Marcha das Margaridas levou cerca de 100 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios

“Está lindo de se ver daqui de cima do caminhão. Temos cerca de 100 mil pessoas nesta marcha. Quem não acredita, que venha contar”, dizia uma animadora da marcha de cima de um dos caminhões de som que orientava a VI Marcha das Margaridas, na manhã desta quarta-feira (14), em Brasília, Distrito Federal. Esse foi o número anunciado nos caminhões de som.

O fato é que enquanto o início da marcha apontava na Rodoviária, seu fim ainda estava saindo do Parque da Cidade, na altura do Palácio do Buriti. A caminhada ocupou três faixas das seis do Eixo Monumental. Organizadas em grandes blocos por região do Brasil e cada região dividida em estados, as delegações caminharam por mais de 3 horas do Parque da Cidade até a frente do Congresso Nacional.

A edição de 2019 da marcha superou todas as outras. Este ano, a Marcha das Margaridas contou com a participação das indígenas que participaram da I Marcha das Mulheres Indígenas realizada na terça-feira (13). “Para se ter uma ideia, a marcha saiu às 7h do Pavilhão do Parque da Cidade, local em que mulheres de todo o país estavam concentradas. Às 11h ainda havia delegações chegando à Esplanada dos Ministérios. Muitas mulheres vieram dos quatro cantos do Brasil para defender a pauta das mulheres”, descreveu Vilmara Pereira do Carmo, coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro-DF.

O ponto alto da marcha, que homenageia a liderança sindical dos trabalhadores rurais, Margarida Maria Alves, assassinada em 1983 por defender os direitos humanos, foi na Esplanada dos Ministérios quando a passeata encerrou o seu trajeto no Congresso Nacional, local em que as marchantes ouviram os discursos dos parlamentares, sindicalistas, feministas e militantes dos movimentos sociais brasileiros e estrangeiros.

Este ano, a pauta das margaridas está centrada na defesa da vida das mulheres. A sobrevivência das mulheres foi o foco da pauta econômica e política e, a defesa da educação, a centralidade da pauta educacional. Pelo direito à educação em todos os níveis pública, gratuita e de qualidade. O combate à produção agrícola com veneno que, no Brasil, está fora de controle. O direito à terra e à água por causa da privatização das fontes de água mineral.

As trabalhadoras rurais denunciaram o tratamento que o governo Bolsonaro vem dando à agricultura familiar com corte de recursos financeiros e outros ataques, como tem feito em todas as áreas sociais. As margaridas denunciaram a privatização da Previdência. As mulheres serão as mais prejudicadas e, sobretudo, as trabalhadoras rurais.

Elas trouxeram também a pauta da sexualidade e a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres margaridas. “Neste momento em que estamos perdendo tanto direito, em que a gente está vendo a aprovação em segundo turno da reforma da Previdência no Senado Federal, as margaridas marcham contra esta reforma”, diz a diretora.

A marcha lotou o centro de Brasília. A cidade teve de parar para as mulheres atravessarem, pelo Eixo Monumental, do Parque da Cidade ao Congresso Nacional. O gramado da Esplanada dos Ministérios estava lotado de mulheres que já vieram várias vezes e outras com comparecem pela primeira vez na Marcha das Margaridas.

A marcha trouxe várias características novas que refletem o que está acontecendo na sociedade brasileira do campo e da cidade. Uma delas é a participação de uma grande quantidade de mulheres jovens que estão assumindo o lugar de suas famílias na agricultura familiar – modelo de agricultura que representa 70% do alimento que chega à mesa dos brasileiros.

Na avaliação da diretora, a marcha surpreendeu embora a expectativa tenha sido essa mesmo de ser uma marcha maior do que todas as outras. “Ela atendeu a essa expectativa”, diz. Vilmara esclarece também que a categoria docente do magistério público do Distrito Federal sempre foi muito próxima da Marcha das Margaridas.

“Nós da educação e do Sinpro entendemos que a nossa relação com as trabalhadoras do campo é de muita proximidade até porque mais de 70% da comida que chega à nossa mesa vem da agricultura familiar, do plantio dessas mulheres camponesas que conseguem ainda fazer com que a economia flua e a comida chegue nossas casas”, afirma. No entendimento de Vilmara, “se o agronegócio cresce e atrapalha a vida delas, também atrapalha a nossa vida. Se a quantidade de veneno é liberada muito fortemente para o agronegócio, isso também atrapalha a plantação delas e a nossa vida”.

Letícia Montandon, diretora do Sinpro-DF, disse que a marcha deste ano imprimiu um novo significado à luta das mulheres e a luta do movimento sindical. “Foi um momento importantíssimo porque reuniu mulheres de todo o país e de todas as camadas sociais que, apesar das angústias, aflições e dificuldades, são capazes de se indignar e irem à luta. Muitas margaridas viajaram 3,4, 5 dias para participarem de 2 horas de caminhada na Esplanada dos Ministérios e mostrarem ao país, ao mundo e, sobretudo, às mulheres que estamos juntas contra essa profusão de ataques a direitos que este governo tem desferido contra a classe trabalhadora”

A diretora disse ainda que a Marcha das Margaridas tem uma importância singular para a categoria do magistério público em todos os sentidos, mas, principalmente, para a educação do campo. “Atuei a vida toda em escolas de educação do campo. Para mim, essa caminhada é importante para a gente poder sentir o que esse movimento realmente representa também para a educação do campo. Se hoje temos espaços educativos, escolas do campo, elas existem por causa da luta pela terra, vida digna e educação”, lembra Letícia.

Ela destaca ainda que foi a luta pela terra que ensejou a criação de escolas do campo, agroescolas e, agora, essas escolas estão no centro do ataque dos governos federal e local. “Com todos os cortes na educação, a educação no campo é a que mais vai sofrer porque ela já é relegada a segundo plano nos orçamentos dos governos de plantão. Estamos prevendo que, diante desses cortes, se nós, trabalhadoras rurais, urbanas e professores, não estivermos juntos lutando serão mais drásticos do que o que se delineia para o futuro”, disse.

Histórico
A Marcha das Margaridas ocorre desde 2000, inspirada na luta da liderança sindical Margarida Maria Alves, símbolo da resistência das trabalhadoras do campo por direitos, como, por exemplo, o direito à aposentadoria e à educação pública, gratuita, laica, libertadora, emancipadora e de qualidade socialmente referenciada.

Margarida foi assassinada no dia 13 de agosto de 1983 a mando de latifundiários. A Marcha das Margaridas, que acontece nos dias 13 e 14 de agosto, em Brasília (DF), é a maior ação conjunta de mulheres trabalhadoras da América Latina. Em matéria sobre a marcha, o jornal Brasil de Fato conta que na época que Margarida era liderança sindical, “cada segundo domingo do mês, a assembleia do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, se enchia de camponeses insatisfeitos com as condições de trabalho. Ausência de direitos trabalhistas, longas jornadas nos canaviais, baixa remuneração, trabalho infantil. Esse era o cenário ao longo da década de 1980”.

De acordo com o jornal, diante das revoltas dos trabalhadores, cuja maioria era formada por homens, Margarida surpreendia porque, da presidência da entidade, ela imprimiu a luta combativa. Quem conviveu com a paraibana Margarida ainda lembra de seu legado, 36 anos após seu assassinato. “Margarida era uma mulher forte, de fibra, muito corajosa e uma grande lutadora. Ela enfrentou uma luta ferrenha contra os latifundiários, os perseguidores dos trabalhadores, porque não era fácil naquela época”, diz o jornal.

Confira, a seguir, algumas fotos enviadas por participantes da marcha.

Professores e estudantes fazem abraço simbólico na EC 59 de Ceilândia

Um ato realizado durante a manhã desta quarta-feira (14) em frente à Escola Classe 59 de Ceilândia pediu do Governo do Distrito Federal uma solução para a reconstrução. Com risco de desabamento, a EC foi desocupada em janeiro de 2018 e os estudantes encaminhados para outro espaço, também provisório (atrás do Médio 4 de Ceilândia), local distante para a maioria deles(as).

Para exigir uma resposta para o impasse, professores(as), estudantes, comunidade escolar e a direção do Sinpro fizeram um abraço simbólico na escola.

Ao longo dos quase 30 anos de existência, a EC teve vários problemas. Foi inaugurada em setembro de 1989 para funcionar por apenas cinco anos, mas durante essas quase três décadas já teve problemas de vazamento de gás; de água da chuva infiltrando pela parte elétrica, luminárias e invadindo as salas; infestação de ratos; uma placa do teto caiu e quase acetou um estudante; as placas do teto cedendo e com a ferragem à mostra. O Ministério Público acionou o GDF em 2010, a escola foi interditada em janeiro de 2018 e até o momento nada de reconstrução.

Diante do impasse, um dos pontos prejudicados é a questão pedagógica, uma vez que os pais, por conta da distância, não vão à escola para as reuniões. Segundo o diretor do Sinpro Samuel Fernandes, a escola está completamente abandonada. “O governo fez promessas, mas até agora nada foi feito. Quando foi fechada em 2018, a promessa era de que até dezembro do mesmo ano as obras teriam iniciado. O atual governo já sabia do problema desde a época da transição, no início do ano o Sinpro cobrou novamente a reconstrução da escola e disseram que seria prioridade. O governo não dá prazo e quando dá, o prazo não é cumprido”, explica o diretor, complementando que a escola está sendo saqueada, além de pessoas estarem ocupando o espaço para dormir e usar entorpecente, inclusive correndo risco, já que o prédio foi condenado, podendo ocorrer um desabamento.

Durante o ato foi exigida a demolição imediata e reconstrução da escola. “Esta escola deve ser devolvida para a comunidade escolar de Ceilândia”, enfatiza Samuel Fernandes.

 

Escola Classe 52 de Taguatinga

Na última sexta-feira (9) o Sinpro, com a participação de representantes dos(as) professores(as) da Escola Classe 52 de Taguatinga e do diretor da regional de ensino, se reuniu com o secretário de Educação para tratar do impasse envolvendo a EC 52. O grupo exigiu que o governo alugue um espaço único para abrigar toda a escola e que inicie as obras de reconstrução imediatamente.

A escola foi fechada no segundo semestre desse ano por determinação judicial e foi determinado pela Justiça que enquanto as obras não tiverem início, tanto o secretário de Educação quanto o governador do DF pagarão uma multa de R$ 10 mil por dia, até chegar ao limite de R$ 500 mil. No início do semestre letivo a escola foi dividida, com os(as) estudantes e professores(as) sendo encaminhados para duas escolas (EC 45 de Taguatinga e CED 7 de Taguatinga).

Na reunião o secretario de Educação Rafael Parente se comprometeu em alugar um espaço adequado e único para abrigar toda a escola nos próximos dias, e garantiu que as obras iriam iniciar dentro do mês de agosto. A SEE ainda disse que a Novacap irá fazer a derrubada do antigo prédio e a terraplanagem já na próxima semana. Segundo o secretário, as obras serão entregues em dezembro de 2020.

O Sinpro vai aguardar o prazo estipulado pelo governo e esperamos que o GDF cumpra a promessa feita nesta reunião e que realmente até a próxima semana a Novacap faça este trabalho de demolição da antiga escola e a terraplanagem para que as obras de uma nova escola comecem efetivamente e deixem de ser mais uma promessa não cumprida pelo governo. “Esperamos que o governo também se comprometa com a reconstrução da Escola Classe 59 de Ceilândia, que está fechada há quase dois anos, com a reconstrução do CAIC do Gama, há mais de um ano fechado, e com a reforma do Médio 10 de Ceilândia, há quatro anos fechado”, ressalta o diretor do Sinpro Samuel Fernandes.

 

Orientações sobre a reposição do dia 13 de agosto

O Sinpro entrou em contato com a Secretaria de Educação do DF para negociar a reposição referente ao Dia Nacional de Paralisação da Educação, ocorrida no dia 13 de agosto. Após o contato ficou acertado que as escolas poderão organizar seu calendário de reposição e deverão, o mais rápido possível, levar a data de reposição para a regional de ensino, evitando assim que o ponto seja cortado.

As escolas devem agendar a reposição do dia 13 de agosto até o final do terceiro bimestre letivo.

Clique aqui e confira a Circular SEI-GDF n.º 69/2019 – SEE/SUPLAV

CARTA PÚBLICA | Tsunami da educação volta a Brasília para devastar políticas antipovo de Bolsonaro

Se os oito meses do governo Jair Bolsonaro foram marcados por uma avalanche de ataques aos direitos e conquistas do povo, o período também vem sendo palco de manifestações gigantes em defesa da educação, das aposentadorias, da democracia, da liberdade. Foi assim nos dias 15 e 30 de maio, no dia 14 de junho e no dia 12 de julho. Agora, no dia 13 de agosto, faremos um novo “tsunami” com a Paralisação Nacional em Defesa da Educação e da Aposentadoria.

Acesse Carta Pública aqui

Educadores, estudantes e a sociedade de forma geral voltarão às ruas de Brasília para, mais uma vez DIZER NÃO aos cortes orçamentários na Educação e à reforma da Previdência. Em março deste ano, o governo anunciou corte de R$ 5,8 bilhões nas verbas destinadas às universidades públicas e a programas de fomento à pesquisa. De acordo com Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, os recursos seriam aplicados na educação básica. Mas o governo antipovo não só deixou de investir na educação básica como “esvaziou” ações voltadas para este setor, comprometendo a construção de creches, alfabetização e programas de educação em tempo integral.

Paralelo a isso, o governo Bolsonaro prometeu R$ 40 milhões para cada deputado que votasse favorável à reforma da Previdência que aumenta a idade e o tempo de contribuição para se aposentar, reduz o benefício a partir do cálculo feito pela média de todos os salários (antes, eram excluídas 20% das menores contribuições) e eleva alíquotas de contribuição, prejudicando principalmente os mais vulneráveis socialmente. Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, em julho, quanto o texto da reforma da Previdência foi aprovado em primeiro turno, o governo liberou R$ 3 bilhões em emendas parlamentares. No último dia 6 de agosto, Bolsonaro mandou para o Congresso projeto que libera crédito extra de pouco mais de R$ 3 bilhões para emendas parlamentares.

Além de desidratar a educação pública e de qualidade e inviabilizar a aposentadoria do povo brasileiro, o governo Bolsonaro vem implementando uma série de medidas antipovo que resultam no aumento do desemprego, da desigualdade social, da concentração de renda e na ausência de um Estado soberano. Contra todas as cercas que separam o povo brasileiro da democracia e da liberdade, estaremos nas ruas no dia 13 de agosto, em uma grande aula pública, em plena Esplanada dos Ministérios.

Marcha das Margaridas em Brasília

No dia 14 de agosto, um dia após a Paralisação Nacional em Defesa da Educação e da Aposentadoria, trabalhadoras do campo, da floresta e das águas também irão às ruas. Elas, que virão a Brasília para a Marcha das Margaridas, são um dos principais alvos do governo fascista, machista, misógino, homofóbico e racista vigente hoje no Brasil.

Nesta 6ª edição, a Marcha das Margaridas traz como lema: “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”, uma pauta que só será possível de ser implementada em um país com educação pública de qualidade, que forme cidadãs e cidadãos conscientes e com pensamento crítico.

As Margaridas ficarão acampadas no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade nos dias 13 e 14 de agosto. No primeiro dia, serão realizadas atividades de caráter formativo e realizado o ato de abertura da Marcha, que acontece dia 14, na Esplanada dos Ministérios (saída do Pavilhão, às 7h). Participe!

Central Única dos Trabalhadores – CUT
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE
União Nacional dos Estudantes – UNE

Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico – Fenet
Frente Brasil Popular
Frente Povo Sem Medo
Marcha das Margaridas
Sindicato dos Professores do Distrito Federal – Sinpro/DF
Associação dos Docentes da Universidade de Brasília – ADUnB
Sindicato dos Trabalhadores em Escolas Publicas no DF – SAE/DF 
Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília – Sintfub
Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Sinasefe
Sindicato do Professores das Entidades de Ensino Particulares do Distrito Federal – Sinproep/DF

 

https://www.cnte.org.br/index.php/menu/comunicacao/posts/noticias/72144-mapa-dos-atos-da-paralisacao-nacional-13-de-agosto

Sinpro-DF lança enquete para escolha do estilo musical da Festa do Professor. Vote aqui

O Sinpro-DF lança, nesta terça-feira (13) e vai até o dia 20 de agosto, uma enquete para saber qual a preferência musical da categoria. O ritmo mais votado terá prioridade na próxima Festa do Professor.

Então, não perca tempo e vote logo para eleger o estilo musical que mais tem que ver com você. As opções são: 1) Samba/Pagode; 2) Sertanejo; 3) Pop Rock; e 4) MPB.

Importante: os votos serão computados até o dia 20 de agosto.

Para votar, acesse o link:

QUAL ESTILO MUSICAL VOCÊ PREFERE?

Mensagem equivocada circula pelo WhatsApp

Neste final de semana, vários(as) professores(as) e a própria Secretaria de Educação do DF entraram em contato com o Sinpro informando sobre uma mensagem de WhatsApp que circulou no aplicativo. A mensagem, totalmente equivocada, retrata a situação de um professor que recebe uma carta da SEE com um boleto a ser pago, referente a um débito do professor com a secretaria sobre uma dívida do vale-alimentação.

O Sinpro esclarece que neste caso específico não se trata de golpe. As secretarias de Educação, de Fazenda, a Procuradoria do DF e os órgãos do GDF eventualmente encaminham correspondência e boletos para seus servidores quando há a necessidade. Neste caso, o boleto é referente a um débito que o professor tem com a SEE por ter recebido em dobro o benefício entre maio e dezembro de 2002.

Provavelmente o professor não foi localizado pela secretaria no tempo administrativo necessário para se manifestar contrário ao débito, o processo foi concluído, gerando esta dívida. Quem recebeu este WhatsApp deve desconsiderar.

O sindicato orienta que mesmo sendo normal do GDF o envio de boleto, é importante que o professor antes de pagar vá pessoalmente ao setor responsável para verificar e confirmar a origem do débito.

 

Em tempo

O assunto de devolução de vale-alimentação por ter recebido na maioria das vezes na matrícula do efetivo junto com a matrícula do temporário, ou da matrícula do efeito junto com outra de efetivo no início dos anos 2000 já foi objeto de discussão do Sinpro na Justiça. Portanto, aproveitando a ocasião, o Sinpro informa que quem vier a receber cobrança de devolução de valores referente a ticket alimentação deve procurar o departamento jurídico do sindicato.

O Sinpro, como já anunciou outras vezes, não encaminha boletos por e-mails ou cartas para que sejam pagos pelos professores para que seus processos judiciais sejam encaminhados. Estes procedimentos do nosso departamento jurídico são sempre tratados pessoalmente. Quando há necessidade de tratativas com esta finalidade, o professor é chamado a comparecer à sede ou às subsedes do sindicato.

 

Carta de Paris: A apologia do terrorismo de Estado

Há 45 anos, dia 10 de agosto, o jovem frade dominicano Tito de Alencar se suicidou na França, aos 28 anos. Ele fora destruído psicologicamente nas salas de tortura pelos torturadores da Operação Bandeirantes e do DOI-CODI. Depois da libertação, em janeiro de 1971 – trocado com mais 69 presos políticos pelo embaixador da Suíça, sequestrado por revolucionários da VPR – a vida de Tito foi uma sucessão de delírios e alucinações. Os torturadores deixaram marcas profundas da tortura na sua alma.

De setembro de 1970 a janeiro de 1974, o Doi-Codi de São Paulo foi chefiado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e deste período a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo reuniu 502 denúncias de tortura naquele centro de interrogatório do II Exército. Entre os torturados consta frei Tito de Alencar.

Mas agora, com o novo governo, os tempos são de revisionismo.

Nega-se a tortura, torturadores são considerados heróis, as vítimas – torturados, executados sumariamente ou desaparecidos – são tratadas de « terroristas ». O presidente inventa versões para desaparecimentos, mente como mentiam os que o precederam, dizendo às famílias que seus desaparecidos tinham sido sequestrados, assassinados por seus companheiros « terroristas » e, provavelmente, voltado … para Cuba.

A fúria dos militares saudosos da ditadora contra a presidente Dilma Rousseff vem em grande parte da coragem que ela teve de instaurar a Comissão Nacional da Verdade para investigar os crimes do terrorismo de Estado.

Em texto escrito em março de 2012, intitulado « Nunca Mais – La Comisión de la Verdad en Brasil », o Prêmio Nobel da Paz de 1980 Adolfo Pérez Esquivel lembrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve que recuar na instalação da Comissão da Verdade, devido a pressões de setores das Forças Armadas.

« É preocupante e surpreendente que alguns militares reformados tentem boicotar a constituição da Comissão da Verdade, que é lei, pressionando o governo da presidente Dilma Rousseff para assegurarem o silêncio e a impunidade dos crimes de lesa humanidade cometidos contra o povo brasileiro. »

Ao saudar a instalação, poucos meses antes, da Comissão da Verdade, o prêmio Nobel da Paz escreveu : « O Brasil era, em fins de 2011, o único país da América Latina que não havia formado uma comissão investigadora dos crimes de sua própria ditadura. Não é possível construir um projeto de país livre e soberano se as forças armadas estão ausentes, é necessário recuperar a mística dos libertadores independentistas de nossos povos e trabalhar para a integração regional e continental ».

Pérez Esquivel citava a tentativa do general reformado Luiz Eduardo Rocha Paiva, juntamente com outros, de pôr em dúvida o sofrimento do povo brasileiro sob a ditadura « para gerar suspeita e obscurecer a verdade histórica ». « O medo da investigação histórica desta instituição corporativa está provocando um grave dano às Forças Armadas e às novas gerações que a integram », escreve Esquivel.

Quando a voz dos fracos emerge

A Comissão Nacional da Verdade foi um momento do qual os brasileiros vão se orgulhar no futuro. Esse momento histórico confirma o que escreveu recentemente no Le Monde, o historiador francês Patrick Boucheron, professor do Collège de France, uma das mais prestigiosas instituições da cultura francesa: « A história não é, tão sistematicamente como se crê, a dos vencedores. A voz dos fracos emerge mais frequentemente que se pensa, mesmo que de maneira fugaz e subreptícia ».

A reação a esse momento fugaz de memória, verdade e justiça temos visto diariamente nas declarações estapafúrdias de Bolsonaro. Sempre que pode ele deixa escapar uma mentira para confundir e tentar desmontar o trabalho magnífico da Comissão da Verdade.

Paradoxalmente, um homem que não tem nenhum respeito à verdade histórica cita, de vez em quando, o versículo bíblico em que Jesus afirma : « Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará » (João 8 :32). É um dos maiores absurdos que se revelam nesse personagem que escapa a todos os padrões de civilidade.

O Brasil vive hoje o negacionismo de maneira espetacular.

Quase todo dia novas declarações do ex-militar-presidente tentam confundir os brasileiros ingênuos e reescrever a história.

Issos só é possível porque o Brasil não puniu os crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura, os militares foram protegidos pela Lei de Anistia, nunca revogada, como aconteceu na Argentina que julgou os crimes de Estado.

O que foi recalcado, negado e ocultado da história da ditadura brasileira retorna agora, como nas histórias individuais em que o inconsciente, segundo Freud, faz erupção espetacular de coisas que foram negadas, recalcadas pelo sujeito.

Cito abaixo um trecho do meu livro “A tortura como arma de guerra”, página 44, onde rememoro os desaparecimentos de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho e as mentiras contadas, já então, pelo ministro da Justiça Armando Falcão:

“Entre centenas de exemplos dos métodos de controle da informação e subterfúgios para dissimular desaparecimentos, há o caso dos jovens Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, 26 anos, e Eduardo Collier Filho, 21 anos, militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML) desaparecidos no Rio de Janeiro. No dia 23 de fevereiro de 1974, tinham um encontro e nunca mais foram vistos. As famílias de Fernando e de Eduardo moveram ceu e terra para encontrar os rapazes e nunca tiveram nenhuma pista que levasse aos corpos. Até o dia em que o relatório da Comissão Nacional da Verdade foi divulgado, 10 de dezembro de 2014, a mãe de Santa Cruz, dona Zita, aos 101 anos, ainda tinha esperança de encontrar o corpo do filho.

No governo Geisel, ela recebera a explicação-padrão do regime dos generais através do ministro da Justiça, Armando Falcão: “Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, filho de Lincoln de Santa Cruz Oliveira e Elzita Santa Cruz Oliveira, militante da organização subversivo-terrorista Ação Popular Marxista-Leninista –APML. É procurado pelos órgãos de segurança e encontra-se na clandestinidade”.

Na carta em que responde ao ministro dona Zita escreve:

“A afirmação (…) é paradoxal e para contestá-la informo a V. Exa. que Fernando Augusto era funcionário do Departamento de Águas e Energia de São Paulo, residente à Rua Diana, 698, bairro Perdizes, São Paulo. Tendo, portanto, residência e emprego fixos. Senhor ministro, que clandestinidade seria esta que transformaria um filho respeitoso, carinhoso e digno em um ser cruel e desumano, que desprezaria a dor de sua velha mãe, a aflição de sua jovem esposa e o carinho de seu filho único e muito amado? É fácil concluir que qualquer pessoa, mesmo perseguida, em qualquer lugar onde estivesse, teria como enviar uma palavra de calma e tranquilidade aos seus familiares. Não posso aceitar pura e simplesmente o argumento de V. Exa.”[1]

Leneide Duarte-Plon é co-autora, com Clarisse Meireles, do livro « Um homem torturado-Nos passos de frei Tito de Alencar » (Ed. Civilização Brasileira, 2014, finalista do Prêmio Jabuti de 2015) e autora de « A tortura como arma de guerrra, da Argélia ao Brasil-Como os militares franceses exportaram os esquadrões da morte e o terrorismo de Estado » (Ed. Civilização Brasileira, 2016, finalista do Prêmio Jabuti e do Prêmio Biblioteca Nacional de 2017)

Fonte: Carta Maior 

Governo tira R$ 1 bilhão da Educação para pagar deputados pela reforma da Previdência

Dos R$ 3 bilhões liberados para emendas parlamentares, R$ 1 bilhão virá do orçamento congelado da Educação

Para aprovar a reforma da Previdência, o governo de Jair Bolsonaro liberou R$ 3 bilhões em emendas parlamentares, durante as negociações para conquistar apoio ao projeto. Deste montante, quase R$ 1 bilhão foi remanejado do orçamento do Ministério da Educação (MEC).

O desvio será regulamentado por um projeto de lei do Executivo, encaminhado na terça-feira (6), que irá garantir o recurso das emendas. O total que sairá do MEC, o principal afetado, é de R$ 926 milhões.

Os valores estavam congelados sob a promessa de liberação caso a economia melhorasse. Caso o PL seja aprovado pelos congressistas – os principais beneficiados pelo projeto –, as verbas federais sairão em definitivo do MEC.

O montante representa 16% dos R$ 5,8 bilhões bloqueados do MEC. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, esses valores saíram de ações “como o apoio à manutenção da educação infantil, concessão de bolsas na educação superior e básica e apoio ao funcionamento de instituições federais de ensino”.

Mesmo com o governo dizendo que a educação básica é prioridade, os cortes também afetam a área. Em julho, outra reportagem da Folha revelou que repasses para a educação em tempo integral e a alfabetização foram zerados.

O MEC afirmou que aguarda a votação do projeto e que o orçamento é da competência do Ministério da Economia.

Fonte: Brasil de Fato
Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

Margaridas em marcha contra os retrocessos

Nos dias 13 e 14 de agosto, as ruas de Brasília serão tomadas por grandes mobilizações contra os retrocessos neoliberais do atual governo Bolsonaro. A Marcha das Margaridas, primeiro grande ato nacional das mulheres após a eleição, soma-se a agenda de lutas em defesa da Educação e da aposentaria. Serão dois dias de luta por soberania popular, democracia, justiça, igualdade, trabalho, renda e autonomia econômica. A concentração será a partir das 6h, no pavilhão do Parque da Cidade, e a saída às 7h em direção à Eslanada dos Ministérios. O ato de encerramento ocorrerá às 11h na Eslanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional.

A Marcha das Margaridas acontece a cada quatro anos desde a primeira edição realizada no ano 2000, com objetivo de apresentar a agenda política e as demandas das mulheres rurais para os poderes públicos. O nome da marcha se dá em homenagem a Maria Margarida Alves, agricultora e uma das primeiras mulheres a exercer cargo de direção sindical no país na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB). Sua trajetória na luta pela terra, justiça, igualdade e a conquista no ganho de diversas ações por direitos trabalhistas levou ao seu assassinato no ano de 1983, uma vez que desafiou os interesses de alguns prorietários de Usina de Canada Paraiba, que não admitiram a sua luta.

Desde o golpe de 2016, que tirou Dilma Rousseff da Presidência, acompanhamos o aumento das desigualdades sócio econômicas, da concentração de renda, do crescimento da violência, da fome e da pobreza. Em apenas sete meses o governo Bolsonaro desmontou inúmeras políticas públicas, com a privatização da Saúde, da Educação, das empresas públicas e a venda das nossas florestas e riquezas naturais para o capital transnacional.

Em 2019, mulheres rurais e urbanas estarão nas ruas juntas, resistindo à retirada de direitos conquistados e denunciando o carater entreguista neoliberal do atual governo de orientação neofascista. Nós, professoras e professores, nos somamos a essas pautas, pois no nosso cotidiano do ambiente escolar está presente o debate e a importância da educação no campo, da luta pelo acesso a creches e escolas de qualidade, da soberania alimentar e nutricional nas escolas rurais e urbanas.

A categoria dos(as) professores(as) é duramente atingida pela proposta criminosa da reforma da Previdência, assim como as(os) trabalhadoras(es) rurais que trabalharão até morrer ou morrerão de tanto trabalhar.

Os movimentos sociais e sindicais envolvidos estão há meses na preparação para a vinda à Brasília, organizando encontros, formações e caravanas. Entre varias parceiras, estará presente a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), além da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais na Agricultura (CONTAG), principal organizadora. A atividade a ser realizada no Pavilhão do Parque da Cidade contará com a Mostra de Saberes e Sabores das Margaridas, momentos de formação e uma bela marcha, que sairá do Pavilhão do Parque da Cidade até o Congresso Nacional, onde se encerrara com um grande ato.

É nossa tarefa, professoras e professores do Distrito Federal, nos somarmos à Marcha das Margaridas por uma educação, saúde e previdência pública de qualidade, unindo forças e comprometimento com nossas lutas; afinal, somos todas margaridas!

 

Da luta eu não fujo

Maria Margarida Alves

 

14 DE AGOSTO DE 2019

BRASÍLIA – DF

  • Concentração: a Partir das 6h no Pavilhão do Parque da Cidade
  • Saída da marcha: 7h em direÇãOa Eslanada dos ministérios
  • Ato de encerramento: 11h na Eslanada dos ministérios em frente ao congresso nacional

Confira a edição do Sinpro Cidadão nº 50

O Sinpro disponibiliza a edição nº 50 do jornal Sinpro Cidadão. Nesta edição abordamos a precarização da educação por parte do governo. O governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou, em julho, que, a partir de agosto deste ano mais seis escolas da rede pública de ensino serão militarizadas. Com essas, o Distrito Federal terá dez escolas sob intervenção militar em 2019.

Um dos principais problemas é a censura e a perseguição que a intervenção militar impõe na escola. Professores que lecionam nas quatro escolas militarizadas no início deste ano afirmam que o ambiente escolar se tornou agressivo, que professores e estudantes são coagidos constantemente e que a PM intervém na parte pedagógica, que é uma área exclusiva de professores formados.

Clique aqui e confira a edição completa.

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