Professores ocupam o Ministério da Educação nesta quarta-feira, 29
Jornalista: sindicato
Desde às 6h desta quarta-feira (29/6) – segundo dia da Jornada de Lutas pela Democracia e Garantia de Empregos, Direitos e Conquistas organizada pela CUT Brasília – professores(as) e orientadores(as) educacionais do DF e de outros estados ocupam as entradas do Ministério da Educação.
A ação, que envolve a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), Sinpro-DF, entidades nacionais de Educação, servidores do MEC, INEP e FNDE, é em defesa da Educação como um todo, desde a garantia do cumprimento do Plano Nacional de Educação (PNE), passando pela manutenção de programas essenciais e culminando na qualidade do ensino que é ministrado nas escolas de todo o país.
Dirigentes do Sinpro-DF, presentes ao ato, enfatizam que o MEC não vem defendendo o que se esperava, como a vinculação de receitas para a Educação e a manutenção da aposentadoria especial para os docentes.
O Sinpro-DF reforça a necessidade de a categoria comparecer ao MEC para reforçar o protesto, que deverá durar toda esta quarta-feira.
A Escola sem Partido (Lei da Mordaça) será o tema de debate do programa TV Sinpro na TV Comunitária desta terça-feira (28). Está em tramitação na Câmara Legislativa do Distrito Federal Projetos de Lei (PL) relacionados à Lei da Mordaça, exemplo do PL 137/2015, da deputada distrital Sandra Faraj (SD), e a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) nº 38, de autoria do deputado distrital Rogério Dalmasso (PTN). O PL 137/2015, que mesmo com vício de origem foi aprovado na CLDF e vai para sanção do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), obriga todas as escolas da rede pública de ensino fundamental e médio do Distrito Federal a incluírem em seus currículos, como tema transversal, a discussão sobre “valores de ordem familiar”.
Para falar sobre o tema foram convidados a diretora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, Jucimeire Barbosa, a vice-presidente da UBESDF, Thays de Oliveira Soares, e um estudante do Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB).
O programa TV Sinpro na TV Comunitária vai ao ar, ao vivo, todas as terças, às 17 horas, no Canal 12 da NET. As reprises do programa são exibidas no decorrer da semana (confira programa a baixo). O programa também é disponibilizado no site do Sinpro para quem não dispõe da TV a cabo.
Programação:
Terças – 17h, ao vivo, e reprise às 22h
Quartas – 18h30
Quinta – 13h30 e 22h30
Sábado – 13h
Domingo – 18h30
Colégio de Líderes se compromete a discutir PLs da Mordaça com o Sinpro
Jornalista: Maria Carla
Comissão de Negociação do Sinpro-DF reunida com o Colégio de Líderes da CLDF nesta segunda-feira (27)
Após reunião com a comissão de negociação do Sinpro-DF, na tarde desta segunda-feira (27), o Colégio de Líderes da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) se comprometeu a discutir com o sindicato o conteúdo dos vários Projetos de Lei (PL) em tramitação na Casa relacionados à Lei da Mordaça (projeto Escola sem Partido).
A comissão de negociação se posicionou contrária à Lei da Mordaça (Escola sem Partido) e, sobretudo, contra o PL 137/2015, da deputada distrital Sandra Faraj (SD), e a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) nº 38, de autoria do deputado distrital Rogério Dalmasso (PTN).
O PL 137/2015, que mesmo com vício de origem foi aprovado na CLDF e vai para sanção do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), obriga todas as escolas da rede pública de ensino fundamental e médio do Distrito Federal a incluírem em seus currículos, como tema transversal, a discussão sobre “valores de ordem familiar”.
A categoria espera que o governador do DF, que tem uma trajetória política de linha progressista, vete o PL 137/15 não só porque se trata da aplicação da Lei da Mordaça na capital do país, mas também, dentre outros motivos, porque é inconstitucional, uma vez que as diretrizes de educação só podem ser definidas por lei federal, e, ainda, porque valores familiares não são universais, como faz parecer o projeto.
O PELO nº 38, por sua vez, também alinhado com a Lei da Mordaça (Escola sem Partido), modifica a Lei Orgânica do Distrito Federal, acrescendo incisos ao artigo 221, os quais quebram a concepção do Estado laico e instituem o cerceamento e o patrulhamento ideológico, político e científico na execução do magistério.
O PL 137/15 é considerado uma afronta ao ordenamento jurídico do país, uma vez que a jurisprudência mostra que não há iniciativa parlamentar em matéria curricular, porém, ainda assim, deputados distritais comprometidos com a Lei da Mordaça e a privatização da educação pública insistem em aprovar esse tipo de lei.
A categoria deve ficar atenta à profusão de tentativas de enquadramento da educação pública à Lei da Mordaça (Escola sem Partido). A cada projeto de lei apresentado, verifica-se uma manobra para cercear a liberdade de cátedra e conduzir a educação pública à privatização.
Fotos: Deva Garcia
Todos(as) à manifestação dia 29 de junho, em frente ao Ministério da Educação
Jornalista: Luis Ricardo
O Sinpro convoca os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino no Distrito Federal para mais um ato em defesa da democracia, da educação pública e dos direitos dos trabalhadores. A paralisação, organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), será realizada dia 29 de junho, em frente ao Ministério da Educação (Esplanada dos Ministérios). Trabalhadores em educação de várias partes do País estarão reunidos nesta grande mobilização. O horário será divulgado próximo à data do ato.
A paralisação com ato no MEC foi aprovado em assembleia da categoria realizada na terça-feira (21) e tem como objetivo manter a luta em defesa da educação, dos direitos da classe trabalhadora e da democracia, atacada diretamente com projetos de lei que visam censurar os(as) professores(as) em sala de aula. Nas discussões nacionais de reforma previdenciária o MEC não tem defendido a aposentadoria especial do(a) professor(a), demonstrando uma clara sinalização de que apoiará a perda deste direito. O Ministério da Educação também não tem defendido a manutenção das receitas vinculadas à educação nesta proposta de reforma que o governo ilegítimo de Michel Temer tem feito no sentido de retirar verbas e de congelar recursos de custeio para a educação.
Diante de todos os ataques aos(às) professores(as) e ao conjunto dos(as) trabalhadores(as), somente a união e a participação de todas e todos em atos e manifestações impedirá o retrocesso que tanto o governo local quanto o nacional estão tentando implantar. A luta é o único caminho para garantir as vitórias, o respeito que merecemos e o cumprimento das leis.
6º CDE do Sinpro-DF termina com aprovação de cinco minutas de projeto de lei
Jornalista: Maria Carla
Terminou no início da noite deste sábado (25), a 6º Conferência Distrital de Educação, do Sinpro-DF. A Plenária final aprovou as cinco minutas de Projetos de Lei (PL) discutidas durante os dois dias de realização do evento. Assim, a categoria encerra o encontro com aprovação da primeira redação dos textos dos PLs que tratam do Sistema Distrital de Educação, da gestão democrática da educação, do Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi) e Custo Aluno Qualidade (CAQ) na rede pública de ensino, da Política de Descentralização Administrativa e Financeira nas Escolas e Regionais (PDAF) e da Lei de Responsabilidade Educacional (LRE) no Distrito Federal.
“Foi um processo extremamente vitorioso. A gente sai da 6ª Conferência Distrital de Educação com unidade na categoria e duas questões: a da democracia e dos direitos, os quais foram a base da nossa discussão”, disse Berenice D’Arc Jacinto, coordenadora da Secretaria de Política Educacional do Sinpro-DF.
Em relação à democracia, os mais de 370 inscritos (as) participaram, na sexta-feira (24), de uma profunda análise de conjuntura que culminou com o entendimento de que é importante a categoria continuar lutando pela democracia e pela manutenção dos direitos. “Isso para que a gente continue vivenciando tanto o que nós já alcançamos na luta desta categoria, como, por exemplo, a gestão democrática – um movimento que a gente construiu em 2012 e que a manutenção dele para a gente é essencial”, afirma a diretora.
Berenice diz que, nesta conferência, a categoria demonstrou e reafirmou a importância da manutenção da gestão democrática; a permanência de todos e todas até o final; a disposição de ficar até o último momento para discutir as minutas das leis. “Isso revela a importância que ela dá ao movimento da lei da gestão democrática. Os temas fechados nos debates de hoje, como a LRE, do PDAF, demonstram também que nós, professores e professoras, temos muito a contribuir com a legislação que vai ter de aparecer agora como demanda do Plano Distrital de Educação (PDE)”, informa.
Ela lembra que o PDE determina que o Distrito Federal tem de instituir leis para viabilizá-lo. A conferência apontou, em todos os GTs, a preocupação em discutir todas essas leis. É por isso que ela considera que a categoria sai da Eape, local em que foi realizada a conferência, com muitas contribuições da categoria, as quais irão enriquecer imensamente o debate e isso será orientador para as discussões dos próximos dias, afinal, o PDE pede que a gente faça avaliação e implantação da lei.
“Estamos, portanto, executando o nosso trabalho, apesar deste momento duro, de crise nacional, a gente tem conseguido, aqui no DF, avançar para esta legislação, enquanto Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e outros estão ameaçados pelas Organizações Sociais, a gente tem feito a resistência e a categoria tem contribuído nessa luta. Vamos continuar lutando para que os direitos e a democracia sejam as nossas bandeiras”, finaliza.
É preciso pensar a Gestão Democrática como princípio fundamental para uma escola pública de qualidade
Jornalista: Luis Ricardo
Para Dinair Leal Hora (Gestão democrática na escola – 1994), a escola tem uma contribuição indispensável e insubstituível – embora limitada – a dar para a afirmação histórica das classes populares, na medida em que pode favorecer a ampliação da compreensão do mundo, de si mesmo, dos outros e das relações sociais, essencial para a construção da sua presença histórica, responsável e consciente, no exercício da cidadania. Partindo desta concepção e da certeza que a escola tem grande importância na construção de uma sociedade justa e plural, o professor e pesquisador na área de Educação, Erasto Fortes, abriu a 6ª Conferência Distrital de Educação falando sobre Gestão Democrática.
Na primeira mesa deste sábado (25) o professor lembrou a importância de se debater o tema, que busca identificar como os sistemas de ensino dos estados, do Distrito Federal e dos municípios organizaram-se para responder ao ordenamento constitucional que estabeleceu a gestão democrática como princípio do ensino público e em que níveis adaptaram suas legislações e normas, sua estrutura administrativa e seu funcionamento às demandas por participação. Diante de toda complexidade e importância que a gestão democrática tem no sistema de ensino, é preciso pensar o tema como princípio fundamental para a construção de uma escola pública de qualidade.
Para isto, lembra Erasto, é imprescindível a participação da categoria no processo de indicação de diretores, constituição e funcionamento de colegiados, descentralização e autonomia. “Ao falar sobre gestão democrática é importante lembrar que ela está institucionalizada legalmente, mas para isto foi necessária muita luta para que pudesse ser reconhecida como uma conquista da linha pedagógica. Em 1985 tivemos a primeira eleição de diretor no Brasil, que foi no Distrito Federal. Antes disto, em 1956, na Candangolândia, os nove professores da primeira escola pública do DF se reuniram e decidiram que cada um ficaria 15 dias na direção. Isto mostra que que o Distrito Federal é uma unidade da federação vocacionada à gestão democrática”, analisa o professor.
O professor ainda afirma que cabe a todos que fazem parte do processo educativo, buscar mecanismos de mudança frente às novas perspectivas educacionais no que diz respeito à efetivação da gestão democrática nas escolas públicas de todo o país. “Reconheço as dificuldades que ainda temos para implantar a gestão democrática como um todo e por isto é importante considerar quatro princípios: o princípio da participação, da busca de uma autonomia das escolas, do pluralismo e da transparência. Desta forma conseguiremos a gestão democrática que sonhamos e esperamos dentro das escolas”, finaliza Erasto Fortes.
Novos ataques visam a esvaziar as metas do PNE e sucatear a Educação Pública
Jornalista: sindicato
Os ataques à Lei de Responsabilidade Educacional e as iniciativas de leis da mordaça – baseadas no ideário da chamada ‘Escola sem Partido’ – fazem parte de um pacote único que visa a apenas sucatear a educação pública de qualidade para entregá-la ao mercado”.
A análise é da professora Olgamir Amância (*), feita durante a mesa de debates “Lei de Responsabilidade Educacional e Lei da Mordaça, neste sábado (25/6), segundo e último dia da Conferência Distrital de Educação.
De acordo com a professora. a concepção de Estado em curso no país não retira apenas recursos da Educação. “Muda a lógica. A Educação, de direito, passa a ser entendida como mercadoria. A ideia é preparar os estudantes para o mercado de trabalho [limitando-o] e não para o mundo do trabalho. São concepções bem distintas. E isso ‘casa’ com a proposta da Escola sem Partido, que nega uma formação mais ampla, na integralidade. Na verdade, este projeto nefasto enxerga os estudantes como meros indivíduos prontos para atender às necessidades do mercado, como simples reprodutores do conhecimento, e não como agentes transformadores que podem, e devem, ser”.
Olgamir acrescentou que estamos vivendo uma sociedade na qual os direitos não são tratados como tais. E justifica: “temos um parlamento extremamente conservador, talvez o maior da história da República, que busca cercear direitos e liberdades. Na outra ponta, há um Executivo golpista, identificado com a negação à Educação”. Prova disso está nas quebras das vinculações constitucionais destinadas ao financiamento da Educação, propostas pelo interino Temer. “Pensar nesta ‘quebra’, significa esvaziar as metas do PNE. É pelo financiamento que se garante que a Educação se consolide como direito””, explica. A professora também fez referência a mais um ataque, quando se cogita acabar com os repasses dos royalties do petróleo destinados à Educação.ues
Para se contrapor a esta lógica estabelecida que impacta diretamente e nega totalmente a construção de uma escola formadora e transformadora, Olgamir entende que a mobilização da categoria docente e da sociedade será essencial.
“Por mais adversa que possa parecer a situação, temos que fazer valer os anos de acúmulo, de discussão democrática, das lutas que empreendemos. Temos que defender a Lei de Responsabilidade Eduacional, indispensável à operacionalização do PNE. No mesmo sentido, é nosso dever nos contrapormos à instituição de leis que limitem, ou mesmo anulem, o direito a uma educação pública de qualidade, garantida, inclusive, na na Constituição cidadã”, enfatizou.
(*) Olgamir Amância Ferreira – Professora aposentada da SEEDF; Professora adjunta da Universidade de Brasília -FUP/UnB; Pesquisadora na área de Políticas Públicas e Gestão da Educação; Orientadora do Programa de Pós-Graduação em Gênero e Raça da FE/UnB – GPPGeR; Foi a primeira Secretária de Estado da Mulher no Governo do Distrito Federal; Conselheira do Conselho Superior do Instituto Federal de Brasília – IFB e ex-diretora do Sinpro-DF.
Lançada a terceira edição da revista Sinpro Mulher
Jornalista: Maria Carla
Diretoria do Sinpro-DF no lançamento da terceira edição da Sinpro Mulher
A Secretaria para Assuntos e Políticas para as Mulheres do Sinpro-DF lançou a terceira edição da revista Sinpro Mulher no início da noite desta sexta-feira (24). Com o lançamento, a diretoria encerrou o primeiro dia da 6ª Conferência Distrital de Educação.
“Nosso desafio era produzir um instrumento que dialogasse, incentivasse e enriquecesse o debate na escola. Nesta edição, gostaríamos que vocês nos chamassem, na escola, principalmente nos espaços de coordenação pedagógica. As matérias apresentadas na revista não vêm na perspectiva de promoção de escolas, direção, pessoas, e sim de empoderamento de todas as mulheres para a luta”, disse Eliceuda França, coordenadora da Secretaria para Assuntos e Políticas para as Mulheres.
A edição 2016 traz novas reportagens sobre a violência contra a mulher analisadas sob a lente do golpe de Estado, que retirou Dilma Rousseff, eleita democraticamente, da Presidência da República. Um golpe permeado de vários tipos de violências sexistas e misóginas que se refletem nas outras tentativas de golpes na educação, saúde, na luta dos povos indígenas pelas suas terras, na luta das mulheres negras contra a violência e em defesa do bem viver, na previdência Social entre outras.
“Fomos buscar muitas histórias que não cabem em 40 páginas. Mas, sintam-se, todas e todos, representados aqui. Afinal, estivemos presentes com muitas mulheres nas marchas que fizemos pelo país afora, como camponesas, negras, indígenas, e também nas marchas contra o golpe, bem como nas praças fazendo o enfrentamento às muitas formas de violência contra a mulher. A revista Sinpro Mulher é pequena, mas é grande porque carrega a nossa coragem, a nossa unidade e a nossa ousadia de enfrentar e transformar”, disse Eliceuda.
A Sinpro Mulher 2016 relembra o golpe na discussão de gênero, cuidadosamente inserido no Plano Nacional de Educação (PNE) e no Plano Distrital de Educação (PDE) como um dos mais importantes mecanismos de superação das desigualdades no país, contudo, minuciosamente detectado e devidamente retirado por parlamentares fundamentalistas e comprometidos com a concepção conservadora de gestão dos recursos e patrimônio públicos.
“O intuito é de contribuir com o fazer pedagógico, de fomentar e provocar esse debate na sala de aula porque nós não vamos obedecer aquilo que a Câmara Legislativa do Distrito Federal nos impôs: o silêncio sobre o debate de gênero. Vamos fazer sim! Vamos provocar esse debate. E alerto: se nós, professoras e professores, não o fizermos, os (as) estudantes farão. E aí vamos ter este instrumento com o qual podemos nos formar e nos informar para poder alimentar este debate na sala de aula”, avisa Vilmara Carmo, diretora da Secretaria de Assuntos e Políticas para Mulheres Educadoras do sindicato.
Na revista, lideranças sindicais, educadoras e feministas analisam o golpe na educação pública por meio do projeto fundamentalista e privatista Escola sem Partido, que propõe desconstruir o currículo escolar e cassar a liberdade de cátedra dos (as) professores (as). Neliane Cunha, também diretora de Mulheres do Sinpro-DF, por sua vez, fez uma breve análise da situação do país e disse que é importante, durante a luta sindical, haver momentos como este, de lançamento de uma revista como a Sinpro Mulher.
“Ela já era para ter sido lançada, mas com a conjuntura que dominou o Brasil desde 1º de janeiro deste ano, a gente quis mesmo trabalhar, nesta conjuntura de golpe de Estado, o empoderamento e o que significa esse golpe contra nós, mulheres. E também lançar esta revista no momento em que tentam nos amordaçar, nos calar, porque, como eu disse durante uma Da esquerda para a direita: Neliane Cunha, Eliceuda França e Vilmara Carmo
audiência pública no Senado Federal, contrapondo-me a algumas feministas que dizem haver o machistério, e eu disse que há pessoas que têm uma prática pedagógica diferente da que defendemos e queremos de uma sociedade igualitária, mas há muita gente boa no chão da escola fazendo a diferença e é por isso que estão tentando nos calar. Não tentariam nos calar se a educação não estivesse caminhando para a igualdade, para a sociedade que queremos”, disse.
Durante o lançamento, Eliceuda retoma a palavra e informa que este ano a Secretaria de Mulheres completou 10 anos e que, durante 5, produziu o Jornal Sinpro Mulher. Conta que a diretoria compreendeu a importância do instrumento que dialogasse com a questão de gênero e percebeu, posteriormente, que o jornal não cumpria mais essa tarefa. Com isso, entendeu que a revista seria a saída para cobrir essa lacuna. Ela descreve a força da foto da capa e explica que, na terceira edição, todas as mulheres gritam o mesmo grito. “A foto da capa é muito significativa. É de uma companheira que estava na I Marcha das Mulheres Negras. Esse grito, essa força dela, faz a grande diferença para todas nós. Em breve estaremos chamando para um debate político sobre a pauta da revista Sinpro Mulher 2016”.
A coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro-DF informa, ainda, que a revista nasceu para ser usada. “É para vocês usarem, brincar, rabiscar, insistir com a nossa direção do sindicato para fazermos mais porque ela é importante. “Ela não nasceu da ideia de três ou 39 diretoras e diretores. Ela nasceu do ideal do Coletivo de Mulheres Educadoras, as quais se reúnem, conversam, divergem e fazem acontecer. É o exercício da democracia que nós insistimos”.
Fotos: Deva Garcia
Galeria
“Pensar a educação é pensar além da escola”, diz Luiz Fernando Dourado
Jornalista: Maria Carla
O cientista social e educador, Luiz Fernando Dourado, finalizou o primeiro dia da VI Conferência Distrital de Educação, do Sinpro-DF, com uma palestra sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ele começou sua palestra, citando Paulo Freire e Guadêncio Frigotto e levou os (as) participantes indagações como a que questiona que compreensão os (as) professores (as) têm da educação?
“Em que medida a educação interfere na nossa forma de organizar os processos de trabalho, de pensar a escola, a gestão democrática, a participação estudantil como algo vital e fundamental, de pensar os profissionais da educação na sua totalidade, diferentes profissionais que atuam no cotidiano das instituições educativas? Ou seja, pensar a educação é pensar além da escola e entender, até mesmo, que a escolarização é uma parte das várias visões, da leitura de mundo, de homens e da sociedade”, disse Dourado.
Para o pesquisador, a contribuição acadêmica e o pensamento do intelectual Guadêncio Frigotto é fundamental para entender a BNCC e os processos da educação. Frigotto é hoje um dos principais intelectuais na análise da relação entre o sistema capitalista, o trabalho e a educação, na forma de educação profissional, técnica e tecnológica, bem como na reflexão sobre as políticas públicas e o sentido da educação como formação humana.
“Ele tem um pensamento fundamental sobre a educação, segundo o qual a educação é constitutiva e constituinte das relações sociais. Se por um lado, Frigotto quer dizer que a educação é parte da sociedade, por outro, Paulo Freire, afirma que se a educação não muda sozinha a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.
Com base nesse pensamento, Dourado desenvolveu sua tese sobre a BNCC e a importância da intensa participação na elaboração dessa base nacional. “Precisamos pensar nos papeis que deve ter uma sociedade educadora. Por isso precisamos alargar os horizontes das instituições educativas e repensarmos essas instituições, trazermos para o cotidiano essas instituições. Por isso toda essa discussão que aqui fazemos tem impacto direto na concepção de gestão democrática”, avalia.
Dourado disse que a gestão democrática é a grande chave para discutimos essas questões. O professor mencionou a Constituição Federal e disse que ela teve um motivo para ser chamada de Constituição Cidadã em razão dos movimentos sociais realizados para ampliar os direitos sociais hoje ameaçados.
Ele chamou atenção para o fato de que há uma necessidade de se pensar esses processos no setor da educação como processo políticos e avisa que processos pedagógicos só avançam como processos coletivos. Após analisar e apontar a importância da BNCC, ele traçou os desafios que o país tem a enfrentar para instituí-la, com as discussões e construções promovidas na sociedade e na comunidade escolar, nas instituições educativas e na academia.
O primeiro desafio é pensar que essa discussão não se dissocia desse debate sobre a BNCC. Essas discussões criam espaços mais plurais. “É fundamental, para a BNCC, haver a participação de todos. Entende-se por BNCC os princípios e fundamentos essenciais para concretização do direito à educação, cuja materialização se efetiva a partir de políticas”, disse.
Meritocracia e OS são debatidos na 6ª Conferência Distrital de Educação
Jornalista: Luis Ricardo
A Meritocracia e as Organizações Sociais foram os temas debatidos na primeira mesa da tarde desta sexta-feira (24) da 6ª Conferência Distrital de Educação, que está sendo realizado na Eape (907 Sul). O evento teve início hoje e será encerrado neste sábado (25). Para falar sobre as temáticas foram convidados a professora da rede pública estadual do Rio Grande do Sul e doutora em Políticas Públicas e Gestão da Educação pela UnB, Juçara Dutra Vieira, e o estudante do Colégio Estadual Olavo Bilac de Goiânia (GO), Gabriel Bernardes Coelho Lima.
Abrindo o debate, Gabriel Coelho lembrou a luta que professores e estudantes da rede pública do estado de Goiás vêm travando contra a política neoliberal do governador Marconi Perillo. Segundo o estudante, não é de hoje que o governo de Goiás tem preparado o terreno para implantar a “Gestão Compartilhada” da Educação Pública do Estado com Organizações Sociais. Apesar desta “entrega” ser tratada por Marconi como algo positivo para a educação, Gabriel afirma que a manobra traz, a curto prazo, enormes prejuízos para educadores e para a comunidade escolar. “O governador vai para a televisão afirmar que a educação do estado ganhará muito com as OS, mas na prática sabemos que será um grande retrocesso na história da educação. Já ocupamos várias escolas, temos lutado muito para que esta manobra não seja concretizada e vamos até o fim contra este retrocesso”, afirma Gabriel.
Estudiosa sobre a meritocracia, a professora Juçara Dutra afirmou que as lutas travadas por educadores de todo o País ajudaram na conquista do espaço que hoje temos. Porém, lembrou que diante da conjuntura política alicerçada no neoliberalismo, vivemos um período de crise ideológica e perigo de retrocesso às conquistas e avanços conquistados pelos trabalhadores da educação.
Modelo de gestão de pessoas no qual as posições hierárquicas e os salários estão baseados na performance, na competência, no talento, no nível de escolaridade, no esforço e, principalmente, na entrega de resultados, a meritocracia traz, em si, um alto grau de subjetividade. Segundo a professora Juçara, isso representa uma gradativa responsabilização do professor e da escola pelos resultados obtidos, cabendo ao governo o gerenciamento do sistema, estabelecendo as metas que devem ser alcançadas.
“Se a nossa escola não estiver centrada em valores, perde-se muito da sua função social. Como educadores, precisamos lutar por uma escola que promova a igualdade de valores, que lute pelo fim das desigualdades e, principalmente, por uma escola pública de qualidade. Temos de repensar o papel da educação através da busca pelo direito do trabalhador e não na disputa por espaço respaldado em um conceito elitista e de mérito”, analisa Juçara.