PROFESSOR Marcelo Mariani, PRESENTE!

Carta aberta ao professor Marcelo Mariani, vítima da Covid-19 que nos deixou ontem (27), após uma longa e  belíssima caminhada no ambiente escolar. 

Marcelo Mariani foi diretor do Sinpro-DF na gestão 1998-2001 e, dentre suas atividades sindicais, era responsável pelas visitas às escolas de Samambaia. Atualmente, ele era candidato nas eleições municipais ao cargo de prefeito de Cotegipe, Bahia.

Abaixo, uma singela homenagem de um grande amigo e companheiro de luta, professor do CED 02  de Sobradinho-DF, Wsiel.

“E sucedeu que, terminados os dias de sua missão, voltou para sua casa.” Lucas 1:23. 

“Tive o privilégio de trabalhar com o Marcelo Mariani de 1994 à 1997, na Escola Classe 511 de Samambaia . Ele foi vice diretor no período de 1996 à 1997. A escola era feita de troncos de árvores. A infraestrutura era muito precária e  instalações elétricas além de não funcionar a contento, era um perigo constante de acidentes. Para usar os banheiros, tinha que encher um balde com água para “dar descarga”.  Tinha muitas goteiras quando chovia. Enfim, estrutura totalmente inviável para o funcionamento de uma escola. No período em que Marcelo esteve na direção com a prof.  Andrea (Diretora), foram realizados abaixo-assinados, passeatas e outras mobilizações com toda a comunidade escolar. 

Estas ações garantiram que a Escola Classe 511, uma das “escolas de toras” no DF, fosse totalmente demolida para ser construída uma nova com a infraestrutura adequada. A partir  de 1998 muitas “escola de toras”, “escolas de latão”, “escolas de premoldados”… escolas que eram verdadeiros “campos minados”, passam a ser demolidas para dar lugar a edificações condizentes com espaço para educação. Lembro que estas escolas precárias, que podiam causar até mesmo uma tragédia coletiva, eram também conhecidas como “escola do Roriz”.  

No período em que Marcelo e  Andrea estiveram na direção também acabou-se com o “turno da fome”. É bom relembrar que nos anos 90 era muito comum as escolas funcionarem com 3 turnos no diurno. Logo o 2⁰ turno, que funciona das 11h às 14h30, passou ser chamado de “turno da fome”. Houve também avanços pedagógicos. Foi desenvolvido, apresentado e aprovado pela SEEDF, um projeto visando melhoria nas ações pedagógicas e buscando diminuir significativamente os índices negativos (baixo rendimento escolar, reprovação, evasão…). A escola classe 511 foi pioneira na “carga ampliada” oferecendo 5 horas de aulas para os alunos desde 1997, e garantindo 15 horas de coordenação para os professores. A lei da “carga ampliada” só foi aprovada depois sendo  estendido os mesmos direitos para todos.

Com a aprovação de 5 horas de aula, os alunos passaram a ter direito de 2 lanches por turno. Era servido um logo no início e outro aproximadamente 3 horas depois. Isto garantia que o aluno tivesse melhores condições para suportar 5 horas de aula com melhor rendimento e aproveitamento escolar. Lamento muito que duas refeições por turnos tenha ocorrido por um período muito curto, talvez uns 4 anos. Pouquíssimas escolas no DF tiveram esse benefício. Imagino que muitos professores nem fazia ideia que isto possa ter ocorrido. Temos que resgatar este item “duas refeições por turno” em nossas reivindicações.

Samambaia foi criada oficialmente em 1989. Era cidade de “lotação”, enquanto as outras cidades mais antigas ao redor eram de “remoção”. Com isto o corpo de professores(as) era composto em sua maioria por  colegas que tinham acabado de tomar posse do concurso. Marcelo sempre fez um trabalho na escola de orientação e formação de uma consciência política com a categoria. Defendia a implementação da coordenação de 15 horas semanais para que o professor(a) tivesse melhores condições de se preparar para as aulas, e diminuir o volume de trabalho que se levava para casa. Isto foi conquistado anos depois.

Defendia a gestão democrática, onde a comunidade escolar deveria escolher os gestores da escola através de eleição. Foi aprovada uma lei neste sentido em 1997, e no mesmo ano teve eleição. Defendia implementação do “auxílio-creche”, por entender que a nossa categoria era formada majoritariamente por mulheres, e estas precisam deixar seus filhos em segurança enquantos estavam no trabalho para desempenhar melhor suas funções. Defendia uma reestruturação no plano de carreira do magistério do DF, para corrigir várias distorções que se tinha, dentro a mais gritante era o “complemento do salário mínimo” que era realidade não somente no DF, mas do Brasil como um todo.

Vários lugares do nosso país onde professores(as) recebiam menos que um salário mínimo, e nem complemento tinha, que era algo inconstitucional. Por isso defendia a criação de Fundo Nacional para financiamento de Educação no Brasil. Aqui no DF os professores(as) deixaram de receber o “complemento do salário mínimo” só na reestruturação de carreira de 2003, salvo engano. 

No Brasil foi criado o FUNDEF (Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental). Anos depois ampliou as modalidade de educação atendidas, sendo reestruturado como FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica). Eram políticas de governo e temporária. Agora em agosto de 2020 o Congresso Nacional aprovou a PEC do FUNDEB, que o torna “política de estado”, ou seja, tem caráter permanente.

Através do FUNDEF/FUNDEB foram implementadas várias políticas educacionais importantes para o povo brasileiro: Livro didático para todos, lanche para todos, educação especial, educação profissionalizante, transporte escolar, creches, formação continuada dos docentes, dentre outras. Mas é importante lembrar que com FUNDEF/FUNDEB foi possível eliminar uma tremenda injustiça com os profissionais da educação no Brasil. Em 2008 foi criado o “Piso Nacional do Magistério”, e não temos mais professores no Brasil recebendo menos que um salário mínimo. Luta constante do Marcelo.

Ele  foi um defensor da nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) de 1996, que dentre vários avanços da educação se destaca a obrigatoriedade por parte do Estado de oferecer educação pública universal de qualidade nas modalidade de Creche, Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Antes a obrigatoriedade era apenas para o ensino fundamental. O Ensino Fundamental é ampliado de 8 para 9 anos, e as crianças passam a ser alfabetizadas a partir dos 6 anos de idade.

Marcelo também defendia a criação das Gratificações de alfabetização e do Ensino Especial. Ele argumentava que os profissionais dessas áreas tinham uma formação e dedicação diferenciada, por isso precisavam ser recompensados. Ainda nos anos 90, foram implementadas as duas gratificações. Participei da direção da Escola Classe 511 de Samambaia, como Assistente administrativo na gestão de 1998 e 1999. Colhi muitos frutos bons do que Andrea e Marcelo deixaram. Inclusive fomos nós que recebemos a escola nova no 2º semestre de 1998.

Marcelo esteve diretor do Sinpro-DF, como um bravo lutador pela categoria no período de 1998 à 2001. Trabalhei como ele novamente no Centro de Ensino Médio 304 de Samambaia em 2002. Foi um excelente professor de Arte. Foi prefeito em Cotegipe – BA, sua cidade natal que tanto se orgulhava. Foi acima de tudo um grande companheiro e amigo, mais um que a COVID-19 nos toma.

Foi através do Marcelo que a palavra “conjuntura” passou a ter sentido e significância para mim. Em sua conversas ele sempre fazia uma análise da realidade, que na maioria das vezes era preocupante, mas também nos levava a reagir nos dando confiança dizendo que nós éramos os agentes das mudanças que esperávamos. 

A conjuntura de 2020, é extremamente preocupante. E voz do Marcelo continuará ecoando fortemente, dizendo para que ninguém se intimide. Mas que haja união de forças de cada um de forma ordenada para enfrentar os ataques que os profissionais da educação, e povo sofrido brasileiro sempre tiveram. Não percam a esperança. Acreditem em vocês, acreditem na educação e por seguinte acreditem num Brasil melhor.

Sou cristão, protestante, agora renovado, mas nos anos 90 eu era pentecostal. Marcelo sempre respeitou minha fé. Dizia que eu deveria ser um agente de transformação de consciência na minha comunidade de fé”. 

Quanto ao legado que ele deixa, nem é preciso falar…

Deixo para familiares e amigos em memória do Prof. Marcelo Mariani, a música “Conjuntura” do grupo evangélico “Céu na Boca”, que expressa em sua letra um pouco da mensagem que ele (Marcelo) nos transmitia.  – Texto de autoria do professor do CED 02  de Sobradinho-DF, Wsiel.

Marcelo, presente!   

 

 

PLENÁRIA EM FAVOR DA VIDA

Entre os dias 11 a 14 de agosto, o Sinpro realizou uma maratona de debates com o objetivo de refletir sobre o possível retorno presencial das aulas nas Escolas Públicas do DF e suas consequências, tendo em vista a alta de casos e óbitos em virtude do Covid 19. Intitulada “Plenária em Rede em Favor da Vida”, a ação reuniu vários colegiados, representações dos trabalhadores e a sociedade civil organizada como CNTE, CUT, SINPRO, SINPROEP, SAE, Conselhos de Saúde, Conselhos Tutelares, Conselhos dos Direitos Humanos, Conselhos Escolares, Entidades Estudantis, alunos e pais.

O trabalho coletivo entre as entidades, foi o pontapé inicial para construção de um diálogo positivo e enriquecedor diante da pandemia que assusta o mundo. Ao todo, foram 4 plenárias em rede pela vida, o que mostra o empenho de todos pela discussão da temática.

Para diretoria colegiada do Sinpro, a ação foi acertada, tendo como resultado, o adiamento das aulas presenciais previstas para o dia próximo dia 31 de agosto. Graças ao trabalho de mobilização da categoria, o GDF recuou com o retorno das aulas, o que é uma grande vitória para a Educação Pública!

 

Assista o resumo das Plenárias no vídeo abaixo. 

 

 

 

Evento gratuito sobre BNCC para profissionais da Educação

Entre os dias 1°,2 e 3 de setembro, acontecerá o evento o Panorama BNCC, que deve ser efetivada até o fim do ano letivo em todas as escolas públicas e privadas do país. Os temas abordados no evento  é  para docentes que já atuam em unidades escolares, quanto para quem pretende atuar. O objetivo é explicar na Base Nacional Comum Curricular.

O evento tem como finalidade desvendar a Base Nacional Comum Curricular e destacar as diferenças entre as Diretrizes Curriculares Nacionais e os Parâmetros Nacionais Curriculares.

Os edutubers de Brasília Carlinhos Costa e William Dornela, Os Pedagógicos, são os responsáveis pelo acontecerá o evento Panorama BNCC. Até os dias das lives, que serão gratuitas e com direito a certificado de participação de 16h, Os Pedagógicos disponibilizarão materiais e questões exclusivas para quem estiver participando do evento.

Além deles, também participarão do evento os professores mestre Guilherme Ferreira, doutor Rodrigo Rodrigues e a doutora Denise Ramos.

Para se inscrever e participar basta fazer a inscrição gratuita no site:

https://ospedagogicosblog.com.br/panorama-nacional-de-bncc-inscricao/

Privatização dos Correios afeta a educação

Os trabalhadores da Empresa Correios e Telégrafos (ECT) do Distrito Federal aprovaram, na semana passada, a greve geral. O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do DF e Região do Entorno (Sintect-DF) informa que a greve é nacional, por tempo indeterminado e deflagrada após a empresa retirar 70 direitos da categoria e anunciar, na mídia, o projeto de privatizar a estatal.

Começou no dia 18 de agosto e uma das denúncias do movimento é  sobre o projeto de privatização da estatal do governo Jair Bolsonaro. A CUT-DF tem mostrado a importância da empresa em todos os setores da vida dos brasileiros, Nestes 10 dias de paralisação, a categoria tem realizado várias mobilizações País afora. Nesta sexta-feira (28), por exemplo, realizou uma carreata e passeata em defesa dos Correios, às 9h, com uma concentração no JK Shopping.

Com mais de 300 anos, a ECT mantém a população abastecida de suas demandas com ou sem pandemia de Covid-19. Há séculos se mantém firme, lucrativa, ano após ano, atendendo a cada um em todos os cantos e rincões do País. Trata-se de uma empresa consolidada, cuja eficiência e importância foi construída ao longo de seus 357 anos.

“Muito além de distribuir cartas, os Correios estão diretamente vinculados ao exercício de direitos constitucionais. É a empresa que faz a logística das eleições, garantindo o direito universal ao voto. É a empresa responsável pela entrega de livros, uniforme escolar, merenda e kits escolares. Segundo dados da própria empresa, mais de 151,4 milhões de livros didáticos já foram entregues, atendendo 146 mil escolas. A distribuição de provas e realização de concursos também são atribuições dos Correios. Foi a empresa estatal que fez chegar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a 11.800 escolas, em 1.700 municípios brasileiros”, informa Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF.

Em artigo publicado no site da Central, Rodrigues lembra que a importância dos Correios também existe fortemente no setor da Saúde. “Só em Minas Gerais, a empresa viabilizou, em 2016 e 2017, o transporte de mais de 5 mil toneladas de medicamentos, equipamentos, insumos. Por meio da Operação Saúde em Casa, os Correios entregaram 63 tipos de remédios a mais de 100 mil pacientes cadastrados em tratamento contínuo, em São Paulo”. Só para citar alguns estados.

O que está por trás da teimosia do governo de Jair Bolsonaro em privatizar a estatal a qualquer custo? A quem interessa e por que retirar direitos dos trabalhadores? Ao presidente Jair Bolsonaro, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a políticos empresários e, sobremaneira, a assessores e intermediários, principalmente os das consultorias e bancos de investimento contratados para analisar a viabilidade, dimensionar e estruturar o negócio.

Nos últimos 2 anos, os Correios registraram lucro de R$ 828 milhões (R$ 667 milhões, em 2017, e, R$ 161 milhões, em 2018). “A cifra, interessantíssima ao mercado financeiro, ainda deslegitima o discurso do governo federal, quando fala que o Estado precisa se livrar das empresas com caixa negativo. Aliás, partindo de um raciocínio lógico, qual fundamento teria uma empresa privada comprar algo que não gere lucro?”, afirma Rodrigues.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que esses dados são de total conhecimento do atual governo federal e, propositadamente, ocultados nos discursos inflamados em defesa da privatização. “Não se trata de falta de conhecimento sobre o papel estratégico da estatal na aplicação de políticas sociais. Trata-se do abismo existente entre os interesses de Bolosonaro e sua equipe e as necessidades do povo. Para um governo gerado no submundo da corrupção, que se mostra subserviente aos Estados Unidos, a soberania do Brasil é algo supérfluo, bem como a condição do nosso país decidir sobre o próprio destino”, afirma Rodrigues.

Nota de falecimento | Professor Marcelo Mariani

A diretoria colegiada do Sinpro-DF se solidariza com os familiares, amigos e colegas, lamenta e comunica, com pesar, o falecimento do professor e militante Marcelo Mariani. Ele faleceu, nesta quinta-feira (27), em razão das complicações provocadas pela Covid-19.

Marcelo Mariani foi diretor do Sinpro-DF na gestão 1998-2001 e, dentre suas atividades sindicais, era responsável pelas visitas às escolas de Samambaia. Atualmente, ele era candidato nas eleições municipais ao cargo de prefeito de Cotegipe, Bahia.

CNE debate os riscos do retorno às aulas presenciais durante a pandemia

Nesta quarta-feira (26), o presidente da CNTE, Heleno Araújo coordenou os debates do Conselho Nacional de Entidades (CNE). O encontro virtual contou com a participação de 47 entidades filiadas e mais de 170 pessoas.

Em sua fala inicial, Heleno comemorou a vitória histórica do FUNDEB no Senado Federal, com unanimidade em primeiro e segundo turnos, na tarde desta terça-feira (25), e explicou os próximos encaminhamentos desta luta. “Agradeço a todos e todas que participaram das mobilizações nas redes sociais, pressionando os parlamentares. O movimento foi fundamental para a aprovação do Fundeb. Agora precisamos cuidar para que esses recursos sejam usados corretamente”.

Para começar os debates do Conselho, Luiz Carlos Freitas, professor titular (aposentado) da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, fez uma análise da conjuntura educacional. Para o especialista, o esforço do ensino remoto não tem sido para realmente ensinar, mas para avaliar.

“Não temos uma tarefa simples pela frente. Agora precisamos assumir a missão de recuperar o aprendizado que estas crianças não tiveram, para evitar desdobramentos complexos no futuro. Não podemos falar em retornos das aulas, sem conseguir proteger as crianças. Como vamos lidar com os impactos físicos, financeiros e emocionais na escola? Precisamos de mais tempo e ajuda apropriada para recuperar a aprendizagem dos alunos. Alguns conteúdos terão que ser postergados, ou teremos uma grande evasão escolar”.

Freitas também alertou sobre as movimentações que o governo tem feito para a privatização. “As medidas adotadas pelo governo colocam em xeque a educação pública. Porém, é um assunto contraditório, pois cada centavo investido na educação privada é retirado da educação pública. É o mesmo dinheiro. A privatização abre espaço para uma gestão meritocrática na educação, o que torna as pessoas individualistas”.

Na análise da conjuntura política de Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente nacional do PT, foi abordado o reposicionamento do presidente Jair Bolsonaro após os desdobramentos do caso Queiroz.

“Em 2020 entramos numa situação de calamidade pública e temos um orçamento de guerra, onde pode-se gastar tudo. Bolsonaro soltou muito dinheiro para o Centrão e para a Direita Liberal, não necessariamente para combater a pandemia, mas buscando mais apoio político no processo eleitoral. Isso deu um fôlego para o Presidente e alinhou sua base. Agora, precisamos ficar atentos aos encaminhamentos que serão dados em 2021”, enfatiza Hoffmann.

De acordo com a deputada federal, entre os ajustes para o próximo ano, as Forças Armadas terão mais investimentos que a própria Educação; o processo de privatização será pesado, além do forte trabalho pelas Reformas Tributária e Administrativa.

“Precisamos nos preparar com muito cuidado. Será necessário um forte trabalho de enfretamento. Não podemos deixar avançar o desmonte que eles querem fazer. E o trabalho tem que começar nas eleições municipais, para debater e pressionar os prefeitos e vereadores”, concluiu Gleisi Hoffmann.

Pandemia Covid-19

O médico sanitarista e professor da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), Artur Chioro, em sua análise de conjuntura sanitária, enfatizou que estamos vivendo um momento dramático. “Chegamos a 3 milhões de casos confirmados e que ainda não traduzem a realidade. De acordo com alguns estudos que já saíram, para termos uma maior noção de estatística, podemos multiplicar esse número por 6. E esse cenário é resultado do posicionamento que Brasil teve desde o início, com descaso”.

Chioro ainda destacou que o governo abriu mão da estratégia de testagem em massa e isso dificulta a apresentação de dados mais efetivos. “O Brasil atingiu a marca de 116 mil óbitos e estamos naturalizando esta situação. Se o governo tivesse feito a lição de casa corretamente, teríamos apenas 44 mil óbitos e a situação estaria controlada em junho”.

“Estamos passando por um fenômeno complicado; uma crise sanitária negacionista do Presidente, com a troca de comando do Ministério da Saúde; sem estratégia de comunicação decente, que colabora para a desinformação. A não adoção de medidas protetivas, prolongou por 6 meses a pandemia, causando ainda mais impacto na sociedade, com a desigualdade social. O governo não deu condições para que a classe mais baixa tivesse condições de se proteger. Rico testa e se protege, o pobre sequer faz teste e morre”, diz Artur.

Durante os debates, os participantes enfatizaram o perigo do retorno as aulas neste momento.  “Apesar dos testes que estão sendo feitos no mundo, não há certeza de que a vacina chegará em janeiro e a verdade é que as crianças e jovens são os que mais se infectam e se tornam vetor de transmissão. As aulas presenciais não devem voltar sem uma queda considerável da contaminação. Agora, precisamos olhar para as experiências europeias e criar novas estratégias”, explica Chioro.   

No período da tarde, serão discutidos os informes, propostas e encaminhamentos a respeito do adiamento do 34º Congresso da CNTE e prorrogação do mandato da direção da CNTE por um período de um ano.

 

Reprodução: CNTE

CUT-DF protesta em restaurante pela defesa da dignidade da classe trabalhadora

 

Na semana passada, a trabalhadora da limpeza urbana Fátima Dias comprou uma marmita em um restaurante localizado na Asa Sul, mas foi impedida de sentar-se à mesa do estabelecimento para comer a refeição. Nesta segunda-feira (24), dirigentes da CUT-DF, da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviço (Contracs), da Federação dos Trabalhadores no Comércio do DF (Fetracom-DF) e do Sindicato dos trabalhadores da limpeza urbana (Sindlurb), junto com vários garis, voltaram ao restaurante e, em protesto, ocuparam as mesas para almoçar.

“Estamos aqui para mostrar que a classe trabalhadora deve ter a dignidade que merece. Dignidade é direito, e ninguém pode exceder isso. É urgente que os diversos estabelecimentos entendam que todos os trabalhadores têm direito de usufruir dos espaços acessíveis ao público”, disse o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.

O varredor Cristiano Moura* foi um dos trabalhadores que participou do protesto. Há cerca de três anos atuando na limpeza urbana, ele afirma que situações de preconceito como as vividas por Fátima também já aconteceram com ele.

“Tem muito preconceito com a gente, com a ‘farda’, ainda mais agora na época da pandemia. Uma vez, na W3 Norte, cheguei em um estabelecimento pedindo um copo d’água. A mulher me olhou, e eu olhando para o filtro, e ela disse que só tinha água da torneira. Eu agradeci e saí. Eu limpava a frente do estabelecimento dela diariamente. Isso é muito ruim, esse preconceito”, diz.

Marília Almeida*, encarregada da limpeza urbana, conta que a situação para as mulheres é ainda mais grave. “Quando te dão uma água, eles falam pra você levar o copo. Ou seja, até dão a água, mas não ficam com o copo porque a gente bebeu nele. A questão do banheiro, principalmente pra gente que é mulher, também é complicado. Muitas das vezes, o banheiro é até aberto ao público, mas pra gente é negado. Tem funcionária que chega a chorar”, afirma. Segundo informações do Sindlurb, cerca de 70% do quadro de varredores no DF é formado por mulheres. Esse grupo tem índice altíssimo de casos de infecção urinária, já que caminha longas distâncias, sem acesso a banheiros.

Presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, conversa com garis sobre o direito de cada trabalhador e cada trabalhadora à dignidade a ao respeito

Embora seja inconcebível, a inviabilização do acesso dos trabalhadores da limpeza urbana aos espaços acessíveis ao público é uma questão antiga, segundo o presidente do Sindlurb, José Cláudio de Oliveira. “É um normal que a gente vive no dia a dia, mas que não é normal. Infelizmente nós vivemos numa sociedade que discrimina os trabalhadores da limpeza urbana porque trabalhamos retirando das ruas o lixo que a própria população produz. Por isso, o Sindlurb atua todos os dias para combater a discriminação”, conta.

Para o presidente da Contracs, Julimar Roberto, a discriminação de categorias que têm poder aquisitivo menor sempre existiu, mas foi alavancada com as políticas do governo Bolsonaro. “Quando você precariza as condições de trabalho das categorias, retira direitos, trata com desprezo, você dá margem para que ações como as discriminações cresçam. E é exatamente isso que o governo Bolsonaro faz, além de incentivar também outros tipos de discriminação, como a de raça, gênero e orientação sexual”, analisa o dirigente sindical.

Pontos de apoio

Recentemente, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou projeto de lei do deputado Fabio Felix (PSOL), que propõe a criação de pontos de apoio para trabalhadores de aplicativos de entrega e de transporte individual privado de passageiros. A CUT-DF avaliou a aprovação como uma conquista, mas luta para que a proposta seja ampliada a outras categorias que atuam nas ruas, como instrutores de autoescola, trabalhadores do setor de bebidas e garis.

“O avanço dado a partir do PL do deputado Fábio Félix é muito significativo e importante, e precisamos ampliar essa conquista. Infelizmente a ausência de pontos de apoio não é um problema apenas de entregadores por aplicativo, que lamentavelmente não têm direitos trabalhistas garantidos por lei. Outras categorias tradicionais, com direitos consolidados, também não têm acesso a espaços básicos para atender as necessidades humanas. E isso é absurdo”, afirma o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.

O presidente interino da Fetracom-DF, Felipe Araújo, explica que o ponto de apoio aos trabalhadores é uma pauta de reivindicação por ser “direito do trabalhador escolher onde quer ficar”.

 

“O trabalhador tem que ter a opção de fazer o que ele quer. Tem trabalhador que traz a marmita de casa. Então, para esse trabalhador, tem que ter o local para ele comer. Já o trabalhador que prefere comprar a comida em algum restaurante, isso também deve ser assegurado a ele. A decisão sempre deve ser do trabalhador”, avalia.

Segundo ele, a Fetracom e a Contracs já realizaram algumas reuniões para discutir a criação de pontos de apoio para as diversas categorias que atuam nas ruas e “logo, logo, deve ser apresentado algum projeto neste sentido”. “Já tivemos algumas reuniões sobre o tema e entendemos que, diante da complexidade do assunto, é necessária uma atuação direta do governo, que deve assumir essa responsabilidade”, acredita.

Em entrevista para a CUT-DF, o deputado Fábio Felix se somou ao pleito da Central e disse que “é muito importante construir um projeto (sobre pontos de apoio) que abranja outras categorias”.

*Os nomes são fictícios para evitar qualquer tipo de retaliação contra o trabalhador e a trabalhadora

Fonte: CUT-DF | Fotos: Valcir Araújo

PANDEMIA E EDUCAÇÃO É TEMA DE REVISTA

Com a chegada da Covid-19, o mundo precisou se adaptar aos novos meios e medidas para evitar o contágio com o vírus que já atingiu a marca dos *112.304* óbitos em todo o Brasil. Cenário esse que trouxe dúvidas e inúmeros questionamentos para diferentes setores, principalmente no cenário educacional que teve como resultado, uma “ pausa” nas atividades escolares em todo o país, tudo a fim de evitar a propagação e contaminação de crianças em um ambiente de fácil disseminação do coronavírus. 

Um cenário de desafios, onde tudo é novo. A tecnologia passa a ser mais utilizada, as discussões que eram presentes no ambiente educacional, muita das vezes acabam passando  despercebido, e aí, o problema agrava. Foi pensando nisso, que a professora e coordenadora Natália Duarte, ativa na rede há 31 anos, atualmente diretora da ANPAE-DF, deu início a confecção a uma revista mais didática e menos “acadêmica” e menos “burocrática”: A educação é a pandemia. “A intenção é ocupar um espaço vazio, na produção de conhecimento para a escola, a partir da escola e com professores da Ed básica”, afirma Natália Duarte.

 

O RESULTADO

A Revista Educação Básica em Foco é uma das iniciativas institucionais que concretizam o compromisso da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE) de subsidiar debates e proposições relativos às políticas e à administração da Educação Básica no Brasil, pautadas pela garantia do direito à educação de qualidade para todos e pelo fortalecimento da gestão democrático-participativa na educação pública. Constitui-se como espaço de divulgação, intercâmbio e debate de conhecimentos produzidos em diferentes espaços e instâncias educativas – escola básica, universidades, fóruns de educação, entidades sindicais, movimentos sociais e estudantis etc. -, propiciando a divulgação de iniciativas e ações desenvolvidas nas redes de ensino e suas instâncias – central, regionais e escola – e contribuições oriundas de estudos realizados em universidades e outras instituições de pesquisa, que colaborem efetivamente para a garantia do direito e da gestão democrática da educação pública brasileira.

 

Você pode conferir todo o conteúdo da revista em Revista Educação Básica em Foco

NOTA DE PESAR | Carlos Alberto de Souza Augusto

É com enorme pesar que o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), vem a público noticiar o falecimento do nosso querido companheiro de luta  Carlos Alberto de Souza Augusto, professor  de Educação Física aposentado no ano de 2017, onde passou pela última vez no  CEM 804 do Recanto das Emas.

Após lutar incansavelmente pela vida com a mesma garra que lutava pela categoria magistério,Carlos Alberto foi vítima de Mieloma Múltiplo, um tipo de Câncer. 

Nosso querido Carlos, será sempre lembrado pelo profissionalismo, honestidade e competência e, neste momento de dor, a diretoria colegiada do Sinpro se solidariza aos familiares e amigos e deseja que Deus dê conforto para que possam enfrentar esta perda com serenidade.

 

A Educação está de luto. 

Carlos Alberto …  presente !!!

 

Volta às aulas: 46% dos estudantes e professores pegariam covid-19 em três meses

A revista Brasil Atual mostra que, em São Paulo, o plano de Dória para volta às aulas não tem como garantir a segurança de estudantes e professores. A constatação é de um estudo de pesquisadores de três países

Mesmo com todos os protocolos de segurança sendo seguidos, a volta às aulas em São Paulo causaria contaminação por covid-19 em até 46,35% dos estudantes e professores após 60 dias letivos. Isso considerando apenas estudantes dos ensinos fundamental e médio. Mesmo seguindo as regras estabelecidas pelo governo de João Doria (PSDB), de até 35% dos alunos participarem das atividades presenciais de cada vez. E partindo de apenas uma pessoa infectada. A projeção é o resultado de um estudo com simulação do contágio pelo novo coronavírus, realizado por pesquisadores de sete universidades de três países.

Os testes consideraram que a maioria das pessoas respeitaria as regras de higiene, o uso de máscaras e o distanciamento social de 1,5 metro. E que só haveria três cruzamentos entre elas por dia: na entrada, na saída e no recreio. O que seria um cenário de cuidado muito maior do que o que deve ser realizado no dia a dia.

Foi considerada uma volta às aulas com 307 pessoas no ambiente escolar, entre estudantes, professores e outros trabalhadores da educação. Mesmo que a maioria das pessoas respeitasse os protocolos de higiene e distanciamento, uma única pessoa infectada no ambiente levaria à contaminação de 46,35% das pessoas, em 60 dias de aula – cerca de três meses. Destes, 0,3% poderiam ir à óbito. “O risco de uma dinâmica de infecção generalizada no ambiente escolar é elevado, mesmo que a partir de apenas um agente infectado”, destacam os pesquisadores.

Clique no link, a seguir, e confira a matéria completa.

 

https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2020/08/volta-aulas-estudantes-professores-covid/

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