Empresários usam pandemia como desculpa para não pagar direitos trabalhistas

Alguns empresários estão usando a pandemia do novo coronavírus para demitir trabalhadores e trabalhadoras sem pagar corretamente todas as verbas rescisórias obrigatórias nos casos de demissão sem justa causa. O prejuízo pode chegar a 50%.

Apesar do distanciamento social, que mantem fechadas desde março várias varas da Justiça do Trabalho, 19.408 trabalhadores entraram com ação pedindo o pagamento de aviso prévio, férias vencidas e proporcionais, 13º salário e a multa de 40% sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Só nos últimos 30 dias, 455 trabalhadores entraram na Justiça diariamente alegando que foram demitidos em função da crise do novo coronavírus e não receberam o conjunto ou parte das verbas rescisórias obrigatórias. Os dados são do monitoramento do Termômetro Covid-19 da Justiça na Trabalho, feito pela Datalawyer com o site Consultor Jurídico e a FintedLab.

Para não pagar as verbas rescisórias, os patrões usam como pretexto um suposto ‘dispositivo jurídico’ da Medida Provisória (MP) nº 927, editada pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), em março deste ano.

Acontece que o texto da MP, que alterou a legislação trabalhista durante a pandemia do novo coronavírus, equipara “calamidade pública” a “motivo de força maior”, mas não fala no não pagamento das verbas rescisórias. Mesmo assim, tem empresa alegando o tal “motivo de força maior”, ou seja, a pandemia, para não pagar as verbas rescisórias.

De acordo com a advogada Luciana Barretto, sócia da LBS Advogados, a MP cita o artigo 501 da Constituição de 1988, que fala sobre força maior e não fala sobre pagar metade da rescisão. O artigo seguinte, o 502, que trata desse ponto não foi incluído na MP 927”.

O texto do Art. 502º diz que se ocorrer “motivo de força maior” que determine a extinção da empresa, ou de um dos estabelecimentos em que trabalhe o empregado, é assegurada ao trabalhador, quando demitido, uma indenização de metade do que seria a devida em caso de rescisão sem justa causa.

“Não é correto usar o artigo como base para pagar somente metade da rescisão de contrato”, diz a advogada, que complementa: A prática de usar a MP para não pagar os direitos dos trabalhadores foi uma “construção jurídica articulada pelos advogados das empresas”.

Proteção sindical

O advogado José Eymard Loguércio, também sócio da LBS Advogados, reforça que as empresas erram ao proceder dessa maneira e a previsão é de que aumentem as ações trabalhistas na Justiça. Ele diz ainda que como a MP ainda não foi convertida em lei, “é vital que o Congresso faça um ajuste no texto para isso não ocorra e trabalhadores não saiam prejudicados”.

Luciana Barretto concorda e lembra que “trabalhadores, que sempre saem prejudicados nesses acordos, infelizmente é que terão, ainda, de acionar a Justiça”.

Para José Eymard os trabalhadores e os sindicatos devem ficar atentos e pressionar os deputados “para que não façam uso desse momento para prejudicar ainda mais os direitos trabalhistas”.

Fato do Princípe

A disputa política pode ser outro fator que traz prejuízo aos trabalhadores. Eymard cita o chamado “Fato do Princípe”, que é um recurso que possibilita transferir para a administração pública o pagamento da indenização e que vem sendo utilizada por alguns empresários.

A expressão é usada no meio jurídico para tratar do Artigo 486 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que versa sobre “ação do Estado que produz efeitos sobre as pessoas”. Isso significa que empresas podem utilizar a decisão do estado de fechar o comércio para justificar demissões e, assim, “transferir” as obrigações trabalhistas ao Estado.

José Eymard Loguércio alerta que, sobre a utilização desse recurso, a interpretação que se vem consolidando no meio jurídico é de que as empresas não podem usar o artigo 486.

“A pandemia não se enquadra no ‘fato do príncipe’. Esse dispositivo, por sinal, é de questionável constitucionalidade, uma vez que ele é da década de 1950”, diz o advogado.

Ele explica ainda que vai gerar disputa judicial, o que, de novo, coloca os trabalhadores, parte mais fraca, em situação ainda mais difícil. “Por isso temos insistido que a melhor alternativa, inclusive, para as empresas, é negociar com os sindicatos e encontrar solução”, ele completa.

Caso emblemático – e que vem sendo noticiado pela mídia – é da churrascaria fogo de Chão, que demitiu mais de 430 funcionários e afirmou que “mandará parte da multa do FGTS aos governadores estaduais”.

 “O pagamento de suas verbas rescisórias nos termos do art 486 da CLT, deverá ser a cargo do GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, autoridade que decretou a paralisação das atividades do EMPREGADOR”, diz documento, revelado pelo jornal Diário do Rio.

O discurso é o mesmo utilizado por Bolsonaro para atacar prefeitos e governadores que estão na linha de frente do combate à pandemia. Recentemente ele afirmou: “tem um artigo na CLT que diz que todo empresário ou comerciante que for obrigada a fechar seu estabelecimento por decisão do respectivo chefe do Executivo (…) Os encargos trabalhistas quem paga é o governador e o prefeito. Tá ok?”

Fonte: CUT

Saiba quem tem direito ao BEm e como agir caso não receba o benefício

Até às duas da tarde desta terça-feira (26), 8.137.712 trabalhadores e trabalhadoras tiveram redução de jornada e salário ou suspensão dos contratos de trabalho, segundo dados do ministério da Economia.

A possibilidade de reduzir a renda da classe trabalhadora está prevista na Medida Provisória (MP) nº 936 do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), editada sob o pretexto de preservar empregos e salários durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).   

Parte da perda salarial de 25%, 50% ou 70% é compensada com o pagamento do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), limitado ao valor do seguro-desemprego, que hoje é de R$ 1.813.03. O BEm é diferente do auxilio emergencial, pago a trabalhadores informais, autonônomos, microempreendedores individuais e desempregos. Só recebem o BEm trabalhadores formais, com carteira assinada, que tiveram redução de salário ou contrato de trabalho suspenso.

Para tirar dúvidas sobre quem tem direito ao benefício e como receber, o que fazer caso o benefício não seja depositado, o advogado Antonio Megale, sócio da LBS Advogados, assessoria jurídica da CUT Nacional, explica como funciona o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Ele explica também o que o trabalhador pode fazer no caso do ministério considerar as informações prestadas pela empresa inconsistentes e negar o pagamento, mesmo que seu salário tenha sido reduzido.

O que é o BEm?

O BEm é um benefício concedido aos trabalhadores e às trabalhadoras que  tiveram redução de jornada de trabalho e de salário ou suspensão temporária do contrato de trabalho, para fazer frente ao aprofundamento da crise econômica causada pela pandemia do coronavírus (Covid 19). Suas regras estão estabelecidas na MP nº 936/2020 e na Portaria nº 10.486/2020, do Ministério da Economia.

Quem pode se beneficiar?

Trabalhadores e trabalhadoras com carteira de trabalho assinada que tiveram redução de jornada e salários, em acordos individuais ou coletivos, por 90 dias ou suspensão dos contratos de trabalho por 60 dias.

Trabalhador intermitente pode receber o BEm?

Sim. Mas o empregador não precisa realizar acordos de suspensão de contratos de trabalho ou de redução de jornadas e salários. O trabalhador intermitente receberá o BEm automaticamente.

Qual o valor a ser pago?

O valor do BEm é calculado pelo Ministério da Economia de acordo com o salário dos últimos três meses e corresponde a percentual do seguro-desemprego a que o trabalhador teria direito caso fosse demitido, variando entre R$ 261,25 até R$ 1.813,03 (teto do seguro-desemprego), conforme o tipo de acordo e o percentual de redução negociado com o empregador.

Qual o valor do benefício na redução de jornada e salários?

Na redução de 25% da jornada e salários, o trabalhador recebe 75% do salário + 25% da parcela do BEm

Na redução de 50% da jornada e salários, o trabalhador recebe 50% do salário +  50% da parcela do BEm

Na redução de 70% da jornada e salários, o trabalhador recebe 30% do salário + 70% da parcela do BEm

No caso de redução de jornada e salários, o salário-hora do trabalhador não poderá ser reduzido.

Qual o valor do benefício na suspensão do contrato de trabalho?

O valor do benefício será de acordo com o faturamento da empresa.

Empresas com receita bruta de até R$ 4,8 milhões, o trabalhador receberá 100% da parcela do BEm .

Empresas com receita bruta acima deste valor, o trabalhador receberá 70% da parcela do BEm + 30% do salário.

A suspensão dos contratos de trabalho tem prazo máximo de 60 dias. Caso o trabalhador tenha direito a plano de saúde ou tíquete alimentação, estes benefícios devem ser mantidos durante a suspensão do contrato de trabalho.

Por quanto tempo o trabalhador receber o BEm?

Durante o período de redução do salário e da jornada ou da suspensão do contrato de trabalho.

Quem dá entrada nos pedidos do BEm ?   

É a empresa.

O empregador informará ao Ministério da Economia por meio eletrônico, no endereço https://servicos.mte.gov.br/bem, a realização de acordo de redução de jornada de trabalho e de salário ou da suspensão temporária de contrato de trabalho com o empregado, no prazo de 10 dias, contados a partir da data da sua celebração.

O empregador doméstico e o empregador pessoa física serão direcionados para o portal “gov.br”, enquanto o empregador pessoa jurídica será direcionado para o portal “empregador web”.  

Qual o prazo limite para receber o BEm após a entrada do pedido?

A primeira parcela será paga no prazo de 30 dias contados a partir da celebração do acordo, na hipótese da informação ser prestada no prazo de 10 dias da celebração do acordo, ou a partir da informação do empregador, se a comunicação for efetivada após o prazo de 10 dias da celebração do acordo.

As demais parcelas serão creditadas a cada intervalo de 30 (trinta) dias, contados da emissão da parcela anterior.

É preciso ter conta em banco para receber?

Não é preciso, mas facilita o recebimento.

O empregado, por meio de expressa autorização, informará corretamente ao empregador em qual conta bancária deseja receber o benefício, podendo ser conta corrente ou conta poupança, desde que seja de sua titularidade.

Em caso de não ser informada a conta, ou se a informação for incorreta, o valor será pago em uma conta digital criada pelo Ministério da Economia em nome do trabalhador, junto ao Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal. O empregador informará ao governo a redução/suspensão e, com base nessa informação, o governo fará o pagamento do benefício ao trabalhador. Para saber sobre como encaminhar as informações, basta acessar o sitehttps://servicos.mte.gov.br/bem

O trabalhador pode acompanhar o pagamento?

O Ministério da Economia disponibiliza informações por meio do site https://servicos.mte.gov.br, pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo telefone 158.

Se a empresa desistir da redução e chamar o trabalhador à jornada antiga, o BEm pode ser suspenso?

O benefício somente será pago enquanto durar a redução de salário e jornada ou a suspensão do contrato de trabalho.

Se a empresa demitir antes do final do prazo de recebimento do BEm, o trabalhador continua recebendo o benefício ou ele terá de pedir o seguro-desemprego?

Fica reconhecida a garantia provisória no emprego ao empregado que receber o benefício durante o período acordado de redução da jornada e de salário ou de suspensão do contrato de trabalho, e após o restabelecimento da jornada e do salário ou do encerramento da suspensão, por período equivalente ao acordado para a redução ou a suspensão.

Há limite de tempo de carteira assinada para o trabalhador receber o benefício?

Não há limite. O benefício será pago independentemente do cumprimento de qualquer requisito, tempo de vínculo e número e valor dos salários.

Se o trabalhador tiver redução de salário e jornada não conseguir o benefício, o que ele deve fazer?

Na hipótese de indeferimento do benefício ou de seu arquivamento por não atendimento de exigências de regularização das informações, o empregador será notificado dos motivos da decisão e poderá interpor recurso no prazo de 10 dias corridos.

O prazo para julgamento do recurso é de até 15 dias corridos, contados da data da interposição, sendo que, julgado procedente, a data de início do benefício será mantida na data da informação do acordo, e a primeira parcela do benefício será incluída no próximo lote de pagamento posterior à decisão.

Como proceder no caso de incorreção nas informações na entrada do pedido do benefício?

Neste caso, o empregador será notificado da exigência de regularização, e terá o prazo de 5 (cinco) dias corridos, contados da data da notificação, sendo que a parcela do benefício será incluída no próximo lote de pagamento posterior à decisão.

O não atendimento da exigência de regularização das informações no prazo de cinco dias corridos, contados da data da notificação, implicará o arquivamento da informação. A empresa ficará responsável por pagar o salário até que preste as informações necessárias.

Se ainda assim, houver inconsistências, o trabalhador deverá procurar atendimento por meio do Sistema Nacional do Emprego (Sine). Com a pandemia de coronavírus, este atendimento tem sido online. O acesso é feito pelo formulário trabalho.gov.br/contato/formulario-de-contato

É preciso informar o número do CPF, nome completo, email, telefone, estado onde mora, definir um assunto e enviar a mensagem. Não há prazo para resposta.

Fonte: CUT

Não perca live da CNTE nesta terça (26)

“Em defesa da vida e do direito à educação” é o tema da live que será realizada nesta terça-feira (26), logo mais, às 18h, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Para falar sobre o assunto, o convidado do dia é o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Miguel Arroyo. A transmissão contará com a mediação da diretora da CNTE, Rosilene Corrêa e poderá ser acompanhada pelo Facebook e You Tube da CNTE.

Não perca!  

 

Nesta quarta (27), Sinpro traz nova edição do Saber Viver com Música em Casa

O Sinpro apresenta nesta quarta-feira (27), às 18h, mais uma edição do Saber Viver com Música em Casa. Para embalar a categoria com uma boa música, foram convidados os professores César de Paula e Ana Amaral.

Professora de Física no ensino médio, Ana Amaral entrou na Secretaria de Educação em 2003 e leciona no Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte (CEMTN). Já César de Paula divide seu tempo entre o magistério, a música, a poesia e a crônica urbana. Sua proposta pautada na canção popular mescla a afro brasilidade com a música do mundo resultando em uma instigante e conceitual experiência sonora.

O programa Saber Viver em Casa é uma parceria do Sinpro-DF com a TV Comunitária, e é transmitido pelo canal 12 da NET e pelo Facebook e You Tube do Sinpro-DF.

Não perca: é nesta quarta (27), às 18h!

Assista e participe!

#FiqueEmCasa

CUT repudia fala de Salles de “passar a boiada” para flexibilizar regras ambientais

A CUT vem a público manifestar seu profundo repúdio à fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante a reunião ministerial realizada no dia 22 de abril e liberada pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (SFT) na sexta-feira (22). Salles disse que era preciso aproveitar a conjuntura da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que está atraindo todas as atenções da imprensa, para flexibilizar leis de proteção ambiental no país.

“É hora de passar a boiada”, foi exatamente essa a expressão utilizada por Salles ao se referir a ‘oportunidade’ que a maior crise sanitária da história oferecia ao governo mudar regras de proteção ambiental e da área da agricultura, evitando processos na Justiça, sem chamar atenção. No dia da reunião, em que pouco oun quase nada se discutiu a pandemia, o Brasil registrou 2.906 mortes e 45.757 novos casos da doença. Até esta segunda-feira (25), a Covid-19 já fez mais de 22.660 vítimas fatais e tem 363.211 casos confirmados.

E foi em meio a este cenário em que os olhos da população e da imprensa estão voltados para a crise sanitária e a tragédia de vidas interrompidas, que o ministro comemorou a possibilidade de flexibilizar ainda mais as políticas ambientais, que tem sido a linha estabelecida desde o início do governo de Jair Bolsonaro e já foi denunciada a nível nacional e internacional.

É inadmissível a postura de frieza adotada pelo ministro. Lembramos que Ricardo Salles tem sido um defensor ferrenho dos interesses do agronegócio, setor que no momento atual pressiona e se movimenta para aprovar o PL 2633

Todos os nossos esforços devem estar voltados para combater os ataques e retrocessos desse governo assassino, que além de ignorar a grave situação pela qual passa a humanidade, e em particular o povo brasileiro, tenta aniquilar o nosso futuro destruindo os nossos recursos naturais e entregando a nossa soberania em troca de mais lucros para os grandes do agronegócio e do sistema financeiro especulativo.

São Paulo, 25 de maio de 2020

Carmen Foro

Secretária-Geral da CUT

Daniel Gaio

Secretário do Meio Ambiente da CUT

Fonte: CUT

Governo quer reduzir mais direitos trabalhistas e criar novo imposto

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O ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, tem dito a empresários que vai retomar a ideia de desonerar a folha de pagamentos, retirar direitos trabalhistas, dificultar a atuação de sindicatos e criar um imposto sobre transações financeiras, nos mesmos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPFM), só que com uma nova “roupagem”, que ainda não foi divulgada pelo governo.

O que se sabe até agora é que o novo imposto incidirá sobre transações digitais, bancárias, mas abrangeria também transações com aplicativos como os de transporte, de entrega de comida, aluguel de patinetes, entre outras. É a mesma ideia anunciada no final do ano passado, que foi deixada de lado, antes da pandemia do coronavírus (Covid-19).

Enquanto não houver uma reforma tributária que considere a capacidade contributiva de cada um, que tenha uma faixa de isenção salarial sobre as transações financeiras, não teremos um Brasil com mais igualdade, critica Adriana Marcolino, técnica da subseção do Dieese da CUT Nacional. Para ela, a criação de um imposto sobre transações bancárias deve ser analisada com muito cuidado, pois o atual governo não costuma taxar os mais ricos.

“Um Estado para promover ações públicas em áreas como saúde e educação, de qualidade e para todos, precisa ser financiado. O problema é que, neste governo,  provavelmente, quem recebe R$ 100 mil vai pagar a mesma alíquota de quem recebe R$ 3 mil. É preciso haver uma faixa de isenção e uma alíquota progressiva, de acordo com que a pessoa movimenta. Quem tem mais, paga mais”, defende Adriana Marcolino.

Para a técnica do Dieese, com a economia brasileira cada vez mais informalizada, criar um novo tributo sobre aplicativos vai fazer com que a população pague mais sobre esses serviços, sem nenhuma garantia de proteção ao trabalhador nem retorno em políticas públicas.

“A imensa procura pelo auxílio emergencial mostra que esses trabalhadores se tivessem alguma proteção das empresas, algum direito, não estariam na fila para conseguir os 600 reais. É mais uma prova de que se esses trabalhadores, e até os intermitentes, tivessem uma proteção não estariam recorrendo ao auxílio”, diz Adriana.

Já a desculpa para retirar direitos trabalhistas é a de sempre: facilitar a vida dos patrões para a retomada do crescimento econômico e, consequentemente, gerar empregos. Guedes defende a liberação, por parte das empresas, do recolhimento de 20% sobre a folha, que é a parte que o patrão paga ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e reduzir o valor da contribuição ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), por um ou dois anos. Ou seja, o mesmo conteúdo da Medida Provisória (MP) nº 905, da Carteira Verde e Amarela, retirada pelo governo porque o Congresso Nacional ameaçava não aprovar.

Só que a maldade deste governo não tem fim. Na MP da Carteira Verde e Amarela, os novos contratos valeriam para trabalhadores de até 29 anos e acima de 55 anos. Desta vez, Guedes, quer incluir os trabalhadores na ativa, os que estejam na informalidade e quem está há bastante tempo desempregado, mais de cinco anos, por exemplo.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não sabe fazer outra coisa a não ser defender a cartilha neoliberal que não vê o Estado como indutor da economia e aposta suas fichas na iniciativa privada, acreditando que os empresários irão investir sem investimentos da União. É o Estado que faz grandes obras, que cria demanda de empregos, diz a professora de economia da Unicamp, Marilane Teixeira.

Ela diz que na época da edição da MP nº 905, a ideia de abrir vagas para jovens de 19 a 29 anos, com o discurso de estimularia a contratação de uma faixa etária que estava fora do mercado, já era improcedente. Segundo ela, os trabalhadores de 20 a 29 anos correspondem por 25% da força de trabalho ocupada.  

“O grande erro de Guedes é insistir na cartilha neoliberal de que o Estado não precisa investir, basta retirar direitos dos trabalhadores, que os empresários com menos custos voltarão a contratar”, afirma.

“Uma coisa é o que pensa Guedes, outra é o que a vida real mostra. Retirar mais direitos, flexibilizar e facilitar pras empresas tem um custo muito alto”.

Sobre as experiências trágicas para o trabalhador de desoneração e perda de direitos, Adriana Marcolino, reforça que basta lembrar que a reforma Trabalhista de Michel Temer não gerou emprego.

“O desemprego está na casa dos 12,9 milhões [12,2%] no Brasil. E toda vez que há desonerações, os empresários acabam embolsando o dinheiro. O que gera emprego é o crescimento econômico, a partir de investimentos do Estado”, afirma a técnica do Dieese.

Os empresários só contratam se houver demanda e só há demanda , em época de crise, quando há programas de transferência de renda, obras públicas, acrescenta  Marilane Teixeira, que também é doutora em Desenvolvimento Econômico.

“Um dono de bar só vai contratar se aumentar o movimento. Ele não vai contratar só porque vai pagar menos imposto. O mesmo vale para uma indústria, ela só vai contratar se aumentar suas vendas. E sem transferência de renda, sem geração de emprego, induzido por obras do governo, a economia vai continuar patinando”

“A iniciativa privada por si só não tem capacidade de se recuperar. Os empresários agem como manada, se o Estado tem demanda eles respondem”, conclui.

Governo quer sindicatos fracos

Nas conversas divulgadas de Guedes com parte do empresariado, o ministro da Economia, defende o enfraquecimento dos sindicatos para implantar sua agenda neoliberal, de menos direitos trabalhistas e de menos proteção social.

A técnica do Dieese, Adriana Marcolino ,afirma nenhum país vai crescer de forma significativa, com distribuição de renda, com um movimento sindical enfraquecido e sem proteção trabalhista.

“É o movimento sindical que regula os direitos, que checa o recolhimento de verbas previdenciárias, a distribuição de rendimentos nas negociações. Por isso, são instituições importantes na sociedade, não só no Brasil, como no mundo. Se não houver sindicatos fortes o trabalhador será sempre o mais vulnerável nas crises”, alerta.

Fonte: CUT

Saiba como usar o cartão de débito virtual para movimentar o auxílio emergencial

Milhões de trabalhadores estão confusos sobre como usar o cartão de débito virtual Caixa para pagar contas ou sacar o auxílio emergencial de R$ 600,00 (R$ 1.200,00 para mães chefes de família) para informais e desempregados, já que o banco mudou as regras do pagamento quando foi depositar a segunda parcela do benefício.

Quando começou a liberar a primeira parcela do auxílio, a Caixa abriu a poupança social digital só para quem não havia informado número de conta corrente e também para os que preencheram dados errados no cadastro. Os demais receberam nas contas informadas. Agora, o banco abriu a poupança social para todos os quase 60 milhões trabalhadores e trabalhadoras que tiveram o pedido de auxílio aprovado. 

No pagamento da segunda parcela, a Caixa bloqueou saques e transferências. Para isso, abriu a poupança digital para todos que tiveram o auxílio aprovado, independentemente de terem ou não contas comuns abertas. Até o dia 30 de maio, os 50,5 milhões de beneficiários que estão recebendo a segunda parcela só poderão pagar contas de boletos e compras por meio do cartão de débito virtual Caixa.

A Poupança Social Digital Caixa é uma modalidade de poupança simplificada, aberta para beneficiários de programas governamentais, com limite de saldo e movimentação máxima mensal de R$ 3.000,00. A movimentação da Poupança Social Digital é feita pelo aplicativo Caixa Tem.

 

Como funciona  o Caixa tem, onde baixar o aplicativo. Veja o passo a passo:

 

1.   Baixe o app

Para isso, é só acessar a Google Play Store ou a Apple Store e baixar o app CAIXA Tem. 

2.   Acesse

O acesso é feito com o seu CPF e uma senha numérica de 6 dígitos que você cria na hora.

3.   Use os serviços

Pronto! Depois de acessar, é só clicar no serviço que você quer usar e digitar o que precisa.

4.   Identifique o seu celular

Para acessar informações da sua conta, fazer pagamentos e transferências com a mesma senha de acesso, você deve colocar o número do seu celular e aguardar uma mensagem SMS com um código para confirmar sua identificação.

 

Como funciona o cartão de débito virtual

Cerca de 100 milhões de trabalhadores e trabalhadoras podem usar o cartão de débito virtual para fazer compras e pagar boletos.

Cada vez que for comprar ou pagar uma conta, a Caixa gera um código de três dígitos.

O cartão de débito virtual, que pode ser emitido no aplicativo Caixa Tem ou Internet Banking da Caixa, é parecido com um cartão de crédito, tem um número de 16 dígitos, data de validade e um código de segurança. Só não permite o parcelamento de compras e o valor máximo (limite) será o saldo da sua conta poupança no momento da compra.

 

Neste vídeo da Caixa você acompanha o passo a passo de como se cadastrar e como usar o Caixa Tem:  

 

Cartão Virtual do Caixa Tem

Depois de emitir seu cartão virtual, é só acompanhar o passo a passo na hora de usar para pagar alguma conta. Primeiro, é preciso selecionar um tipo de transação. Uma janela de bate-papo é aberta e oferece, inclusive, a opção de “escutar”.

  1. Na tela inicial do Caixa Tem, toque em “Cartão Virtual”;
  2. Na tela de mensagens, toque em “Usar agora meu Cartão de Débito Virtual”;
  3. Digite a sua senha do Caixa Tem, cadastrada para usar o aplicativo;
  4. Clique na imagem para visualizar as informações do seu cartão;
  5. Use conforme orientação da loja, desde que seja aceito o cartão de débito.
  6.  

Cartão de débito Virtual da Caixa (Internet Banking)

Se você já tinha conta comum e foi a Caixa que abriu sua poupança digital, você pode gerar o cartão de débito virtual no aplicativo para correntistas da Caixa.

Titulares de cartões de crédito do banco estatal já podem solicitar desde que ativem sua assinatura eletrônica (ativar a assinatura pede que você vá a um caixa eletrônico).

 

Novos cadastrados podem sacar primeira parcela

Os 8,3 milhões de trabalhadores que estão recebendo a primeira parcela do benefício por meio da poupança social digital estão autorizados a fazer saques, também podem fazer a operação com o cartão virtual. Confira como fazer:

1) Acesse o aplicativo Caixa Tem e clique em “Saque sem cartão”. Em seguida vá em “Gerar Código para Saque”

2) Clique no botão “gerar código” e depois digite a sua senha do aplicativo Caixa Tem. O código de saque vai aparecer na tela do seu celular

3) Depois, você vai usar esse código de seis números para digitar em um caixa eletrônico, lotérica ou correspondente Caixa Aqui. Tenha seu CPF e celular em mãos

4) No caixa eletrônico, aperte a tecla “entra” no teclado. Em seguida escolha a opção “Saque auxílio emergencial”. Na tela seguinte digite seu CPF e clique em “Continuar”

5) Em seguida digite o código que você gerou no aplicativo Caixa Tem e aperte o botão “confirmar”. Escolha o valor para saque.

Fonte: CUT

TV Sinpro, desta terça-feira (26), aborda o sofrimento no trabalho

“Por que há sofrimento no Trabalho?” Com essa indiagação, o programa TV Sinpro, desta terça-feira (26), será dedicado ao tema do sofrimento no trabalho. Excepcionalmente, nesta terça, o programa será apresentado às 16h30.

Os convidados desta edição são Emílio Peres, doutor em psicologia social e professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), e Luciane Kozicz Reis Araújo, psicóloga, mestre em saúde coletiva e membro do CNPq, que irão dialogar sobre esse complexo tema do nosso dia a dia nos locais de trabalho.

O TV Sinpro é um programa transmitido, ao vivo, pela TV Comunitária, toda terça-feira, às 17h, pela página eletrônica do Sinpro-DF no Facebook, pelo canal 12 da NET e pelo site e fanpage da TV Comunitária.

Assista pelo Facebook do Sinpro-DF: facebook.com/sinprodf

As reprises são exibidas no decorrer da semana. Confira a programação:

Terças – 22h
Quartas – 18h30
Quinta – 13h30 e 22h30
Sábado – 13h
Domingo – 18h30

Turismo sexual nos planos da reunião ministerial do governo Bolsonaro

Na reunião ministerial de 22 de abril, divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 22/5, o ministro da Economia declara com firmeza os objetivos de destruir o Brasil em várias frentes, como reduzir o País a uma Cancún, pagar trezentos reais a um milhão de jovens a título de emprego e desmoralizar o povo brasileiro com iniciativas perversas. Uma das abomináveis falas desse indivíduo foi sobre o turismo sexual como projeto de governo. Confira:

“O sonho do presidente de transformar o Rio de Janeiro em Cancún lá, Angra dos Reis em Cancún. Aquilo ali pode virar Cancún rápido. Entendeu? A mesma coisa aí Es … é, Espanha. Espanha recebe trinta, quarenta milhões de turistas. Isso aí é uma cidade da Ásia. Macau recebe vinte e seis milhões hoje na … na China. Só por causa desse negócio [turismo sexual]. É um centro de negócios. É só maior de idade. O cara entra, deixa grana lá que ele ganhou anteontem, – ele deixa aquilo lá, bebe, sai feliz da vida. Aquilo ali num atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem … lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho”.

Quanto aos servidores públicos, foi enfático ao classificar o funcionalismo das três esferas da União de “inimigo”: “Todo mundo está achando que, tão distraídos, abraçaram a gente, enrolaram com a gente. Nós já botamos a granada no bolso do inimigo – dois anos sem aumento de salário”. No trecho em que fala de “emprego” para a juventude brasileira, fica claro o desejo de Bolsonaro de ser o “Papa Doc” ou o “Baby Doc” sul-americano, sob a tutela dos EUA, e transformar o Brasil no Haiti dos anos 1950/60/70/80 etc.

Confira, a seguir, as declarações do banqueiro Paulo Guedes, as quais foram omitidas pelo Jornal Nacional da Rede Globo em razão “de sua pauta predatória neoliberal”. Para a Globo e demais mídias neoliberais, Paulo Guedes une os desejos econômicos da Família Marinho e demais famílias proprietárias de meios de comunicação ligados a esse sistema econômico aos anseios ditatoriais de Jair Bolsonaro e é poupado por ambos.

As falas de Paulo Guedes que o Jornal Nacional escondeu

Em sua pauta predatória neoliberal, Paulo Guedes une os desejos econômicos da Família Marinho aos anseios ditatoriais de Jair Bolsonaro e é poupado por ambos

Na ofensiva contra o governo Jair Bolsonaro comandada por William Bonner e Renata Ceribelli, a Globo poupou o ministro da Economia, Paulo Guedes, nas duas edições – de sexta-feira (22) e sábado (23) – em que detalhou o vídeo da fatídica reunião ministerial de 22 de abril.

A pauta econômica neoliberal capitaneada por Guedes, que inclui desde a venda da “porra” do Banco do Brasil à liberação do turismo sexual no Brasil, passando pela estruturação de um exército bolsonarista pagando R$ 200 para jovens brasileiros serem doutrinados pelo governo federal, é o fio que une os desejos da Família Marinho aos anseios ditatoriais de Jair Bolsonaro, que também poupou Guedes de interferências em sua pasta.

“Eu tenho poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção”, diz Bolsonaro na reunião, voltando atrás segundos depois. “(Inaudível) com Paulo Guedes. Nunca tive problema com ele. Zero problemas com Paulo Guedes, mas os demais [ministérios] vou [interferir]”, diz Bolsonaro.

Embora seja o ministro que mais falou na reunião – até mesmo que o chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto -, Paulo Guedes teve declarações entreguistas e criminosas encobertas pelo Jornal Nacional.

A Fórum, no entanto, lista as declarações que passaram pela censura velada da família Marinho.

Venda da “porra” do Banco do Brasil

“O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. Não é privado, nem público. Então se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam’ . Aí se falar assim: ‘bota o juro alto’, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta’. O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”. Bolsonaro, então decidiu acionar o presidente do banco, Rubem Novaes, mas Guedes logo interrompeu: “Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo”.

Servidores e as torres derrubadas pela política liberal

“Todo mundo está achando que, tão distraídos, abraçaram a gente, enrolaram com a gente. Nós já botamos a granada no bolso do inimigo – dois anos sem aumento de salário”.

“E estamos agora no meio dessa confusão, derrubando a última, a última torre do inimigo. Que uma coisa é que nós vamos fazer a reconstrução e a nossa transformação econômica. A outra coisa são as torres do inimigo que a gente tinha que derrubar. Uma era o excesso de gasto na Previdência, derrubamos assim que entramos. A segunda torre eram os juros. Os juros tão descendo e vão descer mais ainda”.

Exército bolsonarista com jovens a R$ 200

“Nós sabemos para onde nós vamos voltar já, já, tá certo? E se o mundo for diferente, nós vamos ter capacidade de adaptação. Por exemplo: eu já tenho conversado com o ministro da Defesa, já conversamos algumas vezes. Quantos? Quantos? Duzentos mil, trezentos mil. Quantos jovens aprendizes nós podemos absorver nos quartéis brasileiros? Um milhão? Um milhão a 200 reais, que é o Bolsa Família, 300, para o cara. […] Faz ginástica, canta o hino, bate continência. De tarde, aprende, aprende a ser um cidadão, pô! Aprende a ser um cidadão. Disciplina, usar o … usar o tempo construtivamente, pô! […] É voluntário para fazer estrada, para fazer isso, fazer aquilo. Sabe quanto custa isso? É 200 reais por mês, 1 milhão de cá, 200 milhões, pô! Joga dez meses aí, 2 bi. Isso é nada!”.

Turismo sexual

“O sonho do presidente de transformar o Rio de Janeiro em Cancún lá, Angra dos Reis em Cancún. Aquilo ali pode virar Cancún rápido. Entendeu? A mesma coisa aí Es … é, Espanha. Espanha recebe trinta, quarenta milhões de turistas. Isso aí é uma cidade da Ásia. Macau recebe vinte e seis milhões hoje na … na China. Só por causa desse negócio. É um centro de negócios. É só maior de idade. O cara entra, deixa grana lá que ele ganhou anteontem, – ele deixa aquilo lá, bebe, sai feliz da vida. Aquilo ali num atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem … lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho”.

Relação com a China

“A China é aquele cara que cê sabe que cê tem que aguentar, porque pro cês terem uma ideia, pra cada um dólar que o Brasil exporta pros Estados Unidos, exporta três pra China. Você sabe que ele é diferente de você. Cê sabe que geopoliticamente cê tá do lado de cá. Agora, cê sabe o seguinte, não deixa jogar fora aquilo ali não porque aquilo ali é comida nossa. Nós tamo exportando pra aqueles cara. Não vamos vender pra eles ponto crítico nosso, mas vamos vender a nossa soja pra eles. Isso a gente pode vender à vontade. Eles precisam comer, eles precisam comer”.

Auxílio a empresas “pequenininhas”

“Montamos um comitê de bancos, estamos lá com o Montezano agora fazendo justamente a reestruturação. Não vai ter molezinha pra empresa aérea, pra nada disso. É dinheiro que nós vamos botar usando a melhor tecnologia financeira lá de fora. Nós vamos botar dinheiro, e … vai dar certo e nós vamos ganhar dinheiro. Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas. Então, nós estamos fazendo tudo by the book, direitinho”.

Fonte: Revista Fórum

Na reunião ministerial, Guedes bota granada no bolso dos servidores

“No vídeo da reunião ministerial realizada no dia 22 de abril, divulgado, na sexta-feira (22/5), pelo Supremo Tribunal Federal (STF), todas as falas são a prova de que o Brasil vive o pior governo dos últimos 500 anos”. Essa é a uma das avaliações da diretoria colegiada do Sinpro-DF, que destaca a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, contra o funcionalismo público tão grave quanto as demais declarações contra a economia, os direitos, o Orçamento público, as riquezas etc. do Brasil.
 
“É deplorável assistir a um vídeo como esse durante a maior crise sanitária dos últimos 100 anos, com ministros de Estado e o próprio Presidente da República proferindo palavrões e usando linguajar de baixo calão, reduzindo o Brasil a terra devastada, entregue a toda sorte de crimes praticados pelo próprio governo de plantão”, analisa.
 
A falta de respeito atravessa todas as classes sociais e categorias profissionais da iniciativa privada e do serviço público. Mais ainda os servidores públicos das três esferas da União. É um governo que tem o funcionalismo como inimigo. A prova é o discurso de Paulo Guedes que disse, durante a abominável reunião, que iria colocar uma granada no bolso do “inimigo”, o servidor público.
 
“E nessa confusão toda, todo mundo estão (SIC) que estão distraído, abraçaram a gente, rolaram com a gente, nós já botamos a granada no bolso do inimigo: 2 anos sem aumento de salário”, disse o ministro da Economia na reunião ministerial de 22 de abril.
 
PLP 39/2020
Essa granada é o PLP 39/2020, que usa a Covid-19 como justificativa para congelar o salário dos servidores públicos das três esferas da União até 31/12/2021, regula a contratação temporária e alcança a contagem do tempo de serviço para fins de anuênios, triênios, quinquênios, licenças-prêmio, dentre outros direitos.

Importante lembrar que o PLP 39/2020 resgata todo o conteúdo do chamado Plano Mansueto, apresentado, inicialmente, pelo governo Bolsonaro, em junho de 2019, por meio do PLP 149/2019, com o objetivo de refinanciar dívidas dos estados e municípios com a União, além de aumentar as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2020).

“A gente vê em outros trechos dessa reunião, como já foi divulgado pela mídia, o ministro Salles, do Meio Ambiente, deixar muito claro que o governo Bolsonaro tem de se armar para aproveitar o momento do novo coronavírus, em que as pessoas estão preocupadas com a pandemia e o governo federal não está, para fazer esse tipo de manobra: retirar direitos da classe trabalhadora, dos povos originários, dos quilombolas, servidores públicos etc. Em vez de concentrar esforços para salvar a vida dos brasileiros, está usando o momento para retirar direitos”, denuncia a diretoria.

Importante lembrar que durante a rápida tramitação do PLP 39/2020 no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, o Sinpro-DF, a CNTE, a CUT e outras organizações sindicais do campo da educação foram à luta e conseguiram retirar os professores do congelamento do PLP. O projeto, aprovado nas duas casas com a emenda que retirou professores, já foi para a sanção do Presidente da República. Ainda não foi apreciado por Jair Bolsonaro, que já avisou que irá vetar a emenda que retirou os professores do congelamento.

“Caso ele vete o trecho que retira os professores do congelamento do PLP 39, iremos mobilizar o mundo para fazer com o Congresso Nacional, em sessão conjunta do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, derrubarem o veto e manterem os professores de fora do congelamento salarial. Ou seja, queremos nossa categoria fora da granada que Paulo Guedes, durante a reunião ministerial de 22/4, colocou no bolso dos servidores públicos”, afirma a diretoria.

Confira o vídeo da reunião ministerial em que chama servidor de inimigo e avisar da granada:

Confira matéria “Campanha: educação rejeita veto de Bolsonaro que congela salário”

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