Feira Cultural de Professoras(es) e Orientadoras(es) Educacionais Aposentadas(os). Inscrições abertas!

O Sindicato dos professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) realizará, por intermédio da Secretaria para Assuntos dos Aposentados, uma feira cultural das(os) professoras(es) e orientadoras(es) educacionais aposentadas(os), no dia 8 de agosto de 2018, na Praça do Relógio, em Taguatinga, das 9h às 18h.
É a primeira vez que o sindicato realiza uma atividade em que professoras(es) e orientadoras(es) educacionais aposentadas(os) – que sejam poetisas e poetas, artesãs e artesãos, escritoras e escritores, musicistas e instrumentistas entre outras atividades e qualidades culturais – terão a oportunidade de expor seus trabalhos.
Faça a sua inscrição até o dia 25 de julho pelos telefones: 3343-4204 e 3343-4235.

XVII Semana de Luta da Pessoa com Deficiência é o destaque do Programa Alternativo deste sábado (16)

A XVII Semana de Luta da Pessoa com Deficiência, projeto desenvolvido na Escola Parque 313/314 Sul – em setembro passado – é o destaque do Programa Alternativo deste sábado (16/6).
De acordo com o professor Marco Aurélio Baima Ferreira, o tema maior trabalhado durante a atividade foi a amizade. “A partir daí alcançamos e abordamos a ética, o compromisso, o respeito humano, os direitos da pessoa ao convívio social, entre outras questões relevantes”, comenta.
O Programa, apresentado pelo SBT, vai ao ar sempre aos sábados, às 12h30, e mostra entrevistas e matérias referentes à realidade da educação no Distrito Federal. Um dos objetivos é oferecer a oportunidade para que escolas e professores participem da discussão e enviem sugestões para os próximos programas. As pautas podem ser mandadas para o e-mail faleconoscoimprensa@sinprodf.org.br.

Tem "arraiá" no CEF 106 do Recanto das Emas, neste sábado (16)

Essa é para ninguém perder. O CEF 106 do Recanto das Emas promove o “Arraiá Show de Bola”, neste sábado (16), a partir das 11h.
Não vai faltar dança de comunidade, apresentação de Quadrilhas e até dança dos professores.
Durante a festa junina haverá rifa de uma linda bicicleta, bingo de um tanquinho de lavar roupa e mais uma goleada de prêmios.
Participe!!!
Confira abaixo o vídeo-convite enviado ao Sinpro-DF pela escola:

Deputado Laerte Bessa é derrotado após propor retirada de recursos da Educação do DF

O deputado federal Laerte Bessa (PR) foi derrotado ao tentar retirar mais de R$ 1 bilhão de recursos da Educação e da Saúde do Distrito Federal. No final da noite desta quarta-feira (13) a Câmara colocou na pauta a votação da Medida Provisória nº 821, que cria o Ministério da Segurança Pública. Aproveitando a votação da proposta, o parlamentar apresentou uma emenda à MP propondo transferir o Fundo Constitucional do DF para o novo ministério, mudando toda a divisão dos recursos do Fundo.
Bem atrapalhado, o deputado Laerte Bessa pediu a fala durante a votação de outra proposta para defender a aprovação de sua emenda, que ainda não estava sendo apreciada pelo plenário da Câmara. De imediato o parlamentar foi duramente criticado por deputados do DF e de todos os estados do país. Com isto, antes mesmo de ter sua emenda submetida à votação, Bessa, percebendo que seria derrotado de forma vergonhosa, retirou sua proposta.
Para a deputada Erika Kokay, a mobilização do Sinpro e dos professores foi fundamental para que o deputado Bessa retirasse a emenda que tirava recursos da Educação. “Nós combatemos isto de forma muito intensa, mas inegavelmente a velocidade com que o Sinpro trabalhou divulgando nas redes sociais e vindo aqui foi muito importante para que conseguíssemos retirar esta emenda. Se fosse aprovada, a Saúde perderia 4% (de 24% para 20%) dos recursos do Fundo e a Educação, cerca de 4% (de 18% para 14%). Seriam mais de 433 milhões que sairiam da Educação e seriam drenados para a segurança”, ressalta a deputada.
A Medida Provisória que cria o Ministério de Segurança Pública será encaminhada ao Senado Federal sem nenhuma alteração no Fundo Constitucional.

Debate: “Por que afirmamos que é golpe?”, nesta quinta-feira (14)


Nesta quinta-feira (14/6), o auditório da CUT Brasília será palco do debate “Por que afirmamos que é Golpe?” sobre o ataque político-jurídico-midiático que atingiu o país em 2016 e destituiu uma presidenta legitimamente eleita pelo povo brasileiro. A atividade terá como debatedor o professor de Ciência Política da UnB, Luis Felipe Miguel, e inicia às 19h.
A CUT Brasília funciona no SDS – Setor de Diversões Sul – Edifício Venâncio V, bloco R, subsolo, lojas 4, 14 e 20.
A Secretaria de Formação Sindical do Sinpro-DF convida a categoria a participar do evento.
>>> Clique aqui e saiba mais.

Sinpro convoca a categoria a comparecer à Câmara Federal imediatamente. Emenda pode retirar 1 bi da Educação

A diretoria colegiada do Sinpro convoca os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais a comparecerem à Câmara Federal neste momento para lutar contra a aprovação de um projeto que pode retirar recursos previstos no Fundo Constitucional para as áreas da Educação e da Saúde do Distrito Federal. O governo federal criou, por meio da Medida Provisória nº 821, o Ministério da Segurança Pública. A manobra retira, anualmente, mais de R$ 1 bilhão das duas áreas e entrou em pauta no final da tarde desta quarta-feira (13).
Após a apresentação da Medida Provisória, o deputado federal Laerte Bessa (PR) propôs uma emenda à MP transferindo a segurança pública do DF (Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros) para o Ministério de Segurança, na tentativa de federalizar a segurança da capital. Além disto, propôs a transferência de recursos do Fundo Constitucional (R$ 1 bilhão) para o novo Ministério.
Com esta manobra do parlamentar, a autonomia financeira do Distrito Federal em relação às áreas da Educação e da Saúde é rompida, tendo em vista que teremos 1 bilhão a menos para se investir nestes dois setores. Trata-se, portanto, do maior retrocesso já realizado nos últimos tempos. É bom lembrar que nos tempos que o Fundo Constitucional não existia, havia grandes dificuldades em se pagar o 13º e as férias dos(as) professores(as) e orientadores(as).
Na avaliação da diretoria do Sinpro, este é um retrocesso na autonomia financeira do Distrito Federal, em destaque para a Educação. Desde 2003, quando o Fundo passou a ser repassado para o GDF, todas as discussões sobre orçamento para a Educação, questões salariais, condições de trabalho e investimento na educação pública passaram a ser discutidos diretamente com o governo do DF. Caso seja aprovada, esta Medida Provisória acabará com este procedimento, prejudicando consideravelmente estas duas áreas.
Diante de mais esta tentativa em se prejudicar e precarizar a Educação, convocamos toda a categoria para ir ao Congresso Federal e cobrar os deputados a votarem contra esta manobra, que faz parte do golpe.

A contratação de assistentes de alfabetização pelo GDF é o tema na TV Sinpro na TV Comunitária desta terça (12)

A TV Sinpro na TV Comunitária desta terça-feira (12) abre espaço para debater um tema que, infelizmente, vem ganhando espaço no governo de Rodrigo Rollemberg (PSB): A contratação de assistentes de alfabetização. Além de deflagrar a sanha privatista do GDF, esta terceirização precariza o trabalho da mulher e se apresenta, de forma totalmente equivocada, como instrumento de salvação do objeto sucateado e mecanismo de mercantilização do direito social à educação. Para falar um pouco mais sobre o assunto foi convidada a pedagoga, professora itinerante da Escola Bilíngue de Taguatinga, especialista em educação, gestão e democracia, mestra em neurociência do comportamento e doutoranda em educação, Olga Freitas.
Entre professores(as) e orientadores(as) educacionais, é quase unânime a opinião de que a contratação em curso, de Assistentes de Alfabetização, sem a formação necessária, como prevê o Programa Mais Educação, é um mecanismo do governo ilegítimo de Michel Temer, e também do governo neoliberal de Rollemberg de precarizar o trabalho docente para mercantilizar a educação pública e gratuita e usar as vagas de pedagogo(a) e professor(a) para uso político e contratação sem vínculo empregatício de qualquer pessoa para alfabetizar crianças.
O programa TV Sinpro na TV Comunitária desta terça vai ao ar às 17h, ao vivo, na página do Sinpro no Facebook. O programa também é disponibilizado no Canal 12 da NET, no site e na fanpage da TV Comunitária.
 
As reprises do programa são exibidas no decorrer da semana. Confira a programação a seguir:
 
Terças – 22h
Quartas – 18h30
Quinta – 13h30 e 22h30
Sábado – 13h
Domingo – 18h30

No Brasil, sete crianças são vítimas de acidentes graves no trabalho, por dia


Mais do que perder a infância exercendo atividades precoces, crianças e adolescentes mais pobres e vulneráveis no Brasil inteiro estão morrendo ou ficando mutiladas, vítimas de acidentes graves, em trabalhos insalubres e perigosos.
E os descalabros da política econômica do ilegítimo e golpista de Michel Temer (MDB-SP), que vem cortando benefícios sociais, como o Programa Bolsa Família e outros de incentivos à educação, colocam o futuro de toda uma geração em risco, alerta a secretária de Direitos Humanos da CUT, Jandyra Uehara.
“Em meio às mazelas do desemprego em massa e da destruição das políticas sociais, o trabalho infantil cresce”, diz a dirigente.
“É preciso dar um basta nesta situação degradante. E isto só acontecerá com o povo nas ruas exigindo direitos, emprego e democracia”.
Dia nacional de combate ao trabalho infantil
Para sensibilizar a sociedade sobre esse gravíssimo problema, tentar mudar essa realidade e alcançar a meta mundial de erradicação do trabalho infantil em 2025, o Ministério Público do Trabalho (MPT) promove ações, como o Dia Nacional de Combate à Exploração do Trabalho Infantil, em 12 de junho – data escolhida pela Organização Mundial do Trabalho (OIT), em 2002, quando foi entregue na sede da entidade o relatório global sobre o trabalho infantil. No Brasil, a data passou a vigorar em 2007.
Para a coordenadora nacional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração Infantil da Criança e do Adolescente (Coordinfância), do MPT, Patrícia Sanfelici, é preciso fazer a sociedade se sensibilizar e refletir sobre os riscos que as crianças e jovens correm nos ambientes de trabalho.
“Eles não têm estrutura física e emocional para suportar certas exigências. Não podemos aceitar o trabalho infantil. A criança deve estudar”.
Por dia, sete crianças são vítimas de acidentes
No Brasil, cerca de 2,7 milhões de crianças e adolescentes, na faixa etária de 5 a 17 anos, são explorados pelo trabalho precoce e diariamente pelo menos sete crianças e adolescentes são vítimas de acidentes graves no trabalho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2015), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A procuradora Patrícia Sanfelici alerta também para os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), órgão do Ministério da Saúde, sobre acidentes no trabalho. Segundo ela, somente entre 2007 e 2015, 187 crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, morreram e houve 518 casos de vítimas que tiveram a mão amputada no trabalho.
Já nos últimos seis anos, de 2012 a 2017, 15.675 crianças e adolescentes de até 17 anos foram vítimas de acidentes graves no trabalho, segundo o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, ferramenta do MPT e da OIT.
Do total de vítimas, 72% (11.329) são do sexo masculino e 27,7% (4.346) são do sexo feminino.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), os números oficiais ainda podem ser maiores já que as estatísticas não consideram as vítimas do narcotráfico e nem de outras atividades ilícitas e insalubres.
“Existe uma discrepância entre o número de denúncias que chegam ao MPT e as ações que realmente ocorrem porque há uma tolerância social em torno dessa questão. A sociedade brasileira tem o discurso de que é melhor a criança trabalhar do que estar roubando ou envolvida com drogas”, lamenta a procuradora do MPT.
A Coordinfância
A Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração Infantil da Criança e do Adolescente tem como objetivo pensar e colocar em prática estratégias de atuação que permitam ao MPT atuar para erradicar o trabalho infantil.
São oito coordenadorias nacionais que promovem em todo o país, ações articuladas para dar unidade no tratamento do problema.
A Coordinfância trabalha três eixos:
– a educação: junto a professores e educadores em salas de aula, demonstra que o trabalho infantil não é alternativa de vida para uma criança. A ação prevê a multiplicação da informação por meio dos estudantes que levam para dentro de suas casas e de suas comunidades, a importância do combate ao trabalho infantil.
– a profissionalização: identifica empresas que não cumprem as cotas de aprendizado para sensibilizá-las sobre a importância desse programa como forma de combater o trabalho infantil, que atinge mais as famílias em vulnerabilidade social.
– políticas públicas: procura ampliar nos municípios a rede de proteção às crianças e conscientizar as autoridades locais que o trabalho infantil é uma violência contra a infância, e para acabar com ele é preciso esforços de todos.
MPT – Mitos e Verdades do Trabalho Infantil em Quadrinhos
Para ajudar no combate ao trabalho infantil, o MPT lançou uma cartilha em quadrinhos para explicar os mitos e verdades sobre o assunto.
Clique aqui e leia mais
Fonte: CUT Nacional

Contratação de Assistentes de Alfabetização desqualifica o pedagogo e o trabalho da mulher

Quando Darcy Ribeiro disse que “a crise da Educação no Brasil não é uma crise, e sim um projeto”, ele não poderia imaginar que aquela situação imposta pelos generais poderia piorar mil vezes mais de 20 anos depois de abolida a ditadura militar. Ele disse isso em 1977, numa palestra que denominou de “Sobre o óbvio”, num congresso da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
A frase do antropólogo, educador, romancista e político soa hoje como um vaticínio, ou um mau presságio. A prova está no Distrito Federal. Guiado por uma sanha irrefreável de privatização, desde que ocupou o Palácio do Buriti, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) busca uma forma (ou fórmula) neoliberal de introduzir na educação pública e gratuita do DF aquilo que os militares tentaram impor nos anos 1960 e 1970: um sucateamento irreversível, pensado e elaborado pelo projeto MEC-USAID, que vai desde a não ampliação de rede para não atender adequadamente à demanda sempre crescente da sociedade brasiliense por educação pública e gratuita até a adoção da terceirização como instrumento de salvação do objeto sucateado e mecanismo de mercantilização do direito social à educação.
Nesta terceira matéria da série “Terceirização no magistério público do DF”, o Sinpro-DF mostra como a adesão do Governo do Distrito Federal (GDF) ao Programa Mais Educação, de um governo ilegítimo na esfera federal, visa a, dentre outras formas de sucateamento, desqualificar a pedagogia e desvalorizar a importância da presença do(a) pedagogo(a) na alfabetização de crianças e até mesmo de adultos no sistema de ensino.
É quase unânime, entre professores(as) e orientadores(as) educacionais, a opinião de que a contratação, em curso, de Assistentes de Alfabetização, sem a formação necessária, como prevê o Programa Mais Educação, é um mecanismo do governo ilegítimo de Michel Temer, e também do governo neoliberal de Rollemberg, de precarizar o trabalho docente para mercantilizar a educação pública e gratuita e usar as vagas de pedagogo(a) e professor(a) para uso político e contratação sem vínculo empregatício de qualquer pessoa para alfabetizar crianças.
“Um prejuízo absoluto não só para a categoria e carreira do magistério público, mas também para as crianças brasilienses em formação pela rede pública de ensino. No Distrito Federal, essa alfabetização sem a qualificação necessária isso não se aplica. Nós, desde 2008-2009 trabalhamos com blocos de iniciação que compreende 3 anos. Não se fala mais em alfabetização em 2 anos. A gente trabalha por 3 anos nesse bloco inicial. 1º, 2º e 3º Anos. E esse processo é dentro de um ciclo. Essa criança não vai ficar retida numa etapa, num período porque ela não construiu determinadas propostas, não alcançou determinados objetivos propostos”, analisa a diretoria colegiada do Sinpro-DF.
A diretoria esclarece que, no DF, a criança avança com seus pares para as etapas seguintes porque também nessa perspectiva sociointeracionista de ela se vir junto com seus pares e aprendendo junto com eles dentro de um contexto que lhe é de afinidade, dentro de seu campo de afinidades, com colegas que ela conhece, não existe isso de ela ficar para trás e os outros avançarem. No DF temos um ciclo de 3 anos. A criança será respeitada no seu processo infantil, de maturidade cognitiva, motora, até mesmo, neurológica, e dentro desse processo e dessas etapas do desenvolvimento esta criança vai sendo instrumentalizada com os processos dos códigos linguísticos e outros procedimentos curriculares para aprender a leitura e a escrita dentro de um contexto social necessário.
Onze prejuízos imediatos
Anderson de Oliveira Corrêa, diretor de Política Educacional do Sinpro-DF, enumera onze problemas relacionados a essa contratação. ” Primeiro, é um programa que desvaloriza o magistério público com contratações precárias de pedagogos;  segundo, contrata de forma precária os docentes, prejudicando as nomeações de professores na rede pública de ensino; terceiro, no DF, na rede pública de ensino, temos a gestão democrática, a direção não pode tomar essa decisão sozinha, e sim com professores/as, orientadores/as e toda comunidade escolar;  quarto, ao precarizar, subtrai a autonomia do professor e da própria escola;  quinto, a alfabetização desqualificada tem a ideia reducionista de que a escola é apenas transmissora de conteúdos, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo do estudante, a escola deixa de ter o papel fundamental de formação humana; sexto, essa contratação apresenta-se com mão de obra barata sem direitos trabalhistas, apenas um colaborador no sistema educacional; sétimo e oitavo, segundo Paulo Freire, os princípios freirianos são organizados por eixos temáticos com propostas de alfabetização, esse método deve ser organizado na rede pública por profissional qualificado e formação continuada; nono, o alfabetizador desqualificado é um transmissor de conteúdos sem metodologia com didática rígida e sem rota de aprendizagem, o pedagogo com formação superior e continuada alfabetiza com ênfase no desenvolvimento motor e cognitivo do educando, produz conteúdos interativos de forma planejada e sistemática; décimo, a escola integral auxilia no conjunto de aprendizagens necessárias para alfabetização na idade certa; e, décimo primeiro, trata-se de um profissional essencial no auxilio da alfabetização na educação infantil, pois essa atividade promove estímulos físicos, intelectual e cognitivo do educando”.
Assim, na opinião do diretor, ao aderir ao programa do Ministério da Educação (MEC) e pôr em curso a seleção simplificada para contratação de Assistentes de Alfabetização por meio da lei do voluntariado, mas pagando aos contratados um valor irrisório de R$ 150 ou R$ 300 para atuarem durante 4, 5 horas por dia em sala de aula como auxiliares alfabetizadores, mais do que sucatear a educação, o governo Rollemberg prejudica milhões de crianças que precisam da rede pública de ensino para sua formação inicial.  Na avaliação da diretoria colegiada do Sinpro-DF, um governante sério considera fundamental que a alfabetização de crianças seja conduzida e executada por pessoa concursada, qualificada, com formação (inicial e continuada) do pedagogo para atuação em alfabetização.
“Se não é a ideal, que seja a melhor possibilidade de chegar ao estudante com dificuldade de aprendizagem e alfabetizá-lo ao seu tempo e ritmo. É o profissional pedagogo quem se preparou para cumprir esta tarefa e não será um monitor que vai dar conta dessas respostas. Poderá ele tapar o sol com a peneira e é isso que o governo pretende ao não investir em contratação por meio de concurso público de mais professores dos anos iniciais, colocar um provisório não resolverá o problema. Além de contratar, evidentemente, será necessário dar as condições para a atuação e o trabalho docente nas turmas de alfabetização e, claro, em todo o sistema de ensino. Isso requer investimento”, assegura Cláudio Antunes, coordenador de Imprensa do Sinpro-DF.
Categoria docente entre o espanto e a dúvida
Entre a categoria docente, há um misto de espanto e dúvida sobre esse procedimento. Mas, em várias escolas, as diretorias não titubearam. Identificaram o pretexto do programa federal e não aceitaram a proposta do governo. Perceberem uma “jogada” que, dentre vários tipos de prejuízos, visa a desvalorizar os(as) professionais de pedagogia e a própria educação pública. Diante dessas evidências, gestores de várias unidades escolares recuaram e, outros, recusaram-se a receber nas escolas em que administram uma mão de obra precarizada, tida como voluntária, mas a receber uma espécie de pró-labore para “auxiliar” professores(as) de Atividades. Leila Maria de Jesus Oliveira, professora da Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF), mestre em educação e educadora popular, considera um assombro, na alfabetização de crianças, a atuação de pessoas leigas na pedagogia em turmas de alfabetização, preenchendo uma lacuna de investimento na contratação de professores(as) para os anos iniciais.
“O que parece ser uma salvação para as escolas, que vivem no atual governo uma instabilidade muito grande, haja vista a baixa nos recursos do PDAF, turmas que voltam a estar lotadas, alimentação escolar que não supre o mínimo e a baixa contratação de professores concursados, na verdade cria uma cortina e aumenta a instabilidade nas relações pessoais e pedagógicas nas escolas. Não creio que o auxílio externo de uma pessoa leiga em pedagogia, nos processos de desenvolvimento infantil, no desenvolvimento das aprendizagens possa colaborar com a alfabetização de crianças que por diversos motivos ainda não alcançaram plenamente a alfabetização. Para mim, um grande risco será confundir a aprendizagem com a decoreba e um processo mecânico e repetitivo de alfabetização se instalar nas escolas e nas turmas de alfabetização”.
Leila alerta para o fato de que não se pode justificar essa contratação com o argumento de que o Método Paulo Freire permite que a alfabetização seja ministrada por qualquer pessoa. “As crianças que estão em estado de desenvolvimento físico, psíquico e intelectual. Estão constituindo os seus saberes de vida. Qualquer movimento desajustado pode influenciar sobremaneira na via escolar deste estudante. Requer, por isso, um conhecimento muito maior do que um livro cartilha ou didático. Requer saber aspectos do desenvolvimento infantil, da aprendizagem, do motor que somente em anos de estudo (e para mais que anos de estudo) se pode ter acesso e aprofundar. Não é somente entrar na sala e “alfabetizar” mecanicamente”.
E explica que “não se pode confundir a alfabetização de jovens e adultos com a alfabetização de crianças. Na educação de pessoas jovens e adultas a maior preocupação é não infantilizar o processo educativo e o currículo. Uma abordagem de leigos na alfabetização de pessoas jovens e adultas é uma relação de troca de saberes e aprendizagens entre sujeitos de uma mesma maturidade emocional e cronológica. É uma relação de sujeitos adultos em que ambos ensinam e aprendem com suas experiências de vida. Não há o saber mais ou o saber menos, como aponta Paulo Freire, são saberes diferentes. Isso influencia na relação ensino-aprendizagem em que um método de alfabetização pode ser aplicado por pessoas leigas em pedagogia para pessoas adultas não escolarizadas”.
A precarização do trabalho da mulher
Olga Cristina Rocha de Freitas, pedagoga, professora itinerante da Escola Bilíngue de Taguatinga, especialista em educação, gestão e democracia,  mestra em neurociência do comportamento e doutoranda em educação, diz que, para além da  desqualificação do curso de Pedagogia e da precarização do trabalho das pedagogas, a contratação de Assistentes de Alfabetização nos termos em que o Programa Mais Alfabetização propõe, significa também uma precarização do trabalho da mulher.
“Se considerarmos que, em todo o Brasil, apenas na carreira magistério, as mulheres são quase 80% do quadro – era 76,4%, em 2015 – e se considerarmos ainda que  o maior número de professoras atua nos anos iniciais e na educação infantil, etapas em que se situa o maior número de estudantes, nós também poderemos refletir que a precarização do trabalho das(os) pedagogas(os) é uma precarização do trabalho da mulher. Significa dizer  que a cultura machista do século XIX, que autorizou a mulher a ingressar no mundo do trabalho por meio do magistério, ainda está muito presente, muito latente na sociedade de agora. O  que se está dizendo nas entrelinhas  é que este é um trabalho que não requer especialização, grandes estudos;  que pessoas leigas podem realizá-lo,  porque apenas extensão da “vocação natural” da mulher para os cuidados com os pequenos e, portanto, trivial.  Mas este é um pensamento retrógrado,  que vai na contramão   daquilo que já está consolidado, científica e academicamente:  não é algo trivial alfabetizar uma criança;  não é tarefa que dispense  a especialização de saberes, o conhecimento específico sobre o desenvolvimento infantil e suas interfaces com as outras áreas do conhecimento, por exemplo”, avalia.
Ela afirma “o curso de Pedagogia é  único, pois alia o conhecimento das etapas e processos do  desenvolvimento infantil aos fundamentos teórico-metodológicos necessários à implementação de estratégias de ensino em todas as  áreas do conhecimento.” E explica ainda que o curso de pedagogia também contempla em seu currículo disciplinas como Sociologia, História e Filosofia da Educação, que propõem uma visão reflexiva sobre o função social da educação e da escola,  e a importância da(o) professora(or) como agente de transformação da sociedade. E não se pode deixar de mencionar os estudos sobre os diferentes tipos de deficiências e necessidades especiais, que requerem diferentes organizações do trabalho pedagógico e estratégias de ensino.
Todos esses conhecimentos reunidos formam uma profissional singular, competente para atuar nas primeiras fases da infância, em diferentes contextos, promovendo uma aprendizagem significativa, duradoura e exitosa. “Mas o GDF confirma sua opção pelo desmonte da educação pública  e, desconsiderando que a alfabetização é a mais importante fase da escolarização, insiste na contratação de pessoas leigas, para as quais será ofertada uma formação mínima,  meramente instrucionista, com foco no processo mecânico de codificação/decodificação da língua”, diz Olga.
Ela diz que o pior é a falta de uma formação sólida, consistente, como a do curso de Pedagogia, sem dúvida, resultará em “assistentes” que irão simplesmente reproduzir uma metodologia,  sem a necessária reflexão, crítica, contextualização. É tudo o que um projeto de governo neoliberal,  retrógrado, precisa e deseja. Ao se preparar mecanicamente os formadores, estes replicarão, também mecanicamente, o que lhes foi orientado,  contribuindo para  a formação de uma população acrítica, ensinada apenas a reproduzir, sem a devida contextualização, os códigos linguísticos; sem associar a tecnologia da leitura e escrita ao cenário em que ela se dá;  ao seu próprio contexto sócio-histórico. Ler e escrever são ferramentas políticas, de libertação, emancipação dos sujeitos. Se desenvolvidas nessa perspectiva, tornam-se um risco a quem tira proveito da ignorância alheia.
“Não se trata apenas da apropriação do código linguístico, mas do uso social desse código, do letramento de quem o usa, ou dos letramentos, porque ler e escrever abre as portas para o letramento matemático, científico, tecnológico.” E o curso de pedagogia é, hoje,  o único curso de formação de professoras/es que contempla, em seu currículo, disciplinas que oferecem ferramentas didático-pedagógicas para o ensino das linguagens, das ciências sociais e humanas, das ciências da natureza e da matemática”,  e de acordo com as etapas de desenvolvimento da criança. “Claro que ainda há  uma grande lacuna entre teoria e prática  nos cursos de pedagogia que, em geral, são mais teóricos. A (o) estudante de pedagogia chega à escola com  um repertório experiencial insuficiente para atuar com autonomia e considerando a diversidade de estilos cognitivos, mas, mesmo assim, é o único curso que oferece essas ferramentas, sem as quais, a alfabetização, principalmente numa perspectiva histórico-crítica, terá pouco ou nenhum êxito”, afirma Olga.
Confira a seguir, as duas primeiras matérias da série “Terceirização no magistério público do DF”:
GDF manipula informação para população pensar que Rollemberg cumpre o PDE
O Programa Mais Alfabetização e a precarização do trabalho docente no DF

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