Celso de Mello dá 90 dias para PF investigar Weintraub por racismo
Jornalista: Leticia
No início do mês, ministro da Educação usou Twitter para ridicularizar modo como alguns chineses falam e insinuar que a China teria lucro com a covid-19
Piada racista e sem graça do ministro da Educação, Abraham Weintraub, já custou prejuízos econômicos ao país
São Paulo – O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instauração de inquérito contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub, por suposta prática de crime de racismo. As vítimas seriam os chineses, atacados por meio de uma postagem xenófoba publicada no Twitter no dia 4 de abril.
Na publicação, apagada devido à repercussão negativa, Weintraub reproduziu foto de capa de um gibi especial da turma da Mônica na China e escreveu que o país deveria sair “relativamente fortalecido” da crise do coronavírus e que isso condiz com os planos do país de “dominar o mundo”. E imitando o jeito de falar do personagem Cebolinha, que troca o som da letra R pelo do L, aproveitava para ridicularizar a maneira pela qual muitos chineses falam em português.
O decano deu prazo de 90 dias para a Polícia Federal realizar as diligências.
Celso de Mello negou ao ministro da Educação a possibilidade de designar, em comum acordo com a autoridade policial, data, local e horário para a sua inquirição. E retirou o caráter sigiloso do inquérito. “Os estatutos do Poder, numa República fundada em bases democráticas, não podem privilegiar o mistério. A prática estatal, inclusive quando efetivada pelo Poder Judiciário, há de expressar-se em regime de plena visibilidade”, afirmou.
Reação
Também pelo Twitter, a embaixada chinesa no Brasil se manifestou. “O lado chinês aguarda uma declaração oficial do lado brasileiro sobre as palavras feitas pelo ministro, membro do governo brasileiro. Nós somos cientes de que nossos povos estão do mesmo lado ao resistir às palavras racistas e salvaguardar nossa amizade”, escreveu. Na postagem, Yang marcou o perfil do Ministério das Relações Exteriores. Para o governo da China, as declarações de Weintraub são “difamatórias” e têm “cunho fortemente racista”, além de “objetivos indizíveis”.
Não demorou e o ato de racismo de Weintraub trouxe consequências econômicas. O Ministério da Agricultura chinês anunciou a redução, “por questão de segurança”, da importação de soja brasileira e ampliar da dos Estados Unidos. Segunda maior economia mundial, o país é o maior parceiro comercial do brasil.
O recadastramento dos(as) professores(as) e orientadores(as) ativos(as) do GDF foi prolongado até o dia 20 de maio.
A princípio, o GDF havia informado que o prazo teria fim nesta quinta-feira, dia 30 de abril, mas a data foi prorrogada por mais 20 dias. A mudança no cronograma foi determinada pela Portaria nº 144, publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (29).
Todos servidores(as) inclusos no grupo 4, formado por trabalhadores(as) da Secretaria de Educação, inclusive os de cargos comissionados e professore(as)s temporários, bem como os(as) servidores(as) ativos da Fundação Universidade Aberta (Funab) também devem fazer o recadastramento nesta etapa.
O recadastramento anual é obrigatório e o processo é totalmente realizado online, pelo Sistema de Recadastramento, Complementação e Atualização de Dados (Recad). Quem não participar do recadastramento pode sofrer processo administrativo disciplinar e ficar sem pagamento.
Coronavírus: o que é o ‘distanciamento social intermitente’, que pode durar até 2022
Jornalista: Leticia
Qual é a melhor estratégia para lidar com a pandemia a curto, médio e longo prazo?
Saia de casa, se isole, volte a sair de casa e depois retorne ao confinamento.
Esse é apenas um cenário hipotético do que pode acontecer nos próximos anos.
Diante dos grandes desafios que surgiram com a pandemia de coronavírus, especialistas de diversos campos passaram a analisar diferentes estratégias de curto, médio e longo prazo.
Uma das principais incógnitas é se o vírus vai praticamente desaparecer, como aconteceu com outros coronavírus que causaram epidemias recentemente (os de Sars e Mers), ou se tornará mais um com o qual a população vai ter de lidar em sua rotina.
Há duas frentes de batalha contra o coronavírus Sars-Cov-2 em curso sem prazo definido para terminar: identificar quais remédios de fato funcionam contra a doença causada por ele, a covid-19, e a criação de uma vacina eficiente e segura.
Enquanto isso, o principal debate é: até quando (e em que medida) os países adotarão o distanciamento social voltado para reduzir o número de infecções e a sobrecarga do sistema de saúde.
Um grupo de pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, fez uma análise do problema a partir de diversos cenários a serem adotados, entre eles a adoção de períodos intermitentes de distanciamento social até 2022.
Mas como assim?
Vigilância permanente
É importante desenvolver tratamentos eficazes contra o vírus, diz estudo publicado na Science
Stephen M. Kissler, Christine Tedijanto, Edward Goldstein, Yonatan H. Grad e Marc Lipsitch são os autores do estudo publicado na revista especializada Science sobre o futuro da pandemia.
Levando em conta fatores como estações do ano, a quantidade de pessoas que podem estar imunes ao vírus e os dados estatísticos dos EUA, os cientistas preveem que o novo coronavírus pode voltar durante os invernos dos próximos anos.
Para evitar que novas ondas de infecções voltem a matar pessoas e sobrecarregar hospitais, eles afirmam que o distanciamento social prolongado ou intermitente pode ser necessário até 2022, pelo menos.
Medidas de confinamento podem durar até 2024
Eles analisam esses cenários porque é questão de tempo até que as medidas como os confinamentos em massa sejam flexibilizadas ou mesmo suspensas.
“Quando o distanciamento social é flexibilizado e à medida que a transmissibilidade do vírus aumenta no outono, um intenso surto (de coronavírus) pode ocorrer no inverno, sobrepondo-se à época da gripe e excedendo a capacidade de atendimento dos hospitais”, explicam os pesquisadores.
Para Fernando Rodríguez, professor de medicina preventiva e saúde pública da Universidade Autônoma de Madri (UAM), é importante saber que o estudo de Harvard é um exercício teórico.
Ou seja, é uma análise a partir de dados e hipóteses, não uma proposta concreta de política pública, algo que os próprios pesquisadores de Harvard ressaltam.
O que acontecerá quando as medidas de distanciamento social forem suspensas?
“(O que eles abordam) é que a maneira prática e rápida de controlar a epidemia, com os custos mais baixos para a sociedade e, acima de tudo, protegendo os sistemas de saúde, é nos isolarmos por um tempo, depois liberar para que infecções aumentem e as pessoas desenvolvam gradualmente a imunidade do rebanho, mas quando as infecções forem muito elevadas, nos isolamos de novo e assim sucessivamente”, explica Rodríguez em entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Segundo ele, isso permitiria que a sociedade levasse uma vida relativamente normal enquanto se recupera a atividade econômica e se amplia a chamada imunidade de grupo ou de rebanho.
O que é a imunidade de rebanho?
Esse conceito está ligado a um número específico de indivíduos de uma população que adquire imunidade contra uma infecção e, por extensão, ajuda a deter sua propagação.
Hipótese leva em conta que um número elevado de pessoas se infectem e desenvolvam imunidade
A partir dessa lógica, a imunidade coletiva não se daria por meio de uma vacina, como geralmente ocorre, mas por meio da infecção: quanto mais gente contrai o vírus, mais gente se recupera e desenvolve imunidade.
Segundo especialistas, o patamar de 60% a 70% da população imune sufocaria a circulação do vírus na sociedade. Mas esse conceito gera controvérsia na pandemia atual.
Uma pequena parcela de autoridades e especialistas defende que essa imunidade de rebanho deve ser buscada de forma ativa. Ou seja, não se adota nenhuma medida de isolamento social até que se atinja esse patamar.
Para eles, do jeito que está, o vírus pode ser contido, mas o impacto econômico é gigantesco e a população estaria vulnerável à volta do vírus, já que pouca gente teria sido exposta a ele e desenvolvido imunidade.
A amplitude do confinamento obrigatório provocou reações em algumas regiões dos EUA
Por outro lado, os críticos, amplamente majoritários nesse debate, afirmam que esse patamar de imunidade coletiva deve ser alcançado gradual e naturalmente (ou por meio de vacinação), e de forma ativa com contágio, porque isso levaria a um número bastante elevado de mortes e uma enorme sobrecarga do sistema.
Além disso, ainda não se sabe com certeza se as pessoas que se recuperaram do vírus ficam de fato imunes a uma nova infecção.
Por isso, essa hipótese de distanciamento social intermitente poderia, em tese, ser um caminho intermediário para permitir a reabertura da economia sem sobrecarregar o sistema de saúde, recorrendo à volta do isolamento social sempre que o número de casos estiver alto demais.
‘Brincar com fogo’
Mas isso é factível? Para Rodríguez, da Universidade Autônoma de Madri, há diversos riscos nessa hipótese até que ela possa funcionar na prática.
“É um pouco como brincar com fogo, porque à medida que o nível de contágios se eleva, se não atuarmos rapidamente confinando as pessoas ou se o sistema de vigilância epidemiológica não funciona bem, podemos agir tarde demais e saturar de novo o sistema de saúde.”
O estudo de Harvard leva em conta essas eventuais lacunas. Para os pesquisadores, é preciso ampliar a capacidade do sistema de saúde, especialmente dos leitos de unidades de terapia intensiva, para que haja um controle mais eficaz desse fluxo de pacientes.
A ideia de um vaivém de quarentenas não é nova, mas sim a maneira como fazer isso.
“Sabemos que o confinamento é eficaz, mas nenhum país sabe quantas semanas de confinamento são necessárias para que praticamente não existam mais infecções. Vamos aprendendo aos poucos com experiências específicas”, afirma Rodríguez.
Para Rebeca Cordero, professora de sociologia da Universidade Europeia, esse estudo de Harvard tenta responder a uma necessidade global de formas seguras de transição.
“Não se supõe que seja possível dar um salto definitivo do confinamento para o modo de vida que tínhamos anteriormente”, diz à BBC News Mundo.
Segundo ela, muitas pessoas confinadas hoje têm expectativa voltar à normalidade que tinham antes, mas quando o confinamento for retirado, isso deve acontecer primeiro para pessoas de fora do grupo de risco em uma sociedade ainda com bastante distanciamento social.
“Na Espanha, é usado o termo ‘descalcificação’, de ir aos poucos. Isso está sendo feito nos países europeus e, na época, foi implementado na China.”
É possível que passemos por confinamentos intermitentes no futuro
A especialista explica que trata-se de abrir a sociedade aos poucos para um ambiente diferente daquele que tínhamos. E sempre monitorando de perto o avanço da pandemia.
Por exemplo, se houver evidências científicas de que no verão o vírus fique um pouco desativado na Espanha, talvez os integrantes dos grupos de risco possam sair do confinamento. Mas no outono, talvez eles devessem retornar.
Isso ocorreria em ciclos que continuariam a depender dos avanços em tratamentos e vacinas.
O que parece consenso entre os pesquisadores de Harvard e os dois ouvidos pela reportagem é que é altamente improvável que retornemos em breve à vida que tínhamos antes do surgimento do novo coronavírus.
Pessoas podem vir a ser liberadas do confinamento numa estação do ano, e voltar a ele em outra
Cleyson Batah, professor Assis e Maria Flor animam Saber Viver com Música desta quarta (29)
Jornalista: Leticia
Não perca o programa Saber Viver com Música em Casa desta quarta-feira (29). No programa de hoje, que vai ao ar logo mais, às 18h30, os artistas Cleyson Batah, Professor Assis e a dupla Maria Flor: Haila Ticiany e Jéssica Freitas compõem o time de cantores(as) que animarão sua tarde em casa.
O Saber Viver com Música em Casa é um programa de TV do Sinpro-DF em parceria com a TV Comunitária. Ele é transmitido ao vivo pelo Facebook e You Tube do sindicato, pela redes sociais da TV Comunitária e também no Canal 12 da NET-DF.
Além de ser um espaço aberto para a boa música, poesias e todas manifestações artísticas, o programa também aborda assuntos relacionados à saúde, aos cuidados com o corpo e muito mais.
O Saber Viver em Casa com Música foi feito para receber artistas do Distrito Federal e da e nossa categoria. Para participar, basta enviar uma mensagem para o e-mail: saberviver@sinprodf.org.br.
Mostre seu talento, compartilhe conosco sua arte e emocione nossa categoria!
SERVIÇO:
SABER VIVER COM MÚSICA EM CASA
Data: Quarta-feira (29/4)
Horário: 18h30
Local: EM CASA
Você pode assistir pelos canais do sindicato no:
You Tube: SINPRO DF
Facebook: sinprodf
Instagram: @sinprodf
‘Pneumonia silenciosa’ que dificulta diagnóstico de casos graves de covid-19 intriga médicos: ‘Eles falavam no celular’
Jornalista: Leticia
Estudiosos identificaram casos de pacientes com problemas graves nos pulmões, mas nenhuma falta de ar
O médico Richard Levitan notou algo estranho quando atendia pacientes com covid-19 no hospital Bellevue, em Nova York.
Muitos deles, apesar de terem pneumonia e uma oxigenação no sangue abaixo do normal, não tinham problemas para respirar, algo incomum em pacientes nestas condições.
Em um artigo publicado no jornal The New York Times, ele relata vários casos de pacientes internados por outras razões — como acidentes ou vítimas de esfaqueamento — em que só foi descoberto que tinham covid-19 após tomografias ou raios-X realizados para verificar se houve estrago em órgãos internos.
“E foi isso que realmente nos surpreendeu: esses pacientes não tinham reportado qualquer problema de respiração, apesar de raios-X do tórax mostrarem pneumonia avançada e que o oxigênio estava abaixo do normal. Como pôde ser possível?”
O médico constatou que a covid-19 tem uma peculiaridade perigosa.
“Estamos começando a reconhecer que a pneumonia da covid-19 causa inicialmente uma privação de oxigênio que chamamos de ‘hipóxia silenciosa’ — ‘silenciosa’ por sua natureza traiçoeira, difícil de ser detectada”, afirma Levitan.
O médico explica que, na emergência do hospital, pacientes em estado grave são entubados por várias razões. “Em meus 30 anos de experiência, entretanto, a maioria dos pacientes que precisam da entubação de emergência estão em estado de choque com um estado mental alterado e lutando para respirar. Muitos estão inconscientes ou usando cada músculo que têm para respirar”, mas que, no caso da pneumonia de covid-19, “é diferente”.
A maioria desses pacientes que tratou, diz Levitan, tinham saturação bastante baixa de oxigênio, “praticamente incompatível com vida”, mas “estavam falando em seus celulares”.
“Apesar de estarem com a respiração rápida, não aparentavam aflição, apesar dos níveis baixos perigosos de oxigênio e de apresentarem pneumonia avançada nos raios-X.”
Uma ‘combinação quase nunca vista’
Profissionais relatam casos de pessoas com pneumonia grave, mas que sentiam apenas falta de ar que aparentava ser leve
A médica Clarisse Melo teve até agora uma experiência bastante semelhante ao atender pacientes com covid-19 em um hospital privado do Rio de Janeiro.
“Muitos estão com uma saturação (de oxigênio) muito baixa, mas conversam com a família pelo celular. Eles ficam bravos comigo quando eu digo que têm que ir para a UTI. Eu tenho que mostrar os exames para convencer a pessoa de que ela precisa receber oxigênio”, diz a médica.
A situação é tão recorrente que deixou ela e vários colegas intrigados e virou um assunto recorrente nas conversas sobre os pacientes com coronavírus.
“Isso não é comum em quem tem pneumonia, mas todos os médicos com quem trabalho viram pacientes com hipóxia e sem falta de ar. Foi uma unanimidade”, diz a médica.
Ela diz também ver várias pessoas que procuraram atendimento já com uma insuficiência respiratória grave. “A gente fica se perguntando: ‘Como a pessoa chegou a este ponto? Como não percebeu a falta de ar e foi para o hospital já em um estado tão crítico?’.”
Na busca por respostas, ela identificou um estudo liderado pelo anestesiologista Luciano Gattinoni, da Universidade de Göttingen, na Alemanha, que aponta a hipóxia silenciosa como uma condição comum entre os pacientes com covid-19 analisados.
Casos de pneumonia silencioa em pacientes com a covid-19 intrigam especialistas
Ao menos 50% dos 150 pacientes da pesquisa tinham uma oxigenação baixa, mas pulmões com um nível quase normal de complacência, como é chamada a capacidade do órgão de se expandir.
“Essa combinação notável quase nunca é vista em uma síndrome respiratória aguda grave”, diz Gattoni.
Mas é algo que, na linha de frente do combate à pandemia, “todos estão vendo, todos os dias”, diz o pneumologista Paulo Teixeira, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
“A maioria dos pacientes infectados fica bem em duas ou três semanas, mas outros evoluem para quadros graves, e alguns têm essa pneumonia silenciosa. A gente vê tomografias assustadoras, com o pulmão muito comprometido, a pessoa está com uma saturação muito baixa, mas está muito bem”, diz Teixeira.
Por que isso acontece?
Richard Levitan diz em seu artigo que médicos e cientistas estão apenas começando a entender por que isso ocorre.
Uma explicação possível apontada por ele é que o coronavírus ataca células pulmonares que produzem surfactantes, substâncias que ajudam os alvéolos a permanecerem abertos entre as respirações e que são essenciais para o pulmão funcionar normalmente.
Especialistas come;aram a estudar a ‘pneumonia silenciosa’ da covid-19
“Mas os pulmões permanecem inicialmente ‘complacentes’, ainda não rígidos ou cheios de fluídos. Isso significa que o paciente pode expelir dióxido de carbono — e, sem o acúmulo de dióxido de carbono, os pacientes não sentem falta de ar”, escreve Levitan.
O médico diz que os pacientes tentam compensar a baixa oxigenação ao respirar mais rápido e profundamente, sem perceber que estão fazendo isso. Isso gera mais lesões ao pulmão, o que pode gerar uma insuficiência respiratória aguda e ser letal.
“A rápida progressão da hipóxia silenciosa para a insuficiência respiratória explica os casos de pacientes com covid-19 que morrem de repente, sem chegarem a sentir falta de ar”, afirma o médico.
No entanto, Jaques Sztajnbok, médico supervisor da unidade de tratamento intensivo do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, diz que a hipóxia silenciosa não é uma característica particular da covid-19.
“Não é algo inédito, vemos acontecer com pacientes que têm outras doenças”, diz o médico.
Sztajnbok também explica que cada pessoa tem uma tolerância própria à baixa oxigenação no sangue, de acordo com suas características fisiológicas e preparo físico, por exemplo.
“Alguns pacientes chegam com oxigenação baixa, mas sem problemas para respirar. Mas vários relatam algum desconforto respiratório. Uma das explicações para essa diferença pode ser a tolerância individual à hipóxia”, diz Sztajnbok.
O médico aponta ainda que algumas necropsias de pessoas que morreram por causa do coronavírus indicam que houve trombose nos vasos do pulmão, ou seja, formaram-se coágulos que obstruíram a passagem de sangue.
Isso pode ser o motivo da baixa oxigenação do sangue em pacientes que não sentem falta de ar.
“Para o pulmão funcionar, é preciso que haja respiração, mas também que o sangue chegue aos alvéolos para haver a troca de gases. O pulmão pode ter uma complacência boa, mas, se o sangue não chega aonde deveria, a troca não ocorre adequadamente”, afirma Sztajnbok.
Especialista defende uso de equipamento para identificar pneumonia causada pela covid-19 antes que quadro do paciente piore
Teixeira aponta estudos científicos que apontam nesta direção. Eles indicam, por exemplo, que pacientes com covid-19 têm um nível elevado de uma substância conhecida como d-dímero, que é produzida pelo organismo para tentar desfazer coágulos.
“O novo coronavírus causa muita trombose. Estamos usando anticoagulantes com estes pacientes, porque a literatura científica publicada até agora aponta que sua oxigenação melhora assim”, afirma Teixeira.
Um alerta precoce para a pneumonia da covid-19
Richard Levitan defende no artigo o uso de oxímetros para identificar a pneumonia causada pela covid-19 antes de problemas respiratórios aparecerem.
Esse aparelho se parece com um pregador de roupas e é colocado em um dos dedos da mão para medir a saturação de oxigênio no sangue e a frequência cardíaca.
Levitan diz que eles tão são simples de usar quanto um termômetro, são “extremamente confiáveis” e podem dar um alerta precoce para a pneumonia da covid-19.
O médico defende que qualquer um que tenha sintomas compatíveis com os da covid-19 use o aparelho por duas semanas, período no qual a doença se desenvolve, com acompanhamento médico.
Isso pode evitar que muitas pessoas cheguem aos hospitais em estado crítico e precisem ser entubadas. Levitan diz que o oxímetro pode prevenir mortes.
O uso mais amplo desse aparelho seria “ideal”, diz Sztajnbok, mas é algo “impossível” de se fazer na prática. Um dos obstáculos é o preço do aparelho, que custa entre R$ 100 e R$ 200 em lojas online.
Por sua vez, Teixeira avalia que usar um pode ser “importantíssimo”. “Temos controlado a saturação de pacientes em suas casas desta forma”, diz o pneumologista.
Se uma pessoa não tem condições de comprar o aparelho, Teixeira diz que ela deve procurar um hospital caso tenha falta de ar — e mesmo sem febre, porque de 30% a 40% das pessoas com covid-19 não têm esse sintoma.
Sztajnbok reforça que as recomendações feitas até agora sobre o que fazer ao ter sintomas compatíveis com os da covid-19 devem continuar a ser seguidas.
“Procure um hospital se tiver falta de ar, uma frequência respiratória aumentada persistente ou sentir cansaço ao fazer atividades em que isso não aconteceria normalmente.”
O médico diz ainda que a hipóxia silenciosa deve ser melhor estudada — e que “não é motivo para pânico”.
“O risco é lotar os prontos-socorros com pessoas que acham que têm pneumonia sem ter sintoma nenhum. Quem precisar ser atendido não vai conseguir, e a pessoa que foi lá desnecessariamente pode voltar para casa infectada com o coronavírus.”
MP de Bolsonaro mancha Dia em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho
Jornalista: sindicato
Medida Provisória nº 927, de Jair Bolsonaro, agrava as já precárias condições de trabalho, aumentando a exposição dos trabalhadores e, das trabalhadoras aos riscos de adoecimentos e mortes.
Os 2,26 milhões de mortes por acidentes de trabalho ao ano, no mundo, são maiores do que as vítimas fatais em qualquer conflito bélico no planeta. O número é tão preocupante que a Organização Mundial do Trabalho (OIT) instituiu o dia 28 de abril como o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças relacionadas ao trabalho. Há 15 anos, o Brasil instituiu a mesma data como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
Mas a data, no Brasil, que seria em memória das vítimas, está manchada pelo descaso com que Jair Bolsonaro (sem partido) trata a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras, como demonstrou com a edição no final de março da Medida Provisória (MP) nº 927, que traz itens que agravam as já precárias condições de trabalho, aumentando a exposição dos trabalhadores aos riscos de adoecimentos e mortes, durante a pandemia do novo coronavírus (Covid- 19).
De acordo com a advogada do escritório LBS, Luciana Lucena Baptista, a MP nº 927, fragiliza o direito do trabalhador ao inverter o “nexo da casualidade”. Ou seja, cabe ao trabalhador comprovar que o coronavírus foi adquirido no ambiente de trabalho. Se ele foi contaminado no transporte público, por exemplo, não terá direitos garantidos pela Previdência Social, como auxílio-doença.
Esta indicação está registrada no Artigo nº 29 da MP, quando o texto define que “os casos de contaminação pelo coronavírus (Covid-19) não serão considerados ocupacionais, exceto mediante comprovação do nexo causal”.
O artigo contraria o Recurso Extraordinário (RE) nº 828.040/DF, do Supremo Tribunal Federal (STF), que diz que é responsabilidade dos empregadores, nos casos de exposição a ambientes e situação de risco de seus funcionários, a obrigatoriedade de comprovar que a contaminação não possui nexo de causalidade com a atividade desenvolvida.
“Bolsonaro diz que a Covid 19 não é doença ocupacional e o trabalhador terá de comprovar que contraiu a doença no ambiente de trabalho, como foi o caso dos trabalhadores do frigorífico da JBS no Rio Grande do Sul, interditado depois que auditores fiscais do trabalho detectaram um surto de Covid-19 entre os operários sem que a fábrica agisse para conter a disseminação da doença. Ainda assim é muito difícil fazer essa comprovação porque a própria MP dificulta a ação fiscalizatória dos auditores fiscais”, diz, se referindo a um item da mesma MP, que obriga os fiscais atuarem apenas quando há denúncias, impedindo as inspeções regulares de ambientes de trabalho .
Outra medida contida na MP é destinada apenas aos trabalhadores da saúde. Ela permite acordos individuais para extensão de jornada de trabalho da categoria. O governo permite diminuir a escala de trabalho entre a 13ª e 24ª hora, desrespeitando os acordos existentes de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. A MP permite que o profissional da saúde poderá, por exemplo, trabalhar 12 horas durante dois dias seguidos ou ainda trabalhar 24 horas, seguidas de 24h de descanso.
“Uma jornada exaustiva vai deixar não apenas os profissionais de saúde em risco como a vida dos próprios pacientes”, ressalta Luciana.
Essa MP é cruel, na medida em que a mensagem clara do Estado é a de que o empregador não precisa se preocupar com o contágio no ambiente de trabalho. É mais uma tentativa de proteger financeiramente o empregador, desrespeitando a vida do trabalhador, em especial, o profissional de saúde
Debate sobre direitos do trabalhador em época de pandemia
Diante de tantos descalabros deste governo ultraliberal, a secretária da Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida da Silva, vai realizar uma “live”, nesta terça-feira (28), a partir das 14h, para debater as condições de trabalho, a promoção saúde e a segurança nos locais de trabalho, a prevenção e os direitos trabalhistas e previdenciários, e a Covid -19 como doença do trabalho. Participarão também do debate, Fernando Zassio Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde, René Mendes, da Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora e Lucina Lucena Baptista, da LBS Advogados.
“O dia 28 de abril é muito importante porque na verdade centraliza o debate sobre acidentes e adoecimentos no trabalho. Por isso, a CUT faz desta data um dia de reflexão, de mobilização nacional, principalmente diante das tentativas de perdas de direitos por ocasião da Covid-19”, diz Madalena.
Segundo a dirigente, para respeitar a quarentena, necessária em tempos atuais, os movimentos sindicais decidiram pelo debate nas redes sociais, e outras informações por meio de infográficos que esclarecem o trabalhador sobre:
“Estamos orientando os trabalhadores em como agir e lutar por seus direitos. E somente poderemos manter esses direitos se cada um souber, dentro da lei, o que deve fazer. Por isso esta terça-feira, é o momento de potencializarmos a luta dos trabalhadores com apoio da população”, conclui Madalena Margarida.
Números de acidentes de trabalho no Brasil e no mundo
Os acidentes do trabalho no mundo já mataram 6.300 pessoas por dia. No ano chega a 2.268.000 o número de vítimas fatais. Ou seja, a cada 15 segundos, morre um (a) trabalhador(a) em virtude de um acidente de trabalho ou de doença relacionada com a sua atividade profissional. Em 12 meses, a média é de 860.000 pessoas feridas, segundo informações Organização Mundial do Trabalho (OIT).
O número de acidentes e mortes no Brasil também é impressionante. A cada 48 segundos acontece um acidente e a cada 3h38min um trabalhador perde a vida, o que deixa o país na, nada lisonjeira, quarta posição do ranking mundial, de acordo com a Associação de Medicina do Trabalho (ANAMT).
De 2012 até agora, ocorreram mais de 5,3 milhões de acidentes e 19. 883 óbitos registrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Mais de 3 milhões foram notificados no Sistema Nacional de Agravos de Notificação, ou seja, 1 notificação a cada 2 minutos e 19 segundos, segundo o Observatório Digital de Saúde e Segurança, do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Cenários do mundo do trabalho é pauta no TV Sinpro
Jornalista: Leticia
O convidado do programa TV Sinpro desta terça-feira (28), é Antônio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da CUT e representante do Brasil no conselho da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
No encontro, que acontece logo mais, às 17h, Lisboa falará sobre o 1° de Maio e o atual cenário do mundo do trabalho, bem como os efeitos na saúde mental do trabalhador(a) em tempos de pandemia.
Assista o programa pela TV Comunitária, no canal 12 na NET-DF, e pelo facebook e youtube do Sinpro-DF.
Sinpro entrará com ação cobrando correção da pecúnia de quem aposentou antes de 2017
Jornalista: Luis Ricardo
O Sinpro informa aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais que ingressou na Justiça para cobrar do Governo do Distrito Federal o pagamento da correção monetária da Licença Prêmio daqueles(as) que receberam o pagamento da parcela com atraso. Por determinação legal, as licenças prêmio não utilizadas na ativa devem ser pagas no momento da aposentadoria do(a) servidor(a) em pecúnia, mas, infelizmente, desde 2015 o GDF tem realizado o pagamento fora do prazo e quando finalmente efetiva o pagamento, o faz sem a devida correção.
A situação tem gerado prejuízo aos(às) professores(as) e orientadores(as), que precisam ingressar em juízo para receber o pagamento dos valores devidos. Diante disso o Sinpro informa a todos(as) que ainda não tenham entregue a documentação para a cobrança da correção que entrem em contato com a assessoria jurídica do sindicato para o ajuizamento das ações.
Em razão do isolamento social o atendimento tem sido realizado por telefone, videoconferência e WhatsApp em horário agendado por meio dos telefones 98251-0407 e 98275-2679.
Aposentados a partir de 2017
Para aqueles(as) que se aposentaram a partir de 2017 e que estão recebendo o pagamento da licença prêmio de forma parcelada, a orientação do sindicato é para aguardar o pagamento de todas as parcelas antes de ingressar em juízo.
Sinpro repudia declaração agressiva de Paulo Guedes
Jornalista: Leticia
Nesta segunda-feira (27), o ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou que “servidor não pode ficar em casa trancado com a geladeira cheia assistindo à crise [do coronavírus], enquanto milhões de brasileiros estão perdendo o emprego”.
A declaração foi feita na saída do Palácio do Alvorada, após uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, que teve como objetivo discutir um possível plano que prevê o congelamento dos salários dos servidores públicos federais.
A diretoria colegiada do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) vem a público rechaçar veementemente a afirmação infeliz de Guedes.
Para o Sinpro, a declaração expressa a verdadeira face do governo Bolsonaro: um governo que estimula uma política de fragilização e retirada de direitos.
Falas como esta representam o oportunismo que governos têm manifestado desde o golpe de Estado, articulado contra a ex-presidente Dilma Rousseff.
Um governo que além do oportunismo descarado, tem protagonizado ataques cruéis à classe trabalhadora brasileira, com a reforma da Previdência, reforma trabalhista e a mais recente investida; o encaminhamento da (MP) que cria a Carteira de Trabalho Verde e Amarela, outra maneira de retirar propositalmente direitos conquistados a duras penas e instaurar uma verdadeira escravidão contemporânea.
A política de Bolsonaro tem se mostrado ineficaz. Todas as medidas tomadas sob a desculpa de geração de empregos não mostraram resultados positivos.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizado antes da pandemia, apontou que o índice desemprego no Brasil aumentou 11,6% somente no último trimestre encerrado em fevereiro. Além disso, como ministro da Economia, Guedes perdeu o controle do câmbio, o que gerou a desvalorização da moeda com efeitos imediatos, a médio e longo prazo nos preços dos produtos brasileiros. Os impactos deste cenário já têm sido vistos no setor alimentício e poderão ser observados também em outros setores da economia brasileira em breve.
Um Estado forte possui servidoras e servidores para atender as demandas. Portanto, o governo não pode abster-se do seu quadro de trabalhadores, principalmente, diante de um momento tão complexo como vivenciado atualmente. Sendo assim, é inadmissível responsabilizar o serviço público pelo desemprego que afeta milhões de brasileiras e brasileiros.
Vale lembrar que, quando essa pandemia passar, será o funcionalismo, um time formado por homens e mulheres comprometidos com o serviço público, que terão a missão de colocar a casa em ordem.
Refutamos as argumentações de Paulo Guedes. Nós, do Sinpro-DF, continuaremos unidos, ao lado da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na luta para garantir os empregos e os salários de todas as trabalhadoras e trabalhadores, sejam eles da iniciativa privada ou do serviço público.
Sinpro na TV Comunitária desta segunda (27) fala sobre crianças especiais: novas formas de aprendizado
Jornalista: Leticia
Em parceria com a TV Comunitária, o Sinpro exibirá nesta segunda-feira (27), a partir das 18h30, mais uma edição do programa Saber Viver em Casa.
Na pauta de hoje, o programa abordará as novas formas e aprendizado em trabalhar com crianças especiais, além dos cuidados a serem priorizados como desenvolver uma rotina escolar, o papel da família e expectativas do desenvolvimento durante o isolamento social.
Para debater o assunto, a psiquiatra Karinne Borges, abordará importantes situações para a construção de novas relações.
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