Tuitaço contra a reforma administrativa nesta segunda-feira, 12, às 19h

O Sinpro-DF convoca os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais para participarem do tuitaço contra a reforma administrativa, às 19h desta segunda-feira (12/7), com a tag #PEC32Cancela.

Marque os(as) deputados(as), denuncie as armadilhas dessa proposta que destruirá os serviços públicos e prejudicará servidores(as) de todo o País! Acesse o link do Educação Faz Pressão e pressione o deputado! 

 Clique no link e faça pressão: https://bit.ly/3AuCnWR.

Grande Ato Nacional em defesa dos Correios nesta terça, 13

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) realiza, nesta terça-feira, 13, um grande ato nacional em defesa dos Correios e contra a privatização dessa empresa que é um patrimônio secular do povo brasileiro.

A manifestação começa às 10h em frente ao Edifício Sede dos Correios, que fica no Setor Bancário Norte, região central de Brasília. Os sindicatos ligados à FENTECT estarão presentes, e todo apoio e solidariedade das demais categorias será bem-vindo. Defender os Correios é uma tarefa de todos e todas!

CEF 15 realiza Live da Fest15/2021 neste sábado (10)

O Centro de Ensino Fundamental 15 do Gama realiza uma Live, neste sábado (10), às 16h, para comemorar o Arraiá do CEF 15. O Fest15/2021 traz como tema a cidade do Gama: História da gente – Quem ama vem conhecer o Gama.

O evento, que será em formato de Drive Thru, oferecerá show ao vivo, comidas típicas, bandeirinhas e muitas promoções. Os(as) interessados(as) ainda poderão assistir à festa pela Live, às 16h30, no canal do Youtube da escola.

Nota de pesar – Tânia Quaresma

É com grande pesar que o Sinpro informa o falecimento da cineasta Tânia Quaresma após uma parada cardíaca. A fotógrafa e diretora de cinema realizou vários documentários, sendo o mais famoso deles Nordeste: Cordel, Repente, Canção, de 1975.

Mineira, nascida em Belo Horizonte, Tânia radicou-se em Brasília em 1983, onde criou o projeto cinematográfico administrado pela Fundação Bem Te Vi. A artista mineira faz parte da história cultural de Brasília e deixou um legado de longas-metragens e séries documentais para tevê. Tânia deixa um filho, Alexandre Quaresma, que também trabalha na produção cinematográfica.

Além de todas as produções culturais, a cineasta deixa um legado sólido, onde o diferencial era o amor pela capital federal. “Eu estava feliz: Brasília tinha me recebido de asas abertas. Achei então que já era hora de ter uma base fixa, um ponto permanente para pouso e decolagem. Percebi que meu sonho com Brasília era mais que um filme: ele me indicava um projeto de vida. Acreditei nele e vivo essa realidade, desde então”, disse Tânia em depoimento realizado ao Projeto Memória & Invenção.

O sindicato presta toda solidariedade aos familiares e amigos neste momento de dor.

Tânia Quaresma, Presente!

Após paralisação, bancários conquistam o direito à prioridade na vacinação contra Covid-19

 

Os(as) bancários(as) do Distrito Federal conquistaram o direito de ser prioritários na vacinação. A categoria nunca atuou em trabalho remoto e sempre, desde o início da pandemia, mantém o trabalho presencial. Apesar dos riscos, tanto o governo federal como o distrital a deixaram de fora do plana prioritário. Para defender o direito à vida, a categoria realizou várias mobilizações e até paralisação para sensibilizar os governantes que deveriam ser os primeiros a cuidar da vida de todos e todas, principalmente de quem está na linha de frente. Confira a matéria sobre a vitória a seguir.

 

Sindicato conquista junto ao ministro da Saúde garantia de vacina para bancários e bancárias. Assembleia mantém categoria em estado de greve

 

O Sindicato dos Bancários de Brasília obteve do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na tarde de terça-feira (6/7), a garantia de inclusão da categoria bancária no Plano Nacional de Imunização (PNI).

 

A luta por justiça aos bancários e bancárias como trabalhadores que asseguram atendimento à população, com caracterização de serviço essencial, vem sendo travada pelo Sindicato desde o início da pandemia, com iniciativas junto aos bancos, aos governos, aos parlamentos e aos órgãos da área sanitária.

 

Para o presidente da entidade, Kleytton Morais, “o direito à vacina chega com muito atraso, mas, além de ter esse sentido de correção de injustiça, vem ainda a tempo de contribuir para o controle sanitário a partir dos bancos e de salvar vidas de muitos bancários e bancárias, dando proteção também aos seus familiares e às pessoas que se dirigem às agências bancárias em busca de atendimento”.

 

O compromisso obtido junto ao ministro da Saúde é fruto de intenso processo de mobilização desencadeado pelo Sindicato com paralisações de unidades, “faixaços” e protestos pelo Distrito Federal. Bancários e trabalhadores dos Correios foram para a frente do Ministério da Saúde na manhã desta terça, lá permaneceram durante à tarde e foram chamados para o encontro com o ministro.

 

Acompanhado dos presidentes do Banco do Brasil, da Caixa e dos Correios, Marcelo Queiroga informou aos representantes dos trabalhadores que já havia concordância, entre os órgãos governamentais responsáveis pelas definições acerca do Plano Nacional de Operacionalização (PNO) do processo de vacinação contra a Covid, com a inclusão de bancários e de ecetistas entre os grupos prioritários.

 

A decisão será efetivada, segundo o ministro, por Informe Técnico e ofícios a serem encaminhados no decorrer desta semana.

 

“Essa notícia é esperança para nós que vivenciamos o drama de colegas que vêm sofrendo com essa pandemia, e representa uma dose extra de ânimo para continuarmos atuando com qualidade no atendimento à população e, principalmente, protegendo a nossa vida, das nossas famílias e dos clientes”, frisou o presidente do Sindicato, Kleytton Morais.

 

 

Assembleia mantém estado de greve

 

Por decisão da Assembleia realizada na noite desta terça-feira (foto acima), mesmo com a garantia dada pelo ministro da Saúde, não haverá arrefecimento na luta pela vacina. A categoria bancária seguirá mobilizada, em estado de greve, para evitar recuos e protelações.

 

As visitas às unidades e os “faixaços” vão continuar acontecendo. O objetivo maior é cobrar agilidade do Governo do Distrito Federal na ultimação e execução do plano operacional de vacinação dos bancários e bancárias.

 

O governador Ibaneis Rocha e o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto, serão imediatamente oficiados pelo Sindicato sobre a inclusão da categoria bancária no Plano Nacional de Imunização (PNI), com solicitação de providências para que a imunização se inicie o mais rápido possível.

Evando Peixoto
Colaboração para o Seeb Brasília

Programa Descomplicando

Vai ao ar nesta quarta-feira, ás 17h, a 8ª edição do programa Descomplicando, com Dão Real Pereira dos Santos, auditor fiscal, vice-presidente do IJF (Instituto Justiça Fiscal) e integrante do Coletivo Auditores Fiscais pela Democracia. Ele também faz parte da coordenação da Campanha Tributar os Super-Ricos.

O programa Descomplicando está nas redes quinzenalmente, às quartas, às 17h. Uma parceria da Rede Soberania, Brasil de Fato RS, Instituto Justiça Fiscal, Democracia e Direitos Fundamentais e a Campanha Tributar os Super-Ricos. A transmissão será na página oficial do Tributar os Super-ricos e no facebook do Sinpro. 

Nota de pesar – Adriana de Fatima Tomás

É com pesar que o Sinpro informa o falecimento da professora Adriana de Fatima Tomás, mais uma vítima da Covid-19. Coordenadora da Escola Classe 15 de Ceilândia, a educadora deixa como legado o prazer em ensinar e a busca incessante por uma educação pública plural, democrática e de qualidade.

No período que esteve no magistério público, Adriana driblou as dificuldades, contornou os problemas e lutou pelo ensino de centenas de estudantes. Ficam as lembranças, a saudade, mas, também, o reconhecimento por todo o trabalho realizado.

O sepultamento será realizado às 15h30 desta quarta-feira (07), no Cemitério de Taguatinga, e devido à pandemia do novo Coronavírus, não haverá velório.

O sindicato presta toda solidariedade aos familiares e amigos neste momento de dor.

Adriana, Presente!

Com atuação presencial desde o início da pandemia, bancários lutam por prioridade na vacinação

 

#VacinaNoBraçodosBancários: Sindicato percorre agências do SCS,
Asa Sul e Norte para pressionar GDF a priorizar vacinação da categoria bancária

 

 

 

Conforme deliberado em assembleia geral da categoria na quinta-feira (1º), o Sindicato percorreu, na manhã desta segunda-feira (5), agências bancárias do SCS, Asa Sul e Norte, que tiveram suas atividades paralisadas em protesto contra o recuo do governador do Distrito Federal (GDF), Ibaneis Rocha, na priorização dos bancários no plano de imunização contra a covid-19 e para pressionar pela garantia do direito à vacina no braço dos trabalhadores. Os bancários também se mobilizaram pelas redes sociais, usando as hashtags #VacinaLogoIbaneis e #GovernadorIbaneisCumpraAPalavra.

 

“Estamos realizando paralisações setoriais, para dialogar com a população. Nós, bancários e bancárias, estamos sendo extremamente prejudicados pela postura do GDF. Embora o governador Ibaneis tenha se comprometido com o Sindicato que iniciaria a vacinação da categoria neste final de semana (dias 3 e 4), o governo recuou de uma forma muito deselegante, fazendo a comunicação pela imprensa, ao invés de dialogar formalmente com a entidade, para que pudéssemos achar uma solução, considerando que somos uma categoria essencial, que está atuando na linha de frente desde o início da pandemia, faça chuva ou faça sol, no atendimento à população, correndo os riscos de adoecimentos e mortes”, ressaltou o presidente do Sindicato, Kleytton Morais.

 

O dirigente sindical pontuou que, de acordo com dados oficiais do governo federal, a categoria bancária é a que, percentualmente, foi mais impactada pela questão da pandemia. O número de desligamento de contratos decorrentes de óbitos de bancários e bancárias é de quase 180%, número bem distante dos demais trabalhadores e que os coloca numa situação fragilizada.

 

Kleytton esclareceu: “A greve hoje é sanitária. Esse é um grito de socorro e de alerta, porque os bancários e bancárias estão adoecendo e morrendo. E não é mais possível esperar diante da omissão das autoridades. Portanto, governador, cumpra a sua palavra. Vacine logo a categoria. E vocês, banqueiros, Fenaban, cumpram o papel importantíssimo que vocês têm, encontrando possíveis soluções a nível nacional, acelerando o processo de tramitação das matérias que cobram pela inclusão dos bancários no PNO, mas não somente esperando o seu trâmite no Legislativo, mas construindo alternativas junto ao próprio Executivo, como é o caso do Ministério da Saúde”.

 

Secretária-geral do Sindicato, Fabiana Uehara também falou da importância da participação da categoria bancária nesta luta pela imunização. “Os bancários e bancárias desenvolvem serviços essenciais e precisam se vacinar”, reforçou, reiterando que a mobilização permanente se dará com paralisações setoriais diárias, por bancos, cidades e locais estratégicos.

 

“A categoria segue em estado de greve permanente, porque é fundamental priorizar a vacinação dos bancários e bancárias, que sempre se expuseram na linha de frente durante toda a pandemia. Por isso, governador, assuma o seu compromisso com a direção do Sindicato”, cobrou o diretor da Fetec-CUT/CN, Ivan Amarante.

 

Durante a madrugada, o Sindicato colou cartazes em dezenas de agências da cidade, em que esclarece a importância de priorizar a imunização dos trabalhadores e cobrando um posicionamento do governo do DF.

 

Pressão também no Buriti

 

 

Às 16h, a entidade realizou ato, com o mesmo objetivo, em frente ao Palácio do Buriti, onde inicialmente enfrentou resistência da polícia para a realização da atividade pacífica.

Plenária

Às 18h, foi realizada uma plenária remota pelo Sindicato, também em frente ao Buriti, para discutir os encaminhamentos da mobilização.

 

Ato conjunto no Ministério da Saúde nesta terça

 

Dando sequência aos protestos, o Sindicato participa amanhã de ato conjunto com os trabalhadores dos Correios em frente ao Ministério da Saúde, às 10h.

 

Confira galeria de imagens das paralisações:

Mariluce Fernandes
Do Seeb Brasília

Ensino médio nem-nem

O governo de São Paulo aproveita a pandemia e ‘passa a boiada’ com a reforma do Ensino Médio

Por Débora Cristina Goulart, Fernando Cássio e José Alves da Silva

 

Ela tem 15 anos e está no primeiro ano do ensino médio. Estuda em uma escola estadual de São Paulo e, como a maioria de seus colegas que não acreditam que as escolas paulistas sejam ambientes seguros contra a doença que já matou mais de 500 mil pessoas no Brasil, ela acompanha as aulas e atividades escolares de forma remota – sempre que a velocidade da conexão permite, obviamente. Ela praticamente não viu o rosto de seus colegas de classe desde o começo do ano – as câmeras ficam desligadas durante as aulas – e nunca encontrou pessoalmente seus professores.

 

Gostava de Matemática e História no Ensino Fundamental, e está tendo Física, Química, Sociologia e Filosofia pela primeira vez. Ela gosta mais de algumas aulas do que de outras. Simpatiza com o professor de Biologia, mas gosta mais das aulas de Geografia, cuja professora parece mais exigente com as tarefas. Ontem, amou um texto literário indicado por um professor e se imaginou estudante universitária de Letras. Hoje cedo se encantou com uma discussão sobre o negacionismo e a importância de aprender Ciências na escola. Horas depois, na cozinha de casa, achou que leva jeito para a confeitaria artística. Todas as tardes ela e os dois irmãos ajudam a mãe a fabricar bolos confeitados, que são vendidos pelo Instagram.

 

Embora o futuro dessa adolescente pareça um grande mistério para ela própria, os implementadores da reforma do Ensino Médio no estado de São Paulo parecem ser os portadores de todas as certezas, já que a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) deu a ela e a outros milhões de estudantes da rede estadual cheios de sonhos e desejos contraditórios a seguinte incumbência: preencher um formulário para escolher o “itinerário formativo” que definirá o seu futuro não apenas escolar, mas também profissional, até o dia 8 de julho.

 

A atribuição dos itinerários formativos do “novo Ensino Médio” é passo decisivo para a implementação da reforma da etapa no estado de São Paulo. Na prática, trata-se da mais extensa reorganização escolar implantada na rede paulista desde 2015. Naquela ocasião, o plano do governo paulista de transferir compulsoriamente centenas de milhares de estudantes soçobrou diante de massivas ocupações estudantis. Em 2016, no segundo ciclo das ocupações escolares, mais de mil escolas foram ocupadas no Brasil por estudantes que se opunham justamente à reforma do Ensino Médio, aprovada como Medida Provisória (a polêmica MP n. 746/2016) e depois transformada na Lei n. 13.415/2017. É esta reforma que o governo paulista resolveu implantar em meio à pandemia.

 

Com o novo Ensino Médio (mas também com o Programa Ensino Integral e outras políticas educacionais controversas), a Seduc-SP aposta na desmobilização das comunidades escolares por conta da pandemia para “passar a boiada”. O governo Doria é habilidoso em manter o controle do debate público da educação, e sabe que, enquanto a população estiver mais preocupada com a própria sobrevivência, os estudantes não criarão obstáculos à faraônica reorganização escolar que está em curso na rede estadual.

 

Some-se a isso todo o esforço da Seduc-SP nos últimos anos em políticas de institucionalização de grêmios escolares, tentativa de cooptar politicamente os estudantes gremistas e de obstaculizar a existência dos grêmios livres – gérmen das ocupações escolares de cinco anos atrás. O “protagonismo juvenil”, tão estimulado na rede estadual paulista desde 2016, sempre foi muito bem supervisionado.

 

Protagonismo juvenil da vida real

 

baixa adesão dos estudantes das redes públicas ao ensino remoto é fato incontestável no país. Em São Paulo, um relatório do Tribunal de Contas do Estado, baseado em dados oficiais da Seduc-SP, mostrou que, ao longo de todo o ano de 2020, 81,2% dos alunos permaneceram conectados por no máximo duas horas no aplicativo do Centro de Mídias de São Paulo, plataforma oficial de acesso ao ensino remoto na rede estadual.

 

evasão escolar – por acesso nulo ou ocasional ao ensino remoto – se dá por motivos que vão desde a falta de conectividade e equipamentos até a necessidade de garantir o sustento de famílias devastadas pelo desemprego, pela fome e pelas mortes e sequelas da Covid-19. Na falta de políticas públicas robustas de transferência de renda, quem consegue trabalho, trabalha. Se o trabalho é precário, em jornada ampliada, e leva ao abandono dos estudos, paciência. Pior do que isso é a fome. Além do trabalho fora de casa, a carga de trabalho doméstico e do cuidado com os mais novos, que também aumentou durante a pandemia, recai mais fortemente sobre as meninas. Tornar-se chefe de família antes do tempo, mostram as pesquisas, acarreta um custo emocional elevado para esses adolescentes e jovens. Não por acaso, a pandemia agravou quadros de ansiedade e depressão entre os jovens, sobretudo os mais vulneráveis.

 

É difícil pensar em um cenário mais desolador do que este: uma rede de ensino com 3,8 milhões de estudantes sem acesso regular à escola há 15 meses e vivendo momentos de aguda fragilidade emocional. Apesar disso, em vez de adotar uma postura cautelosa quanto à realização de mudanças drásticas na estrutura do currículo escolar, a Seduc-SP prefere acelerar o processo de “escolha” dos estudantes. Esqueça os problemas; seja protagonista da sua vida!

 

Em julho de 2020, o Conselho Estadual de Educação de São Paulo aprovou o Currículo Paulista para o Ensino Médio. Com essa “etapa vencida” (assim declarou o secretário da educação Rossieli Soares da Silva), a Seduc-SP avançou para a organização da oferta dos itinerários formativos na rede estadual. Criou um catálogo sucinto, com uma descrição genérica dos itinerários, e distribuiu questionários aos estudantes para o apressado exercício da “liberdade de escolha” e do “protagonismo juvenil” – dois conceitos-chave no marketing da reforma do Ensino Médio desde o governo Michel Temer (do qual o próprio Rossieli foi ministro da educação, a certa altura).

 

O ano de 2020 será lembrado por muitas razões na rede estadual paulista, nenhuma delas relacionada ao aprofundamento da transparência pública, da gestão democrática e da participação qualificada das comunidades escolares nas decisões que afetam o seu cotidiano. Acumulam-se evidências de que a Seduc-SP, de forma ativa, oculta informações e confunde as comunidades escolares. Não seria diferente com o novo Ensino Médio.

 

Os 11 itinerários formativos são apresentados aos estudantes como percursos de “aprofundamento” da formação geral fundamentada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Eles envolvem aprofundamento em “Matemática e suas tecnologias”, “Linguagens e suas tecnologias”, “Ciências da Natureza e suas tecnologias” e “Ciências Humanas e Sociais aplicadas”, além da combinação dessas quatro grandes áreas nos chamados itinerários de “aprofundamento integrado”. Além dos dez percursos de aprofundamento, o estudante pode optar por um décimo-primeiro itinerário, de formação técnico-profissional, que se divide em dois tipos.

 

O primeiro tipo compreende um menu com 21 cursos técnicos que substituem as 900 horas dos itinerários de aprofundamento. É o chamado “Novotec Integrado”, que faz a seguinte promessa aos estudantes: “você terá o diploma do Ensino Médio e também será formado para ter um diploma em técnico em…”. A formulação é sutil: não se trata de uma formação técnico-profissional em sentido estrito, mas de uma introdução de 900 horas que deverá ser complementada depois se o estudante desejar obter, além do diploma do Ensino Médio, um diploma de “técnico em…”. A diferença de carga horária entre o Novotec Integrado e um curso técnico regular é significativa. Um exemplo: para obter um diploma de técnico em Química no Centro Paula Souza – 2.000 horas-aula mais 120 horas de TCC –, será necessário passar pelo menos mais um ano na escola.

 

O segundo tipo de “itinerário técnico-profissional” reúne um conjunto de cursos profissionalizantes de curta duração que substituem algumas Unidades Curriculares (UC) do itinerário de aprofundamento escolhido. Na linguagem da Seduc-SP, o “Novotec Expresso” é um “aprofundamento curricular com dois cursos profissionalizantes focados no mundo do trabalho”. Quem escolher o itinerário de aprofundamento curricular em Ciências da Natureza junto com o Novotec Expresso, por exemplo, poderá substituir a UC2 do itinerário – que trata de origem da vida, evolução, gravitação e grandezas do Universo, a Química da vida na Terra, etc. – pelo curso “Seu desenho do 2D ao 3D (AutoCAD)”. Já a UC3, que trata de tecnologias de acessibilidade e inclusão, poderá ser substituída pelo curso “Excel aplicado à Área Administrativa”. Menos Ciência básica, mais profissionalização de baixa complexidade.

 

Além de implantar um novo Ensino Médio sem a quantidade necessária de recursos, o governo paulista induz a privatização da oferta educacional direta através do Novotec Expresso. As escassas verbas das escolas estaduais serão agora disputadas pelas pequenas escolas privadas que ofertarão os minicursos de AutoCAD, Excel e design de jogos, já que o governo estadual não tem a pretensão de equipar a rede de ensino ou contratar profissionais para essa oferta.

 

Uma arquitetura curricular de tamanha complexidade demanda um grande esforço de compreensão por parte dos estudantes. Para escolher seus itinerários de preferência, eles precisam acessar um formulário online disponível na Secretaria Escolar Digital, no qual são apresentados a uma “breve descrição” e têm a opção de abrir uma “ementa geral” do itinerário pretendido. A ementa é um texto sucinto e propagandístico em que os respondentes são apresentados às futuras benesses que a escolha daquele itinerário poderá lhes proporcionar. O aprofundamento curricular em Ciências da Natureza e suas tecnologias (“Ciência em Ação!”), por exemplo, “possibilita a aplicação de aprendizagens na intervenção sociocultural, investigação científica, em processos criativos e empreendedorismo”. Em todas as ementas, o conhecimento é tratado numa dimensão utilitária, bem ao gosto das habilidades e competências codificadas da BNCC.

 

A despeito da pressa do governo para que os estudantes exerçam a sua liberdade de escolha, as matrizes curriculares com o detalhamento das disciplinas e a organização dos itinerários no novo Ensino Médio paulista não foram disponibilizadas aos principais interessados. A divulgação dos detalhes sobre os itinerários está prevista apenas para o dia 12 de julho, quatro dias depois de encerrado o prazo para o preenchimento do formulário pelos estudantes. Informações genéricas sobre os itinerários também foram apresentadas em lives feitas pela Seduc-SP, sem que os estudantes tivessem a oportunidade de fazer perguntas à equipe, uma vez que os comentários não estavam habilitados ao público.

 

Neste “processo de escuta”, em que milhões de adolescentes cheios de dúvidas são obrigados a tomar uma das decisões mais importantes de suas vidas no inoportuno momento da pandemia e sem acesso qualificado à informação, seis dos dez itinerários de aprofundamento curricular devem ser escolhidos por ordem de prioridade. Além disso, os respondentes podem optar por um dos percursos técnico-profissionais – Expresso e Integrado – com a logomarca Novotec.

 

Uma mensagem na tela avisa os estudantes que o formulário se trata de uma mera “manifestação de interesse”, o que significa que a oferta dos itinerários pela unidade escolar será, no fim das contas, determinada pelo interesse da maioria dos respondentes e pelo perfil profissional do corpo docente alocado na unidade. Fica subentendido que os estudantes que optarem por itinerários não ofertados por sua escola atual terão toda a liberdade de fazer uma dentre duas escolhas possíveis: 1) cursar um itinerário de aprofundamento ou pseudoprofissionalizante que não escolheu; ou 2) mudar de escola. O protagonismo juvenil da vida real.

 

Formação nem-nem

 

O argumento da flexibilização curricular e da liberdade de escolher um percurso formativo mais próximo de suas aspirações ou aptidões (ou melhor, mais próximo da forma como um adolescente percebe as próprias aspirações e aptidões aos 15 anos) é evidentemente falacioso. Ao escolher um itinerário de “aprofundamento curricular”, todos os outros itinerários são deixados para trás. Se a opção incluir os penduricalhos do Novotec, a formação do Ensino Médio paulista ficará ainda mais reduzida. A própria escolha (nada casual) da palavra “aprofundamento” serve para nos distrair daquilo que o “novo Ensino Médio” realmente produz: estreitamento curricular. O referido “aprofundamento” – que na verdade implica na redução do tempo da formação geral – ocupa 28,6% da carga horária total do Ensino Médio paulista.

 

A Seduc-SP já havia sacrificado outras 450 horas-aula da formação básica do Ensino Médio nas disciplinas “projeto de vida”, “tecnologia” e eletivas vinculadas ao Programa Inova Educação, fruto de parceria da Seduc-SP com o Instituto Ayrton Senna. Graças à tenacidade de muitas escolas e docentes da rede estadual, que transformaram as disciplinas “Inova” em coisa mais interessante, nem todo estudante da rede estadual paulista será obrigado a engolir 150 horas-aula de coaching empresarial por ano ao longo de todo o Ensino Médio. No Inova Educação, a sensação de autonomia é estimulada pelos “feirões das eletivas”, eventos em que os professores tentam “vender” suas disciplinas para o maior número possível de estudantes em banquinhas montadas na quadra da escola. Tamanha inovação educacional abocanha outros 14,3% da carga horária total do Ensino Médio.

 

Para os defensores de primeira hora da reforma do Ensino Médio, a existência de uma massa de jovens egressos do Ensino Médio que não trabalham e nem estão no Ensino Superior – a popular “geração nem-nem” – seria a prova cabal da necessidade de reformar a última etapa da educação básica e de conferir a esta um caráter fortemente utilitário e profissionalizante. Outro argumento clássico em favor da reforma é o de que é preciso combater a evasão escolar transformando uma escola chata e velhusca numa escola atraente e conectada a seu tempo.

 

O caso é que a escola pública de Ensino Médio no Brasil, muito antes de ser chata e velhusca, nunca deixou de ser improvisada e precária. E como ela jamais ofereceu uma formação generalista adequada a seus estudantes, não faz o menor sentido classificar a formação do Ensino Médio brasileiro como um entulho “desnecessário” e “antiquado”. De modo tácito, o novo Ensino Médio assume que a precariedade do Ensino Médio brasileiro é a tal ponto insuperável, que a oferta de uma formação generalista de alta qualidade para todos os estudantes é um projeto inalcançável – uma variação de “o povo não cabe na Constituição”. O resultado prático dessa premissa é a simplificação da formação dos mais pobres. Em São Paulo, o novo Ensino Médio não é generalista e nem profissionalizante. Sob o vocabulário inspirador do “protagonismo”, da “liberdade”, do “aprofundamento” e da “inovação” jaz uma esquálida formação nem-nem.

 

A situação de São Paulo não é muito diferente da de outros estados que igualmente implementam a reforma do Ensino Médio neste momento. As consequências da escolha dos itinerários formativos nos processos de disputa de vagas para o Ensino Superior são desconhecidas, pois não se sabe o que mudará no Exame Nacional do Ensino Médio e nos vestibulares por conta da implementação definitiva da reforma do Ensino Médio no país.

 

A oferta de todos os itinerários em uma única escola será impossível, de forma que cada unidade deverá oferecer pelo menos dois percursos compreendendo necessariamente as quatro grandes áreas do conhecimento (Linguagens,. Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza). Isso obrigará escolas pequenas e médias a oferecerem os itinerários de “aprofundamento integrado”. A tão celebrada “escolha por aptidão” do novo Ensino Médio, desse modo, está sempre condicionada às necessidades administrativas da Seduc-SP. Caso o itinerário desejado não seja ofertado na escola onde o estudante está matriculado, ele poderá se transferir para uma unidade localizada a até dois quilômetros da escola atual. Assim, é razoável supor que haverá um considerável remanejamento de estudantes para escolas mais distantes do local onde residem. A liberdade de escolha será particularmente vilipendiada nos 335 municípios paulistas que possuem uma única escola estadual (Censo Escolar 2020), cuja oferta de itinerários será sempre mais enxuta do que as aspirações de adolescentes de 14 e 15 anos, cujos sonhos estarão limitados pelas fronteiras municipais.

 

Voltemos à adolescente descrita no começo deste texto. Como seria a sua vida se ela tivesse nascido em uma família de classe média? Alguém imaginaria que a sua escola particular lhe ofereceria um formulário online e exíguos 20 dias para escolher o itinerário formativo que a acompanhará até o final do Ensino Médio? E, ainda, que tal escolha poderia impor a essa estudante a necessidade de mudar de escola?

 

Diante de um futuro incerto, o novo Ensino Médio paulista limita possibilidades, em vez de ampliá-las. Alimenta a ilusão de que uma formação generalista é algo velho e ruim, e coloca no lugar uma nova ilusão: a de que uma formação aligeirada e simplória é algo bom e moderno. Os arautos da reforma do Ensino Médio tratam a instabilidade do mercado de trabalho como um pequeno calombo na corrida de obstáculos da escola neoliberal, mas sabem perfeitamente que este é o grande precipício com o qual, em algum momento da vida, as pessoas com uma formação escolar claudicante irão se deparar.

 

Nas escolas privadas, que continuarão oferecendo uma formação generalista a adolescentes das classes médias e altas, o “aprofundamento” continuará sendo tomado no sentido literal – horas-aula adicionais à formação básica geral e cobradas à parte nas mensalidades. Os nomes das disciplinas podem mudar, o conhecimento pode ser chamado de “competência” e as escolas podem ser inundadas de tablets e traquitanas –, mas uma formação escolar sólida continuará sendo a melhor porta de entrada para um mundo grávido de futuro e de possibilidades. Já o Ensino Médio nem-nem, este manterá as desigualdades educacionais no mesmo lugar. Maurício Tragtenberg nunca esteve tão certo quando disse que “quando não se quer mudar nada a gente faz uma reforma na educação”.

 

Débora Cristina Goulart é doutora em Ciências Sociais e professora da Unifesp do departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE). Integra o Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e participa da Rede Escola Pública e Universidade (Repu).

 

Fernando Cássio é doutor em Ciências e professor da UFABC, onde integra o grupo de pesquisa “Direito à Educação, Políticas Educacionais e Escola” (DiEPEE). Integra o Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e participa da Rede Escola Pública e Universidade (Repu).

 

José Alves da Silva é doutor em Educação e professor da Unifesp, onde é pesquisador do PECMA (Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática). Participa da Rede Escola Pública e Universidade (Repu).

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

 

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“Sorria, você está sendo colonizado”: tecnologia é instrumento de poder entre países

Estados Unidos usam a Internet para perpetuar a colonização de países do Sul global

 

Os colonizadores são os mesmos, mas agora navegam na onda da Internet. As nações imperialistas fazem da tecnologia uma ferramenta de perpetuação de poder e repetem, on-line, as técnicas de exploração contada nos livros de História.

 

 

“Chamamos esse fenômeno de ‘beta colonialismo’, e ele funciona a partir da extração de dados das nossas vidas sociais”, explica Ulisses Mejias, professor de Comunicação na Universidade de Oswego e co-autor do livro “The Cost of Connection”, ao lado de Nick Couldry.

 

Ainda segundo o pesquisador, muita gente acha “exagero” chamar esse fenômeno de colonização, mas ele defende o uso acertado da palavra. “Não é nenhuma metáfora, é intencional porque é, de fato, um processo de colonização.”

 

Mejias pondera que há diferenças importantes, sobretudo no tipo de violência praticada. “Quando comparamos o velho e o novo colonialismo, não podemos comparar tudo ao pé da letra. No processo ‘antigo’, nós víamos genocídio e escravidão, o que não necessariamente acontece hoje”, aponta. Ele explica que “são modos, contextos e intensidades diferentes, mas a colonização on e offline se encontra em sua função, que é despojar e extrair”.

 

Apesar do resultado ser basicamente o mesmo, o professor alerta para os “sintomas” desse imperialismo 2.0. “Com colonizadores invadindo nossas vidas sociais, sentimos os efeitos em nossa saúde mental, no vício que criamos dessas tecnologias e no sistema narcisístico promovido por elas. Também vemos isso na dissociação cognitiva, com notícias falsas alterando nossa percepção da realidade”, afirma ao Brasil de Fato

 

Embora diversos países participem desses ataques, o professor de Comunicação e Estudos de Mídias Digitais na Ontario Tech University, Tanner Mirrlees, enxerga os Estados Unidos como um dos principais protagonistas dessa narrativa colonizadora. “O império norte-americano é sustentado, há tempos, por três pilares estruturais de poder: exército, tecnologia e cultura popular”, explica. 

 

O professor assina o livro Global Entertainment Media: Between Cultural Imperialism, em que explora como o chamado GAFAM, grupo composto por Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft, é crucial para a manutenção dos poderes estadunidenses. “O Vale do Silício alimenta nossa força econômica que, por sua vez, abastece o poderio militar, tecnológico e cultural”, afirma. 

 

Para dimensionar a relevância desse poderio, Mirrlees conta que das 161 corporações digitais listadas na Forbes 2000, quase metade tem sede nos Estados Unidos. “Mas as maiores mesmo, Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, são americanas. Juntas elas movimentam o capitalismo digital e correspondem a 9% de todo o PIB [Produto Interno Bruto] dos EUA”. 

 

Crítico ferrenho do imperialismo on-line, o pesquisador pede cautela quanto às bandeiras associadas ao movimento. “O ‘beta colonialismo’ pode abastecer tanto os discursos alinhados à direita, quanto à esquerda, então é preciso estar muito atento às nuances do processo”, finaliza.

 

Esse cuidado, para Joseph O. Boyd-Barrett, professor de Comunicação na Universidade Estadual da Califórnia Channel Island, tem que transbordar das mídias sociais e invadir todas as fontes de informação. “Os ditos ‘países do Sul’ dependem de organizações baseadas no Norte para obter informações sobre o mundo, mas também para produtos de entretenimento”, aponta.

 

O professor reconhece que a mídia brasileira muita própria força, mas acena para o recorte dado por ela. “A imagem do mundo que as pessoas no Brasil estão recebendo é uma imagem que foi compilada por organizações como Reuters ou AP [Associated Press] que são, é claro, sediadas nos Estados Unidos.”

 

Combater um processo tão longo de colonização não é fácil, sobretudo porque a internet está nas mãos de corporações, que conseguem com alguma facilidade manipular o sentimento social. Boyd-Barrett defende a conexão direta com vozes plurais como forma de “combate”.

 

Do Jornal Brasil de Fato/Edição: Camila Maciel

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