Índia: falta de vacina é culpa de impasse criado por Brasil e países ricos

Na busca por se aliar aos interesses dos países ricos, de atender demandas de Donald Trump e em seu sonho de entrar na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o governo de Jair Bolsonaro passou os últimos meses atacando a proposta feita pela Índia ainda em 2020 para que patentes (direito de propriedade) sobre vacinas fossem abolidas. Um dos resultados seria permitir que a produção dos imunizantes pudesse ocorrer em laboratórios distribuídos pelo mundo. Agora, Nova Déli diz que é justamente a falta de produção de versões genéricas da vacina contra covid-19 que impede o abastecimento global de um imunizante. Nesta terça-feira, numa reunião fechada na (Organização Mundial do Comércio) em Genebra (Suíça), o representante indiano foi explícito em constatar que o “pior dos pesadelos” se confirmou diante da incapacidade de se encontrar um acordo: não há vacinas para todos. Sabendo de sua vulnerabilidade, o Itamaraty se manteve em silêncio durante a reunião de hoje na OMC, numa posição que se contrasta com os ataques que o governo promoveu desde setembro contra a ideia dos indianos. Mas o Brasil tampouco saiu em defesa do projeto.

 

25.jan.2020 - O presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em encontro em Nova Déli - Altaf Hussain/Reuters

 

O recuo foi interpretado como um sinal da debilidade em que se encontra o país na busca por vacinas. Elevar o tom das críticas, neste momento, poderia atrasar ainda mais o acesso aos imunizantes e enterraria o país para o final da fila na lista de pedidos que os indianos têm recebido. O silêncio em Genebra ocorreu no mesmo dia em que, no Brasil, Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo recebiam o embaixador da Índia, Suresh Reddy. Nos últimos meses de 2020, o Itamaraty chegou a ser acusado por ativistas estrangeiros de estar inundando o debate na OMC de perguntas aos indianos como forma de arrastar a negociação e enfraquecer a proposta. O Brasil comprou sua vacina da Oxford/AstraZeneca. Mas o produto é fabricado na Índia. O problema é que, com um governo nacionalista, Nova Déli dificultou a exportação dos imunizantes para permitir que sua campanha de vacinação fosse iniciada. Além disso, os indianos indicaram que vão começar a exportar as doses, mas, num primeiro momento, para seus aliados na região e vizinhos, num gesto geopolítico calculado. O primeiro lote de exportações será enviado para o Butão, ainda na quarta-feira. Um dia depois, dois milhões de doses da vacina também serão enviadas para Bangladesh. Não há uma data para o fornecimento ao Brasil.

 

Sem patentes, países poderiam estar produzindo vacina, defende Índia

Enquanto isso, porém, a Índia alerta que “um grande número de instalações de fabricação em muitos países com capacidade comprovada para produzir vacinas seguras e eficazes são incapazes de utilizar essas capacidades devido a novas barreiras de propriedade intelectual”. Esta é a prova, na opinião da Índia, de que o atual sistema de patentes não é suficiente para atender a enorme demanda global de vacinas e tratamentos.

Segundo o discurso da Índia, o que os países desenvolvidos disseram sobre a suficiência de tais acordos de licenciamento para aumentar as capacidades de fabricação se provou ser insuficiente. As licenças voluntárias, mesmo quando existem, estão envoltas em segredo, os termos e condições não são transparentes e o escopo é limitado a quantidades específicas, ou para um subconjunto limitado de países, encorajando assim o nacionalismo.

Nova Déli ainda colocou dúvidas sobre a capacidade de o mecanismo da OMS (Organização Mundial da Saúde) de distribuir vacinas poder ser uma solução. Países como África do Sul, Afeganistão, Paquistão, Zimbábue, Egito, Mongólia, Chade, Indonésia, Nepal, Bangladesh, Sri Lanka, Camboja e Venezuela também falaram em apoio à proposta. A OMS também é favorável à ideia indiana de quebrar patentes.

 

Brasil abandonou sua posição tradicional

O projeto de democratizar vacinas conta com uma forte rejeição por parte dos países ricos, detentores das patentes. O Brasil, desde o começo do projeto, foi o único país em desenvolvimento a declarar abertamente que era contra a proposta, abandonando anos de liderança internacional para garantir o acesso a remédios aos países mais pobres. Há 20 anos, foi a ação internacional do Brasil que levou a OMC a estabelecer regras para permitir um maior acesso a remédios. Naquele momento, a luta era para enfrentar a aids. A liderança se transformou em um dos maiores ativos da política externa de FHC e Lula. A quebra de patentes acabou ocorrendo num caso, sob a gestão do então ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Mas foi o papel assumido pelo governo nas negociações que catapultou o país para um outro patamar no debate internacional. Para rebater os indianos, Europa, Estados Unidos e Japão insistiram que a quebra de patentes não resolveria a questão do abastecimento de matérias-primas. Eles também enfatizaram que o atual sistema contém ferramentas suficientes para resolver quaisquer problemas relacionados à propriedade intelectual e que a implementação da proposta de renúncia minaria os atuais esforços para combater a pandemia. Um dos impactos seria afastar investimentos do setor privado. Esses países observaram que embora haja financiamento público para pesquisa e desenvolvimento, a produção e distribuição das vacinas continua sendo um risco de investimento para o setor privado. 

 

Reprodução: UOL

 

Governo Bolsonaro foi alertado sobre colapso em Manaus 10 dias antes, diz ‘Pública’

Reportagem da ‘Agência Pública’ publicada nesta segunda-feira (18) revela que um relatório do Ministério da Saúde de 4 de janeiro apontava “possibilidade iminente de colapso” do sistema de saúde em Manaus

 
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Uma reportagem publicada pela ‘Agência Pública’ revela que o governo Bolsonaro fora alertado sobre o risco de colapso do sistema de saúde em Manaus (AM) 10 dias antes da falta de oxigênio. O documento foi produzido pelo Ministério da Saúde e data de 4 de janeiro, antes, portanto da visita do ministro Eduardo Pazuello à capital amazonense.

“O diagnóstico foi a principal conclusão de uma comitiva do Ministério da Saúde que visitou a capital do Amazonas mais de uma semana antes do colapso no sistema de saúde local”, descreve a reportagem da ‘Pública’. “Exatos 10 dias depois, hospitais de Manaus esgotaram suas reservas de oxigênio com pacientes morrendo por asfixia”.

Ainda de acordo com a agência de jornalismo investigativo, a pasta também identificou dificuldades na compra de materiais para consumo hospitalar, como medicamentos e equipamentos, problemas na contratação de profissionais de saúde habilitados para trabalhar nas UTIs, além da urgência em providenciar novos leitos rapidamente para os pacientes em espera desde o inicio de janeiro.

“O governo também já sabia da possibilidade de transferência de pacientes para hospitais universitários federais de todo o Brasil e para a rede de saúde no Rio de Janeiro”, revela a agência de notícias. Ainda de acordo com a Pública, o relatório foi enviado pela Advocacia Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal no domingo (17).

A pasta, informa a agência, vinha alertando sobre os problemas em Manaus desde dezembro, quando identificou um aumento expressivo de casos e internações. O quadro levou Pazuello a reunir-se com técnicos da pasta para tratar do assunto. Foi quando decidiu-se pela viagem para Manaus.

“No dia 6 de janeiro, o Ministério da Saúde publicou o “Plano Manaus”, com decisões para o governo federal e também orientações às administrações estaduais e municipais para lidar com o colapso iminente”, observa a reportagem, para em seguida apontar o fracasso do governo na resolução da crise para evitar mortes.

“A atuação do Ministério da Saúde, contudo, ocorreu tarde demais para Manaus. Em documento do dia 17 de janeiro, o governo reconhece que “os casos de hospitalização seguiram subindo” nos dias seguintes à execução do ‘Plano Manaus’”, afirma a agência.

Reprodução: CUT

Brasil passa de 210 mil mortes e 8,5 milhões de casos de Covid-19

Em meio às trapalhadas com horários e logísticas das vacinas aos estados, país enfrenta uma explosão de casos e mortes de Covid-19

 
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No dia que começou a imunização contra a Covid-19, o Brasil ultrapassou a marca de 210 mil vidas perdidas e 8,5 milhões de pessoas infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. Foram 460 novas mortes e 29.133 novos casos da doença em todo o país registrados em 24 horas.

De acordo com a média móvel divulgada pelo consórcio de imprensa, 959 pessoas morreram em média em todo o país nos últimos sete dias, o que representa uma variação de 33% na comparação com 14 dias anteriores. O país  registra 11 dias com tendência de aceleração da doença.

O Brasil é o segundo país com maior número de mortes , atrás apenas dos Estados Unidos (398.142) , e o terceiro com o maior número de casos confirmados, também atrás dos EUA (23.992.252) e da Índia (10.571.773). Os números foram divulgados pela Universidade Johns Hopkins, centro de referência sobre a doença.

Em meio às trapalhadas com horários e logísticas de distribuição de vacinas aos estados, o Brasil enfrenta uma explosão de casos e mortes de Covid-19.

Explosão de casos em São Paulo

Em São Paulo, a propagação da covid-19 segue em ritmo acelerado. O estado teve a pior semana epidemiológica desde o início da pandemia, um aumento de 77% no número de novos casos ante a semana anterior, e de mais de 50% no total de mortes. Já as internações tiveram um aumento em torno de dos 30%.

O estado superou a taxa de 70,1% de lotação nos leitos de Unidades de Terapias Intensivas (UTIs). São 6.004 pessoas ocupando esses leitos – um patamar semelhante ao de agosto, com uma média de 1.747 internações por dia, frente às 1.733 registradas naquele período. Ao todo, foram 49,9 mil mortes e 1,6 milhão de infectados pela covid-19.

Na semana passada, São Paulo registrou uma média diária de 11,3 mil novos casos, superando a média de 10,8 mil casos por dia em agosto de 2020.

Nova cepa do coronavírus no AM é grave e letal entre jovens

Médicos e enfermeiros de Manaus têm relado a velocidade e a gravidade da evolução da covid-19 em pacientes que buscam os prontos-socorros. Segundo eles, o que tem chamado a atenção dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente é que a “nova” Covid-19 mais transmissível tem gerado casos mais graves e letal entre os jovens.

Segundo registros de óbitos nos últimos 30 dias, quatro em cada dez vítimas fatais tinham menos de 60 anos no estado. A doença, inclusive, vem formando infecções mais graves e em menos tempo do que ocorreu na primeira onda.

Jornal Le Monde fala da crise em Manaus

Na edição desta terça-feira (19), o jornal francês Le Monde, um dos principais daquele país, destacou a crise sanitária em Manaus, no norte do Brasil. Manaus (AM) é a capital mais atingida por uma segunda onda de coronavírus e enfrenta falta de oxigênio, o que, segundo o texto do jornal, “põe em risco a vida de milhares de pacientes”. 

Ainda segundo o jornal, apenas no dia 14 de janeiro, 2.516 novos casos de Covid-19 foram diagnosticados na cidade, 800 a mais do que no pior momento da epidemia, em maio de 2020. 

Mais de 93% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados, enquanto o número de mortes varia entre 50 a 60 por dia. O Le Monde destaca ainda que as enfermarias e os corredores dos hospitais estão cheios, enquanto novos doentes não param de chegar, a maioria com deficiência respiratória.

Estados

Com alta na média de mortes, aparecem nesta segunda 11 estados: Amazonas, Rondônia, Roraima, Tocantins, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. As maiores altas foram registradas no Amazonas e no Tocantins.

O Distrito Federal e dez estados aparecem com estabilidade: Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Mato Grosso, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Quatro estados têm queda na média de mortes: Acre, Paraíba, Mato Grosso do Sul e Paraná. As maiores quedas foram no Acre e em Mato Grosso do Sul.

Reprodução: CUT

O que você precisa saber sobre a vacina e a importância da imunização no país

Com o início da vacinação contra a covid-19 junto aos profissionais de saúde, muita gente ainda tem dúvidas sobre a sua eficácia e como será a programação. Listamos o que se sabe até agora sobre a imunização.

 

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A imunização contra a Covid-19, enfim, começou no Brasil nesta segunda-feira (18) após a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar no último domingo (17) o uso emergencial das vacinas CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan com o laboratório chinês Sinovac, e AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford , no Reino Unido, com a Fiocruz.

Os dois imunizantes são os primeiros aprovados no país para o combate da pandemia do novo coronavírus. Diante do negacionismo do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) em ver a doença como grave e contagiosa, e ainda propagar fake news como o uso da cloroquina como prevenção à Covid-19, listamos aqui as mais importantes informações verdadeiras que você precisa saber.

Para que serve a vacina?

Ainda sem uma campanha e um calendário de vacinação, as dúvidas recorrentes são: quem vai ser chamado primeiro?; quem já pode se vacinar; por que é importante a vacina; quem tomar pode virar jacaré?; quem não pode tomar?

Primeiro, ninguém vira jacaré por tomar vacina e se proteger do coronavírus. Essa foi mais uma informação falsa entre as dezenas de fake news divulgadas por Bolsonaro. Segundo, a vacina contra a Covid-19 é fundamental para frear a pandemia que já matou mais de 209 mil brasileiros e infectou mais 8 milhões de pessoas. Ela serve também para a reabertura das cidades e das atividades econômicas de forma segura.

O objetivo, no entanto, é: garantir que o sistema imunológico de boa parte da população esteja preparado para defender o organismo quando encontrar o vírus e, assim, evitar o desenvolvimento da doença.

Quando começa a vacinação?

Após pressão dos governadores, o Ministério da Saúde informou que a vacinação nacional contra a Covid-19 começaria nesta segunda-feira (18).  Porém, mais uma vez , a equipe do ministro da saúde, o general Eduardo Pazuello, fez trapalhadas com os horários e logística dos voos que levariam, nesta segunda-feira ,  as doses da CoronaVac de São Paulo para os demais estados brasileiros.

Apesar dos atrasos alguns estados, além de São Paulo,  começaram a vacinar seus profissionais de saúde Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Piauí, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Espírito Santo, Tocantins, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Mato Grosso, Paraná, Amazonas e Rio Grande do Sul. Todos os detalhes sobre a vacinação no Brasil ainda não estão claros, e há ainda incertezas devido a falta de insumos provenientes da China. O que se sabe até agora é que a Coronavac é a única vacina contra a doença no país que já está sendo distribuída.

A ideia do governo federal era começar a vacinação nesta quarta (20), porém os governadores pressionaram Pazuello a adiantar ainda mais o processo.

A imunização também começou nesta segunda-feira (18) em Campinas, interior de São Paulo. O governo paulista começa a distribuir doses, seringas e agulhas para imunizar funcionários de seis hospitais do estado: Hospital das Clínicas da USP em São Paulo; HC de Ribeirão Preto (USP); HC da Campinas (Unicamp); HC de Botucatu (Unesp); HC de Marília (Famema); Hospital de Base de São José do Rio Preto (Funfarme).

A Anvisa liberou o uso emergencial de 8 milhões de doses das vacinas sendo Coronavac (6 milhões) e Oxford/Astrazeneca (2 milhões). As doses da vacina de Oxford, que serão importadas da Índia, ainda não têm previsão de chegada ao país, após o fracasso de Bolsonaro em negociar com as autoridades daquele país, que se recusou a enviar o medicamento.

Quem vai tomar na 1ª fase?

A ideia é começar a imunização aos grupos prioritários que são: os profissionais de saúde da linha de frente no combate ao novo coronavírus, idosos que vivem em asilos com mais de 65 anos ou instituições psiquiátricas, indígenas e idosos a partir de 75 anos.

No entanto, após o recebimento das vacinas, caberá aos governos estaduais a data de início da vacinação e o agendamento dos grupos prioritários.

São Paulo, já começou a imunizar e distribuir as primeiras doses em profissionais da saúde e indígenas. O governo do estado pretende manter cerca de 1,4 milhão, um volume que não cobre a necessidades do número de pessoas prioritárias.

Cerca de 907,2 mil doses da vacina foram reservadas para os indígenas que vivem em aldeias, de acordo com o Ministério da Saúde. Ao todo, o país têm 6 milhões de doses da Coronavac.

Como saberei o lugar? O que precisa para eu me vacinar?

A aplicação deve obedecer uma ordem de grupos prioritários, a qual será divulgada pelo Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde nesta quarta-feira (20).

De acordo com a Pasta, se o paciente ainda não for cadastrado nas bases de dados do órgão, o profissional de saúde poderá registrá-lo no momento do atendimento. No entanto, nem o Ministério da Saúde e nem o governo estadual sabem quais documentos serão necessários para se vacinar.

Eficácia da Coronavac e Oxford

A eficácia das vacinas também é outro ponto questionado por boa parte da população brasileira. Ao dizer que a Coronavac tem 50,38% de eficácia na imunização; 78% em casos leves e 100% para casos graves,é natural que as pessoas se confundam com esses números.

Os números significam que quem tomou a vacina tem 50% de chances do vírus não se instalar e outros 50% de se contaminar, mas o importante é que quem se contamina tem 78% de chances de não tem nenhum sintoma. Outros 22% pode ter sintomas.  Porém 100% das pessoas que tomarem a vacina terão sintomas leves, sem gravidade, não precisando de internação em hospitais.

Eficácia da vacina AstraZeneca.

A vacina do Reino Unido, produzida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e a Fiocruz, ainda não chegou ao Brasil, mas está sendo utilizada em diversos países, como a Inglaterra.

A AstraZeneca apresentou uma eficácia média de 70,4% na última etapa de testes. Um pequeno grupo que tomou meia dose da vacina chegou a ter 90% de imunização, mas para a maioria, que tomou a dose completa, primeira aplicação e o reforço, a eficácia ficou em 62%.

O governo diz que as carteiras de vacinação conterão o nome da vacina aplicada para que as duas doses necessárias não sejam de diferentes origens, já que não se sabe o efeito que isto resultaria.

Também não há informações sobre possíveis reações das vacinas em mulheres grávidas.

Veja a quantidade de vacinas que será distribuída para cada Estado, a partir de suas regiões:

Região Norte – 296.520 doses

– Rondônia – 33.040

– Acre – 13.840

– Amazonas – 69.880

– Roraima – 10.360

– Pará – 124.560

– Amapá – 15.000

– Tocantins – 29.840

Região Nordeste – 1.200.560 doses

– Maranhão – 123.040

– Piauí – 61.160

– Ceará – 186.720

– Rio Grande do Norte – 82.440

– Paraíba – 92.960

– Pernambuco – 215.280

– Alagoas – 71.080

– Sergipe – 48.360

– Bahia – 319.520

Região Sudeste – 2.493.280 doses

– Minas Gerais – 561.120

– Espírito Santo – 95.440

– Rio de Janeiro – 487.520

– São Paulo – 1.349.200

Região Sul – 681.120 doses

– Paraná – 242.880

– Santa Catarina – 126.560

– Rio Grande do Sul – 311.680

Região Centro-Oeste – 415.880 doses

– Mato Grosso do Sul – 61.760

– Mato Grosso – 65.760

– Goiás – 182.400

– Distrito Federal – 105.960

Demora e descrédito da eficácia da vacina é culpa de Bolsonaro

A falta de planejamento estratégico do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) na condução da crise há quase um ano deixou o país sem agulhas, sem seringas e com poucas doses de vacinas para imunizar os brasileiros.

Mesmo com os altos números de mortes e contaminações no Brasil, a guerra ideológica travada no país em torno da vacina é assustadora, fazendo com que boa parte da população brasileira rejeite a CoronaVac, por ser desenvolvida na China.

Há meses, Bolsonaro utiliza este discurso inflamado de que não compraria “vacinas chinesas”, mas a realidade o fez mudar o tom das suas declarações, já na segunda-feira, após a autorização da Anvisa na utilização das vacinas inglesa e chinesa no país. Pelas redes sociais, o presidente afirmou que a vacina “não de nenhum governador, é do Brasil”.

A CUT, junto com as demais centrais, tem defendido a “vacina para todos” entre os cinco eixos para ação e mobilização unitária no ano de 2021. 

Reprodução: CUT

Sindicato dos Escritores realiza concurso de literatura aberto a moradores do DF

Em homenagem aos 60 anos de Brasília, o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal – Sindescritores, em parceria com o Instituto Fazer o Bem – IFOB, realizará o Prêmio Alan Viggiano de Literatura – Conto e Poesia. O concurso é aberto aos moradores do DF maiores de 16 anos e tem como tema Brasília: aqui vive a Esperança. Interessadas/os poderão se inscrever até 23h59 de 20 de fevereiro de 2021, exclusivamente pelo e-mail: premioalanviggiano2020@gmail. A premiação vai até o 20º lugar, sendo que os três primeiros lugares de cada categoria (conto e poesia) receberão prêmio em dinheiro. Clique no link para ver o regulamento completo http://bit.ly/3nSWRRy

O nome do Prêmio, Alan Viggiano, homenageia um grande escritor que nasceu em 1932, em Inhapim (MG). Filho de mãe costureira e pai caldeireiro, ele e o irmão Moacyr, também escritor, conheceram Ziraldo em Caratinga, e a amizade inspirou a criação de personagens da Turma do Pererê. Alan inspirou o macaco e Moacyr foi a inspiração para a criação do jabuti. Em 1963, Alan Viggiano, já bacharel em Direito, fez concurso para taquígrafo do Senado, transferindo-se para Brasília. Em 1965, publicou seu primeiro livro, Amanhece, romance. Em 1970, formou-se em Comunicação pela Universidade de Brasília. Em 1971, tornou-se assessor de imprensa da UnB. Trabalhou como jornalista em Última Hora e no Correio Braziliense. Em 1979, entrou para a Academia Brasiliense de Letras. Em 1983, tornou-se mestre em Literatura Brasileira pela UnB. Em 1984, entrou para a Academia de Letras e Artes do Planalto. É membro da Associação Nacional de Escritores, sendo quatro vezes presidente. Fundou o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, sendo seu primeiro presidente. Fundou a Editora André Quicé. Prêmios do autor na Academia Brasileira de Letras: “Afonso Arinos” (Contos), por “O Exilado”; “Francisco Alves” (monografia sobre o ensino fundamental no Brasil e sobre a língua portuguesa), por “Uma aventura linguística” e “Prêmio Coelho Neto” (Romance), por “Lisábria de Jesus”. Esta iniciativa também conta com o apoio institucional da Câmara do Livro do DF e do Instituto Voar Arte para Infância e Juventude.

Texto de Sindescritores, editado por Sinpro-DF

Anvisa aprova vacinas de Oxford e Sinovac; veja o que já está definido ou não sobre a vacinação no Brasil

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou neste domingo (17/1), por unanimidade, o uso das duas primeiras vacinas contra o coronavírus disponíveis em território brasileiro: a da Sinovac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a China, e a da Oxford-AstraZeneca, cujo pedido de uso emergencial foi feito pela Fiocruz — e cujo primeiro carregamento deve ser trazido da Índia por um avião fretado pelo Ministério da Saúde.

Na prática, quando os laboratórios forem informados oficialmente (e o Butantan assinar um termo de compromisso sobre a eficácia), a vacinação com os dois imunizantes estará autorizada a começar no Brasil.

O governo federal não estabeleceu uma data oficial para o início da vacinação no Brasil, mas o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem dito que a previsão é começar a imunização na quarta-feira (20/1), simultaneamente em todo o país — um plano colocado em dúvida por especialistas em imunização.

Em São Paulo, o governador João Doria havia planejado iniciar a vacinação no Estado em 25 de janeiro, mas afirmou que poderia antecipar a campanha de imunização a depender do aval da Anvisa – e já vacinou a primeira pessoa do país na tarde deste domingo. A Anvisa determinou que o Butantan precisava assinar um termo de compromisso antes de iniciar as aplicações.

“O Instituto Butantan – ligado ao Governo de São Paulo – informa que a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitida neste domingo, 17 de janeiro, comprova mais uma vez, e de forma inequívoca, a segurança e a eficácia da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela instituição em parceria com a biofarmacêutica Sinovac”, disse o Butatan em nota.

Em um momento de alta nas infecções e mortes por covid-19 no Brasil e de caos no sistema de saúde em cidades como Manaus, veja a seguir o que é certo ou duvidoso no processo de vacinação previsto até o momento para o país:

Quantas e quais vacinas já temos?

A decisão da Diretoria Colegiada da Anvisa se referiu às vacinas para as quais houve pedido formal de uso emergencial: a CoronaVac, produzida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a Oxford-AstraZeneca, cujo pedido foi feito pela Fiocruz.

A Anvisa destaca que, por enquanto, o que está em avaliação é o uso emergencial de vacinas ainda consideradas experimentais — portanto, os imunizantes, ao serem aprovados, ainda seriam usados em “caráter temporário, até que a vacina receba o registro definitivo no país”.

Uma tentativa de trazer 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca fabricadas na Índia fracassou na sexta-feira. Com um avião fretado pronto para trazer o imunizante, o governo brasileiro esbarrou em uma negativa do governo indiano e ainda aguardava, até o sábado, uma definição sobre a compra. O ministro Eduardo Pazuello afirmou que estão em curso negociações diplomáticas e que espera que as vacinas cheguem ainda nesta semana.

O governo federal diz contar com 6 milhões de doses da CoronaVac, a serem entregues pelo Instituto Butantan.

 

Dose da Sinovac sendo aplicada na Turquia
                                           Por enquanto, as vacinas mais próximas da aplicação no Brasil são a da Sinovac (acima) e a da AstraZeneca

 

No total, o Butantan diz já dispor de 10,8 milhões de doses da CoronaVac em solo brasileiro. “No final de março, a carga total de imunizantes disponibilizados pelo instituto é estimada em 46 milhões de doses”, diz o órgão.

Dá para vacinar em todos os Estados ao mesmo tempo?

A CoronaVac está justamente no centro de uma disputa entre o governador João Doria e o presidente Jair Bolsonaro, potenciais adversários políticos na corrida presidencial de 2022.

Doria programou a campanha de vacinação estadual por conta própria e pediu à Anvisa “senso de urgência” na aprovação das vacinas. Neste domingo, o governador comemorou a aprovação da CoronaVac e participou da cerimônia que vacinou a enfermeira Monica Calazans, do Instituto Emilio Ribas, a primeira a receber o imunizante fora dos testes clínicos.

Já o governo federal vinha dizendo que “todos os Estados receberão as doses ao mesmo tempo, garantindo a imunização gratuita e não obrigatória para todos os brasileiros e brasileiras”. Neste domingo, Pazuello afirmou que a distribuição de 6 milhões de doses da CoronaVac será feita a partir das 7h desta segunda-feira (17/1) para todos os Estados. Não está claro ainda quando as imunizações serão iniciadas.

Embora a primeira vacinação seja motivo para comemoração, para alguns especialistas em imunização, tanto o projeto federal quanto o projeto paulista podem ser problemáticos.

Considerando que os primeiros grupos prioritários (veja mais detalhes abaixo) totalizam cerca de 15 milhões de brasileiros, e inicialmente o governo federal espera contar com 8 milhões de doses (sendo que 2 milhões delas ainda não puderam ser buscadas na Índia) nos primeiros dias, “é claro que a conta não fecha”, diz Carla Domingues, epidemiologista que coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil de 2011 a 2019.

 

Monica Calazans, primeira pessoa a ser vacinada com a CoronaVac fora dos testes clínicos
                                                Enfermeira Monica Calazans foi primeira pessoa a ser vacinada com a CoronaVac fora dos testes clínicos

 

Segundo ela, iniciar uma campanha de vacinação de um dia para o outro, simultaneamente em todo o país, seria virtualmente impossível. “Se marco uma campanha para o dia 15, é porque no dia 1 eu já havia começado a distribuir as vacinas”, que precisam ser transportadas para centrais diferentes em cada Estado e, de lá, levadas tanto para os grandes centros urbanos quanto para locais remotos e de difícil acesso.

Sendo assim, o mais factível seria começar a vacinação em alguns hospitais específicos ou em locais onde a situação epidemiológica é mais crítica, afirma Domingues.

“É como está sendo feito no mundo: escolhe-se um lugar, um marco”, diz.

Ao mesmo tempo, ela também considera prejudicial que Estados façam seus planos de vacinação próprios, independentemente da coordenação nacional do PNI.

“Se cada um (Estado) faz uma coisa, deixa de ser o SUS e voltamos a como era antes dos anos 1970, quando só Estados e municípios que tinham capacidade compravam vacina. Foi a organização e a pactuação (do PNI) que permitiram ao Brasil acabar com doenças endêmicas”, defende.

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, elaborado em dezembro pelo governo Bolsonaro sob exigência do Supremo Tribunal Federal (e criticado por incluir inicialmente a assinatura de especialistas que não deram seu aval), diz que o país está em negociações para obter 350 milhões de doses de diferentes vacinas.

Parte significativa desse montante, porém, se refere a memorandos de entendimento com fabricantes para as quais ainda não há pedidos de aprovação na Anvisa, como a Pfizer e a Janssen.

Vacina de Oxford-AstraZeneca
                          Avião fretado pelo Ministério da Saúde tinha agendada viagem à Índia buscar 2 milhões de doses da vacina de Oxford-AstraZeneca, mas planos foram adiados

 

Segundo o plano, há também encomenda à Fiocruz de 100,4 milhões de doses da vacina da AstraZeneca até julho deste ano, mais 110 milhões de vacinas que seriam produzidas nacionalmente até dezembro. E, também, encomenda de 42,5 milhões de doses em negociação com a Covax Facility, mecanismo internacional criado em defesa da distribuição igualitária de vacinas contra a covid-19.

Quem vai ter prioridade na vacinação?

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação prevê alguns grupos prioritários para receber a vacina, listados nesta ordem:

Primeira fase

trabalhadores da área da saúde

pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas

população idosa a partir dos 75 anos

indígenas

comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas

Segunda fase

população idosa em geral, de 60 a 74 anos

Terceira fase

população em situação de rua

pessoas com comorbidades (diabetes, hipertensão arterial grave, doenças pulmonares, renais e cardiovasculares, transplantados, com câncer ou obesidade grau III)

trabalhadores da educação

pessoas com deficiência permanente severa

membros das forças de segurança e salvamento

funcionários do sistema de privação de liberdade

trabalhadores do transporte coletivo

transportadores rodoviários de carga

população carcerária.

Pazuello e Bolsonaro no lançamento do Plano de Imunização, em 16 de dezembro
Pazuello e Bolsonaro no lançamento do Plano de Imunização, em 16 de dezembro; governo não definiu data específica para iniciar a campanha, mas ministro tem dito que pretende começá-la em 20 de janeiro

 

“Optou-se pela seguinte ordem de priorização: preservação do funcionamento dos serviços de saúde, proteção dos indivíduos com maior risco de desenvolvimento de formas graves e óbitos, seguido da preservação do funcionamento dos serviços essenciais e proteção dos indivíduos com maior risco de infecção”, diz o plano.

Até agora, pedidos de determinados grupos para “passar na frente” da fila, como o feito em documento do STF enviado à Fiocruz e ao Butantan, têm sido rejeitados.

O Brasil tem capacidade logística para a vacinação?

Segundo o plano do governo federal, as vacinas serão “enviadas aos Estados brasileiros por via terrestre e daí distribuídas aos municípios”. Isso ocorreria, de acordo com o Ministério da Saúde, no máximo até cinco dias após a aprovação das vacinas pela Anvisa.

Embora o início da campanha ainda esteja cercado de dúvidas, especialistas com conhecimento do modelo brasileiro de imunização pelo SUS (Sistema Único de Saúde) defendem que o Brasil tem ampla capacidade técnica em levar a cabo uma vacinação rápida e eficaz.

“Conseguimos, em quase cinco décadas do PNI, uma capacidade de produção única no mundo, só (comparável às de) Índia, China e Rússia, que nos permite produzir a maior parte das vacinas aqui”, diz à BBC News Brasil José Gomes Temporão, que foi ministro da Saúde entre 2007 e 2011 e hoje integra o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz.

“Não temos autonomia absoluta (de produção de vacinas), mas temos bastante autonomia. E o SUS também desenvolveu uma grande capilaridade e logística e virou um exemplo global de vacinação”, diz.

Como exemplo, ele afirma que “em três meses (de 2010) conseguimos vacinar 80 milhões de pessoas contra a H1N1”.

“O lado negativo é o que vemos de tenebroso em omissão e incompetência do governo federal”, critica Temporão.

“Temos 35 milhões de pessoas vacinadas no mundo já, e até agora nenhum brasileiro. Isso poderia ter sido diferente. O governo o tempo todo dá uma sinalização errática. Então não basta ter vacina. É preciso ter organização e liderança e uma campanha (de conscientização da população) que já deveria ter começado”, argumenta.

Ao contrário de líderes de outros países, que se vacinaram logo no início da campanha, Jair Bolsonaro afirmou em dezembro: “não vou me vacinar e ponto final. Minha vida está em risco? É problema meu”.

Presidente turco Recep Tayyip Erdogan recebendo uma dose da vacina da Sinovac na Turquia em 14 de janeiro
Presidente turco Recep Tayyip Erdogan recebendo uma dose da vacina da Sinovac na Turquia em 14 de janeiro; no Brasil, Bolsonaro afirmou que não pretende se vacinar

 

Qual a segurança das vacinas?

Na última semana, o Instituto Butantan apresentou os resultados referentes à fase 3 de estudos sobre a eficácia da vacina no Brasil: a proteção é, de modo geral, de 50,38%.

Embora o resultado esteja perto do limiar mínimo exigido pela Organização Mundial da Saúde, isso na prática é visto como positivo em termos de saúde coletiva. Como explicou à BBC News Brasil o médico Marcio Sommer Bittencourt, do Hospital Universitário da USP, “isso significa que quem não tomar a vacina terá o dobro de chances de desenvolver a covid-19 caso pegue o vírus”.

“A conta simplificada é: quantas pessoas estão protegidas e quanto protejo toda a população. Se vacinar 1 milhão com uma vacina que reduz 95% (a chance de covid-19), o máximo que você protegeu foram 950 mil pessoas. Se vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50% você protege até 100 milhões de pessoas. Comparado com esperar um ano para ter, por exemplo, a vacina da Pfizer, a melhor alternativa que temos é essa (CoronaVac).”

A vacina também diminuiu muito a necessidade de atendimento médico entre os infectados e, embora o número seja estatisticamente insignificante, não houve casos graves ou de morte entre as pessoas vacinadas no teste.

dados da coronavac

                            Segundo o Butantan, tampouco foram observados efeitos colaterais graves à vacina, e reações alérgicas ocorreram em apenas 0,3% dos casos.

 

A vacina da AstraZeneca, por sua vez, teve eficácia global de 70,4% nos testes da fase 3. Segundo o governo britânico, também não houve efeitos colaterais graves observados durante os estudos. O que pode acontecer é, ao tomar a vacina, a pessoa sentir, temporariamente, dor no local da aplicação, febre, cansaço, náusea ou dor de cabeça, por exemplo.

E, como as vacinas foram testadas apenas em adultos, ainda não se sabe qual seu efeito em crianças – por enquanto, a vacinação infantil não está em um horizonte próximo.

É importante lembrar, porém, que será preciso tomar duas doses da vacina (qualquer que ela seja), com intervalo de algumas semanas, para que o imunizante de fato proteja contra o coronavírus.

Portanto, José Gomes Temporão diz que é crucial que o governo federal prepare uma logística para isso – o modo mais simples seria via um aplicativo que notifique a pessoa vacinada quando ela deve voltar para a segunda dose, e de qual vacina (quem for vacinado com a CoronaVac, por exemplo, terá obrigatoriamente que tomar uma segunda dose também da CoronaVac).

“Isso vai ser importante também para que as pessoas possam comprovar que foram vacinadas, por exemplo ao viajar”, diz o ex-ministro.

Com a vacina, poderemos voltar à vida normal?

Especialistas advertem que a vacina, quando começar a ser aplicada, não pode ser encarada pela população como um “passe livre” para aglomerar e deixar de lado cuidados básicos, como a máscara. Isso ainda vai demorar muito tempo para acontecer.

Embora ache “factível vacinar metade da população brasileira até meados do ano”, caso haja doses suficientes da CoronaVac e da AstraZeneca e logística eficaz, Temporão diz que ainda levará meses até que a imunização se traduza em menor circulação do vírus e queda no número de mortes.

Comparação entre vacinas contra o coronavírus

Carla Domingues é ainda mais cautelosa: acha que, neste semestre, ainda não dá para pensar em retomar a normalidade.

“Acho que (mesmo iniciada a vacinação) teremos um ano muito difícil. Estudos apontam que precisamos de ao menos 70% de população vacinada (para o vírus arrefecer). Minha preocupação é de que, quando começar a vacina, venha a falsa sensação de que as pessoas podem fazer festa ou andar sem máscara”, adverte.

“Qualquer previsão dependerá da nossa capacidade de produção nacional das vacinas. E são processos complexos, que exigem vários controles de qualidade por parte da Anvisa para ajustes de máquinas e para evitar contaminação. Não sabemos ainda qual será a velocidade da produção nacional. Então, as medidas preventivas ainda durarão um longo tempo.”

Como está a vacinação pelo mundo?

Existe uma espécie de corrida global tanto para adquirir vacinas quanto para imunizar rapidamente suas populações. Por enquanto, proporcionalmente a suas populações, essa corrida tem na dianteira Israel, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.

 

gráfico da vacinação pelo mundo
gráfico da vacinação pelo mundo
 

Ao mesmo tempo, organizações humanitárias temem que essa corrida impeça a imunização de pessoas nos países mais pobres do mundo, particularmente na Ásia e na África.

Em dezembro, a coalizão People’s Vaccine Alliance (Aliança da Vacina do Povo, em tradução livre, grupo que reúne organizações como Oxfam, Anistia Internacional e Global Justice Now) estimou que quase 70 países de baixa renda só conseguirão vacinar 1 em cada 10 de seus cidadãos.

Enquanto isso, países ricos estão reservando para si mais doses do que de fato vão necessitar. O Canadá, por exemplo, tinha encomendado na época número de doses o bastante para imunizar seus cidadãos cinco vezes.

Reprodução: BBC BRASIL

Enfermeira de SP é a 1ª vacinada do país; Doria e Pazuello trocam farpas

 

 

Uma enfermeira do instituto de infectologia Emílio Ribas foi a primeira pessoa a ser vacinada no país contra o coronavírus após a aprovação do uso emergencial feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A aplicação ocorreu por volta das 15h30 deste domingo (17) no Hospital das Clínicas de São Paulo, pouco depois de a Anvisa autorizar o uso por unanimidade das doses importadas pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz.

Segundo o governo paulista, a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, é diabética e hipertensa e se voluntariou para atuar na linha de frente contra a covid-19. O imunizante foi aplicado por Jéssica Pires de Camargo, 30 anos, enfermeira de Controle de Doenças e Mestre de Saúde Coletiva pela Santa Casa de São Paulo.

“Viúva, ela mora com o filho, de 30 anos, e cuida da mãe, que aos 72 anos vive sozinha em outra casa. Por isso, Mônica é minuciosa nos cuidados de higiene e distanciamento tanto no trabalho quanto em casa – até agora, nenhum dos três foi contaminado pelo coronavírus. Apesar disso, Mônica viu a covid-19 afetar sua família quando o irmão caçula, que é auxiliar de enfermagem e tem 44 anos, ficou internado por 20 dias devido à doença”, relatou o governo paulista em comunicado.

Em seguida, a primeira vacinada recebeu o selo simbólico com os dizeres “Estou vacinado pelo Butantan” e uma pulseira com a frase “Eu me vacinei” e participou de uma entrevista coletiva ao lado do governador paulista, João Doria. Após ser vacinada, Mônica afirmou que as pessoas não devem ter medo da vacina e a imunização era o que todos esperavam para voltar à vida normal. “Que a população acredite na vacina. Estou falando agora como mulher, brasileira, mulher negra, que acreditem na vacina.”

Em fala a jornalistas após a cerimônia de vacinação, Doria criticou negacionistas, fake news, agressões e “aqueles que flertam com a morte”, em referência velada ao presidente Jair Bolsonaro.

Segundo ele, hoje é o dia V de vacina, da vida e de vitória da democracia e da ciência. Essa foi uma outra referência velada ao governo federal, já que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que a vacinação no país começaria no dia D na hora H, sem definir cronograma claro.

Em entrevista concedida ao mesmo tempo em Brasília, Pazuello afirmou que o governo federal não faria uma jogada de marketing para antecipar a vacinação, em referência ao governo paulista.

Pazuello afirmou que cabia ao governo federal coordenar a aplicação pelo país. “Quebrar essa pactuação é desprezar a igualdade entre os Estado e entre todos os brasileiros. Construída ao longo de nossa história”.

 

Monica Calazans, primeira pessoa a ser vacinada com a CoronaVac fora dos testes clínicos, ao lado do governador paulista João Doria
                                                                  CRÉDITO,INSTITUTO EMILIO RIBAS/INSTAGRAM
 

Ele criticou ações “político-eleitoreiras” para se antecipar na vacinação e disse que o programa federal “não deixaria nenhum brasileiro para trás”, “sem dividir o nosso país”.

E falou que a Justiça vai tratar da ação antecipada do governo paulista porque, segundo ele, a aplicação de uma dose da vacina em São Paulo “está em desacordo com a lei”.

Pazuello afirmou que todas as doses que estavam com o Instituto Butantan deveriam ter sido entregues ao governo federal.

Segundo o ministro da Saúde, a distribuição de 6 milhões de doses da Coronavac será feita a partir das 7h desta segunda-feira (17/1) para todos os Estados. Não está claro ainda quando as imunizações serão iniciadas.

O ministro foi questionado sobre 2 milhões de doses da AstraZeneca/Oxford adquiridas na Índia, já que o cronograma de chegada desses imunizantes está atrasado. “Estamos nas negociações diplomáticas (do momento exato da saída) para que seja realizada a entrega (das vacinas).”

Ele se disse confiante de que as vacinas serão recebidas pelo Brasil ainda nesta semana.

Reprodução: BBC BRASIL

IRRESPONSABILIDADE “Está provado que cada vez que há relaxamento no isolamento social, os casos da Covid aumentam”, diz presidente da CNTE sobre reabertura das escolas em fevereiro

No momento em que os números da pandemia do coronavírus voltam a aumentar dramaticamente em todo o país, o governo federal e alguns governadores, como João Doria (PSDB), de São Paulo, além de prefeitos, fazem pressão para que as escolas sejam reabertas em 1 de fevereiro. O retorno das aulas presenciais deve representar um risco para a comunidade escolar.

“Uma decisão gravíssima, irresponsável”, resume a Professora Bebel, presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e deputada estadual pelo PT-SP.

Não faz o menor sentido confinar professores e estudantes em ambientes fechados e mal ventilados, em locais sem a estrutura adequada para a efetivação dos protocolos sanitários, como são as escolas estaduais, justamente no momento em que a pandemia está recrudescendo”, analisa Bebel.

Ela menciona um estudo encomendado pela Apeoesp ao Instituto dos Arquitetos do Brasil – seção São Paulo e ao Dieese, em 2020, que demonstrou que há mais de mil salas de aulas no estado sem condições de funcionamento. Faltam pátios e 82% das escolas não têm mais do que dois banheiros para uso dos alunos.

“Além disso, não devemos considerar apenas o professor e o aluno, mas todo o sistema envolvido. Como garantir que os protocolos sejam seguidos nos meios de transporte ou nas empresas que fornecem alimentação para as escolas, por exemplo?”, questiona.

Na avaliação de Heleno Araujo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), há incoerência nessa postura do governo do estado de São Paulo.

“Quando olhamos para o planejamento da vacina, os trabalhadores e trabalhadoras em Educação estão na quarta fase. Ainda não sabemos quando vai iniciar a vacina, em que mês vai se dar esta quarta fase aos trabalhadores e trabalhadoras em Educação”, diz Araujo, destacando que 60% da categoria pertencem ao grupo de risco da Covid-19.

O presidente da CNTE não entende como determinados governantes podem pressionar, inclusive com ameaça de ir à Justiça, para garantir o retorno das atividades presenciais no início de fevereiro.

“Em São Paulo, o secretário estadual de Educação está disposto a fazer essa briga até na Justiça, contra os municípios que, de forma coerente e pensando na vida e na saúde de todos os segmentos da comunidade escolar e seus familiares, estão colocando que é preciso primeiro cuidar da situação sanitária, de forma plena, para depois se pensar em uma data de retorno às atividades presenciais”, destaca Araujo.

Riscos

Questionado sobre o perigo, em termos de saúde pública, de um retorno precoce das aulas presenciais, o presidente da CNTE afirma: “Nós já ultrapassamos a expectativa de riscos. Está provado que cada vez que há relaxamento no isolamento social, os casos da Covid aumentam”.

“Isso acontece devido aos maus exemplos do presidente da República e de vários governadores, aqueles que resistem, ainda, em se cuidar, em fazer o isolamento social, em usar máscara, em proteger o outro. Isso está comprovado”, acrescenta.

Ele exemplifica: “Houve relaxamento para as eleições, aumentou o número de casos, relaxou para as atividades de Ano-Novo, aumentou o número de casos. Tomar uma atitude que não priorize segurança sanitária plena é garantia de que vão aumentar os casos”.

“A própria realização da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), agora. Se for mantida, vai aumentar a quantidade de casos e mortes”, destaca.

Araujo lamenta o comportamento da juíza do Tribunal de Justiça, que negou o pedido de adiamento das provas. “Ela disse: ‘Não vou adiar o Enem, porque vai trazer prejuízos financeiros’.  O que são prejuízos financeiros diante da vida? Isso nós devemos nos perguntar e colocar para reflexão do nosso povo”, indaga.

Providências

A presidenta da Apeoesp explica que a entidade já ingressou com ação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo contra a volta às aulas presenciais nas atuais condições, anexando pareceres dos epidemiologistas Paulo Lotufo e Hélio Bacha e toda a documentação solicitada pelo juiz da causa.

“Agora, voltaremos a conversar com prefeitos e secretários municipais de Educação. Foi exatamente a falta de condições que fez com que 320 municípios decretassem que as escolas permaneceriam fechadas em 2020. Estou certa de que, se não fosse isso, estaríamos em uma situação parecida com a de Manaus agora”, alerta Bebel.

Já o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação diz, também, que é preciso usar o espaço da Justiça para impedir a reabertura das escolas.

“No ano passado, nós tivemos uma orientação política dada a todas as nossas entidades filiadas de que, para qualquer perspectiva de retorno às atividades presenciais, era preciso ter 100% das medidas sanitárias aplicadas nas escolas. Não adianta dizer que faltou só uma medida. Se faltar uma, pode contaminar e matar muita gente. Portanto, se houver imposição do poder executivo, vamos à Justiça contestar e defender a vida da nossa categoria e dos demais segmentos da comunidade escolar”, garante Araujo.

Diálogo social

O dirigente insiste que não se pode aceitar imposição de medidas e de ações de membros do poder executivo aos demais segmentos da comunidade escolar.

“Nós exigimos diálogo social, com a participação das entidades representativas dos trabalhadores, dos estudantes, pais, mães e responsáveis, enfim, de todos os envolvidos. É preciso formar uma mesa de diálogo aberta, compondo um processo de construção. Com esse grupo, você tem a possibilidade de exigir do governo federal, através do Ministério da Educação, a formação de grupos técnicos, financiados pelo próprio MEC, indicado por essas entidades”, aponta.

O objetivo da ação, segundo Araujo, é fazer uma avaliação profunda, mais próxima da realidade possível, em municípios ou grupos de municípios. “A partir desse diagnóstico, será aplicada a política educacional que cabe a cada situação. Não dá para ficar de Brasília determinando a política dentro da diversidade que temos em nosso país continental”, reflete.

Evasão

Diante desse cenário, como lidar com a evasão escolar, que aumentou significativamente com as aulas remotas?

A Professora Bebel relata que, no caso do estado de São Paulo, a Secretaria de Educação implementou um processo de ensino remoto sem debater com os profissionais da educação, especialistas e outros segmentos sociais, que poderiam contribuir para um projeto mais adequado às necessidades dos professores e dos estudantes.

“Nós apresentamos oficialmente propostas, mas fomos ignorados. Não assegurou condições de acesso para os estudantes da rede e de trabalho para os professores. Isso teve impacto direto no aumento da evasão”, explica.

Araujo avalia que há uma série de causas que explica a evasão durante este período: falta se equipamento, de conexão, de autonomia nas aulas, ausência de um adulto que ajude a mediar o estudo em casa, por falta de condições adequadas dentro de casa para realizar os estudos.

“É bom sempre lembrar que nós, da educação básica pública, atendemos famílias que vivem na extrema pobreza, que não têm casa e ambiente adequados. Além da evasão das atividades remotas, nos preocupam as matrículas para 2021, que já caíram na rede privada e podem cair, também, na rede pública, pela desistência de estudantes e por falta de condições adequadas para desenvolver essas atividades”, destaca.

Por todas essas razões, o presidente da CNTE defende o diálogo social e a responsabilidade do Ministério da Educação (MEC).

“Em 2020, até setembro, o MEC só tinha colocado em prática 48% do seu orçamento. Foi retirado R$ 1,4 bilhão do ministério para outras pastas. Como é possível garantir equipamento, conexão, ambiente adequado para manter essas atividades remotas?”, indaga,

“A evasão existe pela ausência de políticas coordenadas pelo MEC para cumprir seu papel de dar contribuição técnica e financeira para ajudar estados, municípios e Distrito Federal a manter o vínculo com os estudantes”, finaliza.

Reprodução : CNTE

Venezuela oferece oxigênio para Manaus enfrentar alta demanda em UTIs

Crise sanitária leva caos aos hospitais de Manaus, que enfrentam falta de oxigênio em UTIs

 
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O governo da Venezuela afirmou nesta quinta-feira (14) que irá disponibilizar oxigênio para atender os hospitais do estado do Amazonas, que vive uma crise sem precedentes após aumento no número de casos de covid-19.

A informação foi publicada pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, nas redes sociais. “Por instruções do presidente Nicolás Maduro, conversamos com o governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, para disponibilizar imediatamente o oxigênio necessário para atender o contingente de saúde em Manaus. Solidariedade latinoamericana acima de tudo!’, escreveu Arreaza.

Em resposta a uma mensagem de agradecimento do governador Wilson Lima (PSC), Arreaza afirmou que “é sempre uma honra poder dar uma mão ao povo do Brasil, principalmente em momentos tão complexos”. “Para o Bolivariano, a solidariedade é um dever”.

Com o novo grande surto de casos de coronavírus Sars-CoV-2, a demanda por oxigênio hospitalar em estabelecimentos públicos de saúde no estado superou na terça a média diária de consumo em mais de onze vezes, agravando a situação nos hospitais —principalmente naqueles onde são atendidos pacientes com a doença. As informações são do Uol.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as empresas aumentaram a produção ao limite e buscam soluções de importação do insumo. A White Martins, principal fornecedora de oxigênio para o governo do Amazonas, informou que atua para viabilizar a importação do oxigênio da Venezuela para suprir a demanda.

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, admitiu que Manaus vive um colapso no atendimento de saúde e disse que seis aeronaves levarão oxigênio. “A procura por oxigênio na capital subiu seis vezes, então, já estamos aí em 75 mil metros cúbicos de demanda de ar na capital e 15 mil metros cúbicos no interior. Estamos já com a segunda aeronave entrando em circuito hoje, a C-130 Hércules, fazendo o deslocamento Guarulhos – Manaus, e a partir de amanhã entram mais duas e chegaremos a seis aeronaves, totalizando ai algo em torno de 30 mil metros cúbicos por dia, a partir de Guarulhos. Nessa ponte aérea, existem também os deslocamentos terrestres”, afirmou o ministro. 

Reprodução: CUT

Prefeitura de São Paulo libera aulas presenciais a partir de 1º de fevereiro

Gestão Covas anuncia que escolas irão operar com esquema de rodízio e até 35% da capacidade máxima

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A Prefeitura de São Paulo autorizou, nesta quinta-feira (14), o retorno das aulas presenciais nas redes pública e privada a partir de 1° de fevereiro. Em coletiva, a gestão Bruno Covas (PSDB) disse que as escolas poderão operar em esquema de rodízio de estudantes, com 35% da capacidade. As aulas presenciais foram suspensas no município, em 16 de março de 2020 por conta da pandemia do novo coronavírus.

Para o retorno presencial, a prefeitura anunciou a implementação de um sistema de monitoramento de vigilância, por meio das unidades de vigilância em saúde nas escolas. Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde, disse que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) farão o acompanhamento detalhado das crianças, educadores e dos pais.

Os professores com mais de 60 anos e do grupo de risco não retomarão as atividades. Fernando Padula, secretário municipal de Educação, que também esteve presente na coletiva, anunciou que serão entregues kits para cada aluno da rede pública, que incluem sabonete, uma caneca e três máscaras.

Nesta quarta-feira (13), estado de São Paulo registrou número total de 13.490 pacientes internados por covid-19 em toda rede hospitalar – número maior desde o dia 2 de agosto de 2020, quando foram contabilizadas 13.775 internações no total. A média móvel de mortes segue acima de 200 ocorrências há cinco dias.

O vereador Celso Giannazi (Psol-SP) criticou a ação da prefeitura e lembra da falta de estrutura para o retorno. “Sem nenhum diálogo com a comunidade escolar, a Prefeitura quer retomar aulas justo no momento em que o número de casos e mortes da covid-19 não para de crescer. Lembrando que as escolas não têm as condições para o retorno e há um déficit de professores, de profissionais do Quadro de Apoio e de profissionais de limpeza nas escolas públicas”, publicou no Twitter.

Professores são contrários

A medida segue o plano estabelecido pelo governador João Doria (PSDB) que, em dezembro do ano passado, classificou os estabelecimentos de ensino como serviços essenciais para que possam abrir em qualquer fase da pandemia. O Conselho Estadual de Educação definiu, nesta quarta-feira, as diretrizes do retorno e estabeleceu que as escolas ofereçam todo mês pelo menos um terço das aulas de forma presencial em 2021. A frequência dos alunos será obrigatória e vale para as escolas estaduais e particulares, da educação infantil ao ensino médio.

A ideia da gestão tucana é voltar às aulas presenciais, mesmo se o estado estiver na fase vermelha do Plano São Paulo, que corresponde aos piores índices da pandemia. Os professores são contra o retorno às aulas presenciais, e classificam essa iniciativa como “um absurdo”.

“A posição dos sindicatos sempre foi a de um retorno seguro, que possa cumprir todas as condições sanitárias e ao mesmo tempo também os conselhos das autoridades científicas e as advertências no sentido do não recrudescimento da pandemia”, afirma o presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo, Celso Napolitano, ao repórter Jô Miyagui, da TVT.

A Apeoesp, o sindicato que representa os professores da rede pública, é contra e entrou na Justiça para impedir novas contratações, como pretende o governo do estado de São Paulo. “Você quer trabalhar na rede presencialmente, você tem que assumir o risco. Isso é um absurdo. É por isso que nós, da Apeoesp, estamos entrando com uma ação contra essa portaria de contratação, uma portaria que eu chamaria de, no mínimo, uma portaria mórbida, de mau agouro”, afirma o secretário de Comunicação da Apeoesp, Roberto Guido.

Reprodução: CUT

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