14° salário para aposentados é questão de justiça em tempos de pandemia

Em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado, especialistas reforçaram que o benefício, mais que uma necessidade, é questão de justiça aos idosos e só depende vontade política para ser aprovado.

A aprovação do projeto de iniciativa popular que prevê o pagamento do 14° salário para aposentados e pensionistas neste ano só depende de vontade política para ser levado à votação em plenário, reforçaram especialistas reunidos na sexta-feira (11) em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

O projeto de Lei (PL) 3657/2020, do senador Paulo Paim (PT-RS), teve origem em uma proposta de iniciativa popular de autoria do advogado Sandro Gonçalves, que contou com mais de 20 mil assinaturas em todo o país.

Na audiência, Paim voltou a reforçar a necessidade do pagamento do 14º salário, lembrando que os aposentados e pensionistas não receberam nenhum benefício durante a pandemia do novo coronavírus, que atinge o país desde o início do ano provocando agravamento da economia, demissões e paralisações das atividades.

“Ao contrário de outros segmentos da sociedade, os aposentados e pensionistas não receberam nenhuma ajuda até agora”, disse o senador.

“As pessoas estão ficando desesperadas porque não conseguem emprego e não têm como se manter e então recorrem à família, recorrem aos [parentes], pensionistas do INSS”, completou.

O senador também alertou que o fim do auxílio-emergencial neste mês, que deixará milhões de brasileiros desamparados e, portanto, ainda mais dependentes da renda dos familiares aposentados.

O advogado Sandro Gonçalves, autor da proposta, também participou da audiência e afirmou que a batalha pela aprovação do projeto continua sendo travada tanto no Senado como nos bastidores do Congresso Nacional, em Brasília.

“O 14° salário é uma questão de justiça com os aposentados e pensionistas e é possível pagar ainda este ano”, disse Sandro Gonçalves. Segundo ele, a vontade política acontece em outras matérias que foram pautadas e votadas a toque de caixa, como o projeto da “Casa Verde e Amarela” (MP 996/2020), aprovado na semana passada pelo Congresso.

“Daria para pautar e votar no Senado e na Câmara até mesmo em uma noite. O Casa Verde e Amarela foi [aprovado] em tempo recorde”, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) poderia editar uma medida provisória, determinando o pagamento, que já passaria a ter força de lei e garantiria um fim de ano mais digno ao segmento, completou o advogado.

Mas, enquanto a matéria continua sendo cozinhada em banho-maria pelo líder do Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), a equipe econômica do governo argumenta que não há dinheiro para bancar uma medida provisória para o 14° salário. O valor previsto para o benefício extra é de R$ 45 bilhões.

 

Dinheiro tem

O advogado Sandro Gonçalves rebate o argumento lembrando que o Orçamento de Guerra, aprovado pelo Congresso para que o governo possa enfrentar a pandemia do novo coronavírus, autoriza ‘emergências’ como essa.

Além disso, ele afirma que, com base em informações do senador Everton Rocha, relator do PL do 14° salário, há o PL 137 que resgata fundos do tesouro não utilizados e isso representa a liberação de R$ 170 bilhões de reais para combater a pandemia.

Outro argumento que desmonta a afirmação do governo é o de que o Tribunal de Contas da União (TCU) apurou que R$ 42 bilhões do auxílio emergencial foram pagos indevidamente a beneficiários que não estariam aptos a receber. São militares, servidores e até candidatos a cargos políticos antes das eleições.

O senador Paulo Paim ressaltou ainda os impactos do 14° salário na economia, que segue em marcha lenta e foi ainda mais agravada pela pandemia. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que 33,9% dos domicílios brasileiros tem ao menos um idoso, lembrou o senador. Nestes domicílios moravam 62,5 milhões de pessoas e a contribuição dos idosos na renda desses domicílios era de 69,8%. Grande parte dessa renda tem origem nas pensões e aposentadorias.

O Brasil tem hoje cerca de 35,7 milhões de aposentados e aproximadamente 24 milhões deles milhões deles ganham apenas um salário mínimo (R$ 1.045,00) de aposentadoria.

O diretor executivo da Associação Nacional dos Aposentados, Deficientes, Idosos, Pensionistas e Segurados da Previdência Social (Anadips), Clodoaldo Nery Junior, afirmou durante a audiência que os dados mostram que a questão tem um significado muito grande para a economia, mas principalmente para a vida dos aposentados.

Ele diz que os idosos foram os primeiros a contribuir no enfrentamento à pandemia, recebendo ao 13° salário no primeiro semestre como medida do governo para aquecer a economia. E, agora, com o agravamento da crise e com parentes e dependentes desempregados, o 14° é uma questão de justiça, assim como afirmaram os outros participantes da audiência.

“Vai fazer falta esse fim de ano e vamos ter sérios problemas, principalmente nos pequenos negócios, com as despesas de fim de ano, porque não vai ter 13°”, ele reforça.

 

Reforma da previdência

Outro ponto citado pelo diretor da Anadips, que mostra o desprezo do governo federal pelos idosos, é a nova lei previdenciária, que se revela ainda mais maléfica neste momento de pandemia.

“Dos que faleceram pela Covid-19, 58% são homens idosos. As pensionistas vão receber só a metade a que têm direito, de acordo com a reforma da Previdência e isso vai provocar queda na renda da família”. Clodoaldo explica que as mulheres estão sendo prejudicadas tanto pela perda do companheiro como na queda da renda da família, ‘porque as contas estão lá para pagar’.

“É o retrocesso que foi aprovado por esse Congresso e por esse governo”, ele pontua.

Pesquisa do Senado

Em uma pesquisa do Instituto DataSenado, realizada no de 1° de outubro a 2 de novembro, 99% das pessoas consultadas concordam com a criação do 14º salário emergencial para segurados e dependentes da Previdência Social em razão da pandemia de coronavírus. Para todos os participantes, o pagamento de um 14º salário este ano é importante para o amparo social aos idosos durante a atual pandemia. Além disso, acreditam que o pagamento desse valor adicional contribuirá para estimular a economia. A enquete teve 32.820 participantes.

Não interessa quem faça, mas tem que fazer

Ao final da audiência, o Senador Paulo Paim afirmou que encaminhará três requerimentos, um ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre; outro ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e outro ao próprio presidente Jair Bolsonaro.

Os pedidos serão para que os três ouçam os argumentos que demonstram a urgência da pauta e para o 14° salário seja pautado, votado e aprovado. “Se não for para este ano, que seja para o início do ano que vem, mas vamos continuar lutando com todas as nossas forças”, disse Paim.

 

Veja a audiência na íntegra:

 

Reprodução: CUT 

 

 

Fundeb precisa valorizar a escola pública e seus profissionais

Senhores(as) Senadores(as),

A votação do Projeto de Lei nº 4.372/20, no último dia 10, na Câmara dos Deputados, representou um golpe sem precedentes contra a escola pública e seus profissionais. Nunca na história republicana do país os recursos públicos da educação sofreram tamanho desvio para atender a interesses de grupos privados. Nem mesmo no período colonial, quando a educação foi delegada majoritariamente à Companhia de Jesus (Ordem dos Jesuítas), a Coroa foi tão benevolente com terceiros que atuavam na oferta educacional.

As consequências da votação do FUNDEB na Câmara Federal são desastrosas para a educação brasileira, pois comprometem os objetivos de ampliação das matrículas com qualidade em todas as etapas e modalidades do ensino básico. O texto visa a transferir parte das atuais matrículas públicas para o setor privado (conveniado ou não com o poder público), inviabilizando atender as crianças e jovens que estão fora da escola. Os municípios de menor porte e dos rincões do país continuarão penalizados, dado que os recursos da educação ficarão ainda mais concentrados nos grandes centros urbanos e em mãos de instituições particulares, comprometendo também a ampliação da oferta escolar nessas localidades (os recursos públicos serão minguados e a rede conveniada não suporta atender ao déficit escolar!).

Em relação à valorização dos profissionais da educação pública, compromisso expresso na denominação do FUNDEB, essa também ficará totalmente comprometida caso a ampliação da base de pagamento (70%) fique mantida aos profissionais de escolas conveniadas (comunitárias, confessionais e filantrópicas) e a quaisquer outros vinculados às secretarias de educação, mesmo que não exerçam funções diretamente ligadas ao ensino.

Essa mudança aprovada na Câmara dos Deputados anula o esforço da Emenda Constitucional nº 108 em possibilitar o pagamento do piso salarial nacional do magistério (bastante desrespeitado no país) e de melhorar as carreiras dos profissionais da educação, que detêm os menores salários em comparação a outras profissões com escolaridade equivalente no Brasil e em relação aos professores de várias nações pesquisadas pela OCDE.

Em razão dessas graves medidas contraproducentes aprovadas pela Câmara dos Deputados, em parte explicadas pelo prazo exíguo e pela limitada participação social neste momento pandêmico em que ocorreu a tramitação da matéria –, requeremos aos(às) Senadores(as) da República que abdiquem de votar o substitutivo ao PL 4.372/20, possibilitando que o FUNDEB seja regulamentado pelo Executivo federal com posterior avaliação do Congresso em prazo mais dilatado e participativo (até 120 dias).

Essa opção estratégica para melhor regulamentar o FUNDEB não fará com que o Congresso renuncie quaisquer de suas funções, pois a decisão final sobre a matéria continuará a cargo do parlamento. Porém, é a única e mais prudente medida para se evitar o desastre que se avizinha na educação brasileira, dado que, neste momento da tramitação, ficará a cargo da Câmara concordar ou não com eventuais mudanças do Senado ao PL 4.372/20.

Diante da gravidade da situação, reiteramos o pedido para que o FUNDEB seja regulamentado, num primeiro momento, através de Medida Provisória, com posterior análise mais acurada e serena do Congresso Nacional.

A educação pública e o povo brasileiro não podem sofrer mais retrocessos de direitos!

Brasília, 13 de dezembro de 2020
Diretoria da CNTE

 

Reprodução: CNTE

Nota de falecimento – Wilma Sonia de Melo

É com grande pesar que a diretoria do Sinpro informa o falecimento da professora aposentada Wilma Sonia de Melo. A educadora faleceu na última sexta-feira (11), em Itumbiara-GO, vítima de Covid.

Wilma foi diretora da Escola Classe  410 de Samambaia e também trabalhou na Escola Normal de Ceilândia e na Escola Classe 46. 

O Sinpro presta toda solidariedade aos familiares, amigos e companheiros neste momento de dor.

  1. no

 

 

 

 

Sinpro reorganiza atendimento jurídico em 2021

Em função da pandemia da Covid-19, com o agravante da segunda onda do Coronavírus, o Sinpro está reorganizando o retorno presencial, mas de forma agendada para pessoas que não estão no grupo de risco. Em janeiro o atendimento presencial será feito apenas na sede, com as subsedes fechadas. A partir de fevereiro, todas as unidades (sede e subsedes) estarão abertas.

O Sinpro lembra que a procura por atendimento presencial deve ser feito apenas por extrema necessidade, uma vez que estamos passando por um aumento no índice de contaminação, e os nossos canais de tele atendimento continuam funcionando.

Atenção para o atendimento do Jurídico do Sinpro neste fim de ano

Em razão do recesso de final de ano e do esquema de plantão dos escritórios de advocacia que prestam serviços para o Sinpro, a diretoria informa que o departamento jurídico do sindicato entrará em recesso de 20 de dezembro a 13 de janeiro de 2021. O período respeita o recesso do judiciário, que finalizará o atendimento no mesmo período.

 

 

Confira quem são os deputados que aprovaram inclusão de escolas privadas no Fundeb

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) considera a aprovação um golpe e já convocou professores e defensores da educação pública para lutar contra a manobra no Senado.

Em uma sessão na Câmara dos Deputados, que terminou na madrugada desta sexta-feira (11), os deputados votaram a regulamentação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que agora segue para o Senado Federal.

Durante a votação de destaques, foi aprovada uma emenda que permite repasses do Fundeb para escolas mantidas por igrejas e entidades filantrópicas, por 311 votos favoráveis, 131 contrários e uma abstenção.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) considera a aprovação um golpe e já convocou professores e defensores da educação pública para lutar contra a manobra no Senado.

Confira quem votou a favor da proposta, quem rejeitou a manobra e quem estava ausentou da Casa na hora da votação, segundo levantamento do Congresso em Foco:

Veja como cada deputado votou:

Deputado Partido UF Voto
Abílio Santana PL BA SIM
Abou Anni PSL SP SIM
Acácio Favacho Pros AP SIM
Adolfo Viana PSDB BA SIM
Adriana Ventura Novo SP SIM
Adriano do Baldy PP GO SIM
Aécio Neves PSDB MG SIM
Afonso Florence PT BA NÃO
Afonso Hamm PP RS  AUSENTE
Afonso Motta PDT RS NÃO
Aguinaldo Ribeiro PP PB AUSENTE
Airton Faleiro PT PA NÃO
AJ Albuquerque PP CE SIM
Alan Rick DEM AC SIM
Alceu Moreira MDB RS SIM
Alcides Rodrigues Patriota GO SIM
Alê Silva PSL MG SIM
Alencar Santana Braga PT SP NÃO
Alessandro Molon PSB RJ NÃO
Alex Manente Cidadania SP SIM
Alex Santana PDT BA AUSENTE
Alexandre Frota PSDB SP NÃO
Alexandre Leite DEM SP SIM
Alexandre Padilha PT SP NÃO
Alexandre Serfiotis PSD RJ SIM
Alexis Fonteyne Novo SP SIM
Alice Portugal PC do B BA NÃO
Aliel Machado PSB PR NÃO
Aline Gurgel Republicanos AP SIM
Aline Sleutjes PSL PR SIM
Altineu Côrtes PL RJ AUSENTE
Aluisio Mendes PSC MA SIM
Amaro Neto Republicanos ES SIM
André Abdon PP AP SIM
André de Paula PSD PE SIM
André Ferreira PSC PE AUSENTE
André Figueiredo PDT CE NÃO
André Fufuca PP MA SIM
André Janones Avante MG NÃO
Angela Amin PP SC SIM
Antonio Brito PSD BA SIM
Arlindo Chinaglia PT SP NÃO
Arnaldo Jardim Cidadania SP SIM
Aroldo Martins Republicanos PR SIM
Arthur Lira PP AL AUSENTE
Arthur Oliveira Maia DEM BA SIM
Átila Lins PP AM AUSENTE
Átila Lira PP PI SIM
Augusto Coutinho Solidariedade PE SIM
Áurea Carolina Psol MG NÃO
Aureo Ribeiro Solidariedade RJ SIM
Bacelar Pode BA NÃO
Baleia Rossi MDB SP AUSENTE
Benedita da Silva PT RJ NÃO
Benes Leocádio Republicanos RN SIM
Beto Faro PT PA NÃO
Beto Pereira PSDB MS SIM
Beto Rosado PP RN SIM
Bia Cavassa PSDB MS SIM
Bia Kicis PSL DF SIM
Bibo Nunes PSL RS SIM
Bilac Pinto DEM MG SIM
Bira do Pindaré PSB MA NÃO
Boca Aberta Pros PR SIM
Bohn Gass PT RS NÃO
Bosco Costa PL SE AUSENTE
Bosco Saraiva Solidariedade AM NÃO
Bozzella PSL SP SIM
Bruna Furlan PSDB SP SIM
Cacá Leão PP BA SIM
Camilo Capiberibe PSB AP NÃO
Capitão Alberto Neto Republicanos AM SIM
Capitão Augusto PL SP SIM
Capitão Fábio Abreu PL PI SIM
Capitão Wagner Pros CE SIM
Carla Dickson Pros RN SIM
Carla Zambelli PSL SP AUSENTE
Carlos Bezerra MDB MT SIM
Carlos Chiodini MDB SC SIM
Carlos Gomes Republicanos RS SIM
Carlos Henrique Gaguim DEM TO SIM
Carlos Jordy PSL RJ SIM
Carlos Sampaio PSDB SP SIM
Carlos Veras PT PE NÃO
Carlos Zarattini PT SP NÃO
Carmen Zanotto Cidadania SC AUSENTE
Caroline de Toni PSL SC SIM
Cássio Andrade PSB PA NÃO
Célio Moura PT TO NÃO
Célio Silveira PSDB GO SIM
Célio Studart PV CE NÃO
Celso Maldaner MDB SC SIM
Celso Russomanno Republicanos SP SIM
Celso Sabino PSDB PA SIM
Cezinha de Madureira PSD SP SIM
Charles Fernandes PSD BA NÃO
Charlles Evangelis PSL MG SIM
Chico D’Angelo PDT RJ NÃO
Chiquinho Brazão Avante RJ SIM
Chris Tonietto PSL RJ AUSENTE
Christiane de Souza Yared PL PR SIM
Christino Aureo PP RJ SIM
Clarissa Garotinho Pros RJ SIM
Claudio Cajado PP BA SIM
Cleber Verde Republicanos MA SIM
Coronel Armando PSL SC SIM
Coronel Chrisóstomo PSL RO SIM
Coronel Tadeu PSL SP SIM
Cristiano Vale PL PA SIM
Da Vitoria Cidadania ES SIM
Dagoberto Nogueira PDT MS NÃO
Damião Feliciano PDT PB NÃO
Daniel Almeida PC do B BA AUSENTE
Daniel Coelho Cidadania PE SIM
Daniel Freitas PSL SC SIM
Daniel Silveira PSL RJ AUSENTE
Daniel Trzeciak PSDB RS SIM
Daniela do Waguinho MDB RJ NÃO
Danilo Cabral PSB PE NÃO
Danilo Forte PSDB CE NÃO
Danrlei de Deus Hinterholz PSD RS SIM
David Miranda Psol RJ NÃO
David Soares DEM SP SIM
Delegado Antônio Furtado PSL RJ ABSTENÇÃO
Delegado Éder Mauro PSD PA SIM
Delegado Marcelo Freitas PSL MG SIM
Delegado Pablo PSL AM SIM
Delegado Waldir PSL GO SIM
Denis Bezerra PSB CE NÃO
Diego Andrade PSD MG AUSENTE
Diego Garcia Pode PR SIM
Dimas Fabiano PP MG SIM
Domingos Sávio PSDB MG SIM
Dr. Agripino Magalhães Pros CE SIM
Dr. Frederico Patriota MG AUSENTE
Dr. Jaziel PL CE SIM
Dr. Leonardo Solidariedade MT SIM
Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. PP RJ SIM
Dr. Luiz Ovando PSL MS AUSENTE
Dr. Zacharias Calil DEM GO SIM
Dra. Soraya Manato PSL ES SIM
Dra. Vanda Milani Solidariedade AC SIM
Dulce Miranda MDB TO SIM
Edilázio Júnior PSD MA SIM
Edio Lopes PL RR AUSENTE
Edmilson Rodrigues Psol PA AUSENTE
Edna Henrique PSDB PB SIM
Eduardo Barbosa PSDB MG SIM
Eduardo Bismarck PDT CE NÃO
Eduardo Bolsonaro PSL SP SIM
Eduardo Braide Pode MA AUSENTE
Eduardo Costa PTB PA SIM
Eduardo Cury PSDB SP SIM
Eduardo da Fonte PP PE SIM
Efraim Filho DEM PB AUSENTE
Elcione Barbalho MDB PA SIM
Eli Borges Solidariedade TO AUSENTE
Eli Corrêa Filho DEM SP SIM
Elias Vaz PSB GO NÃO
Elmar Nascimento DEM BA AUSENTE
Emanuel Pinheiro Neto PTB MT NÃO
Emidinho Madeira PSB MG NÃO
Enéias Reis PSL MG SIM
Enio Verri PT PR NÃO
Enrico Misasi PV SP AUSENTE
Erika Kokay PT DF NÃO
Eros Biondini Pros MG SIM
Euclydes Pettersen PSC MG SIM
Evair Vieira de Melo PP ES SIM
Expedito Netto PSD RO NÃO
Fábio Henrique PDT SE NÃO
Fábio Mitidieri PSD SE AUSENTE
Fábio Ramalho MDB MG SIM
Fabio Reis MDB SE SIM
Fabio Schiochet PSL SC AUSENTE
Fábio Trad PSD MS SIM
Fausto Pinato PP SP AUSENTE
Felício Laterça PSL RJ SIM
Felipe Carreras PSB PE SIM
Felipe Francischini PSL PR SIM
Felipe Rigoni PSB ES NÃO
Félix Mendonça Júnior PDT BA NÃO
Fernanda Melchionna Psol RS NÃO
Fernando Coelho Filho DEM PE SIM
Fernando Monteiro PP PE SIM
Fernando Rodolfo PL PE NÃO
Filipe Barros PSL PR SIM
Flávia Arruda PL DF SIM
Flávia Morais PDT GO NÃO
Flaviano Melo MDB AC SIM
Flávio Nogueira PDT PI SIM
Flordelis PSD RJ SIM
Francisco Jr. PSD GO SIM
Franco Cartafina PP MG SIM
Fred Costa Patriota MG AUSENTE
Frei Anastacio Ribeiro PT PB AUSENTE
Gelson Azevedo PL RJ SIM
Genecias Noronha Solidariedade CE SIM
General Girão PSL RN SIM
General Peternelli PSL SP SIM
Geninho Zuliani DEM SP SIM
Geovania de Sá PSDB SC AUSENTE
Gervásio Maia PSB PB NÃO
Giacobo PL PR SIM
Gil Cutrim PDT MA SIM
Gilberto Abramo Republicanos MG SIM
Gilberto Nascimento PSC SP AUSENTE
Gilson Marques Novo SC SIM
Giovani Cherini PL RS SIM
Giovani Feltes MDB RS SIM
Glauber Braga Psol RJ NÃO
Glaustin da Fokus PSC GO SIM
Gleisi Hoffmann PT PR NÃO
Gonzaga Patriota PSB PE NÃO
Greyce Elias Avante MG SIM
Guiga Peixoto PSL SP SIM
Guilherme Derrite PP SP SIM
Guilherme Mussi PP SP AUSENTE
Gurgel PSL RJ SIM
Gustavo Fruet PDT PR AUSENTE
Gustinho Ribeiro Solidariedade SE SIM
Gutemberg Reis MDB RJ SIM
Haroldo Cathedral PSD RR SIM
Heitor Freire PSL CE SIM
Heitor Schuch PSB RS NÃO
Helder Salomão PT ES NÃO
Hélio Costa Republicanos SC SIM
Hélio Leite DEM PA SIM
Helio Lopes PSL RJ SIM
Henrique Fontana PT RS NÃO
Hercílio Coelho Diniz MDB MG AUSENTE
Herculano Passos MDB SP SIM
Hermes Parcianello MDB PR SIM
Hildo Rocha MDB MA AUSENTE
Hiran Gonçalves PP RR SIM
Hugo Leal PSD RJ AUSENTE
Hugo Motta Republicanos PB SIM
Idilvan Alencar PDT CE NÃO
Igor Kannário DEM BA SIM
Igor Timo Pode MG NÃO
Iracema Portella PP PI AUSENTE
Isnaldo Bulhões Jr. MDB AL SIM
Ivan Valente Psol SP NÃO
Jandira Feghali PC do B RJ NÃO
Jaqueline Cassol PP RO SIM
Jefferson Campos PSB SP SIM
Jerônimo Goergen PP RS AUSENTE
Jéssica Sales MDB AC SIM
Jesus Sérgio PDT AC NÃO
Jhc PSB AL AUSENTE
Jhonatan de Jesus Republicanos RR SIM
João Campos Republicanos GO SIM
João Carlos Bacelar PL BA SIM
João Daniel PT SE NÃO
João H. Campos PSB PE NÃO
João Maia PL RN SIM
João Marcelo Souza MDB MA AUSENTE
João Roma Republicanos BA SIM
Joaquim Passarinho PSD PA SIM
Joenia Wapichana REDE RR NÃO
Joice Hasselmann PSL SP SIM
Jorge Braz Republicanos RJ SIM
Jorge Goetten PL SC SIM
Jorge Solla PT BA NÃO
José Airton Félix Cirilo PT CE NÃO
José Guimarães PT CE NÃO
Jose Mario Schreiner DEM GO SIM
José Medeiros Pode MT SIM
José Nelto Pode GO AUSENTTE
José Nunes PSD BA SIM
José Priante MDB PA SIM
José Ricardo PT AM NÃO
José Rocha PL BA SIM
Joseildo Ramos PT BA AUSENTE
Josimar Maranhãozinho PL MA AUSENTE
Juarez Costa MDB MT SIM
Julian Lemos PSL PB SIM
Júlio Cesar PSD PI SIM
Julio Cesar Ribeiro Republicanos DF SIM
Júlio Delgado PSB MG NÃO
Juninho do Pneu DEM RJ SIM
Junio Amaral PSL MG SIM
Júnior Ferrari PSD PA SIM
Júnior Lourenço PL MA SIM
Júnior Mano PL CE SIM
Juscelino Filho DEM MA AUSENTE
Kim Kataguiri DEM SP SIM
Laercio Oliveira PP SE SIM
Lafayette de Andrada Republicanos MG SIM
Lauriete PSC ES SIM
Leandre PV PR SIM
Leda Sadala Avante AP AUSENTE
Leo de Brito PT AC NÃO
Léo Moraes Pode RO SIM
Léo Motta PSL MG SIM
Leonardo Monteiro PT MG NÃO
Leônidas Cristino PDT CE NÃO
Leur Lomanto Júnior DEM BA SIM
Lídice da Mata PSB BA NÃO
Lincoln Portela PL MG SIM
Liziane Bayer PSB RS SIM
Loester Trutis PSL MS SIM
Lourival Gomes PSL RJ AUSENTE
Lucas Gonzalez Novo MG SIM
Lucas Redecker PSDB RS SIM
Lucas Vergilio Solidariedade GO SIM
Luciano Bivar PSL PE AUSENTE
Luciano Ducci PSB PR NÃO
Lucio Mosquini MDB RO SIM
Luis Miranda DEM DF SIM
Luis Tibé Avante MG AUSENTE
Luisa Canziani PTB PR SIM
Luiz Carlos PSDB AP SIM
Luiz Carlos Motta PL SP SIM
Luiz Lima PSL RJ SIM
Luiz Nishimori PL PR AUSENTE
Luiz Philippe de Orleans e Bragança PSL SP SIM
Luiza Erundina Psol SP NÃO
Luiz Antônio Correia PL RJ SIM
Luizão Goulart Republicanos PR SIM
Luizianne Lins PT CE NÃO
Magda Mofatto PL GO SIM
Major Fabiana PSL RJ SIM
Mara Rocha PSDB AC SIM
Marcel van Hattem Novo RS SIM
Marcelo Aro PP MG SIM
Marcelo Brum PSL RS SIM
Marcelo Calero Cidadania RJ NÃO
Marcelo Freixo Psol RJ NÃO
Marcelo Moraes PTB RS SIM
Marcelo Nilo PSB BA NÃO
Marcelo Ramos PL AM SIM
Marcio Alvino PL SP SIM
Márcio Biolchi MDB RS SIM
Márcio Jerry PC do B MA NÃO
Márcio Labre PSL RJ AUSENTE
Márcio Marinho Republicanos BA AUSENTE
Marco Bertaiolli PSD SP SIM
Marcon PT RS NÃO
Marcos Aurélio Sampaio MDB PI SIM
Marcos Pereira Republicanos SP SIM
Margarete Coelho PP PI SIM
Margarida Salomão PT MG NÃO
Maria do Rosário PT RS NÃO
Maria Rosas Republicanos SP SIM
Mariana Carvalho PSDB RO AUSENTE
Marília Arraes PT PE NÃO
Marina Santos Solidariedade PI SIM
Mário Heringer PDT MG NÃO
Mário Negromonte Jr. PP BA SIM
Marlon Santos PDT RS SIM
Marreca Filho Patriota MA SIM
Marx Beltrão PSD AL SIM
Maurício Dziedricki PTB RS SIM
Mauro Benevides Filho PDT CE NÃO
Mauro Lopes MDB MG SIM
Mauro Nazif PSB RO NÃO
Merlong Solano PT PI NÃO
Miguel Lombardi PL SP SIM
Milton Vieira Republicanos SP AUSENTE
Misael Varella PSD MG SIM
Moses Rodrigues MDB CE AUSENTE
Natália Bonavides PT RN NÃO
Nelson Barbudo PSL MT SIM
Nereu Crispim PSL RS SIM
Neri Geller PP MT SIM
Newton Cardoso Jr MDB MG AUSENTE
Nicoletti PSL RR SIM
Nilson Pinto PSDB PA SIM
Nilson Stainsack PP SC SIM
Nilto Tatto PT SP NÃO
Nivaldo Albuquerque PTB AL SIM
Norma Ayub DEM ES SIM
Odair Cunha PT MG NÃO
Olival Marques DEM PA SIM
Orlando Silva PC do B SP AUSENTE
Osires Damaso PSC TO NÃO
Osmar Terra MDB RS AUSENTE
Ossesio Silva Republicanos PE SIM
Otoni de Paula PSC RJ SIM
Otto Alencar Filho PSD BA SIM
Padre João PT MG NÃO
Pastor Eurico Patriota PE AUSENTE
Pastor Gil PL MA SIM
Pastor Sargento Isidório Avante BA SIM
Patrus Ananias PT MG NÃO
Paula Belmonte Cidadania DF SIM
Paulão PT AL NÃO
Paulo Abi-Ackel PSDB MG AUSENTE
Paulo Azi DEM BA SIM
Paulo Bengtson PTB PA SIM
Paulo Eduardo Martins PSC PR SIM
Paulo Freire Costa PL SP SIM
Paulo Ganime Novo RJ SIM
Paulo Guedes PT MG NÃO
Paulo Magalhães PSD BA SIM
Paulo Pereira da Silva Solidariedade SP SIM
Paulo Pimenta PT RS NÃO
Paulo Ramos PDT RJ NÃO
Paulo Teixeira PT SP AUSENTE
Pedro Augusto Bezerra PTB CE SIM
Pedro Cunha Lima PSDB PB SIM
Pedro Lucas Fernandes PTB MA AUSENTE
Pedro Lupion DEM PR AUSENTE
Pedro Paulo DEM RJ SIM
Pedro Uczai PT SC NÃO
Pedro Westphalen PP RS SIM
Perpétua Almeida PC do B AC NÃO
Pinheirinho PP MG SIM
Policial Katia Sastre PL SP SIM
Pompeo de Mattos PDT RS NÃO
Pr. Marco Feliciano Republicanos SP AUSENTE
Professor Alcides PP GO SIM
Professor Israel Batista PV DF NÃO
Professor Joziel PSL RJ SIM
Professora Dayane Pimentel PSL BA SIM
Professora Dorinha Seabra Rezende DEM TO SIM
Professora Marcivania PC do B AP NÃO
Professora Rosa Neide PT MT NÃO
Rafael Motta PSB RN NÃO
Raimundo Costa PL BA SIM
Raul Henry MDB PE SIM
Reginaldo Lopes PT MG NÃO
Rejane Dias PT PI NÃO
Renata Abreu Pode SP SIM
Renato Queiroz MDB RR SIM
Renildo Calheiros PC do B PE NÃO
Ricardo Barros PP PR SIM
Ricardo Guidi PSD SC SIM
Ricardo Izar PP SP SIM
Ricardo Silva PSB SP SIM
Ricardo Teobaldo Pode PE SIM
Robério Monteiro PDT CE NÃO
Roberto Alves Republicanos SP SIM
Roberto de Lucena Pode SP SIM
Rodrigo Agostinho PSB SP SIM
Rodrigo Coelho PSB SC SIM
Rodrigo de Castro PSDB MG SIM
Rodrigo Maia DEM RJ PRESIDENTE
Rogério Correia PT MG NÃO
Roman Patriota PR SIM
Ronaldo Carletto PP BA SIM
Ronaldo Martins Republicanos CE SIM
Rosana Valle PSB SP SIM
Rosangela Gomes Republicanos RJ SIM
Rose Modesto PSDB MS AUSENTE
Rubens Bueno Cidadania PR SIM
Rubens Otoni PT GO NÃO
Rubens Pereira Jr. PCdoB MA NÃO
Rui Falcão PT SP NÃO
Ruy Carneiro PSDB PB SIM
Sâmia Bomfim Psol SP NÃO
Samuel Moreira PSDB SP SIM
Sanderson PSL RS SIM
Santini PTB RS SIM
Sargento Fahur PSD PR SIM
Schiavinato PP PR SIM
Sebastião Oliveira PL PE AUSENTE
Sérgio Brito PSD BA SIM
Sergio Souza MDB PR SIM
Sergio Toledo PL AL SIM
Sergio Vidigal PDT ES NÃO
Severino Pessoa Republicanos AL SIM
Shéridan PSDB RR SIM
Sidney Leite PSD AM SIM
Silas Câmara Republicanos AM SIM
Silvia Cristina PDT RO NÃO
Silvio Costa Filho Republicanos PE SIM
Soraya Santos PL RJ SIM
Sóstenes Cavalcante DEM RJ AUSENTE
Stefano Aguiar PSD MG SIM
Stephanes Junior PSD PR AUSENTE
Subtenente Gonzaga PDT MG NÃO
Tabata Amaral PDT SP NÃO
Tadeu Alencar PSB PE NÃO
Tadeu Filippelli MDB DF SIM
Talíria Petrone Psol RJ NÃO
Ted Conti PSB ES NÃO
Tereza Nelma PSDB AL SIM
Tiago Dimas Solidariedade TO SIM
Tiago Mitraud Novo MG SIM
Tiririca PL SP NÃO
Tito Avante  BA SIM
Toninho Wandscheer Pros PR SIM
Túlio Gadêlha PDT PE NÃO
Uldurico Junior Pros BA NÃO
Vaidon Oliveira Pros CE SIM
Valdevan Noventa PL SE SIM
Valmir Assunção PT BA NÃO
Vander Loubet PT MS NÃO
Vanderlei Macris PSDB SP SIM
Vavá Martins Republicanos PA SIM
Vermelho PSD PR SIM
Vicentinho PT SP NÃO
Vicentinho Júnior PL TO SIM
Vilson da Fetaemg PSB MG NÃO
Vinicius Carvalho Republicanos SP SIM
Vinicius Farah MDB RJ SIM
Vinicius Gurgel PL AP SIM
Vinicius Poit Novo SP SIM
Vitor Hugo PSL GO SIM
Vitor Lippi PSDB SP SIM
Waldenor Pereira PT BA NÃO
Walter Alves MDB RN SIM
Weliton Prado Pros MG SIM
Wellington Roberto PL PB AUSENTE
Wilson Santiago PTB PB SIM
Wladimir Garotinho PSD RJ AUSENTE
Wolney Queiroz PDT PE NÃO
Zé Carlos PT MA NÃO
Zé Neto PT BA NÃO
Zé Silva Solidariedade MG SIM
Zé Vitor PL MG SIM
Zeca Dirceu PT PR NÃO

Reprodução: CUT

FUNDEB é desconfigurado e privatizado na Câmara dos Deputados

Educação pública sofre sua maior derrota desde a Constituinte de 1988
 
Em pleno Dia Internacional dos Direitos Humanos (10.12.20), a Câmara dos Deputados, no Brasil, num gesto antagônico à garantia de um dos direitos mais essenciais da pessoa humana e da sociedade (a Educação), aplicou o maior e mais assombroso golpe contra a educação pública brasileira. Nem os mais céticos poderiam prever tamanha inconsequência coordenada pela base do governo Bolsonaro no parlamento, que terminou por quase sepultar o FUNDEB aprovado pela Emenda Constitucional (EC) nº 108, no último mês de agosto.
 
Após várias rodadas de negociações (ou pretensas negociações) com o relator do PL 4.372/20, deputado Felipe Rigoni (PSB-ES), para que seu relatório inicial fosse adequado aos objetivos da EC 108 – retirando o caráter privatista da proposta e contemplando pautas da sociedade progressista organizada –, entrou oficialmente na pauta de votação da Câmara Federal a regulamentação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB. O que se viu, a partir daí, foi um festival de traições e dilapidação da maior conquista da educação pública nos últimos anos. O incontido apetite privatista dos partidos de Direita, especialmente do chamado Centrão (base de apoio do governo Bolsonaro), não só recolocou no texto do FUNDEB os principais pontos que haviam sido retirados por “acordo” entre o relator e os partidos de oposição, como piorou ainda mais a regulamentação.
 
Sobre o pretenso acordo entre o relator e a oposição, restaram sérias dúvidas a respeito de sua boa-fé. Isso porque vários parlamentares da situação citaram durante a votação outras negociações feitas entre a base do governo e o relator, que descaracterizavam o acordo com a oposição. E essa suposta traição teria como única estratégia garantir que o PL 4.372/20 fosse pautado no plenário da Câmara dos Deputados, sem obstruções. Objetivo claramente alcançado! A oposição cumpriu o acordo e sequer apresentou destaques ao texto (com exceção de um ao final da votação). Já a base do governo surrupiou o FUNDEB na calada da noite.
 
Nem mesmo os ajustes feitos na parte que trata da complementação da União VAAR (por resultados), a fim de reconhecer as eleições para direções das escolas juntamente com os critérios técnicos e de mérito previstos na redação original do substitutivo, e a inclusão de indicadores sociais e de raça para contrapor os critérios meramente meritocráticos nesta forma redistributiva de recursos da União, foram suficientes para amenizar os enormes retrocessos aplicados à escola pública brasileira. Outra inclusão ao texto diz respeito à vigência da Lei 11.738 até que o Congresso regulamente uma nova lei de piso nacional para o magistério. A proposta da CNTE previa prazo para a regulamentação do piso salarial do art. 206, VIII da Constituição, mantendo-se vigente, até essa data, o atual piso do magistério. O risco agora consiste em não aprovar o piso para todos os profissionais da educação e, de quebra, termos uma nova legislação para o magistério mais restritiva que a atual.
 
Entre as derrotas impostas à educação pública, destacam-se:
 
1. A privatização da oferta de educação técnica e profissional, drenando recursos públicos para instituições conveniadas ou “parceiras” com o poder público, sobretudo as entidades do Sistema S, que já contam com fartos recursos públicos e ganharão ainda mais com o FUNDEB. E não há travas para essas parcerias!
 
2. A privatização por convênios irrestritos na educação infantil (creche e pré-escola) e na educação especial. Também não há limites para as parcerias entre o poder público e as instituições privadas (conveniadas) nessas etapas e modalidades.
 
3. A privatização de 10% das vagas do ensino fundamental e médio, atendendo especialmente aos interesses de entidades confessionais e aquelas que fazem filantropia com recursos públicos no país.
 
4. A privatização das atividades de contraturno escolar, algo inédito na educação brasileira. As instituições conveniadas (comunitárias, confessionais e filantrópicas) poderão abocanhar mais 30% do custo aluno do FUNDEB para ofertar atividades extracurriculares aos estudantes das escolas públicas.
Profissionais da educação duramente atingidos em sua valorização
 
Não bastasse todo o desmonte promovido na oferta escolar pública, a Câmara dos Deputados fechou a votação do FUNDEB com a quase inacreditável aprovação da emenda apresentada pelo “Partido Novo”, que introduz na subvinculação de 70% dos recursos do FUNDEB, destinados à remuneração dos profissionais da educação, também os trabalhadores que desempenham atividades nas instituições comunitárias, confessionais e filantrópicas, além de psicólogos, assistentes sociais e quaisquer outros profissionais que estejam vinculados às secretarias de educação (contadores, advogados, administradores, quiçá militares!).
 
Essa aberração legislativa visa claramente fragilizar ainda mais o cumprimento do piso salarial profissional nacional do magistério e as políticas de valorização das carreiras profissionais de professores e demais trabalhadores da educação básica pública. Se antes faltavam recursos para valorizar os profissionais da educação, que dirá se essa emenda for definitivamente aprovada pelo Senado?
 
Mobilização, já!
 
Não obstante a luta jurídica que se sucederá a partir das emendas aprovadas ao relatório de regulamentação do FUNDEB, sobretudo no que se refere a subvinculação destinada para a valorização dos profissionais da educação, é importante, desde já, organizar a mobilização social para reverter no Senado os absurdos cometidos pela Câmara dos Deputados.
A cobiça privatista aliada ao projeto de desmonte da escola pública brasileira são duas bandeiras indissociáveis do governo Bolsonaro. Todavia, a falta de limites e de bom-senso na votação da Câmara coloca em risco a estrutura da educação nacional. Os municípios, especialmente os menores, serão gravemente afetados com a redução de receitas do FUNDEB drenadas para a iniciativa privada.
 
É hora de mais uma vez o país se unir para evitar o desmonte da educação pública, Gestores, trabalhadores, estudantes e comunidade escolar por inteiro devem dar as mãos e cerrar fileiras contra os retrocessos impostos pela Câmara dos Deputados ao FUNDEB. Todas as emendas vão contra os objetivos da EC 108 e precisam ser revertidas. Para tanto, a mobilização no Senado, e posteriormente na Câmara dos Deputados – que dará a palavra final sobre as possíveis alterações realizadas pelo Senado – é a primeira e urgente estratégia de reversão dos absurdos cometidos contra a educação pública e seus profissionais em âmbito do FUNDEB.
 
Essas importantes decisões ocorrerão todas na próxima semana – votação no Senado e eventual retorno à Câmara dos Deputados – e é preciso mobilizar urgentemente as bases sociais, pressionando os/as senadores/as e denunciando a farra inconsequente dos/as deputados/as que votaram contra a educação pública e a maioria do povo brasileiro.
Vamos à luta!
 
Brasília, 11 de dezembro de 2020
 
Diretoria da CNTE
 
Reprodução: CNTE

Novo desafio: Congresso pode regulamentar Fundeb nesta quinta

Depois de cinco anos de intensos debates e uma árdua aprovação pelo Congresso Nacional em agosto deste ano, o novo Fundo Nacional Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) enfrenta agora mais um desafio: a necessidade de regulamentação. O tema está em discussão na Câmara dos Deputados por meio do Projeto de Lei (PL) 4372/20, que seria avaliado na quarta-feira (9), mas acabou tendo a votação adiada. A proposta pode ser apreciada pelo plenário nesta quinta (10).

Parlamentares e entidades da sociedade civil se articulam e correm contra o tempo para definir as normas das quais depende a dinâmica do fundo, que é a principal fonte de recursos da educação básica, da creche ao ensino médio. Para começar a valer já em janeiro de 2021, o Fundeb precisa ser regulamentado ainda este ano.  

 

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    Foto: Renovação do Fundeb renovação teve como principal conquista a ampliação da participação da União no financiamento, que sairá de 10% e aumentará progressivamente para 23% até 2026. Crédito: Agência Brasil

 

Tecnicamente, o processo em discussão no Congresso se refere à Emenda Constitucional (EC) 108/2020, que oficializou a conversão do fundo em uma política pública permanente. O texto surgiu da necessidade de garantir uma continuidade da manutenção da educação básica, uma vez que o Fundeb atualmente em vigor foi criado em 2006 já com prazo de término, agendado para 31 de dezembro deste ano.

Ao longo dos anos de debate no Legislativo, a proposta de renovação teve como principal conquista a ampliação da participação da União no financiamento, que sairá de 10% e aumentará progressivamente para 23% até 2026. Para 2021, por exemplo, o percentual previsto é de 12%. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) teme que a demora na regulamentação comprometa as verbas.  

“A EC 108 definiu um prazo mais elástico, até junho do ano que vem, pra consolidar essa regulamentação. Mas ser regulamentado agora é importante pra já começar janeiro incluindo os 2% a mais de complementação da União. Se não regulamentar agora, vai adiar por seis meses a aplicação desses recursos e estados e municípios deixam de receber mais pra cuidar da educação já no inicio de 2021”, argumenta o presidente da entidade, Heleno Araújo.

O dirigente aponta que o próximo ano letivo tende a ser ainda mais exigente para instituições e trabalhadores da área por conta do efeito pandemia, que engoliu boa parte das atividades deste ano e jogou para 2021 um conjunto de desafios. “Pode ser que as escolas tenham que conciliar, por exemplo, aulas presenciais e atividades remotas ainda. Como vai ser isso sem verbas adicionais? Temos novos desafios agora”, assinala Araújo.  

Sem a regulamentação, pelo menos 1.499 municípios que têm uma situação educacional e orçamentária mais precária podem ficar sem R$ 3 bilhões em recursos adicionais. O montante atinge um total de 7 milhões de estudantes.

E se não for aprovado?

Em caso de não aprovação rápida do PL, a luz no fim do túnel para essas administrações seria a edição de uma Medida Provisória (MP) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para garantir as verbas enquanto não se definem as regras de aplicação da emenda constitucional.

A questão, no entanto, é vista com receio por parlamentares de oposição, que não confiam no governo e receiam mudanças de perspectiva para o Fundeb na eventual MP. “Tememos a introdução de elementos estranhos”, resume o deputado Bacelar (Podemos/BA), ao mencionar as dissidências que a aprovação do fundo precisou superar. O tema é constantemente assediado por parlamentares de ideias privatistas, como é o caso da bancada do partido Novo, defensor da canalização de parte das verbas para a educação privada.

Enquanto o Congresso Nacional contabiliza seus últimos dias de atividade antes do recesso parlamentar de final de ano, o PL 4372 ainda tem um percurso pela frente. Após aprovação na Câmara, a proposta precisa receber aval do Senado. Na sequência, carece de uma homologação por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Como o governo não é muito ligado à pauta de educação, se o Congresso não mostrar unidade nesse assunto, a gente perde muito”, diz o deputado Israel Batista (PV-DF), que acredita na possibilidade de um acordo em torno do tema para agilizar a aprovação do PL e garantir as verbas.   

Mudanças

Além da batalha contra o relógio, os parlamentares que atuam na defesa do fundo se articulam para tentar modificar trechos do parecer do relator do PL, Felipe Rigoni (PSB-ES). O relatório não agradou parte da bancada da educação em diferentes aspectos. Um deles é a possibilidade de utilização do dinheiro do Fundeb para pagamento de outros trabalhadores, como psicólogos, assistentes sociais, etc.

Em nota pública divulgada nos últimos dias, a CNTE apontou que a mudança contraria o Artigo 206 da Constituição Federal e trechos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que não consideram tais segmentos como trabalhadores da área.     

Outro aspecto considerado crítico do parecer é a previsão de transferência de recursos para entidades do Sistema S que oferecem serviços de educação profissional. Para a CNTE, a mudança “representa grave drenagem de recursos públicos”. A entidade argumenta que tais organizações já cobram mensalidades para a maior parte dos cursos que ofertam, o que não justificaria, na avaliação da confederação, o consumo de verbas do Fundeb.

“O Sistema S possui financiamento parafiscal e recolhe, anualmente, valores que superam a complementação da União ao Fundeb. As nove entidades deles arrecadaram, em 2019, R$ 17,7 bilhões, sendo que o repasse da União aos estados e municípios via Fundeb em 2020 será de R$ 13,2 bilhões”, compara a CNTE em nota.

Para Bacelar, que presidiu a Comissão Especial do Fundeb na Câmara, a proposta do texto de Rigoni é “temerária”. Ele afirma que a eventual aprovação desse trecho do parecer teria o potencial de retirar R$ 9 bilhões da rede pública.

“Que o ensino profissionalizante é necessário nós sabemos, que o ensino médio sem profissionalização não é atrativo a alguns jovens também sabemos, mas não se pode querer resolver todos os problemas da educação brasileira nem muito menos da sociedade brasileira apenas com o Fundeb”, argumenta o deputado.  

Outro lado

O Brasil de Fato não conseguiu falar diretamente com o deputado Felipe Rigoni para tratar das críticas feitas ao relatório pelas fontes ouvidas nesta reportagem. Nesta quarta-feira, ao se manifestar pelo Twitter, o pessebista afirmou que tem atuado no tema por meio do diálogo.

“Ao longo da construção do relatório da regulamentação, me reuni com diversos segmentos educacionais. Foram meses de muito estudo e trabalho”, disse, destacando que houve cinco audiências públicas e que “34 especialistas e representantes de instituições” foram ouvidos.

 “Nosso relatório em momento algum atendeu propostas que enfraquecem a educação pública”, acrescentou o parlamentar, em outro tuíte.

(Brasil de Fato, Reportagem de Cristiane Sampaio, Foto: Agência Brasil, 10/12/2020)

 

Reprodução: CNTE

Relatório do FUNDEB contradiz objetivos da Emenda Constitucional 108 e ameaça gravemente os profissionais da educação

Desde a primeira versão do relatório do deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) ao PL 4.372/20, que trata da regulamentação do art. 212-A e de outros dispositivos da EC 108, que aprovou de forma permanente o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB, a CNTE tem se manifestado contrária a diversos dispositivos do relatório, pelo fato de não estarem adequados aos objetivos da Emenda 108. Pelo contrário: tentam resgatar conceitos rejeitados por ampla maioria por ocasião do debate e aprovação da PEC 15/2015, que deu origem à EC 108.

Entre as questões ressuscitadas pelo relator, destacam-se, a priorização de repasses públicos para instituições privadas, expandindo os atuais limites da Lei 11.494; a inserção de critérios meritocráticos que prejudicam a gestão democrática e a ampliação do financiamento às redes públicas de ensino que mais necessitam de investimentos; a inviabilidade de participação da sociedade nas diversas instâncias que tratam da formulação, do monitoramento, do controle e da avaliação do fundo público da educação básica, desprezando os preceitos do parágrafo único do art. 193 da Constituição Federal; a possibilidade de privatização quase irrestrita das escolas públicas e de terceirização de seus profissionais ao não fixar travas para as ações redistributivas dos entes públicos às suas escolas; o descaso em estabelecer critérios de expansão das matrículas nas áreas com maior déficit de atendimento (creche e EJA), menosprezando as políticas de busca ativa por novas vagas e a contabilização das mesmas no FUNDEB nos diferentes anos em curso.

Para além dessas e outras omissões e contradições, alguns pontos são ainda mais caros à CNTE, entidade representativa dos/as trabalhadores/as da educação básica pública. Além de lutar pelo direito à educação de todos/as os/as brasileiros/as, nos termos definidos pela Constituição Federal (que elegeu a oferta pública como prioritária), compete à CNTE defender os interesses de sua categoria profissional. E ao longo de décadas a Confederação, em diálogo com diferentes governos e com o parlamento, tem avançado nas políticas de
reconhecimento e valorização dos profissionais da educação, as quais começaram a sofrer graves ameaças.

O FUNDEB foi uma grande conquista da sociedade brasileira, na medida em que aprofundou o regime de cooperação entre os entes federados (com maior participação da esfera federal no financiamento da escola de nível básico), possibilitando maior inserção de estudantes em todas as etapas e modalidades com mais qualidade (embora seja preciso avançar nesse quesito) e equidade no atendimento público. Outro avanço inequívoco, porém ainda incipiente, diz respeito à valorização dos profissionais da educação, historicamente
aviltados em seus direitos, salários e condições de trabalho, mas, contraditoriamente, quase sempre responsabilizados pelo “insucesso” escolar das crianças e jovens.

Neste sentido, o FUNDEB tem por objetivos universalizar o atendimento escolar nas esferas públicas, melhorar a qualidade do ensino público e valorizar os profissionais da educação pública, não podendo o Fundo sofrer mitigações em benefício do setor privado. Este, por sua vez, é reconhecido na Carta Magna e ocupa função complementar, inclusive sem direito a reserva de mercado em sua atuação. Importante observar que existem limites constitucionais para os convênios de matrículas escolares com as redes públicas, porém muitos parlamentares e o próprio relator parecem fazer vistas grossas para essas condicionantes, que poderão ensejar inconstitucionalidades na lei de regulamentação do novo FUNDEB.

 

Sobre os profissionais da educação
A escola é constituída, sobretudo, por estudantes e por profissionais dispostos no artigo 61 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/96), especialmente nos incisos I a III do referido artigo que regulamentou o parágrafo único do art. 206 da Constituição Federal (Lei 12.014/09). As famílias e as comunidades que convivem aos arredores da escola também dela participam.

A qualidade da educação é composta por inúmeros fatores, que vão desde o financiamento compatível às demandas escolares, até a profissionalização e valorização dos trabalhadores em educação (professores, pedagogos/especialistas e funcionários da educação: merendeiras, porteiros/as, técnicos/as em multimeios didádicos, em infraestrutura, em gestão das secretarias escolares, enfim, aqueles trabalhadores dispostos na 21ª área profissional de apoio escolar). Tanto a LDB como as normativas do Conselho Nacional de Educação asseguram e promovem a profissionalização dos/as educadores/as escolares. E é preciso respeitá-las!

Também a Lei 13.005, que aprovou o Plano Nacional de Educação, dispôs de quatro metas específicas para valorizar os profissionais da educação, assegurando políticas ondissociáveis de formação, salário, carreira, jornada, acesso às redes públicas por concurso público, piso salarial nacional com base no art. 206, VIII da Constituição Federal, entre outros. De modo que a tentativa do relator do FUNDEB, na Câmara Federal, de surrupiar as conquistas dos profissionais da educação, muitas ainda pendentes de regulamentação ou de efetividade por parte expressiva dos poderes públicos, contradiz os objetivos do próprio Fundo – que se destina à valorização dos profissionais da educação –, tornando contraproducentes os esforços que o país tem feito para alavancar a valorização desses profissionais nos últimos anos.

Como apontado em documentos anteriores da CNTE, as propostas do relator Felipe Rigoni regridem as políticas de valorização dos profissionais da educação nos seguintes aspectos:

1. Amplia o rol de profissionais a serem remunerados com recursos do FUNDEB, excedendo os limites da própria EC 108, que trata exclusivamente dos profissionais da educação. Incluir psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais que prestam serviços às escolas, mas que não integram as carreiras dos profissionais da educação, atenta não só contra a legislação pátria, como contraria os objetivos de valorização profissional de professores, especialistas e funcionários. Frise-se que a LDB veda expressamente o pagamento de equipes de psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, médicos, farmacêuticos, entre outros, as quais podem (e devem) desenvolver atividades em conjunto com as
escolas, mas que não compreendem as despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino (art. 71, inciso IV da Lei 9.394/96). E tentar incluir esses e outros profissionais (contadores, militares, advogados etc) na subvinculação do FUNDEB, ou mesmo no total da vinculação constitucional da educação, pelo fato de prestarem serviços vinculados às redes escolares, fere dispositivos legais e retrocede avanços recentes na valorização dos profissionais da educação.

2. Não vincula as políticas de valorização dos profissionais da educação aos indicadores para a complementação da União VAAR, sobretudo o cumprimento do piso salarial nacional e a efetivação de planos de carreira para o conjunto da categoria nos diferentes entes da federação, de forma a estimular a consecução das metas e estratégias do Plano Nacional de Educação.

3. Ignora o compromisso de regulamentação do piso salarial nacional previsto no art. 206, VIII da Constituição e não faz referência a título de maior segurança legal à vigência do piso salarial do magistério, até que o piso de abrangência mais ampla seja regulamentado. Em razão do exposto, bem com das inúmeras manifestações legítimas e pertinentes de segmentos da sociedade que se mostram contrários ao parecer do relator Felipe Rigoni, a CNTE tem requerido às lideranças partidárias na Câmara dos Deputados que adiem a votação da regulamentação do FUNDEB, possibilitando maior diálogo com a sociedade e o aperfeiçoamento do texto à luz do que foi aprovado na Emenda 108.

Brasília, 10 de dezembro de 2020
Diretoria da CNTE

 

Reprodução: CNTE

Mobilização pressiona por Fundeb urgente e denuncia relatório que piora fundo

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Parlamentares e representantes de sindicatos de todo país se engajaram no tuitaço #FundebUrgente, que aconteceu nesta terça-feira (8) pela manhã. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) postou em seu feed que não podemos aceitar qualquer tipo de descaracterização do Fundo, que deve ser destinado somente à educação. E um tuite do Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers) diz que é preciso cobrar o compromisso dos parlamentares com a efetiva valorização dos profissionais da educação.

A mobilização digital convocada pelo Fórum Nacional Popular da Educação (FNPE), agregada a outras ações, teve como objetivo pressionar os parlamentares a aprovar urgente o Projeto de Lei (PL) nº 4.372/20, que trata da regulamentação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) permanente, sancionado em agosto. Além disso, a mobilização exigiu que o deputado Felipe Rigoni (PSB) altere o relatório que piora o PL.

O deputado, que foi indicado para ser relator, mas ainda não foi oficializado, incluiu na minuta que os recursos do Fundeb vá também para escolas privadas caracterizadas como filantrópicas, comunitárias e confessionais, ligadas as igrejas, distribuição de recursos para o Sistema S, que também não é público, e ainda quer que os 70% do fundo destinado a valorização dos profissionais da educação seja também para pagar outros profissionais que não são do ramo.

“É importante a aprovação urgente da regulamentação com base no texto do PL da deputada Dorinha, aprovado na Câmara e no Senado”, afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Heleno Araújo, que ressaltou: “É mais importante ainda que esta minuta apresentada pelo deputado, que nem foi formalizado como relator, seja alterada porque traz prejuízos maiores para e educação pública brasileira”.

Entenda

O Fundeb permanente precisa ser regulamentado antes do recesso parlamentar para que em 2021 a medida possa entrar em vigor e garanta o aumento gradual dos recursos da União para o Fundeb, que passará dos 10% atual para 23% até 2026, de forma progressiva, e 70% dos recursos para o pagamento do piso salarial para todos os profissionais da educação.

Caso isso não aconteça, a Emenda Constitucional (EC) nº 108 garante que a aplicação do Fundeb não tenha prejuízos até junho, porém os recursos repassados sofrerão impactos negativos para a educação porque o repasse será só dos atuais 10%. Porém, afirmou Heleno, o relatório de Rigoni traz prejuízos maiores.

“É uma minuta desastrosa com prejuízos enormes para o futuro da educação pública. O deputado atende a pressão do setor privado, de igrejas e de governadores. A nossa luta é para que este relatório seja alterado antes mesmo de se tornar oficial. O que a gente precisa é que este PL seja apresentado na perspectiva como ele foi apresentado pela professora Dorinha e garante a ampliação dos recursos para a educação pública e os 70% dos profissionais da educação”, explicou Heleno.

No Twitter as entidades e pessoas que participaram da mobilização digital #FundebUrgente deixaram clara a reivindicação para a população e deputados e senadores: “Recursos públicos são para educação pública e profissionais da educação precisam ser valorizados”.

“Neste relatório diz que é para pagar todo mundo que está no efetivo da educação, além de profissionais de outras áreas (saúde, assistência social, contadores etc), que mesmo desempenhando algum tipo de atividade transversal na área da educação, não podem ser considerados como profissionais da educação, pois não atendem aos pressupostos da formação de educadores (art. 61 da Lei 9.394/LDB). Para nós quem não é profissional da educação não pode receber deste recurso. O Fundeb, como o nome já diz, é para o desenvolvimento do ensino e valorização dos trabalhadores”.

“Esta luta não é só da comunidade escolar, deveria ser de toda a sociedade brasileira, que em sua grande maioria depende do que é público e os parlamentares precisam atender a demanda do povo. Convocamos cada um e cada uma pra estar junto conosco nessa luta, porque juntos somos mais fortes e teremos uma regulamentação que alcance o desejo da comunidade escolar e do povo brasileiro”, finalizou Heleno.

Outras mobilizações

Uma mobilização nacional, também chamada pelo FNPE, está prevista para acontecer na tarde desta terça-feira (8), a partir das 14h30, e na próxima segunda-feira (14), a partir das 18h30 com a hashtag #RegulamentaFundeb.

Em defesa da escola pública e da valorização dos profissionais da educação, entidades, Fóruns e lideranças partidárias farão um debate virtual na página do Facebook do FNPE e estão pressionando os parlamentares, principalmente do PSB, partido do Rigoni, para dialogar sobre os interesses da categoria e da população brasileira.

A CNTE também alerta para o perigo de que se o Congresso não colocar em pauta, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) também poderá interferir negativamente no fundo.

“Não podemos deixar que esta minuta vire um medida provisória e piore o Fundeb. Nós abrimos um amplo debate com os parlamentares federais e com o partido do Rigoni para pedir que parem de ouvir o Todos Pela Educação e o setor privado e considere as observações que apresentamos à eles. Nos debates do FNPE o deputado é convidado, uma forma de pressionar também. A entidades filiadas a CNTE também vão pressionar os parlamentares nos estados. A mobilização promete ser intensa e ampliada”, explicou Heleno.

(CUT Brasil, Érica Aragão, 08/12/2020)

Fonte: CNTE

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