Uma aluna de 15 anos que se manifestava contra Arruda durante a inauguração das obras do Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Gama foi agredida com empurrões, puxões de cabelo e tapas por uma suposta funcionária da administração regional que estava no local. Segundo o pai da adolescente, José Carlos, a menina tinha colado na roupa adesivos “Fora Arruda” e a mulher fazia chacota, dizendo que a menina não sabia o que estava fazendo. Ao responder que não ia calar a boca porque ela não podia obrigá-la a não falar, a mulher partiu para cima e cometeu as agressões. A agressão foi presenciada por várias pessoas, inclusive por PMs que faziam a segurança da cerimônia, que nada fizeram a não ser tentar evacuar a escola e tirar os estudantes. Nesse momento a professora de Português, Jacqueline Cavalcante, tentou garantir a entrada do pai da menina agredida, que estava muito nervosa e foi impedida pelo tenente-coronel Casado. Ela lembrou que a escola era pública e que o senhor era pai de aluna e por isso tinha direito de entrar. O PM imediatamente sacou o cassetete e partiu para cima da professora, que foi protegida pelos alunos. Grávida, a professora escapou por pouco de levar um choque, pois o PM chegou a acionar o mecanismo. Diante desses fatos o Sinpro está disponibilizando seu departamento jurídico para a professora e para o pai possam representar contra os agressores.
Do blog do Noblat – O governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, acaba de se desfiliar do DEM. Fará um pronunciamento mais tarde a respeito de sua decisão. O Tribunal Superior Eleitoral fica dispensado, assim, de examinar o mandado impetrado por ele, ontem, que alega não ter tido prazo para se defender diante da Executiva do seu partido da acusação de que comandou uma organização criminosa responsável pelo desvio de milhões de reais dos cofres públicos. Com o mandado, Arruda queria a suspensão da reunião da Executiva do DEM marcada para amanhã, e que iria expulsá-lo do partido. Arruda deve ter tido informações de que o mandado impetrado por ele seria negado. Ao se antecipar à decisão do tribunal, ele torna dispensável a reunião da Executiva. Ao ficar sem partido, ele não poderá ser candidato a nada no próximo ano. Pretendia disputar a reeleição. Doravante, deve se dedicar a enterrar na Câmara Legislativa três pedidos de impeachment que ali foram admitidos. Arruda tem maioria folgada de votos entre os 24 deputados distritais para continuar no cargo.
No próximo sábado (12), centenas de manifestantes tomarão novamente as ruas de Brasília para denunciar à população o esquema de corrupção encabeçado pelo governador do DF, José Roberto Arruda, e exigir seu impeachment. Desta vez, os manifestantes, organizados pelo Movimento Contra a Corrupção – formado pela CUT e demais centrais sindicais, movimentos estudantil e social e partidos políticos –, realizarão uma carreata, com concentração às 9h, no estádio Mane Garrincha.
De lá, os carros seguirão fazendo um “buzinaço” até a Residência Oficial de Águas Claras. “Esta será a maior carreata que Brasília já viu”, prometeu a presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF) repudia a ação da polícia militar do Distrito Federal e dos soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que participaram da cruel ação que feriu e prendeu diversos manifestantes que participavam do ato pelo impeachment do governador do DF, José Roberto Arruda, na última quarta-feira (9).
Munidos com balas de borracha, cachorros, cavalos, cassetetes, sprays de pimenta e bombas de efeito moral, os policiais não permitiram que os manifestantes seguissem em protesto, nem mesmo pela grama, até a rodoviária do Plano Piloto. Com brutalidade, vários manifestantes foram espancados com cassetetes, pisoteados por cavalos e presos. Até mesmo uma menina de 12 anos que acompanhava a irmã mais velha no protesto foi ferida com cassetadas na canela. No momento em que foi ferida, a menina estava na calçada.
Os jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas também foram coagidos. Balas de borracha e sprays de pimenta foram disparadas contra os trabalhadores que tentavam registrar a ação truculenta da polícia. Do alto, um helicóptero da polícia, com um de seus homens armados, acompanhava toda a violência do resto do grupo.
Para a CUT-DF, a ação da polícia feriu o direito constitucional dos cidadãos brasileiros de ir e vir e de se manifestarem livremente. A presidente da Central, Rejane Pitanga, chegou a fazer um apelo de cima do carro de som pedindo que a polícia não agisse com violência e afirmando que a função dos policiais era de proteger a sociedade. Entretanto, as palavras foram abafadas pelos artifícios usados pelo grupo armado.
Essa mesma polícia também foi responsável pela morte de uma pessoa, a perda da visão de outras duas e deixou mais de 50 feridos, em 1999, no episódio que recebeu o nome de Massacre da Novacap. Não permitiremos que isso se repita. Não aceitamos que a polícia se torne um agente político de plantão do governo Arruda.
Apoiamos todas as entidades e pessoas que têm capacidade para representar contra o governo do Distrito federal no Ministério Público ou qualquer outro órgão. Uma nova ditadura não será implantada na sociedade democrática do Brasil. Lutaremos pela garantia de que trabalhadores, estudantes, sindicalistas ou qualquer pessoa da sociedade possa se manifestar contra a corrupção corrente no Distrito Federal sem serem coagidos e feridos.
Milhares de manifestantes se reuniram nesta quarta-feira (9), na Praça do Buriti, para exigir o impeachment do governador do DF, José Roberto Arruda, e seu vice, Paulo Octávio. Durante o “Ato contra a corrupção: fora Arruda”, organizado pelo Movimento Contra a Corrupção – formado pela CUT e demais centrais sindicais, movimentos estudantil e social e partidos políticos – o que se pôde constatar foi a indignação da população com as ações de corrupção do governo local.
“Esta será uma longa jornada. O governo está articulando sua base na Câmara Legislativa para sair sem punição deste esquema”, alertou a presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga. Para Pitanga, este também foi um movimento vitorioso pela quantidade de pessoas que se uniram na “luta pela dignidade do DF”.
Durante o “Ato contra a corrupção: fora Arruda”, que contou com a apresentação de teatro e animação musical, ainda foram recolhidas assinaturas para endossar o abaixo assinado pelo impeachment de Arruda e Paulo Octávio, organizado pelo Movimento Contra a Corrupção.
As assinaturas vêm sendo recolhidas deste o último dia 2 em todas as cidades do Distrito Federal.
Repressão policial Ao final do ato, grande parte dos manifestantes decidiram tomar as ruas de Brasília para denunciar à população o esquema de arrecadação e distribuição de propina envolvendo Arruda, Paulo Octávio e dez parlamentares da base aliada. Entretanto, o movimento foi brutalmente coibido por policiais militares e soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
“Não queremos ação de truculência. Estamos aqui em um ato pacífico. A polícia serve para garantir a segurança de todos”, discursou Rejane Pitanga do carro de som. Mas a intenção da presidente da Central de impedir a agressão da polícia foi abafada por cachorros, bombas, cavalos e cassetadas de policiais.
Nem mesmo a caminhada dos manifestantes pela grama foi aceita pela tropa, que cercou o grupo e distribuiu jatos de spray de pimenta nos jornalistas e fotógrafos que pretendiam noticiar o fato. Até mesmo uma menina de 12 anos que acompanhava a irmã mais velha na manifestação ficou ferida por cassetadas nas canelas.
Próxima ação As ações de repressão não estão intimidando os manifestantes que exigem a saída de Arruda do poder. A próxima ação do Movimento Contra a Corrupção será neste sábado (12). Neste dia, centenas de pessoas realizarão uma carreata que terá concentração às 9h no estádio Mane Garrincha e seguirá até a Residência Oficial de Águas Claras. “Esta será a maior carreata que Brasília já viu”, prometeu a presidente da CUT-DF.
Manifestantes são agredidos pela PM durante protesto
Jornalista: sindicato
Mais uma vez o governador José Roberto Arruda usou a força para tentar impedir o Movimento Contra a Corrupção organizado pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF) e outros segmentos sociais. O ato começou às 10h desta quarta-feira, 09, em frente ao Palácio do Buriti, e contou com aproximadamente cinco mil pessoas. Enquanto estudantes e manifestantes protestavam pedindo o impeachment de Arruda, do vice Paulo Octávio e de todos os envolvidos no escândalo de corrupção que manchou a imagem de Brasília, cerca de 400 policiais militares foram deslocados ao Eixo Monumental. Enquanto o grupo se dirigia à Rodoviária do Plano Piloto a cavalaria da PM e soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) partiram para cima dos manifestantes com cassetetes, bombas de efeito moral e balas de borracha. Um dos estudantes que deitou no meio da pista em frente o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) foi pisoteado por cavalos. Outro manifestante foi levado para o gramado central por policiais e agredido. Na tentativa de afastar os jornalistas que cobriam a manifestação o efetivo usou gás de pimenta. Entre os agredidos está uma menina de 12 anos, moradora de Valparaíso. Parte do efetivo fez um cordão de isolamento em volta do Palácio do Buriti (sede oficial do governo) para impedir que os militantes se aproximassem. Ao final do ato três ônibus levaram estudantes e militantes até a Rodoviária do Plano, onde distribuíram panfletos.
Não bastassem todas as denúncias de corrupção envolvendo o governador José Roberto Arruda e sua cúpula, uma denúncia feita por um professor e alunos revela o desvio de verba para a compra de merenda escolar do Centro de Ensino Médio 414 de Samambaia. Segundo a denúncia, apresentada na Assessoria da Promotoria de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc), desde o início do ano a escola não recebe merenda escolar por parte do Governo do Distrito Federal. O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) vai acompanhar a questão de perto e exigir a punição para os responsáveis no caso de constatação de desvio de verba. Segue a transcrição completa apresentada à Proeduc:
“que prestaram as seguintes declarações: que são professor e alunos do Centro de Ensino Médio 414 da Samambaia; que a escola nunca teve merenda escolar desde o início do corrente ano; que os fatos relatados em anexo demonstram o pleito dos representantes; que não há nenhuma ação judicial sobre a questão apresentada a esta Promotoria; que desejam providência desta Promotoria, afim de que os repasses do FNDE para a merenda escolar para o GDF sejam investigados, vez que há indícios de desvio de verba. E nada mais havendo a declarar, encerrei o presente termo que vai por mim assinado e pelos declarantes.”
Policiais expulsam estudantes da Câmara Legislativa
Jornalista: sindicato
Um grande efetivo de policiais militares foi utilizado para retirar os manifestantes do movimento “Fora Arruda e sua máfia” da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Acampados nas dependências da CLDF desde quarta-feira, 02, os estudantes começaram a ser retirados a partir das 16h. Alguns tiveram de ser carregados pelos militares enquanto outros saíram pacificamente. Apesar da força física empregada pelos PM’s todos saíram reivindicando a saída do governador José Roberto Arruda, do vice Paulo Octávio e de todos os envolvidos na onda de corrupção que tomou conta do Governo do Distrito Federal. Alguns manifestantes pró-Arruda, que estavam do lado de fora, acompanharam a operação com gritos de ofensas. Aproximadamente 300 policiais, entre militares e soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope), foram utilizados para fazer a reintegração de posse do prédio. A ação da polícia se deu após a juíza Júnia de Souza Antunes, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), ter determinado, na segunda-feira, 07, um prazo para que os manifestantes saíssem da Câmara.
Amanhã, dia 9 de dezembro, os professores que amam Brasília e que lutam por uma educação pública de qualidade para todos têm um compromisso histórico: comparecer em peso ao ato público com paralisação às 10h, na Praça do Buriti. Parte do Movimento Contra a Corrupção, o ato reúne a CUT, sindicatos, entidades e a sociedade civil de Brasília em repúdio ao governo Arruda e seus aliados no esquema de corrupção, fartamente divulgado em vídeos estarrecedores.
Os professores têm uma importância especial nesse ato. A Secretaria de Educação é uma das que mais fez contratos sem licitação, fato muitas vezes denunciado pelo Sinpro e pela categoria. Agora que nossas suspeitas demonstraram ter fundamento, os professores não podem se calar.
Entre as atividades do Ato, haverá um varal de charges sobre o caso. Recomendamos que os professores que puderem engajem seus alunos, que os que trabalham com arte pensem em formas criativas de levar o seu protesto às ruas, que todos levem, se possível panetones, apitos. Vamos fazer deste ato o nosso grande presente para Brasília que em seus 50 anos deve ser limpada dos maus políticos e dos que usam a coisa pública em interesse próprio. Não se deixe intimidar por ameaças da Secretaria, temos que ter consciência de que é nossa responsabilidade. Ao estarmos na praça, estaremos dando uma aula de cidadania para os nossos alunos. Todos ao ato!
Ato unificado contra a corrupção Data: 9 de dezembro, quarta-feira Horário: a partir das 10h Local: Praça do Buriti
Por Cristino Cesário Rocha – Celebrar o Natal remete a algo muito importante da história da humanidade: o Evento – Jesus de Nazaré. Essa prerrogativa serve para quem acredita, mas não perde o seu valor quando não sentida e vista com a mesma sensibilidade de quem crê. Porém, ao lembrar essa figura imemorável, importa também pensá-lo como um ser que foi capaz de, em sua tamanha humanidade, tornar-se divino. Fazer memória, portanto, de Jesus, é colocar em evidência uma voz que combatia todas as formas de opressão e discriminação: criança, mulher, prostituída, mendigo, doentes, estrangeiros e atacava com veemência a dominação, exploração e corrupção das lideranças políticas e religiosas de seu tempo. Acolher e seguir Jesus tem implicações éticas, políticas, culturais e espirituais, muito além da procedência religiosa e do tipo de igreja, porque o reino de Deus pregado por Jesus sela toda a dinâmica do Projeto de Deus. A figura de Jesus como o ser que interrogou e interroga concepções e práticas desumanas traz à tona a trama das relações em contexto brasileiro atual, particularmente no Distrito Federal. Vive-se hoje, no Distrito Federal, uma preocupação muito importante que remete à mitologia grega: a caixa de pandora. Questões importantes emergem neste contexto: quem abriu a caixa de pandora? Qual releitura se pode fazer ao considerar a questão de gênero e os processos políticos e administrativos no poder público? Paradoxalmente, quem abriu a caixa de onde estão todos os males e a esperança, em contexto do Distrito Federal contemporâneo não foi uma mulher, no caso de Pandora, mas um homem. Para os machistas, os males que escapam da caixa são frutos da curiosidade de uma mulher e de sua desobediência, mas a história não tem mentido ao destino: abrir e disseminar males e esperanças não tem cor, etnia/raça, sexo ou classe social. Tem, sim, atitudes, defesa de interesses e escolhas que fazemos. A caixa não de pandora, mas de quadrilha, tem muitos males que foram abertos e outros ainda no fundo misturados com a esperança: peculato, formação de quadrilha, corrupção passiva, corrupção ativa, tráfico de influência e tantas outras formas de lesão da humanidade. O poder público como se apresenta neste cenário, com raras exceções, é de fato Lesa-futuro. No tempo de Jesus havia muitas caixas que seriam necessárias de serem abertas, e Jesus não se esquivou de abrí-las e expulsar todos os males. Eram caixas cheias de egoísmo, opressão, preconceito, exploração e tantos outros males. Abrir uma caixa não constitui um mal, nem por sua mera curiosidade, nem por sua dinâmica denunciativa, porque ambas fortalecem a vida em sua condição de andarilhagem, na perspectiva Freiriana. Viver e viver bem é um princípio ético fundamental, porém, esse princípio foi privatizado pelos corruptos que não aceitam que todos tenham acesso aos bens materiais e não-materiais. Instrumentalizam o poder em benefício da expropriação e usurpação da dignidade dos trabalhadores (as) do país, por isso têm dificuldade de celebrar o Deus de Jesus Cristo: a luz que não adere às trevas, a justiça e a verdade que incomodam os poderosos e o lugar de quem combate todas as formas de escândalos, corrupção e morte. Mais do que nuca, Freire vive. Em 17 de abril de 1997, em última entrevista, no Alto Sumaré/São Paulo, Freire disse com muita convicção: “Estou profundamente feliz por não morrer sem antes ver e acompanhar a marcha dos sem terra. Agradeço a Deus por poder ver a marcha dos excluídos, dos que desejam ser amados e não podem, dos que querem ser e são impedidos de ser, dos que marcham contra uma obediência servil. Bom seria se houvesse uma marcha pela decência e contra a sem-vergonhice dos corruptos.” Essa marcha se faz presente, e muito significativa ao brotar da ação da juventude que indignada limpa a Câmara Legislativa como sinal de esperança de se punir os culpados(as) do mensalão que produz vítimas na saúde, educação, lazer, cultura e outras esferas da vida humana. Está presente e vive na marcha e indignação dos professores (as) que marcham contra a corrupção no poder público. A dimensão celebrativa do Natal para os sem cuecas, sem meias e destituídos da dignidade é radicalmente diferente da celebração dos banquetes Herodianos que tem além de cuecas e meias para guardar dinheiro alheio, tem também a regalia da proteção legal, muitas vezes instrumentalizada em favor da classe dominante que tem feito muitas vítimas. Ao celebrar o Natal, em muitas sociedades do mundo, particularmente no Distrito Federal, muitas pessoas mal têm o que comer, enquanto poucos têm de sobra, até para “doar panetones” como forma de se esquivar dos reais problemas morais, quando o empobrecido e trabalhador(a) exigem no mínimo do poder público probidade administrativa, senso de justiça e política e redistributiva. Celebrar o Natal com os sem cuecas, sem meias e desrespeitados em seus direitos abre as portas para o renascimento de um grande homem e de uma grande mulher, na esteira dos grandes lutadores (as) contra a dominação, a exploração e a morte, por isso Jesus vive, da mesma forma que Gandhi, Martim Luther King, Lélia Gonzáles, Doroth Staing, Paulo Freire, Chico Mendes, Frei Tito, Mariguela… Neste sentido, as cem mil cuecas e cem mil meias que escondem dinheiro ilegal, além das diversas malas e bancos não têm lugar na manjedoura nem na luz que se desponta no mundo. Há sim, no colo do menino e da menina que nasce o germe da esperança que pode sinalizar a felicidade que ainda está no fundo da caixa de homens e mulheres que vivem inescrupulosamente. Muitas pessoas passam fome no mundo, não sendo diferente do Distrito Federal, porque se privatiza a dignidade. O pão que é usurpado das mesas dos famintos, fruto de várias caixas com toda espécie de males, não é pão abençoado, e Boff (1991:30) ajuda a entender essa perspectiva ao dizer que “O pão que comemos, fruto da exploração do irmão, não é pão abençoado por Deus. É pão que apenas nutre mas não alimenta a vida humana que é somente humana enquanto vive na reta ordem da justiça e da fraternidade. O pão injusto não é nosso, mas é roubo;pertence ao outro”. Dessa mesma forma, pode-se dizer de maneira enfática que quem explora, rouba e se alimenta tendo por base o sofrimento e morte dos empobrecidos é como uma vaca no campo a pastar e se engodando sem saber o dia da matança. Enfim, celebrar o Natal deve contemplar a dimensão do sagrado enquanto manifestação de todas as expressões da vida, fazer memória perigosa e subversiva do evento – Jesus e uma práxis educativa emancipatória. Sendo assim, o Natal deixa de ser apenas uma festa religiosa para ser um momento oportuno de consciência da pessoa enquanto sujeito colocado na cruz e com desejo de renascer com vitalidade e luz. Quem age de acordo com o desejo de Jesus e a luta de todas as pessoas que deram e dão a vida em favor da dignidade humana deve, com certa urgência, rasgar todas as caixas que se configuram como o lugar das mazelas que afligem a humanidade, caso contrário a caixa dita de “pandora” não passará de uma reprodução machista ocidental e de perpetuação dos males em detrimento da esperança… CRISTINO CESÁRIO ROCHA – é professor da escola pública do Distrito Federal