A falta de prioridade da educação no orçamento do DF

O orçamento do GDF mostra suas verdadeiras prioridades. E, ao contrário do que a sua propaganda diz, a educação não está entre elas. Por Haroldo Fernandes Filho, do Dieese.

Ao veicular suas propagandas na televisão, o GDF tenta convencer a população de que a educação no DF é uma prioridade. Mas todos sabem que, para ser prioridade, a educação deve contar com recursos orçamentários à altura de sua importância. Não adianta dizer na televisão que é prioridade e, na hora de elaborar o seu orçamento – ao definir o quanto de dinheiro será destinado para cada área do governo -, não concretizar isso com um adequado aumento de recursos orçamentários.
No último dia 15 de setembro, o GDF encaminhou à Câmara Legislativa o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2010, instrumento legal que prevê a receita e despesa do Governo para o próximo ano. Depois de discutido e aprovado por aquela Casa, a PLOA (que, por enquanto, é só um projeto) se transformará na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2010.
Aqui se pretende, à luz da LOA 2009, já aprovada pela Câmara Legislativa, comparar o que se estima como receita e despesa do Governo para o próximo ano. Vejamos alguns desses números:
O GDF tem como expectativa para 2010, em seus Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, uma receita de quase 13 bilhões e 500 milhões de reais. Isso representa um crescimento de quase 12% quando comparado com a receita estimada na LOA de 2009, que tinha como expectativa uma receita de pouco mais de 12 bilhões.
Já quando se pega a despesa prevista para a Secretaria de Educação, o GDF estima um crescimento, de 2009 para 2010, de apenas 8%. Isso quer dizer que, enquanto a expectativa de crescimento da receita total do Governo é de 12%, as despesas com educação, na PLOA 2010, tem uma estimativa de crescimento de apenas 8%. Ora, não dá para dizer que tratando assim a educação, isso seria uma demonstração de prioridade. Por que a estimativa de despesa com a educação não acompanha a expectativa de crescimento da receita na PLOA 2010?
Essa falta de prioridade com a educação fica mais evidente quando comparamos como são tratadas as outras áreas do Governo no Orçamento do GDF.
A Casa Civil do Distrito Federal, que foi recriada pelo Governador Arruda em 2008, é um órgão governamental que tem como finalidade mediar as relações institucionais do Governo com os seus próprios órgãos e com outras instituições públicas, como a Câmara Legislativa e o Tribunal de Contas do DF. Portanto, é um órgão de governo que não faz política pública finalística, ou seja, é apenas um instrumento da burocracia governamental. No entanto, o crescimento nos seus gastos está estimado em quase 50% para 2010.
Enquanto na LOA 2009 a Casa Civil teria uma expectativa de despesa de pouco mais de 7 milhões e 300 mil reais, na PLOA 2010, enviada pelo Governo à Câmara Legislativa, essa estrutura de governo tem uma despesa prevista em mais de 11 milhões de reais.
A Secretaria de Fazenda, por seu turno, tem uma previsão de despesa para o ano de 2010 superior em mais de 20% do que foi estimado como sua despesa em 2009. A área de Fazenda de qualquer Governo tampouco representa algo mais importante do que a educação. No entanto, tem uma expectativa de despesa para o próximo ano muito maior do que a área de educação e, além do mais, muito superior ao crescimento geral de receita do próprio Governo, que, como já dito, está na casa dos 12%.
O que mais chama a atenção, no entanto, é a despesa estimada para 2010 com uma rubrica chamada “reserva de contingência”. Essa rubrica está definida na Lei de Responsabilidade Fiscal como sendo aquele montante destinado ao atendimento de “passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos”. A reserva de contingência, portanto, apesar de definida muito genericamente, não tem uma destinação exclusiva. Seria uma espécie de folga no orçamento para o pagamento, inclusive, de despesas com pessoal.
O crescimento para o ano de 2010 dessa “reserva de contingência” no projeto de orçamento do Governo alcançou a casa dos 233 %. Enquanto na LOA 2009 essa rubrica contava com uma estimativa de despesa de pouco mais de 105 milhões de reais, em 2010 está prevista uma despesa de mais de 350 milhões de reais para a tal “reserva de contingência”.
Como se vê, quando se fala que qualquer área é uma prioridade política, isso deve, necessariamente, se refletir no Orçamento do Governo. É nesse instrumento que as prioridades políticas saem do mero discurso para virar, de fato, uma política pública de Governo que, como se sabe, só se concretiza com recursos orçamentários definidos e bem alocados.
Se for possível uma dose de otimismo, resta, agora, esperar que a Câmara Legislativa, por meio dos deputados eleitos pela população do DF, reflita sobre as reais prioridades do Distrito Federal.

Haroldo Fernandes Filho, sociólogo, é o responsável técnico pela subseção do DIEESE no Sindicato dos Professores do Distrito Federal.

O avesso do verso

O professor ensina o quê pra seus alunos que são filhos de quem?
O que eles aprendem em casa ou na escola é o motivo de serem ninguém?
O que os alunos esperam da vida?
E que seus pais lhe dão de presente?
E os professores o que lhe dão de futuro?
Se dar limites é ser punido, qual o castigo e a sentença é de quem?
O que o aluno espera da escola?
O que o filho espera de sua família?
O que você espera dos novos amigos se a cada ano seu professor é mais um Zé Ninguém?
Que tipo de humanos queremos no futuro?
Que tipo de filho você quer e pra que?
E os filhos dos outros pra você são filhos de quem?
Se o seu filho você joga na escola e que o professor cuide dele também!

Poesia do professor de Educação Artística aposentado, Luis Felipe Vitelli

CLDF aprova PLC que inclui relação homoafetiva

Um passo importante para a garantia dos direitos fundamentais do ser humano
foi dado nesta quinta-feira (8), na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Os parlamentares aprovaram na íntegra o projeto de lei complementar 090/2008, que altera a lei complementar sobre o Regime Próprio de Previdência Social do Distrito Federal – RPPS/DF, garantindo aos parceiros homossexuais os mesmos direitos previdenciários concedidos aos casais heterossexuais. Agora o PLC seguirá para sanção do governador.

Ainda em 2008, a CUT-DF propôs uma emenda à lei complementar 769, que reorganiza e unifica o RPPS-DF, solicitando a inclusão dos casais homoafetivos no projeto. A proposição foi apresentada pela bancada do PT na CLDF e esbarrou no conservadorismo da bancada evangélica da Casa chegando a ser vetada pelo governador do DF por ser considerada “vício de iniciativa”. Depois de muita negociação, a Central garantiu que a proposta fosse reapresentada pelo Executivo sob forma do PLC 090/2008.

“A aprovação do PLC significa a afirmação dos direitos humanos, garantindo igualdades que se nivelam com os preceitos da democracia”, afirma a presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga.

Vídeo conferência vai tratar da igualdade racial

A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) convida todos a participarem de uma vídeo conferência com o tema: Igualdade Racial precisa ser Lei, Sim ao Estatuto!. A conferência acontecerá dia 13 de outubro, às 9h, no auditório do SERPRO, na L2 Norte, e contará com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos. Várias salas do SERPRO nos Estados estarão conectadas e os participantes poderão discutir o tema diretamente com o ministro. A presença de todos e todas é muito importante.

Professores serão homenageados em sessão solene

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizará às 15h de sexta-feira, 16, uma sessão solene em homenagem a professores que vem desenvolvendo projetos sociais em sala de aula. A cerimônia, organizada pelo deputado distrital Paulo Tadeu (PT), acontecerá no auditório do Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB), localizado na QSA 05, Área Especial nº. 01, em Taguatinga Sul.
Entre os projetos desenvolvidos pelos 20 professores homenageados estão os que abordam questões raciais, de educação popular, resgate da cidadania de alunos do Recanto das Emas, alunos especiais, meio ambiente, alfabetização, inclusão e esporte. Professores, compareçam ao evento.

Dia 15, às 14h30, todos ao ato na Rodoviária

Descaso total com a saúde do professor no serviço de perícia médica da Secretaria, Plano de Saúde que não sai do papel, direito de gozar a licença-prêmio negado, mais de R$ 50 milhões devidos à categoria, auxílio-alimentação de R$ 3, 60 ao dia. Você está cansado de tanto desrespeito? Então compareça ao ato na próxima quinta-feira, 15 de outubro, Dia do(a) Professor (a), às 14h30, e exija o respeito aos seus direitos.
Todos os professores que sabem que nossas conquistas dependem da nossa mobilização estarão na Plataforma Superior da Rodoviária do Plano Piloto para mostrar à sociedade a dívida do GDF com a escola pública e com os educadores.
Também neste dia entregaremos o “Documento da Indignação” ao Governo local, elencando todas pendências devidas à categoria. Para o ato foi aprovada a compactação de horário para que os professores possam participar.

Saúde do professor: até quando o desrespeito?

O governo Arruda mostra, novamente, um grande desrespeito com o servidor público da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Em um nítido sinal de descaso, professores ficam até nove horas aguardando o atendimento na Diretoria de Saúde Ocupacional (DSO), ex-GPMO, da 711 Norte. Com a necessidade de trocar atestados ou fazer perícias médicas, nem mesmo pessoas com problemas mais sérios de saúde têm prioridade. Entre as maiores reclamações estão a falta de médicos para um adequado atendimento e descaso dos funcionários do órgão. Nesta terça-feira, 6, cansados de esperar por atendimento, vários professores entraram em contato com a diretora do Sinpro, Maria José Barreto, a Zezé, que esteve no local durante a tarde e constatou o desrespeito aos professores.
“A situação que vemos aqui é insustentável. O secretário de educação (José Luiz Valente) está fazendo isto justamente para dificultar a vida do professor, impedindo assim que ele pegue atestados médicos e permaneça na sala de aula doente”, analisa Maria José. A professora do Centro de Ensino Fundamental 2 (Guará), Sunamita Ferreira, era uma das mais revoltadas com o desrespeito da Diretoria de Saúde Ocupacional. Após chegar às 9h da manhã, ela ficou aproximadamente nove horas sentada aguardando a perícia para pegar um atestado. “Era para eu dar aula hoje às 13h e agora são 17h30 e ainda estou aqui. Quando precisamos vir perdemos o dia todo e temos de agüentar o mau atendimento e muita falta de respeito”, diz.
Em outro caso, uma professora gripada era obrigada a permanecer em contato com outras pessoas sem ao menos uma máscara. “Eu estou muito gripada e como estava demorando muito fui apenas perguntar quantas pessoas tinham na minha frente. Uma funcionária disse que as pessoas gripadas não tinham prioridade e que era para eu esperar. Onde está o respeito com a saúde dos outros?”, pergunta a professora do CEM 417 de Santa Maria, Patrícia Franco. O exemplo revela uma contradição do GDF, que no início do semestre solicitou que as pessoas com gripe tomassem certas precauções devido ao surto de gripe suína.
É justamente esta situação que o Sinpro-DF colocará em pauta na reunião marcada com o secretário Valente no dia 14 de outubro para discutir a questão da saúde do professor. “Vamos reivindicar mais postos de atendimento nas outras cidades, mostrar a necessidade em se contratar mais médicos e buscar uma saída para a calamidade que se transformou este órgão (DSO)”, comenta Maria José. Um abaixo assinado feito pelos professores foi colhido e será entregue à Secretaria como sinal de protesto. Professor, denuncie! Entre em contato com a Secretaria de Saúde do Sinpro e faça valer seus direitos.

Teatro infantil é coisa séria

O Sinpro-DF convida todos a conhecerem o projeto Histórias e Viagens, desenvolvido pela professora Iara Vidal Andrade na Escola Classe 114 Sul. A iniciativa, que trabalha com 27 alunos da 4ª série, apresenta uma peça teatral atuada pelos próprios alunos e tem como tema principal a inclusão social. Segundo a professora do ensino fundamental é uma experiência que vem trazendo resultados positivos na vida escolar dos estudantes. A turma fará uma apresentação da peça Peter Pan na quarta-feira, 14, às 16h, na EC 114.
“Trabalho com este projeto há seis anos e durante este período noto além da inclusão social dos alunos, a possibilidade de trabalhar outros conteúdos. Com isto eles conseguem formular uma crítica do mundo que os cerca”, analisa Iara Vidal, que trabalha em parceria com a professora Iara Santos. “É importante salientar que são os próprios alunos que organizam toda a peça”.
Caixa surpresa – Uma ciranda de livros literários e o sorteio de uma caixa surpresa também são adotados pela professora como forma de aprendizado. Com o objetivo de incentivar a leitura, os alunos levam uma obra literária para casa aos finais de semana e fazem uma análise. Em uma folha, fazem uma ilustração e no verso argumentam os pontos que mais gostou do livro. “Além disto, sorteamos uma caixa surpresa contendo seis livros, dois filmes, um diário de bordo, um mascote de pelúcia e chocolates para que eles tenham prazer em ler. São iniciativas que colocamos em prática e colhemos frutos positivos”, comemora Iara.
O projeto de teatro infantil existe desde fevereiro na Escola Classe da Asa Sul e faz parte da grade curricular do ano.

Tarde de autógrafos no CEF Mestre D'Armas

Três professores e autores se reúnem nessa sexta, dia 9 de outubro, às 17h para uma tarde de autógrafos no CEF Mestre DArmas, em comemoração à inauguração da Sala de Leitura Graciliano Ramos na escola. Estarão presentes Flavio Brebis, autor do “Primeiro livro das diferenças: de famílias e bandos”, Élida Teles, autora de “Pedacinho de papel” e Kátia Malaquias, autora de “Vaidade não tem vez”. Os livros estarão à venda no local.

A tarde de autógrafos também marca a culminação da parceria entre o Centro de Ensino Mestre DArmas e o ISDEL – Instituto Ser Diferente É ser Legal – como parte do projeto “Ser Humano de Valor”, realizado desde 2006 em várias escolas públicas do Distrito Federal. Os livros que farão parte da tarde de autógrafos têm em comum a temática do respeito e da cidadania, reflexo dos valores dessa parceria.

O ISDEL é uma organização não-governamental criada por educadores para estimular a tolerência e garantir o respeito às diferenças. A primeira escola a receber o projeto “Ser Humano de Valor” foi a Escola Classe 419 de Samambaia, que apresentava altos índices de violência e bullying. Segundo a professora Áurea Rosa Martins, gestora da escola, o projeto “fez com que os estudantes passassem a ter mais amor a escola e aumentasse a amizade entre eles mesmos, diminuindo consideravelmente a violência”. Faz sentido: para a especialista em bullying Cleo Fante, as principais causas do fenômeno são o desrespeito, a intolerância e o preconceito.

Tarde de Autógrafos no CEF Mestre DArmas
Dia: 9/10/2009, sexta-feira
Horário: 17h
Local: CEF Mestre DArmas, DF 130, Vale do Amanhecer, Planaltina DF

Contatos:
CEF Mestre DArmas: (61) 3901-4550
ISDEL: (61) 8194-9652

Primeiro, deponha o presidente. Depois, contrate um lobista

Nos meses que se seguiram desde que soldados depuseram o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, o governo de fato e aqueles que o apoiam têm resistido às exigências dos Estados Unidos de que ele seja devolvido ao poder. Argumentando que o esquerdista Zelaya representava uma ameaça à frágil democracia de seu país ao tentar prolongar seu mandato ilegalmente, eles começaram a defender seu caso em Washington da forma habitual: iniciando uma alta campanha de lobby.
A campanha já teve o efeito de forçar o governo americano a enviar sinais ambíguos a respeito de sua posição em relação ao governo de fato, que os vê como sinais de encorajamento. Também adiou a nomeação de dois cargos-chave do Departamento de Estado para a região.
Custando pelo menos US$ 400 mil até o momento, segundo os registros de lobby, a campanha envolve escritórios de advocacia e agências de relações públicas com laços estreitos com a secretária de Estado, Hillary Clinton, e com o senador John McCain, a principal voz republicana em relações exteriores.
Também conquistou o apoio de vários ex-altos funcionários que eram responsáveis pela política americana na América Central nos anos 80 e 90, quando a região lutava para romper com as ditaduras militares e as guerrilhas que a definiram na Guerra Fria. Duas décadas depois, esses ex-altos funcionários – incluindo Otto Reich, Roger Noriega e Daniel W. Fisk – veem Honduras como o principal campo de batalha na guerra indireta com Cuba e Venezuela, que eles caracterizam como ameaças à estabilidade da região em uma linguagem semelhante à antes usada para descrever os desígnios da União Soviética.
“A atual batalha pelo controle político de Honduras não envolve apenas aquele pequeno país”, disse Reich perante o Congresso em julho. “O que acontece em Honduras pode algum dia ser visto como o ponto alto da tentativa de Hugo Chávez de minar a democracia neste hemisfério ou como uma luz verde para disseminação do autoritarismo chavista”, ele disse, se referindo ao presidente da Venezuela.
Noriega, um co-autor da Lei Helms-Burton, que endureceu o embargo americano contra Cuba, e que recentemente serviu como lobista para um grupo empresarial hondurenho, se recusou a comentar para este artigo.
Reich, que serviu em postos-chave latino-americanos para o presidente Ronald Reagan e para o presidente George W. Bush, disse não ter feito oficialmente lobby para algum grupo hondurenho. Mas ele disse que usou seus contatos para promover a agenda do governo de facto, liderado por Roberto Micheletti, porque ele sente que o governo Obama cometeu um erro.
E Fisk, cuja carreira política remonta aos anos 80, incluindo passagens pelo Conselho de Segurança Nacional e o cargo de vice-secretário de Estado para assuntos do Hemisfério Ocidental do governo Bush, vinha defendendo a posição do governo Micheletti até duas semanas atrás como assessor do senador aposentado Mel Martinez, da Flórida.
Além do apoio desses veteranos da Guerra Fria – e em parte por causa dele – o governo de facto tem mobilizado o apoio de um grupo determinado de legisladores republicanos, liderados pelo senador Jim DeMint, da Carolina do Sul. Eles estão obstruindo duas indicações para cargos no Departamento de Estado – o subsecretário de Estado para assuntos do Hemisfério Ocidental e o embaixador no Brasil- como forma de pressionar o governo Obama a suspender as sanções contra o país.
“Ele tomou a decisão errada aqui”, disse DeMint em uma entrevista para a “Fox News” após retornar de uma viagem a Honduras, na última sexta-feira. Referindo-se ao governo de fato, ele disse: “Este é provavelmente nosso melhor amigo no hemisfério, o país mais pró-americano, mas estamos tentando estrangulá-lo”.Veja a cronologia da crise
Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição
Chris Sabatini, o editor da “Americas Quarterly”, uma revista política voltada para a América Latina, disse que o lobby nublou a posição de Washington a respeito do golpe. O governo disse publicamente que considera o golpe em Honduras como um precedente perigoso em uma região que há não muito tempo era atormentada por eles, ele disse.
Mas, ele acrescentou, para aplacar seus oponentes no Congresso e ter suas nomeações aprovadas, o Departamento de Estado às vezes envia mensagens indiretas aos legisladores expressando seu apoio a Zelaya em termos menos claros.
“Há um vácuo de liderança no governo em Honduras e são estas pessoas que o preencheram”, ele disse sobre aqueles que apoiam o governo Micheletti. “Eles não receberam muito apoio, mas o suficiente para manter a política do governo refém por ora.”
Após o golpe de 28 de junho, o presidente Barack Obama se juntou à região na condenação da ação e nos pedidos para que Zelaya fosse devolvido ao poder, apesar do presidente hondurenho ser um aliado de Chávez, o maior adversário dos Estados Unidos na região.
Mas assessores do Congresso disseram que menos de 10 dias após Zelaya ser deposto, Noriega e Lanny J. Davis, um confidente de Clinton e lobista para um conselho empresarial hondurenho, organizaram uma reunião de defensores do governo de facto com membros do Senado.
Fisk, que participou do encontro, disse que ficou surpreso com o número de pessoas. “Eu nunca vi oito senadores em uma sala para conversar sobre a América Latina em toda a minha carreira.”
Enquanto Obama impunha sanções cada vez mais duras contra Honduras, o lobby se intensificava. O Cormac Group, dirigido por um ex-assessor de McCain, John Timmons, foi contratado, como mostram os registros, assim como a Chlopak, Leonard, Schechter & Associates, uma empresa de relações públicas.

Por sua vez, Reich enviou seus pensamentos aos membros do Congresso por e-mail. Ele escreveu para um membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado: “Nós devemos nos alegrar com o fato de um dos autoproclamados aliados socialistas do século 21 de Chávez ter sido legalmente deposto por seus próprios compatriotas”.
Como frequentemente é a natureza do lobby, algumas mensagens foram enviadas sem nomes anexados. Nas últimas semanas, por exemplo, circulava no Senado uma lista de argumentos visando minar a indicação do subsecretário de Estado, Thomas A. Shannon, como embaixador no Brasil. Dois assessores do Congresso, que pediram anonimato para falar francamente sobre assuntos ligados ao golpe, disseram que Fisk escreveu os argumentos.
Fisk negou tê-lo feito. Ele também negou a noção de que estava atuando segundo um velho manual. “Outra pessoa pode estar lutando pelos anos 80”, ele disse. “Eu não.” (publicado no The New York Times)

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