CUT e sindicatos discutem comunicação

Desde o anúncio da realização da Conferência Nacional de Comunicação, o Sinpro, a CUT e os movimentos sociais vem se articulando para consolidar nossas propostas para um novo arranjo das forças de comunicação do país. No dia 22 de outubro, essas entidades se reuniram na Conferência Livre de Comunicação da CUT-DF para debater com especialistas alguns dos pontos que serão levados para a etapa estadual, a ser realizada nos dias 23 e 24. Marcada inicialmente para 1º a 3 dezembro, a Conferência Nacional foi adiada para o período de 14 a 17 de dezembro.

A nova data foi definida para compatibilizar a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pois como ele viaja para o exterior no início de dezembro, não poderia participar do evento.

Concentração

Garibel, diretor do Sinpro, ilustrou os efeitos da concentração dos meios de comunicação no Brasil. “Muitas vezes as pessoas acham que se não passou na Globo, não houve divulgação nenhuma”, contou o professor. A Conferência Nacional será o primeiro grande debate sobre o tema desde a promulgação da Constituição de 88, e oferece a chance de corrigir erros históricos, como a criminalização das rádios comunitárias, a revisão dos critérios para a concessão pública de canais e rádios e a atualização do Código Brasileiro de Telecomunicações, que data de 1962.

Ainda assim, os movimentos sociais aproximam a conferência com uma certa cautela. “É uma certa ingenuidade convocar uma Conferência Nacional de Comunicação”, disse o professor Luiz Martins da Silva, da Universidade Brasília. Com a atual conjuntura de forças no Congresso, há poucas esperanças de que se possa fazer uma revisão com o escopo necessário para resolver todos esses problemas. “Ainda assim, é uma vitória”, comentou o diretor do Sinpro Antônio de Lisboa. “Até recentemente, esse era um tema inimimaginável para nós, trabalhadores. Esse debate público é uma grande vitória. É um primeiro passo”, afirmou.

Com tantos assuntos a serem debatidos, será necessário foco e união para obtermos algum resultado concreto da conferência. Essa é a avaliação da secretária nacional de comunicação da CUT, Rosane Bertotti, também defendida pelo Sinpro. Por isso, nossa intervenção na conferência será voltada para os seguintes temas:

1) Mudanças nos processos de concessões de rádio e TV. Atualmente o principal critério para concessões é o econômico, e suas renovação são praticamente automáticas. Defendemos uma revisão das regras e um maior controle social sobre esses processos.

2) Regulamentação dos artigos 220, 221 e 223 da Constituição Federal. Esses artigos protegem contra programação que viole o estabelecido na Constituição, proíbem a concentração abusiva dos meios de comunicação e garantem espaço para a produção regional. Entretanto, estão há mais de 20 anos sem sair do papel.

3) Fortalecimento do sistema público de comunicação e fomento a rádios e TVs comunitárias. A criação da Empresa Brasil de Comunicação foi um bom começo, mas é preciso aumentar seu alcance e o de outros elementos do sistema público, além de reverter a criminalização das rádios e TVs comunitárias.

4) Estabelecimento de políticas e de mecanismos de controle público da comunicação. É preciso criar formas para que a população possa se defender de violações a seus direitos praticadas pelos meios de comunicação, assim como é direito de todos participar da elaboração de novas políticas públicas para o setor.

5) Universalização da banda larga e inclusão digital. Em um país com uma política de radiodifusão gratuita, não há por que não estender essa política para a comunicação digital, que hoje deve ser entendida como um direito tão básico quanto o de receber o sinal televisivo. O atual modelo de mercado exclui milhares de municípios que não seriam rentáveis para as empresas, e a falta de regulamentação faz com que as tarifas brasileiras estejam entre as mais altas do mundo.

6) Horário Sindical. Um horário para a comunicação dos sindicatos para o público, a exemplo do que já ocorre com o horário eleitoral.

Professores enfrentam truculência de Serra

O governo José Serra, de São Paulo, fez de tudo para tentar desmobilizar os professores para que não acompanhassem a votação do Projeto de Lei Complementar 29/2009 na Assembleia Legislativa de São Paulo nesta terça-feira, 20. De autoria do Executivo, o projeto institui sistema de “promoção” para os integrantes do magistério. A truculência do governador José Serra começou na véspera. Ele interferiu diretamente na administração do Ginásio Mauro Pinheiro, determinando a proibição do local para que a APEOESP realizasse a reunião do Conselho Estadual de Representantes. O sindicato não se curvou. O CER aconteceu num dos bolsões de estacionamento da Assembleia Legislativa. Mesmo sob o sol forte, centenas de conselheiros compareceram e deliberaram a continuidade da luta.

A truculência continuou. O presidente do Legislativo paulista, Barros Munhoz (PSDB), determinou que a Polícia Militar cercasse o prédio da Assembleia, impedindo a entrada da maioria dos professores para acompanhar a votação no Plenário e no Auditório Franco Montoro, por telão. A tropa de choque chegou a postar-se na frente de uma das entradas, onde se concentrava a maioria dos professores. Os professores mais uma vez não se curvaram.

Os dois fatos só têm precedentes na ditadura militar, quando os trogloditas de plantão proibiam qualquer manifestação da sociedade civil organizada. Deputados de oposição protestaram em plenário contra o uso da Polícia Militar. Para Roberto Felício (PT), não havia a necessidade do aparato militar. “A manifestação é veemente, mas pacífica”. Carlos Giannazi (PSOL), afirmou que o uso da tropa de choque para intimidar os professores “não combina com a democracia desta Casa. É uma atitude que lembra os tempos da ditadura militar”. Antônio Mentor (PT) também repudiou o uso da força. “Repudio a forma como estão sendo tratados os professores, recebidos nas portas da Assembleia Legislativa pela tropa de choque”.

A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) encaminhou uma moção de repúdio ao governador José Serra.

PLC é aprovado na madrugada

Por 48 votos favoráveis e 21 contrários, os deputados aprovaram, às 3h30 da madrugada de hoje, 21, o Projeto de Lei Complementar 29/2009. As bancadas do PT, do PSOL, e do PCdoB votaram contrariamente à propositura, além do Major Olímpio Gomes (PDT). A apreciação das 25 emendas apresentadas seriam votadas na sessão ordinária desta quarta-feira.
A votação não foi tranquila, contudo. Houve, inclusive, declaração pública do deputado Roque Barbieri (PTB) de que não se sentia à vontade para votar o PLC 29, pois o projeto tinha inúmeros problemas, entre os quais a não inclusão dos aposentados. A certa altura da votação, já no início da madrugada, a base governista entrou em desespero, pois contava com apenas 47 votos, quando eram necessários 48 votos para aprovar o projeto. Os parlamentares fizeram uma manobra regimental, para que o presidente da Casa, Barros Munhoz, pudesse votar no roteiro de votação. Na votação do projeto, propriamente dita, isto não foi necessário pois, ao que tudo indica, o governo mandou buscar em casa o deputado Said Mourad.

Além de ser discriminatório, pois beneficia “até 20%” dos professores, excluindo 80% da categoria que não terão qualquer tipo de reajuste, o PLC 29 é inconstitucional, pois atenta contra a isonomia salarial. Professores com igual formação, mesma jornada de trabalho, cumprindo as mesmas funções, na mesma escola, poderão ter salários diferenciados.

O projeto também fere a Lei Complementar 836/97 (Plano de Carreira) que, em seu artigo 25, criou a comissão paritária, na qual qualquer assunto relativos à carreira do Magistério – sobretudo as referentes à evolução funcional – teriam que ser discutidas previamente.

Pior, é que o PLC 29 altera o Plano de Carreira em vigor sem corrigir suas graves distorções, entre elas a existência de gratificações (GAM e GG) e a brutal queda do poder aquisitivo dos salários dos professores.

Com a aprovação do PLC 29, a APEOESP tomará as providências judiciais cabíveis.

Bancários aprovam proposta e encerram greve na Caixa

Assembleia realizada nesta quarta-feira (21) decidiu encerrar a greve após os funcionários da Caixa aprovarem a nova proposta apresentada pela direção da empresa na negociação desta terça-feira. Entre os principais avanços conquistados estão o aumento de cinco mil empregados no quadro funcional do banco até o final de 2010 e o abono de R$ 700, 00, a ser pago na folha de janeiro.

“A proposta inicial era de apenas três mil novas contratações e nós conseguimos chegar a 5 mil. Alguns podem desprezar este avanço, mas quem vive o inferno das agências sabe a importância do que alcançamos”, ressaltou o diretor do Sindicato Enilson Cardoso.

Estes avanços na mesa específica se somam aos obtidos nas negociações com a Fenaban e só foram possíveis graças à força dos bancários durante esta Campanha Nacional.

O reajuste de 6% contempla um aumento real de 1, 5%. Com isso os bancários chegam ao sexto ano seguido conquistando aumento acima da inflação.

A proposta de PLR da Caixa é a que foi apresentada na negociação da semana passada. Prevê distribuição de valores fixos por grupos de cargos, definidos “de acordo com a complexidade das atribuições”, variando de R$ 4 mil a R$ 10 mil. Cada bancário recebe essa regra própria da Caixa ou a da Fenaban, a que for maior.

Além disso, a proposta prevê a antecipação até o dia 3 de novembro deste ano de 100% do valor, aplicando a regra básica da Fenaban. A segunda parte da PLR será paga em março de 2010.

Na negociação de terça, a Caixa se comprometeu a construir com as representações dos empregados, na mesa de negociação permanente, uma fórmula perene para a PLR. A nova regra para a PLR também apresentou importante avanço em relação ao ano passado.

Os dias de paralisação entre 17 de setembro e 21 de outubro serão compensados com limite diário de duas horas até 18 de dezembro. Não serão considerados os dias em que houve trabalho parcial pelo empregado e as horas extras realizadas antes da assinatura do acordo não poderão compensar os dias parados.

Outra grande conquista da greve foi a criação de comitês regionais para combater o assédio moral e outros desvios de comportamento. Histórica bandeira do movimento sindical dos bancários da Caixa a criação destes comitês foi confirmada na proposta apresentada pelo banco.

“Apesar do acordo alcançado não ser o ideal, ele representa avanços proporcionais à mobilização da categoria durante a greve e abre as portas para novas conquistas em campanhas futuras”, disse o diretor do Sindicato Raimundo Félix, lembrando que o acordo poderia ser melhor para os trabalhadores se todos tivessem efetivamente participado da greve. “Por isso, é importante enaltecer os companheiros que aderiram e resistiram sem esmorecer durante 28 dias de greve com a convicção de conquistar melhorias não só para si mas para todos os bancários”, completa Rodrigo Britto, presidente do Sindicato.

CUT-DF realiza Conferência Livre de Comunicação

Várias atividades preparatórias à 1ª Conferência Nacional de Comunicação estão sendo realizadas, entre elas as Conferências de Comunicação do Distrito Federal e dos estados. Como contribuição para os debates regionais, vários segmentos da sociedade civil realizam conferências livres sobre o tema comunicação. A CUT-DF abraçou a luta pela democratização da comunicação e já agendou sua conferência para os dias 21 e 22 de outubro. O encontro será no auditório do PT Nacional.

A abertura da atividade está marcada para as 19h do dia 21 e tem como tema “A CUT e as Conferências de Comunicação”. Neste dia, estará presente a secretária de Comunicação da CUT Nacional, Rosane Bertotti.

O evento ainda abrangerá temas como “Meios para Construção de Direitos e Cidadania na Era Digital no DF”, “Comunicação Sindical”, “A CUT e o Fortalecimento das TVs e Rádios Comunitárias”, entre outros. Estão confirmadas ainda as participações de professores da Universidade de Brasília (UnB), do jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto Queiroz, do representante da TV Cidade Livre, Beto Almeida, e vários outros palestrantes.

Os interessados em participar do evento devem enviar um e-mail para secretariageral@cutdf.org.br com nome, telefone e entidade sindical ou de outro ramo a qual pertence. As inscrições ainda poderão ser feitas pelo site www.cutdf.org.br ou até mesmo na abertura da Conferência.

Veja programação completa

21 de outubro

19h – Abertura: A CUT e as Conferências de Comunicação
Palestrantes:
Rosane Bertoti – secretaria de Comunicação da CUT Nacional
Rejane Pitanga – presidenta CUT-DF
Membro da Conferência Nacional de Comunicação

22 de outubro

9h – Comunicação: Meio para Construção de Direitos e Cidadania na Era Digital no DF (fortalecimento e realidade da comunicação sindical)
Palestrantes:
Luis Martins – professor de Comunicação da UnB
Antônio Augusto de Queiroz – jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap

10h30 – Cidadania: Direito e Deveres – Respeito às diversidades
Palestrantes:
Fernando Paulino – professor de Comunicação da UnB
Denise Maria Carvalho – professora de Educação da UnB

14h30 – Comunicação Sindical
Palestrantes:
Cosmo Balbino – secretário de Imprensa da CUT-DF
Cícero Rola – Secretário Geral da CUT-DF
Representante do Sindicato dos Bancários de Brasília

15h30 – A CUT e o Fortalecimento das TVs e Rádios Comunitárias
Palestrantes:
Beto Almeida – TV Cidade Livre
José Soter – Abraço

16h30 – Distribuição de Conteúdo x Mídia local
Palestrantes:
Romário Schettino – presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF
Hélio Doyle – professor de Comunicação da UnB
Representante do Sindicato dos Radialistas
Antônio Lisboa – diretor do Sindicato dos Professores – Sinpro-DF
Roberto Policarpo – coordenador geral do Sindjus e da Fenajufe

18h – Encerramento

Serviço
Conferência Livre de Comunicação da CUT-DF

DATA: 21 e 22 de outubro

LOCAL: Auditório do PT Nacional

ENDEREÇO: Setor Comercial Sul – Quadra 2 Bloco C – Edifício Toufic – 1º andar

Nota de falecimento

É com grande pesar que o Sinpro-DF comunica o falecimento da professora Cláudia Aparecida Melo, educadora respeitada do Centro de Ensino 24 de Ceilândia. Cláudia e seu pai faleceram em acidente de trânsito próximo a Santa Maria, após levarem familiares até o local. À família e aos amigos o Sinpro presta sua solidariedade neste momento de dor.

Qualificação dos professores do DF está acima da média nacional

Os professores do Distrito Federal recebem um dos maiores salários do Brasil e a qualificação profissional da categoria está acima da média nacional, segundo o Ministério da Educação, que deu crédito aos educadores pelo bom rendimento dos alunos na Provinha Brasil, ferramenta que verifica as habilidades e deficiências dos estudantes do ensino fundamental.

Vânia de Fátima Meira se dedica ao ensino há 25 anos. Com tanto tempo de sala de aula, ela nunca parou de se aprimorar. “Foi necessária bastante reciclagem em busca de conhecimento, não parar de ler, não parar de se informar e sempre procurar cursos de qualificação”, conta a professora.

Qualificação também é uma busca constante de Roseli de Melo. Ela fez especialização e está terminando o mestrado. “A partir do momento em que eu me qualifiquei, fiz alguns cursos e agora estou terminando mestrado, acredito que passei a ter mais habilidade para trabalhar as questões da educação”, afirma a professora.

A busca pelo conhecimento de Vânia e Roseli acabou refletindo no desempenho da escola onde as duas dão aula. O Centro Educacional 3 do Guará, cidade satélite próxima a Brasília, está entre as 33 do país com melhores notas na Provinha Brasil, onde o professor foi apontado pelo Ministério da Educação como responsável pelo bom rendimento dos alunos.

A Secretaria de Educação do Distrito Federal tem 30 mil professores e 22 mil trabalham em sala de aula. No ano passado, a secretaria ofereceu especialização para 2, 4 mil professores. Este ano, são 120 bolsas de estudo para mestrado e doutorado.

“Em termos de qualificação nós temos um quadro muito bom, só que isso não basta. Esse profissional precisa encontrar uma escola onde ele possa aplicar tudo isso, onde ele possa desenvolver um trabalho que todos nós buscamos: a educação de qualidade”, destaca a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), Rosilene Correa.

Em uma escola em Samambaia, cidade satélite do Distrito Federal, por exemplo, existe estrutura. Mesmo assim, não funciona. Os alunos do período noturno não podem usar a biblioteca. “Fica muito difícil, porque a gente tem muito trabalho pra fazer e sem biblioteca não dá. Com a biblioteca melhoraria muito pra gente”, diz a estudante Maria de Fátima Freitas.

No Centro de Ensino Fundamental Vale do Amanhecer, que fica em Planaltina, outra cidade satélite, o problema é diferente: tem estrutura, mas a rotatividade dos professores é grande. A escola ficou em último lugar na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para a diretora, a falta de vínculo com os alunos e com a comunidade prejudica o aprendizado.

“Fica em defasagem. Claro que a gente tenta fazer o máximo, tenta manter os alunos na escola, nas atividades. Mas nem sempre a gente consegue suprir diretamente com o conteúdo”, admite Ana Paula, diretora da escola.

Do G1, com informações do Bom Dia DF

A questão agrária pode ser tema de aula

Hoje é fundamental que as pessoas discutam a questão agrária no Brasil e reflitam sobre os conflitos no campo e suas verdadeiras razões. Para contribuir com esse debate, que pode e deve ser feito em sala de aula, reproduzimos abaixo o excelente texto do jornalista Mauro Santayana, que contextualiza historicamente a questão, inclusive lembrando que desde a Grécia antiga a tentativa de distribuição mais justa da terra já provocava reações dos poderosos.
A CPI do MST E AS TERRAS ROUBADAS
A terra é o mais grave problema de nossa história social, desde que os reis de Portugal retalharam a geografia do país, com a concessão de sesmarias aos fidalgos. Os pobres não tiveram acesso pleno e legal à terra, a não ser nos 28 anos entre a independência – quando foi abolido o regime das sesmarias – e 1850, quando os grandes proprietários impuseram a Lei de Terras, pela qual as glebas devolutas só podiam ser adquiridas do Estado a dinheiro.
A legislação atual vem sendo sabotada desde que foi aprovado o Estatuto da Terra. É fácil condenar a violência cometida, em episódios isolados, e alguns muito suspeitos, pelos militantes do MST. Difícil tem sido a punição dos que matam seus pequenos líderes e os que os defendem. Nos últimos anos, segundo o MST, mais de 1.600 trabalhadores rurais foram assassinados e apenas 80 mandantes e executores chegaram aos tribunais. Em lugar de uma CPI para investigar as atividades daquele movimento, seria melhor para a sociedade nacional que se discutisse, a fundo, a questão agrária no Brasil.
O Censo de 2006, citado pelo MST, revela que 15 mil proprietários detêm 98 milhões de hectares, e 1% deles controla 46% das terras cultiváveis. Muitas dessas glebas foram griladas. Temos um caso atualíssimo, o do Pontal do Paranapanema, onde terras da União estão ocupadas ilegalmente por uma das maiores empresas cultivadoras de cítricos do Brasil. O Incra está em luta, na Justiça, a fim de recuperar a sua posse. O que ocorre ali, ocorre em todo o país, com a cumplicidade, remunerada pelo suborno, de tabeliães e de políticos.
Cinco séculos antes de Cristo, os legisladores já se preocupavam com a questão social e sua relação com a posse da terra. É conhecida a reforma empreendida por Sólon, o grande legislador, na Grécia, que, com firmeza, mandou quebrar os horoi, ou marcas delimitadoras das glebas dos oligarcas. Mais ou menos na mesma época, em 486, a.C., Spurio Cássio, um nobre romano, fez aprovar sua lei agrária, que mandava medir as glebas de domínio público e separar parte para o Tesouro do Estado e parte para ser distribuída aos pobres. Imediatamente os nobres se sublevaram como um só homem, e até mesmo os plebeus enriquecidos (ou seja a alienada classe média daquele tempo) a eles se somaram. Spurio Cássio, como conta Theodor Mommsen em sua História de Roma, foi levado à morte. “A sua lei foi sepultada com ele, mas o seu espectro, a partir de então, arrostava incessantemente a memória dos ricos, e, sem descanso, surgia contra eles, até que, pela continuada luta, a República se desfez” – conclui Mommsen. E com razão: a última e mais completa lei agrária romana foi a dos irmãos Graco, Tibério e Caio, ambos mortos pelos aristocratas descontentes com sua ação em favor dos pobres. Assim, a República se foi dissolvendo nas guerras sociais, até que Augusto a liquidou, ao se fazer imperador, e seus sucessores conduziram a decadência da grande experiência histórica.
Não há democracia sem que haja reforma agrária. A posse familiar da terra – e da casa, na situação urbana – é o primeiro ato de cidadania, ou seja, de soberania. Essa posse vincula o homem e sua família à terra, à natureza e à vida. Sem lar, sem uma parcela de terra na qual seja relativamente senhor, o homem é desgarrado, nômade sem lugar nas sociedades sedentárias.
É impossível ao MST estabelecer critérios rígidos de ação, tendo em vista a diversidade regional e a situação de luta, caso a caso. Outro ponto fraco é a natural permeabilidade aos agentes provocadores e infiltrados da repressão particular, ou da polícia submetida ao poder econômico local. No caso do Pontal do Paranapanema são muitas as suspeitas de que tenham agido provocadores. É improvável que os invasores tenham chamado a imprensa a fim de documentar a derrubada das laranjeiras – sabendo-se que isso colocaria a opinião pública contra o movimento. Repete-se, de certa forma, o que houve, há meses, no Pará, em uma propriedade do banqueiro Daniel Dantas.
É necessária a criação de força-tarefa, composta de membros do Ministério Público e agentes da Polícia Federal que promova, em todo o país, devassa nos cartórios e anule escrituras fraudulentas. No Maranhão, quiseram vender à Vale do Rio Doce (então estatal), extensas glebas. A escritura estava registrada em 1890, em livro redigido e assinado com caneta esferográfica – inventada depois de 1940.
Por Mauro Santayana, publicado no Jornal do Brasil de 14/10/2009.

Festival de Curta Metragem do CED 04 do Guará

No dia 19 de outubro, segunda-feira, o CEF 04 do Guará realiza seu segundo Festival de Curta Metragem, às 14:00, no auditório da UniCESP. Produzidos pelos alunos da escola, os curtas abordam temas como o mercado de trabalho, o desemprego, as drogas e outros elementos da paisagem social da cidade.

Segundo Festival de Curta Metragem do CED 04 do Guará
Dia 19 de outubro (segunda-feira), 14h
Auditório UniCESP, QE 11 Área Especial C/D, Guará I
Contato: 8599-5270, Mariléia Feitosa (diretora)

Uma data para comemorar e reivindicar

Vários professores e os diretores do Sinpro-DF transformaram o Dia do Professor em uma data marcada pela comemoração da data e principalmente pela reivindicação de vários direitos descumpridos pelo governador José Roberto Arruda. No Ato de protesto realizado nesta quinta-feira, 15, na Rodoviária do Plano Piloto, a categoria mostrou à população todo o descaso que o GDF tem com a saúde do professor e outros problemas que a classe vem sofrendo. Durante mais de duas horas diretores do Sindicato e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) falaram do carro-de-som sobre a situação do plano de Saúde que não sai do papel, a licença-prêmio negada pelo governo, todo o dinheiro que o GDF deve à categoria e não paga (mais de R$ 50 milhões), além do auxílio-alimentação de R$ 3, 60 ao dia.
Para grande parte dos professores que participaram do Ato, o sentimento era de alegria pela comemoração do Dia do Professor, mas também de descontentamento e revolta. Um dos exemplos é o da professora Ana Maria de Oliveira Rodrigues. Segundo ela, a categoria é desrespeitada e não recebe o devido respeito do atual governo. “Deveríamos ter um tratamento melhor do GDF porque todas as pessoas de uma forma ou de outra passaram pelas mãos de um professor. Ao invés de recebermos homenagens no nosso dia temos de reivindicar coisas que são nossas por direito”, disse.
Outro descontentamento comum entre os participantes era com relação à condição de ensino precária em muitas salas de aula, principalmente no que se refere à segurança do próprio professor. “Precisamos buscar uma condição de vida melhor para a nossa classe e reivindicar nossos direitos. O que esperamos nesta data é que possamos ter prazer em trabalhar e para isto precisamos de condições dignas”, comenta a professora do Centro de Ensino Fundamental 301 do Recanto das Emas, Ivone Marques.
Entrega de documento de repúdio ao GDF – Além do Ato na Rodoviária um documento foi entregue ao governador Arruda solicitando negociação a respeito de vários pontos de interesse da categoria. Entre os pontos estão o aumento do valor do auxílio alimentação e o fim da contra partida paga pelos professores; a implantação imediata do plano de saúde que atenda às necessidades da categoria; a liberação imediata das licenças-prêmio por assiduidade; o pagamento das pendências financeiras (REPAGS, acertos de aposentadoria, mudança de padrão, progressão funcional referente à implantação da Lei 4075/2007, etc.); a negociação do pagamento dos precatórios; e a implantação do programa habitacional. O documento foi entregue por uma comissão de negociação dos professores, membros da direção colegiada do Sinpro e um grupo da base da categoria.
No dia em que a sociedade comemora o Dia do Professor, mais uma vez mostramos força e determinação na busca pelos nossos direitos. A nossa luta é que o respeito à categoria não esteja resumido apenas ao dia 15 de outubro, mas diariamente.

Professores entregam documento ao GDF

A comissão de negociação dos professores, membros da direção colegiada do Sinpro e um grupo da base da categoria entregou na manhã desta quinta-feira, 15, o documento endereçado ao governador em que solicitam negociação a respeito dos pontos de interesse da categoria (foto). Confira abaixo a íntegra do documento.

Brasília, 15 de outubro de 2009

Excelentíssimo Senhor
José Roberto Arruda
Governador do Distrito Federal

Os professores e as professoras do Distrito Federal em Assembleia Geral no dia 30 de Setembro decidiram reivindicar de Vossa Excelência negociação dos pontos a seguir:
1 – Aumento do valor do auxílio alimentação e o fim da contra partida paga pelos professores;
2 – Implantação imediata do plano de saúde que atenda às necessidades da categoria;
3 – Liberação imediata das licenças-prêmio por assiduidade;
4 – Pagamento das pendências financeiras (REPAGS, acertos de aposentadoria, mudança de padrão, progressão funcional referente à implantação da Lei 4075/2007, etc.);
5 – Negociação do pagamento dos precatórios;
6 – Implantação do programa habitacional;
Observamos que os itens 2, 4, 6 já foram objetos de negociações anteriores e que até o momento não foram implantados.
Lembramos ainda que a categoria não abre mão da participação dos professores aposentados no Programa Professor Informatizado garantindo a isonomia de tratamento.

Atenciosamente,

Washington Luís Dourado Gomes
Diretoria Colegiada do Sinpro-DF

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