Governos neoliberais lançam propaganda para dizer que adoção de OS não é privatização

A privatização da educação pública é um projeto em curso no Brasil, geralmente, executado pelos governos neoliberais, como, por exemplo, o do Estado de São Paulo, do Paraná, de Goiás, de Pernambuco, do Distrito Federal e outros.
Como esse projeto tem encontrado resistência por parte da sociedade civil organizada – ou seja, pelo movimento sindical no campo da educação, movimento estudantil, pais de estudantes e outros – em todas as unidades da Federação em que tem sido implantado, os governos neoliberais adotaram uma maneira de mascarar essa apropriação inconstitucional do patrimônio e dos recursos financeiros públicos.
seduceEm Goiás, por exemplo, há mais de 10 anos o governo tucano vem privatizando os serviços públicos. Primeiramente, em mandato anterior do atual governador, Marconi Perillo, do PSDB, foi privatizada a saúde. No atual mandato, ele tem como alvo os serviços público de educação.
Em todo o ano passado e nestes primeiros dias de 2016, o governo Perillo tem gasto muito dinheiro público com intensas propagandas institucionais nas televisões e em toda a mídia comercial para convencer a população de que o Estado de Goiás necessita de Organizações Sociais (OS) privadas para gerir as escolas e outros estabelecimentos públicos, como todos os hospitais públicos.
“A todo momento a secretária de Estado da Educação, Cultura e Esporte (Seduce), Raquel Teixeira, tem ido às TVs falar a favor da transferência da gestão das escolas públicas estaduais para as OS, sempre explicando que não se trata de privatização”, relata o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás (Sintego), Arquidones Bites.
No site da Seduce-GO, além de um pop-up abrindo o site com explicação sobre a adoção de OS (confira a imagem acima), há várias matérias informando que a secretária de Educação tem se reunido com a comunidade para explicar o novo modelo de gestão com as OS e falar sobre supostos benefícios para a sociedade.
Em Anápolis, onde serão privatizadas, neste primeiro momento, 18 escolas públicas estaduais, Raquel Teixeira se reuniu com mais de 30 tutores pedagógicos, técnicos escolares e funcionários da subsecretaria, bem como com conselheiros tutelares, para convencê-los de que a privatização se chama “gestão compartilhada das escolas públicas e que não é privatização”.
“Mas qual é o nome dessa ação que pega o dinheiro público e transfere para uma empresa privada gerenciar uma escola que já tem um gestor, que é o diretor eleito pela comunidade escolar? Para nós não tem outro nome a não ser o de privatização”, observa o sindicalista.
Organizações Sociais no Distrito Federal
No Distrito Federal, após publicar, no Diário Oficial do DF (DODF), de 31 de dezembro de 2015, Decreto 37.036, de 30 de dezembro de 2015, que institui os grupos de trabalho que vão pensar a privatização dos serviços públicos, o governo Rodrigo Rollemberg pretende iniciar a mesma campanha midiática a fim de convencer, com propaganda enganosa, a população da capital de que as OS não significam a privatização do patrimônio e do serviço público.
A ideia é combater todo tipo de rejeição ao pacote privatista e jogar a população contra quem desmentir a propaganda enganosa, como, por exemplo, a mídia do movimento sindical. Importante lembrar que “o processo de privatização é apenas uma das facetas das políticas de reforma empresarial em circulação no país. Na verdade, esse processo é preparado e induzido por duas outras categorias que criam ou aceleram as condições para tal: responsabilização e meritocracia”, alerta Luiz Carlos de Freitas, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Ele explica que “a privatização apresenta várias formas: adoção de OS para administrar a escola, vouchers, parceria público privada, e também a adoção de sistemas de ensino pré-produzidos e que regulam as relações entre professores e estudantes. Estes, podem ser ainda no formato de papel ou podem ser produzidos no sistema e-learning interativos”, alerta o professor da Unicamp.
O Sinpro-DF lançou, na primeira semana de janeiro de 2016, a Série Privatização da Educação Pública. O objetivo é denunciar governos neoliberais que se apropriam do patrimônio e dos recursos financeiros públicos para atender ao capital nacional e internacional, repercutir noticiário sobre privatização da educação pública, divulgar conceitos e notícias próprias sobre essa temática e fiscalizar as políticas adotadas contra a educação pública e a categoria docente em curso no país e, sobretudo, no Distrito Federal.
Confira a matéria da série:
Decreto de Rollemberg de 30 de dezembro visa à privatização dos serviços públicos

A previsão é clara: vai faltar professor(a) em 2016

O Diário Oficial desta quinta-feira (7) anunciou a contratação de 69 professores(a). O Sinpro esclarece que contratações a conta-gotas não vão resolver o enorme defict destes profissionais no Magistério.
Um exemplo é 2015, enquanto foram chamados 240 profissionais, porém apenas 171 tomaram posse. E neste mesmo período,  foram mais de 800 aposentadorias. Portanto, este ano será complicado, caso o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) insista em não realizar um concurso público e de fato contrate mais profissionais. O cenário é nítido: vai faltar professor(a) em sala de aula e os estudantes serão prejudicados.
O quadro se complica após levantamento publicado pelo G1 que informa que há a previsão de mais de 1600 aposentadorias neste ano. Se o GDF fizesse um concurso hoje, em virtude de todos os trâmites necessários, a primeira pessoa aprovada só seria contratada daqui a 6 meses. Então, se a situação já está caótica, ela vai piorando dia após dia.
Outro agravante é a expansão da rede, que pode ser feita através da construção de escolas ou pelo incremento da educação na modalidade integral. Atualmente esta segunda alternativa é adotada no DF. Tal expansão gera a demanda de mais professor(a), indo na contramão com o que o GDF faz hoje, em esvaziar o quadro de profissionais da ativa.
Pedagogo-orientador educacional
O pedagogo-orientador educacional é um profissional da carreira Magistério que também está em falta nas escolas há algum tempo. Muitas escolas já não possuem este profissional, que é de vital importância como um elo entre os estudantes, professores, direção e as famílias. O Governo do DF, apesar de ter um banco de concursados nesta área, não contrata. Desde maio do ano passado, o governador Rollemberg não se esforça para recompor o quadro de concursados.
O colapso se aproxima, o Sinpro periodicamente faz este alerta, mas o Governo prefere se omitir.
Confira a publicação.

TV Globo presta desserviço à população e divulga matéria errada sobre reposição

A Rede Globo volta a produzir material sem apuração e sem responsabilidade com a informação e é desmentida pela TV Record. Novamente, durante esta semana, a TV Globo produziu conteúdo sobre a reposição das aulas que ocorre desde dezembro, após a greve dos (as) professores (as), ouvindo somente alguns estudantes e, com isso, repassando para a sociedade informações completamente erradas que difamam a categoria docente e desqualificam o trabalho acadêmico da rede pública de ensino.
No início desta semana, o Sinpro-DF soltou nota de esclarecimento sobre isso (confira aqui), após essa TV divulgar matéria sem ouvir os outros lados e sem verificar os fatos. Todavia, diferentemente das outras TVs, que fizeram a matéria mostrando a verdade, a Rede Globo volta a veicular notícia tendenciosa, prestando desserviço à população do Distrito Federal.
Confira a matéria da TV Record aqui.
Assim, como essa TV persistiu nessa campanha de difamação da categoria e, sem nenhum conhecimento dos procedimentos pedagógicos adotados nas escolas, continua divulgando informações erradas com depoimentos de estudantes dizendo que o que está ocorrendo não é reposição e sim recuperação, professores e professoras que estão repondo as horas de trabalho em razão da greve passaram a publicar nos seus perfis em redes sociais fotos, áudios e até vídeos do seu trabalho.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF esclarece à comunidade escolar que a recuperação é uma estratégia pedagógica que ocorre dentro do processo de aula normal. A reposição, por sua vez, não está relacionada com o conteúdo pedagógico e sim com as horas trabalhadas. A reposição das horas trabalhadas neste fim de ano letivo é um mecanismo usado pela categoria para repor aulas suspensas durante a greve.
Quanto à estratégia pedagógica adotada no decorrer dos anos letivos, o que ocorre é que, faltando de 10 a 12 aulas para encerrar o calendário escolar, o (a) professor (a) deve, nas séries finais dos ensinos fundamental e médio, utilizar dos recursos e do tempo para recuperar os estudantes que não obtiveram rendimento satisfatório ao longo do ano. Isso ocorre em todo fim de ano letivo. Isso é um direito do (a) estudante.
A matéria da TV Globo, de forma deturpada, deu um tom enfático de que o que está havendo não é reposição e sim recuperação, como se a recuperação não fosse uma atividade prevista na estratégia pedagógica. A recuperação é objeto de lei que garante ao (à) estudante o direito de fazê-la no fim de ano. Numa atitude perversa para difamar e prejudicar a categoria docente, essa TV evoca a recuperação como se ela não fosse uma estratégia pedagógica, adotada todo fim de ano, por todas as escolas do país e os (as) estudantes não tivessem que ter, nesse período, o direito à recuperação.
As matérias nessa TV sobre a reposição de horas de trabalho dos (as) professores (as) que fizeram greve está, propositadamente, confundindo reposição de horas de trabalho com qualidade do serviço prestado.  Assim, no calendário escolar de todos os anos, tanto na rede pública como na rede privada, os dias finais do calendário escolar é período de recuperação e, nesse período, ficam apenas os (as) estudantes que estão de recuperação. Importante lembrar que, nesse período, não existe aplicação de conteúdo novo.
Importante esclarecer também que, se o (a) estudante que está de recuperação e, ao longo do ano, teve dificuldades de acompanhar o conteúdo e de ter rendimento satisfatório, não é agora, no período de recuperação, e colocando conteúdo novo, que ele vai se recuperar. O que esse (a) estudante precisa é de um espaço e aulas que possam retomar os assuntos já tratados, conteúdos já trabalhados, para ele (a) poder fazer uma boa avaliação, à qual tem direito.
Importante esclarecer ainda que, mesmo que não tivesse tido greve, o ano letivo de 2015 estava previsto para terminar, segundo o Calendário Escolar Arbitrário do Governo Rollemberg, no dia 28 de dezembro, com aplicação de provas finais no dia 29.
Quem tem filhos e filhas na escola particular sabe que a rede privada liberou estudantes aprovados na segunda quinzena de novembro de 2015 e deu continuidade ao ano letivo apenas para os que ficaram de recuperação. A indignação dos (as) professores (as) da rede pública que estão em reposição de horas de trabalho em decorrência da greve com a matéria da TV Globo levou a categoria mandar fotos e áudios que estão circulando nas redes sociais.
Portanto, de acordo com esse calendário, por volta do dia 5 e 8 de dezembro os (as) estudantes aprovados (as) já teriam sido liberados (as) para férias e só ficariam mesmo os (as) estudantes que teriam aulas de recuperação para fazer uma boa prova e obter média para passar de ano. (Confira Calendário Escolar Arbitrário do Governo Rollemberg).
 

TV Sinpro na TV Comunitária fala sobre o Fórum Social Mundial

O programa TV Sinpro na TV Comunitária desta terça-feira (12) abordará o Fórum Social Mundial, que em sua 15ª edição, ocorre a partir do dia 22 de janeiro em Porto Alegre. Para falar sobre os assuntos foram convidados os diretores do Sinpro, Cláudio Antunes e Iolanda Rocha.
Ele vai ao ar, ao vivo, todas as terças, às 17 horas, no Canal 12 da NET. As reprises do programa são exibidas no decorrer da semana (confira programação abaixo). O programa também é disponibilizado no site do Sinpro para quem não dispõe da TV a cabo.
Programação:
Terças – 17h, ao vivo, e reprise às 22h
Quartas – 18h30
Quinta – 13h30 e 22h30
Sábado – 13h
Domingo – 18h30

GDF mantém atual banco de contratação temporária do exercício de 2015

O Governo do Distrito Federal (GDF) prorrogou por mais um ano o processo seletivo simplificado para contratação temporária de professores e professoras da rede pública de ensino. A confirmação do atual banco de concursados da seleção simplificada foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta segunda-feira (4). Com isso, o GDF mantém o atual banco de contratação temporária do exercício de 2015.
A seleção foi feita em 2014, utilizada em 2015 e é a mesma a ser utilizada em 2016. Assim, conforme as normas que regem a contratação temporária, essa renovação do cadastro é opcional e, em alguns momentos, não foi utilizada. Todavia, a confirmação de sua manutenção no DODF desta segunda traz para todos os professores que estão no banco a possibilidade de continuar prestando o serviço na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF).
A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que, ao término das aulas de reposição, todos os(as) professores e professoras do contrato temporário irão retornar à sua classificação do banco de cadastro e, quando o ano letivo de 2016 iniciar, no dia 29 de fevereiro, a SEEDF vai começar a convocação pela ordem de classificação e de necessidade da rede.
Os (as) professores (as) devem manter o seu cadastro (telefone e endereço) atualizado no banco de dados da secretaria. A SEEDF ainda não confirmou a partir de que data de fevereiro irá começar a convoca-los, mas, seguindo a tradição dos últimos anos, isso pode começar a acontecer uma ou duas semanas antes do primeiro dia do ano letivo, 29 de fevereiro.
Confira aqui o edital
Concurso público
A Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag-DF) já autorizou a SEEDF a realizar novo concurso para a carreira do magistério público. Com várias disciplinas sem ninguém concursado da área, a SEEDF está enrolando a realização do certame. Ela tem utilizado da contratação temporária para substituir os professores efetivos na rede.
A SEEDF faz um jogo muito parecido com o da privatização com uso das Organizações Sociais (OS) porque em vez de contratar profissionais para a carreira pública, ela uso o subterfúgio da contratação temporária e, assim, traz para a rede pública de ensino um profissional menos oneroso, mais barato e mais precarizado porque ele não progride na carreira, não recebe salários em períodos de recesso de fim de ano, em janeiro não tem salário.
Assim a SEEDF acaba gerando uma economia que só numa visão neoliberal se justificaria. Importante lembrar que o DF já viveu períodos semelhantes a este, de prevalência da contratação temporária e enfraquecimento do serviço público. O Sinpro-DF sempre combateu esse tipo de pensamento.
A diretoria lembra que nos governos de concepção conservadora e pensamento neoliberal sempre se utilizaram desse recurso para não contratar servidores efetivos para o magistério público. Isso também é uma forma de usar as vagas públicas para contratar apadrinhados políticos.
Desde o início de 2015, em todas as reuniões como GDF, a diretoria colegiada do Sinpro-DF cobrou a contratação de professores concursados e somente em setembro o governo convocou 240 professores(as). Importante lembrar que só no ano passado houve 693 aposentadorias.
“No período do governo Roriz, o percentual de contrato temporário em vagas de concursados efetivos chegou a 30% do corpo docente da rede. No período do governo Arruda não foi diferente: esse percentual foi de 25%. No governo Agnelo caiu para menos de 15% principalmente por causa das contratações durante o período de 2011 e 2014, com mais de seis mil convocações. De 2015 para cá o que estamos assistindo é um refluxo na lógica do fortalecimento do serviço público que, em vez de continuar a política de contratação de professores concursados para as vagas definitivas, estamos vendo o governo investir numa privatização disfarçada”, lembra o diretor de Imprensa do Sindicato, Cláudio Antunes.
Ele alerta para o fato de que, “hoje, o governo age disfarçadamente como uma OS já que deixa de contratar servidores efetivos para vagas dos aposentados para colocar os profissionais do contrato temporário”.  Importante esclarecer que o Sinpro-DF é favorável à contratação de professores (as) do contrato temporário estritamente para os casos previsto em lei. São substituições para situações absolutamente provisórias.
Diante dessa situação, na avaliação de Antunes, “haverá falta de professores (as) no início do ano letivo de 2016, uma vez que o GDF nem tem banco de concursado suficiente para cobrir e nem fez o concurso público e, numa tríade, o GDF ainda tem uma limitação de contratação temporária estipulada pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). No entendimento da diretoria do Sinpro, a única solução é o GDF voltar a fazer o que tem de ser feito, a contratação de professores (as) via concurso público para as vagas, conforme definido pela Constituição Federal.
O mesmo ocorre com os (as) orientadores (as)  educacionais. Há um ano cerca de mil concursados (as), cujo concurso foi homologado no ano passado, aguardam convocação do GDF. Trata-se de um setor da carreira do magistério público só teve as suas últimas contratações no fim de 2009. Ao não convocá-los, a SEEDF lesa o (a) cidadão (ã) que prestou o concurso público e foi aprovado e também o estudante, que precisa desse suporte do pedagogo-orientador no processo educacional.
Além disso, mantém o GDF na ilegalidade porque não cumpre o previsto no artigo 3º, inciso I da Lei nº 5.105/2013 (Lei do Plano de Carreira). O Anexo I desse lei define que o quantitativo de vagas para esse cargo é 1.200, mas, hoje, na rede pública há pouco mais de 700 orientadores(as)-pedagogos(as) educacionais efetivos em atuação.

Decreto de Rollemberg de 30 de dezembro visa à privatização dos serviços públicos

Depois de passar o ano de 2015 dizendo que não havia dinheiro público nos cofres do Governo do Distrito Federal (GDF) para sustentar os serviços públicos, como sempre houve desde que a capital foi inaugurada, e também após trabalhar para precarizar as secretarias e suas autarquias, o governo Rodrigo Rollemberg diminui o jogo de cena e inicia o ano de 2016 com seu projeto de governo para a capital federal: a efetiva privatização dos serviços públicos.
Com o Decreto 37.036, de 30 de dezembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) no dia 31, ele institui os chamados Grupos de Trabalho do Marco Regulatório do Terceiro Setor no DF.  Esses grupos irão estudar a melhor forma de o governo Rollemberg repassar para a iniciativa privada o dinheiro público que deve ser usado nos serviços públicos. Dentre os 12 órgãos e entidades DF escolhidos para serem privatizados, está a Secretaria de Estado da Educação, Esporte e Lazer (SEEDF), que, assim como as demais elencadas, deverá mandar dois representantes para o seu respectivo GT.
Ou seja, segundo texto do decreto, esses grupos de trabalho irão debater e elaborar proposta de normas para regulamentar a Lei nº 13.019/2014 e, assim, poder celebrar “parcerias voluntárias entre órgãos da Administração Pública direta e indireta com as organizações da sociedade civil”, as denominadas Organizações Sociais (OS). No artigo 2º do decreto, ele elenca os serviços públicos e as secretarias que, possivelmente, serão privatizadas. (Confira a imagem do decreto ao final desta matéria)
A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que, a partir desta segunda-feira (11), iniciará uma série de reportagens sobre a atuação das OS em todos os locais do mundo em que elas foram adotadas, mostrando os fracassos e a apropriação indevida e inconstitucional de dinheiro e serviços públicos por governos de plantão.
A série via começar pela privatização das escolas estaduais públicas do Estado de Goiás. Após privatizar todo o setor público de saúde da unidade da Federação, o governador Marconi Perillo, do PSDB, inicia o ano de 2016 com um aviso de chamamento das organizações sociais, dando a elas o prazo de 30 dias para apresentar propostas.
Ele anunciou na imprensa que, neste primeiro momento, irá privatizar 25% das escolas públicas estaduais, o que corresponde a 300 estabelecimentos. No aviso de chamamento publicado no dia 4 de janeiro deste ano, ele anuncia o repasse da gestão de 23 escolas estaduais públicas da denominada Macrorregião IV, a qual abrange os municípios de Anápolis, Pirenópolis, Alexânia, Abadiânia e Nerópolis. Coincidentemente, todas do entorno do Distrito Federal.
Confira, a partir desta terça-feira (12), a série de reportagens sobre a privatização dos serviços públicos
Decreto

Polícia Civil suspeita de que Cid Botelho foi vítima de latrocínio

professorcidA notícia da morte do professor Cid Botelho, 57 anos, ganhou as páginas dos jornais com a informação de que a polícia acredita que ele foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). O caso está sendo investigado pela 3ª Delegacia de Polícia.
De acordo com informações da imprensa, o irmão de Cid Botelho encontrou o corpo do professor no chão do quarto, com o rosto para baixo, contra um travesseiro. Relato da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) dá conta de que havia sangue na cama, no chão e nas paredes do recinto, indicando a possibilidade de ter havido luta corporal no local do crime.
O assassinato ocorreu no sábado (9), no apartamento em que o professor Cid Botelho residia, à SHCES Quadra 207, Cruzeiro Novo. Do local, foram roubados um televisor, um laptop, um aparelho de som e um automóvel.
Cid Botelho era professor da Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) aposentado e, segundo o irmão, morava sozinho.

Reunião do Coletivo de Mulheres Educadoras: organizando a luta

A Secretaria de Assuntos e Políticas para Mulheres Educadoras do Sinpro-DF convida a todos e todas para participar da reunião do Coletivo de Mulheres Educadoras, no dia 13 de janeiro, às 15h, na sede do sindicato, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG). A reunião será realizada para se discutir a pauta da terceira edição da revista Sinpro Mulher.
As diretoras da secretaria informam que a participação e a contribuição de cada um e cada uma é muito importante para fortalecer a luta das mulheres. Após a reunião, às 17h, os (as) participantes da reunião se somarão a outras companheiras na Roda de Debate sobre o “Enfrentamento ao abuso e à exploração sexual no Distrito Federal”. Pede-se confirmação da presença.

Nota de falecimento: professor Cid Botelho

A diretoria colegiada do Sinpro-DF comunica, com grande pesar, o falecimento do professor aposentado Cid Botelho, do Centro Interescolar de Línguas de Brasília – CIL 1, ocorrido neste sábado (9).
O velório será realizado na Capela 2 do Cemitério Campo da Esperança (SGAS 916 – W3 Sul), das 8 às 10h desta segunda-feira (11).
A diretoria do Sinpro-DF presta toda sua solidariedade à família e aos amigos neste momento de dor.

Em 2015, governo Rollemberg extingue programas de inclusão educacional no DF

O governo Rodrigo Rollemberg não priorizou a educação em 2015. Essa é a avaliação que a diretoria colegiada do Sinpro-DF faz ao realizar um balanço de todos os acontecimentos do setor no ano passado. Um dos motivos que levaram os (as) dirigentes sindicais a concluírem que a educação pública e gratuita se tornou segundo plano, foi o rompimento do Governo do Distrito Federal (GDF) com as políticas de inclusão educacional no DF.
Ele rompeu com dois programas de inclusão essenciais, e já consolidados, os quais vinham assegurando, na capital federal, desde o início dos anos 2000, o ingresso da juventude de baixa renda na universidade pública. Ao encerrá-los, acabou também com a esperança de melhorar de vida de 90% desses (as) estudantes. “Ao fazer isso, ele não só deu o calote nos (as) professores (as) e pedagogos(as)-orientadores(as) educacionais, como também nos (as) estudantes oriundos (as) de famílias de baixa renda”, afirma o diretor da Secretaria para Assuntos de Políticas Educacionais do Sinpro-DF, Fernando Ferreira dos Reis.
Além de interromper o programa do Cartão Material Escolar – um benefício entregue às famílias cadastradas no Bolsa Família e com crianças em idade escolar –, o governo Rollemberg acabou com a isenção do pagamento da taxa de inscrição no Programa de Avalição Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB) que o GDF garantia, há quase uma década, aos (às) estudantes de baixo poder aquisitivo, colaborando, assim, com o ingresso desse segmento social na universidade pública.
“O governador Rollemberg retirou desses estudantes de baixa renda a oportunidade de ingressar em uma universidade pública. Como uma família de baixa renda com três, quatro, cinco filhos terá condições de pagar uma taxa de inscrição de R$ 100, somando aí um total de R$ 300, R$ 400, para os filhos fazerem o PAS?”, indaga o diretor do sindicato.
Fernando Reis explica que os dois programas tiveram sucesso até 2014. “Eles potencializaram a entrada desses estudantes e, quando Rollemberg rompe com isso, demonstra, claramente, a face privatista do seu governo. O objetivo é sucatear a educação e excluir a classe pobre dos direitos sociais, previstos no Capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 6º, da Constituição Federal. Ele retira o Estado justamente dos setores que precisam do Estado”, declara.
Estudantes, professores e até pais, enfim, a comunidade escolar foi às ruas para protestar contra esse rompimento. Com cartazes e faixas com inscrições do tipo,“Não abro mão da isenção”, centenas de estudantes do ensino médio da rede pública foram às ruas protestar. Realizaram várias passeatas da Rodoviária do Plano Piloto ao Palácio do Buriti contra o fim da isenção da taxa de inscrição no PAS, o calote no material escolar e outros calotes em curso na categoria docente. Ocuparam o Eixo Monumental para chamar a atenção da população do DF.
Os gestores da Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) se limitaram a avisar, pela mídia, que o governo não pretendia cobrir as despesas desses estudantes para inscrição no PAS. Da SEEDF, informavam pela imprensa, que a única ressalva era para os (as) estudantes do 3º ano, e que tivessem estudado o 1º e 2º anos também na rede pública, assim como estudantes cadastrados em programas sociais. “Os demais estudantes terão de efetuar o pagamento, algo que não ocorreu nos últimos 10 anos”, dizia o governo.
“O fato de o custo da inscrição ser R$ 100, alijou em 2015, e vai continuar a alijar neste ano, um número enorme de estudantes do programa, uma vez que a dinâmica do PAS são três avaliações realizadas ao término de cada série do ensino médio”, explicou Luiz Alberto Gomes Miguel, diretor de Finanças do Sinpro-DF.
Fernando Reis, que participou das marchas e protestos dos (as) estudantes, destacou que o Sinpro parabeniza a organização estudantil, principalmente nas regiões administrativas periféricas e de baixa renda da capital federal mais afetadas pela decisão privatista do governo e também as que mais necessitam dessa isenção. “É uma contradição muito grande o governador Rollemberg lançar um programa de incentivo à participação dos (as) estudantes e divulgar os exames do ensino médio para, logo em seguida, cancelar a isenção”, disse o dirigente.
Os estudantes – que se reuniram várias vezes na Rodoviária e caminharam rumo ao Buriti, esperaram ser recebidos por representante do governo, tentando reverter a situação. Em Santa Maria, estudantes do Centro de Ensino Médio (CEM) 404 protestaram contra calote do GDF na inscrição do PAS.
No início de setembro do ano passado, tiveram uma aula diferente. Eles se reuniram – juntamente com professores (as), orientadores (as) e auxiliares (as) – no pátio da escola para realizar um protesto contra o calote do GDF na inscrição do PAS. Com cerca de 2 mil estudantes, a escola teve um avanço significativo de ingresso de estudantes na UnB nos últimos anos.
Rollemberg destruiu essa conquista, alegando falta de provisão orçamentária. O diretor do Sinpro-DF, Luiz Miguel, presente a esse ato, rebateu o argumento de falta de dinheiro do GDF, enfatizando que o governador Rollemberg já estava eleito quando o Orçamento de 2015 tramitava pela Câmara Legislativa do DF.
“Como é que o governador eleito não acompanha o Orçamento que ele mesmo irá gerir no ano seguinte? Tinha de saber quais eram os projetos e as prioridades, principalmente, as sociais. É pelo PAS o maior ingresso na UnB de estudantes da rede pública”, declarou.
Professor de Português do CEM 404, Marco Antônio Vieira da Silva, observou, na época, que estava triste e preocupado com a ação do governo. “O GDF está apenando de uma forma cruel e covarde uma grande parcela dos estudantes da escola pública. Isso é um crime porque é direito desses (as) estudantes terem acesso ao ensino superior público, à UnB”.
Na ocasião, o professor destacou que o projeto político pedagógico do CEM 404 é exclusivamente voltado para o PAS e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “O governo vai comprometer todo o nosso trabalho”, afirmou. A manifestação foi considerada, por unanimidade, na comunidade escolar, como uma ação importante porque reforçou a afirmação política dos (as) estudantes de lutar por um direito.
Silva disse ainda que o posicionamento do GDF causou também uma segregação dentro do ensino médio entre quem podia e quem não podia pagar a inscrição. “Há muitos pais e mães com dois ou três filhos matriculados. Como fazer para tirar R$ 200 ou R$ 300 de uma só vez?”, indagou. “Se esse quadro não for revertido haverá, com toda certeza, um grande prejuízo não apenas para o CEM 404, mas para outras escolas e para a sociedade”.
Marcos Vinícius Dutra Vicente, professor de sociologia, considerou a atitude do governo um “um calote, que pegou a todos de surpresa – estudantes, professores (as), famílias. Vejo a situação como descaso, pois a educação é um direito social e esse custeamento havia se tornado já há dez anos uma política pública consolidada. É preciso chamar a atenção da sociedade para a gravidade desse ato do GDF”, afirmou.
Marcos Vinícius disse ainda que muitos estudantes desistiram da inscrição por não ter dinheiro e, imediatamente à ação do governo Rollemberg, demonstraram desmotivação em sala de aula. “Minha família não tem condições de pagar os R$ 100. Infelizmente, não tenho como fazer a inscrição. Sinto-me desprezada, fora da realidade”, resumiu a estudante Daniela Guimarães Matos, do 3º ano do Ensino Médio.

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