RETROSPECTIVA 2020 | Sinpro enfrenta mentiras do governo federal e identifica as dores da categoria
Jornalista: Maria Carla
No Dia 1º de Maio, embora estivesse envolvido em várias lutas em diversas frentes, o Sinpro-DF não deixou de comemorar o Dia do Trabalhador, como sempre fez em seus mais de 40 anos de história. O lema de 2020 foi “Solidariedade, saúde, emprego e renda”.
Era mais um mote para impulsionar o enfrentamento às políticas de ataque à classe trabalhadora do governo federal. Mesmo diante da crise econômica criada pelo seu próprio governo, agravada pela pandemia do novo coronavírus, Jair Bolsonaro, sem nenhum pudor nem empatia com nenhum ser humano, decidiu congelar os salários dos servidores públicos.
Com chantagens e mentiras, ele inseriu um veto ao projeto sobre ajuda financeira a estados e municípios em tempos de pandemia, condicionando o repasse da verba à proibição do reajuste salarial para os servidores. Lutamos e garantimos, no Senado, a derrubada desse veto. Contudo, na Câmara, após uma manobra da ala aliada a Bolsonaro, o veto foi mantido, prejudicando milhares de servidores.
Paralelamente a isso, e sempre preocupado com o adoecimento da categoria, o Sinpro-DF realizou a pesquisa “A dor da gente”, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), para otimizar a atuação do sindicato nas causas do sofrimento dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. Foram lançadas duas pesquisas virtuais, disponibilizadas no site, sobre o retorno às aulas presenciais: uma, com pais, mães e responsáveis; e, outra, com a própria categoria.
Os resultados da pesquisa pautaram a imprensa local e interferiu na opinião pública, já que o repúdio ao retorno presencial às aulas foi, declaradamente, identificado. “Exigimos do Governo do Distrito Federal (GDF) e garantimos um tempo maior para sugestões ao plano de retorno virtual às aulas e para a formação dos professores e das professoras nesta nova realidade”, lembra a diretoria colegiada. Confira no vídeo.
Vazamento de dados ajudou golpistas no Golpe do Telefone
Jornalista: Luis Ricardo
O megavazamento de dados de 223 milhões de CPF’s, 40 milhões de CNPJ’s e 104 milhões de registros de veículos aparentemente tem sido utilizado por quadrilhas para praticar golpes em trabalhadores(as). Uma das categorias que mais têm sido afetadas são os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.
O Sinpro tem alertado frequentemente sobre a atuação de golpistas que se passam por diretores, ex-diretores ou funcionários da Secretaria de Assuntos Jurídicos, Trabalhistas e Socioeconômicos do sindicato para extorquir dinheiro das vítimas. Mesmo após publicação de matérias informando a categoria sobre a atuação destes criminosos, a diretoria do sindicato continua recebendo denúncias de que sindicalizadas(os) estão recebendo ligações telefônicas destes golpistas.
O Sinpro-DF já denunciou várias vezes a situação à Polícia Civil do Distrito Federal e continua atento para que não haja nenhum tipo de prejuízo às(aos) filiadas(os). Portanto, é preciso atenção e cuidado redobrado para não cair neste golpe.
Clique aqui e confira a matéria que informa o vazamento de dados.
UnB realiza cerimônia de lançamento do Observatório da Educação Básica
Jornalista: Luis Ricardo
A Universidade de Brasília (UnB) realiza nesta sexta-feira (05), às 18h, a cerimônia de lançamento do Observatório da Educação Básica com transmissão pelo canal da UNBTV no Youtube (https://youtu.be/Khe2P3EQhRw). O Sinpro compõe o Observatório.
O Observatório de Educação Básica da FE-UnB é um espaço democrático de articulação com a sociedade que oportuniza o diálogo com profissionais da Educação Básica e Superior; pesquisadores(as) da Universidade de Brasília (UnB) e de outras instituições de educação superior; entidades representativas de estudantes e professores(as); Secretaria de Educação do DF/Escola de Aperfeiçoamento do Profissional da Educação; Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE); Associações de pais, mães ou responsáveis; Sindicatos e Conselhos de Educação, e demais interessados em questões relacionadas à Educação básica.
RETROSPECTIVA 2020 | Campanhas contra a volta às aulas presenciais e solidariedade de classe
Jornalista: Maria Carla
Uma das palavras que marcaram o mês de abril foi solidariedade. A política neoliberal do governo Bolsonaro em conjunto com a falta de gestão da pandemia, levou empresários a demitirem uma gigantesca quantidade de trabalhadores. Diante do desemprego e da fome crescentes, participamos da campanha “Quem Tem Fome, Tem Pressa” e realizamos a Rede Solidária de Educação, com doação de cestas básicas, produtos de higiene pessoal, máscaras e álcool em gel.
Colaboramos a população e com o Governo do Distrito Federal (GDF) e colocamos os espaços físicos do sindicato à disposição do sistema público de saúde para realização do atendimento às vítimas da Covid-19. Enquanto a solidariedade foi a atitude que definiu nossas ações, a crueldade deu o tom à movimentação do governo federal.
A base aliada ao governo Bolsonaro, na Câmara dos Deputados, aprovou a chamada Carteira Verde e Amarela e aprofundou os prejuízos já trazidos pela reforma trabalhista. No mesmo mês, foi desmascarado que o Gabinete do Ódio, atuando dentro do Palácio do Planalto, foi articulado para desmantelar a democracia.
Aliado do governo Jair Bolsonaro, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou o retorno presencial das aulas nas escolas militarizadas. Reagimos com firmeza. Lançamos a campanha “A Educação Não Pode Morrer”, com intensa divulgação nos meios de comunicação. O governador persistiu no retorno presencial das aulas. A nossa resposta foi o fortalecimento da luta. Lançamos nova campanha com o título “Não somos cobaias!”
Ibaneis anunciou que o retorno das aulas estava previsto para 18 de maio. Continuamos firmes na luta, mesmo diante do anúncio do retorno das aulas para o dia 18 de maio. O resultado foi a ação do Ministério Público na Justiça para obrigar o governador a manter o isolamento social.
No dia 30 de abril, um dia antes do Dia do Trabalhador, Ibaneis anunciou a aplicação das novas alíquotas previdenciárias para servidores do GDF. Imediatamente, o Sinpro-DF iniciou a luta contra mais este ataque ao funcionalismo público.
Com Bolsonaro e Congresso alinhados, direitos trabalhistas estão na mira
Jornalista: Luis Ricardo
O presidente Jair Bolsonaro comemorou as vitórias de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para os comandos da Câmara e do Senado. A expectativa do empresariado é que o alinhamento desses poderes possibilite mais uma rodada de retirada de direitos trabalhistas no Congresso. Uma das medidas que deve voltar à discussão é a nova e famigerada “carteira verde e amarela“, uma forma de contrato precário que beneficia com isenções fiscais os empregadores.
“Outras violações dos direitos dos trabalhadores vão vir. E têm chance de serem aprovadas. São vários projetos, como a ampliação do trabalho intermitente, essa carteira verde e amarela do Guedes, que é um horror. Um abuso contra a classe trabalhadora”, afirmou a cientista política Roseli Coelho, em entrevista ao repórter Jô Miyagui, para o Seu Jornal, da TVT.
Roseli afirmou, além disso, que Bolsonaro cogitou governar sem o Parlamento. Mas o apoio a Lira e Pacheco, com a liberação de cargos e R$ 3 bilhões em emendas, demonstram uma guinada. “Viu que era impossível, porque o Parlamento, de modo geral, é o universo nele mesmo. São interesses específicos.”
Da mesma forma, o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) disse que o governo jogou “pesadíssimo” para fazer os seus candidatos. “Isso demonstra o interesse direto do presidente Bolsonaro nessa eleição, com interesses específicos de proteger ele, sua família e seus aliados milicianos. Isso interferiu sim no voto e no resultado final”.
De acordo com o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) Alexandre Conceição, o acordo fisiológico do governo com o Centrão também visa a garantir blindagem ao governo contra os crimes cometidos durante a pandemia. “O povo brasileiro sai perdendo, a democracia sai perdendo. E cabe a nós, os movimentos sociais, fazer aquilo que estamos fazendo: alertar o povo e convocar para mobilizações.”
Escola do campo de Planaltina promove Concurso de Desenho para criação da bandeira da escola
Jornalista: Luis Ricardo
Um sonho antigo da diretora Magda Camarda Bernardes, que atua na gestão da Escola Classe Núcleo Rural Córrego do Atoleiro desde 2006, tornou-se realidade no fim do ano letivo de 2020: criar uma bandeira que representasse a identidade da escola. Graças ao envolvimento de estudantes, professores(as), coordenadores(as), orientadores(as) e da equipe gestora da escola, o Projeto de Criação da Bandeira da Escola começou com um vídeo contando a história da criação da U.E. Logo após assistirem e debaterem o tema com as professoras, tudo de forma virtual, estudantes do 1⁰ ao 5⁰ ano do Ensino Fundamental puderam expor suas ideias e criatividades por meio de desenhos, que foram postados na Plataforma Google Sala de Aula e/ou WhatsApp.
Dos 45 desenhos recebidos pelos meios digitais, cinco foram classificados para a final, na qual somente 1 foi selecionado. A votação, que também ocorreu de forma digital, envolveu a comunidade escolar, antigos servidores(as) e convidados especiais, incluindo o Sinpro-DF, como jurados do concurso, que elegeu o desenho para representar a bandeira da escola. Os melhores trabalhos foram premiados com kits de material escolar e livros de literatura infantil. A primeira colocada também recebeu uma mochila escolar.
Para a diretora da Escola Classe, a iniciativa é um modelo adotado para estimular nos alunos o prazer de estudar, recebendo uma escola recém-reformada e ampliada quando voltarem as aulas presenciais, e já com a bandeira confeccionada, baseada no desenho feito pela aluna Mariana Fogaça, de 9 anos de idade, vencedora do concurso. Mariana é aluna da professora Sadênia, do 3⁰ ano B. “Eu amo minha escola e a forma que somos tratados aqui, pois somos todos iguais, sempre muito unidos”.
Realizada com o sucesso do concurso, a professora explicou que o desenho vencedor tem um grande significado. “O azul representa o céu, o verde representa a nossa vegetação, já que temos um parque chamado Retirinho, que fica em frente à escola, as crianças representam a diversidade, a terra mostra o local onde estamos, ou seja, uma área rural, e a água mostra o córrego que dá nome à escola: córrego do Atoleiro”, explica Sadênia.
Mesmo diante de tantas dificuldades em relação às aulas não presenciais e atividades remotas, a diretora Magda Camarda ressalta que o projeto foi um grande sucesso. “Durante todo este ano letivo, marcado por grandes desafios, a educação mais do que nunca teve que se esforçar muito para continuar a cumprir fielmente sua função social”, conclui a diretora.
Já estão abertas as inscrições para formação EAD de professores no Projeto Cidadania e Democracia desde a Escola
Jornalista: Luis Ricardo
O Instituto Auschwitz para a Prevenção de Genocídio e Atrocidades Massivas (AIPG), ONG internacional que atua na área de prevenção às violações de direitos humanos, abriu as inscrições para o Projeto Cidadania e Democracia desde a Escola. O projeto é realizado desde 2016 por meio de uma construção participativa envolvendo professores(as), estudantes, além de entidades governamentais e não governamentais. Os(as) interessados(as) devem realizar a inscrição até o dia 16 de fevereiro exclusivamente por meio do formulário eletrônico disponível no link https://forms.gle/g3beGwBqZVSxSLFQ9.
Ao todo serão ofertadas 60 vagas para três cursos de 20 participantes cada. O resultado final será divulgado entre os dias 19 e 22 de fevereiro. O curso é completamente gratuito.
Desde 2018 o projeto já envolveu um total de 220 professores(as) e uma média de 4 mil estudantes nos estados de São Paulo, Paraíba e Brasília. No ano passado, o Instituto Auschwitz fez parcerias com mais secretarias estaduais de educação, com o objetivo de expandir o projeto para mais localidades.
O edital desta formação EAD é direcionado para docentes no Brasil atuantes nos anos finais do Ensino Fundamental, no Ensino Médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou do Sistema Socioeducativo. Além disso, os(as) candidatos(as) deverão ter acesso à internet para poder participar do curso de formação online por meio da plataforma de capacitação Moodle. O curso ocorrerá durante seis semanas, entre os dias 22 de fevereiro e 2 de abril, e tem previsão estimada de 6h de trabalho por semana, organizadas de forma livre pelos participantes.
Os critérios de seleção incluem:
a) A motivação e o interesse do(a) docente em participar na formação e implementar o projeto;
b) A pluralidade de contextos socioeconômicos e geográficos dentro dos quais as escolas estão inseridas.
Como funciona?
Os(as) docentes selecionados(as) participarão – entre os 22 de fevereiro e 2 de abril – de uma capacitação online de 30h de duração por meio da plataforma Moodle em três grupos de 20 participantes, acompanhados por tutores(as) que estarão disponíveis para dúvidas durante toda a formação.
O conteúdo disponibilizado virtualmente abordará os princípios metodológicos e temas referentes ao projeto, incluindo também indicação de leituras e mídias para aprofundamento. Organizados em cinco módulos, os conteúdos do curso deverão ser finalizados em seis semanas, com uma dedicação máxima de 6h de estudo por semana e módulo.
Não há a previsão de videoconferências nem nenhum outro tipo de atividade simultânea, o que significa que o participante deverá concluir as atividades propostas de maneira individual de acordo com sua disponibilidade e capacidade, dentro do período previsto para a capacitação.
Ao final do curso, os/as professores/as participantes que realizarem todas as atividades propostas receberão um certificado emitido pelo Instituto Auschwitz e farão parte da rede de professores/as parceiros/as.
Saiba mais
A metodologia do projeto Cidadania e democracia desde a escola foi estruturada em consonância com o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos e a Base Nacional Comum Curricular, e contempla temas a serem trabalhados transversalmente pelos(as) professores(as), que incluem identidade, igualdade e discriminação; diálogo plural, respeito e tolerância; solidariedade, empatia e cooperação; democracia e direitos humanos; cidadania responsável, fortalecimento e participação da juventude; sustentabilidade, meio ambiente, mundo global, mídia e comunicação.
Todas as atividades foram realizadas com apoio de um caderno pedagógico metodológico construído para facilitar a consolidação dos métodos e apoiar a aplicação e o desenvolvimento dos eixos temáticos, tornando-se uma ferramenta de suporte ao(à) docente e em permanente construção para dialogar com a realidade dos(as) estudantes.
Inscrições para o projeto Cidadania e Democracia desde a Escola
Data: Até 16 de fevereiro de 2021.
Local: exclusivamente pelo link: https://forms.gle/g3beGwBqZVSxSLFQ9.
Total de vagas: 60
Divulgação do resultado final: 19 de fevereiro de 2021
Data da formação: entre 22 de fevereiro e 2 de abril.
RETROSPECTIVA 2020 | Começa a pandemia e aprofunda a luta do Sinpro pela vida
Jornalista: Maria Carla
Nos dez primeiros dias de março, realizamos uma série de ações essenciais para garantir a valorização do profissional do magistério público e os direitos humanos. A primeira delas foi o ato que resultou na nomeação de 821 professores(as) aprovados(as) no concurso de 2016.
Mobilizamos para a greve nacional da categoria. Construímos o espaço para um debate organizado com gestores(as) a fim de fortalecer a gestão democrática. Realizamos um ato pela vida das mulheres, contra o racismo, o machismo e o fascismo e estivemos presentes nas audiências públicas que debateram o Fundeb Permanente.
Em meados de março, começamos a viver a pandemia da Covid-19. O Sinpro-DF se posicionou, intransigente e imediatamente, em defesa da vida. Suspendeu os atos presenciais e passou a cobrar do Governo do Distrito Federal (GDF) a manutenção da suspensão das aulas e outras providências para conter o avanço do novo coronavírus. Em todo o mês, realizamos campanhas de conscientização para a sociedade sobre os riscos da pandemia e a necessidade dos cuidados para contenção da Covid-19.
Promovemos, nas mídias virtuais, o contato diário, virtual, com a nossa categoria. Incrementamos o TV Sinpro e lançamos o Saber Viver em Casa, ambos pela TV Comunitária. Realizamos, durante o ano, 90 edições que levaram informações, entretenimento, espaço de fala e escuta para a categoria e para os estudantes.
Realizamos cerca de 40 lives com temas variados e muita cultura. Tudo isso para nos mantermos presentes e conectados com a vida da nossa categoria durante o isolamento. Graças a nossa luta virtual, conseguimos caminhar na contramão do que aconteceu em outros estados e municípios e garantimos a manutenção dos empregos e dos salários de professores(as) em regime de contrato temporário.
Com essa luta evitamos a demissão de 11 mil professores(as) no momento que mais precisariam de seus empregos. Também nos somamos à greve geral pela educação e às ações pela aprovação do Fundeb Permanente realizadas, de forma inédita, virtualmente. Fortalecemos a luta nacional das centrais sindicais em defesa da Renda Emergencial para trabalhadores informais durante a pandemia.
O vídeo, a seguir, faz um resumo destes momentos. Confira.
PARTICIPE| DIÁLOGO SOBRE A DENGUE NO AMBIENTE ESCOLAR
Jornalista: Leticia
Não é de hoje que os casos de dengue no Distrito Federal preocupam diariamente a população. Só no ano de 2020, o quadradinho registrou uma média preocupante de 47.704 casos prováveis de dengue. É comum dentro das nossas casas, o diálogo sobre o assunto, porém no ambiente escolar, parece ser uma realidade distante, pelo menos no DF.
Foi isso que o Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde – LabECoS da UnB, descobriu durante pesquisa realizada em diversas cidades pelo país com professores(as) da rede pública e privada. Durante o período em que ocorreu a pesquisa de campo, foi perceptível a importância de uma capacitação voltada para os profissionais da educação sobre a temática das arboviroses dengue, zika e Chikungunya.
O projeto Arbocontrol nas escolas é fruto de uma pesquisa nacional, realizada pelo (LabECoS/UnB), em parceria com outras instituições federais de ensino do Brasil, com o apoio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde (MS). A pesquisa nacional teve início em 2017 e buscou conversar com professores da rede pública, profissionais da saúde e moradores de 16 municípios entre as cinco regiões do país.
Com tamanhas experiências e descobertas durante as investigações, o projeto ganhou forças e agora pretende levar aos profissionais da educação pública, um curso totalmente virtual sobre metodologias ativas, a importância do PSE e das PICS no âmbito das arboviroses. O curso terá a duração de 180/horas aulas. Além do acesso gratuito, os participantes serão certificados como extensionistas pela Universidade de Brasília.
O período de inscrição será disponibilizado em breve no site. Para mais informações, acesse aqui.
Seminário pedagógico da CNTE debate ensino híbrido e enfrentamento à precarização do trabalho docente
Jornalista: Leticia
Na manhã desta terça-feira (2), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) promoveu o seminário pedagógico para debater o ensino híbrido e o enfrentamento à precarização do trabalho docente. O encontro reuniu mais de 500 participantes de todas as regiões do país, incluindo representantes dos sindicatos, diretores e diretoras da CNTE e a participação especial da professora de didática da Unirio, Maria Luiza Süssekind, primeira secretária da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).
O presidente da CNTE, Heleno Araújo, explica que o encontro se propõe a pensar novas práticas pedagógicas para o momento de pandemia de Covid-19 que estamos enfrentando: “Vamos elaborar propostas para o enfrentamento necessário. Estão impondo medidas e ações que nos preocupam na ordem do emprego e da entrada do setor privado dentro da educação pública. Por isso é importante ouvir o que os estados estão trazendo para que possamos juntos encontrar formas e fazer o enfrentamento necessário”, ressaltou.
Panorama internacional
O secretário de Relações Internacionais da CNTE, Roberto Franklin de Leão, compartilhou um breve relato sobre a situação mundial: “A Internacional da Educação (IE) tem discutido o retorno às aulas. A grande preocupação dos trabalhadores é como se dá esse retorno às aulas presenciais, como fica a vida dos trabalhadores a partir do que vier a acontecer com o fim da pandemia e do que já está acontecendo, o ensino híbrido e como fica a jornada de trabalho”. Ele também mencionou preocupação com a privacidade: “O país inicia o retorno às aulas e os trabalhadores da educação já tiveram sua privacidade violada a partir do momento que começaram o ensino a distância. O celular do profissional já está na mão de todo mundo, horário de trabalho não existe, e isso é uma coisa que precisamos debater, precisamos regrar essas questões, para que possamos viver a nossa vida com o mínimo de privacidade”.
A secretária geral da CNTE, Fátima Silva, que também é vice-presidente da Internacional da Educação para América Latina (IEAL), falou sobre a experiência de países vizinhos: “Em todo continente estamos em um grande debate. O Uruguai se destaca por ser o país que menos tempo fechou as escolas, mas isso ocorreu por conta de um sistema de saúde bem consolidado, e que controlou a pandemia. A Argentina colocou professores na prioridade da vacina”, destacou.
Na avaliação de Fátima Silva, o setor da educação é o que mais sofreu profundas transformações, os negócios educacionais se incrementaram nas compras de plataformas virtuais e compras de equipamentos eletrônicos: “Isso traz mudança do nosso modelo de trabalho – todas as análises mostram que esse modelo mesclado com o virtual, híbrido, veio para ficar. Como dirigentes sindicais vamos fazer negociação no setor público e no setor privado. Então esse seminário é para dar unidade na nossa ação e conhecimento para aquilo que está acontecendo em nosso país, pra ter como parâmetro, e não como cópia”.
Desafios no Brasil
Os participantes do seminário relataram diversas situações de sobrecarga de trabalho, ausência de acessibilidade e de apoio para desenvolver o ensino híbrido. Em alguns estados os governos cortaram auxílios, verbas indenizatórias e horas extras, sendo que trabalhadores e trabalhadoras tiveram que investir do próprio bolso em equipamentos e internet.
A professora Maria Luiza Süssekind, da Anped, começou sua intervenção abordando a desvalorização da categoria: “Nós somos uma categoria vítima de demonização, de um tipo de ataque que é um processo de demonização porque o professor está sempre aquém do que a sociedade exige. Mas nós temos toda a qualificação necessária para estar na sala de aula, abrimos nossas casas, estamos trabalhando muito mais do que nossas cargas horárias”. Na avaliação dela, a pandemia é atravessada por questões globais e esgarçou questões que já existiam: “As infraestruturas escolares, o excesso de trabalho, os problemas de acessibilidade, de insatisfação dos docentes, tudo isso mostra o número de trabalhadores que já eram insatisfeitos com o que faziam. E sobretudo há a exposição, profissionais estão expostos e controlados. Estamos assistindo um barateamento em todos os níveis, um crescimento da aceitação do homeschooling, se valendo de uma aliança nefasta da pandemia com o ensino remoto, abrindo portas para a vaucherização”.
A secretária da Anped, Maria Luiza Süssekind, trouxe também o debate de gênero e do trabalho infantil que atravessa a educação pública: “O cenário que temos hoje a enfrentar é complicado do ponto de vista educacional, da saúde e econômico. Mas é preciso fazer um corte de gênero, raça e classe. Os índices de violência e feminicídio cresceram assustadoramente e as vítimas são as mulheres pobres e negras. O índice de trabalho doméstico aumentou, são os filhos jovens das empregadas domésticas que não estão indo às aulas porque estão cuidando dos irmãos menores. É preciso contar que está crescendo o trabalho infantil nas ruas e dentro das casas”.
Na avaliação de Maria Luiza Süssekind, para enfrentar essa situação é preciso trabalhar com o conceito de ensino remoto emergencial: “É preciso criar modelos híbridos, é preciso ter tempo, planejamento, para criar esse modelo. Não é possível operar desse modo sem gestão democrática. Não podemos continuar entendendo que currículos podem ser espalhados e o professor que se vire – não é possível reduzir ensino a currículo”. Para a professora, é preciso confiar na autonomia e competência dos professores e comunidades escolares: “Nós precisamos inventar os currículos, mudar a seriação, parar o isolamento do professor. Nós existimos em rede, não podemos colocar a política pra gente competir entre nós mesmos. Precisamos enfrentar a disciplinarização, o paradigma da aula expositiva, precisamos de currículos que falem de vida, de morte. As mortes estão silenciadas, os sinos das igrejas não tocam. Que sociedade é essa que é majoritariamente católica mas que não cobra dos padres que os sinos dobrem?”.