Rede de Mulheres se reúne para discutir conjuntura e atuação das sindicalistas
Jornalista: Maria Carla
Mais de 60 lideranças sindicais participaram do encontro subregional da Rede de Mulheres da Internacional da Educação para a América Latina. Realizado em São Paulo, entre os dias 26 e 28 de outubro, o encontro discutiu a conjuntura latino-americana e contou com a participação de trabalhadoras da educacional que atuam nas sub-regiões do Cone Sul e Andina.
“O objetivo desse encontro foi construir uma frente a essa conjuntura de retrocesso na América Latina e como nós, mulheres, podemos nos organizar em nossas entidades, sejam locais, como o Sinpro-DF, como nacionais, CNTE, para mantermos direitos conquistados e também para que possamos avançar na mobilização das mulheres para enfrentar essa realidade. Foi muito proveitoso porque compartilhamos experiências dos vários países latino-americanos”, explica Vilmara Carmo, coordenadora da Secretaria para Assuntos e Políticas para Mulheres Educadoras do Sinpro-DF.
Além de Vilmara, participaram também as diretoras Ruth Oliveira Tavares Brochado e Maria Goretti Oliveira Cunha, da Secretaria de Mulheres, e Berenice D’Arc, coordenadora da Secretaria de Política Educacional. A atividade abriu o debate sobre a participação política das mulheres a partir do que fazem no movimento sindical no continente.
Foram três dias de intensos debates, estudos, reflexões e elaboração de estratégias para o desenvolvimento de políticas sindicais que visem a empoderar a participação das mulheres. O encontro foi realizado pela Internacional de Educação para América Latina (IEAL) com a colaboração de sua afiliada brasileira, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), e contou com a participação de 66 mulheres, representantes de 18 entidades sindicais filiados à CNTE.
Participaram 16 professores representantes de 13 sindicatos de países latino-americanos, como CTERA, CEA e CONADU, da Argentina; CONMERB e CTEUB, da Bolívia; ASPU, da Colombia; AJUNJI e CONFEMUCH, do Chile; OTEP-A e UNE-SN, do Paraguai; SUTEP , do Peru; e FUMTEP e FENAPES, do Uruguai.
Na abertura da Mesa principal, Marta Vanelli, secretária Geral da CNTE; Fátima Silva, secretária de Relações Internacionais da CNTE e vice-presidente do Comitê Regional da Internacional da Educação para América Latina; Sílvia Almeida, representante do PROIFES – uma das entidades sindicais de professores da educação superior filiada à Internacional da Educação; Combertty Rodríguez, coordenador principal da Internacional da Educação para América Latina; Gabriela Sancho e Gabriel Castro, coordenadores da IEAL.
Prazo para se inscrever no VII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro termina nesta sexta (04)
Jornalista: Luis Ricardo
O prazo para fazer a inscrição no VII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF termina nesta sexta-feira (04). O Sinpro-DF prorrogou este prazo e os(as) interessados devem acessar o link do concurso para efetuar a inscrição. O tema deste ano é uma indagação: Eu, a educação e a democracia transformamos o mundo? As inscrições foram abertas no dia 26 de agosto.
Com essa pergunta, o Sinpro-DF pretende suscitar a reflexão sobre os direitos dos(as) professores(as) de lecionar e dos(as) estudantes de aprender, sobre os prejuízos que a censura pode causar à educação e os retrocessos ela pode vir a ter caso seja obrigada a retirar do currículo escolar o estímulo ao pensamento crítico.
Nesta edição do concurso, a diretoria colegiada do sindicato quer trazer a preocupação e as inquietações, bem como apontar os prejuízos, provocados pelos ataques dos defensores do Programa Escola sem Partido aos(às) professores(as), à educação, ao magistério e ao direito à liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber.
Pretende mostrar que a perseguição política a professores(as) e a censura à escola é uma das mais perversas formas de violência porque impõe a intolerância às diferenças entre seres humanos, impede o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, bem como a coexistência das diferenças inerentes aos seres humanos nas escolas públicas do país. É por isso que esse programa é considerado uma Lei da Mordaça.
Assim, os(as) estudantes inscritos este ano deverão apresentar redações ou desenhos que remetam à discussão sobre, por exemplo, como a falta dos assuntos transversais nas escolas podem agravar a intolerância e as agressões físicas, verbais e até mesmo mortes entre jovens. Poderão escrever ou desenhar sobre, por exemplo, a proibição da discussão de gênero e outros assuntos relacionados a esse assunto.
As proibições e cerceamentos a temas são estreitamente ligados à Lei da Mordaça/Escola sem Partido, que barram o pensamento crítico e, ao impedirem o direito de aprender e a liberdade de ensinar, destroem a sociedade democrática e impedem a escola de formar cidadãos e cidadãs livres e capazes de transformar o mundo para melhor. Importante lembrar que a lei da mordaça Escola sem Partido é um programa elaborado por políticos militantes de partidos políticos, portanto, não se trata de escola sem partido.
As inscrições estão abertas para estudantes da rede pública de ensino da Educação Infantil, de 4 e 5 anos de idade, até o Ensino Médio. As redações e os desenhos poderão ser encaminhados até o dia 04 de novembro na sede ou subsedes ou, ainda, às escolas e deixadas à disposição dos diretores do sindicato, que irão buscá-las até a data limite. Cada participante deverá fazer sua inscrição no site do sindicato porque será gerado um código de identificação, o qual deverá ser usado para preencher a Folha da Redação ou a Folha de Desenho. Essas folhas também serão serão disponibilizadas pelo Sinpro-DF. Importante lembrar que nem a redação nem o desenho serão aceitos em outro tipo de folha.
A data da premiação será divulgada posteriormente, bem como os vencedores, no site do Sinpro-DF. Os prêmios serão distribuídos para estudantes vencedores(as) e professores(as) indicados(as) pelos(as) participantes. É importante também observar que os(as) professores(as) que fazem parte da Comissão Julgadora não podem ser indicados(as) pelos(as) estudantes. Formada por professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino, a Comissão receberá os trabalhos sem identificação da escola, do nome do estudante ou do professor que orientou o trabalho para garantir a transparência do processo.
Os(as) estudantes da Educação Infantil, do CEE e classes especiais, bem como os(as) matriculados(as) do 1º ao 3º ano do ensino fundamental/EJA expressarão sua opinião por meio de desenho. Os(as) estudantes do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental/EJA e do Ensino Médio/EJA, por sua vez, discutirão a temática na forma de redação. As inscrições devem ser feitas via internet para que o(a) inscrito obtenha o código de participante, o qual será utilizado na Folha de Redação como único instrumento de identificação do trabalho.
O concurso é destinado aos(às) estudantes da rede pública, que poderão participar com apenas um trabalho. No entanto, professores(as) ou orientadores(as) educacionais poderão trabalhar com vários estudantes. Assim, o(a) mesmo(a) professor(a) poderá ser indicado(a) por vários(as) estudantes e, caso isso aconteça, poderá ser premiado mais de uma vez.
O Concurso de Redação do Sinpro-DF faz parte da Campanha contra a Violência nas Escolas, uma iniciativa do sindicato, adotada em 2008, para ensejarem, entre os(as) estudantes da rede pública de ensino, a reflexão sobre as causas, as consequências e as soluções para a violência – um problema que afeta toda a sociedade.
Para mais esclarecimentos, veja o Regulamento do concurso no site www.sinprodf.org.br ou pelo telefone 3343-4236.
Boaventura de Sousa Santos lança "A difícil democracia" no auditório do Sinpro-DF
Jornalista: Maria Carla
O evento foi no sábado (29), mas ficará para sempre na história do Distrito Federal como um dos momentos de resistência da categoria dos professores do magistério público aos ataques contra direitos trabalhistas, sociais e humanos em curso. Sociólogo e professor da Universidade de Coimbra, em Portugal, Professor Honorário da Universidade de Brasília (UnB) e Cidadão Honorário de Brasília, Boaventura de Sousa Santos lançou a obra “A difícil democracia – Reinventar as esquerdas” no Auditório Paulo Freire, na sede do Sinpro-DF, nesse sábado. Com o auditório cheio de professores (as), orientadores (as) educacionais, professores(as) da UnB e personalidades políticas da cidade, o pensador português trouxe novidades e desafios. O livro é uma forma de se empoderar do debate para a luta contra a privatização de tudo. Confira a entrevista exclusiva que ele deu para a Secretaria de Imprensa e Divulgação do sindicato.
Entrevista
Sinpro-DF – Diante da situação que o Brasil e o Distrito Federal estão vivendo hoje de retirada de direitos trabalhistas e privatização de direitos sociais e humanos, que mensagem o senhor transmite à categoria docente da rede pública de ensino e à população DF? Boaventura de Sousa Santos – Claro, é uma mensagem de solidariedade, antes de tudo. E dizer também que o que está a se passar no Brasil não é um caso único. Infelizmente, em várias partes do mundo encontramos, hoje, o mesmo tipo de ataque. E esse ataque a sindicatos dos professores é, particularmente, forte, sobretudo nos Estados Unidos e em outros países, precisamente porque eles são a garantia de uma escola pública, que foi uma das grandes conquistas aqui, da Constituição, e também nos outros países. E o modelo de desenvolvimento que neste momento domina está à procura, insistentemente, de áreas de rentabilidade do capital.
A educação, juntamente com a saúde, é uma dessas áreas, portanto, por um lado, o objetivo é privatizar a educação e, para isso, é preciso desarmar as estruturas consideradas obstáculos. E, naturalmente, professores e professoras e seus sindicatos são obstáculos, uma vez que eles e elas são acérrimos defensores da escola pública em muitos países. Por outro lado, tem uma situação inaugural acontecendo que traz alguma instabilidade porque muitos são funcionários do Estad, em que é muito mais difícil demiti-los e, portanto, as estruturas sindicais são o alvo preferido de todos os ataques neoliberais.
Assim, minha mensagem é que a categoria dos professores está numa luta de todo o mundo, neste momento, e esta luta tem tido êxito, muitas vezes. Sabemos quais são as suas causas, mas as suas consequências, suas causas, divergem de país para país, depende do nível de sindicalização, da estratégia do próprio sindicato. No Brasil, o Sindicato dos Professores e os professores (as) têm boas condições para resistir até porque podem contar, por vezes, com o apoio dos estudantes, que, neste momento, os do Ensino Médio, estão a ocupar as escolas e o fazem exatamente devido a uma medida provisória que não tendo nada de consulta democrática visa de fato a começar a destruir o sistema de educação pública.
Tanto é que uma aliança interessante que é preciso promover, e articular, e organizar é essa entre professores e estudantes. Sinpro-DF – Professor, temos visto uma vasta produção de análises de conjuntura. Dentre elas, há as que focam na avaliação e comportamento do capitalismo. Se por um lado, algumas dessas análises dizem que o capitalismo nunca esteve tão bem como agora; outras, por sua vez, afirmam que apesar da retomada do neoliberalismo em vários países, o capitalismo vive uma crise estrutural. Com base no livro que o senhor lança hoje, a democracia está vivendo uma crise ou o que acontece é uma crise estrutural do capitalismo? Boaventura de Sousa Santos – É claro que é uma crise da relação entre democracia e capitalismo. O capitalismo não está em crise. Nós, do pensamento crítico, anunciamos a morte do capitalismo prematuramente durante muitas vezes e o capitalismo continua de boa saúde. Portanto, não prevejo nenhuma crise final para já do capitalismo. O que está neste momento não é em crise, é em transformação, é a relação que havia entre a democracia e o capitalismo.
A democracia sempre teve uma relação muito tensa com o capitalismo porque o capitalismo quer acumulação, o capital e a rentabilidade sem limites. E a democracia quer ou exige alguma distribuição social por via dos direitos universais, no caso, é a social-democracia; ou medidas compensatórias, como no caso do Brasil, com o Bolsa Família e outras. Essa tensão existiu sempre. Como essa compatibilidade se realizou durante muitos anos? Por meio do Estado que ia buscar dinheiro a quem podia pagar, os ricos, para distribuir a quem não podia pagar, os pobres, e precisava de serviços públicos.
Isso foi feito por intermédio da tributação, dos impostos. Desde 1980, este modelo de desenvolvimento capitalista, chamado de neoliberalismo, tem vindo a fazer uma guerra total contra os impostos, isto é, no sentido de que o Estado não deve tributar e, sobretudo, não deve tributar aos ricos. Como vê, temos um candidato às eleições nos Estados Unidos, Donald Trump, que se vangloria de nunca ter pago impostos federais, um grande empresário.
Portanto, mostra que os ricos deixaram de pagar impostos e, portanto, o Estado teve de se endividar. Obviamente, durante algum tempo teve, aqui no Brasil, um rendimento que lhe vinha dos preços das commodities, como chamamos os grãos e os minérios, e esses preços baixaram. Com isso, o Estado ficou numa situação perigosa porque a única solução para aguentar as políticas sociais, na saúde e na educação, é a tributação, a cobrança de impostos.
Como isso não é possível politicamente, o Estado se endividou e, no momento em que se endivida, perde muito de sua autonomia e, por conseguinte, o capital começa a ficar nervoso, e foi o que aconteceu recentemente no Brasil, de que o Estado pode, porém, causar a rentabilidade do capital, precisamente por meio do dinheiro que dedica à educação e à saúde. Daí a PEC 241, que é exatamente uma caricatura, no meu entender, grotesca, porque não vi nunca em nenhum país se fazer uma restrição constitucional para vigorar durante 20 anos, que visa exatamente isso, e, portanto, disso é que surge a crise porque vemos que no sistema político os políticos estão a responder mais às necessidades do mercado e dos investidores do que às dos cidadãos e cidadãs.
No momento em que a democracia olha mais para os mercados e para os investidores e, propriamente, para as necessidades deles do que para as necessidades dos cidadãos, a crise está instalada. É essa a crise deste momento. Não é uma crise da democracia. É uma crise da relação entre a democracia e o capitalismo e a democracia representativa enfrenta uma guerra com o capitalismo. Sinpro-DF – O título do livro do senhor é “A difícil democracia – Reinventar as esquerdas”. Por que esse título e o que é preciso para se reinventar as esquerdas? Boaventura de Sousa Santos – Ela é difícil exatamente porque a democracia não é possível sem haver condições para a democracia. As condições para a democracia não são apenas financeiras. É preciso ter vontade e partidos políticos que a promovam e, para isso, é preciso ganhar as eleições. No Brasil, esses partidos contrários ao aprofundamento da democracia não tiveram paciência de esperar mais 4 anos e, portanto, promoveram um golpe parlamentar judicial, que é exatamente o que tem neste lugar e, portanto, neste momento, a difícil democracia, que é encontrar a vontade política e os recursos financeiros necessários para repor o mínimo de distribuição social nas áreas de saúde, educação e previdência numa das sociedades mais desiguais do mundo, na qual 4.165 bilionários detêm 35% da riqueza do Brasil. Isso significa que é um país muito desigual. É difícil a democracia porque ela tem de conquistar alguma distribuição e as condições para fazê-la exigem uma mudança política e, neste momento, iniciamos uma mudança política muito austera.
Confira algumas imagens:
Cozinheiros de Cora melhora qualidade de vida de crianças com deficiência
Jornalista: Maria Carla
Quando a escritora goiana Cora Coralina criava sua poesia e preparava suas receitas no fogão a lenha de sua casa, no interior de Goiás, certamente não imaginou que seus livros infantis e experimentos na cozinha se tornariam uma fórmula pedagógica que colaboraria de maneira eficiente no desenvolvimento psicomotor de crianças de 3 anos com algum tipo de deficiência.
Decerto, ela também não pensou que suas receitas, como a do Biscoito Zé Pereira ou a da cocada, seriam feitas por crianças de 3 anos, numa escola pública do Distrito Federal, e os elementos folclóricos de seu cotidiano atravessariam o tempo e extrapolariam os versos de sua poesia para se materializarem em ingredientes didáticos de um projeto de educação inclusiva que acontece há 4 anos no Centro de Ensino Especial 01 (CEE 01), de Brazlândia – o Cenebraz
O Projeto Cozinheiros de Cora é tudo isso e um pouco mais. Imaginado por uma professora apaixonada por Coralina, o projeto usa suas obras infantis e as receitas culinárias na última etapa do Ensino Especial – uma modalidade denominada de Educação Precoce –para levar conhecimento e desenvolver habilidades nessas crianças.
A atividade é executada durante o ano letivo e culmina com uma visita presencial à Casa de Cora Coralina, na Cidade de Goiás. Este ano, a visita ocorreu nessa quinta-feira (27) e contou com a participação de 120 pessoas: 41 estudantes, 20 professoras e 59 pessoas, dentre as quais os(as) acompanhantes das crianças, a diretora do Sinpro-DF, Luciana Custódio, e uma equipe de jornalistas da entidade sindical.
A diretoria colegiada do sindicato entendeu que havia chegado a hora de ver de perto um projeto premiado e que tem transformado para melhor a realidade de muitas crianças e de suas famílias em Brazlândia. “Acompanhar o Cenebraz em um dos momentos desse projeto da Educação Precoce é a simbolização do quanto o Sinpro-DF é um sindicato que valoriza e reconhece ações pedagógicas como também o espaço de luta por uma educação de qualidade”, afirma Luciana.
No entendimento da diretora, “a dimensão pedagógica, cultural e social do que podemos compartilhar, hoje, com essa comunidade escolar do Cenebraz, nos remete ao que Paulo Freire nos deixou como um de seus legados: a esperança como um ato revolucionário”.
Luciana diz que há muito tempo o Sinpro-DF deixou de ser um sindicato que constrói uma pauta focada apenas nas questões corporativistas. “Somos um sindicato de professores, portanto, nada mais natural do que reconhecermos esses espaços pedagógicos como espaços de construção de uma sociedade melhor, mais justa, mais igualitária”. O que é o Cozinheiros de Cora? “E essa é a proposta pedagógica do Projeto Cozinheiros de Cora: melhorar a qualidade de vida de crianças com deficiência e suas famílias de baixa renda. O projeto consiste em ler os livros infantis e o de receitas da escritora Cora Coralina. Com as receitas, a gente ensina matemática, linguagem, entre outras coisas, de uma forma mais dinâmica. A gente faz as receitas e, numa das fases do projeto, as crianças levam o livro para casa e fazem uma delas com a família”, explica a Danielle Passos, professora de Atividades do Cenebraz. Confeiteira Rita e seus filhos
A professora assegura que a atividade materializa uma parceria muito grande e importante entre a escola e a família das crianças com deficiência. “É superinteressante porque é um projeto que os pais abraçam”, diz a professora. Rita de Cássia Ferreira da Silva, mãe de Flávio José Corrêa da Silva, que participa do projeto, é um exemplo dessa parceria. Na fila de espera para adentrar o museu, ela conta que estava ali se preparando emocionalmente para ver de perto tudo o que viu virtualmente na escola.
“Este projeto é maravilhoso e me emociona muito por eu ser confeiteira, por ter essa história linda da Cora. Estou me preparando porque não sei como vou reagir ao entrar, porque é uma história que se a gente viver 20, 30, 40 anos, vai poder contar que visitou o museu”.
Ela é mãe também de José Elvis Corrêa da Silva, filho mais velho que participou das primeiras edições da atividade. “Mas quando ele participou, ainda estava no começo e não teve a oportunidade de visitar a Cidade de Goiás. Aproveitamos para trazê-lo também. Sou confeiteira, acho que eles veem nisso uma alegria. Eles também querem fazer, ajudar, aprender na cozinha. Para mim, é uma coisa linda, uma história maravilhosa. Acho que todo mundo tinha de passar por esta emoção que estou passando”. Prêmio, reconhecimento e metodologia Este ano, o Cozinheiros de Cora participou da Feira de Ciências de Brazlândia e foi classificado para participar da Feira de Ciências do Distrito Federal. Em 2015, ele foi apresentado no Circuito de Educação, da Universidade Católica de Brasília (UCB), no qual as crianças fizeram as receitas e as explicaram ao público.
O método tem sido tão bem-sucedido que é reconhecido e comemorado pelos docentes e, sobretudo, pelos pais e mães. “A prova disso é que, no início do ano letivo, muitas crianças apresentam sérias dificuldades psicomotoras, como, por exemplo, não conversam. Após o projeto, elas conseguem explicar uma receita em público”, diz Danielle.
Como quase tudo na execução do magistério, o Cozinheiros de Cora exige das professoras um trabalho árduo, mas, ao mesmo tempo, é considerado gratificante. Durante o ano letivo, elas seguem um roteiro de atividades que envolve rodas de leituras de livros de Cora Coralina, como o “A menina, o cofrinho e a vovó”. Em maio deste ano, trabalharam com a obra “As cocadas”. É quando as crianças fazem cocadas e as levam de presente do Dia das Mães para casa.
Entre as obras, há um livro que não é de Cora, mas traz uma personagem real da vida da escritora goiana e um tema importante que ajuda as professoras a cumprirem o currículo escolar com transversalidade. É a obra “O que teria na trouxa de Maria?”. A autora Diane Valdez se inspirou em Maria Grampinho, das histórias da Cora Coralina, para escrevê-lo.
A partir da figura de Maria Grampinho as professoras trabalham o tema étnico-racial e o racismo, as nacionalidades e outros assuntos. No museu, as crianças vibraram ao verem a trouxa da negra andarilha que descendia de escravos e se tornara amiga de Cora. Todos os livros utilizados apresentam transversalidade e permitem aos docentes executarem atividades pedagógicas que desenvolvem habilidades.
Cora Coralina é o pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Ela era filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de dona Jacyntha Luiza do Couto Brandão. E contou com o apoio de um dos maiores poetas brasileiros na divulgação de sua obra: Carlos Drummond de Andrade.
As crianças sabem de tudo isso. Dentro da casa, Marlene Velasco, diretora do museu, guiava a visita e tudo o que perguntava as crianças sabiam responder. O projeto proporciona aos professores e às professoras atuarem de forma dinâmica para contextualizar o(a) estudante. Tanto é que, na visita presencial, as crianças sabiam onde estavam e o que estavam fazendo na Cidade de Goiás.
“Eles conseguem dizer até como é a casa da escritora. Sabem que Cora Coralina era uma escritora que morava na capital e voltou para o interior de Goiás. Passou a ser doceira e a fazer poesia. Escreveu vários livros. E, hoje, a casa dela é um museu”, garante Danielle. Wanda Melo, idealizadora do projeto Uma história e muitas paixões
O Cozinheiros de Cora surgiu da paixão de Wanda Melo, professora de Atividades no Cenebraz, por Cora Coralina e pelo magistério. Ela começou a lecionar em 1990 e desde que assumiu a Educação Precoce passou a elucubrar sobre como poderia fazer a diferença, envolvendo os pais, as mães e a comunidade escolar na construção desses sujeitos especiais.
“Aí, um dia, participando da Feira de Ciências, vi o estande de Cora Coralina. E como cresci no Estado de Goiás ouvindo histórias sobre ela, e já havia visitado a Cidade de Goiás, decidi elaborar um projeto que a envolvesse também”, conta.
Pesquisou e concluiu que poderia começar com a história das cocadas. “Uma história apaixonante que calhava com a idade das crianças. Montamos uma minibiblioteca, adquirimos um tacho de cobre, erguemos um fogão a lenha e, por fim, fomos construindo, juntamente com as crianças e suas famílias, as condições para execução do projeto”, lembra.
Com o Cozinheiros de Cora, Wanda estabeleceu um método que utiliza a roda de leitura. As histórias são contadas por capítulos. “Cora é uma personalidade incrível que sobreviveu a todas as dificuldades. Foi uma mulher à frente do seu tempo e, apesar de tudo, construiu um acervo cultural muito rico”, comenta a professora.
Se Cora se inspirou na culinária e no seu dia a dia para fazer poesia, Wanda se apoiou nas receitas de Coralina para fazer pedagogia e transformar a realidade em sua escola. Não é à toa que Cora Coralina é reconhecida como uma mulher à frente de seu tempo. “Aprendi a cozinhar e, no projeto, trabalhamos a língua portuguesa. A gente escreve as receitas no chão e vai mostrando o livro. Trabalhamos medidas, sabores, cheiros, geografia – mostramos onde é a cidade e fazemos várias visitas virtuais à casa dela com as crianças e os pais –, antes de virmos à visita presencial”, explica.
Trabalham o nome do Rio Vermelho, que passa do lado da casa de Cora, e todos os conteúdos possíveis. “Até hortinhas e plantas a gente trabalha porque falamos do jardim da autora e conversamos sobre os tipos de plantas, frutas, que ela usava nas receitas e onde ela as colhia”.
Wanda diz que muitos pais e mães choram quando veem o fogão a lenha e o tacho. “Lembram do passado e da infância. Da avó. Esse projeto é também um resgate da cultura popular”. Ela se aposentou em julho deste ano, mas está presente sempre que é convocada pela escola para participar de alguma atividade relacionada ao projeto. Recursos financeiros
Embora seja desenvolvido numa escola pública, o projeto não recebe nenhum investimento financeiro do Governo do Distrito Federal (GDF). Há 4 anos as professoras do Cenebraz realizam atividades e eventos para arrecadar dinheiro e custear o projeto e a viagem.
“Por isso o apoio dos pais é muito importante porque estamos sempre precisando. Eles contribuem com R$ 5,00 por mês durante o ano para a gente conseguir arcar com as despesas das receitas. Temos de comprar os ingredientes e sempre que dá a gente faz bazar, vende bolos e tortas nas feiras, vaquinhas, festas e eventos para conseguir pagar a viagem”, conta Danielle.
Ela diz que o dinheiro tem de contemplar também as crianças cujos pais não têm condições financeiras de participar. Todo ano, a escola precisa de três ônibus e recursos para alimentação durante o dia que passam viajando.
“Acredito que se a Secretaria de Estado da Educação do DF viesse acompanhar este projeto, teria interesse em investir recursos financeiros nele e que a gente pudesse continuar. Muitas vezes ficamos desanimadas porque todo ano a gente tem de começar do zero e realizar atividades para arrecadar dinheiro, mas o que nos estimula a continuar são os resultados positivos e o progresso visíveis nas crianças”, finaliza a Danielle.
Fotos: Carla Lisboa
Programa Alternativo mostra projeto de conscientização ambiental
Jornalista: Luis Ricardo
Um projeto realizado por estudantes do 2º ano do ensino fundamental da Escola Classe Vale Verde será o destaque do Programa Alternativo deste sábado (29). Com o objetivo de promover a conscientização ambiental dos moradores da zona rural de Planaltina, os estudantes mostram como respeitar o meio ambiente no projeto Eu me Lixo para a Vida. O projeto pedagógico faz parte da Semana em Comemoração à Preservação do Meio Ambiente.
Durante o período do projeto os estudantes percorrem as margens de uma nascente do córrego, recolhem o lixo jogados no local e fixam placas de advertência chamando a atenção para a preservação da fauna e da flora do cerrado no Núcleo Rural Vale Verde.
O Programa, apresentado pelo SBT, vai ao ar sempre aos sábados, às 13h15, e mostra entrevistas e matérias referentes à realidade da educação no Distrito Federal. Um dos objetivos é oferecer a oportunidade para que escolas e professores participem da discussão e enviem sugestões para os próximos programas. As pautas podem ser mandadas para o e-mail faleconoscoimprensa@sinprodf.org.br.
GDF não pode cobrar devolução de adicional de insalubridade de professor
Jornalista: Luis Ricardo
O 1º Juizado Especial da Fazenda Pública do Distrito Federal deferiu, nesta semana, a tutela de urgência, feita pelo Sinpro, que determina ao GDF que se abstenha de efetuar descontos nos rendimentos de um professor da rede pública que atua nas unidades de internação, referentes a quantias supostamente pagas indevidamente a título de adicional de insalubridade. O governo tem 30 dias para recorrer.
Desde o ano passado, o GDF começou a não autorizar mais este adicional de insalubridade para os(as) professores(as) que entrassem nessa modalidade. Além disso, estava cortando o benefício de outros(as) que já estavam recebendo e cobrando de alguns que já tinham recebido, para que o governo fosse reembolsado. O Sinpro já entrou e venceu mais de dez ações desta natureza.
Isso ocorre, pois, o artigo 83 da Lei n° 840/2011 não foi regulamentado, então o governo recorre ao argumento da Norma Reguladora n°15 do Ministério do Trabalho e Emprego. A juíza que analisou o caso alegou que não é cabível este desconto, pois, em princípio, presume-se a boa-fé do servidor no recebimento destas quantias e está ancorada no Artigo 300 do Código de Processo Civil (se há perigo de dano, é lícita a concessão da tutela antecipada) e da Lei nº 12.153/09 (que estabelece a possibilidade de deferir medidas antecipatórias para evitar dano de difícil ou certa reparação).
O Sinpro enfatiza que nos últimos anos, apesar de o GDF ter emitido laudos atestando que os locais de trabalho são insalubres, o governo contradiz o que está escrito no laudo e mesmo não tendo alterado absolutamente nada nestes locais para melhorar as condições de trabalho, o GDF arbitrariamente deixa de pagar o adicional de insalubridade aos trabalhadores. “A responsabilidade é toda do GDF, que retirou o benefício de alguns, alegando falta de regulamentação, mas a culpa é do próprio Governo, que com esta inércia do Estado, não regulamenta o Artigo 83 da Lei 840/11, causando prejuízo ao servidor e ao próprio GDF”, diz Gilza Camilo, diretora da Secretaria de Saúde do Sinpro.
Sinpro-DF representa categoria na homenagem a Boaventura de Sousa Santos
Jornalista: Maria Carla
O Sinpro-DF representou a categoria dos professores do magistério público durante a entrega do título de Cidadão Honorário de Brasília ao sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, na manhã desta sexta-feira (28), na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura, no Auditório Nelson Rodrigues, no Estádio Mané Garrincha. Rosilene Corrêa, coordenadora da Secretaria de Finanças do sindicato, integrou a Mesa de homenagem.
Além do reconhecimento do papel do professor da Universidade de Coimbra pelo seu trabalho acadêmico e atuação na defesa da democracia, Rosilene disse que estava “orgulhosa por representar a categoria dos professores da rede pública do Distrito Federal nesta justa homenagem”. Ela integrou a Mesa de Homenagem juntamente com o ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Júnior; o reitor do Instituto Federal de Brasília (IFB), Wilson Conciani; Boaventura de Sousa Santos; e o deputado distrital Chico Vigilante.
“Acredito que fazer parte deste momento não é pouca coisa, exatamente nesse momento em que estamos vivendo em nosso país de tantos ataques. Ter a oportunidade de estar aqui, de ouvi-lo, com certeza é um privilégio, e nós precisamos muito disto agora”, disse.
No seu breve discurso, a diretora do sindicato contou que, ao conversar com o professor Boaventura de Sousa Santos sobre as ocupações das escolas pelos estudantes, em protesto contra a reforma do Ensino Médio, tinha a “certeza da sementinhas que a gente vem plantando para que este país e o mundo vão caminhando na direção que queremos que é a de transformar pessoas e que elas sejam mais solidárias, mais justas: humanas verdadeiramente”.
Reconhecido em todo o mundo pelo trabalho acadêmico e científico sobre globalização, sociologia do direito, epistemologia, democracia e direitos humanos, Boaventura de Sousa Santos irá lançar seu livro “A difícil democracia – Reinventar as esquerdas”, pela Editora Boitempo, neste sábado (29), às 10h, no Auditório Paulo Freire, na sede do Sinpro-DF.
A diretoria colegiada convida a categoria a comparecer ao lançamento e lembra que toda a obra do sociólogo português encontra-se traduzida em espanhol, inglês, italiano, francês, alemão e chinês.
Sociólogo português irá lançar livro no auditório do Sinpro-DF
Jornalista: Maria Carla
O sociólogo português e professor da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos, estará no Sinpro-DF para lançar seu novo livro “A difícil democracia”. O lançamento ocorrerá no dia 29 de outubro, às 10h, no Auditório Paulo Freire, na sede do sindicato. Na ocasião, está prevista a realização de uma palestra e, em seguida, sessão de autógrafo.
Compareça!
Em um ano do massacre do Eixão Sul, Rollemberg mantém política de desrespeito ao servidor público
Jornalista: Luis Ricardo
Nesta sexta-feira (28) completa um ano que professores(as), orientadores(as) educacionais e diretores do Sinpro foram agredidos de forma covarde pela Polícia Militar, a mando do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) em pleno Dia do Servidor Público. Não bastasse este “reconhecimento” do governador do DF, ao longo do ano Rollemberg ainda anunciou uma série de calotes ao servidor público. Não pagou a pecúnia da licença-prêmio dos(as) professores(as) aposentados(as) e o reajuste salarial dos servidores do DF, previstos em Lei, e agora ameaça não pagar o salário do mês de outubro e as férias coletivas dos profissionais da Secretaria de Educação.
Além de mostrar um total desrespeito com o servidor público e aplicar uma série de calotes nos(as) trabalhadores(as), Rollemberg tenta legitimar suas ações de forma autoritária impedindo a reação daqueles que estão sendo prejudicados. Um dos exemplos foi o decreto antigreve nº 37.962/16, que punia severamente os servidores que realizarem greve, decreto derrubado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal por 15 votos zero. Além de cortar o ponto dos servidores que fizessem greve, direito este garantido pela Constituição, o decreto ainda previa desconto salarial, responder a procedimento administrativo-disciplinar, sofrer penalidades civil e penal, podendo chegar a ser demitidos.
Os servidores públicos não são os únicos alvos dos calotes de Rollemberg. O governador do DF também vem deixando de honrar seus compromissos e cumprir a lei junto aos trabalhadores terceirizados de asseio e conservação e segurança privada, que sofrem constantes atrasos de salários e são demitidos em massa. Enquanto aplica um pacote de maldades em cima da sociedade e da classe trabalhadora, Rollemberg aposta na privatização das empresas públicas, no aumento de impostos, na terceirização de hospitais e escolas públicas do DF. As ações seguem o roteiro implementado nacionalmente pelo presidente ilegítimo Michel Temer.
Às vésperas do Dia do Servidor Público, o que menos temos no momento é motivos para comemorar. O que o governador Rollemberg esquece é que estes trabalhadores são os responsáveis pelo crescimento do Distrito Federal e pela luta por uma educação pública de qualidade.
Massacre do Eixão Sul
As cenas registradas no dia 28 de outubro de 2015, Dia do Servidor Público, remeteram aos anos da ditadura no Brasil. Professores da rede pública de ensino e trabalhadores da educação do DF foram alvo da ira da Polícia Militar – comandada pelo governador Rodrigo Rollemberg – ao exercerem o direito de se manifestar contra os abusos e calotes que o dirigente máximo do Executivo local vem cometendo. A tentativa de repressão do movimento não deu certo. Outras categorias se somaram à manifestação e deixaram claro, paralisando a Rodoviária por duas horas, que o direito já garantido não será usurpado por políticas e políticos neoliberais.
A resposta à truculência também foi dada no dia seguinte (29), com ato dos professores na via EPTG, quando saíram do centro de Taguatinga e seguiram em marcha até a residência oficial do governador do DF, abrindo o Dia de Luta dos Trabalhadores do DF contra calotes, demissões, retirada de direitos, aumento de tarifas e impostos e sucateamento do serviço público.
O ato do dia 28 foi realizado simultaneamente nos Eixos Norte e Sul, no final da tarde. Para conter os manifestantes, que nas mãos tinham apenas bandeiras e faixas contra o calote e o retrocesso institucionalizado por Rollemberg, os policiais miraram nos professores armas de alto calibre. Manifestantes foram jogados no chão, imobilizados pelo pescoço e agredidos física e verbalmente por uma polícia que, pelo menos naquele momento e a mando do governador, representou qualquer papel, menos o de protetor da sociedade.
Veja o vídeo do massacre no Eixão aqui.
Governo Rollemberg quer paralisar serviços públicos
Jornalista: sindicato
Ao que tudo indica, o governo Rollemberg quer mesmo paralisar os serviços públicos e deixar a população na mão, vez que está empurrando os servidores para a greve – cada vez mais iminente.
Ontem (26/10), o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio, afirmou em entrevista coletiva que, caso não entre mais dinheiro no caixa, no quinto dia útil do mês, data da quitação dos salários, ainda faltarão R$ 76 milhões ao GDF para arcar com as despesas de pessoal do mês.
O Refis é a grande aposta da equipe de Rollemberg para tentar salvar os pagamentos dos servidores neste ano. No ano passado, o Refis rendeu R$ 450 milhões aos cofres públicos. “Se tivermos pelo menos R$ 200 milhões neste ano, teríamos o pagamento da folha deste mês e do próximo em dia”, exemplificou.
Além do risco do não pagamento do salário do mês de outubro, some-se a isso a reiterada fala de que não há previsão para cumprir as leis, ou seja, pagar os reajustes de 32 categorias de servidores públicos e quitar os passivos trabalhistas junto aos aposentados. Férias comprometidas – Conforme publicado no Jornal de Brasília desta quinta-feira (27/10), as férias coletivas dos profissionais da Secretaria de Educação também estão ameaçadas, de acordo com Sampaio. “Esta já é uma preocupação. Vamos fazer todo o esforço necessário para fazer o pagamento”, frisou o secretário.
Apesar do eterno discurso de carestia do Buriti, o movimento das categorias projeta adiante a concretização de greves gerais. Jogo duro – O diálogo com as categorias tem sido substituído pela postura mais dura e intolerância às greves. Depois de a Câmara Legislativa ter derrubado um decreto do GDF que punia os servidores que aderissem às paralisações, o governo diz que o texto já está amparado por lei federal e que vai, sim, aplicar o conteúdo do decreto. Entre outras medidas, cortará o ponto dos grevistas.
“Os servidores que entenderam que devem fazer greve, e é legítima essa pressão junto ao governo, têm direito. Mas o governo também tem o direito de não fazer o pagamento, uma vez que o serviço não foi prestado”, reiterou Sampaio.