Podcast: Uma nova ferramenta para o ambiente educacional

Se em fevereiro alguém falasse que uma pandemia obrigaria profissionais de diferentes áreas a se reinventarem em 2020, e que o ensino remoto e as novas tecnologias seriam a regra nos meses seguintes, tal pessoa seria levada em descrédito. Nem mesmo quem trabalha com tecnologia e recursos digitais poderia prever tamanhas mudanças em um curto prazo de tempo.

A soma desse novo cenário, na educação e as potencialidades pedagógicas do podcast para estudantes e professores(as), foi tema de um bate-papo entre o professor da rede pública de Brasília Pedro Artur Cruz de Melo e Rafael Lauro e Rafael Trindade, apresentadores do podcast de filosofia Razão Inadequada.

Pedro é formador da EAPE (Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação) e integrante da GITEAD (Gerência de Formação Continuada para Inovação, Tecnologias e educação à Distância).

Ouça o episódio!

Paulo Petersen: “Comida de verdade como elo de lutas pela democratização da sociedade”

Como parte de sua estratégia de incidência política, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) tomou a iniciativa de identificar políticas, programas, legislações e outras ações públicas em execução ou já executadas em municípios do Brasil em coerência com suas pautas propositivas. A partir de uma pesquisa-ação desenvolvida em todos os estados e que integra a campanha Agroecologia nas Eleições, foi possível identificar mais de 700 iniciativas em pouco menos que dois meses. Apesar do foco nas eleições municipais, a estratégia não se restringe ao calendário eleitoral. Além de cobrar o compromisso assumido por centenas de  candidatos e candidatas às prefeituras e câmaras municipais ao assinarem a carta programática preparada pela ANA, a iniciativa tem por objetivo criar ou fortalecer espaços de participação democrática para que as políticas públicas sejam formuladas, executadas e monitoradas com ativo envolvimento de organizações da sociedade civil.

Para apresentar os objetivos e sentidos da Campanha, entrevistamos Paulo Petersen, Coordenador Executivo da AS-PTA, integrante do Núcleo Executivo da ANA e ex-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia). Na conversa com a NINJA, ele explica a metodologia adotada para levar as pautas do campo agroecológico para a agenda pública no contexto das eleições municipais. Para Petersen, este processo desencadeado pela ANA está voltado prioritariamente a promover o direito humano à alimentação adequada e saudável por meio da agroecologia. Desse ponto de vista, contribui para enfrentar a ascensão dos valores conservadores e autoritários, em um processo de acumulação de forças do campo democrático a partir de propostas muito concretas para melhorar a vida do povo. Disputar essas ideias nos municípios neste momento é condição essencial para que sejam construídas melhores condições para uma efetiva disputa de projetos no futuro, inclusive nos pleitos eleitorais nos estados e na  federação daqui a dois anos.

Por que lançar uma campanha chamada Agroecologia nas Eleições?

Antes de mais nada, é preciso ressaltar que essa campanha é coerente com o que sempre fizemos na ANA. Partimos da constatação de que a agroecologia está muito mais disseminada no país do que normalmente se imagina. Nosso esforço é o de identificar e sistematizar experiências práticas coerentes com os fundamentos da agroecologia, para em seguida dar visibilidade aos seus resultados e promover o intercâmbio entre as pessoas nelas diretamente envolvidas. São iniciativas muito heterogêneas e específicas, surgidas em lugares e processos diferentes. Por essa razão, muitas vezes elas encontram dificuldade de se identificar mutuamente. O que tem a ver um acordo de pesca em uma comunidade ribeirinha na Amazônia com um sistema participativo de garantia da produção agroecológica no Sul do Brasil? Aparentemente nada. Mas experiências como essas, aparentemente díspares, são orientadas por princípios e valores comuns.

Nossos encontros nacionais sempre são realizados a partir dos ensinamentos extraídos das experiências que brotam nos territórios movidas por esses princípios e valores. Na campanha Agroecologia nas Eleições, aplicamos o mesmo enfoque para conhecermos as ações públicas já executadas em nível local. Sabíamos que em muitos municípios do Brasil, e até mesmo em arranjos entre municípios, existem muitas iniciativas importantes, sendo a imensa maioria delas muito pouco conhecidas. Em vez de elaborarmos de nossas cabeças um conjunto de proposições sobre como deveriam ser as políticas das futuras prefeituras, o nosso caminho foi o de dar visibilidade ao que já vem sendo colocado em prática com sucesso. Dessa forma, abandonamos o campo da idealização do que poderia vir a ser para entramos no campo da realidade concreta, daquilo que já existe e que é plenamente possível ser replicado ou adaptado em diferentes contextos.

Esse foi o sentido do grande mutirão realizado para mapear experiências, políticas, programas e iniciativas de promoção da agroecologia nos municípios brasileiros. Vimos em que medida as prefeituras têm tomado a iniciativa, muitas vezes em conjunto com organizações sociais locais, de construir sistemas locais de produção, distribuição e consumo de alimentos. As experiências mapeadas são coerentes com os princípios da agroecologia já que apontam para o fortalecimento da agricultura familiar e camponesa, da produção diversificada, para a valorização da biodiversidade e das culturas alimentares, para o protagonismo das mulheres e da juventude e de suas organizações locais, para o consumo de comida de verdade e, em contrapartida, para a luta contra os ultraprocessados impostos pelas multinacionais do ramo da alimentação.

                             Colheita de sementes crioulas na Borborema/PB Foto: Emanoel Dias

 

Nesse material é possível identificar temas ou situações mais recorrentes?

Em um documento lançado recentemente foi apresentada uma síntese das iniciativas identificadas por região e por campos temáticos. A primeira coisa a ser ressaltada é que o que levantamos é uma amostra de um universo muito mais amplo. As 720 experiências identificadas nesse curto período indicam que existem muito mais iniciativas pelo Brasil afora. Iniciativas que resultam de conquistas locais e que precisam ser reconhecidas e valorizadas para que tenham continuidade e sejam amplificadas e multiplicadas.

O contexto das eleições é muito favorável para comprometer não só as candidaturas e os partidos políticos, mas também a opinião pública. Não estamos a favor de uma candidatura ou de outra, de um partido ou de outro. Defendemos uma agenda política propositiva. Nossa pauta de proposições é claramente vinculada às lutas pela democratização e pela sustentabilidade.

A partir do foco da agroecologia e da alimentação saudável, tocamos em um ponto sensível da agenda pública, sobretudo nesse momento histórico em que a fome e a insegurança alimentar severa voltam a figurar como uma trágica realidade no cotidiano do povo. Voltamos a esse quadro após termos saído do mapa da fome da FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura] por um breve período, como resultado de políticas públicas claramente orientadas à superação da fome e da miséria. Infelizmente, muitas das boas políticas federais nessa direção foram desativadas, sobretudo a partir do golpe institucional de 2016. Mas muitos aprendizados dos períodos anteriores seguiram em prática em alguns estados e em muitos municípios.

Um dos ensinamentos do passado é que a retirada do país do mapa da fome não significou, necessariamente, a promoção da segurança alimentar e nutricional. A generalização da má alimentação com ultraprocessados foi a razão que motivou o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) a organizar uma Conferência Nacional com o lema “Comida de verdade no campo e na cidade”. A noção de comida de verdade ressalta que o foco das políticas públicas para a segurança alimentar e nutricional deve ir além da dimensão quantitativa da alimentação. Em outras palavras, ir além do “encher a barriga” para nutrir o corpo e a alma com alimento saudável e adequado.

É esse o sentido da noção de “democratização dos sistemas alimentares” que defendemos. Fortalecer a agricultura familiar camponesa, aquela que produz comida de verdade, promovendo circuitos curtos de distribuição entre a produção e o consumo, assegurando remuneração justa para quem produz e preços adequados para quem consome comida de verdade e não “enchimento” industrializado.

Apesar do desmonte das políticas públicas federais, os municípios podem fazer muita coisa. São as administrações municipais que implementam localmente políticas federais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Mas, independente do governo federal, há muita margem de manobra para a ação autônoma das prefeituras ou dos legislativos locais. Como pudemos identificar, várias dessas iniciativas podem ser executadas com orçamentos restritos. O envolvimento ativo das organizações da sociedade civil também são características recorrentes.

Fortalecer a produção e o pequeno varejo, facilitar equipamentos para a comercialização, como feiras e mercados locais, prestar serviços de assessoria técnica, criar campanhas de informação sobre alimentação saudável, moedas locais para incentivar a comercialização dos alimentos produzidos no município são algumas dentre as inúmeras formas de atuação identificadas.

Esperar até 2022 por uma incerta conjuntura político-institucional mais favorável no plano nacional, significaria passar dois anos assistindo o avanço da fome e da desnutrição, o enfraquecimento da agricultura familiar e, por outro lado, a expansão das grandes cadeias de varejo alimentar e do agronegócio. As prefeituras são muito importantes e essa campanha pode fortalecer muitas candidaturas comprometidas com as pautas defendidas pelo campo agroecológico.

 

                          Banco de Sementes Comunitário no Agreste da Paraíba Foto: Acervo ASPTA

 

Passadas as eleições, teremos mais capacidade de cobrar das prefeituras e câmaras de vereadores. Será necessário também seguir aprendendo com essas experiências de políticas locais, inclusive com a possibilidade de estimularmos a criação de redes de municípios comprometidos com a agricultura familiar e com a agroecologia, um tipo de iniciativa já existente na Espanha e na Argentina. Precisamos avançar nessa direção por aqui também. Se temos tantas iniciativas interessantes nos municípios, por que gestores públicos não trocam experiências entre si com a participação das organizações da sociedade civil? Ao tirar essas experiências da invisibilidade, esperamos que esse movimento se desdobre após as eleições.

É preciso ter claro que a agroecologia é uma construção local. Portanto, não virá de cima para baixo. O Brasil foi o primeiro país a ter uma Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Sempre dizíamos na Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO) que a política só ganharia consistência e efetividade quando conseguisse se enraizar nos territórios e municípios. Em nosso pacto federativo, uma política nacional é essencial no sentido de fortalecer as experiências que estão sendo realizadas nos municípios e territórios. Nesse sentido, o governo federal pode apoiar, induzir e legitimar iniciativas coerentes com a agroecologia. Mas a construção efetiva da agroecologia é feita pelos sujeitos que estão no território formando redes.

Essa perspectiva contrasta frontalmente com o agronegócio, uma lógica de organização técnica e social imposta de cima para baixo. Em que pese o discurso liberal do setor do agronegócio, tal sistema não se sustentaria sem os pesados recursos financeiros e de marketing ideológico providos pelo Estado, inclusive com aberrantes isenções fiscais e perdões de dívidas. Sem isso, seria impossível manter a aparência de vitalidade de um sistema de poder autoritário, socialmente excludente e ecologicamente predatório que, ao contrário do que propaga, é diretamente responsável por parte significativa das mazelas do povo brasileiro.

A campanha traz também em sua essência essa disputa de narrativa e uma proposta de comunicar à sociedade as virtudes da agroecologia?

Como tantos outros, acredito que as forças políticas da esquerda institucional efetivamente interessadas em transformar a realidade precisam atualizar suas narrativas. E precisam igualmente atualizar seus métodos de construção política, tendo mais sensibilidade e se deixando influenciar pelas experiências emancipatórias construídas pelo povo. Entre outras coisas, isso significa transferir o poder de fala para os protagonistas dessas experiências. Os testemunhos de mulheres e homens que no dia a dia constroem alternativas é condição para uma política efetivamente mobilizadora e transformadora.

A comunicação não pode continuar pautada pela apresentação de estatísticas e dados agregados sobre as tragédias sociais. É preciso também apresentar as alternativas concretas, inspiradoras de caminhos efetivamente transformadores trilhados a partir da participação ativa da cidadania na gestão pública. Apesar de toda a vitalidade dessas iniciativas territorialmente enraizadas, seus protagonistas seguem invisibilizados e desconsiderados como forças de transformação social por expressivos segmentos da esquerda.

Renovar a esquerda para que ela recomponha sua capacidade de mobilização social implica em fazer política tocando os afetos e as sensibilidades, criando espaço para a enunciação das vozes daqueles e daquelas que estão na luta a partir de suas experiências. A agroecologia situa-se exatamente como um desses campos de lutas emancipatórias travadas a partir do lugar de vida e de trabalho. Seus protagonistas, agricultoras e agricultores familiares produzem alimentos saudáveis, livres de química. Com seu trabalho geram e distribuem riquezas, conservam a biodiversidade e os mananciais de água pura. Com suas formas de organização social e econômica enriquecem a cultura popular.

A campanha Agroecologia nas Eleições vai nessa direção. Não estamos interessados somente em anunciar que identificamos 720 experiências. Queremos divulgar os testemunhos que deixam claro o que essas políticas significam para a vida das pessoas em diferentes lugares do país. Essa articulação entre o mapeamento de iniciativas e a comunicação popular é muito virtuosa.

Há poucos dias produzimos um card com o mapa do Brasil indicando que até aquele momento já contávamos com 506 candidatos (as) a prefeito (a) e vereadores (as), comprometidos (as) com a agenda agroecológica. São essas comunicações sintéticas que vão criando uma verdadeira onda de comprometimento público de candidatos(as) e não candidatos(as) a uma agenda política propositiva.

Nunca a agroecologia esteve tão presente em processos eleitorais como nessas eleições municipais. Ao mesmo tempo em que mostramos a expressiva quantidade e a diversidade de iniciativas em curso, explicitamos a incrível invisibilidade dessa realidade. É preciso agora traduzir essa constatação em força política.

Por meio de suas campanhas falaciosas, o agronegócio faz com que muitas pessoas acreditem que o “Agro é Pop” e que o “Agro é Tudo”. Que nos alimenta e que sustenta a balança comercial. Apesar da enorme distância da realidade, essas campanhas têm se mostrado convincentes. Precisamos ter claro que a política se faz no dia a dia, na defesa de posições hegemônicas através da disputa de narrativas. Isso significa que não podemos resumir a política aos processos eleitorais. Cabe às forças de esquerda disputar narrativas por intermédio de uma comunicação mobilizadora, portadora dos recados que vêm das experiências sociais.

 

                                 Agricultores vendem sua produção na Feira da Borborema/PB Foto: Acervo ASPTA

 

Qual a essência proposta pela campanha?

A política pública não pode ser entendida como uma exclusividade do Estado. É um arranjo institucional que envolve o Estado e a sociedade civil organizada. O agronegócio não se move a partir do interesse público, mas pela busca incessante de lucro no curto prazo e a qualquer custo. Daí a importância de orientar as políticas públicas por outros valores societais que não aqueles impostos pelo pensamento neoliberal: solidariedade, saúde coletiva, sustentabilidade ecológica, protagonismo das mulheres e da juventude, dentre outros que dão identidade às experiências identificadas à agroecologia.

O crescimento econômico não pode seguir como a única medida de sucesso das políticas públicas. Dependendo do estilo de crescimento, ele pode ser benéfico apenas para os interesses privados. Além de concentrar a riqueza nas mãos de poucos, é um estilo que destrói o meio ambiente. Por isso, precisamos de outras métricas e referências para aferir o sucesso das políticas públicas: postos de trabalho estão sendo gerados e a riqueza está sendo distribuída? Os recursos naturais estão sendo conservados? Os alimentos produzidos são saudáveis e estão acessíveis a toda a população? As comunidades estão livres de discriminação e da violência de gênero, raça e orientação sexual? A agroecologia tem muito a contribuir nessas e em várias outras agendas de interesse público.

A pandemia da Covid-19 revelou como a transformação dos sistemas alimentares, segundo os fundamentos da agroecologia, poderá exercer papel central no equacionamento de um conjunto de desafios das sociedades contemporâneas. As redes locais de solidariedade, que rapidamente se estabeleceram em todo o país para fazer frente aos dramas sociais gerados pela crise, são uma demonstração inequívoca do fato de que a alimentação é um tema mobilizador da sociedade. Dependendo da forma como o alimento é produzido, distribuído e consumido, ele poderá ser uma tranca imobilizadora ou uma chave disparadora de processos políticos voltados a construir sociedades mais democráticas e sustentáveis.

Nossa campanha em defesa da agroecologia nas políticas municipais busca ressaltar um leque amplo de benefícios dessas políticas para o conjunto da sociedade. A começar por explicitar que comida de verdade não é privilégio de minorias, é um direito plenamente possível de ser assegurado para todas e todos, desde que haja políticas adequadas orientadas para esse fim. Como nosso mapeamento demonstrou, as administrações municipais podem fazer muito nesse sentido.

                    Ato de oficialização do projeto emergencial de conservação e multiplicação da agrobiodiversidade do Paraná, município de Rebouças-PR. Foto: Acervo AS-PTA

 

Mesmo diante do contexto extremamente adverso na esfera federal, as redes e articulações territoriais de agroecologia seguem ativas. A que se atribui isso?

São acúmulos de força resultantes de décadas de luta. As políticas de segurança alimentar e nutricional e de agroecologia foram essenciais para o fortalecimento dessas redes locais. Por outro lado, essas políticas foram conquistadas e aprimoradas graças à incidência dessas redes. Trata-se de um movimento de ida e volta, das experiências sociais às instituições políticas e destas às experiências. Em outras palavras, trata-se de um círculo virtuoso democratizante no qual os processos instituintes e as instituições se realimentam reciprocamente. Mas esse processo está momentaneamente interrompido com a mudança no ambiente institucional em nível federal. As induções e reconhecimentos institucionais do governo federal já não existem, pelo contrário, as experiências são abertamente hostilizadas e combatidas pelos mandatários do turno. Mas os processos instituintes sempre existiram e seguirão existindo.

Nesse momento de desmantelamento das instituições democráticas, as eleições municipais exercem um papel essencial. São importantes não só para dar visibilidade à força desse movimento emergente ativo em todo o país, mas também para dar continuidade à institucionalização da agroecologia em políticas públicas. Daqui a dois anos, se essas agendas democratizadoras e mobilizadoras avançarem nos municípios, estaremos em melhores condições para pautar essas proposições do campo agroecológico nas eleições estaduais e federal. Esse processo de baixo para cima é essencial para que sejam combatidos os valores conservadores e reacionários em franca disseminação na sociedade. Em suma: não se trata somente de ganhar as eleições. É preciso ganhar mentes e corações para a construção de uma sociedade justa, fraterna e sustentável.

Desde o golpe de 2016 e nas eleições em 2018, parcelas importantes do povo foram levadas na onda conservadora em busca de proteção diante da crise social e econômica que se aprofundava. Como disse o cantador, quem sabe faz a hora, não espera acontecer. E a hora de começar a virar o jogo é agora, através de ações efetivamente mobilizadoras onde o povo vive, nos municípios. A agroecologia tem um papel fundamental a desempenhar nesse sentido. Ela toca em questões prioritárias na vida daqueles que mais estão sofrendo as consequências da crise econômica e da pandemia. Fome, desemprego, agravos à saúde, endividamento e violência são fenômenos que tenderão a se acentuar pela gestão ultraliberal e reacionária instalada no poder central. A agroecologia nos municípios é um poderoso antídoto ao veneno do autoritarismo.

                               Colheita de milho para a seleção de sementes. Foto: Acervo ASPTA

Reprodução: Mídia Ninja

Nota de falecimento | Professora Rosangela Meneses Pacheco

 

Com imensa tristeza e pesar, a diretoria colegiada do Sinpro-DF comunica o falecimento da professora de artes Rosangela Meneses Pacheco. Ela faleceu, nesse domingo (8/11), de falência múltipla dos órgãos em decorrência de uma leucemia. Seu corpo será cremado nesta terça-feira (10/11), às 10h, no Cemitério do Valparaíso.

Considerada uma guerreira pelos(as) colegas, era militante de primeira hora na defesa da categoria do magistério e da educação pública. Transparente, não se omitia nos seus posicionamentos políticos: era contra qualquer governo que tentasse impor o autoritarismo, a privatização da educação e dos serviços públicos e qualquer política neofascista.

Sempre acolhedora, ela emanava uma imensa alegria de viver. Era competente na sua profissão e sabia como ninguém a história da arte. Dentre muitas qualidades, era solidária com todos e todas. Mesmo depois da pandemia e da sua doença, ela contribuía com seus estudantes das Altas Habilidades.

Professora Rosangela se aposentou em 2015, mas, antes, atuou nas Coordenações Regionais do Guará e Núcleo Bandeirante. Professora Rosangela, presente!

 

 

 

 

 

Empresa privada que administra energia elétrica deixa Amapá no apagão

No mesmo dia em que o Amapá completa 4 dias de apagão, o governo Ibaneis Rocha (MDB) anuncia o leilão da CEB Distribuição. No Amapá, bastou uma tempestade e um raio para um incêndio destruir um transformador e revelar ao mundo o que significa a privatização do sistema de energia elétrica. Há 4 dias com 90% dos municípios completamente sem energia, a situação é tão grave que o governo Waldez Góes (PDT) decretou situação de emergência.

O apagão do Amapá é resultado de um incêndio em um transformador de energia na subestação de Macapá, que resultou na perda total na unidade na terça-feira (3). A empresa espanhola Isolux, que dona e operadora da linha de transmissão de 500 kv Tucuruí-Macapá-Manaus, que liga o Amazonas, o Amapá e oeste do Pará à Usina Hidrelétrica de Tucuruí, e colocou o Amapá no Sistema Interligado Nacional (SIN), em 2015, não consegue trocar o transformador que pegou fogo porque não tem outro para pôr no lugar em hora de emergência.

Precisou de uma empresa estatal, a Eletronorte, entrar no circuito para amenizar a situação e devolver energia ao Estado do Amapá. A situação do Amapá é o espelho do que irá acontecer no Distrito Federal assim que a CEB for privatizada. Sem luz e sem água e com uma pandemia de Covid-19 descontrolada, treze dos 16 municípios do Amapá, ou seja, Macapá e outras 12 cidades, entram no quarto dia de apagão nesta sexta e não tem previsão de volta da luz.

Informações do Ministério das Minas e Energia dão conta de que quase todo o estado está sem energia e a população já sofre para comprar o básico. Empresários e comerciantes, sobretudo do ramo de alimentação, estão acumulando prejuízos. Em nota à imprensa, o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) cobrou, nesta sexta-feira (6), uma ação mais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em relação à operação da espanhola Isolux, dona da subestação no Amapá, que teve um dos seus três transformadores incendiados e provocou o apagão.

Na manhã desta sexta-feira (6), o ministério informou a retomada de 60% a 70% do serviço, mas, até o início da tarde, 13 dos 16 municípios continuavam sem luz, com exceção de hospitais, que estão mantidos pela energia da estatal Eletronorte. Macapá e outras 12 cidades estão sem luz. Só na capital, Macapá, com 760 mil habitantes, e na região metropolitana, a população tem vivido uma verdadeira tragédia.

Há denúncias de que parte da população mais vulnerável já passa fome e sede. O desabastecimento também é realidade. Para saber o nível do estrago, é preciso esperar a água baixar e a energia voltar. Vídeos enviados às redes sociais mostram a falta de água potável, de comida e até combustível na capital. Muita gente se refugiou no Aeroporto Internacional de Macapá Alberto Alcolumbre, local que ainda tem energia elétrica. Em Macapá, só há energia nos serviços essenciais, como hospitais.

Além disso, falta água encanada, água mineral e gelo; Internet e serviços de telefonia quase não funcionam; postos de gasolina não tem gerador e não conseguem operar; caixas eletrônicos e máquinas de cartão não funcionam e, por isso, as pessoas não conseguem fazer compras.

Eletronorte: a estatal que vai salvar o Amapá
O Amapá é a unidade da Federação que reinaugura, após 19 anos, o pesadelo dos apagões que ocorreram no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) por causa da política do Estado mínimo para privatização. Importante lembrar que os apagões em empresas públicas nos governos neoliberais são parte de “estratégias” para privatização generalizada. Há uma Medida Provisória (MP), a MP 998, em andamento no Congresso Nacional, que obriga e dá um prazo até junho de 2021 para o Amapá para privatizar distribuidora estadual, a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), que está federalizada, sob o comando da Eletronorte.

“É essa a política neoliberal: demora dias para substituir um equipamento danificado por um incêndio”, alerta a diretoria colegiada do Sinpro-DF. Em entrevista para o Sinpro-DF, Ikaro Chaves, engenheiro eletricista da Eletronorte e diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras (Aesel), explica que se trata de uma linha de transmissão em 230 kv que sai de Tucuruí e vai até Macapá.

“Essa linha é responsável por fazer a interligação do Estado do Amapá com o Sistema Interligado Nacional. Ela é a única linha que fornece energia ao Amapá. Se ficar sem essa linha, o estado fica isolado. Foi construída e é operada pela Isolux, uma empresa privada espanhola que ganhou um leilão ao apresentar o menor preço para fazer esse trecho”.

No Brasil não há nenhuma barreira para entrada de empresas privadas para fazer empreendimentos, incluindo aí em áreas importantes, como o setor de energia. Qualquer empresa pode participar de leilões. Na época, essa empresa concorreu, até mesmo com a Eletronorte, saiu vitoriosa. Ofereceu um preço menor do que o da Eletronorte.

As investigações ainda serão feitas, mas, até onde a gente sabe, o que aconteceu no Amapá foi um sinistro causado por um raio, durante uma tempestade muito forte, que caiu sobre um transformador, que explodiu e incendiou. Desgraçadamente, a empresa tinha dois transformadores em reserva, mas um deles estava danificado e, o outro, também foi danificado pelo incêndio.

Atualmente, há outra, a Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes, situada a 150 km de Macapá, que pertence à estatal Eletronorte, que está funcionando e fornecendo parte da energia para a população. Não é suficiente para a demanda do estado. As causas dos problemas nos transformadores da Isolux serão apuradas.

Empresas privadas visam apenas o lucro
“O que a gente sabe é que, definitivamente, a Isolux não tem um corpo técnico suficiente e capaz para atuar num tipo de intercorrência como esta. Tanto é que o Ministério das Minas e Energia acionou a Eletronorte, uma estatal, para ajudar na recuperação do sistema. A Eletronorte já mobilizou técnicos de vários estados da Região Norte para recuperar o sistema da Isolux. Vão tentar colocar o segundo transformador que sofreu algumas avarias com o incêndio para alivar o estado”, informa.

Além disso, a estatal Eletronorte, que não tem nenhuma responsabilidade pelo fato ocorrido, emprestou outro transformador de propriedade dela, disponível, porém, terá de ser removido do Estado de Roraima. Trata-se de uma operação que irá demorar algum tempo.

“Não podemos fazer acusações levianas, precisamos de apuração, mas podemos tirar lições desse problema do Amapá. Aparentemente, há problemas. Primeiro, por que o sistema de proteção contra descargas atmosféricas (raios) não foi capaz de proteger o transformador? É preciso ter o famoso para-raio. O que estava instalado lá não funcionou. É possível ter havido erro de projeto ou de manutenção. Segundo, por que houve danos em dois transformadores? Deve ser erro de projeto também”, analisa o engenheiro.

Na avaliação dele, o problema do Amapá suscita a reflexão sobre como é encarada o setor elétrico no Brasil porque o que os governos colocam como prioridade para uma empresar ganhar um leilão desses é o menor preço. Mas, e isso é verdade, não existe uma fiscalização do projeto. Muitas vezes a empresa oferece o menor preço, mas não faz um projeto bem-feito, não utiliza o melhor equipamento e materiais e, inclusive, corta muita mão de obra, deixando o quadro de pessoa insuficiente para enfrentar todas as situações para baixar preço, ganhar leilão e maximizar os lucros.

Essa maneira de encarar o setor elétrico é outro aspecto que põe o País em risco. Essa é a lição que fica. Vai entregar as empresas do setor elétrico para empresas privadas que só visam o lucro? Todas as empresas privadas visam o lucro. A empresa privada existe para dar lucro ao dono dela. Não existe para outra coisa. Geralmente, esse lucro é feito em detrimento da segurança dos consumidores, dos trabalhadores e do próprio meio ambiente.

“O que acontece no Amapá é o espelho do que irá acontecer com a CEB após o leilão porque a empresa que irá concorrer será como todas as outras que cortaram mão de obra e investimentos para concorrer pelo menor preço e maximizar os lucros. Isso não é fato isolado. O que aconteceu no Amapá não é fato isolado: acontece frequentemente no Estado de Goiás, que deixa a população no prejuízo; em Rondônia, no Acre. Trata-se de uma tragédia anunciada”, assegura.

Estudantes da rede participam de disputa nacional de empreendedorismo

A fase regional do programa Innovation Camp premiou estudantes do Cemi do Cruzeiro por projeto de educação financeira. A etapa nacional ocorre hoje ( 5), de novembro.

Um projeto de quatro estudantes do Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Cruzeiro,  garantiu lugar em disputa nacional que busca incentivar o empreendedorismo. A definição ocorreu no dia (26/10). Mariana de Matos, Karem Victória, Ana Karolina de Souza e Yasmin Pereira conseguiram uma vaga numa competição de inovação graças a projeto de educação financeira para crianças. As três primeiras têm 18 anos e cursam o 3º ano do ensino médio, enquanto Yasmin, 15, está no 1º ano.

O projeto das quatro estudantes concorreu com iniciativas de estudantes do Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Gama e do Centro Educacional do Lago. Com a vitória, as alunas do Cruzeiro partem para uma competição com equipes de outras unidades da Federação em 5 de novembro. O melhor projeto será premiado pelo Facebook. A disputa é parte do programa Innovation Camp, da organização social Junior Achievement e ocorre com o patrocínio da Estação Hack do Facebook. No Cemi do Cruzeiro, a Junior Achievment investe no empreendedorismo desde 2018 de maneira presencial. 

 

Reparar a falta de educação financeira

O projeto Enterprising, apresentado pelas quatro estudantes do Cemi do Cruzeiro na competição regional, busca reduzir o problema da falta de educação financeira na população. A solução encontrada foi incentivar a formação das crianças sobre o tema de forma lúdica e com o uso da tecnologia. O projeto consiste em aliar um cofrinho em formato de porco com um aplicativo, em que são disponibilizados jogos e dicas.

 

Protótipo do aplicativo que contará com jogos e dicas sobre educação financeira
           Protótipo do aplicativo que contará com jogos e dicas sobre educação financeira(foto: Arquivo Pessoal)

 

“Nós decidimos por essa abordagem de projeto porque a infância é uma fase em que a pessoa está em desenvolvimento. Então, nada melhor do que formar a pessoa com educação financeira já nessa fase. A criança aprende outras matérias, como matemática, ciências e português, mas falta educação financeira. E por que não ensinarmos, já que é algo que se leva para toda a vida?”, questiona a estudante Mariana de Matos, 18 anos, que está no 3° ano do ensino médio.

“Nosso projeto é mais voltado para o público infantil porque fizemos entrevistas antes de chegarmos à ideia final. Constatamos que, para a maioria das pessoas que disseram não ter tido contato com a educação financeira desde cedo, esse é um grande problema em suas vidas”, destaca Yasmin Pereira, 15, estudante do 1° ano do ensino médio.

Desafios do empreendedorismo juvenil

Outra integrante da equipe é Karem Victória, 18, que está no 3° ano do ensino médio. Ela conta que não foi fácil chegar a uma saída no desafio proposto, já que as estudantes tiveram uma semana para criar algo inovador e mais uma semana para se prepararem para a apresentação final. ”Foi muito difícil, mas acabamos tomando a decisão juntas”, disse a estudante. “Depois que encontramos uma ideia viável, fomos só ajustando. Confesso que, em vários momentos, pensei que não fosse dar certo”, reforça Ana Karolina de Souza, 18, também do 3° ano.

A solução foi desenvolvida em quatro encontros com mentorias e orientações da Junior Achievement. Para lapidar o projeto, as equipes debatiam as ideias; faziam pesquisas, votações, e entrevistas. Ao fim do processo, ocorre o chamado pitch, em que os grupos devem resumir a ideia para os jurados e tentar convencê-los da escolha do projeto. “Não é porque é uma atividade educacional que você não pode desenvolver uma solução real e que possa ser financiada”, pondera Fabiano Rezende Barcelos Anchiêta, que orientou as estudantes.

Fabiano destaca que o programa torna mais precoce o contato com o empreendedorismo. Além disso, o professor, que dá aula de redes e de Prática Pedagógica Supervisionada (PPS), considera que os ensinamentos do programa se estendem para além da carreira dos alunos. “Com relação às escolhas da vida, o Innovation Camp permite analisar se as soluções realmente vão dar certo”, pondera.

 

O professor Fabiano Rezende Barcelos Anchiêta, que orientou as estudantes, destaca que os aprendizados serão levados para a vida toda
O professor Fabiano Rezende Barcelos Anchiêta, que orientou as estudantes, destaca que os aprendizados serão levados para a vida toda(foto: Arquivo pessoal)

O projeto Enterprising concorrerá com outros projetos de estudantes de cinco estados brasileiros. A decisão final ocorrerá em 5 de novembro, mas, por enquanto, as alunas do Cemi do Cruzeiro podem se preparar e aprimorar o projeto.

Gestão satisfeita

O diretor do Cemi do Cruzeiro, Getulio Cruz, acredita que os resultados de estudantes do colégio em competições também são fruto da dedicação e da preocupação da equipe de coordenadores e professores com o rendimento dos alunos.

Ele destaca que, além do projeto em parceria com a Junior Achievement, a escola desenvolve outros projetos de destaque em robótica, artes, literatura e teatro. “Entendo que, como gestor, tenho que ser aberto a inovações. Então, nossos alunos são orientados a criar e a se desenvolver para o mercado de trabalho. Parcerias são mais que oportunas, pois trazem formação de qualidade”, pondera.

Reprodução: Eu Estudante

SEMINÁRIO: “I EDUCAR PARA DEMOCRACIA: Caminhos Para Uma Formação Cidadã”, Participe!

O Sinpro convida todos(as), para participar do seminário I Web Seminário Educar Para Democracia: Caminhos Para Uma Formação Cidadã”. Em formato virtual, e ao vivo, os expositores professores(as) de diferentes lugares do Brasil (Amazonas, Roraima, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul), apresentarão projetos construídos e aplicados em suas escolas, principalmente na educação básica, totalizando 21h de atividades com certificação para os inscritos participantes. Durante o seminário, acontecerá também, o lançamento da obra “A Missão Pedagógica de Educar para Democracia”.  

O evento será  sob a organização do Coletivo Docentes pela Democracia com chancela da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE,) tendo como cerne contribuir para a formação de profissionais da educação promovido sob a égide da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão.

As inscrições ocorrerão até o dia 24/11.  Você pode conferir toda programação e informações sobre o seminário aqui. 

Participe! Juntos, somos mais fortes.

Participe|| Geometria Natalina 2020

A Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM), convida todos(as), para participar  da Geometria Natalina-2020 em formato remoto.

 O evento é realizado desde 2006 e visa uma interação por meio de oficinas, envolvendo geometria.

Devido à pandemia, a edição deste ano, ocorrerá de forma virtual.  Os interessados, deverão fazer o envio do vídeo do dia 01°/11 à 15/11.

Participe! 

LIVE|| PARTICIPE DO LANÇAMENTO DA REVISTA “SALA DE RECURSOS”, NESTA QUINTA (5)

O sonho de materializar um projeto que estava apenas nos grupos de conversas, foi possível graças ao empenho de um grupo de professores de Sobradinho, que com muita força de vontade e determinação viram que o ensino inclusivo ultrapassava  as paredes das salas de aulas.  

Experiências e vivências no ambiente escolar, foram o combustível para despertar nos professores o desejo de documentar os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes  da educação inclusiva. Trabalhos esses ricos em superação, possibilidades e mudanças. 

Assim nasceu a revista Sala de Recursos, um espaço recheado de histórias, experiências pessoais e com  olhar de educadores que convive com diferenças. Inclusão, essa é a palavra certa para decifrar o trabalho dos professores, pois acreditam que a melhor maneira de fazer o bem, é permitir a todos o acesso ao sistema educacional de qualidade. Ambiente este que deve ser sempre um espaço de convivência múltipla com respeito às diferenças e, também, as práticas e as relações da SR revista serão sempre ancoradas em três princípios: Equidade, Igualdade e Respeito. Leia mais aqui.

Para debater mais sobre o projeto, nesta quinta-feira (5), às 17h45, acontecerá uma live para o lançamento oficial da revista “Sala de Recursos”. A transmissão será ao vivo  pela TV Comunitária no canal 12 da NET,  pelo Facebook e Youtube do Sinpro. Para o debate, participará, Ray Oliveira e Luciana Reis, idealizadoras e colaboradoras da revista. 

Participe você também!

 

Artigo | Pensar é preciso

“De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida”. A frase do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, nascido no século XIX, parece provocar a atualidade como se o tempo presente fosse peça do passado. A realidade que vivemos hoje, marcada pelo fundamentalismo religioso, pelo negacionismo virulento da ciência e pelos discursos políticos baseados em concepções hipocritamente moralistas são marcas de nossa contemporaneidade.

Antigos preconceitos e concepções, que pareciam ter sido superados em momentos anteriores da história humana, ressurgem potencializados pelas redes sociais e meios tradicionais de comunicação. Condenações sumárias se multiplicaram a partir das fake news (notícias falsas), difundidas pelas redes sociais e, em grande medida, reforçadas por ação ou omissão da grande mídia comercial.

Magistrados das redes sociais, tribunais e mídia corporativa impuseram a lógica da irrelevância de fatos e provas para apontar condenados e inocentes, validando decisões assentadas em preconceitos e valores pessoais. Valores impostos como parâmetros de narrativas que pretendem justificar ações e avaliações sobre indivíduos, definições sobre relações sociais e organizações políticas e institucionais.

Obscurantismo
Nesta lógica de prevalência da relativização do fato sobre o fato em si, a narrativa da realidade se impõe como mera retórica, sem exigência de relação entre fato e realidade. Situação que pode ser exemplificada com a inquisição medieval, em que a divergência é criminalizada e as provas e fatos são irrelevantes. O obscurantismo ganha terreno, os preconceitos são naturalizados e determinadas violências são permitidas e até estimuladas.

Neste cenário em que convivem impressionantes avanços comunicacionais, a partir da interação nas redes sociais, conjugados com visões pré iluministas, a reflexão sobre os relacionamentos entre pessoas e com o meio ambiente é interditada. As redes sociais possibilitaram a lógica da pós-verdade.

Assim, algumas lideranças políticas, religiosas e do meio jurídico ou empresarial têm seus discursos produzidos a partir da negação dos fatos históricos ou sínteses de pesquisas científicas. Tais líderes, influenciando a opinião das maiorias, obscurecem consciências, relativizam fatos e delimitam as possibilidades de diálogo gerando intolerância.

A impossibilidade da reflexão, assentada em notícias inverídicas e inquestionáveis, impede as pessoas em perceberem as ações motivadas por tácitos preconceitos de classe, gênero, etnia, orientação sexual ou tipo físico. Dessa forma, piadas e comentários baseados em preconceitos e discriminações são minimizados ou desconsiderados a partir da justificativa do suposto senso de humor brasileiro.

Essa construção conceitual esconde a manutenção, na sociedade brasileira, de práticas racistas, LGBTQIfóbicas, misóginas, ou seja, há uma hierarquização, por ordem de importância, das vidas humanas. Em uma sociedade cada vez mais terrivelmente capitalista, a hierarquização de vidas tem sintonia com o sistema econômico, exclusivamente, baseado na propriedade privada de bens e capacidade de consumo como condições essenciais para valorar pessoas.

Desumanização
Uma das consequências centrais desse sistema econômico e ideológico é a desumanização das relações sociais, ao mesmo tempo em que ações de cunho humanitário são pontuais e delimitadas temporalmente. Olhemos o que ocorre na pandemia do novo coronavírus. Muitas pessoas e até instituições demonstram incômodo e certa solidariedade com as pessoas que não tem condições de se manterem, materialmente, neste momento.

Esse sentimento ou comportamento, contudo, não permanece em relação às populações de rua, ao genocídio do povo negro, à exploração de crianças e adolescentes ou ao combate às violências contra mulheres e LGBTQI+. A delimitação pontual e temporal da solidariedade ou de ações de atenção a pessoas vulneráveis ocorre pela interdição da reflexão sobre as causas que produziram tantos/as vulnerabilizados/as social e economicamente.

As conclusões de um processo individual e coletivo sobre tal situação, certamente, produziriam questionamentos sobre o sistema econômico social em que ocorre a pandemia e que é anterior a ela. Nessa perspectiva, a solidariedade é mais uma imagem ou relato egocêntrico a ser divulgado em redes sociais do que um comportamento ou sentimento baseado em empatia e alteridade. 

A naturalização das consequências destrutivas e excludentes do sistema que valoriza mais a economia do consumo e acúmulo do que a vida, incluindo aí a vida humana, produz as condições para a negação, capaz de impedir ações que superem a lógica da superexploração da mão de obra e da continuidade da concentração de renda.

Neste cenário, propostas que retiram conquistas e direitos trabalhistas e sociais são aceitas como necessárias. Na mesma lógica, propostas como taxação de grandes fortunas e grandes heranças, tributação progressiva que alcance todos os rendimentos, incluindo aí os oriundos de lucros e dividendos, são interditadas do debate público.

A naturalização e a criminalização dos/as miseráveis, assim como, a manutenção dos privilégios das classes ricas são componentes vitais do modelo capitalista. A reflexão que questiona e rejeita as tais verdades absolutas, que se origina na dúvida assentada no desejo de síntese, é instrumento essencial para a construção de uma sociedade socialmente justa, humanamente melhor e não predatória de vidas.  

* Por Cleber Soares, professor de filosofia da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF) e diretor do Sinpro-DF

Cemeb lança e-book sobre temáticas urbanas nesta quinta-feira (5)

Cemeb lança, nesta quinta-feira (5), às 10h, o livro virtual CEMEB – Temáticas Urbanas (Coletânea Interdisciplinar). O lançamento será realizado durante um sarau, a ser transmitido pelo canal de YouTube do Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb).

A equipe de professores(as) e estudantes do Cemeb convida a todos e todas para o lançamento do e-book durante o sarau virtual a ser apresentado pela professora de Língua Portuguesa, Alessandra Marques Costa Servo Rocha. Ela integra a equipe técnica do evento, o qual foi desenvolvido pelo supervisor pedagógico Adam Smith e pelo design e diagramador Divanir Júnior.

Entre 9 e 12 de novembro, haverá a entrega de exemplares físicos do livro para os autores. Eles poderão autografar o exemplar que ficará guardado na biblioteca da escola. Além disso, a equipe da escola planeja enviar exemplares para outros acervos, como a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional de Brasília, a Biblioteca do Senado Federal e a da Câmara dos Deputados.

O lançamento da edição física do livro aberto ao público só deve ocorrer no aniversário de 60 anos do Cemeb, em 22 de abril de 2021.

Coletânea interdisciplinar
A equipe de professores(as) do Cemeb A obra reúne uma coleção de textos elaborados por estudantes do Cemeb no ano letivo de 2019, sob supervisão de professores(as). A obra conta com prefácio da editora de Opinião do Correio, Dad Squarisi.

O projeto literário contou com a adesão de oito professores(as) de várias disciplinas, além de 88 escritores e cerca de 40 ilustradores. Além disso, o projeto contou com o apoio incondicional da equipe gestora, liderada por Ivan Ferreira de Barros, atual diretor.

Trata-se do resultado de parte do projeto Laboratório de Língua Portuguesa do Cemeb, que busca exercitar a expressão artística escrita e visual com o recurso da interdisciplinaridade.

Gêneros textuais
O livro conta também com oito gêneros textuais: contos, poemas, paródias, resenhas críticas, propostas de projetos de lei, dissertações, relatórios e peças teatrais e com a participação das professoras Clara Rosa Cruz Gomes e Maria Zuleide Vieira, idealizadoras do projeto literário.

Essa atividade contou com a colaboração de professores de várias disciplinas, de estudantes do Cemeb e de outros profissionais. Além das composições textuais, o livro reúne ilustrações de estudantes com altas habilidades atendidos(as) pela Sala de Recursos do Cemeb.

Temáticas urbanas
A obra conta com temáticas abordadas pelos estudantes e suas vivências, que abrangem assuntos como amor, bullying, guerra e violência. “Neste momento, sobretudo em razão da pandemia, o e-book torna o livro acessível a todos”, afirma a professora Alessandra.

Não perca!

SERVIÇO
O QUÊ: Lançamento do livro Cemeb – Temáticas Urbanas (Coletânea Interdisciplinar)
DIA: 5 de novembro (quinta-feira)
HORA: 10h
ONDE: YouTube do Cemeb

 

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