Homem tenta subornar testemunha do mensalão

O funcionário conselheiro da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) Antônio Bento foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (4), em um restaurante em Brasília, com R$ 200 mil, em dinheiro, que seriam utilizados para subornar uma das testemunhas do esquema de corrupção em Brasília. Segundo informações preliminares da PF, o destinatário do dinheiro seria o jornalista Edson Sombra, uma das principais peças do quebra-cabeça da Operação Caixa de Pandora, que desmantelou o esquema de corrupção no Distrito Federal em novembro de 2009.
Foi o próprio Sombra que teria comunicado aos agentes da PF a oferta de suborno e o assédio do suspeito. O homem oferecia o dinheiro a Sombra para que ele prestasse informações falsas no depoimento que ainda terá de prestar à PF. Sombra concordou em receber o dinheiro e armou o flagrante com os agentes da PF. Por volta das 9h desta quinta, o homem foi preso com o dinheiro em um restaurante do Sudoeste, bairro nobre de Brasília. O homem foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal onde é mantido em uma sala reservada, enquanto aguarda o registro do flagrante.
Sombra é uma peça importante do caso porque teria sido ele o responsável por convencer o ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo, Durval Barbosa, a delatar o esquema à polícia. O esquema de corrupção em Brasília envolve o suposto pagamento de propina ao governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), ao vice-governador, Paulo Octávio (DEM), deputados distritais, empresários e integrantes do governo. O inquérito que investiga o caso tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e já resultou na quebra de sigilos bancário e fiscal do governador Arruda e de outros sete envolvidos no caso.

Ernesto Silva morre aos 95 anos

Morreu no início da tarde desta quarta-feira (03), aos 95 anos, no Hospital Brasília, o médico e pioneiro Ernesto Silva. Ele faleceu às 13h15 em decorrência de disfunção múltipla dos órgãos. Em agosto de 2009, Ernesto foi internado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital com quadro de infecção grave, resultado de uma pneumonia. Ele foi liberado, mas retornou ao centro médico em setembro por causa de uma crise hipertensiva, que exigiu monitoramento médico constante.
O médico foi secretário da “Comissão de Localização da Nova Capital do Brasil” (1953/1955); presidente da “Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal” (1956); diretor da NOVACAP (1956/1961); conselheiro da Fundação Educacional e da Fundação Hospitalar do DF (1960/1961); e nos últimos anos foi presidente e/ou membro de diversos órgãos ligados às áreas de Saúde e de Cultura no DF. Durante vários anos Ernesto Silva criticou o crescimento desordenado de Brasília e afirmava que “estava comprometendo o belíssimo projeto de Lucio Costa e trouxe males, como a violência e crianças sem escolas”.

Wilson Lima é eleito presidente da CLDF

Após várias manobras e discussões políticas realizadas pela turma do governador Arruda, o deputado distrital Wilson Lima (PR) foi eleito o novo presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal com 15 votos. O concorrente do PT ao comando da Câmara, deputado Cabo Patrício, obteve sete votos. A única ausência foi a do distrital Júnior Brunelli – o parlamentar da oração da propina. Eliana Pedrosa (DEM) se absteve. Jaqueline Roriz optou pelo petista Cabo Patrício. A surpresa da votação ficou por conta de Alírio Neto, que também votou no petista. No momento em que foi chamado, Wilson Lima divertiu os colegas ao dizer, em vez de sim, que “aceita a missão”.
A escolha de Wilson Lima para a presidência da CLDF manterá o domínio do governador do Distrito Federal sob as decisões tomadas na Casa e principalmente sobre o futuro da CPI que analisa o esquema de corrupção organizado por Arruda.

Justiça mantém oito deputados afastados da CLDF

O Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) negou o novo pedido de suspensão da liminar concedida pelo juiz da 7ª vara de Fazenda Pública do DF, que afastou oito deputados distritais citados na operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal. A decisão mantém os deputados impedidos de participar do processo de impeachment do governador do Distrito Federal, acusado de chefiar esquema de distribuição de propina a parlamentares da casa legislativa.
Na decisão da Justiça, em 20 de janeiro, o juiz também determinou a convocação dos suplentes que não são citados nas investigações. Os suplentes atuarão exclusivamente no processo de impeachment. A decisão atinge os deputados Aylton Gomes, Benedito Domingos, Benício Tavares, Eurides Brito, Júnior Brunelli, Leonardo Prudente, Rogério Ulisses, Roney Nemer e os suplentes Berinaldo Pontes e Pedro do Ovo.
Na liminar, o juiz justifica sua ordem: “A excepcionalidade da medida é justificada pela excepcionalidade do momento vivido no Distrito Federal, que requer a intervenção do Judiciário a fim de preservar a Constituição da República, o Estado Democrático de Direito e de suas instituições republicanas”.

Manifestantes são agredidos por “Arrudistas”

Alguns manifestantes do grupo “Fora Arruda” registraram queixa de ameaça contra os defensores do governador José Roberto Arruda nesta quarta-feira (03). Segundo alguns dos estudantes envolvidos, os “Arrudistas” fizeram várias ameaças, inclusive de morte, durante movimento realizado em frente à Câmara na tarde do dia anterior. A ocorrência foi registrada na 2ª DP (Asa Norte). Alguns manifestantes ainda revelam que o carro de um servidor da Câmara Legislativa que apóia o movimento contra Arruda foi danificado pelos defensores do governador. O servidor já teria registrado a ocorrência na mesma delegacia.

Exército organiza concurso literário

Em homenagem ao cinquentenário da 11ª Região Militar – Tenente Coronel Luiz Cruls o Exército Brasileiro promove um concurso literário para alunos dos Ensinos Médio e Fundamental da rede pública de ensino de Brasília. Com o tema “50 anos da 11ª Região Militar – Tenente Ceronel Luiz Cruls”, o mini concurso ainda pretende abordar os 50 anos de Brasília, à Missão Cruls e a formação do DF, e o Exército Brasileiro e a Integração Nacional. O primeiro colocado ganhará um microcomputador, um diploma e terá o texto lido na Formatura Militar Alusiva do Cinquentenário, e aos segundos e terceiros colocados será oferecido um troféu do Comando da 11ª Região Militar e diploma. As redações deverão ser entregues até o dia 12 de março no Clube dos Pioneiros de Brasília (Setor Comercial Norte, Shopping Conjunto Nacional, sala 5024). Mais informações podem ser obtidas no telefone 3328-6516.

CUT cobra redução da jornada de trabalho

O reinício dos trabalhos parlamentares no Congresso Nacional, nesta terça-feira (02/02), contou com um ingrediente a mais. Entre as 8h e 10h, dezenas de dirigentes sindicais, trabalhadores e trabalhadoras foram recepcionar, no aeroporto de Brasília, os deputados e senadores que chegavam dos mais diversos estados.

A mobilização teve o objetivo de exigir que os parlamentares coloquem rapidamente em votação o projeto que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas e que remunera as horas extras em 75% a mais que a hora normal.

O lema era um só: “Reduz pra 40 que o Brasil aumenta e o empresariado agüenta”.

Para o presidente da CUT Nacional, Artur Henrique, “40 horas semanais dão mais tempo para o lazer, para a família, para namorar. E ainda vão criar mais de dois milhões de empregos”. E avisou: “Deputado, deputada, senador, senadora, este ano tem eleição…”.

“Vamos mostrar aos parlamentares, na sua volta ao trabalho, que os trabalhadores querem avançar em suas conquistas, gerando novos postos de trabalho”, disse a presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga.

Congresso – Após a mobilização no aeroporto, os trabalhadores se dirigiram ao Congresso, para um corpo a corpo com os parlamentares na entrada da Câmara Federal, que durou até às 12h. Os que chegavam eram abordados e recebiam folhetos explicativos dos militantes – que cobravam comprometimento com as questões dos trabalhadores.

Para esta tarde, com início às 15h, estão agendadas reuniões com os líderes do PSB, PDT, PT e com a liderança do governo.

“Tudo isso que estamos fazendo hoje é muito importante para manter a militância aguerrida e mostrar para o Congresso que nós não vamos desistir das nossas bandeiras só porque é ano eleitoral. Ao contrário”, disse o secretário geral da CUT, Quintino Severo.

Por que reduzir?

Segundo estudos do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos existem inúmeras vantagens para reduzir a jornada de trabalho. Confira:

1. Preservar e criar novos empregos de qualidade
A redução da jornada de trabalho é um dos instrumentos para geração de novos postos de trabalho e a conseqüente redução das altas taxas de desemprego. Se todos trabalharem um pouco menos, todos poderão trabalhar.

2. Jornada normal de trabalho muito extensa
A jornada normal de trabalho no Brasil é uma das maiores no mundo: 44 semanais desde 1988.

3. Jornada total de trabalho muito extensa
A jornada total de trabalho é a soma da jornada normal de trabalho mais a hora extra. No Brasil, além da extensa jornada normal de trabalho, não há limite semanal, mensal ou anual para a execução de horas extras, o que torna a utilização de horas extras no país uma das mais altas no mundo. Logo, a soma de uma elevada jornada normal de trabalho e um alto número de horas extras faz com que o tempo total de trabalho no Brasil seja um dos mais extensos.

4. Ritmo intenso do trabalho
O tempo de trabalho total, além de extenso, está cada vez mais intenso, em função de diversas inovações técnico-organizacionais implementadas pelas empresas (como a polivalência, o just in time, a concorrência entre os grupos de trabalho, as metas e a redução das pausas). Também em muito tem contribuído para essa intensificação a implementação do banco de horas (isso porque, nas horas de pico, os trabalhadores são chamados a trabalhar de forma intensa e nas horas de baixa demanda são dispensados do trabalho).

5. Aumento da flexibilização da jornada de trabalho
Desde o final dos anos 1990, verifica-se, no Brasil, um aumento da flexibilização do tempo de trabalho. Assim, às antigas formas de flexibilização do tempo – como a hora extra, o trabalho em turno, trabalho noturno, as férias coletivas -, somam-se novas – como a jornada em tempo parcial, o banco de horas e o trabalho aos domingos.

6. Aumento do número de doenças
Em função das jornadas extensas, intensas e imprevisíveis, os trabalhadores têm ficado cada vez mais doentes (estresse, depressão, hipertensão, distúrbios no sono e lesão por esforços repetitivos, por exemplo).

7. Condições favoráveis da economia brasileira
A economia brasileira apresenta condições favoráveis para a redução da jornada de trabalho e limitação da hora extra, uma vez que:

• o país apresenta crescimento econômico nos últimos cinco anos e com perspectivas positivas para os próximos anos;

• a inflação tem variações moderadas desde 2003;

• a economia encontra-se relativamente estabilizada (diminuição das taxas de inflação, equilíbrio na balança de pagamentos, superávit primário, crescimento econômico etc.);

• a redução da jornada de trabalho é uma política de geração de postos de trabalho com baixo risco monetário;

8. Baixo percentual dos salários nos custos de produção
Conforme dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 1999, a participação dos salários no custo da indústria de transformação era de 22%, em média. Fazendo as contas, uma redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais (de 9, 09%) representaria um aumento no custo total de produção de apenas 1, 99%.

Este percentual é irrisório se considerarmos que o aumento da produtividade da indústria, entre 1990 e 2000, foi de 113% e que, nos primeiros anos do século XXI, os ganhos de produtividade foram de 27%. Portanto, o grande aumento de produtividade alcançado desde 1988 (última redução da jornada de trabalho no Brasil) leva a um pequeno aumento de custo gerado pela redução da jornada de trabalho.

9. Baixo custo da mão-de-obra no Brasil
O custo da mão-de-obra no Brasil é muito baixo, comparado a diversos países, de forma que a redução da jornada de trabalho não traria nenhum prejuízo à competitividade das empresas, sobretudo porque o diferencial na competitividade não está no custo da mão-de-obra, mais sim nas vantagens sistêmicas que o país oferece. Como um sistema financeiro a serviço do financiamento de capital de giro e de longo prazo, com taxas de juros acessíveis, redes de institutos de pesquisa e universidades voltadas para o desenvolvimento tecnológico, população com altas taxas de escolaridade, trabalhadores especializados, infra-estrutura desenvolvida, entre outras vantagens.

10. Criação de um círculo virtuoso
Além dos ganhos de produtividade verificados no passado e na conjuntura atual, eles devem continuar a acontecer no futuro, o que explicita a necessidade de a redução da jornada de trabalho ser permanente e contínua, acompanhando assim os ganhos de produtividade. Cria-se então, um círculo virtuoso, isto é, os ganhos de produtividade e a sua melhor distribuição estimulam o crescimento econômico que, por sua vez, levam a mais aumento de produtividade.

11. Apropriação dos ganhos de produtividade
A redução da jornada de trabalho é uma das possibilidades que os trabalhadores têm para se apropriarem dos ganhos de produtividade por eles produzidos.

12. Instrumento de distribuição de renda
A redução da jornada de trabalho é uma das formas de os trabalhadores se apropriarem dos ganhos de produtividade, logo, é um dos instrumentos para a distribuição de renda no país.

13. Opção por tempo livre ou por desemprego
No que se refere à relação entre aumento da produtividade, redução da jornada de trabalho e desemprego, dado que são necessárias cada vez menos horas de trabalho para produzir uma mercadoria, a sociedade pode optar entre transformar essa redução do tempo necessário à produção em redução da jornada ou em desemprego.

14. Tempo dedicado ao trabalho muito extenso
Além do tempo gasto no local de trabalho (em torno de 11 hor
as: sendo 8 de jornada normal +/- 2 de hora extra e +/- 1 de almoço), há ainda os tempos dedicados ao trabalho, mesmo que fora do local de trabalho, entre eles:

• o tempo de deslocamento entre casa e trabalho;

• o tempo utilizado nos cursos de qualificação que são cada vez mais demandados pelas empresas e realizados, normalmente, fora da jornada de trabalho;

• o tempo utilizado na execução de tarefas de trabalho fora do tempo e local de trabalho (que em muito tem sido facilitada pela utilização de celulares, notebooks e internet);

• o tempo que os trabalhadores passam a pensar em soluções para o processo de trabalho, mesmo fora do local e da jornada de trabalho, principalmente a partir da ênfase dada à participação dos trabalhadores, que os leva a permanecer plugados no trabalho, mesmo distantes da empresa.

15. Pouco tempo livre
Logo, em função do grande tempo ocupado direta e indiretamente com o trabalho, sobra pouco tempo para o convívio familiar, o estudo, o lazer, o descanso e a luta coletiva.

16. Perda do controle do tempo da vida
As diversas formas de flexibilização do tempo de trabalho, como a hora extra ou o banco de horas, além de intensificar o trabalho, têm como conseqüência a perda do controle por parte do trabalhador seja do tempo de trabalho ou do tempo livre. Isso porque, na maior parte dos casos, é o empregador que define quando o trabalhador irá trabalhar a mais ou a menos, sem consulta ou com um mínimo de aviso prévio, desorganizando assim toda a sua vida.

17. Qualidade de vida
Finalmente, a redução da jornada de trabalho irá possibilitar que os trabalhadores, produtores das riquezas do Brasil e do mundo, possam trabalhar menos e viver melhor. Até para que outras pessoas também possam ter acesso ao trabalho e à vida, para que possam viver e não apenas sobreviver.

Comissão de Direitos Humanos homenageará Neide Castanha

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados realizará uma audiência especial em homenagem à companheira Neide Castanha, nesta quarta-feira, 3, às 14h, no Plenário 9 do corredor das Comissões. Os amigos e familiares da combativa defensora dos direitos das crianças também convidam para missa de sétimo dia que será realizada nesta terça-feira, 2, às 20h, na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na EQS 311/312 Asa Sul.
Abaixo reproduzimos texto da poeta Elisa Lucinda sobre a morte de Neide.

Não deixe o samba morrer

“Neide Castanha sonhou e trabalhou por um mundo melhor, mesmo quando ela não morasse mais aqui”

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”, diz o velho-novo Chico. É assim que me sinto quando não compreendo a lógica de idas e partidas deste mundo. Explico: meu coração já estava inconformado com a morte prematura da jovem jornalista daqui, da TV Justiça, que aos 27 anos fica sem direito à volta, na mesa de uma lipoaspiração. Vítima da indústria da vaidade, a moça deixa um filho e sonhos pelo caminho. No impacto dessa dor, eu já vinha me perguntando sobre nossa finalidade aqui nessa Terra, e a resposta, que ainda está na validade, confirma-me o nosso papel de melhorar esse mundão.

Cada um vem e despeja nele sua sabedoria, seus esclarecimentos, suas conclusões, na intenção de evoluí-lo. Assim, pensava meu coração, quando foi atropelado, bombardeado, trucidado pela nota de falecimento da brasileira de primeira grandeza Neide Castanha. Uma porrada, uma lástima, parecendo um equívoco de Deus. Quando minha mãe morreu, minha sogra, que reconhecia o seu valor solidário no mundo, disse: “Daria pra encher um trem de pessoas para irem no lugar de sua mãe.” Sei que essa é uma lógica humana, mas é a minha lógica, e o mesmo afirmo da Neide. Da sua trajetória, sabemos que fez um caminho único, vitorioso, raro e difícil, porque ascendeu socialmente. Ela, negra vinda de uma família sem privilégios, desenhando uma história de inclusão. Neide é pioneira no olhar dentro das ações públicas e também não governamentais sobre crianças e adolescentes. Doutora nisso, sua ideologia prática bolou o Cecria, um centro de atendimento focado principalmente nas meninas que vivem em situação de abandono nas ruas de Brasília.

Experiente, vinda de São Paulo, a selva síntese das contradições de um Brasil, Neide previu, com seu largo conhecimento sobre gênero que, quando se tira uma menina da rua, tira-se um ventre do abandono e, ao salvar um ventre, pode-se salvar uma geração. Então, como assim Neide morreu!? Construída sua autoridade entre políticos, empresários, sociólogos, professores, psicólogos, instituições, pensadores. Premiada, querida por todos e consolidado o seu respeito nos direitos humanos na comunidade nacional e internacional, não sei quais são os planos de Deus em retirá-la do nosso mundo ainda tendo tanto a fazer.

Era minha amiga, me hospedou no Lago Sul há 20 anos. Foi nos ver, a mim e à Geovana no teatro em São Paulo em dezembro último, e não nos abraçamos como se fosse a última vez. Descobri um tumor aqui no intestino, ela me disse, ou no estômago (não sei), vou retirá-lo. E ainda completou, “nossa, Elisa, como essa doença é silenciosa, o caroço é grande e eu não sinto nada, descobri num exame de rotina. Mas vai dar tudo certo!” Otimista, valente, de volta aos braços de seu amor, segura de que venceria mais essa batalha, Neide não estava com ares de quem iria se despedir da vida. A operação foi um sucesso, retiraram 100% do mal e ela falece por uma reação alérgica a um dos componentes da quimioterapia, porque às vezes o remédio mata e essa foi a novidade que nos traiu.

Essa morte escureceu a semana, empobreceu o mundo. Inconformada, penso várias coisas: então a ciência avança, reverte tantos quadros, câncer já não é sentença de morte, mas a doença ainda avança? É epidêmica? Onde nos contaminamos? Nos cigarros? Nos agrotóxicos? Nos remédios que tomamos? Socorro! O que está acontecendo? Onde estamos? É desafio nosso, precisamos matar essa charada, afinal viemos melhorar o mundo. A luta contra a peste não começou ontem nem vai acabar amanhã, mas agora só penso no que nos cabe na ausência física, ousada e insubstituível de nossa Neide. Sua morte não pode nos esmorecer, encolher nossa esperança.

Deixou como herança uma atitude estruturada, um pensamento solidário, altruísta e possível, que mesmo sem ter sempre todos os holofotes sobre sua obstinada ação, fez e faz nascer um Brasil mais justo e novo. Nós, que conhecemos o seu pensamento, suas dificuldades e glórias, seus alcances e revoluções na reconstrução da cidadania da juventude brasileira, herdamos sua obra como dever de casa. A bola agora é nossa. Pois este “samba” que ela começou, Neide morreu confiando-o a nós. Portanto, atenção, políticos, simpatizantes, idealistas, humanistas, apaixonados, inconformados, militantes, empresários e governantes, há muito trabalho começado por essa dama por aí.

Neide Castanha sonhou e trabalhou por um mundo melhor, mesmo quando ela não morasse mais aqui.

Pela ratificação da Convenção 156 da OIT, ato no dia 3/2

A CUT-DF convida as trabalhadoras, os trabalhadores e as entidades filiadas para o lançamento do abaixo-assinado, no próximo dia 3/2, pela ratificação da Convenção 156 da OIT pelo Poder Executivo e pelo Congresso Nacional.

A Convenção 156 trata da igualdade de oportunidades e de tratamento para os trabalhadores e trabalhadoras com responsabilidades familiares.

Tome nota:
Data: 3 de fevereiro de 2010
Horário: 19 às 21h
Local: CUT/DF (SDS, Ed. Venâncio V, Subsolo)

(*) Confirmação de presença: (61) 3251-9374/ 9944-3008

Brasil perde Neide Castanha, e as crianças uma defensora

Da Agência DIAP, por Suely Frota – Crianças e adolescentes de todo o Brasil perderam uma grande defensora na noite da última terça-feira (26). Depois de dois meses de luta contra um câncer e um dia após se internar no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, faleceu, por volta das 22h30, Neide Castanha, mineira e militante em favor dos direitos humanos e sociais de crianças e adolescentes.

Foi muito rápido. De manhã: amigos e familiares preocupados com a internação; à noite, recebem a notícia. Neide estava fraca, mas todos acreditavam em sua recuperação. Neide não resistiu e se foi deixando saudades para família, amigos e principalmente para as milhares de crianças, adolescentes e jovens para quem dedicou toda a vida.

Formada assistente social pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, especialista em políticas públicas e direitos da criança e do adolescente, Neide ficou à frente do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes desde 2004, permanecendo até quando a doença a venceu.

Neide Castanha: “As crianças não têm dono, são patrimônio do País”

Na sua trajetória, grandes conquistas. Entre elas, a mobilização nacional para aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a luta em defesa dos adolescentes privados de liberdade, e a capacidade de organizar lideranças de vários países para a realização do 3º Congresso Mundial de Enfrentamento à Violência Sexual, no Rio de Janeiro, em 2008.

Neide foi também uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento da metodologia de uma importante ferramenta para o combate a violência infanto-juvenil, o Disque Denúncia -100, para notificação de casos de violação dos direitos sexuais de crianças e adolescentes.

Uma das primeiras reportagens que fiz, ainda na faculdade, foi justamente por ocasião da mobilização do 18 de maio, Dia Nacional do Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, na Esplanada dos Ministérios, em 2006.
Lá estava ela, orgulhosa com a grande mobilização de meninos e meninas que subiram a rampa do Congresso Nacional para entregar abaixo assinado com cinco mil assinaturas, que reivindicava maior proteção às vítimas e punição àqueles que violentam sexualmente criança ou adolescente no País.

“Esquecer é permitir, lembrar é combater!”

Por seu relevante trabalho, Neide recebeu premiações e homenagens, como o “Prêmio Claudia 2009” e o “Prêmio Mulher Cidadã Bertha Lutz”, ambos pelo amplo trabalho realizado em favor dos direitos de crianças e adolescentes.

Para amigos, familiares e militantes da área dos direitos humanos, os prêmios reconhecem a trajetória de ousadia de Neide Castanha. “Nossas crianças e adolescentes perdem uma grande aliada, as instituições que trabalham na área da violência sexual uma profissional comprometida com essa causa e o Brasil uma de suas maiores especialistas na área”, conta a amiga e socióloga Graça Gadelha.

Neide Castanha foi uma mulher que sempre aceitou desafios e enfrentou barreiras.
Nesta terça-feira (26), ela encerrou uma missão iniciada na Praça da Sé, em São Paulo, durante os trabalhos da faculdade, onde começou a olhar e lutar por crianças e adolescentes carentes, famintos, violentados, necessitados -, maioria ainda invisível aos olhos de brasileiros e governantes.

O sepultamento da assistente social Neide Castanha aconteceu na tarde de quarta-feira (27), no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

Nota de homenagem da Secretaria de
Mulheres Educadoras, da Secretaria de Raça e Sexualidade e da
Diretoria Colegiada do Sinpro à Neide Castanha.

A companheira Neide Castanha, militante de grandes causas, também colaborou conosco e enriqueceu nossos seminários com sua brilhante e lúcida intervenção, em defesa dos direitos humanos, contra todo tipo de exploração e
discriminação em nossa sociedade. Dedicou sua vida e empreendeu
intensa batalha em defesa de um mundo melhor, mais justo, mais
solidário, fraterno e igualitário.

Era uma mulher corajosa, bonita, de bem com a vida,
alegre, sorridente, solidária, amiga de verdade. Sempre respondeu
sim às nossas solicitações para participar de seminários e debates que
promovemos pelas secretarias de Mulheres e de Raça e Sexualidade –
era uma mulher negra que nunca fugia da luta contra o preconceito e a discriminação.

Quando não podia comparecer pessoalmente, nos orientava e indicava materiais e pessoas que poderiam colaborar com os nossos eventos.

Combateu com veemência a exploração sexual contra as crianças e adolescentes e presidia o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, no governo do Presidente Lula.

Ela nos ensinou muito e nunca se negou a compartilhar conosco
sua experiência acumulada em uma vida intensa, de dedicação às causas
mais dignas e necessárias aos seres humanos: lutar pelos direitos,
pelo respeito e pela valorização e humanização das pessoas nesse
mundo tão desumano.

Não ter mais em nosso convívio mulher tão importante,
assim como não temos mais dona Zilda Arns, é entristecedor. O mundo
está mais pobre de amor, de carinho, de solidariedade, de compromisso
com as causas justas, de honestidade.

Obrigada companheira Neide Castanha pelos exemplos e
pelo trabalho que mudou, para melhor, a vida de muita gente.
Continuamos aqui na luta, com saudade do seu trabalho.

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