Temer revoga nomeação de 12 conselheiros de educação feita por Dilma

Responsável por aprimorar e consolidar a educação nacional de qualidade, assegurando a participação da sociedade, o Conselho Nacional de Educação (CNE) está sendo desvirtuado.
O governo golpista de Michel Temer revogou a nomeação de 12 conselheiros do CNE que tinham sido nomeados pela presidenta eleita Dilma Rousseff no dia 11 de maio.
O decreto, assinado por Temer e seu ministro da Educação, Mendonça Filho, no dia 28 de junho, revoga a nomeação de quatro conselheiros e a recondução de outros três à Câmara de Educação Básica, assim como a nomeação de três e recondução de dois membros da Câmara de Educação Superior.
Para o ministro da Educação do governo Dilma, Aloizio Mercadante, a decisão é um golpe em um órgão de estado, responsável por discutir de forma técnica, democrática e plural as políticas nacionais de educação.
“Mais uma vez este governo demonstra incapacidade de distinguir entre instituições de estado e interesses de governo”, afirmou Mercadante em nota.
O ministro reforçou que os nomes dos conselheiros foram decididos com base em indicações de 39 entidades civis de educação, respeitando a participação social.
“A presidenta eleita Dilma Rousseff, apesar de ter a prerrogativa legal de livre indicação para metade das vagas do CNE, adotou o critério republicano de acolher os nomes das listas técnicas encaminhadas pelas entidades civis ao Ministério da Educação”, explicou.
De acordo com o ministro, os 24 conselheiros do órgão têm mandatos de quatro anos, justamente para “evitar qualquer tipo de interferência política no CNE”.
Retrocesso – A revogação das nomeações para o Conselho Nacional de Educação poderá significar retrocesso em pautas de direitos humanos, disse a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Comitê DF da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Catarina de Almeida Santos.
“Desde a criação do CNE, nunca houve revogação de nomeação de conselheiros e isso, lógico, traz preocupação para a comunidade educacional”, afirmou Catarina. A professora explicou que a preocupação deve-se à importância do conselho na definição de normas e no acompanhamento de políticas educacionais. Caberá ao CNE aprovar, por exemplo, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), antes de ser encaminhada para a homologação do Ministério da Educação (MEC).
“No momento em que vemos, não só no Congresso Nacional, mas nas assembleias legislativas e câmaras dos vereadores, pautas conservadoras muito complicadas sendo debatidas, e a defesa muito séria da negação de direitos de grupos historicamente excluídos, como no caso de questões de gênero, orientação sexual e raça, o CNE tem papel importante.”
De acordo com a professora, a base curricular precisa garantir uma forma de combater esse tipo de ação não só no âmbito da escola, mas também da sociedade. “Quando vemos a revogação da nomeação de 12 conselheiros, não sabemos quem será nomeado”, disse Catarina.
Mais retrocessos – O ministro Mercadante também lembrou outros retrocessos do governo golpista na área da Educação, como a Proposta de Emenda à Constituição que estabelece os gastos mínimos com educação corrigidos pela inflação do ano anterior.
“Na prática, essa medida econômica representa o fim do Plano Nacional de Educação: uma conquista para a educação brasileira, resultado de ampla participação social, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado sem vetos pela presidenta Dilma Rousseff”, afirmou.
Segundo ele, a proposta econômica de Temer não prevê sequer o mínimo constitucional para educação, que no caso da União é de 18% da receita bruta.
E destacou os investimentos na área feitos pela presidenta Dilma, que nos últimos cinco anos investiu R$ 54 bilhões acima do mínimo exigido pela Constituição Federal.
“Com a retirada da DRU, a partir dos governos Lula e Dilma, a educação teve um ganho de R$ 96 bilhões a mais no orçamento”, citou.
Mercadante enfatizou que foram esses recursos que permitiram o piso nacional dos professores com ganho real de 47% acima da inflação, que ajudaram a financiar o Pronatec e a impulsionar o ProUni, o Fies, o Ciências Sem Fronteiras e a expansão da rede federal de educação.
“Foram os governos Lula e Dilma que colocaram a educação como prioridade e que possibilitaram a mudança na vida de milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres”, finalizou.
MEC – Em nota, o Ministério da Educação (MEC) diz que a decisão foi tomada com base em pareceres jurídicos da Ministério da Educação, da Advocacia-Geral da União e respaldados pela subsecretária de assuntos jurídicos da Presidência da República. O MEC alega que as nomeações foram feitas por Dilma “no apagar das luzes” do governo.
“Essas indicações foram feitas para impedir que o novo governo, dentro do cronograma normal, pudesse indicar novos membros do CNE. Isso é caracterizado como desvio de finalidade de acordo com a lei”, disse o ministro da Educação, Mendonça Filho, em nota. Ele destaca que o MEC vai reabrir o processo, respeitando indicações feitas pelos órgãos, e levará os nomes para preenchimentos das novas vagas obedecendo rigorosamente os prazos legais.
Saiba mais
O que é o CNE?
Apesar de estar associado ao MEC, o Conselho Nacional de Educação (CNE) é um órgão independente e tem como missão aprimorar e consolidar a educação nacional de qualidade, assegurando a participação da sociedade. O conselho, em sua forma atual, foi instituído na Lei 9.131 de 1995, mas o Brasil conta com Conselhos Superiores de Educação desde 1911.
O CNE auxilia o ministro da Educação na formulação e avaliação das políticas nacionais de educação, com foco no cumprimento da legislação e na qualidade.
Como é composto o CNE?
O CNE é composto pelas Câmaras de Educação Básica e de Educação Superior, formadas cada uma delas por doze conselheiros, que são escolhidos e nomeados pelo presidente da República. Os secretários de Educação Básica e de Educação Superior do MEC têm assento garantido na composição do órgão.
De acordo com a legislação que instituiu o CNE, pelo menos metade dos membros das câmara devem ser indicados a partir de consultas feitas a entidades da sociedade civil da área de educação. O objetivo é garantir a sociedade do diversos setores na composição do órgão. Nos últimos anos, tanto no governo do ex-presidente Lula como nos mandatos da presidenta afastada Dilma Rousseff, todos os membros nomeados pela presidência de República tinham sido escolhidos a partir das listas tríplices formulados pelas entidades do setor. A indicação deverá incidir sobre brasileiros que tenham prestado serviços relevantes à educação, à ciência e à cultura, portadores de conduta ilibada.
Para a escolha dos membros das câmaras, deve ser observada pela presidência da República a necessidade de estarem representadas todas as regiões do Brasil e as diversas modalidades de ensino existentes.
Os conselheiros têm mandato de quatro anos, sendo permitida uma recondução para o cargo no período imediatamente subsequente, havendo renovação de metade das câmaras a cada dois anos – já que, na criação do órgão, metade dos membros já foi nomeada para mandato de dois anos.
Cada câmara elege um presidente e um vice para um ano de mandato, sendo permitida uma única reeleição imediata. Já o presidente do CNE é escolhido pelos conselheiros e tem mandato de dois anos, sem a possibilidade de reeleição.
Qual é a função do CNE?
O Conselho Nacional de Educação é um dos órgãos de maior importância dentro do sistema educacional brasileiro, pois ele é o responsável por acompanhar a elaboração e execução do Plano Nacional de Educação (PNE); regulamentar diretrizes; assegurar a participação da sociedade; dar suporte ao MEC no diagnóstico de problemas e participar ativamente da promoção de debates que auxiliem na busca de melhorias.
O conselho emite ainda pareceres e resoluções, que devem ser seguidos por estados, municípios e União, após homologação do MEC, e deve se manifestar por iniciativa própria ou em resposta às questões que lhe sejam apresentadas sobre todos os temas educacionais; Um dos exemplos recentes foi a definição de uma idade mínima para matrícula no ensino fundamental, que foi alvo de controvérsia. Também é responsabilidade do CNE definir as diretrizes curriculares para a educação básica e o ensino superior.
Quem são os conselheiros que tiveram mandatos revogados?
Confira os nomes e o perfil dos conselheiros afastados:
Câmara de Educação Básica
1) Eduardo Deschamps: secretário de Educação de Santa Catarina, é o atual presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed). É professor titular da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
2) Maria Izabel Noronha: conhecida como professora Bebel, é presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Já ocupou duas outras vezes a cadeira de conselheira do CNE.
3) Alessio Costa Lima: secretário municial de Educação do município de Tabuleiro do Norte (CE), é o atual presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). É bacharel em administração e especialista em gestão escolar.
4) Gersem José dos Santos: é representante do movimento da educação indígena e pertence à etnia Baniwa, de São Gabriel da Cachoeira (AM). Foi secretário de Educação do município e coordenador de educação indígena do MEC na gestão Fernando Haddad. Já ocupou entre 2006 e 2008 uma vaga no CNE. Atualmente é professor na Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
5) Antonio Carlos Ronca: é doutor em psicologia da educação e já teve diversos mandatos como membro do CNE. Foi inclusive presidente do conselho entre 2010 e 2012. É professor da pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
6) Antonio Ibañez Ruiz: foi reitor da Universidade de Brasília (UnB) entre 1989 e 1993 e é professor de departamento de engenharia da instituição. Também foi secretário de Educação do Distrito Federal no governo Cristovam Buarque.
7) Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti: diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Economista e professor universitário, é especialista em ensino técnico e profissionalizante. Também foi Secretário de Ciência e Tecnologia da Bahia entre 2003 e 2006.
Câmara de Educação Superior
8) Luiz Roberto Curi: sociólogo e doutor em economia, Curi já foi membro do CNE anteriormente. Foi diretor de políticas de ensino superior do MEC e tem forte atuação na área de ciência e tecnologia. Mais recentemente, em março deste ano, tinha sido nomeado presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mas deixou o cargo após o afastamento da presidenta Dilma Rousseff.
9) Maria Lúcia Neder: reitoria da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), é doutora em educação. Atualmente é a presidenta da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que reúne os reitores de todas as universidades federais do país.
10) José Loureiro Lopes: doutor em educação, foi secretário de Educação da Paríba e pró-reitor da UFPB. Autor de obras sobre educação de jovens e adultos, foi reitor do Centro Universitário da João Pessoa (Unipê).
11) Luiz Fernandes Dourado: professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), já exerceu outros mandatos no CNE. Graduado em ciências sociais com pós-graduação em instituições do Brasil e da França, também foi secretário de Educação Básica do MEC.
12) José Eustáquio Romão: historiador e doutor em educação, é professor da Universidade Nove de Julho (Uninove). É pesquisador e estudioso da obra de Paulo Freire.
(Sinpro-DF, com EBC Serviços)

Dia 8 tem Arraial no Setor Leste. Vamos participar

O Centro de Ensino Médio Setor Leste realiza o tradicional Arraial na próxima sexta-feira, dia 8.
A festança começa às 18h e vai até às 23, com barraquinhas variadas de comes e bebes típicos, além de muita diversão para todas as idades.
A comunidade escolar está convidada.
Então, tome nota:
Festa Julina do CEM Setor Leste
SGAS 611/612 (Asa Sul), Conjunto E, Área Especial – Avenida L2 Sul
Mais informações: 3901-7602 ou 3901-7605.
 

Paralisações devem ser repostas até dia 16/07

Atenção professores(as) que paralisaram suas atividades em 2016: após negociações com o Subsecretário de Planejamento e Avaliação (SUPLAV) do GDF, o Sinpro informa que as reposições devem ser realizadas até o dia 16 de julho, sábado.

Após ‘trancaço’ no MEC, Mendonça Filho demite vigilantes. Sinpro repudia atitude

O governo ilegítimo de Michel Temer mostra que não aceitará manifestações e qualquer tentativa de diálogo com a classe trabalhadora. Após ato realizado por profissionais de educação, entidades sindicais do setor da Educação e integrantes de movimentos sociais em defesa da educação pública na sede do Ministério da Educação (MEC), na quarta-feira (29), contra o desmanche do Conselho Nacional de Educação, o ministro interino da Educação, Mendonça Filho, dispensou 62 funcionários que prestavam serviço de segurança na pasta.  A ação, que envolve a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), Sinpro-DF, entidades nacionais de Educação, servidores do MEC, INEP e FNDE, foi em defesa da Educação como um todo, desde a garantia do cumprimento do Plano Nacional de Educação (PNE), passando pela manutenção de programas essenciais e culminando na qualidade do ensino que é ministrado nas escolas de todo o país.
Durante a manifestação os manifestantes defenderam o restabelecimento da democracia e o fim dos retrocessos na educação, anunciados pelo governo interino. O decreto com a revogação da nomeação de 12 conselheiros do CNE, assinado pelo presidente golpista Michel Temer, em conjunto com Mendonça Filho, foi publicado terça-feira (28) no Diário Oficial da União. Os conselheiros foram nomeados no dia 11 de maio, um dia antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff.
“A independência dos 24 conselheiros do CNE é garantida por mandatos de quatro anos. Em abril, ainda ministro, Mercadante publicou a lista das 39 entidades civis de educação que haviam feito indicações. Dilma fez as indicações a partir da lista de indicados, embora pudesse sacar do bolso metade dos conselheiros. Por terem sido nomeados por ela, estão sendo todos exonerados, apesar do mandato. Dane-se o regimento do CNE”, reagiu Tereza Cruvinel, ex-EBC.
Em pouco mais de um mês à frente do ministério, Mendonça Filho já se reuniu com o ator Alexandre Frota e representantes do Revoltados Online e apoiou a pauta da escola sem partido. Ele também cortou 90 mil vagas no Fies, não assinou acordo com o Sistema S que resultaria em 1,4 milhão de vagas no Pronatec, cancelou banco nacional de diplomas e chegou a causar pânico quando disse que talvez não tivesse recursos para fazer o Enem 2016.
O ministro também teve o nome envolvido em suspeita de esquema de corrupção. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta suspeitas de pagamento de propina de R$ 100 mil, em 2014, para a campanha à reeleição de Mendonça para a Câmara dos Deputados.
O Sinpro repudia a atitude autoritária empregada pelo ministro interino, que reforça a política neoliberal do governo ilegítimo de Michel Temer. Atitudes como esta, associada ao fato de desconsiderar a eleição de conselheiros do Conselho Nacional de Educação e a aprovação de medidas que desvinculam as receitas e os recursos financeiros para a educação são motivos de preocupação e de luta por parte dos trabalhadores e da sociedade.
Com informações do Sinpro e do site Brasil 247

PL da Mordaça é o tema do Canal da Educação desta quinta, 30

A Escola sem Partido (Lei da Mordaça) será o tema de debate do Canal da Educação desta quinta-feira (30). Está em tramitação na Câmara Legislativa do Distrito Federal Projetos de Lei (PL) relacionados à Lei da Mordaça, exemplo do PL 137/2015, da deputada distrital Sandra Faraj (SD), e a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) nº 38, de autoria do deputado distrital Rogério Dalmasso (PTN). O PL 137/2015, que mesmo com vício de origem foi aprovado na CLDF e vai para sanção do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), obriga todas as escolas da rede pública de ensino fundamental e médio do Distrito Federal a incluírem em seus currículos, como tema transversal, a discussão sobre “valores de ordem familiar”.
A diretora Delzair Amâncio, da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, e o estudante representante da UESDF, Taryk Robert de Araújo Maciel, serão os convidados e falarão sobre o tema.
O programa, apresentado quinzenalmente, vai ao ar às 20h, ao vivo, no site do Sinpro e na TopTV Brasil.
A produção e apresentação são do jornalista Valdir Borges. Perguntas podem ser enviadas ao vivo, através do próprio site do Sindicato (o vídeo disponibilizará um espaço para interação) ou por mensagens via whatsapp, no número (61) 98162-0065.

Atenção para o funcionamento do Sinpro nesta sexta-feira (01)

O Sinpro informa que devido uma reunião interna dos funcionários, a sede e subsedes do sindicato funcionarão das 8h às 12h nesta sexta-feira (01). O plantão dos advogados também será cancelado.
Na segunda-feira (04) o expediente voltará ao normal.

Debate: "Defesa da Escola Pública no contexto de desmonte da política educacional"

O Sinpro-DF convida a todos e todas para a mesa de debate “Defesa da Escola Pública no contexto de desmonte da política educacional brasileira”, nesta quinta-feira (30/6).
O evento faz parte das atividades da Frente em Defesa da Educação, dos Direitos e da Democracia, e foi aprovado pela categoria na assembleia de 21 de junho, integrando o calendário de mobilização dos(as) docentes.
O debate ocorrerá no Auditório Dois Candangos (UnB), em dois horários. Na manhã, às 8h30; e à noite, às 19h30.
Participe. Esta será uma oportunidade valiosa para a discussão e a reflexão sobre o momento político que estamos vivendo no país.
Confira:
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Subsede do Gama volta a ter atendimento normal

Informamos que o atendimento na subsede do Sinpro no Gama voltou ao normal.
Uma pane elétrica, ocorrida durante a manhã, deixou a unidade sem comunicação, mas o problema já foi solucionado.
 

Governo golpista altera perfil de Paulo Freire na Wikipedia. Sinpro repudia

Na tarde desta terça-feira (28/6), o artigo que traz a biografia do educador Paulo Freire na Wikipedia – enciclopédia livre e gratuita – foi alterado com informações que atribuem a ele a origem da “doutrinação marxista” nas escolas e universidades. Grupo que monitora as alterações feitas em páginas da Wikipedia identificou que as mudanças partiram de uma rede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). No verbete editado, consta que Freire participou da última grande reforma da legislação educacional que resultou em um ensino “atrasado, doutrinário e fraco”.
Em nota, o Serpro, empresa de tecnologia da informação do governo federal, disse que a alteração não partiu de suas instalações, mas de um órgão público federal que não pode ter o nome divulgado por questões contratuais. O Serpro administra a rede que provê acesso à internet tanto em instalações do próprio órgão como em instituições públicas em todo o país.
“A alteração realizada não partiu das instalações do Serpro, mas, sim, de um órgão público, cujo acesso à internet é administrado pela empresa. Entretanto, o Serpro não está autorizado, por questões contratuais, a divulgar informações de acesso de seus clientes à rede”, diz o comunicado.
Os parágrafos inseridos no artigo foram retirados de um texto publicado no site do Instituto Liberal com o título “Paulo Freire e o Assassinato do Conhecimento”. O texto é assinado por um integrante da rede Estudantes Pela Liberdade e do Movimento Universidade Livre.
As críticas aos ideais de Paulo Freire têm sido comuns nos recentes debates envolvendo o movimento “Escola sem Partido” que questiona as diretrizes curriculares e o debate político dentro das instituições de ensino, acusadas de “ideologizar” os alunos.
“Aí está uma das origens da nossa já conhecida doutrinação marxista nas escolas e universidades, que em vez de formar cidadãos e profissionais para o crescimento do país, forma soldados dispostos a defender com unhas e dentes o marxismo no meio acadêmico”, diz o trecho de um dos parágrafos inseridos no artigo.
Repúdio
A diretoria colegiada do Sinpro repudia veementemente o fato, alertando que atitudes como esta representam um golpe à democracia. “O que há por trás disso tudo é a tentativa de grupos reacionários em amordaçar os(as) docentes e desqualificar educadores, no sentido de instituir uma escola sem debates políticos, sem movimento estudantil, sem análise histórica, pluralidade de ideias, questionamentos e críticas dos estudantes. Querem voltar aos tempos da ditadura, além de comprometer de forma significativa a busca por uma escola pública de qualidade”, afirmaram os dirigentes.
O Sinpro acredita, assim como Paulo Freire, que é a partir da pluralidade de ideias, de uma aula alicerçada em debates abertos e no respeito à democracia que teremos uma sociedade crítica, contextualizada e plural.
Obra
A principal obra do educador pernambucano Paulo Freire, “Pedagogia do Oprimido” (1968), é a terceira mais citada mundialmente em trabalhos da área de humanas, segundo um levantamento realizado no Google Scholar, ferramenta de pesquisa dedicada à literatura acadêmica. O pedagogo também é referência nacional nas pesquisas da área.
Para o diretor pedagógico do Instituto Paulo Freire (IPF), Paulo Roberto Padilha, esse tipo de ação é uma tentativa de doutrinar leitores que não conhecem a história do educador.
“O que está publicado é um absurdo, uma aberração política e pedagógica, não corresponde à verdade. O que ele [Paulo Freire] queria é uma educação que libertasse a pessoa, para que se tornasse uma pessoa crítica, capaz de questionar qualquer doutrinação”, afirma.
Padilha destaca que os trechos inseridos na Wikipedia serão questionados nacional e internacionalmente pela comunidade de estudiosos da obra de Paulo Freire. Realizado a cada dois anos, o Fórum Paulo Freire, que reúne estudiosos interessados em discutir a obra do autor, terá sua 10ª edição neste ano em Santiago (Chile), onde Freire escreveu e publicou Pedagogia do Oprimido durante o exílio.
Proibido pelos militares durante a ditadura no Brasil (1964-1985), o livro só viria a ser publicado em território nacional em 1974.
“A gente vê inventada nesse tipo de ação a mesma lógica do golpe militar, querendo desfigurar e descaracterizar a palavra do Paulo Freire. Estaremos no Chile discutindo uma educação libertadora que não se restringe a um ou outro teórico, mas dialoga com os diferentes, contra o retrocesso”, reforçou Padilha.
Outro trecho do texto inserido no artigo da Wikipedia fala sobre a participação de Freire no processo que originou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, durante a reforma educacional feita em 1996, no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Segundo o coordenador pedagógico do instituto, a LDB, da forma como foi aprovada, não contemplou a visão de Freire. “Paulo Freire inspirou muitos educadores que tiveram papel importante na LDB, mas de última hora a lei foi desconfigurada. Ele o fez com a expectativa de uma outra perspectiva”, afirma.
Fonte: Sinpro-DF, com informações da EBC

Professores encerram protesto no MEC contra ataques à educação

Os (as) professores (as) da rede pública de ensino básico do país encerraram o protesto contra o desmonte da educação pública, iniciado às 6h desta quarta-feira (29), no Ministério da Educação (MEC). Os manifestantes e as entidades sindicais do setor da Educação não negociaram com o ministro Mendonça Filho. “Não vamos negociar porque não o reconhecemos como ministro e nem a este governo ilegítimo. Apenas estamos denunciando à sociedade o desmonte que este governo golpista está promovendo na educação pública”, afirma Rodrigo Rodrigues, secretário geral da CUT Brasília.
A ação faz parte da Jornada de Lutas pela Democracia e Garantia de Empregos, Direitos e Conquistas, organizada pela CUT Brasília, com professores (as) e orientadores (as) educacionais do Distrito Federal (DF) e de vários estados. Os (as) docentes ocuparam todas as entradas do MEC, incluindo aí as entradas do Anexo. Além do Sinpro-DF, a atividade envolveu a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) e entidades nacionais do setor, como o próprio MEC, o Inep e a FNDE. Os organizadores informam que a iniciativa visa a defender a educação como um todo, desde o cumprimento do Plano Nacional de Educação (PNE) e a manutenção de programas essenciais até a garantia dos programas de inclusão educacional e de qualidade do ensino.
Melquisedeque Aguiar Gracia, professor de Atividades da Escola Classe Bela Vista, em São Sebastião, estava no protesto e disse que considera a ocupação legítima diante do que o governo ilegítimo tem feito no país. “Principalmente por causa desse ataque direto à educação, da retirada de direitos, representado pelo ministro interino Mendonça Filho, e que está repercutindo nos estados, tais como o projeto Escola sem Partido (Lei da Mordaça) em tramitação nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais e no Congresso Nacional, bem como o ataque ao direito à previdência da classe trabalhadora do setor da Educação”.
O professor avalia que a ocupação do MEC é simbólica, uma vez que revela ao país o que os trabalhadores da educação estão sofrendo com o governo ilegítimo de Michel Temer, “bem como com o ministro Mendonça Filho, que já demonstrou, por diversas vezes, que  é contrário a políticas que incentivem e qualifiquem a educação. Ele é contra o ProUni, as cotas e todas as outras medidas que trabalham a educação de forma integral. Ele é contra a democratização da educação”, diz. Melquisedeque critica a mídia e diz que “o país inteiro já sabe que esse tipo de ação não irá aparecer na mídia que está apoiando essa  sistemática do golpe de Estado no Brasil, mas vamos jogar tudo isso nas mídias sociais e abrir o debate nas escolas”.
Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF, disse que a atividade demonstrou a insatisfação dos trabalhadores da educação e que a categoria não irá aceitar nenhum tipo de retrocesso na educação. “E não estou me referindo somente às questões salariais e aos direitos, e sim à própria educação. O que se está projetando é um desmonte da educação e o desmanche das conquistas que levamos anos para conquistar, e ainda assim são tímidas. É um cenário que não se permite nenhum retrocesso”, analisa.
A diretora do sindicato diz que “atitudes como a de desconsiderar a eleição de conselheiros do Conselho Nacional de Educação como este governo golpista está fazendo e aprovar medidas que desvinculam as receitas, os recursos financeiros, para a educação é tudo muito grave.  Precisamos de mais investimentos e de garantir os royalties do petróleo, que já estão na lei, mas sob ameaça, para a educação”, avisa.
Ela afirma que a categoria docente de todo o país está no MEC hoje para denunciar a política de subtração adotada pelo governo ilegítimo de Michel Temer. “Aquilo que ainda não era o suficiente [as políticas pedagógicas destinadas à melhoria do magistério e as de inclusão educacional] está ameaçado de desaparecer totalmente, aprofundando o sucateamento e a insuficiência, jogando a educação na total precarização. Esta ocupação do MEC demonstra que, da nossa parte, não há acordo. Não vamos aceitar e vamos lutar contra isso”.
Rosilene explica ainda que, uma vez que se estabelece a política de Estado mínimo, “significa que a realização de concurso público está suspensa e, com isso, os serviços de educação serão prestados com muita precarização porque serão terceirizados e, aí, os concursados permanecem, contudo, as condições de trabalho e da carreira se perdem. O concursado pode até manter o emprego, mas há de se pensar em que condições esse emprego será mantido, afinal, à medida que se precariza, fragiliza-se também os concursados, até mesmo do ponto de vista da organização e da luta”, diz a diretora.
Marta Vanelli, diretora da CNTE, considera que o objetivo foi alcançado. “Queríamos trancar o MEC durante um dia inteiro em protesto contra a PEC 241, que está tramitando no Congresso Nacional, e vai desvincular os recursos da educação. Conseguimos ocupar todas as portas e fechar o hall de entrada do ministério. De agora em diante a nossa luta será no Congresso Nacional . Vamos acompanhar a tramitação dessa PEC, não só a CNTE, mas todas as entidades da educação em nível nacional, para tentarmos barrar a aprovação dela porque ela vai desqualificar mais ainda a educação pública do nosso país. Na verdade, durante o PNE discutimos que precisava mais recursos para a educação e essa PEC vai retirar dinheiro e sucatear ainda mais. Essa vai ser a nossa grande luta a partir da semana que vem no Congresso Nacional”.

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