Covid-19 pode se espalhar mais facilmente nas escolas do que se pensava

Um relatório do CDC (sigla para Centros de Controle e Prevenção de Doenças), principal órgão de saúde dos Estados Unidos, indica que o novo coronavírus pode se espalhar mais facilmente nas escolas — em um cenário de volta às aulas — do que se pensava até aqui e alerta para os riscos de uma reabertura escolar.

As crianças, mesmo assintomáticas, podem desempenhar um papel importante na transmissão comunitária da covid-19, segundo destaca hoje o The Guardian.

Exemplos do que ocorreu recentemente no estado da Geórgia (EUA) e em Israel levaram à conclusão. A afirmação do CDC contradiz vários estudos anteriores, nos quais o consenso parecia ser que as crianças raramente transmitem o vírus entre si ou para outras pessoas.

Nesta semana, 260 funcionários em um dos maiores distritos escolares da Geórgia foram impedidos de entrar em suas escolas para planejar a reabertura porque eles tinham o vírus ou estavam em contato com um indivíduo infectado.

A interdição ocorreu após a divulgação de que mais de 200 adolescentes de um total de 600, também na Geórgia, foram infectados enquanto participavam de um acampamento de verão (no hemisfério norte). Algumas medidas de precaução não foram cumpridas entre os participantes, apesar de os funcionários seguirem as regras sanitárias para a pandemia.

O surto ocorreu no final de junho e foi identificado depois que um adolescente apresentou sintomas. Após testar 344 participantes, 260 foram considerados positivos.

Igualmente preocupante, segundo o relatório, foi o fato de que — ao contrário das teorias anteriores sobre a disseminação da doença em crianças — crianças mais novas, assim como aquelas que passaram mais tempo no acampamento, pareciam mais propensas a serem infectadas.

O relatório do CDC diz: “A infecção assintomática foi comum e potencialmente contribuiu para a transmissão não detectada, como foi relatado anteriormente. Essa investigação aumenta o conjunto de evidências que demonstram que crianças de todas as idades são suscetíveis à infecção por Sars-CoV-2 e, ao contrário dos relatos iniciais, podem desempenhar um papel importante na transmissão”.

William Hanage, epidemiologista da Universidade de Harvard, resumiu o dilema para o Guardian: “Se a transmissão da comunidade é baixa, os custos para as crianças de manter as escolas fechadas são muito maiores do que mantê-las abertas. No entanto, se a transmissão da comunidade for alta ou crescente, a abertura de escolas só poderá aumentar a transmissão, só não está claro o quanto”.

“O fechamento das escolas e outras interações, outras ações que as pessoas adotaram como parte do distanciamento social, limitam a oportunidade das crianças de fazer contatos ao longo dos quais o vírus possa se transmitir. Portanto, não estamos vendo [nas pesquisas anteriores] os tipos de interações que poderíamos esperar se as escolas fossem abertas”, ele diz.

“O fato de as crianças terem doenças muito menos graves significa que, no caso de um grande evento de transmissão em uma escola, é muito mais provável que você detecte os adultos do que as crianças”, defende.

Em Israel, uma rápida e completa reabertura de escolas contribuiu para o ressurgimento do vírus na região.

O país foi visto como uma história de sucesso no início da pandemia, após impor um rígido bloqueio em março que coibiu a disseminação do coronavírus. No entanto, as medidas foram gradualmente diminuídas, com o governo desejando limitar as consequências financeiras e levar os pais a voltar ao trabalho, e as crianças voltaram à escola em maio.

Mas, no final daquele mês, o coronavírus estava se espalhando pelas salas de aula e as autoridades fecharam cerca de cem escolas antes das férias de verão, ordenando que milhares de alunos e professores ficassem em quarentena.

Fonte: UOL

Nota de falecimento – Rafael Dantas de Carvalho

É com grande tristeza e pesar que a diretoria do Sinpro informa o falecimento do professor Rafael Dantas de Carvalho. Vice-diretor do Centro de Ensino Médio 417 de Santa Maria 2012, o educador era professor de Língua Portuguesa e também trabalhou na Coordenação Regional de Santa Maria.

O velório será realizado às 11h30 desta quinta-feira (07), no Cemitério do Gama, e será restrito aos familiares.

O Sindicato dos Professores presta toda sua solidariedade à família e aos amigos neste momento de dor.

Saber Viver em Casa discute 14 anos da Lei Maria da Penha nesta sexta (7)

Entre março e junho deste ano, quando os governos estaduais decretaram o isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus, houve um aumento de 22,2% nos casos de feminicídios no Brasil. Nos meses de março e abril, o número de feminicídios subiu de 117 para 143, segundo levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a pedido do Banco Mundial junto aos órgãos de segurança de 12 estados e divulgado, no dia 1º de junho, como Nota Técnica intitulada “Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19”. 

Dois meses depois, nesta sexta-feira (7), data que marca os 14 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), o programa Saber Viver em Casa analisará esse paradoxo entre o avanço do Brasil ao criar um instrumento que atribui ao Estado a responsabilidade de enfrentar e combater a violência contra a mulher e a eficácia da lei. Para falar do tema, o Sinpro-DF convidou Lourdes Maria Bandeira, professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), e Mariana Távora,  promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPDFT, mestre em Família e Gênero pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. 

Nesta edição, o programa conta com a participação da diretora do Sinpro-DF, Vilmara do Carmo, coordenadora da Secretaria de Mulheres do sindicato, que irá acompanhar a conversa sobre “Os 14 anos da Lei Maria da Penha e sua eficácia” será transmitida, ao vivo, pelas redes sociais do sindicato e pelo canal 12 da NET-DF.

Não perca! Saber Viver em Casa, nesta sexta (7), 14h, ao vivo, no canal 12 da NET e no Facebook e YouTube do Sinpro-DF. 

O programa Saber Viver em Casa é uma parceria do Sinpro-DF com a TV Comunitária, transmitido, ao vivo, pelo canal 12 da NET e pelo Facebook e You Tube do sindicato.

Assista, divulgue e participe!
#FiqueEmCasa

 

Presidente da CUT convoca para o dia Nacional de Luta pela Vida, em 7 de agosto

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As CUTs dos 26 estados e do Distrito Federal, os sindicatos, federações, confederações e representantes das demais centrais atenderam ao chamado e participarão com ações, homenagens e protestos, nos locais de trabalho e nas ruas, do Dia Nacional de Luta pela Vida e dos Empregos, na próxima sexta-feira, dia 7 de agosto. Veja abaixo onde vai ter ato e o que será feito.

Não podemos ver 100 mil mortos como um número frio, mas como uma tragédia. E para isso é preciso que a população manifeste sua insatisfação com este governo, afirma Sérgio Nobre, presidente da CUT, se referindo ao número de vidas perdidas para a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus,   que o Brasil atingirá esta semana.

“Nós alertamos no início da pandemia, em março que se o governo federal não abraçasse a e coordenasse uma politica e um processo de isolamento social para que pudéssemos sair rapidamente dessa crise, preservando vidas e empregos, o país vivenciaria uma enorme tragédia”, diz Sérgio Nobre.

A tragédia anunciada de que o Brasil perderia milhares de vidas e que a economia do país iria para o fundo do poço por falta de um comando nacional para combater a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) se confirma a cada dia. Esta semana o país deve atingir a triste marca de 100 mil mortos por Covid 19 e todo mês milhares de trabalhadores e trabalhadoras perdem o emprego e não têm sequer esperança de uma rápida recolocação no mercado de trabalho.

Segundo país do mundo mais afetado pela pandemia, o Brasil soma 95.819 vidas perdidas e 2.808.076 casos confirmados.  Com o aprofundamento da crise econômica, 12,4 milhões de trabalhadores estão desempregados.

Foi este cenário que levou a CUT e as demais centrais a convocar uma grande manifestação no dia de luta pela vida e pelos empregos nesta sexta, dia em que provavelmente o país atingirá ou até mesmo ultrapassará os 100 mil mortos pela pandemia. 

Tanto os números de brasileiros mortos quanto desempregados poderiam ser evitados se o presidente da República não fosse irresponsável ao chamar a Covid-19 de gripezinha, defender o uso de remédio ineficaz (Cloroquina) contra a doença, promover aglomerações, não utilizar máscaras e não liberar recursos suficientes para a área de saúde e não apresentar sequer uma proposta de geração de emprego e renda .

A incompetência ou descaso com a pandemia é tamanha que, de março até 25 de junho, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) via Ministério da Saúde gastou apenas $ 11,4 bilhões ( 29%) dos R$ 38,9 bilhões  que seriam destinados ao combate ao novo coronavírus. O valor foi revelado em uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), obtida pelo jornal Folha de São Paulo.

Infelizmente, o governo federal desprezou todos os alertas dos trabalhadores, abriu mão de coordenar esse processo e ainda atacou prefeitos e governadores que tentaram coordenar a quarentena em seus estados e municípios, lamenta Sérgio Nobre.

“A maioria das mortes tem atingido os trabalhadores, os pobres e a parte mais vulnerável da população brasileira”, afirma.

Crise econômica e social

O presidente da CUT ressalta que o país vive uma nova pandemia, a de demissões e fechamento de empresas, em especial as micro e pequenas, que  têm, entre seus proprietários, ex- trabalhadores que investiram suas poupanças e reservas financeiras em um negócio para manter suas famílias.

“São ex-bancários, químicos, metalúrgicos, gente que perdeu o emprego e que como única forma de sobrevivência, montou seu pequeno negócio para sustentar a sua família e agora está vendo o seu negócio fechar”, lamenta Sérgio Nobre.

Por todos esses motivos é que a próxima sexta-feira será o Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos (#7deAgostoLutapelaVida). Convocada pela CUT e demais centrais, as manifestações serão simbólicas para respeitar o distanciamento social necessário para ajudar a evitar a disseminação da Covid-19.

100 minutos de paralisação, um para cada mil vidas perdidas

Serão feitas paralisações de 100 minutos nos locais de trabalho, em homenagem aos 100 mil mortos e que neste período as pessoas parem para refletir sobre o que está acontecendo no Brasil.

Segundo o presidente da CUT, será um minuto de paralisação para cada mil mortos no Brasil, como homenagem àqueles que partiram e também como forma de prestar solidariedade e empatia pela dor dos familiares dessas vítimas. E ao mesmo tempo é um alerta de que o país precisa mudar de rumo.

Se você quer um Brasil com desenvolvimento e justiça social, faça esse movimento dos 100 minutos pela vida e pelo emprego e vamos dar um rumo novo para o nosso país que não merece passar pela situação que está vivendo hoje

– Sergio Nobre

“No dia 7 participe dessa mobilização, pare por 100 minutos. Que esta data seja um grande dia para homenagear aqueles que partiram e exigir mudança de rumo do país”, conclui Sérgio Nobre.

Veja como será no seu estado a mobilização pelo 7 de Agosto

Em São Paulo, na Praça da Sé, centro da capital, ao meio dia será realizado o Ato Nacional, puxado pelos presidentes das Centrais. Em seguida haverá um ato ecumênico em homenagem aos brasileiros que perderam a vida nesta pandemia.

Bahia

Um ato ecumênico, que será realizada na parte da manhã, com horário a ser definido, iniciará a manifestação em homenagem às vítimas da pandemia, em Salvador. Também serão fixadas, às 10h, cruzes no Farol da Barra, um dos símbolos da capital baiana. Faixas em passarelas da Avenida Paralela que dá acesso à rodoviária e ao aeroporto também farão parte do ato. Uma live em rede social está sendo organizada para que as pessoas se manifestem e peçam por “Fora, Bolsonaro”.

Ceará

Em Fortaleza será realizada pela manhã atividades com servidores da área da saúde que estão na linha de frente de combate ao coronavírus. À tarde, uma carreata, às 16 horas, percorrerá o bairro Barra do Ceará. A tarde também será realizada uma plenária virtual com as centrais sindicais.

Goiás

Na capital Goiânia , as entidades sindicais e movimentos sociais e populares convocam um Ato Simbólico na Praça Cívica, no dia 07, as 15 horas. O Ato simbólico será estruturado com 100 cruzes e faixas providenciadas pelo Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e Soberania e pelas entidades participantes. Como o Ato será simbólico, cada entidade sindical e movimentos sociais e populares devem duas ou três pessoas para participarem.

Paraíba

Um carro de som percorrerá pela manhã algumas ruas da periferia da capital, João Pessoa, levando a mensagem do Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos. Ainda pela manhã haverá o “Amanhecer com Fora, Bolsonaro”. Os manifestantes colocarão panos pretos em suas janelas em protesto pelas 100 mil mortes ocorridas no país.

Pernambuco

No Recife, capital do estado, a concentração será a partir das 14h, na Praça da Democracia, no bairro do Derby, área central da cidade.

Rio Grande do Sul

Em Porto Alegre, capital do estado também haverá um ato com um culto ecumênico, das 11 horas da manhã ao meio dia. Em seguida, os manifestantes soltarão 100 balões pretos em homenagem às 100 mil vítimas da Covid 19 e colocarão faixas alusivas ao Dia  Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos

Sergipe

A CUT/SE, em conjunto com outras centrais, vai realizar ato público, às 08 horas, na Praça General Valadão, no centro da capital, Aracaju. Neste ato, serão fixadas no local 100 cruzes em homenagem as 100 mil vidas perdidas pela Covid-19 no Brasil. Também será realizado o São João de Luto, com bandeirolas pretas, em memória das vítimas fatais no estado e no Brasil.

A programação das ações do 7 de Agosto em todo o País será divulgada nos sites e redes sociais das centrais, das suas estaduais e seus sindicatos. Serão respeitados todos os protocolos sanitários durante as manifestações.  #7deagostolutapelavida #ForaBolsonaro.

Como participar do Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos

– Use a hastag #7deAgostoLutapelaVida.

– Colocar cruzes brancas em locais de grande circulação de pessoas ou em pontos turísticos das cidades, circundando uma faixa (da cor preta) com a inscrição Fora Bolsonaro (em branco).

– Realizar ações nas ruas com a identidade visual da campanha como colagem de lambe, “adesivaços”, faixas em viadutos e circular com carro de som nas comunidades. Todos esses materiais estão disponíveis em um kit mídia no site da Campanha (https://www.campanhaforabolsonaro.com.br/ )

– Organizar carreatas pelas principais avenidas com carros identificados com a campanha Fora Bolsonaro, conduzidos por um carro de som. Todas as ações acima devem respeitar os cuidados sanitários e de distanciamento social.

– Estimular que todas as pessoas coloquem um pano preto nas janelas de suas casas como simbologia de adesão à campanha e, por fim, participar e divulgar o tuitaço que será realizado às 11 horas do dia 07 de agosto.

Com colega em coma por Covid-19, professores em MG pedem que prefeito feche escolas

Prefeito de Coronel Fabriciano passa por cima de decisão judicial, mantém trabalho presencial da categoria e casos de contaminação aumentam. Trabalhadores estão na luta para defender vidas

 
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Mesmo sem alunos, os trabalhadores e trabalhadoras da Educação de Coronel Fabriciano, no interior de Minas Gerais, foram obrigados a voltar as escolas  pelo prefeito, Marcos Vinícius da Silva Bizarro (PSDB), e o resultado é trágico: um professor está em coma e mais de 30 trabalhadores foram contaminados pela Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. A categoria luta pelo  fechamento das escolas para preservar vidas. 

A decisão de abrir as escolas, apesar das aulas estarem proibidas, foi tomada pelo prefeito tucano depois que ele perdeu três ações na Justiça para reabrir as unidades de ensino. Bizarro não desiste de colocar as vidas em risco e já recorreu até ao Superior Tribunal Federal (STF) para conseguir a volta das  aulas presenciais, que havia sido marcado para 22 de maio, em plena pandemia.

A professora, Elisete Alves Pereira Novaes, que está liderando um movimento dos trabalhadores e das trabalhadoras da educação contra a medida do prefeito, gravou um vídeo fazendo um apelo para o chefe do executivo. Ela disse que a categoria só quer trabalhar com segurança e reforçou o pedido de fechamento das escolas.

“Prefeito, eu apelo. Feche as escolas de Coronel Fabriciano! Não estamos fugindo do trabalho, estamos fugindo de um vírus que não é uma gripezinha e que pode matar. Já temos um colega em coma e centenas de casos de trabalhadores da educação que estão adoecendo e a gente só quer proteger nossas vidas”, disse. Assista o vídeo.

Gripezinha é como o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), que zomba da pandemia que já matou mais de 94 mil pessoas e contaminou mais de 2,7 mil pessoas no Brasil, se refere ao novo coronavírus.

O descaso do prefeito com a categoria é enorme, Ele que já tirou direitos dos professores, não tem tomado nenhuma medida para evitar a proliferação da doença e ainda mantem os trabalhadores e trabalhadoras da educação dentro das escolas. O que não poderia ter acontecido, como garante uma liminar da ação ajuizada pela deputada Estadual, Bia Cerqueira (PT).

A liminar determina que não ocorra o retorno das atividades educacionais nas escolas da rede municipal de ensino de Coronel Fabriciano a partir do dia 25 de Maio de 2020, até que os órgãos públicos de saúde indiquem que é desnecessário manter o isolamento social para controle da disseminação da  Covid-19, com fixação de multa em caso de eventual descumprimento.

“Mesmo com a decisão judicial o prefeito manteve a convocação dos profissionais, o que levou a contaminação de quase 30 professores e o coma de um deles e mesmo assim ele vem tentando mudar a decisão recorrendo até ao STF, onde também perdeu. Isso é um caso típico de gestor que não compreendeu o que é uma pandemia e nem o seu papel neste momento”, disse a deputada Bia Cerqueira.

Elisete, a professora que apelou à humanidade do prefeito, diz que o trabalho que está sendo feito nas escolas, pode ser feito tranquilamente de casa e ainda com melhor qualidade, porque a categoria se sentirá mais segura e com menos risco até para os próprios alunos.

A professora disse que estão fazendo o planejamento semanal, enviando tarefas e vídeos e atendendo os alunos através de grupos no WhatsApp nos aparelhos celulares individuais. E que, quando precisa ou tem alguma demanda específica atendem algum pai ou mãe na porta da escola.

O pai de um aluno da Escola Municipal de Boa Vista, bairro de Coronel Fabriciano, Ernane Everton Soares da Silva, escreveu uma carta de apoio à luta da categoria, no qual reafirma que o posicionamento da prefeitura de manter os trabalhadores e trabalhadoras da educação dentro das escolas é imprudente, inclusive para pais e alunos. 

Segundo ele, o perigo é invisível para todo mundo, o que pode ser fatal. A transmissão do vírus pode acontecer sem que seja percebido, porque muitas pessoas são assintomáticas. E isso pode ocorrer tanto com as aulas presenciais quanto este formato atual, no qual trabalhadores e trabalhadoras da educação ficam na escola e às vezes os pais ou mães precisam buscar algum material pedagógico. 

“O meu filho poderia ter sido uma possível transmissor pelo fato do meu exame ter constatado que eu tive contato com o vírus em algum momento de forma assintomática.O mesmo risco pode ser verificado na outra ponta, quando estes profissionais são obrigados a interagirem com nós pais que por muitas vezes também podemos ser agentes transmissores da doença por meio das atividades físicas entregues ou mesmo pelo contato desnecessário”, diz trecho da carta.

Elisete disse que nas 23 escolas municipais de Coronel Fabriciano, tem gente com suspeita ou já contaminada pela doença, a prefeitura não está controlando a doença, não tem testagem e nem o número oficial de casos.

“Não sabemos o número certo de contaminados, porque a prefeitura nem faz questão de controlar isso. Nesta escola onde trabalha este professor que está em coma, mais 10 testaram positivo. Fora os que não têm coragem de dizer que estão doentes com medo de represálias. Se continuar assim, daqui uns dias nem terá trabalhador para ir para escola e nem dar aula”, afirmou a professora.

Além disso, aponta Elisete, a prefeitura deu só duas máscaras de panos para cada profissional, álcool em gel sem qualidade, os trabalhadores dividem computador, fazem fila para bater o ponto e a merenda está por conta de cada um.

A categoria já fez abaixo assinado, já denunciou em rádio, em TV e agora espera outra decisão da justiça, porque enviaram as cópias de atestados médicos comprovando o alto número de contágio da doença entre a categoria.

“Não tem condição de estar na escola, o prefeito trata a gente com picuinha, chama a gente de preguiçoso e quer punir a gente porque lutamos contra a reabertura das escolas. A gente vai até o final desta luta mesmo as vezes perdendo a esperança, porque o que a gente não pode perder é a vida”, ressalta Elisete.

*Edição: Marize Muniz

Reprodução: CUT

Inscrições para o VIII Ebrem ainda estão abertas

O VIII Encontro Brasiliense de Educação Matemática (VIII Ebrem) está com as inscrições abertas. Com o tema “Ensino presencial e educação a distância para o presente e possibilidades para o futuro da educação matemática”, o evento é uma realização da Sociedade Brasileira de Matemática — Regional do Distrito Federal  (SBEM-DF) — e ocorrerá, totalmente on-line, entre os dias 17 e 22 de agosto.

Professores(as), estudantes e pesquisadores(as) interessados, acessem os links <www.sbemdf.com.br> ou <https://www.even3.com.br/viiiebrem/> para inscrições e mais informações. O evento terá a participação dos(as) professores Marcelo Borba, que irá falar sobre “Ensino presencial, ensino a distância, covid-19, ignorância e educação matemática”, e Bruno Max, com o tema “A estratégia da gamificação para o ensino a distância”; e das professoras Cleia Nogueira, Gina Vieira e Letícia Montandon, que vão abordar o “Ensino remoto e ensino presencial: o que aprendemos com o afastamento social”.

O VIII Ebrem é uma das várias iniciativas da SBEM na área de educação e ensino de matemática para professores(as), estudantes e pesquisadores(as) com o intuito de promover, incentivar e disseminar pesquisas, estudos e discussões de temas afins, troca de experiências, intercâmbio de atividades, conhecimento e aperfeiçoamento continuado de professores(as) na área de educação matemática no Distrito Federal e Entorno.

“Pretendemos abordar as polêmicas evidenciadas durante a pandemia relacionadas aos paradoxos apontados entre educação presencial e EaD num momento em que a educação escolar se viu em xeque, durante o afastamento social. Como garantir, em tempos de pandemia, a equidade na educação escolar em uma sociedade marcada pela desigualdade de acesso aos meios tecnológicos?”, anuncia a nota sobre o evento da SBEM.

Letícia Montandon, diretora do Sinpro-DF, alerta para a importância da participação dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. “É fundamental que todos e todas se inscrevam, justamente, para debater um assunto tão relevante neste momento. É uma das raras oportunidades de a gente discutir juntos os desafios impostos e construir um pós-pandemia porque, certamente, as coisas serão diferentes depois que tudo isso passar”.

A diretora avalia que “essa temática é, realmente, oportuna porque estamos num momento excepcional. A educação básica nunca foi feita dessa forma. Portanto, é um grande desafio tanto porque os investimentos em tecnologia para as escolas públicas nunca foram satisfatórios e, hoje, a pandemia do novo coronavírus escancara esse problema porque existe uma necessidade sim desses recursos tecnológicos, dos insumos — a Internet, o computador — e tudo o mais para que os estudantes consigam um mínimo de acompanhamento. A crise sanitária evidenciou o grande problema do não investimento”.

Ela diz ainda que, apesar de ser algo novo e de o Distrito Federal e todo o País enfrentarem o profundo não investimento dos governos na educação, os(as) professores(as) estão buscando, atender, minimamente, aos(às) estudantes. “Realmente, a gente observa que milhares não vão acompanhar, justamente, por causa da falta de gestão do dinheiro público e negligência com a educação dos governos”, afirma.

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Estudo aponta que Reino Unido corre risco de ter uma segunda onda de Covid-19 duas vezes maior

Pesquisadores concluíram que se as escolas do Reino Unido retomarem as aulas sem um sistema mais eficiente de testes e rastreamentos uma “segunda onda de infecções, que chegaria ao pico em dezembro de 2020, seria 2 ou 2,3 vezes maior do que a onda original de Covid-19”

 

Garota usa máscara em Londres
                                                 Garota usa máscara em LondresReuters – O Reino Unido terá uma segunda onda de Covid-19 no próximo inverno do Hemisfério Norte duas vezes mais ampla do que o surto inicial se reabrir as escolas sem um sistema mais eficiente de testes e rastreamentos, segundo um estudo publicado nesta terça-feira.

Pesquisadores do University College e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres modelaram o potencial impacto de disseminação do coronavírus se as escolas forem reabertas, em período integral ou meio-período, permitindo que os pais voltem ao trabalho.

Concluíram que a segunda onda pode ser evitada se 75% das pessoas com sintomas forem identificadas e testadas e 68% de seus contatos forem rastreados, ou se 87% das pessoas com sintomas forem identificadas, e 40% dos contatos, testados.

“No entanto, também prevemos que, na ausência de uma cobertura suficientemente ampla para testagem-rastreamento-isolamento, a reabertura das escolas acompanhada da reabertura da sociedade em todos os cenários pode induzir uma segunda onda de Covid-19”, afirmou o estudo, publicado no jornal científico The Lancet Child and Adolescent Health.

“Os resultados de nosso modelo sugerem que a completa reabertura das escolas em setembro de 2020, sem uma estratégia eficiente de testagem-rastreamento-isolamento resultaria em uma taxa R acima de 1 (em que uma pessoa infectada transmite o vírus para pelo menos mais uma pessoa) e em uma segunda onda de infecções que chegaria ao pico em dezembro de 2020 e seria 2 ou 2,3 vezes maior do que a onda original de Covid-19.”

A autora principal do estudo, Jasmina Panovska-Griffiths, disse que o sistema de testagem e rastreamento da Inglaterra estava chegando atualmente a apenas 50% dos contatos das pessoas que testaram positivo.

Panovska-Griffiths, professora de modelagem matemática na University College de Londres, disse à rádio BBC que os piores cenários ainda podem ser evitados.

“O importante do que descobrimos é que é possível evitar uma segunda onda da epidemia se um determinado número de pessoas com infecções sintomáticas for diagnosticada. Seus contatos podem ser rastreados e efetivamente isolados”, disse.

“Somos o primeiro estudo que quantificou isso, o quanto isso precisa ser feito no Reino Unido.”

Escolas no Reino Unido fecharam em março, durante a quarentena nacional, exceto para crianças de trabalhadores essenciais, e reabriram para um pequeno número de alunos em junho.

No entanto, o governo diz que todos os alunos voltarão às escolas ao redor do Reino Unido até o começo de setembro, com o primeiro-ministro Boris Johnson dizendo que essa é uma prioridade do país.

“Eu acho que todos aceitamos que o teste e rastreamento é um programa que precisa continuar a melhorar. Há total humildade do governo em relação a isso”, disse o ministro júnior de governos locais Simon Clarke, à rádio BBC.

“Aceitamos completamente que precisamos continuar a fazer esses números subirem”, disse.

 

Reprodução: BRASIL 247

Para 82% dos professores, trabalho remoto traz aumento da jornada de trabalho

Pesquisa intitulada “Trabalho docente em tempos de pandemia”, realizada com 15.654 professores da educação básica que atuam nas redes municipais, estaduais e federal, mostrou que o aumento da jornada de trabalho sem nenhum tipo de remuneração adicional é um dos principais pontos destacados pela categoria com a realização de trabalho remoto. Para 82% dos entrevistados, houve aumento das horas de trabalho em comparação ao tempo empregado na preparação das aulas presenciais. A pesquisa foi realizada pelo Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente da Universidade Federal de Minas Gerais (Gestrado/UFMG), em parceria com Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

O estudo, o maior em número de respondentes já realizado no país sobre a pandemia do novo coronavírus e os impactos nos sistemas educacionais, também mostrou que 89% dos professores não contavam com nenhuma experiência anterior em educação a distância e que menos de um terço dos respondentes considera fácil ou muito fácil o uso das tecnologias digitais. Além disso, no momento da pesquisa, 54% dos docentes das redes municipais de ensino alegaram não ter recebido nenhum tipo de formação para o ensino remoto; nas redes estaduais esse índice foi de 25%.

Segundo a pesquisa, o celular é o dispositivo tecnológico mais utilizado pelos docentes para ministrar as aulas a distância, seguido do notebook. Mas apenas 65% dos respondentes conta com internet banda larga, enquanto outros 24% dependem do plano de dados do telefone móvel.

“A expectativa agora é de que o levantamento realizado possa contribuir para a elaboração de políticas consequentes que promovam a melhoria das condições de trabalho desses profissionais e para a melhoria da oferta educativa de seus estudantes”, afirma o professor Heleno Araújo, presidente da CNTE.

>> ACESSE O RELATÓRIO TRABALHO DOCENTE EM TEMPOS DE PANDEMIA

Fonte: CNTE, com edição da CUT-DF

CUT e professores do CE temem genocídio na volta às aulas antes da hora

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Ainda com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) sem controle no interior do estado, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), já avalia reabrir as escolas, que estão fechadas desde o dia 20 de março, quando começou a vigorar o decreto estadual de isolamento social para conter a disseminação do vírus.

Camilo falou que deve reabrir as escolas em setembro, apesar do parecer contrário do Conselho Estadual de Educação (CEE). O CEE orientou as instituições a darem continuidade às atividades letivas por meio remoto, até 31 de dezembro de 2020, mesmo após autorização para a retomada das atividades presenciais nesse período por decreto estadual.

Em postagem no seu perfil o governador disse: “Informo que, após reuniões de avaliação de estudos e cenários p/Comitê formado por Saúde, TJ, MPE e MPF, ficou decidido que as escolas e universidades, públicas e privadas, não deverão retornar as aulas em agosto, com previsão de retorno no início de setembro”.

Com o Brasil se aproximando da triste marca de 100 mil vidas perdidas para a Covid-19 e com a doença ainda acelerada em várias regiões do País, inclusive no Ceará, o retorno às aulas é sinônimo de mais mortes, reagiu o presidente da CUT-CE, Wil Pereira.

O retorno das aulas presenciais pode causar um genocídio, pois expõe ainda mais pessoas ao risco de contaminação e morte pela Covid-19

– Wil Pereira

“Precisamos continuar preservando a vida dos trabalhadores e das nossas famílias”, reforçou o dirigente que lembrou a decisão do Comitê contrária à volta em setembro caso se mantenham todos os indicadores epidemiológicos.

TARCÍSIO DE AQUINO/CUT-CETarcísio de Aquino/CUT-CEO CEE orientou ainda que o retorno também seja opcional e que pais e alunos tenham garantida a continuidade do atendimento remoto  conta das unidades escolares ou universitárias.

“A situação de saúde pública no estado continua frágil e irregular, considerando as diversas regiões. Portanto, orientamos manter o ensino remoto até o final do ano. Isso porque há um reconhecimento geral de que os estudantes têm ainda um momento de fragilidade nas escolas, especialmente se eles vivem com pais idosos, avós, parentes com doenças crônicas e que podem levar o coronavírus para dentro de casa. Então, neste sentido, a orientação do Conselho é pela flexibilização, inclusão, equidade e, para que se evite, ao máximo, a evasão escolar”, reforçou o professor Custódio Almeida, presidente da Câmara de Educação Superior e Profissional (CESP), do Conselho Estadual de Educação (CEE) e um dos relatores do Parecer Nº 205/2020, que orienta sobre a continuidade do ano letivo.

De acordo com Wil Pereira, a CUT Ceará tem acompanhado este debate junto ao Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus e defendido no colegiado todas as medidas necessárias que priorizam a preservação das vidas de trabalhadores e trabalhadoras.

Na opinião do dirigente, “enquanto todas as escolas não estiverem totalmente adaptadas para a nova realidade e enquanto não tiver vacina, defenderemos que elas continuem fechadas para salvar vidas”.

Wil também lembra que a Central Única está orientando suas entidades filiadas a reforçar as campanhas lançadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pela Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam) que defendem a o retorno às aulas apenas quando for seguro para professores, pais, alunos e comunidade escolar.

Fiocruz confirma risco de volta as aulas

Preocupados com esse cenário de epidemia no Brasil, pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz divulgaram estudo alertando que a volta às aulas presenciais pode representar um perigo para cerca de 9,3 milhões de brasileiros (4,4% da população total) idosos ou adultos com doenças crônicas que estão enquadradas no grupo de risco da Covid-19. O risco foi estimado pelo fato desse grupo morar no mesmo lar que o público em idade escolar.

De acordo com a pesquisa, mesmo que as instituições de ensino cumpram à risca todas as recomendações de segurança, o transporte público e a falta de controle sobre o comportamento de adolescentes e crianças os colocam em potenciais situações de contaminação pelo coronavírus. Uma vez doentes, eles podem levar o vírus para casa ou para o espaço educacional e transmitir a doença.

“Se apenas 10% dessa população vier a precisar de cuidados intensivos, isso representará cerca de 900 mil pessoas na fila das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Além disso, se aplicarmos a taxa de letalidade brasileira nesse cenário estaremos falando de algo como 35 mil novos óbitos, somente entre esses grupos de risco”, reforça o epidemiologista Diego Xavier, que participou do estudo.

Para a professora e secretária de finanças do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará, Gardênia Baima, a pesquisa da Fiocruz demonstra a gravidade de se discutir o retorno das aulas presenciais em momento que as escolas, principalmente as púbicas, ainda estão se adequando as novas regras sanitárias. A dirigente sindical afirma que só em Fortaleza, mais de três mil profissionais em educação declararam à Prefeitura, por meio de laudo médico, que possuem comorbidades e estão no grupo de risco da Covid-19.

“Temos uma posição nacional unificada pelo não retorno às aulas. O medo dos profissionais é muito grande de voltar sem o mínimo de segurança sanitária nas escolas. As crianças em sua maioria são assintomáticas, mas elas transmitem para as professoras, assistentes de educação infantil e para os pais, tios e avós que tenham doenças crônicas e outras condições de vulnerabilidade à doença, representando uma brecha perigosa no isolamento social que essas pessoas mantinham até agora”, reforça Gardênia ao informar que o Sindiute espera debater com a Prefeitura sobre a reabertura das escolas no começo de setembro, quando os trabalhadores em educação do município retornam das férias que iniciam nesta segunda-feira (3/8).

Em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a situação não é diferente, segundo Maria Santos, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Caucaia (Sindsep), professores ameaçam convocar uma greve caso a Prefeitura insista em decretar o retorno das aulas presencias sem adequar as cerca de 200 escolas no município.

“Muitos pais de alunos estão nos procurando para dizer que estão com medo e que não vão enviar suas crianças para as escolas enquanto não tiver vacina. Os trabalhadores também estão com a ideia de retornar sem uma estrutura mínina e sem equipamentos de proteção individual. Se o prefeito insistir em reabrir sem diálogo, não teremos outra alternativa se não chamar a categoria e iniciar uma greve”, afirmou Maria Santos.

Com informações da Fiocruz.

Edição: Marize Muniz

Fonte: CUT

Teletrabalho se consolida em gangorra emocional trazida pela pandemia

A crise sanitária intensificou o uso de um recurso que já vinha crescendo no mundo do trabalho. Além da busca do equilíbrio, já se discutem medidas como o “direito à desconexão”

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 “De maneira geral estou trabalhando o mesmo número de horas, só que mais produtivo. O problema é que trabalho no meu quarto, então parece que nunca saio de fato do trabalho”, conta a engenheira ambiental V., de 27 anos, de Curitiba. “A ansiedade aumentou, com certeza. O trabalho tem muita pressão e a convivência com o time trazia mais leveza. O meu trabalho em si e desempenho não foram afetados, pelo contrário, estou mais produtiva. Porém sinto que minha saúde mental piorou.”

Para o professor universitário D., 42 anos, a duração do expediente não mudou tanto, mas a intensidade aumentou. No teletrabalho, além das aulas (virtuais), que não foram interrompidas, e das pesquisas para orientar, é preciso acompanhar o ritmo – acelerado – da filha de 4 anos. Ele se reveza com a mulher, também em home office, para cuidar da menina, da casa e trabalhar.

“A intensidade da minha jornada aumentou muito. Tem que ser uma jornada muito produtiva. Eu me sinto como um piloto de Fórmula Indy. Me sinto trabalhando mais porque eu nunca paro.” O depoimento do professor, que atua em uma instituição privada em São Paulo, foi interrompido por um chamado da filha.

 

O desafio do equilíbrio

Há mais de 8 milhões de pessoas, segundo o IBGE, trabalhando no sistema de home office ou teletrabalho. Uma tendência que já era crescente e irá se consolidar mesmo depois da pandemia. Neste momento, o desafio é se equilibrar – profissional, física e emocionalmente – entre o trabalho, questões domésticas e familiares, o impedimento de sair, a vida fora do lugar.

Mais que o modo de trabalho em si, a médica Maria Maeno aponta justamente a intensidade da jornada e as obrigações impostas em quantidade cada vez maior. “O mais importante é que as pessoas vão continuar tendo de atingir metas e entregar produtos em tempos muitos exíguos”, afirma.

Assim, todo mundo irá trabalhar “no limite superior”, como diz a médica e pesquisadora em saúde do trabalho. É a busca do aumento da produtividade aliada à avaliação de desempenho. “Sabem que as metas não vão ser atingidas, mas todo mundo vai tentar. Saber que isso pode resultar em uma avaliação ruim é uma pressão constante. O ponto crucial é o sistema de metas e os prazos frequentemente exíguos para as entregas de serviços.”

 

Regulamentação e brechas

home office, ou teletrabalho, foi regulamentado pela “reforma” trabalhista aprovada em 2017. A Lei 13.467 define a modalidade como “a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo”.

O comparecimento eventual ao trabalho, para alguma tarefa específica, não descaracteriza o regime. “Pela CLT, não pode haver distinção do trabalho realizado fora ou dentro das dependências da empresa, ou seja, não pode haver distinção de remuneração ou recebimento de benefícios, como plano de saúde e vale-alimentação”, observa o advogado Vitor Monaquezi Fernandes.

Segundo ele, o teletrabalho exige um aditivo ao contrato. “Neste pacto, deverá constar quais serão as atividades que serão realizadas pelo trabalhador. Deverá também constar com serão feitos os reembolsos ao empregado, caso ele tenha alguma despesa com equipamentos. Pois, apesar de estar trabalhando de casa, cabe à empresa fornecer todo o equipamento necessário.”

De aproximadamente 2.600 denúncias relativas à pandemia, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 147 sobre teletrabalho. A maioria (139) refere-se a empresas que, mesmo podendo, não adotaram a modalidade. Em poucos casos, o empregador não quis ressarcir custos. A Procuradoria teve ainda um caso em que a empresa pressionou os funcionários para manter a câmera ligada durante todo o horário de expediente.

 

Carga horária cresce

O problema, para o advogado, são dois artigos da CLT. O primeiro (62) estabelece que empregados em regime de teletrabalho estão isentos de ter a sua jornada controlada e, consequentemente, não haverá recebimento de horas extras ou a fiscalização do intervalo para almoço. “Isso tem acarretado, na prática, um aumento significativo da carga horária de trabalho. Na minha opinião, isto não é nem um pouco razoável, pois com a facilidade de acesso à tecnologia é perfeitamente possível a empresa controlar os horários dos funcionários”, avalia.

A situação tem levado a atualizações no Direito do Trabalho, lembra Vitor Fernandes. Em alguns lugares, como na França, já existe o chamado “direito à desconexão”. A lei entrou em vigor em 2017. Recentemente, a Telefônica assinou acordo nesse sentido, após negociação com a UNI Global Union, entidade sindical que abrange 20 milhões de trabalhadores em 150 países.

O diretor regional da UNI Américas, André Rodrigues, lembra que a entidade assinou seu primeiro acordo, chamado marco global, justamente com a Telefônica, em 2001, formando uma rede sindical internacional. “A gente pressionou muito para que houvesse uma mesa permanente de negociação global. E utiliza esse marco global para facilitar o diálogo entre o sindicato local e a empresa. Quando é necessário e quando o sindicato solicita, a gente participa diretamente”, relata.

 

Lei e acordo sobre desconexão

No ano passado, o direito à desconexão entrou na pauta a ser discutida com a Telefônica. Segundo André, o problema “era bastante recorrente e grave”, em várias empresas. “Uma das coisas que eles (chefes) mais reclamam é as metas que eles têm e devem impor aos subordinados. Então, começamos a fazer uma campanha mundial. E a Telefônica aceitou fazer essa conversa. E assinar como um anexo a esse acordo marco global.” A discussão envolve aproximadamente 50 mil trabalhadores.

Em fevereiro de 2019, com o acordo assinado, os sindicatos locais iniciaram seus processos de negociação, já concluídos na Espanha, na Argentina e no Chile – e em andamento no Brasil e no Peru. Basicamente, a empresa reconhece o direito de o funcionário não responder nenhuma mensagem ou e-mail de trabalho se estiver fora de sua jornada, em horário de descanso. Caso haja necessidade, deve haver um acordo, com notificação prévia à representação sindical. Na Argentina conta André, o acordo incluiu cláusula pela qual a empresa não pode, sob nenhuma hipótese, punir o funcionário ou impedir seu crescimento profissional pelo fato de não responder mensagens.

 

Regras para o retorno

Para este ano, previa-se a assinatura de outro acordo, justamente relativo ao teletrabalho, mas a pandemia atrapalhou o andamento das negociações. Em maio, firmou-se outro anexo ao marco global, estabelecendo normas gerais para o retorno ao trabalho: disposição no espaço, regras de saúde, segurança, exames, testes.

Por falar em acordo, o outro artigo que o advogado Vitor Fernandes considera preocupante (75) determina que o empregador deve instruir os empregados, “de maneira expressa e ostensiva”, quanto às precauções a fim de evitar doenças e acidentes de trabalho.

“Veja que a lei diz deverá instruir, mas não fiscalizar”, observa. “Como a CLT trata do assunto de uma maneira muito genérica, o caminho tem sido os sindicatos buscarem a regulamentação mais específica em seus acordos e convenções coletivas.” Dessa forma, conseguem estabelecer normas que garantem mais proteção. “Estão sendo pactuadas regras como proibição de envio de mensagens em celular particular e de envio de e-mail/mensagens após determinado horário.”

 

Transformar facilidade em organização

A médica Maria Maeno também defende a pactuação. “Muitos bancários, por exemplo, estão bancando a banda larga, tiveram que providenciar um celular novo para o teletrabalho. Isso, no futuro, as empresas podem prover. Para a empresa, significa um gasto, mas não é algo crucial. O problema não está relacionado à informatização, mas ao sistema como um todo. Os avanços tecnológicos têm sido úteis nesta pandemia para diminuir o isolamento. Mas, ao mesmo tempo, são utilizadas para manter o trabalho o tempo todo na vida das pessoas, com intensificação do ritmo. A gente tem de usar essas inovações tecnológicas para a organização de pessoas e movimentos para alcançar condições de vida e trabalho melhores.”

O psicólogo Cristiano Nabuco fala em “reinvenção”. O desafio, segundo ele, é como exercitar o direito à desconexão em um mundo tão competitivo. “Do jeito que estávamos vivendo não será mais possível. Estamos hoje de frente para o espelho, olhando para a nossa realidade como nunca olhamos.”

Desde março em quarentena, a engenheira V. conta que o trabalho em si não mudou muito, mas todas as reuniões passaram a ser virtuais. Nessa nova situação, houve treinamento para melhorar a comunicação. “O mais difícil foi aprender a fazer tudo on-line, e não ter mais a possibilidade de ir na mesa de um colega pedir ajuda.”

 

Deslocamento e flexibilidade

Ela relata prós e contras da nova rotina. “Não perco mais duas horas em deslocamento, posso acordar mais tarde e tenho mais flexibilidade de horário. Hoje, sinto que o que importa é se você entrega o resultado no final, e não se você passa mais tempo na mesa.”

Ali perto, sua mãe, a autônoma R., 58 anos, conta que no seu caso o volume de trabalho diminuiu, mas a rotina da casa mudou bastante. “Tenho me dedicado a projetos pessoais que eu não conseguia encontrar brechas para desenvolver, como pesquisa e um livro. Porém, acho importante salientar que em minha rotina o que mais mudou é estar com a família toda em casa na maior parte do dia, uma filha em home e um filho estudando online, o marido também vem almoçar todos os dias, minha rotina ficou acelerada e de cabeça para baixo para dar conta de tudo.”

A ansiedade não vem do trabalho, mas das incertezas, que são coletivas. “Será que iremos sobreviver à doença? Quando teremos vacina? Como ficará a economia?”, questiona R.. Ela resume a nova situação com humor: “Estou conectada ao trabalho oficial e 24 horas conectada aos extras”.

 

Fator humano

Já o professor D. mantém sua rotina puxada no teletrabalho, que pode ir de 10 a até 15 horas por dia. Com os “extras” de cuidar da filha e da casa, sem folga. Por causa do vírus, o casal dispensou a presença da diarista, mas continuou pagando o salário. Assim como a engenheira, ele aponta o fator humano.

“A grande estranheza para mim, como professor, é dar aula para alunos que de modo geral preferem não ligar a câmera. Você dá aula no escuro, basicamente. Isso é um pouco solitário, tira do professor esse termômetro que são os olhares, as reações, a interatividade.”

 

Limites entre família, lazer e trabalho: zonas de conflito

Para o psicólogo Bruno Chapadeiro Ribeiro, professor adjunto da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), nunca foi tão necessário regulamentar o chamado “direito à desconexão”, a fim de se evitar outro o que já vem se batizando de “tecnoestresse”. É preciso buscar limites entre o período de trabalho e o de lazer, incluindo ainda a interação com a família. Tudo no mesmo ambiente, o que pode proporcionar “potenciais fontes de conflito”.

Mas ele acredita que do limão pode sair uma limonada, como diz o provérbio. O que tem se chamado de “novo normal” pode ser visto como uma nova modalidade de precarização. Um empecilho pode ser a conhecida desigualdade brasileira.

 

O teletrabalho já existia em menor escala antes da pandemia. O senhor acredita que se tornará uma tendência crescente no mundo do trabalho?

Tenho dito que muitos setores farão desse “limão uma limonada”. O que é esse tão falado “novo normal” se não somente a naturalização de velhos preconceitos e precarizações do trabalho que antes já aconteciam, mas de forma sutil? Segundo estudo da consultoria Marz, 86% das empresas brasileiras mandaram suas equipes inteiras, ou parte delas, trabalhar em casa. Os mais recentes dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e da PnadC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE mostram que o potencial estimado de trabalho atualmente no Brasil passa dos 20 milhões. Outro estudo, coordenado pelo FMI, mediu o que chamaram de “índice de viabilidade do teletrabalho” e aponta que, sim, o teletrabalho será uma tendência crescente daqui pra frente. No entanto, há discrepâncias socioeconômicas enormes entre os países que fazem com que tal modalidade de trabalho nem sempre seja uma opção viável para os pobres sem acesso à internet, os jovens sem formação universitária e as mulheres com sobrecargas nas tarefas domésticas.

 

Ao falar sobre a “aceleração do tempo”, o senhor até usou o exemplo do coelho da história de Alice. Como lidar agora com esse tempo? Como controlar a jornada no home office? Como fazer essa divisão entre trabalho, família, lazer, garantir pausas?

Vivemos uma aceleração e compreensão do tempo que tem nos levado à uma “sociedade do cansaço” nos termos do filósofo sul-coreano Byun-Chul Han. As novas relações flexíveis de trabalho promovem mudanças significativas em nossa sociabilidade, nossa forma de lidar com o tempo e com a auto-referência pessoal, tendo em vista que alteram a relação tempo de vida/tempo de trabalho. O tempo de vida é colonizado pelo tempo de trabalho. A invasão da esfera da produção à da reprodução social tem demonstrado que, por exemplo, os limites entre os horários de trabalho ou lazer e as interrupções dos familiares sejam potenciais fontes de conflito, além da expectativa no/na teletrabalhador(a) de que assuma mais responsabilidades quanto às demandas domésticas, assim como, também, se acentuam as dificuldades no trato com as tecnologias. Uma recente pesquisa da Escola de Administração de Empresas da FGV (Fundação Getulio Vargas) mostrou 56% dos trabalhadores têm problemas para conciliar os dois universos. Tudo isso se intensifica ainda mais quando falamos de mulheres nesta condição do chamado home office.

 

O senhor vê algum risco de o trabalhador permanecer conectado por período excessivo? Existe uma sensação de estar permanentemente conectado ao trabalho? Quais as possíveis consequências? Já se fala em questões como “tecnoestresse” e “direito à desconexão”.

Há resultados preliminares de pesquisas sendo feitas nesse momento que têm apontado aumento nos relatos de sintomas de ansiedade, depressão, insônia e irritabilidade. Para citar algumas, o estudo da FGV, citado acima, relata que 45,8% das pessoas perceberam um aumento da carga de trabalho e encontraram mais dificuldade para manter o foco. Outro, da rede social de empregos, Linkedin, mostrou que 62% se dizem mais ansiosos e estressados com o trabalho do que antes. E 68% têm trabalhado pelo menos uma hora a mais por dia, com alguns (21%) chegando a trabalhar até quatro horas/dia a mais, e com enormes dificuldades em se desligar das atividades laborais. Nunca precisamos falar tanto e regulamentar o “direito à desconexão” a fim de se evitar o “tecnoestresse”. Esta preocupação, inclusive, está presente no PL 3.512/2020, que tramita atualmente no Senado e que objetiva detalhar as obrigações do empregador na realização do teletrabalho. 

 

No seu dia a dia, o senhor ouve muitos relatos sobre isso? Como as pessoas têm lidado com essa nova realidade no dia a dia, na relação com as famílias, por exemplo? Quem tem filhos enfrenta uma questão adicional…

Temos uma pesquisa intitulada “projeThos covid-19” em que nos propusemos dar visibilidade às vivências e sentimentos relativos ao trabalho nesse contexto da pandemia do novo coronavírus. E o que mais nos chegam de relatos, além dos medos e angústias que esse momento tem gerado, é sobre a dificuldade das pessoas em conciliar as rotinas com crianças/família e trabalho. O tal homeschooling, assim como a busca por atividades de entretenimento dos filhos, tem feito muitas mães adentrarem no ponto virtual de trabalho no período noturno ou mesmo de madrugada para conseguir dar conta de todas as demandas. Nos chamou muito à atenção o relato de uma jornalista em que ela diz: “Me sinto cansada. Estou trabalhando três turnos, sendo que sou contratada para atuar 40 horas. Muito difícil estabelecer limites quando trabalhamos de forma on-line, com WhatsApp o tempo todo. Minha casa não é mais um lugar de descanso”.

 

A socialização é também uma dimensão do trabalho, como o sr. observou. Apesar da tecnologia permitir aproximação rápida entre as pessoas, qual o impacto da falta de contato humano no cotidiano profissional?

Sim, o trabalho é a transformação de algo, como também faz parte dele a socialização entre os seres humanos. O afeto físico reduz o estresse ao acalmar nosso sistema nervoso simpático, que durante momentos de preocupação libera hormônios de estresse prejudiciais ao nosso corpo. Estudos da área da psiconeurologia da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, demonstram que temos caminhos cerebrais que são especialmente dedicados a detectar o toque afetuoso, sendo este o modo como nossos sistemas biológicos comunicam um ao outro que estamos seguros, que somos amados e não estamos sozinhos. Por esse prisma, não há mediação por telas que seja suficiente para desenvolvermos nossa humanidade. Por outro lado, não é de hoje que temos também assistido à destruição dos coletivos de trabalho com as reestruturações e enxugamento dos ambientes de trabalho. Assim como, uma ode ao trabalho individualizado, algo que tem nos levado, inclusive, a se discutir as chamadas patologias da solidão/isolamento.

 

Como retomar o controle em uma situação sem controle?

Em maio, o diretor-geral da da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse considerar “extremamente preocupante” o impacto da pandemia na saúde mental das pessoas. “O isolamento social, o medo de contágio e a perda de membros da família são agravados pelo sofrimento causado pela perda de renda e, muitas vezes, de emprego”, afirmou.

Documento das Nações Unidas aponta a necessidade de aumentar com urgência o investimento em serviços de saúde mental. E relatórios indicam surgimento mais constante de sintomas de depressão e ansiedade em vários países.

 

Alarme no cérebro

Ao participar recentemente de debate virtual promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu remeteu às origens da humanidade, que, vivendo em ambientes inóspitos, viu surgir a necessidade de planejamento e controle. “Essa sensação de controle traz uma sensação de aquietação.”

Assim, em um momento, como o atual, que não se consegue responder nem mesmo as perguntas mais rotineiras, várias regiões do cérebro processam o “alarme”, o que pode levar à exaustão e ao estresse. “Quem tem pré-disposições para desenvolver fobias, depressões, pânicos, esse ambiente puxa o gatilho”, observa.

O que fazer, então, diante de tanta falta de previsibilidade? Ele dá algumas sugestões para o teletrabalho. “Antes de mais nada, tentar realizar uma rotina o máximo possível parecida com aquela que nós tínhamos antes da pandemia”, diz. “O mesmo horário de acordar, de tomar o café, tomar banho, jantar, dormir.”

Reprodução: CUT

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