser animadora, principalmente para os parlamentares que vêem a possibilidade de piorá-lo ainda mais, com emendas que facilitam a destruição das florestas e matas ciliares, redefinem conceitos como o “reserva legal”, bem como as competências da União e dos Estados no trato da questão. Todas as 56 emendas apresentadas pelos senadores foram desconsideradas pelo relator, o que só complicou a situação, pois a “deselegância” no trato parlamentar demonstrada por Luis Henrique pode levar a rejeição do relatório na primeira votação a que seja submetido na CCJ, atrasando ainda mais a tramitação da matéria.
O senador Luiz Henrique não considerou, por exemplo, a emenda apresentada pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que propõe reduzir a largura mínima para as APPs para 15 metros ao longo de rios com mais de cinco metros de largura que cruzam as cidades. A mesma metragem também é proposta pelo senador paraense à faixa mínima de vegetação para o entorno de lagos e lagoas naturais em zona urbana. Segundo Flexa Ribeiro, a emenda proposta por ele segue determinações previstas na Lei 6.766/1979, que trata do Parcelamento de Solo Urbano. A flexibilização da proposta feita pelo senador paraense baseia-se na argumentação de que as determinações previstas para as APPs aplicam-se ao meio rural e não podem seguir os mesmos critérios no meio urbano, pois afetariam seriamente diversos municípios da região amazônica.
Havia propostas de emendas de senadores que questionavam os percentuais mínimos obrigatórios de reserva legal (Acir Gurgacz – PDT-RO). Alguns senadores, como Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Demóstenes Torres (DEM-GO) vêem com reservas qualquer mudança sugerida e preferem só se posicionar depois de um “estudo” do relatório. O certo é que, na reunião da CCJ realizada no dia 31 de agosto, o presidente da Comissão, Eunício Oliveira (PMDB-CE), concedeu vista coletiva, anunciando que o projeto voltará à discussão no dia 14 de setembro, quando a CCJ reunir-se-á em caráter ordinário. Como não há certeza de que a Comissão chegue a algum acordo neste dia e a votação do tema seja postergada, o melhor a fazer é investir no processo de conscientização da sociedade sobre essa questão.
Para as entidades que compõem o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, entre as quais inclui-se o SINPRO-DF, são poucas as chances de garantir a conservação efetiva e o uso sustentável das florestas em todos os biomas brasileiros, pois até as propostas de alteração sugeridas pelo relator do projeto são objetos de críticas e não se mostram tão boas quanto parecem ser. Um exemplo disso é a permissão para que sejam construídos estádios e outras instalações para a realização de competições esportivas municipais, estaduais, nacionais e internacionais em APPs, considerando essas construções como sendo atividades de “utilidade pública” (um conceito definido e acrescentado ao PL pelo relator), visto que, segundo Luiz Henrique, há urgência dessas obras para a realização da Copa do Mundo de Futebol e das Olimpíadas no Brasil.
Seja qual for a decisão a ser tomada pelo Senado, a pressão para que o projeto seja vetado pela presidenta Dilma já vem sendo feita e articulada pelas ONGs e comitês ambientalistas brasileiros. A diretora do SINPRO-DF, Iolanda Rocha, enfatiza que “a participação da sociedade nessa discussão é de extrema importância para que este novo texto seja vetado pela presidenta Dilma e que sejam considerados os pontos que realmente avançam no sentido da conservação, preservação e uso sustentável das nossas florestas em todos os biomas brasileiros, além da recuperação das áreas desmatadas e a garantia de água de qualidade”. O Sindicato já está nas escolas, fazendo circular o texto com o abaixo-assinado e colhendo o maior número possível de assinaturas.
Como não há previsão de votação da matéria, os movimentos de defesa do meio-ambiente e pela Reforma Agrária prosseguem no trabalho de conscientização de toda a sociedade, para que não seja aprovado mais um projeto que beneficia os ruralistas e defensores do agronegócio, que continuam a controlar de maneira privada o território brasileiro. Percebe-se que a direção tomada pelos parlamentares na discussão sobre a preservação do meio ambiente é antagônica a dos movimentos sociais. Sabe-se que, havendo modificação no texto original, a proposta poderá voltar para a Câmara (de onde ela originou) e passar por outra discussão, com outros prazos a serem cumpridos. Caso a matéria seja enviada diretamente para a sanção presidencial, a expectativa girará em torno do veto como última possibilidade de salvar os biomas brasileiros das ações predadoras dos empresários da terra.
Para obter o abaixo-assinado e/ou participar da campanha na Internet, entre no site do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável (www.florestafazadiferenca.com.br).

Falta de manutenção na EC 4 provoca morte de criança

O Sinpro-DF lamenta a morte de uma criança na Escola Classe 4 do Paranoá. Segundo o relato de funcionários, a vítima, de nove anos de idade, brincava no local e ao tentar pular uma cerca do parquinho morreu eletrocutada. O incidente é prova das condições precárias que algumas escolas públicas do DF se encontram, fato que coloca em risco a vida dos alunos e dos próprios funcionários. O Sindicato cobrará melhorias nas escolas públicas para que tragédias como esta não voltem a acontecer.

Ciclo de Debates

Sinpro retoma Ciclo de Debates sobre questão étnico racial

Festa do Professor

Festa do Professor! Convites para o show com Nando Reis são limitados

Ministério Público recebe professores e governo para discutir greve em MG

Greve na rede estadual de ensino começou em 8 de junho. Servidores fazem protesto na porta do prédio do MP.Representantes dos professores da rede estadual de ensino de Minas Gerais e do governo estão reunidos na manhã desta quarta-feira (31), em Belo Horizonte, para discutir a greve da categoria. A reunião é realizada na sede do Ministério Público Estadual, na capital.A reunião começou às 11h. Desde o horário, servidores estavam concentrados do lado de fora do prédio do Ministério Público, onde faziam protesto.
Nesta terça-feira (30), o procurador-geral de Justiça do estado, Alceu Torres Marques, se reuniu separadamente com representante do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE-MG).
Os professores da rede estadual iniciaram paralisação no dia 8 de junho. Categoria e governo divergem sobre o pagamento do piso salarial.
Salário dos professores
O Sind-UTE/MG reivindica um piso salarial de R$ 1.597,87 para jornada de 24 horas e Ensino Médio de escolaridade. O valor defendido pelo sindicato segue cálculo feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação (CNTE). Para tentar colocar fim à greve, segundo o sindicato, já se admite discutir o piso de R$ 1.187, estabelecido pelo Ministério da Educação.
A Secretaria de Estado de Educação afirma cumprir o piso salarial nacional definido pelo Ministério da Educação, fixado em R$ 1.187,97 para jornada de 40 horas semanais. De acordo com o governo, os servidores cumprem jornada de 24 horas semanais no estado, e, observada a proporcionalidade, os profissionais com nível médio de escolaridade recebem R$ 1.122 em parcela única.
No dia 23 de agosto, o governo de Minas anunciou mudanças na política salarial dos servidores da educação. O novo Projeto de Lei vai ser enviado a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). s mudanças beneficiam principalmente os profissionais de educação que têm mais tempo de serviço.
A nova política foi anunciada pelas secretárias de Educação, Ana Lúcia Gazzola, e de Planejamento e Gestão (Seplag), Renata Vilhena. De acordo com a assessoria de imprensa da Seplag, o Projeto de Lei deverá ser enviado à ALMG em setembro.
Fonte: g1.globo.com/minas-gerais/

Cutistas realizam ato contra juros altos

Nesta quarta-feira, dia 31, militantes cutistas realizam ato em frente ao Banco Central para reivindicar a redução das taxas de juros e a ampliação dos investimentos em políticas públicas e programas sociais. A ação começou às 9h. O objetivo da ação é pressionar o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) a baixar a taxa de juros. “O que sangra o Brasil é essa taxa de juro criminosa; é o dinheiro que sai do nosso orçamento e vai direto para o bolso dos especuladores. O que o país precisa é de uma redução drástica da taxa de juros”, denuncia Artut Henrique, presidente da CUT Nacional.
Nessa segunda-feira (29), o governo anunciou que vai aumentar a meta do superávit primário – economia que o governo faz para pagar os juros da dívida – para conter os efeitos da crise econômica mundial e permitir a redução dos juros. Para o governo, as medidas de aperto fiscal ajudam o Banco Central a iniciar mais rapidamente a redução da taxa básica de juros.
Para o presidente da CUT, “essa decisão vai contra a visão da CUT de que é preciso fortalecer o mercado interno e manter as políticas públicas e sociais”. Em reunião com a presidenta da República, Dilma Rousseff, o sindicalista deixou claro que a Central não concorda com o aumento do superávit e alertou que a manutenção das políticas públicas e sociais depende fundamentalmente do papel do Estado. “A presidenta acha que as medidas criam as condições para diminuir as taxas de juros e nós achamos que se não houver mobilização da sociedade, a taxa não cai”, afirma Artur Henrique.
O Copom, grupo que define as diretrizes da política monetária e a taxa básica de juros do País, se reúne nestas terça e quarta-feiras para decidir a nova taxa de juros do Brasil– atualmente, a taxa Selic é de 12,50%.
O que o trabalhador tem a ver com isso?
A Selic é a taxa de juro que o governo paga para rolar a sua própria dívida. Quando a Selic está alta, ganha quem tem título público, ou seja, o mercado financeiro que tem títulos da dívida. Os banqueiros são os grandes credores do Estado.
Quando o juro sobe, fica mais atrativo comprar título público. E, como poucos investimentos rendem mais do que a Selic, nenhum banco empresta para o setor privado, prejudicando ainda mais os investimentos no País. Indiretamente, a alta da Selic desincentiva o aumento da produção, a contratação de mão de obra e também produz o aumento do custo do crédito, principalmente, do crédito para o setor produtivo.
Já o aumento do superávit primário reduz os investimentos do governo, o que significa minimizar as verbas para políticas públicas e diminuir a presença do Estado como indutor do desenvolvimento econômico e social.
CUT-DF, com CUT Nacional

Somos fortes, somos CUT!

Depois de 28 anos, ainda continua acesa a esperança de transformação do Brasil em um país mais justo através da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em sessão solene realizada pela deputada distrital do PT e ex-presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga, ex-dirigentes da Central falaram sobre a experiência de dirigir a CUT e a importância da entidade sindical para a construção de uma sociedade igualitária.
Com o Plenário da Câmara Legislativa do DF lotado de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, a deputada Rejane Pitanga, que presidiu a CUT-DF de 2006 a 2010, definiu a Central como “a mais bela experiência de organização dos trabalhadores e trabalhadoras”. “Me sinto filha da CUT. Estar lá foi fundamental para minha formação como mulher, mãe, militante e deputada atuante”, afirmou.
O deputado distrital também do PT, Chico Vigilante, o primeiro presidente da CUT-DF, lembrou todas as histórias vividas na Central: as longas viagens de ônibus, os finos colchonetes estendidos em escolas que se tornavam alojamento de militantes, os desafios de organizar uma greve, a saída do anonimato, o risco e a realidade da prisão.
Jacy Afonso, que presidiu a Central nos anos 90 e hoje é secretário de Organização Política Sindical da CUT Nacional, afirmou que a Central mantém, ainda hoje, sua ideologia: autonomia da classe trabalhadora, a unidade da classe trabalhadora, a democracia plena. Também participou da sessão solene a primeira mulher presidente de uma CUT estadual em todo o Brasil, Elzira Maria do Espírito Santo. Para ela, para dirigir a Central é essencial ter como princípio e objetivo a defesa da classe trabalhadora.
O atual presidente da CUT-DF, José Eudes de Oliveira, lembrou que dirigir uma central sindical do porte da CUT – a maior da América Latina – é tarefa difícil, mas compensadora. Também homenagearam a CUT na sessão solene os deputados distritais Olair Francisco (PT), Wasny de Roure (PT), Chico Leite (PT); o deputado federal Roberto Policarpo (PT); a diretoria do Sinpro e de outras dezenas de sindicatos da base da CUT-DF.
História
A CUT – Central Única dos Trabalhadores – foi fundada em 28 de agosto de 1983, na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT). Naquele momento, mais de cinco mil homens e mulheres, vindos de todas as regiões do país, lotavam o galpão da extinta companhia cinematográfica Vera Cruz e imprimiam um capítulo importante da história.
CUT: a maior central do Brasil e a mais representativa
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) é uma organização sindical brasileira de massas, em nível máximo, de caráter classista, autônomo e democrático, cujo compromisso é a defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora.
Presente em todos os ramos de atividade econômica do país, a CUT se consolida como a maior central sindical do Brasil, da América Latina e a 5ª maior do mundo, com 3.438 entidades filiadas, 7.464.846 trabalhadoras e trabalhadores associados e 22.034.145 trabalhadoras e trabalhadores na base.
Princípios
A CUT defende a liberdade e autonomia sindical com o compromisso e o entendimento de que os trabalhadores têm o direito de decidir livremente sobre suas formas de organização, filiação e sustentação financeira, com total independência frente ao Estado, governos, patronato, partidos e agrupamentos políticos, credos e instituições religiosas e a quaisquer organismos de caráter programático ou institucional.
Estrutura
A CUT se organiza em dois níveis:
Organização Horizontal:
Além da estrutura nacional, a CUT está organizada em todos os 26 estados e no Distrito Federal. São as CUTs estaduais.
Organização Vertical:
Organizações sindicais de base e entidades sindicais por ramo de atividade econômica: sindicatos, federações e confederações.
A Central também conta com organismos para o desenvolvimento de políticas específicas e assessoria: Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), Instituto Observatório Social (IOS), Instituto Nacional de Saúde no Trabalho (INST), além de sete Escolas Sindicais e uma Escola de Turismo e Hotelaria.
(com informações da CUT-DF)

Faltam professores(as) na rede pública de ensino do DF

A três meses do fim de 2011, os alunos das escolas públicas do Distrito Federal ainda sofrem com a falta de professores. A carência é generalizada e ameaça o ano letivo em diversas regiões administrativas. A situação é mais crítica nos colégios de Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas e Planaltina. Os docentes estão fora das salas de aula por atestados médicos ou outros motivos garantidos por lei. O problema é que não há temporários disponíveis para preencher esse vazio na grade das escolas. Só este mês, 439 educadores deixaram de ministrar aulas e não tiveram ninguém para substituí-los. As ausências são em matérias essenciais, como português e matemática, além de artes, educação física e inglês.
A Secretaria de Educação reconhece o problema e só enxerga uma solução para o caso: a nomeação imediata dos 1.104 professores aprovados no último concurso, realizado em 2010. “Solicitamos à Secretaria de Administração que permitisse a contratação de efetivos. Assim, poderíamos garantir que os temporários estariam disponíveis para repor a ausência daqueles que precisam tirar um atestado de 10 ou 15 dias”, ressalta a subsecretária de Gestão dos Profissionais da Educação, Patrícia Jane Rocha Lacerda. Por enquanto, a convocação dos concursados não foi autorizada.
Atualmente, todos os 6,5 mil temporários que compõem o banco da secretaria ocupam algum cargo. Entre eles, 1.849 estão no lugar de professores efetivos, em contratos chamados de “definitivos”. “Eles ficam um ano ou mais nesses cargos. Precisamos mudar isso para ter a opção de substituir os que têm algum problema de saúde”, completa a subsecretária. Porém, as efetivações esbarram no cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, citada no início do ano quando o número de convocações foi aquém do esperado pelas regionais de ensino. “A atualização da Lei Orçamentária Anual (LOA) nos permite contratar 1.440 professores, mas só conseguimos convocar 366, até agora. Aguardamos a aprovação desse pedido”, destaca Patrícia Lacerda.
Enquanto isso, Murilo Silva, 13 anos, e Klisman Gabriel da Silva, 14, não conseguem tirar boas notas em matemática, português e ciências por não terem visto conteúdo suficiente para preencher as questões de provas. Às 16h de ontem, eles saíam do Centro Educacional nº 5, em Taguatinga, devido à falta de docentes para ensiná-los três matérias. “Não tivemos português, ciências e educação física hoje (ontem). É assim quase todos os dias. Não temos perspectiva de reposição e não conseguimos assimilar o que deveríamos. No sábado, vim ao colégio para repor o que perdi e acabei em uma sala assistindo a um filme porque nenhum outro colega compareceu à reposição”, afirma Klisman, aluno da 7ª série.
Alerta – Na semana passada, o Tribunal de Contas do DF (TCDF) emitiu um alerta ao Executivo devido ao valor gasto com a folha de pagamento no primeiro quadrimestre deste ano. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o GDF não pode usar mais que 49% da receita corrente líquida medida no quadrimestre com pessoal. Caso a atual administração não consiga reduzir os gastos, ficará proibida de fazer novas contratações, reajustar os salários ou requisitar horas-extras.
Ano comprometido – De acordo com o diretor do Sindicato dos Professores (Sinpro) Washington Dourado, existe uma preocupação acerca das nomeações, pois a conclusão do ano letivo já está comprometida em alguns casos. “Temos regionais de ensino que estão há cinco meses sem aulas de artes. Sabemos que a arrecadação aumentou e esperamos que isso favoreça as nomeações”, diz.
Porém, a educação terá que esperar pelo menos até o próximo dia 15. De acordo com a Secretaria de Administração, esse é o dia que o relatório quadrimestral de gastos será divulgado e a análise de necessidades para cada área será feita. Até lá, o órgão espera receber da Secretaria de Educação um documento indicando quais são as prioridades detalhadas de cada regional de ensino. Tudo terá que ser aprovado em conjunto com as secretarias de Fazenda e de Planejamento.
No Centro de Ensino Fundamental Maria do Rosário, na QNN 21 de Ceilândia, uma turma de 35 alunos está sem aulas há um mês. Os alunos do 3º ano do ensino fundamental viram a professora usar diversos atestados médicos ao longo do ano e esperavam que ela fosse se recuperar. Mas na reta final, a professora deu entrada em uma licença de 40 dias. Faltando 10 para o atestado terminar, um substituto não foi encontrado.
Preocupação – Depois de ver um boletim de notas que variam entre nove e 10, a mãe de Davi Marques Costa, 8 anos, a dona de casa Rosa Marques, 33 anos, teme que o filho esqueça tudo o que aprendeu nos dois primeiros bimestres. “Não quero que ele perca o ano. Sempre foi bom aluno. Tem que haver um jeito de repor as aulas”, afirma. O estudante afirma que sente falta da escola e quer voltar o quanto antes para não perder as férias. “Gosto de estudar. Sempre que posso, leio português e minha mãe faz exercícios para mim. Se não voltar logo, não poderei aproveitar as férias, vai ser chato”, lamenta o menino, morador de Ceilândia.
Em todo esse período de carência de professores, Luiz Henrique Pereira, 9 anos, não desistiu de estudar. Todos os dias, ele vai até o salão de beleza da tia, localizado em frente à escola, com a mochila nas costas. “Venho na esperança de ter aulas, mas nunca da certo”, conta o garoto, que estuda na mesma sala de Davi. As mães dos dois alunos já tentaram uma transferência de turma ou de escola, mas não conseguiram.
Com informações do Correio Braziliense

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