Mercadante exalta Paulo Freire e valorização docente

Em entrevista à Tv 247, nesta quinta-feira (15/10), dia dos professores, o ex-ministro e presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante, destacou a importância do educador Paulo Freire, patrono a educação brasileira, e a necessidade de valorização da carreira docente. “Assim como os 60 milhões de estudantes que estão sofrendo dentro de casa sem conviver com os amigos e colegas, tenho certeza  de que os cerca de 3 milhões de professores e professoras do Brasil estão ansiosos para voltar para a sala de aula, mas querem fazer isso com prudência e com segurança”, disse.

Para Mercadante, as condições de isolamento social geradas pela pandemia da Covid-19 reafirmaram a importância do papel do professor na sociedade. “Eu acho que essa experiência também mostra para gente o quanto é importante, o quanto é nobre, o quanto é indispensável o papel do professor, que precisa ser mais valorizado e mais reconhecido. E a educação não pode ser tratada como vem sendo tratada pelo governo Bolsonaro”, afirmou.

O ex-ministro também relembrou a prioridade e centralidade que a educação tinha nos governos Lula e Dilma. “A educação foi uma grande prioridade estratégica a ponto de nós termos, depois do governo Lula, em que já houve avanços espetaculares, colocado o lema do governo “Brasil, pátria educadora”, apontando que o fim da pobreza era só um começo”, explicou.

“Houve uma grande valorização dos professores. O piso salarial, que foi construído nos nossos governos junto com o Fundeb, o grande instrumento de financiamento e de redução das desigualdades na rede escolar, aumentou 49% em termos reais acima da inflação, e ainda é muito pouco, porque é um salário muito baixo para atrair bons profissionais e reconhecer a importância dessa atividade”, destacou. O ex-ministro também mencionou a importância da reformulação da carreira docente na educação superior, feita durante os governos do PT, que estipulou a obrigatoriedade de doutorado para ingresso de novos professores na universidade pública federal e que definiu critérios de promoção por mérito e titulação na carreira.

Além disso, dentre as ações destacadas por Mercadante como relevantes na educação durante os governos do PT estão: conceber a educação como um todo sistêmico (da educação infantil ao pós-doutorado), o aumento de recursos para a área com crescimento de 207% acima da inflação, o apoio a educação infantil, especialmente ao processo e alfabetização, a criação dos Institutos Tecnológicos Federais e a ampliação da rede federal de educação superior. Mencionou ainda programas como o Pronatec, o Ciência Sem Fronteiras, o novo Enem, o Plano Nacional da Educação, a aprovação da Lei de Cotas e os royalties do petróleo para a educação.

No fim do programa, Mercadante relembrou o convívio que teve com o educador Paulo Freire, quem ele classificou como uma pessoa espetacular e generosa, especialmente no final da década de 1970. “Primeiro que o Paulo Freire dedicou a vida dele à alfabetização de adultos e dizia que a educação tinha que ser a pedagogia dos oprimidos, a pedagogia da liberdade, educar era um ato de libertar, de gerar emoções. Ele olhava o trabalhador como sujeito histórico, como agente transformador. Então, a forma de abordagem dele era uma forma transformadora, era uma forma revolucionária, sendo ele o intelectual em ciências humanas mais citado do Brasil e o patrono da educação. Viva Paulo Freire e, como ele dizia, vamos esperançar”, concluiu.

Fonte: Fundação Perseu Abramo

PROJETO DE LEITURA FAZ SUCESSO ENTRE PROFESSORES E ESTUDANTES

Aos 62 anos de idade, Mariana Carvalho de Oliveira Lima,  não esconde a paixão pela escrita. Professora há 30 anos, sempre esteve atenta e preocupada com a forma de lecionar aos estudantes, o que sempre foi motivo de orgulho. Dos 30 anos em sala de aula, Mariana trabalha atualmente na  Escola Classe 10 de Ceilândia, onde é responsável por um projeto de leitura que é o xodó de todos, o motivo? A participação e contribuição do corpo docente com o projeto. 

Batizado carinhosamente de “Indo além de mim”, o projeto recebe turmas em um espaço de leitura para despertar nos estudantes, a paixão pelos livros. O apoio da equipe gestora e dos professores(as), foi fundamental para o sucesso da causa, o que para a professora é a receita de tamanha aceitação. “O que me motiva a escrever é  desejar transmitir ideias e o que penso por meio dos meus escritos, gosto de escrever principalmente para o público infanto- juvenil porque creio que por meio da leitura esse público  possa   aprimorar a oralidade e o conhecimento, abrindo os olhos para conhecer um mundo maravilhoso”, afirma Mariana. 

Abaixo, alguma das suas belas poesias. 

EDUCAÇÃO (2)

CORONAVIRUS (1)

 

Dia do Professor: os desafios de uma profissão pouco valorizada no Brasil

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O professor no Brasil ganha pouco. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os professores brasileiros estão entre os que detêm menor remuneração entre as nações desenvolvidas ou em processo de desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, os profissionais da educação acabam cumprindo as maiores jornadas de trabalho em sala de aula, convivendo com a violência e com condições de trabalho extremamente precárias.

“Que este dia sirva de reflexão para que possamos seguir firmes e determinados para transformar o mundo em que vivemos. Esta é uma profissão que ajuda a formar cidadão e cidadã. Esse é o nosso trabalho: cuidar e formar as pessoas para viverem com dignidade”, destaca Heleno Araújo, presidente da Confederação Nacional do Trabalhador em Educação (CNTE). Para ele, a pandemia do Covid-19 pode mostrar a importância da profissão para a população brasileira.

Ao se referir a valores anuais, o relatório da OCDE aponta que no Brasil, os salários reais médios dos professores chegam a US$ 24.765 no ensino infantil (inferior à média da OCDE de US$ 38.677), US$ 25.005 no ensino fundamental inicial (inferior à média da OCDE de US$ 43.942), US$ 25.272 no fundamental anos finais (inferior à média da OCDE de US$ 46.225) e US$ 25.966 no ensino médio (inferior à média da OCDE de US$ 49.778).

Orçamento para 2021
Em agosto deste ano, o governo Bolsonaro encaminhou ao Congresso o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), com previsão de gastos para educação em 2021. Segundo a proposta, serão destinados R$ 144,5 bilhões à educação.

No entanto, uma nota técnica da Coalizão Direitos Valem Mais apresentou um estudo indicando um conjunto de propostas a fim de fortalecer a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual 2021, dentro do contexto da pandemia para garantir o cumprimento de diretios sociais da população, dentre eles, a educação.

Na pasta da Educação, a proposta prevê R$ 181,4 bilhões, contra R$ 144,5 bi encaminhados pelo governo (LOA). Esse montante recomendado pela Coalizão servirá para que a política de educação se organize para a retomada das escolas com menor número de alunos por turma (segundo a OCDE, o Brasil é um dos países com o maior numero de estudantes por turma), maior número de profissionais de educação, adequação das escolas para o cumprimento de protocolos de segurança e proteção, ampliação da cobertura de acesso à internet de banda larga para os estudantes da educação básica e ensino superior no país, retomada dos programas de assistência e permanência estudantil na educação básica e no ensino superior.

Fora da sala de aula

Segundo dados da Pnad/IBGE 2019 e do Censo Escolar, o Brasil possui cerca de 77 milhões de pessoas com mais de 18 anos de idade sem ter concluído a educação básica; 23% dos jovens entre 15 e 17 anos não estudam e nem trabalham; mais de 60% das crianças entre 0 e 3 anos de idade não frequentam a creche; quase três milhões de meninos e meninas de 5 a 14 anos são vítimas do trabalho infantil e estão fora da escola.

Mônica Correa Rentschler, professora aposentada da rede municipal de educação infantil e fudamental, e de jovens e adultos, sempre trabalhou nas escolas periféricas de Santo Andŕé, região do ABC paulista. Sua trajetória profissional foi marcada por ensinar e atender estudantes de famílias vulnerabilizadas pela pobreza.

“Quando você tem uma proposta onde há inclusão da comunidade, procurando atender pais e alunos, você cumpre um papel que não é só o de levar conhecimento, mas de compartilhar. Foram trinta e cinco anos de exercício na área de educação e só tenho a agradecer”.

Ela conta que teve a sorte de participar de um projeto, na prefeitura de Santo Andŕe, com a proposta de aliar a teoria com a prática. “Nós, professores da rede, colocávamos a prática da sala de aula juntamente com pedagogos para reflexões. Com isso, tive condições de me formar, por meio do projeto, em Pedagogia”, disse. Mônica fez ainda duas pós-graduações na área com apoio do poder público municipal. Ela está aposentada há três anos.

(Reconta aí, 15/10/2020)

Fonte: CNTE

Uma mulher é morta a cada 9 horas durante a pandemia no Brasil

Foram 497 casos de feminicídio reportados entre março e agosto, mostra monitoramento da violência feito por mídias independentes
 
Era manhã, em Paragominas, região sudeste do Pará, quando Fátima Gomes, 36 anos, caminhava com a filha no colo e foi morta pelo ex-companheiro. Também era dia quando no município de Abaetetuba, nordeste paraense, Andreza Vilhena, 22, ia para a academia e teve sua vida interrompida a mando do ex-namorado. Já em Várzea Grande, no Mato Grosso, não se sabe ao certo em qual horário Orany dos Santos, 28 anos, perdeu a vida, pois seu corpo foi encontrado apenas quatro dias depois em um matagal. 

Fátima, Andreza e Orany são apenas três nomes, de 497 mulheres que perderam suas vidas desde que a pandemia do novo coronavírus começou. Foi um feminicídio a cada nove horas entre março e agosto – com uma média de três mortes por dia em seis meses de pandemia. 

São Paulo, com 79 casos, Minas Gerais, com 64 e Bahia, com 49 foram os estados que registraram maior número absoluto de casos no período. No total, os estados que fazem parte do levantamento registraram redução de 6% no número de casos em comparação com o mesmo período do ano passado.

O segundo monitoramento, como no primeiro, analisou os dados pelo número da população feminina desses 20 estados. O índice médio do país foi de 0,34 feminicídios por 100 mil mulheres. Portanto, 13 estados estão acima da média: Mato Grosso (1,03), Alagoas (0,75), Roraima (0,74), Mato Grosso do Sul (0,65), Piauí (0,64), Pará (0,62), Maranhão (0,47), Acre (0,44), Minas Gerais (0,43), Bahia (0,39), Santa Catarina (0,38), Distrito Federal (0,37) e Rio Grande do Sul (0,34).

A queda, no entanto, não é um indicativo real de diminuição da violência. Somente 20 estados enviaram os dados solicitados. Os sete estados que não divulgaram todos os dados, de março a agosto de 2019 e 2020, são: Amazonas, Amapá, Ceará, Goiás, Paraíba, Paraná e Sergipe. Além de não enviar todos os dados, o Amazonas não autorizou uma entrevista com a delegada que coordena o recém criado núcleo de feminicídio da Polícia Civil. É ineficiente também nas estatísticas dos estados, os dados sobre raça, etnia, orientação sexual e escolaridade, o que impede de fazer um perfil da mulher que morre todos os dias por feminicídio no Brasil. 

A professora-doutora, antropóloga e criadora do Observatório da Violência de Gênero da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Flávia Melo, critica a ausência de dados sobre a violência doméstica e feminicídio, problema que, segundo ela, se arrasta desde o início da pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia do coronavírus no mundo em 11 de março. “É bem complicado para a investigação científica e o jornalismo esses silêncios e interditos, baseados no sigilo (da informação) e na ausência de respostas”. Essa postura, disse a professora, é coerente com o que acontece no país.

 “Se a gente tem delegada ou delegado proibidos de falar, relatórios da SSP não disponíveis, temos um fosso que não nos permite sequer quantificar, imagina descrever essas mulheres e acusados envolvidos nessas denúncias. Essa negligência observada em diferentes níveis da segurança pública revitimiza as mulheres”, afirma Flávia Melo à Amazônia Real.

Leia mais: Mato Grosso é o estado com a maior taxa de feminicídio na pandemia

Especialistas destacam a questão da subnotificação, uma vez que ainda há confusão entre feminicídio e homicídio de mulheres. “É apressado dizer que a violência contra mulher diminuiu baseado no feminicídio, que expressa a falência total do sistema. Além disso, os números de tentativas de feminicídio seguem em alta e, embora o feminicídio seja o crime menos subnotificado, podemos afirmar que há, sim, subnotificação. A tipificação é muito recente e feminicídios podem ser caracterizados como homicídios. O que podemos afirmar, de fato, é uma redução pontual das notificações”, explica Télia Negrão, Conselheira Diretora da Rede Feminista de Saúde. 

Para ficar mais claro: feminicídio trata dos assassinatos de mulheres em que o fato de serem mulheres foi fator essencial no crime, já o homicídio de mulheres indica mortes não ligadas a questões de gênero, como mortes em assaltos ou outras formas de violência. 

Em Santa Catarina, por exemplo, enquanto os dados apontam uma queda de 14% nos feminicídios em relação ao período entre março e agosto de 2019,  o número de homicídios de mulheres catarinenses aumentou 12% em relação ao ano passado. 

“Há uma resistência em se admitir o feminicídio e às vezes é catalogado como homicídio. Na maioria dos casos, se for investigar seriamente, chega-se a um feminicídio justamente pela condição de ser mulher”, pontua Renata de Castilho, presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB/SC. 

SETE ESTADOS TÊM AUMENTO NO FEMINICÍDIO DE MARÇO A AGOSTO

Doze estados registraram queda do números absolutos de feminicídios entre março e agosto, representando uma redução de 23% em relação ao mesmo período de 2019. Rio Grande do Sul e Distrito Federal foram os que mais contribuíram com a diminuição. Por outro lado, em sete estados houve aumento de 23% (38 mortes) em relação ao mesmo período do ano anterior. Pará e Mato Grosso encabeçam o aumento: 15 e 10 mortes respectivamente.

De março a agosto, o país registrou uma taxa de feminicídios por 100 mil habitantes mulheres de 0,56. Doze estados, que juntos somam 49% da população feminina do total analisado, tiveram taxas acima desta média nacional e foram responsáveis por 67% das mortes (331 feminicídios). Entre os que tiveram maiores altas estão Mato Grosso (1,72), Acre (1,32) e Mato Grosso do Sul (1,16). 

AUSÊNCIA DE INDICADORES INVISIBILIZA VIOLÊNCIA

Além da ausência de respostas de alguns estados, o levantamento encontrou também como barreira a falta de uniformização dos indicadores usados pelas Secretarias. Poucos estados trouxeram informações sobre raça, orientação sexual ou identidade de gênero, por exemplo, o que acaba por invisibilizar a violência. 

No Espírito Santo, por exemplo, onde a capital Vitória é o único município com 100% do seu território na área urbana, todos os outros tem um pé no campo e outro na cidade, a violência contra a mulher do campo é totalmente invisibilizada. De março a agosto, morreram dez mulheres vítimas de feminicídio no Espírito Santo. Quantas dessas mulheres eram do campo? Ninguém sabe. Não existe estatística sobre a violência doméstica contra a mulher do campo.

Leia mais: Mulheres enfrentam em casa a violência doméstica e a pandemia da Covid-19

“Não conseguimos fazer este recorte corretamente porque aqui no Espírito Santo, por exemplo, praticamente todos os municípios têm simultaneamente áreas no campo e na cidade”, comenta a delegada Michele Meira, da Gerência da Mulher da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), ao #Colabora.

A invisibilidade também afeta as mulheres trans e travestis assassinadas no Brasil, país recordista desse tipo de crime. O transfeminicídio não é considerado nas estatísticas oficiais. “O transfeminicídio é um feminicídio, mas não é um feminicídio pela mesma razão, não é o mesmo tipo de ódio que seria um feminicídio contra uma mulher cis. Cunhar essa categoria é essencial para entendermos melhor o fenômeno, para descrevê-lo e para atender melhor essas vítimas. Não é a mesma coisa atrelar o transfeminicídio apenas à cultura da misoginia, existe ali uma transmisoginia”, explica o pesquisador Dennis Pacheco, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Já em Minas Gerais, o racismo mostra sua cara em forma de estatística: 61% das vítimas de feminicídio são negras. A maioria, 51%, não concluiu o ensino médio e 70% têm de 18 a 44 anos. Os feminicídios, no segundo quadrimestre deste ano, se mantiveram no mesmo patamar do ano passado, mas os casos de violência doméstica aumentaram 2,7% e o desrespeito a medidas protetivas, de julho para agosto, cresceu 22%.

“Discutir violência de gênero sem a perspectiva de raça é ignorar a história escravista e colonial do país que violenta até hoje as mulheres negras”, afirma Ayala Santerio, coordenadora do N’zinga – Coletivo de Mulheres Negras de Belo Horizonte e da Articulação de Mulheres Negras do Brasil, à Ponte Jornalismo

Mesmo assim, doze estados não coletam informações sobre a raça das vítimas: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, Paraíba, Alagoas, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro.

Mato Grosso, na região centro-oeste, é o estado com a maior taxa de feminicídio a cada 100 mil mulheres durante a pandemia, levantou o site AzMina. Entre março e agosto, foram registrados 30 casos de  feminicídio. Outro dado alarmante no estado é o aumento dos casos de feminicídio nas áreas rurais. Foram quatro mortes registradas entre maio e agosto deste ano. Em 2019, não houve casos em regiões remotas. Já Mato Grosso do Sul tem a terceira maior taxa de feminicídio do País no período entre março e agosto. A federação registrou 1,16 casos a cada 100 mil habitantes mulheres. No Distrito Federal foram 8 mortes entre março e agosto, uma queda de 56% em relação ao mesmo período do ano passado. 

O Rio de Janeiro e Espírito Santo ficaram entre os 12 estados que reduziram a taxa de feminicídio nos primeiros cinco meses da pandemia no Brasil. A partir de maio, quando o isolamento social foi sendo cada vez mais flexibilizado, o feminicídio voltou a subir no Rio de Janeiro, o que levou o estado a registrar uma alta de 13% no segundo quadrimestre do ano. Os episódios de violência doméstica contra a mulher continuam crescendo nos dois estados durante a pandemia, ainda que os especialistas no tema confirmem que a subnotificação de casos segue firme e forte. 

Mergulhar nos indicadores de violência doméstica contra a mulher é descortinar diferentes realidades. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, se a mulher for uma moradora de favela, improvável que a patrulha Maria da Penha entre na comunidade onde a vítima reside. É que a patrulha Maria da Penha, a quem cabe fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas de urgência, não é bem-vinda nos territórios dominados por um poder paralelo, seja o tráfico ou a milícia. 

Leia mais: Revolucionária em vários sentidos: a história da Lei Maria da Penha

“O problema não está na Lei Maria da Penha, mas na ausência de políticas públicas que assegurem a segurança dessas mulheres, que vivem em territórios conflagrados”, analisa Marisa Chaves, coordenadora licenciada do Centro de Referência para Mulheres Suely Souza de Almeida, vinculado a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Conforme levantamento do Portal Catarinas, nos primeiros 6 meses de pandemia pela Covid-19, isto é, de março a agosto deste ano, o Rio de Grande do Sul é o estado que mais apresenta casos de feminicídio no Sul do país. Ao todo, 42 meninas e mulheres foram mortas por suas condições de gênero. Se comparado o número de feminicídios com o de habitantes do gênero feminino de cada estado, a taxa de feminicídio do Rio Grande do Sul é de 0,71, de Santa Catarina 0,68, do Paraná 0,61. Já no segundo quadrimestre, de maio a agosto de 2020, houve uma redução pontual dos casos. 

Em Santa Catarina, uma mulher é vítima de feminicídio a cada semana na pandemia. De março até agosto, o estado contabilizou 25 mulheres assassinadas por seus companheiros. Apesar da grande quantidade de casos, as taxas apresentam queda de 14% na comparação entre o primeiro e o segundo quadrimestre. Em contrapartida, o número de homicídios femininos entre maio e agosto deste ano aumentou em 12% em relação ao mesmo período de 2019. Entre as vítimas, sete eram pretas, duas a mais do que no ano passado.

Nesta segunda fase do levantamento, a Eco Nordeste focou nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí e Sergipe e foi além. As abordagens foram de uma análise do machismo estrutural em nossa sociedade ao suicídio entre mulheres agredidas. Do Maranhão e do Piauí, estados do Nordeste que tiveram aumento em feminicídios de março a agosto, trazemos casos de mulheres agredidas por defender outras mulheres; e o da vítima que, na pandemia, conseguiu se livrar de décadas de relação abusiva. Destacamos também os relatos das mulheres vítimas de violência como imigrantes na Europa; uma alta de 150% de feminicídios em maio, na Bahia; as dificuldades jurídicas das cearenses para se desvincularem dos agressores; e as sergipanas que não se abalaram com as dificuldades e encontraram um caminho para reduzir os feminicídios baseado na mediação de conflitos.

Fechando o monitoramento no Nordeste, a Marco Zero Conteúdo coletou dados em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Chama atenção o aumento de 111% nos registros de violência doméstica no Rio Grande do Norte, desde março, o que, para a promotora Érica Canuto, tem relação direta com a queda dos feminicídios no Estado. Foram três casos em seis meses de pandemia, contra dez em 2019, no mesmo período. “As mulheres denunciaram mais e isso tem sido um fator de proteção para elas”, acredita.  

Em Pernambuco, as ocorrências de violência doméstica caíram 11% de maio a agosto, na comparação com 2019. Parece boa notícia, mas, ainda assim, mais de 12 mil boletins de ocorrência de denúncias relativas à violência de gênero foram registrados nas delegacias do Estado. No artigo Pandemia, violência contras as mulheres e ameaça que vem dos números, a socióloga Wânia Pasinato pondera que “a violência de gênero se adapta muito rapidamente às mais diversas configurações sociais a que vão sendo moldadas. E isso nos preocupa tanto quanto o uso precipitado dos números e a falta de cuidado com seu manuseio”. Para ela, expor dados mantém a violência em pauta e transmite para as mulheres a mensagem de que elas não estão sozinhas. “Mas o mais importante é usar esses dados para avaliar se os caminhos que estão sendo construídos são os mais adequados”.

A série Um vírus e duas guerras  vai monitorar até o final de 2020 os casos de feminicídios e de violência doméstica no período da pandemia. O objetivo é visibilizar esse fenômeno silencioso, fortalecer a rede de apoio e fomentar o debate sobre a criação ou manutenção de políticas públicas de prevenção à violência de gênero no Brasil. Ela é resultado de uma parceria colaborativa entre as mídias independentes Amazônia Real, sediada no Amazonas; #Colabora, no Rio de Janeiro; Eco Nordeste, no Ceará; Marco Zero Conteúdo, em Pernambuco, Portal Catarinas, em Santa Catarina; AzMina Ponte Jornalismo, em São Paulo.

LEIA AS REPORTAGENS DA SÉRIE ABAIXO:

Região Centro-Oeste

Mato Grosso é o estado com a maior taxa de feminicídio na pandemia

Região Nordeste

Por uma sociedade mais tie dye

Violência que pode levar ao suicídio

Defensoras também são alvo no Maranhão e no Piauí

Dificuldade de se desligar do agressor no Ceará

Lutas contra o sistema e o poder patriarcal em Sergipe

Na Bahia, feminicídios tiveram alta de 150% em maio

Agredidas no exterior enfrentam mais desafios

A liberdade que chegou com a pandemia no Piauí

Histórias de quem viveu o inferno da violência

Atendimento por Whatsapp mudou perfil de vítimas

Elas se salvam em cenários de vulnerabilidade

Acolhimentos presencial e remoto falham

Região Norte

“É a gente que dá um basta na violência”, diz vítima do Amazonas 

Acre é o que segundo estado com mais feminicídios 

No Amapá, os dados de feminicídios só saem por meio da Lei de Acesso à Informação

Feminicídios podem estar com subnotificação em Rondônia 

Em Roraima, governantes ignoram o tema da violência doméstica

 Pará é líder em feminicídios durante o isolamento da pandemia 

Com a flexibilização, mulheres voltam a denunciar agressores no Tocantins

Região Sudeste

Pandemia dificulta o monitoramento das agressões contra mulheres em áreas rurais

Nas favelas do Rio de Janeiro, violência doméstica é silenciada

Misoginia, transfobia e falta de dados: a equação do transfeminicídio

Em Minas Gerais, 61% das mulheres vítimas de violência doméstica são negras

Região Sul

Um vírus e duas guerras: PR tem um feminicídio a cada cinco dias na pandemia

Um vírus e duas guerras: SC registra um feminicídio por semana na pandemia

Um vírus e duas guerras: RS é o estado com mais casos de feminicídios no Sul

Os 20 estados que enviaram os dados de 2019/2020:

Acre (AC), Alagoas (AL), Bahia (BA), Espírito Santo (ES), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Maranhão (MA), Minas Gerais (MG), Pará (PA), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Roraima (RR), Rondônia (RO), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP), Tocantins (TO) e Distrito Federal (DF).

Equipe da série: Um vírus e duas guerras – monitoramento maio a agosto de 2020

Amazônia Real: Kátia Brasil (editora-executiva); Eduardo Nunomura (editor); Alícia Lobato, Bruna Mello, Roberta Brandão, Nicoly Ambrózio e Maria Fernanda Ribeiro (repórteres); Deborah Erê (ilustrações); Nay Jinknss( ensaio fotográfico) e Ana Mendes (produção do ensaio); e Alberto César Araújo (editor de fotografia)

AzMina: Helena Bertho (editora); Jamile Santana (repórter), Larissa Ribeiro (diretora de arte) e Carolina Herrera (designer)

#Colabora: Fernanda Baldioti (editora), Liana Melo (repórter), Fernando Alvarus (infografia), Helena Cunha (ilustrações), Raphael Monteiro (designer)

Eco Nordeste: Maristela Crispim (editora); Adriana Pimentel, Líliam Cunha, Rose Serafim e Yara Peres (repórteres); Adriana Pimentel (ensaio fotográfico, com a colaboração do fotógrafo Cristiano Almeida e dos atores Luh Quintans, Marjorye Gandolfo e Leonardo Gandolfo Junior; Marília Camelo (tratamento de imagens)

Marco Zero Conteúdo: Carol Monteiro (editora); Joana Suarez (repórter); Inês Campelo (fotografias e vídeo); Thiko Duarte (ilustrações).

Portal Catarinas: Paula Guimarães (editora), Inara Fonseca, Juliana Rabelo, Morgani Guzzo (repórteres) e Beatriz Lago (ilustrações).

Ponte Jornalismo: Maria Teresa Cruz (editora), Caê Vasconcelos e Jeniffer Mendonça (repórteres), Anna Magalhães (ilustrações), Antonio Junião (arte) e Maria Elisa Muntaner (análise de dados).

* Esta reportagem tem direitos autorais restritos e só pode ser republicada mediante autorização.

Fonte: AzMina

Dia do Professor é dia de reforçar a consciência sobre a importância do educador

 
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No ano em que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19)  mudou a rotina de milhões de pessoas em todo o mundo, o Dia dos Professores, 15 de outubro, é celebrado com a maioria dos educadores se desdobrando em aulas virtuais, lutando pela educação, pela vida e pela valorização da categoria, fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país.

A avaliação é do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo. Para ele, a pandemia revelou a importância da profissão e da escola como espaço de aprendizado e de socialização.

A mudança de rotina das famílias e de trabalhadores e trabalhadoras, consequência do isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a disseminação mais rápida ainda do vírus, suspendeu as aulas presenciais em todo o país e trouxe uma nova realidade para alunos e professores – o ensino à distância.

Essa nova realidade, diz Heleno, deixou claro o papel do professor no processo de formação de cidadãos. “É uma realidade atípica que evidencia o ambiente escolar como fundamental para a formação e mais ainda, no presencial ou à distância, a importância do educador”.

 

Presente, professor!

“Educação não transforma o mundo. Educação transforma as pessoas e as pessoas transformam o mundo”.

A frase de Paulo Freire, patrono da educação no Brasil, uma espécie de mantra para os educadores, é citada por Heleno Araújo para explicar o papel da educação na vida de um cidadão.

“O professor é quem ajuda os demais profissionais, é essencial nessa relação de formação cidadão, ou seja, da preparação do ser humano para ingressar no mundo do trabalho”, diz o dirigente.

“Todas as profissões passam pelas mãos dos professores”, complementa Heleno.

 

Dia de luta

Para o presidente da CNTE, mais do que data de homenagens, que  reforça, são merecidas, o Dia do Professor deve ser um dia de reflexão da categoria na luta pela valorização tanto da profissão quanto do professor.

“Temos muitos desafios e precisamos continuar mobilizados, nos agarrar a esse momento para continuar na luta em defesa do que conquistamos na legislação, como a Lei do Piso do Magistério, a carreira unificada, e outras políticas importantes para a infraestrutura nas escolas” diz o dirigente.

De acordo com Heleno, “são conquistas importantes que ainda não foram tiradas do papel e colocadas em prática”. Por isso, a categoria deve ficar em estado permanente de mobilização. “Agora e depois da pandemia”, ele diz.

 

Valorização do professor

Um estudo publicado em setembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) serve como parâmetro objetivo para avaliar o nível de valorização do professor no Brasil.

A instituição comparou a remuneração inicial de educadores do ensino médio em 40 países. O resultado é constrangedor: o Brasil ocupa a última posição no ranking, com US$ 13.630 anuais — cerca de US$ 1.135 dólares por mês. O Brasil fica atrás de Costa Rica (US$ 1.212), Colômbia (US$ 1.770), Chile (US$ 1.938) e México (US$ 2.283), por exemplo. A média entre os 40 países pesquisados pela OCDE é 2,5 vezes superior à brasileira: US$ 2.923 mensais.

O piso salarial dos profissionais da rede pública da educação básica em início de carreira é de R$ 2.886,24. Isso equivale a menos de três salários mínimos por mês.

 

Desafios e conquistas

Fruto da mobilização de entidades que defendem, a educação, a aprovação pelo Congresso do novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), é uma importante vitória para garantir recursos para a educação e para a valorização dos professores.

Pelo texto aprovado, os recursos federais destinados à educação básica serão ampliados de 10% para 23%, de forma escalonada até o ano de 2026, frustrando a intenção do governo de destinar metade dos recursos ao programa assistencial Renda Brasil. O governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) também queria adiar a destinação dos recursos até 2022, mas os deputados não concordaram.

O projeto ainda precisa ser votado no Senado e o prazo é apertado: 31 de dezembro de 2020, quando termina a validade do Fundeb atual.

Outro desafio para a categoria é a proposta de reforma Administrativa de Paulo Guedes que atingirá os professores, acabando com concursos e com a estabilidade de servidores para abrir caminho para a privatização de serviços públicos, entre eles, a educação.

 

Pandemia

A CNTE e sindicatos da educação travaram uma luta contra as escolas da iniciativa privada e contra prefeituras para impedir a volta presencial às aulas, antes que haja uma vacina eficaz contra a Covid-19.

Em São Paulo, por exemplo, nesta quarta-feira (14), o Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep/SP) realizou um ato em frente à Secretaria de Educação do Município contra o retorno às aulas presenciais.

Em outros locais também estão sendo realizadas manifestações contra a volta às aulas presenciais. Estudo da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) revela que cerca de 9,3 milhões de pessoas também ficariam sujeitas à contaminação pelo novo coronavírus, além de professores, alunos e toda comunidade escolar, porque fazem parte de grupos de risco – idosos e adultos com comorbidades – que convivem com as crianças, jovens e profissionais da educação.

Fonte: CUT

Igrejas e instituições filantrópicas querem dinheiro do Fundeb para escolas privadas

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Depois de mais de um ano lutando para que o Congresso Nacional aprovasse o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) permanente, e ainda lutando pela regulamentação, professores e defensores da educação pública e de qualidade estão se preparando para impedir que os recursos do fundo sejam desviados seja para programas eleitorais do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) ou para escolas particulares de instituições religiosas e filantrópicas.

Primeiro Bolsonaro tentou destinar 5% do Fundo, R$ 8 bilhões ao ano, para criar o Renda Cidadã, programa que vai substituir o Bolsa Família. Isso prejudicaria 17 milhões de crianças da educação básica do país. A reação contrária fez o governo recuar.

Agora, parlamentares aliados ao governo de bancadas como a evangélica decidiram pressionar o Congresso para conseguir um percentual das verbas do fundo para suas escolas, que não são públicas.

O desvio dos recursos para essas escolas pode impactar negativamente a vida de milhões de alunos e alunas da escola pública e promover uma grande evasão escolar, avaliar o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Heleno Araujo.

“Além de manter uma situação, em que mais de 1 milhão e meio de pessoas de 4 a 17 anos fiquem fora da escola, esta pressão mesquinha para garantir ocupação e pegar dinheiro público também vai afetar os alunos e alunas já matriculados”, critica o dirigente.

“Se tirar recursos da escola pública para colocar nestas instituições privadas, não será possível garantir condições adequadas para a permanência dos nossos estudantes nas escolas e isso vai promover uma evasão escolar escandalosa”, complementa.

Dinheiro público não pode ir para as escolas que sejam privadas, mesmo sem fins lucrativos, dinheiro público tem que ir para escola pública. Não podemos aceitar esta aberração, vamos lutar até o fim.

– Heleno Araújo

Congresso discute regulamentação

Aprovado em agosto, o Fundeb precisa ser regulamentado, ou seja, precisa que sejam definidos detalhes legais e técnicos que garantirão que os recursos cheguem de fato aos estados e os municípios a partir de janeiro de 2021. Esse processo é necessário porque a lei que regulamenta o atual Fundeb (11.494, de 2007) perde a validade em 31 de dezembro.

Por isso, tanto o Senado quanto a Câmara discutem projetos que assegurem a execução dos objetivos do fundo no ano que vem. Entre os pontos pendentes de regulamentação estão o repasse dos 10,5% do valor aluno ano total (Vaat), destinado às escolas de municípios pobres e bairros periféricos, e as partilhas de 2,5% entre estabelecimentos que melhorarem seus indicadores e de 15% para investimento em infraestrutura. E é aí que entra a briga para colocar a mão em parte dos recursos.

Se na construção do PL que regulamentará o Fundeb as verbas pedidas pelas igrejas e filantrópicas forem aprovadas, vai continuar crescendo o número de adultos sem concluir a educação básica e o desenvolvimento do país pode ser ainda mais prejudicado, alerta Heleno Araújo.  

Para o presidente da CNTE, representantes destas instituições precisam mudar o foco e lembrar que 1% da população concentra renda neste país e a luta deve ser para taxar grandes fortunas e heranças e acabar com a Lei do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que não cobra impostos de quem tem lucros e dividendos, e não tentar cortar caminho tirando dinheiro da educação pública para colocar nestas escolas que não são públicas de direito do cidadão.

Heleno acredita que, nos bastidores, esta medida, inspirada em Bolsonaro e seu ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, não vai ganhar força dentro do parlamento. O dirigente afirma que a maioria da Câmara e do Senado é contra esta proposta.

“Vamos continuar no processo de mobilização, de pressão necessária e vamos apresentar as nossas observações ao relator do PL e trabalhar muito forte para ele não aceitar essas emendas no relatório da Deputada Dorinha, que tem poucas coisas pra serem alterados”, disse Heleno, se referindo a proposta inicial da Deputada Dorinha Seabra (DEM-TO), aprovada pelo Congresso Nacional. Confira detalhes aqui.

Sobre o PL que vai regulamentar o Fundeb

Existem dois projetos em tramitação no Congresso Nacional para regulamentar o Fundeb. Um na Câmara dos deputados (PL 4372/20) e outro no Senado (PL 4519/20), mas, por enquanto, ambos estão parados.

Nos últimos dias surgiu a informação de bastidores de que o deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) deva ser indicado pra relatoria na Câmara, mas ainda não é oficial. O site da câmara não indicou a relatoria até agora.

“O possível relator já está procurando os partidos e fazendo as conversas e nós vamos procura-lo também para apresentar as emendas necessárias e exigir a manutenção daquilo que for preciso”, disse Heleno Araújo, presidente da CNTE.

“Nas próximas duas semanas talvez já seja apresentada alguma proposta e vamos lutar para que ele [o relator] não ceda a pressão destas instituições e tire dinheiro público e coloque na mão do setor privado. E como as comissões ainda não voltaram ao trabalho  é bem possível que o PL vá direto para o plenário para apreciação do conjunto de parlamentares”, completou o dirigente.

Fonte: CUT

Pandemia de covid-19 fez ensino e papel do professor mudarem

Pandemia de covid-19 fez ensino e papel do professor mudarem

(Criança levanta a mão ao lado de outros alunos em sala de aula da escola Thomaz Rodrigues Alckmin, no primeiro dia de retorno das escolas do estado de São Paulo para atividades extracurriculares em meio ao surto de coronavírus (COVID-19) em São Paulo, Brasil Outubro 7, 2020. REUTERS / Amanda Perobelli)

A pandemia de covid-19 fez com que professores de todo o país trocassem os quadros e as carteiras escolares pelas telas e pelos aplicativos digitais.

Sete meses após a adoção de medidas de distanciamento social e da interrupção das aulas por causa da emergência sanitária, os professores continuam se reinventando. Nesse período, eles foram obrigados a refazer todas as aulas, passar novos exercícios, escrever apostilas, gravar em vídeo os conteúdos das disciplinas, criar canais próprios em redes sociais, mudar avaliações, fazer busca ativa de alunos e se aproximar das famílias dos estudantes.

Professores de todas as partes do país, tanto da rede pública quanto da privada, relataram à Agência Brasil as diversas mudanças do período e falaram sobre as novas atribuições e papéis dos docentes, em diferentes modalidades da educação básica, vindas com a pandemia e o ensino remoto.

O suporte da mudança foi a internet, mas o episódio não se restringiu a uma revolução digital. Houve uma transformação comportamental dos professores para não perder a conexão com os alunos e manter a aprendizagem.

“A covid-19 antecipou em uns dez ou quinze anos o que iria acontecer em sala de aula”, calcula o professor de geografia Daniel Rodrigues Silva Luz Neto, que leciona para o ensino de jovens e adultos no Gama, uma das regiões administrativas do Distrito Federal.

Para não perder alunos, ele entrou em contato com todos, adicionou os números dos estudantes no seu WhatsApp, criou grupos por turma, por onde passa áudios e vídeos com aulas e instruções. Seus alunos fazem as tarefas no caderno, tiram foto, mandam de volta para ele corrigir.

“Tivemos que aprender algo que nunca foi desenvolvido ao longo da nossa vida, que foi encarar a tecnologia a curto prazo”, acrescenta Juanice Pereira dos Santos Silva, professora de biologia e ciências da natureza na educação inclusiva, no Centro de Ensino Especial, também no Gama, onde leciona para alunos que tenham transtorno de espectro autista ou deficiência intelectual ou múltipla, desde os 8 anos de idade até a vida adulta.

A professora usa o quintal e a cozinha de casa como cenários das aulas, grava vídeos em movimento nas ruas para ensinar noções de espacialidade e passar conteúdos de suas matérias.

Ensinar os pais

(Em todo o país, governos suspenderam aulas para evitar ampliação de casos de covid-19, e professores tiveram de se readaptar a um novo modelo de ensino. – Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil)

Aprender, em tempo recorde, a usar ferramentas digitais para ensinar foi o primeiro desafio de Juanice Silva. O segundo foi buscar os alunos para a aulas remotas. “No nosso caso, tivemos não apenas que trazer os alunos. Tivemos que trazer os pais”, lembra a professora, destacando que a participação dos responsáveis é necessária, em especial, para os alunos para os quais ela leciona. “Tivemos de criar e-mails para os familiares, dar acesso [às plataformas] e treiná-los.”

O trabalho de mobilizar as famílias feito pelos professores da escola de Juanice Silva permite que alunos como Pedro Emanuel Araújo, com síndrome de down, mantenham a rotina de acordar cedo, tomar banho, tomar o café e vestir o uniforme do colégio, como ele faz questão, para assistir às aulas em vídeo e cumprir a tarefa.

A rotina de Pedro é dividida com o pai que, antecipadamente, verifica os materiais que o filho vai precisar para cada dia da semana e separa na escrivaninha, junto com o notebook.

Segundo a mãe do aluno, Ângela Cristina Moutinho Araújo, em tempos de ensino remoto, o filho melhorou no desempenho de atividades manuais. “Inicialmente, Pedro não sabia fazer os deveres. Com a nossa ajuda [dos pais], ele começou a fazer, hoje tira de letra.”

Sem acesso
A dedicação dos professores, o amor dos pais, o computador em casa e o sinal de internet permitiram que Pedro Emanuel continuasse a aprender, apesar de estar longe da escola há sete meses.

Mas essa não é uma realidade para todos os alunos da rede pública que, em geral, não têm acesso facilitado à internet ou um computador à disposição. Nesses casos, alguns professores têm optado por criar apostilas impressas e fazer as cópias na escola. Os pais ou os alunos têm que buscar toda semana o novo material e deixar na escola os exercícios feitos da apostila passada – o que faz parte da avaliação e das notas dos alunos.

“Sem acesso à tecnologia, eles têm que ir na escola e trabalhar sozinhos”, assinala Eunice Rodrigues Silva, professora de história, e ex-diretora do Centro de Ensino Fundamental 102 Norte, uma escola pública em Brasília que atende predominantemente alunos de 11 a 15 anos.

Em tempos de escolas sem aulas presenciais, Eunice Silva considera primordial o acesso à tecnologia e à conexão. “Acessar a internet é a forma para encontrar o conhecimento com o professor”, diz ao lembrar que muitos alunos em sua escola não conseguiam aprender plenamente porque não tinham computadores, tablets ou smartphones em casa.

Para resolver o entrave, Eunice Silva iniciou uma campanha pedindo doação desses aparelhos. Hoje, ainda restam dez alunos estudando exclusivamente com apostila impressa, de um total de 484 estudantes da unidade.

O problema, entretanto, não se soluciona apenas com os equipamentos já que muitos alunos não têm internet em casa. “É precário todo o sistema, mas há níveis de precariedade”, descreve. Em sua opinião, a campanha trouxe resultados, mas a escola teve que agir por conta própria por “algo que já deveria ter virado política pública”.

 

Investindo na própria formação

(Com a pandemia, ensino remoto por meio de smartphones e computadores passou a ser regra em diversas escolas espalhadas pelo país – Divulgação/MCTIC)

Atividades pelo computador não foram novidade para a professora de matemática do ensino médio da Escola Estadual Amélio de Carvalho Baís, de Campo Grande, Carolina Moraes Lino. Ela costumava passar deveres online para os estudantes. Com a pandemia, entretanto, foi a primeira vez que todo o conteúdo precisou ser transportado para as telas.

 

                               

Sem a sala de aula como suporte, a sala da casa onde mora com o filho de 11 anos se transformou em escola.

“Eu me deparei com situações que me deixaram muito frustrada”, diz, contando das dificuldades de engajar os alunos e de lidar com todas as incertezas que a pandemia trouxe. “Do mesmo jeito que os alunos ficam desmotivados, tenho muitos alunos que não tinham problemas e [desenvolveram quadros de] síndrome do pânico, depressão, tenho colegas também nessa situação.”

Carolina buscou aperfeiçoar os conhecimentos nos meios digitais, chegou a comprar, com recursos próprios, uma mesa digitalizadora, que permite que ela escreva e resolva as equações necessárias para as aulas de matemática. Ela também precisou organizar o próprio tempo.

“Quando se está em casa se quer fazer tudo ao mesmo tempo: dar aula, lavar a roupa, ver o filho, fazer almoço. Agora, eu consegui me organizar e está sobrando tempo. No começo não sobrava para nada.”

Os estudantes também precisaram de um tempo. Como a situação era muito incerta, segundo Carolina, eles estavam sempre pensando no retorno às aulas presenciais, sem dar muita importância às aulas remotas.

Recentemente, ela tem notado uma mudança de postura, dado que a suspensão deverá se prolongar.

“Pelo menos na minha escola, todos os nossos alunos, cerca de 400, estudam em período integral, todos têm acesso ao material ou impresso ou pela internet. [A dificuldade] não está sendo o acesso, mas a desmotivação da entrega das atividades.”

De acordo com pesquisa do Instituto Crescer, 46% dos educadores não sabem avaliar se os alunos estão realmente aprendendo com as aulas online. Além disso, 57% sentem-se frustrados ao perceber que, por mais que se empenhem, poucos estudantes aproveitam os conteúdos por falta de infraestrutura.

Apesar das dificuldades, Carolina busca motivação nos aprendizados ao longo da jornada. “Uma das coisas que me motiva é que sou pessoa curiosa, poder estar em contato e poder descobrir coisas novas é uma das coisas que me motiva. Além de gostar muito do que eu faço, eu vejo uma possibilidade nessa pandemia, para mim, de me aperfeiçoar mais na parte tecnológica, de descobrir mecanismos ferramentas novas”, diz.

Habilidades socioemocionais

(Criança pendura mochila na cadeira de sala de aula no primeiro dia de retorno de atividades extracurriculares nas escolas do estado de São Paulo  – REUTERS / Amanda Perobelli/direitos reservados)

Além dos conhecimentos necessários para lidar com a tecnologia, a pandemia trouxe também a necessidade de se olhar para habilidades socioemocionais, cujo ensino está previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que estabelece o que deve ser ofertado em todas as escolas do país. São habilidades como persistência, assertividade, empatia, autoconfiança e tolerância a frustração.

“O desenvolvimento socioemocional dos estudantes é um aspecto fundamental de ser trabalhado de modo intencional na escola se quisermos uma educação que considere o que é viver, conviver, aprender e produzir no século 21”, diz a especialista em Educação Integral do Instituto Ayrton Senna, Cynthia Sanches.

“Aquela escola que tem como objetivo principal a aprendizagem dos conteúdos das matérias já não é suficiente. Tão importante quanto desenvolver os aspectos cognitivos e interagir com os conhecimentos que a humanidade acumulou ao longo de sua história é o desenvolvimento dos aspectos sociais e emocionais do estudante”, destaca.

A sala como quadra de esporte

                             

A professora de educação física Lizianne Tenório dos Santos tinha acabado de chegar à Escola Claudio Daniel Gama Amorim, em Coruripe (AL), quando as aulas presenciais foram suspensas.

Ela assumiu, este ano, as turmas dos 4º e 5º anos do ensino fundamental e não chegou sequer a conhecer os alunos presencialmente porque a escola estava sendo reformada no início do ano letivo. “Todo o meu contato com eles foi na pandemia, por plataformas de vídeo, por WhatsApp.”

Lizianne não tinha experiência com meios digitais, por isso, recorreu a amigos da área de marketing e design para saber como se portar diante de uma câmera.

“Comecei a brincar e aprender durante a pandemia e a fazer com que os vídeos pudessem ser atrativos para os alunos, para não ser monótono e chato. Educação física é movimento e se eu trabalhasse de uma forma que não tivesse movimento, eles iam achar ruim. Educação física, para eles, é uma coisa fantástica, ficam contando as horas para ter aula e eu não poderia deixar de fazer algo prazeroso.”

A professora passou a usar o WhatsApp para trocar vídeos com os estudantes. Ela traz a teoria, contextualiza o assunto e passa exercícios práticos, que devem ser gravados pelos estudantes e enviados de volta.

A casa de Lizianne precisou ser adaptada. Lá, moram três professoras que também estão dando aulas de forma remota. “Uma tem que estar distante da outra para gravar”, diz. “Quando gravo os vídeos para os meninos, eu desarrumo a sala, adapto aquele espaço porque a luz é melhor, e faço ali a minha quadra”.

A motivação vem das trocas com os alunos. “Ouvi de uma aluna: ‘professora, você traz esportes de outros países, esportes diferentes para a gente conhecer e é muito bom’”, conta, orgulhosa.

Amazônia no quintal

                           
 

Logística e falta de infraestrutura foram os desafios enfrentados pelo professor de biologia Jonailson Xisto para poder chegar até os estudantes das escolas em que leciona, em Barreirinha (AM).

Apesar de estar localizada em área urbana, a Escola Estadual Professora Maria Belém não conta com suporte de rede adequado já que a qualidade da conexão da internet na cidade é ruim. Além disso, muitos estudantes não têm smartphone ou computadores em casa, o que dificulta as aulas interativas.

Já a Escola Estadual Antonio Belchior Cabral está localizada em uma comunidade ribeirinha, chamada Freguesia, onde o acesso a meios digitais é ainda mais complicado.

“Logo que começou a pandemia, eu cheguei a dizer que eu não estava realizando o trabalho de professor. Em uma turma de 30 alunos, eu conseguia atender, no máximo, cinco alunos, pela dificuldade no interior do Amazonas”, diz.

Segundo ele, muitos dos estudantes vão para a cidade apenas para cursar o ensino médio, mas suas famílias moram no interior, em locais que chegam a estar a sete horas de viagem de barco da zona urbana.

A solução foi recorrer ao WhatsApp para aqueles que conseguiam acesso à internet. Para os demais, um grupo de professores se juntou para imprimir apostilas com recursos próprios e levar até os alunos. Xisto conta que a carga de trabalho aumentou já que ele está sempre à disposição dos estudantes.

“O atendimento é intenso. A gente sabe que, para os alunos que moram no interior, não é todo tempo que o sinal pega. Há alunos esforçados que vão para outra comunidade no final de semana, onde pega sinal. Recebo mensagens com dúvidas, às vezes, às 3h, às 20h, 22h. Eu sempre falo que estou disponível”, diz.

Não é apenas na pandemia que os desafios de infraestrutura precisam ser enfrentados. Em 2019, os alunos de Xisto foram premiados no Desafio Criativos da Escola, com o projeto Amazônia, um laboratório natural, que busca driblar a falta de laboratório de ciências na escola usando a própria floresta como local de estudo.

O mesmo projeto foi reinventado na pandemia.

“O nosso quintal é a Amazônia, a gente respira Amazônia. Não posso fazer as aulas formais com os alunos, mas no quintal tem muito conhecimento. O aluno pode observar as árvores, os animais. Ele observa o inseto interagindo com a flor, o passarinho com a árvore. Essa foi uma das saídas que a gente encontrou, apesar de não poder trabalhar plenamente como gostaria”.

Apoio aos professores
O ano de 2020 reservou muitos desafios para a educação. A continuidade da aprendizagem, entretanto, não pode depender exclusivamente dos esforços individuais dos professores, afirma o diretor-fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Ernesto Faria.

Na avaliação dele, é necessário engajamento de toda a rede de ensino e das unidades federativas para que o ensino seja garantido aos estudantes.

“É necessário conseguir fazer um bom acompanhamento de como o ensino remoto tem se dado, de como as aulas têm acontecido, de quais são as dificuldades que os alunos têm enfrentado, quem tem participado das aulas, feito as atividades e quem não tem feito. Acho que tem que haver um bom modelo de gestão, não passa só pela iniciativa do professor fazer algo inovador ou estar próximo dos alunos”, diz.

“Tem que ter sistemático: o professor passa as informações para o coordenador pedagógico ou diretor, o diretor passa para a secretaria de educação e aí é possível visualizar se os alunos estão aprendendo ou não estão. Um bom modelo de gestão faz muita diferença num modelo pré-pandemia, acho que segue valendo agora”, acrescenta.

Com a perspectiva de que o ensino remoto se estenda para o próximo ano letivo, Faria destaca que será preciso oferecer formação aos profissionais. “Há uma nova realidade de que ensino, tecnologia e trabalho a distância vão se tornar mais presentes e vão se tornar uma necessidade. Há uma pauta formativa que precisa de investimento e precisa de olhar e acho que passa por secretarias [de educação] maiores, que têm mais estrutura, ajudar a oferecer formação para as secretarias menores.”

No estudo A Educação Não Pode Esperar, apresentado em junho, o Iede mapeou desafios e alternativas do ensino público durante a pandemia.

Em todo o mundo, de acordo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mais de 180 países determinaram o fechamento de escolas e universidades, afetando 1,5 bilhão de crianças e jovens, o que corresponde a cerca de 90% de todos os estudantes no mundo. Aos poucos as atividades vão sendo retomadas. Os dados mais recentes mostram que cerca de um terço dos estudantes do mundo seguem sendo impactados pela pandemia.

Uso irreversível

O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Martins Garcia, avalia que ainda está em tempo de se adotar uma política de articulação nacional de ação emergencial para garantir as atividades escolares em meio à covid-19, atender quem deixou de aprender, capacitar professores e preparar a acolhida dos alunos quando a pandemia passar.

Ele pondera que, mais do que possível, a ação é necessária, uma vez que o uso de tecnologias para lecionar “é irreversível”.

Já a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães, afirma que há recursos públicos disponíveis para equipar escolas e apoiar professores e alunos.

(Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães- Antonio Cruz/ Arquivo Agência Brasil)

Segundo ela, cerca de R$ 30 bilhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), criado em 2000, podem ser usados com essa finalidade.

Para Maria Helena Guimarães, a pandemia fez com que a educação básica vivesse um novo momento, não só no Brasil. Ela acredita que haverá aprofundamento das mudanças após o retorno do funcionamento dos colégios e aposta na adoção do ensino híbrido, no incremento de atividades complementares nas escolas e de ensino por projetos e em mais atividade de pesquisa para os alunos.

Ela alerta, no entanto, que há risco de “acirramento das desigualdades” entre as escolas da rede privada e da rede pública, e que os alunos de colégios particulares devem sair na frente.

 

Condições distintas

As diferenças entre as condições de trabalho na rede pública e na rede privada fazem parte do cotidiano do professor de geografia Sidnei Felipe da Silva, que leciona em três cidades no litoral norte da Paraíba. Duas escolas são públicas, nas cidades de Mataraca e Marcação, onde também atende alunos da zona rural e de aldeias indígenas. O terceiro emprego é em um cursinho pré-vestibular, no município de Rio Tinto.

Na escola preparatória para exames, que é particular, as aulas são transmitidas das próprias salas que ganharam câmeras e iluminação. “Às 9h, a aula começa, online e ao vivo, diferentemente do que ocorre nas escolas públicas”, compara. “O dono do cursinho percebeu que se os professores ficassem dependendo das suas redes domésticas existia o risco de perdemos conexão e os alunos ficarem no prejuízo”, conta.

Já para as escolas da rede pública, Sidnei conta que posta a matéria por meio de videoaulas para que o aluno acesse a internet “na hora que puder”. Há também aqueles que recebem apenas material impresso com o conteúdo das aulas. E outros com os quais o professor consegue manter contato por WhatsApp.

Saudades

Para conseguir dar melhores aulas nas escolas públicas, Sidnei Felipe fez do quarto de hóspedes de sua casa um pequeno estúdio, criou canal no YouTube e mantém atualizado um blog para os seus alunos. “O trabalho triplicou”, observa. O esforço do professor é reconhecido pelos alunos que enviam mensagens carinhosas e de agradecimento.

Apesar do êxito com a educação remota, Sidnei Felipe não abre mão do ensino presencial e do contato com os alunos. “Presencialmente tem o retorno do aluno no instante que a relação ensino e aprendizagem está acontecendo”, defende.

“É justamente no contato em sala de aula que nós conseguimos diagnosticar as necessidades dos alunos. Só assim, é que traçamos estratégias diversificadas para suprir as necessidades da turma”.

Além das razões didáticas, os professores têm um motivo afetivo para esperarem pela volta às aulas dentro das escolas: saudades!

“Nesta semana do professor, o nosso presente vai ser entrar em contato com todos nossos alunos”, comenta a professora Juanice Silva sobre a mobilização que a escola prepara. Durante os próximos dias, estudantes da escola de ensino especial do DF receberão ligações e videochamadas dos professores para poderem conversar e diminuir um pouco a distância e a falta do convívio escolar.

 

Reprodução: AgênciaBrasil

 

 

NOTA DE PESAR|| NILDA BARROS SILVA

É com enorme pesar que o Sindicato dos Professores no Distrito Federal -Sinpro-DF, vem a público noticiar o falecimento do nossa querida companheira de luta Nilda Barros Silva, professora aposentada que passou pelo Centro de Ensino Médio 01 do Núcleo Bandeirante e Centro de Ensino Médio Urso Branco.  

Após lutar incansavelmente pela vida com a mesma garra que lutava pela categoria magistério, Nilda Barros Silva, foi uma das vítimas da Covid-19. 

Nossa querida Nilda, será sempre lembrada pelo profissionalismo, honestidade e competência e, neste momento de dor, a diretoria colegiada do Sinpro se solidariza aos familiares e amigos e deseja que Deus dê conforto para que possam enfrentar esta perda com serenidade.

Conhecida carinhosamente  de professora Nildinha, sua passagem pelo CEMUB trouxe grande crescimento, pois sempre estava à frente de grandes projetos e empreitadas em prol de uma escola pública de qualidade.

Devido à pandemia, não haverá velório. 

A Educação está de luto. 

Nilda Barros…  presente !!!

 

 

ISOLAMENTO SOCIAL IMPULSIONA REFLEXÕES E POESIAS

Com a chegada repentina da pandemia para todo o mundo, o isolamento social passou a ser regra  dentro dos lares e bairros, afetando a rotina e comportamento dos mais velhos aos mais novos, abrindo espaço para perguntas e diversos questionamentos. 

Para o professor Alexandre Baena dos Santos de 47 anos, não foi diferente. Com olhar atento para o momento, o professor se deparou com algumas perguntas que contribuíram para o desenvolvimento de uma poesia rica e reflexiva. O que temos como infância, afinal? Crianças  com casa, comida e internet e consequentemente com acesso à escola,  temos crianças na rua, com fome, pedindo esmola e  sequer tem  um lar.  O advento da plataforma digital veio  também escancarar esse abismo  social.  Onde os pais também  reclamam de não  terem “onde deixar ” seus filhos. O depósito escola.   Perguntas como essas, abriram para Alexandre, o caminho poético,  que resultou em uma bela obra intitulada “Onde estão nossas crianças?”

Leia abaixo: 

Onde estão nossas crianças?

Onde está essa infância?

Adormecidas embaixo de uma ponte?

Maquiadas precocemente em redes sociais?

 

Onde estão nossas crianças?

Trabalhando quando deviam brincar?

Esmolando para família ajudar?

Ou apenas chorando sem ninguém pra consolar?

 

Onde estão nossas crianças?

Passando  fome em algum lugar?

Olhando vitrines até o segurança expulsar?

Ou olhando os irmãos até a mãe retornar?

 

Onde estão nossas crianças?

Sozinhas, abandonadas 

Esquecidas, violentadas 

Tristonhas e humilhadas. 

 

Onde estão nossas crianças?

Sem alimento pra fome saciar 

Sem brinquedos para apenas brincar 

Sem internet para a escola acessar. 

 

Onde estão nossas crianças?

Sujas, sem banho pra tomar 

Revirando o lixo para o alimento encontrar

Na rua, com frio, entregue a sorte ou azar. 

 

Onde estão nossas crianças?

Que futuro podem esperar?

Sonhos, pesadelos, um lar?

Viver, sobreviver e lutar?

 

Onde estão nossas crianças?

Pés descalços, barrigas vazias 

Fome e  dor todos os dias 

Sem ilusões ou fantasias. 

 

Onde estão nossas crianças?

Bebendo água podre pra hidratar 

Os corpos que a vida insiste em judiar 

Quando deveriam  sorrir, viver e sonhar. 

 

Onde estão nossas crianças?

Pandemia adentro sofrendo 

Sem nenhum isolamento 

Onde o barraco é o único compartimento. 

 

Onde estão nossas crianças?

Se escondendo da bala perdida 

Sentindo a infância sofrida 

Vendendo o corpo por comida. 

 

Onde estão nossas crianças?

Caladas, espancadas 

Infelizes e assustadas 

Por quem as deviam proteger, violadas. 

 

E a vida segue cega 

Presente algum a ofertar

Dureza rotineira 

Que o cotidiano insiste lembrar. 

 

Onde foi que erramos?

O que não  fizemos?

O que fizemos dos sonhos e das esperanças?

Onde estão nossas crianças? 

 

      Alexandre Baena.

 

CNTE se soma ao movimento de conscientização sobre o câncer de mama

2020 10 09 outubro rosa cnte

“Outubro rosa: é tempo de cuidado e de ação! Previna-se com toque. Previna-se com mais água e menos álcool. Previna-se com fibras. Lute com amor, cuidado e autoestima. E lembre que você nunca estará sozinha. Quando o câncer de mama é diagnosticado nos estágios iniciais há 95% de chance de cura. Por isso a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo muito importantes!” é a mensagem publicada nas redes sociais (InstagramFacebook e Twitter) da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) em apoio à campanha de prevenção ao câncer de mama.

O movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.

Neste ano a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) lança o movimento de conscientização “Quanto antes melhor”. A ideia é chamar a atenção das mulheres para a adoção de um estilo de vida saudável no dia a dia, com a prática de atividades físicas e boa alimentação para evitar doenças, entre elas, o câncer de mama. A SBM quer reforçar que há muita vida após o câncer de mama e que o cuidado com a saúde feminina deve ser olhado com atenção, principalmente neste momento em que o rastreamento e o tratamento foram prejudicados e ainda estão sendo retomados por conta da pandemia de Covid-19.

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, no Brasil e no mundo, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos de câncer a cada ano. Esse percentual é de 29% entre as brasileiras. É causado pela multiplicação desordenada das células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem às características próprias de cada tumor.

outubro rosa cnte

Prevenção

O câncer de mama não é uma doença totalmente prevenível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao seu surgimento e ao fato de que vários deles não são atitudes modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente aqueles que podem ser mudados com a adoção de hábitos saudáveis:

Dicas de hábitos ideais para uma rotina saudável

– alimente-se bem e não fique muito tempo sem comer, ou seja, prefira comer de três em três horas, em pequenas quantidades, sempre priorizando os alimentos naturais e evitando os alimentos industrializados;
– evite o excesso de gorduras e carboidratos simples, como açúcar adicionado aos alimentos, doces, sucos de caixinha ou saquinho, refrigerantes, pão branco, macarrão, sempre preferindo as opções integrais;
– procure ingerir proteínas de boa qualidade, principalmente frutas, legumes e verduras por serem fontes de vitaminas e minerais essenciais e ricas em fibras que ajudam na saciedade e no funcionamento adequado do intestino;
– pratique exercícios físicos durante a semana. O ideal são 150 minutos de atividades físicas moderadas ou 75 minutos de atividades vigorosas divididas pelos dias da semana;
– planeje o seu dia alimentar e tente segui-lo.

>> Acesse a nota da Sociedade Brasileira de Mastologia para saber mais informações sobre conscientização do câncer de mama

Baixe os cards da CNTE e compartilhe nas redes sociais:

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*Com informações da Sociedade Brasileira de Mastologia

Fonte: CNTE

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