Plenária final aprova plano de lutas do magistério público do DF

No encerramento do 11º Congresso, foi aprovado o plano de lutas para o próximo período. Enriquecidos pelas novas análises trazidas por palestrantes de alto nível, delegadas(os) e diretoria do Sinpro-DF retornam ao cotidiano com novas ideias e mais energia.
“A plenária final é fundamental porque, para dirigir, precisamos saber o que a categoria, que a gente representa, pensa, quais as demandas de quem está dentro da escola. É a oportunidade de ouvirmos as contribuições. Tudo isso vai nortear nossa gestão”, disse Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.
Para Gabriel Magno, diretor de Políticas Sociais, “passamos por momentos bastante ricos e a plenária final é que elege as opiniões sobre todos os temas que orientam a categoria e o nosso sindicato para o próximo período. O balanço dos 3 dias de congresso é formalizado na plenária final”, afirmou.
Berenice D’Arc Jacinto, diretora de Políticas Educacionais, considera a plenária final o momento mais importante “porque é quando foi aprovada toda a discussão acumulada sobre conjuntura, reforma do ensino médio, gestão democrática, o resumo dos GTs entre outros. É a culminância do congresso debatida pela categoria”, declarou.
Confira, a seguir, os links das matérias produzidas durante o congresso:
Fotos: Deva Garcia / Sinpro
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Da escravidão à Lava-Jato: um país dominado pela elite atrasada e por rentistas estrangeiros

O sociólogo Jessé Souza participou da mesa sobre análise de conjuntura, do 11º Congresso das/os Trabalhadoras/es em Educação Chico Mendes. Penúltima mesa da tarde deste sábado (18), a presença do professor Jessé Souza lotou o auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio (CNTC).
Jessé explicou o papel fundamental do capitalismo financeiro nos retrocessos e grandes atrasos que o Brasil está vivendo. Ele disse que falar da situação do país hoje é muito importante e que se trata de uma tarefa muito complexa “porque o mundo está passando por um contexto regressivo e a gente está passando por uma contrarrevolução, podemos dizer, política”, afirmou.
Ele disse que essa contrarrevolução é dirigida contra a social-democracia. “A democracia social foi feita para, em parte, dividir os lucros do capitalismo não só para a pequena elite de proprietários, mas também para o povo. Isso é o que está sendo atacado. Essa ideia é a que está sendo atacada e a força motriz desse ataque é o que a gente chama de capital financeiro. O que o capital financeiro? Ele não é só os bancos. Ela é outra forma de acumulação desse dinheiro, ou seja, desse excedente, de tudo que é produzido pelo nosso trabalho e é de curto prazo”, explicou.
Com críticas profundas sobre o papel dos deputados federais e senadores, juristas e membros da cúpula do Poder Judiciário, ele explicou que o capital financeiro também tem tentado colonizar países hegemônicos, como Alemanha e Inglaterra, que, diferentemente dos políticos brasileiros, protegem suas instituições e populações, impedindo a mercantilização de tudo, desde a água e o petróleo até a educação, a saúde e a própria vida.
E questionou: “Por que esse ataque é tão voraz aqui com a gente? Essa é a questão que é preciso que a gente compreenda. Esse ataque é tão bem-sucedido diabolicamente aqui entre nós porque o discurso do capitalismo financeiro tira onda, faz de conta, de que ele é emancipador. Ele tem a Rede Globo para falar por ele. Quer dizer, a Rede Globo é a boca do capital financeiro. E a Rede Globo tira onda de que defende as mulheres, os negros, as minorias”, denunciou
Jessé Souza explicou que o capitalismo financeiro é o contrário do industrial, que tinha de pensar em longo prazo, por exemplo, pensar que os seus bens tinham de ser consumidos pelos trabalhadores. “O pessoal do capitalismo financeiro está se lixando para o que está acontecendo aqui dentro. Se o país acabar, ficar todo mundo na pele e osso, ele sai daqui e vai matar na Argentina, África, Ásia, Turquia. Ou seja, é esse o contexto. A gente está sofrendo o ataque desse tipo de capitalismo”, avisa.
Ele citou várias formas pelas quais a elite de rentistas omite a verdade para continuar roubando o Estado brasileiro. Uma delas é a dívida pública que, para Souza, não passa de uma grande fraude para enriquecer o capital financeiro. Entre outros temas, ele comentou sobre a atitude do Poder Judiciário e sobre a necessidade de se construir espaços de resistência e enfrentamento, como os sindicatos.
Esta é uma matéria parcial. Aguarde a matéria consolidada. Confira também, no Facebook do Sinpro-DF, os vídeos, na íntegra, com a entrevista com o sociólogo e professor Jessé Souza e com a palestra na Mesa intitulada “Conjuntura e os reflexos das políticas do capital global no Brasil e demais países da América Latina”.
Confira, a seguir, os links das matérias produzidas durante o congresso:
 
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Exposição permanente “Chico Mendes, herói do Brasil”

Ao final dos debates desta sexta-feira (17), foi realizado o pré-lançamento da exposição “Chico Mendes, herói do Brasil”. Uma exposição permanente, com quase 100 peças, contando a história de Chico Mendes. Ficará exposta na entrada do auditório da CNTC até sábado (18).
Em seguida, será fechada e só será inaugurada no dia 1º de novembro, no Museu da República. Ela ficará à disposição da população do Distrito Federal entre 1º e 30 de novembro deste ano. Desenhada para ser uma exposição permanente, ela irá para o Acre e ficará, de 15 a 17 de dezembro, no Sindicato dos Trabalhadores de Xapurí, durante a Semana Chico Mendes, data que marca o nascimento e o assassinato brutal do sindicalista.
Em janeiro de 2019, uma cópia dela permanecerá no sindicato acreano e, outra, será enviada ao Sinpro-DF, para ficar, permanentemente, no Espaço Chico Mendes, da Chácara do Professor. “O Sinpro-DF é um parceiro. Em 2015, fui convidada para participar da inauguração desse espaço, na Chácara do Professor e, desde então, temos tido uma parceria importante”, disse Ângela Mendes, filha mais velha de Chico.
Para ela é fundamental a divulgação dos ideais e da história de Chico Mendes. “É bom esse link com o Sinpro-DF porque tem tudo que ver com o legado dele e com o reconhecimento da educação como eixo importante de libertação, como no caso da educação voltada para a floresta, pelo Projeto Seringueiro. Há uma liga entre Chico  e o reconhecimento da educação como uma ação libertadora e da sustentabilidade”, informa a filha.
No imenso legado deixado por Chico Mendes, destacam-se a formação política dos trabalhadores rurais em sindicato; o EMPATE, o Conselho Nacional dos Seringueiros, a Aliança dos Povos da Floresta e seu grande legado: as mais de 90 reservas extrativistas na Amazônia.
“Mas o legado mais importante é que, nos 20 anos da morte de Chico, os seringueiros e extrativistas se uniram e estabeleceram como meta que 10% da Amazônia fosse território de uso coletivo. Hoje eles têm 13%. Porém, é um espaço ameaçado pelas políticas do golpe de 2016”, informa Zezé Weiss, organizadora da exposição.

O Brasil e o mundo vivem momento semelhante ao anterior à Segunda Guerra Mundial

A segunda mesa da tarde desta sexta-feira (17) debateu os impactos do golpe de 2016 e da conjuntura mundial sobre a educação, a diversidade e os direitos humanos no Brasil. Na avaliação da palestrante, Jandyra Uehara, da CUT Nacional, vivemos uma época semelhante à anterior à II Guerra Mundial. “Momento em que houve a ascensão de ideias fascistas e nazistas; uma gravíssima crise econômica que atingiu a classe trabalhadora; a emergência de ideologias de direita; pessoas à deriva no mar; milhões de refugiados tentando escapar da miséria e das guerras; países hegemônicos, no caso, os EUA, separando crianças de seus pais e colocando-as em jaulas. Vivemos um profundo retrocesso nos direitos humanos básicos”, compara.
Ela lembrou que a Declaração Universal dos Direitos Humanos vai completar 70 anos e que foi elaborada, em 1948, nesse contexto de fim da Segunda Guerra Mundial, quando os povos estavam sob a influência dos horrores do fascismo e do nazismo. “Daí a importância de ressaltar que os tempos de hoje guardam semelhanças com o período logo anterior ao da Segunda Guerra.”
Seu parceiro de mesa, Richard Santos, comunicólogo, doutor em ciências sociais e professor do Instituto de Humanidades Artes e Ciências da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), traz uma ideia de solução e vê no modo diferente de fazer educação a saída para tudo isso. Ele mostrou como trabalha, da graduação ao doutorado, a perspectiva da comunicação e da educação em conjunto. Para ele, as duas caminham juntas na construção de uma sociedade livre. “Comunicação e educação dialogam entre si na construção do imaginário. E como o imaginário social é influenciado pelos três pilares: comunicação, educação e família! São ambientes formadores, que, como diz Pierre Bordieu, constroem o habitus”.
Santos falou da importância de se levar textos, profissionais, empoderar professores não brancos, para as salas de aula. “Existe uma lei, a Lei nº 10.639/03, que não é aplicada nas escolas por uma série de ignorâncias e de desrespeito à cidadania e à formação de uma cidadania completa. No Brasil, a gente tem uma história que perpassa todo o processo escravocrata e a gente ainda nem saiu desse momento escravista que o Brasil viveu por mais de 300 anos. E, não ter saído, reflete o tipo de educação que a gente oferece ao ensino básico”.
O professor observou que essa educação subserviente ocorre quando o docente reproduz modos de ensinar importados. “Isso se reproduzem quando trazemos autores e textos estrangeiros e não valorizamos o nacional e, em não valorizando e fazendo essas reproduções, a pessoa não se percebe parte da sociedade. O estudante não vê a sociedade brasileira plural na sala de aula por vários motivos, entre eles, porque não vê essa diversidade representada quando encontra seus professores em qualquer nível de ensino porque há um número muito baixo de professores não brancos e não vê isso refletido no currículo escolar em todos os níveis”, observou.
E deixa o recado: “A gente precisa pensar nessa educação pluriepsitêmica, nessa educação inclusiva para que tenhamos colégios e universidades populares, mas que esse popular seja de eficiência e de alta complexidade”. Confira no site, posteriormente,matéria completa e consolidada.
 

A luta por mais recursos para a Educação através dos royalties

O último dia do 11° Congresso dos (as) Trabalhadores (as) em Educação Chico Mendes começou com a mesa com o tema “Financiamento da educação. Soberania: água e energia”, contando com a presença de Cibele Vieira (diretora da FUP e secretária executiva da CUT/SP) e de Milton Canuto Almeida (professor e consultor técnico em financiamento da educação, planejamento e gestão da educação, plano de carreira e previdência pública).
O intuito da mesa é debater o financiamento da educação a partir da defesa da soberania nacional, com a visão de que recursos oriundos do petróleo e da energia possam ser revertidos para as políticas sociais, principalmente para a educação e saúde.
Em sua apresentação, Milton Almeida apresentou um panorama do financiamento público da educação no Brasil, quais são os seus gargalos e quais as alternativas (saídas) para que a saúde e educação possam ter mais recursos oriundos das arrecadações do Estado.
Como exemplo da realidade tributária brasileira, ele exemplificou que se há problemas na destinação dos recursos, também há na arrecadação dos mesmos. Famílias que ganham até 2 salários mínimos gastam 48,8% da sua renda no pagamento de tributos. Já as mesmas que estão entre os 10% mais pobres, gastam 32,8%. Quem ganha mais de 30 salários mínimos por mês paga apenas 26,3% em impostos e os 10% mais ricos do Brasil, são onerados em só 22,7%.
A repartição desta arrecadação é de 57% para a União, 25% para os estados e 18% para os municípios. Ironicamente, quem mais investe em educação é quem menos recebe as verbas: os municípios, com 42%, seguido pelos estados com 40% e a União gasta apenas 18%. “Um município pequeno do nordeste, por exemplo, não conseguiria pagar 1/5 do piso do professor (que sabemos que é baixo), apenas com os recursos que arrecada”, diz.
Para Milton, a garantia da qualidade social para o financiamento seria possível redefinindo parâmetros da vinculação constitucional, estabelecendo mecanismos de solidariedade no financiamento da educação pública básica e tornando o Fundeb uma política permanente para manutenção exclusiva da educação básica pública.
O professor aponta caminhos para aumentar os recursos para a educação. Um deles seria elevar os royalties sobre a exploração mineral (ferro, alumínio, manganês, ouro e pedras preciosas), pois o quociente brasileiro está muito abaixo de países como Estados Unidos e Canadá. Só elevando esta alíquota, seriam mais R$ 10 bilhões para a educação ao ano.
Outra proposta é o imposto sobre grandes fortunas. O projeto de Lei Complementar 48/2011 está apenas no papel, parado no Congresso. Se aprovado, seriam mais R$ 12,9 bilhões anualmente.
Cibele Vieira apresentou um histórico da exploração petrolífera no país, de como a realidade no país mudou com a exploração do pré-sal e como desde então a Petrobrás está agindo influenciada por interesses do exterior.
“O pré-sal foi descoberto em 2006 e ainda não se tem certeza de tudo o que se tem por lá. A cada dia se descobre que a qualidade do nosso petróleo é maior do que se esperava, que a quantidade encontrada também é superior ao que se imaginava e a vazão também é maior do que a prevista”, aponta Cibele.
A estimativa hoje é que existam cerca de 170 bilhões de barris. Antes do pré-sal, o Brasil possuía 16 bilhões. Atualmente a produção brasileira é a terceira do mundo, atrás da Arábia Saudita e Venezuela.
“Em 2008, ocorreram roubos de HDs e notebooks da Petrobrás (revelados pelo Wikileaks). No ano seguinte, o governo mudou o regime de partilha (mais lucros para a União). Em 2013, ocorreu o primeiro leilão do pré-sal. Já no ano seguinte, a Lava-Jato chega na Petrobrás e dois anos depois, já com o golpe e Pedro Parente no comando da estatal, a lei da partilha foi alterada”, aponta.
A produção nas refinarias hoje está abaixo do que em 2014 e a população sofre com os altos preços dos derivados do petróleo, pois o governo golpista deixa o mercado ditar a regra da flutuação do petróleo, “ao contrário da Dilma que segurou os preços dos combustíveis para não prejudicar a população, afinal a Petrobrás é uma estatal, um braço do próprio governo”, finaliza.
O Sinpro lançou a campanha “Petróleo para Educação. A luta tem que ser agora”, para mobilizar os jovens para a defesa da soberania brasileira na exploração do petróleo e da utilização dos royalties e do fundo social do pré-sal para a Educação. Participe deste movimento, compartilhando a hashtag, pois #EssaRiquezaedoBrasil.
Fotos: Deva Garcia / Sinpro
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Os desafios da educação para o Brasil

Os desafios enfrentados pelo Brasil na Educação foi a temática discorrida no segundo dia de debates do 11º Congresso dos(as) trabalhadores(as) em Educação Chico Mendes. Composta pela professora doutora em Educação pela UnB, Olgamir Amância, pelo professor doutor em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará, Eudes Raiman, e pelo professor e ex-reitor da UnB, José Geraldo de Sousa, a mesa trouxe como tema Os desafios da educação para o Brasil no contexto do golpe de estado e a lógica privatista do mercado neoliberal.
Segundo os palestrantes, a educação foi a primeira área atacada em todas as frentes, exemplo da (contra) reforma do Ensino Médio, do congelamento dos investimentos, da Escola sem Partido, da dilapidação das universidades públicas, a entrada das chamadas Organizações Sociais na educação pública e do sucateamento das universidades e escolas públicas como forma de justificar a privatização da educação. “A educação está no centro do golpe. O projeto do golpe é de atacar um modelo democrático e que visa a valorização do profissional e da educação, para consolidar esta política golpista imposta pelo governo Temer”, ressalta o professor José Geraldo.
Para Olgamir Amância, considerando a importância da educação, a discussão do tema nesse congresso é essencial. “Toda mudança deve ser feito pensando nas melhorias para o país, na educação. A resistência, hoje, é fundamental para que a democracia seja respeitada e que possamos barrar este golpe”. O professor Eudes Baiman finaliza dizendo que a área educacional está na alça de mira das medidas impostas pelo golpe. “O que vemos é a diminuição de verbas para a educação, medidas que modificam vários pontos, exemplo da BNCC e a reforma Trabalhista. Tudo isto destrói a força de trabalho e a busca por uma educação de qualidade”.
 
Tese 1 vence com mais de 80% dos votos
Na manhã dessa sexta-feira (17) foram debatidas as quatro teses apresentadas dentro do prazo estatutário. Após serem colocadas para a apreciação dos delegados e delegadas, foi escolhida como tese guia a de número 1, apoiada pela diretoria do Sinpro, que trouxe como tema: Lutar pela democracia, pela soberania nacional, pelos direitos do povo trabalhador, pela educação pública, gratuita, de qualidade, democrática, inclusiva, laica e para todos e todas. Estatutariamente, o Congresso avalia teses encaminhadas pela categoria e pela própria direção do Sindicato dos Professores.
Segundo o diretor do Sinpro Júlio Barros, que defendeu a proposta vencedora juntamente com o diretor do sindicato Jairo Mendonça, a tese destaca a conjuntura internacional, nacional e local, focando nas políticas educacionais. No Brasil, aprofunda-se o estado de exceção, com as manipulações que romperam a ordem democrática e constitucional, e representam, claramente, os interesses do capital financeiro combinados com um profundo desprezo pela ideia de nação, de identidade e de soberania. No quesito internacional, lembra Jairo Mendonça, a crise do capitalismo e a aplicação por parte de governos neoliberais e sociais democratas de planos de ajuste fiscal inspirados pelo FMI contra os direitos dos trabalhadores levou o povo a votar em partidos conservadores, abrindo espaço para eleição de governos e parlamentares antipovo.
“Colocamos para o plenário que este golpe midiático, jurídico e parlamentar tem um tripé, que era contra a classe trabalhadora. A prisão do presidente Lula e todo esforço empenhado pelos que orquestraram o golpe e pelo juiz Sérgio Moro para que ele não seja candidato é mais um processo do golpe, e precisamos lutar para que a democracia seja respeitada. Por tudo isso o conjunto dos delgados e delegadas compreendeu a nossa mensagem e obtivemos mais de 80% da votação”, ressaltou Júlio Barros.

11º CTE: O papel da comunicação no processo democrático

Na primeira mesa da tarde dessa sexta-feira (17) o jornalista, sociólogo e escritor Laurindo Lalo, e o doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, João Brant, falaram sobre Democratização dos meios de comunicação: o papel da comunicação de massa na consolidação da hegemonia do pensamento único conservador. A temática ganha grande importância devido ao poder dos grandes meios de comunicação como manipuladores da chamada opinião pública, e sua influência nos valores políticos, morais e econômicos da sociedade brasileira. A análise da internet, das novas mídias e de suas influências no convívio social e político atual são fundamentais na busca por alternativas para construir uma comunicação democrática e de acesso a todos.
“O acesso da população a todos os meios de comunicação é fundamental para que a informação seja difundida nos mais variados segmentos da sociedade. O fato da grande imprensa estar nas mãos de poucas famílias e da informação ser totalmente tendenciosa prejudica de forma considerável a democracia e todos os seus processos. Sem a difusão de ideias é impossível ter democracia. É importante a população ter acesso às ideias, teses e opiniões para que ela possa formular e definir suas posições, como seus posicionamentos eleitorais”, ressalta Laurindo Lalo, complementando que “precisamos ter vários meios de comunicação para que a informação possa ser plural e não restrito a poucos espaços”.
Já João Brant ressaltou que comunicação e democracia devem ser tratadas como “irmãs siamesas”. “Se as diferentes visões e pontos de vista não circulam, a sociedade não tem como formar sua visão democrática. No Brasil, a mídia tem apenas um lado, apenas uma visão e é extremamente prejudicial para o pluralismo e para a diversidade de ideias. Precisamos superar essa situação e é urgente a necessidade de novas regras para a mídia brasileira”, finaliza o cientista político.
 
Confira todas as matérias referentes ao 11º CTE:
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As muitas fomes da humanidade

O mundo precisa de beleza. Essa é a mensagem que o téologo e o professor Leonardo Boff trouxe para o magistério público do Distrito Federal durante sua palestra na Mesa intitulada “Você tem fome de quê?”, na noite desta quinta-feira (16).  “O poeta cubano Onélio Cardozo diz que temos fome de pão, que é uma fome saciável; e fome de beleza, que é insaciável. Junto com isso, cito uma frase do escritor russo, Fiódor Dostoiévski, em que ele diz que é a beleza que irá salvar o mundo. Temos fome de beleza”, disse.

Boff explicou o que significa essa beleza: “Temos muitas fomes. Algumas são saciáveis. E, as mais profundas, são insaciáveis. A existência humana só ganha sentido quando ela procura espicular as duas fomes: a fome de pão, de convivência, de cuidado com a natureza; mas também fome de infinito, solidariedade, transcendência. O ser humano tem as duas coisas. Para ele a plena humanidade se dá da articulação das muitas fomes que ele tem, alguma saciáveis como a do pão; outras insaciáveis como a de beleza e a de transcência”.

Com esse tema, ele trouxe para a abertura do congresso uma nova reflexão sobre as várias fomes que vão desde o cuidado com o próprio corpo até o cuidado com a natureza, da compaixão e solidariedade até a educação, a espiritualidade como dimensão do profundo do ser humano.  Para Boff, a humanidade precisa encontrar, urgentemente, o “ponto Deus” do cérebro e pôr em prática a vantagem evolutiva de que desfruta.

Confira, posteriormente, matéria completa e consolidada com entrevista exclusiva do teólogo Leonardo Boff para o Sinpro-DF.

Congresso homenageia o sindicalista assassinado Chico Mendes

Historicamente, os congressos do Sinpro-DF debatem grandes temas de interesse da categoria relacionados aos governos local, federal e internacional, nas áreas relacionadas ao trabalho e à educação. No caso atual, a conjuntura é de grandes retrocessos, daí a tarefa dos participantes de apontar as demandas, os desafios e as lutas para o próximo triênio.

Esse debate chega à escola quando a categoria define os desafios que precisam ser enfrentados com maior urgência, a médio e a longo prazos. Este ano, o desafio está estritamente ligado aos problemas ambientais. A crise da água chegou no país. No Distrito Federal, o racionamento afetou a todos.

São os efeitos da exploração desenfreada dos recursos naturais da Terra para atender aos interesses de lucro dos grandes capitalistas. A crise ambiental inspirou o tema e a homenagem desta edição do congresso.  Assim, o 11º Congresso homenageia Chico Mendes e traz a água e o meio ambiente como tema.

Trata-se de um conteúdo que lidera a ordem mundial, a pauta de todas as políticas sociais e é pano de fundo de todo o debate político e econômico de todos os países do mundo. É um tema profundo que interfere em cada assunto relacionado ao ser humano, sobretudo no campo da educação, uma vez que esse é um tema no qual a categoria está inserta e se reconhece nele, podendo interagir e modificar situações de crises.

A pauta ambiental se conecta com vários mártires brasileiros e mundiais que lutou por uma sociedade mais justa, mas, em 2018, completam 30 anos do assassinato do sindicalista e seringueiro Chico Mendes. A homenagem do 11º Congresso das/os Trabalhadoras/es em Educação não poderia ser outra. Seringueiro e ativista ambiental, Mendes foi brutalmente assassinado, em dezembro de 1988, porque lutou em favor dos seringueiros da Bacia Amazônica, cuja subsistência dependia da preservação da floresta e das seringueiras nativas.

Na época, seu ativismo lhe trouxe reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, a ira de grandes fazendeiros e latifundiários locais que viviam e vivem até hoje da extração desenfreada e ilegal da madeira e dos minerais amazônidas. O tema remete ainda à pauta ambiental do DF este ano. No primeiro semestre, foram realizados o Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama) e o Fórum Mundial da Água. O Concurso de Redação do Sinpro-DF abordou o tema da água.

Foto: Ecom

 

Começa o 11º Congresso das/os Trabalhadoras/es em Educação Chico Mendes

Começou, nesta quinta-feira (16) e vai sábado (18), o 11º Congresso das/os Trabalhadoras/es em Educação Chico Mendes. Nesta edição, há 780 inscritos, além da participação dos palestrantes. A abertura contou com a apresentação artístico-cultural dos Kamaiurás, um povo indígena referência na área cultural do Alto Xingu, além da palestra do professor e teólogo Leonardo Boff e da leitura e aprovação do Regimento Interno do congresso.

O Congresso do Sinpro é instituído pelo Estatuto do sindicado, que prevê sua realização a cada triênio. Ou seja, a cada 3 anos, a categoria deve se unir ao sindicato para realizar um grande debate dando conta das análises de conjuntura e definir as diretrizes que nortearão as ações e as políticas sindicai. E serve para orientar politicamente a categoria do magistério público do Distrito Federal sobre todas as questões da vida laboral e pessoal de cada professor(a) e orientador(a) educacional. É o momento em que a categoria se reúne com a diretoria do sindicato para discutir os grandes temas que envolvem as questões salariais, trabalhistas, sindicais, políticas, econômicas, pedagógicas, educacionais, culturais etc

“Este congresso tem uma razão mais forte por causa do momento em que o país vive: um golpe de Estado que retira direitos conquistados, ataca a democracia, elimina direitos sociais  consagrados na Constituição e, juntamente com tudo isso, começa o processo eleitoral. Mais do que nunca se faz necessário o profundo debate sobre essa situação e os impactos dela na educação”, analisa Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.

Previsto para ocorrer em maio, o 11º Congresso das/os Trabalhadoras/es em Educação Chico Mendes teve de ser adiado para os dias 16, 17 e 18 de agosto deste ano. Os Grupos de Trabalho (GT), que discutiram antecipadamente os temas do meio ambiente, da saúde do trabalhador e da escola inserida no contexto de exclusão social, respectivamente, nos dias 3, 4 e 9 de agosto, com participação da categoria.

A Mesa de Abertura contou com a presença de Rosilene Corrêa (Sinpro-DF e CNTE), Rodrigo Rodrigues (CUT), Fátima Silva (CNTE), Rodrigo de Paula (Contee), Klerton Evaristo, Ângela Mendes (filha de Chico Mendes), Marcelo Acácio e Daniel Fernandes (movimento estudantil), Marco Antônio Barata (MST). Todos falaram do golpe e dos prejuízos que estão sendo impostos à classe trabalhadora. Todos defenderam a revogação das reformas que retiram direitos e promovem o atraso do Brasil.

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