Professores (as) marcam presença nas assembleias regionais

As professoras e professores marcaram presença nas assembleias regionais, realizadas em várias regiões administrativas durante esta segunda-feira (12). Foram eleitos os membros do comando geral de greve que ficará responsável pela organização e mobilização da categoria durante o  período de paralisação.
Em Taguatinga 120 professoras(es) estiveram presentes na assembleia regional e em seguida participaram de piquetes de convencimento no Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB), Centro de Ensino Fundamental 15 e na Escola Classe 17. Na regional de Ceilândia (foto) cerca de 180 pessoas participaram da assembleia. Já no Paranoá mais de 60 educadores e educadoras escolheram seu representante e em seguida visitaram o CAIC, o Centro de Ensino Fundamental 02 e o Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns. “Percebemos boa adesão da categoria nas assembleias regionais e é com a participação de toda categoria que conquistaremos nossos direitos”, analisa o diretor Rodrigo Rodrigues.
 
 

Corte de ponto não nos intimida: categoria tem compromisso com estudantes

Em mais uma demonstração de postura autoritária, o governo anunciou hoje, 12, por meio do seu porta-voz, que vai cortar o ponto dos professores da rede pública que aderiram à greve. Além de não responder às duas solicitações de negociação feitas pelo Sinpro (uma na quinta e outra hoje, 12/03), o governo usa do expediente da intimidação para tentar desmobilizar a categoria, da mesma forma que fizeram outros governos.
Mas não serão declarações como essa que farão com que os professores se amedrontem, até porque sempre tivemos compromisso com a reposição das aulas em todas as paralisações que realizamos, porque temos compromisso com nossos alunos. E por conta disso negociamos o pagamento mediante reposição dos dias parados.
De acordo com o Portal G1, a “ordem” do governador Agnelo Queiroz é “insistir” no diálogo! Como assim? Se o diálogo foi interrompido pelo governo em novembro e não foi retomado até o momento! Sim, porque não podemos considerar negociações as duas reuniões que antecederam a nossa assembleia e que na verdade foram apenas para informar que não pretendiam cumprir o que foi acertado.
O que nos levou à greve é um acordo de abril do ano passado que não foi cumprido, principalmente em dois itens: plano de saúde e reestruturação do plano de carreira, para que ao longo de 2012, 2013 e 2014 conquistássemos a isonomia salarial com as demais carreiras de nível superior.
A nossa resposta será intensificar a mobilização e mostrar que estamos unidos e preparados para enfrentar qualquer ataque a nossa organização.
 

Nossas conquistas são fruto da nossa luta

Na nota enviada do GDF à direção do Sinpro, o governo mencionou diversos avanços que a categoria vem acumulando nos últimos anos como se fossem promovidos pela atual gestão do DF no ano de 2011.
Vale lembrar que a proposta de reajuste de 13,83%, em três parcelas, só foi aceita pela categoria na assembléia de 13 de abril de 2011 porque vinha acompanhada da proposta de reestruturação do plano de carreira e envio à Câmara Legislativa até 30 de setembro/2011. Até o momento isso não ocorreu.
Confira abaixo o quadro que esclarece ponto a ponto algumas conquistas da nossa luta.
 

Esclarecendo sobre as conquistas da Educação no DF

1

GDF

Reajuste do auxílio alimentação para R$ 304,00 (trezentos e quatro reais),com o fim da contrapartida.

SINPRO

O reajuste citado foi estendido a todos os servidores do GDF, sendo que o fim da contrapartida se deu em 2010, portanto, no governo anterior, para começar a valer a partir de janeiro de 2011. As professoras/es reivindicam a isonomia do valor com os que são pagos aos servidores da CLDF.

2

GDF

Manutenção do quantitativo de servidores afastados para estudo.

SINPRO

A lei 4.075/2007 já garante o afastamento para estudo. A categoria reivindica que nesse afastamento que não haja prejuízo financeiro da GARC.

3

GDF

Participação dos professores e orientadores educacionais na discussão e elaboração dos projetos pedagógicos.

SINPRO

Desde o Governo Rosso a categoria tem debatido a formulação dos projetos, bem como sempre fez esse debate no âmbito da escola. Contudo, destacamos que até o momento a SEE não apresentou o Projeto Político Pedagógico da Rede de Ensino, apenas fez apresentações “linhas gerais” do que será o projeto.

4

GDF

Nomeação de todos os candidatos aprovados dentro do número de vagas do edital do último concurso público.

SINPRO

Convocar e nomear são coisas distintas. Apenas 364 professores foram nomeados/contratados. O número de concursados é muito maior, bem como as carências a serem preenchidas na rede. Tanto é maior que o próprio governo admite a contratação de temporários para vagas definitivas. Nesse caso não podemos esquecer ainda do lamentável episódio de convocação (inclusive por telegrama) e desconvocação de mais de mil professores nos primeiros meses da atual gestão do GDF. A realidade é ainda de carência crônica de professores na rede, já que apenas em 2011, cerca de 900 professores (as) pediram aposentadoria.

5

GDF

Aprovação da Lei de Gestão Democrática para a Rede Pública de Ensino, com eleições previstas para maio de 2012.

SINPRO

O sindicato iniciou o debate com a atual gestão do GDF sobre a gestão democrática em janeiro do ano passado, visando à eleição para no máximo em dezembro de 2011, mas o GDF demorou a enviar a proposta para o Legislativo e agora, apesar de ser um avanço, teremos a primeira eleição no meio do ano letivo, o que pode significar mudanças bruscas na condução da escola.

6

GDF

Reforma de mais de 300 instituições educacionais.

SINPRO

Mais de 80% das 649 escolas públicas necessitam de reformas ou de serem totalmente reconstruídas. No número apresentado pelo GDF estão incluindo escolas que apenas tiveram o mato cortado e as paredes pintadas.

7

GDF

Retorno de 1.500 professores, que encontravam-se em convênios, nas áreas administrativas da Secretaria e das Regionais de Ensino, para a sala de aula.

SINPRO

A prerrogativa de ceder profissionais é da Secretaria de Educação, que deveria se organizar para garantir o número de professores necessários para todas as escolas.

8

GDF

Extinção de 750 cargos comissionados na estrutura da SEEDF.

SINPRO

Alguns desses cargos são questionados pela categoria, pois muitas escolas de porte médio contam hoje apenas com duas pessoas para administrar, ao passo que o GDF cria a cada mês uma nova Secretaria de Estado com diversos cargos comissionados.

9

GDF

Pagamento dos professores contratados temporariamente nos moldes dos professores efetivos.

SINPRO

Até hoje a SEE não divulgou se o cálculo de hora aula permanece ou não, bem como não informa qual o referencial de pagamento de quem atua no ensino fundamental/séries finais e Ensino Médio.

10

GDF

Implantação do Diário Eletrônico

SINPRO

O diário eletrônico deveria ter sido implantado no início de 2012 e está previsto apenas para 2013. Este ano, como no ano passado, após intervenção do sindicato, apenas será disponibilizado uma planilha excell para uso provisório dos professores, e nem será para todas as modalidades. O software do diário eletrônico nem começou a ser desenvolvido.

11

GDF

Oferta, pela UnB, do curso de licenciatura a mais de 800 professores que possuem apenas o ensino médio e complemento da licenciatura plena a mais de 540 professores que possuem a licenciatura curta;

SINPRO

Absolutamente nenhum professor de atividades/formação de nível médio está matriculado na UnB e nem será matriculado este ano, pois as discussões no Fórum Permanente de Formação Docente, que o Sinpro participa, concluíram que esta oferta só ocorrerá no ano de 2013 devido às adequações que a UnB precisa fazer. As outras 540 vagas estão em fase final de oferta, sendo que apenas algumas para o 2º semestre de2012. A SEE sequer citou que parte dessas vagas serão ofertadas pelo IFB, como é o caso da turma de licenciatura em Artes/Dança que começa no final deste mês. O Sinpro e as demais entidades do Fórum, diferentemente do GDF, reconhecem a importância do IFB na formação do professor do DF.

12

GDF

Oferta do curso de especialização a 700 professores através de parceria com a UnB;

SINPRO

O governo anterior ofertou mais de 3000 vagas de especialização em processo aberto para qualquer professor concorrer, diferente deste, que visa atender um público específico sem conversar com a categoria.

13

GDF

Aplicação de 33% a 37,5% da carga horária do professor destinados à coordenação pedagógica, sendo que a média dos demais Estados é de 20%;

SINPRO

Os professores que atuam na jornada ampliada possuem 37,5% da carga horária em coordenação pedagógica há 12 anos, quando no ano 2000 todos os alunos do diurno passaram a ter 5 horas de aula. A lei do Piso foi considerada constitucional em 2008, mas o GDF não aceitou no ano passado que os professores de 20 horas gozassem desse percentual (de 33,33%), sendo autorizado em Portaria apenas esse ano, após o Sinpro informar que iríamos entrar na justiça para garantir a aplicação da Lei do Piso.

14

GDF

Manutenção do Concurso de Remanejamento Interno.

SINPRO

O Concurso de Remanejamento Interno e Externo são direitos dos professores e orientadores, garantidos na luta e na construção da lei 4.075/2007, no governo anterior.

15

GDF

Construção de um novo currículo para a Educação Básica com a participação de todos os professores.

SINPRO

O debate sobre o currículo vem se arrastando há três anos.

16

GDF

Criação dos Currículos da Educação em Tempo Integral.

SINPRO

Sem dúvida nenhuma é importante a criação do currículo da educação em tempo integral, o que queremos saber é: Quais escolas, das 649 da rede, funcionam em educação em tempo integral para usarem esse currículo?! O Sinpro defende a imediata implantação da educação em tempo integral para todas as escolas e não apenas para meia dúzia delas.

17

GDF

Processo seletivo para o CIEF e a EAPE

SINPRO

O Sinpro defende que esta seleção deve existir no contexto do Concurso de Remanejamento Externo, conforme a Lei 4.075/2007.

18

GDF

Formação Continuada para 10.000 docentes na EAPE

SINPRO

Essa formação está prevista na Lei 4.075/2007, o Governo atual só está cumprindo a lei que já vinha sendo cumprida.

 

Campanha da categoria ganha os céus de Brasília


Após sobrevoar as regiões da Estrutural, Taguatinga, Plano Piloto e do Gama, o balão da campanha salarial da categoria passou por Sobradinho durante a manhã desta quarta-feira (07). O balão de ar quente ficou parado às margens da BR-020, na altura do estádio de Sobradinho, e durante a tarde fará um sobrevoo de Planaltina a Brasília.
Desde o último domingo (4) o balão percorre diversas cidades do DF lembrando que no dia 8 de março é o dia de nossa assembleia com indicativo de greve, e que estamos esperando uma resposta do governo em relação ao cumprimento do acordado com a categoria em abril do ano passado. Nossa campanha salarial, literalmente, ganhou os céus da cidade! Todas e todos à assembleia, às 9h30, na Praça do Buriti.
Catetinho / Gama

 

Plano Piloto



Estrutural – Entrada de Taguatinga


Taguatinga


Sobradinho

Sinpro pede a condenação do assassino de estudante

A diretora Fátima Nunes (Fatinha), da Secretaria de Raça e Sexualidade, representou o Sinpro durante audiência de instrução de Rendrik Vieira Rodrigues, acusado de matar a ex-companheira Suênia Sousa Farias. A audiência foi realizada durante a tarde de sexta-feira (09), no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e será retomada na segunda-feira, às 10h. “Nós do Sinpro-DF somos solidários à dor da família em prol de justiça. A Secretaria de Política para as Mulheres deste Sindicato luta justamente contra violências como esta e é por isto que buscamos o respeito à Lei Maria da Penha”, salientou. Sinval Monteiro de Farias (foto), pai da estudante, esteve presente na audiência.
Entenda o caso – No dia 30 de setembro o ex-professor Rendrik esperou Suênia no estacionamento da universidade (707/907 Norte) onde ela estudava e quando a viu, pediu para conversarem. Após passar de carro por vários pontos da cidade, Rendrik estacionou em frente ao Jóquei Clube e ordenou que a vítima ligasse para o companheiro, pedido negado pela vítima. Logo após o ex-professor assassinou a estudante com três tiros e em seguida dirigiu com o corpo dela no carro por mais de uma hora antes de se entregar. O Brasil é o 102º país do mundo em casos de violência.

Estudantes do Gama fazem ato em apoio à luta dos professores


Alunos do Gama, organizados pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas das escolas públicas do Gama (UMES), realizaram um ato em apoio à campanha do Sinpro e por melhorias na estrutura das escolas. O ato teve início em frente à administração, às 8h30 de quarta-feira (07), e logo após uma passeata seguiu até a DRE do Gama, quando representantes entregaram uma pauta de reivindicações para o diretor da regional. Na pauta constam pedidos de mais verbas para a educação pública; cobertura imediata das quadras de esportes de todas as escolas do DF; refeições saudáveis e de qualidade em todas as escolas; passe livre irrestrito e ilimitado; reformas estruturais urgentes nas escolas; fim da cobrança de taxas; o cumprimento do acordo do Governo Agnelo com as reivindicações dos(as) professores(as), entre outros.
Apoio da UNE – Outros segmentos estudantis também mostraram apoio à luta dos professores e professoras do DF. Na última sexta-feira (04) representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e de diversos grêmios estudantis estiveram reunidos com a direção do Sinpro, e manifestaram total apoio à luta da categoria. Durante a reunião foi esclarecida a pauta de reivindicação dos(as) professores(as) e, apesar da preocupação dos alunos com a greve, as entidades estudantis entenderam os motivos do movimento e se comprometeram a realizar manifestações em diversas regiões administrativas em apoio. Além das manifestações de apoio, que estão certas em Taguatinga e no Plano Piloto, e da produção de faixas, um manifesto de apoio à luta será divulgado pelas redes sociais.

"A valorização do professor começa pelo piso", diz Ministro da Educação

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, valorizar os professores brasileiros é meta fundamental para o País. Desde que assumiu o comando do ministério, ele anunciou a distribuição de tablets para os docentes do ensino médio, programas de formação, bolsas de estudo. Mas admite que cumprir o piso salarial do magistério deve ser a primeira medida de Estados e municípios para valorizar esse profissional.
Em entrevista ao iG, Mercadante afirmou que essa não é uma tarefa fácil e que há um limite de contribuição do ministério nesse sentido. “Temos outras responsabilidades a cumprir no apoio às prefeituras”, lembra. Garantir recursos do pré-sal para a educação, na opinião dele, pode ser uma boa solução para auxiliar os gestores municipais e estaduais a garantir melhores salários aos educadores.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em seu gabinete durante entrevista ao iGDurante a conversa de quase uma hora, o ministro ressaltou que os cálculos feitos pelo MEC para reajustar o valor do piso são baseados em determinações legais – rebatendo de forma discreta as críticas feitas pelo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, de que o ministro teria “opinião furada” sobre esse assunto.
Em pouco mais de um mês à frente do MEC – cujo orçamento é dez vezes maior do que o da Ciência, Tecnologia e Inovação, antigo cargo de Mercadante –, o ministro se diz maravilhado com o desafio. “É um ministério complexo, com uma agenda dinâmica, dimensões imensas. Eu considero o maior desafio estratégico do Brasil ter uma educação de qualidade para todos”, afirma.
Nos próximos meses, Mercadante espera anunciar novos projetos para a alfabetização e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Um novo programa para a educação no campo será anunciado ainda este mês. Confira os principais trechos da entrevista:
iG: Ministro, quais serão suas prioridades à frente do Ministério da Educação?
Aloizio Mercadante: Nosso primeiro esforço é acelerar o programa de creches e pré-escolas. Nós estamos contratando 1,5 mil creches por ano, no entanto, as prefeituras só estão conseguindo construir as creches num prazo de dois anos e meio. Montamos uma força-tarefa para, nos próximos 60 dias, verificarmos quais as medidas complementares podemos oferecer aos prefeitos e estamos terminando um estudo com o Inmetro para oferecermos serviços de engenharia de novos métodos construtivos, tipo estruturas pré-moldadas e novas tecnologias para acelerarmos isso. A deficiência é grande. Na pré-escola, estamos com 80% dos alunos matriculados, mas na creche temos em torno de 26% de cobertura.
A segunda grande prioridade é alfabetizar na idade certa. Essa eu diria que é uma das grandes prioridades dessa gestão, porque nós temos uma disparidade muito grande. Só 4,9% das crianças do Paraná não são alfabetizadas até os 8 anos de idade. Em Santa Catarina, 5,1%, para darmos bons exemplos. Quando você vai para o Nordeste, em Alagoas, 35% das crianças não são alfabetizadas na idade certa. Quando há creche e pré-escola, você tem mais chance de alfabetizar na idade certa, por isso esse nosso esforço. Nós temos de formar os professores de forma continuada; ter material pedagógico consistente e disponível; precisamos motivar os professores, premiando e valorizando os resultados que venham a ter e temos de avaliar as crianças.
iG: O programa alfabetização na idade certa vai incluir todas essas ações? Quando ele começará a funcionar?
Mercadante: Todas. É um projeto bem completo. Analisamos as melhores experiências do Brasil para formatar esse projeto. Nesta quinta-feira, vou participar do encontro do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e quero discutir o projeto com eles. É importante ouvir deles contribuições, esse tem de ser um grande pacto nacional. Nós vamos disponibilizar recursos, materiais, formação para os professores e motivá-los no programa. O melhor instrumento para isso é um novo programa, o Escola sem Fronteiras, que promoverá estágios desses professores nas melhores escolas do Brasil e do exterior. O pessoal da Capes está estudando as modalidades possíveis, mas estamos pensando no período das férias.
Ranking: Porcentual de alunos com aprendizado adequado à série por cidade
iG: O programa também prevê a oferta de bônus financeiro aos professores que tiverem bons resultados?
Mercadante: Até agora, a forma que achamos mais consistente de estimular os professores é com a bolsa do Escola sem Fronteiras. Também tem de dar algum estímulo para escola. Ela também tem de ser valorizada pelos resultados. Nós vamos discutir com os secretários de Educação para concluirmos o desenho desse programa em parceria, de forma consistente.
Nós estamos lançando também ainda agora em março, o Pronacampo. Só 15,5% dos jovens do campo estão no ensino médio. No campo, 23,2% de todas as pessoas com mais de 15 anos não estão alfabetizadas. O campo precisa ter um outro olhar por parte do Estado.
iG: O senhor poderia adiantar quais serão as ações práticas desse programa?
Mercadante: Toda a produção de material didático vai ser nova, focada no campo. Vamos oferecer também um programa de formação de professores voltado para isso; construir novas escolas, inclusive escolas com alojamentos. Nos últimos sete anos, tivemos mais de 30 mil escolas fechadas no campo. Estamos fixando também que, para fechar uma escola, a prefeitura ou Estado seja obrigado a consultar os conselhos estaduais e municipais de educação. Vamos estabelecer alguns critérios para o fechamento de escolas acontecer. Às vezes, é necessário, mas tem havido uma política de reduzir despesas, transferindo o ônus para o aluno. É muito mais fácil e barato para uma prefeitura, em vez de ter uma escola no interior, comprar um ônibus e fazer o aluno andar 100 km pra ir e mais 100 pra voltar.
No ensino médio, o que nós identificamos é uma evasão escolar muito alta. Uma parte é por causa da defasagem idade-série que vai se acumulando e se manifesta no ensino médio com o abandono da escola. A outra é que, para grande parte dos alunos, é preciso associar trabalho e educação, o que vamos fazer com o Pronatec. Além disso, a escola precisa ficar mais interessante. Um dos instrumentos mais importantes e rápidos nesse sentido é a distribuição do tablet com projetor digital, para que o professor melhore e crie um ensino interativo na sala de aula. Estamos distribuindo lousa digital, vamos dar toda a produção do Khan Academy, traduzida em parceria com a Fundação Lemann, e o Portal do Professor já tem 15 mil aulas prontas. Esse material vai dar um salto de qualidade na sala de aula.

Eu reconheço que é um reajuste forte e que há dificuldades. Agora, estamos falando em pouco mais de dois salários mínimos. Se nós quisermos ter professores de qualidade no Brasil, é preciso oferecer salários atraentes. Se não, tudo o mais que estamos falando não vai acontecer a médio prazo”
iG: O senhor acredita que distribuir esse material muda a divisão cultural entre professores e alunos no que diz respeito à tecnologia?
Mercadante: O arranjo social da escola é do século 18. Os professores são do século 20 e os alunos, do século 21. Eles são nativos digitais. Temos que chegar no aluno. Começando pelo professor, a gente chega mais seguro. É inimaginável um professor do século 21 não poder entrar no Google. Isso vai mudar. Nós já vamos até aumentar a distribuição. Além de dar o tablet aos professores do ensino médio, vamos estender o programa para todos os alunos que participam do Programa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid). Os universitários que estão se formando e fazendo estágio na escola pública vão ter o equipamento, para que eles cheguem na escola preparados para trabalhar novas tecnologias para a educação. Fizemos um seminário com 27 grupos de pesquisa do País na semana passada e a avaliação da inclusão digital na escola é excelente. Estamos montando um relatório completo agora. Todos têm a avaliação de que o processo gera motivação, criatividade, interatividade. É uma mudança de paradigma, que o Brasil tem de enfrentar.
iG: O senhor falou da importância de valorizar o professor, dar estímulos, oferecer tecnologia e formação para que eles trabalhem melhor. Mas não é preciso dar melhores salários e carreira para que essa valorização ocorra?
Mercadante: Não há nenhuma tecnologia que possa substituir a relação professor-aluno, agora essa relação pode melhorar com boas tecnologias educacionais. A primeira forma de valorizarmos o professor hoje é cumprir o piso. Eu reconheço que é um reajuste forte e que há dificuldades reais. Agora, nós estamos falando em pouco mais de dois salários mínimos. Se nós quisermos ter professores de qualidade no Brasil, é preciso oferecer salários atraentes. Se não, tudo o mais que estamos falando não vai acontecer a médio prazo. Além disso, há a discussão da jornada, que deve ser um objeto de ampla negociação com os professores e entidades sindicais. A hora-atividade não pode ser tratada como uma questão trabalhista, desassociada de uma dimensão pedagógica.

O arranjo social da escola é do século 18. Os professores são do século 20 e os alunos, do século 21
iG: O MEC pode ajudar mais as prefeituras e os Estados a cumprir o pagamento do piso?
Mercadante: Nós repassamos, no mínimo, 60% do Fundeb para pagamento de salário. Tivemos um aumento significativo de repasse do MEC para Estados e municípios. O crescimento do orçamento do MEC foi exponencial nesses anos. Tudo isso é repassado na ponta. Temos de ter um pacto federativo em torno desse caminho. Temos outras responsabilidades a cumprir no apoio às prefeituras, como, por exemplo, as creches, a alfabetização na idade certa, o Pronacampo. Os investimentos tem de ser mantidos.
Rio Grande do Sul: Justiça manda governo gaúcho pagar piso a professores
iG: O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, deu uma declaração polêmica sobre a opinião do senhor sobre o piso…
Mercadante: A regulamentação do piso salarial foi votada por unanimidade pelo Congresso Nacional em 2008. Depois, o Supremo Tribunal Federal julgou uma ação confirmando a legalidade da lei do piso. Os parâmetros que o MEC utilizou para calcular o reajuste nesses três anos estão na lei aprovada, amparados por um parecer técnico da Advocacia Geral da União. Eu reconheço que há dificuldades para cumprir o piso, em grande parte dos casos por causa da estrutura da carreira, mas a maioria dos Estados já encontrou caminhos para resolver. Acho que os recursos dos royalties do pré-sal podem ser uma boa saída para nos ajudar nesse sentido.
iG: O senhor acredita que com a proposta atual do relator do Plano Nacional de Educação no Congresso de investir 8% do PIB em educação essas contas fechariam?
Mercadante: Precisamos votar logo o PNE, agora, para mim, a discussão mais relevante, além da fixação desse patamar, é associarmos o pré-sal à educação. Pelo menos 30% dos royalties. A gente poderia começar com participação maior e diminuir ao longo do tempo, fixar durante um período da história do Brasil, depois podemos cuidar de outros temas.
iG: Existem propostas para federalizar a carreira do professor? O senhor acredita que essa seja uma boa opção para alavancar a valorização desse profissional?
Mercadante: O Brasil tem o território do tamanho que tem, porque construiu um pacto federativo continental. Há um comando constitucional de que a educação é feita em regime de cooperação, de complementação. O papel do MEC é de assessoria técnica e financiamento. Os professores dos municípios e dos Estados são concursados, têm direitos adquiridos, têm uma carreira em andamento, o que nós temos é que trabalhar em parceria. Ter um grande pacto e trabalharmos na mesma direção.
iG: O senhor havia falado em criar equipes de professores que visitassem as casas das crianças dentro do programa alfabetização na idade certa. Isso se mantém?
Mercadante: Nossa expectativa – mas essa definição será feita em cada município – é de que os bolsistas do Pibid, que chegarão a 45 mil este ano, possam fazer visitas domésticas, como se fosse um médico da família. Em vez de Saúde da Família, teríamos um Educação na Família. Visitar, conhecer o ambiente ajudariam esses universitários a saberem das dificuldades dos alunos quando entrarem na profissão. E poderia reforçar o acompanhamento pedagógico das crianças. Essa experiência foi muito exitosa onde já foi feita, como no Uruguai.
Mudanças na redação: Inep estuda ter 5 corretores em redações do Enem discrepantes
iG: O senhor já definiu mudanças para o Enem? Há uma meta de ampliação do banco de itens para este ano? E o que vai mudar na redação?
Mercadante: Na semana passada, 24 universidades estiveram trabalhando online, inclusive no final de semana, para reforçar o banco de itens e foi um sucesso espetacular. Reforçamos muito o banco. Vai dar muito mais segurança ao processo. Nossa meta é chegar ao padrão americano, com 100 mil itens. Eles demoraram 85 anos, nós temos de chegar antes, mas o número de itens é uma informação reservada do Inep para a segurança do sistema. Nós vamos mudar a correção da redação. Não temos ainda uma posição fechada. Criamos um comitê de governança do Enem, com participação das universidades e um comitê técnico-científico, com avaliadores convidados e a equipe do Enem. Eles estão discutindo algumas alternativas para dar mais segurança à correção e diminuir a dispersão das notas, além de fortalecer os corretores. A redação sempre tem alguma subjetividade, então estamos aguardando os estudos para poder bater o martelo. Ter
iG: O senhor assumiu o ministério com uma denúncia revelada pelo iG sobre irregularidades no Prouni e determinou mais transparência à divulgação de preços e descontos. O MEC vai fiscalizar o cumprimento da portaria?
Mercadante: Fizemos uma reunião com todas as associações e entidades do setor privado e eles se comprometeram em autorregular o padrão de fixação das normas exigidas pela portaria. Vamos fiscalizar e exigir. É muito importante dar transparência ao pagamento de matrículas, com esses dados disponibilizados para darmos mais segurança aos estudantes. Eles têm direito à informação. Antes de pensar em penalidades, o que nos interessa é assegurar que isso seja implementado.
(Fonte:IG)

Atraso em publicação de aposentadoria prejudica categoria

Desde o início do ano até esta terça-feira, 6, não foi publicada no DODF nenhuma aposentadoria de professoras (es) que fazem jus ao direito, por já terem solicitado e terem tempo de serviço necessário para tanto.  Esse atraso é recorrente e lamentamos que os profissionais tenham que ficar na ativa mesmo depois de reconhecido o direito. É preciso e urgente que o GDF estabeleça um prazo mínimo para a publicação da concessão da aposentadoria, para que os (as) professores (as) não fiquem prejudicados (as).

Aposentados reivindicam o cumprimento dos compromissos assumidos pelo GDF

Várias professoras e professores aposentados compareceram à reunião chamada pela diretoria, no auditório da Imprensa Nacional, na tarde desta quarta-feira (29), e reforçaram o empenho de mobilizar a categoria e reivindicar que o governo do DF cumpra os compromissos assumidos oficialmente. O GDF mostra total descaso em honrar a palavra empenhada e não apresentou nenhuma proposta no que se refere ao Plano de Saúde e à reestruturação do Plano de Carreira. Um dos pontos mais abordados e discutidos entre os presentes foi a forma como os(as) aposentados(as) poderiam colaborar com a mobilização da categoria.
A diretora do Sinpro Isabel Portuguez explicou que o Sindicato disponibilizou material informativo para as escolas e para a comunidade, realizou reuniões com a CUT, com parlamentares e segmentos sindicais, mas é com o trabalho de convencimento de todos que a categoria mostrará força na luta por nossos direitos. “Como o governador assume um compromisso com a categoria e depois não cumpre? Não podemos cruzar os braços e será com o trabalho de convencimento dos que ainda estão na ativa, da comunidade escolar e da população em geral que garantiremos que o GDF respeite o acordo firmado no ano passado”, ressalta Isabel.
Somente a nossa organização garantirá a vitória e as aposentadas e os aposentados têm muito a contribuir com a categoria, pela experiência acumulada na construção da luta ao longo de vários anos de dedicação. No dia 8 de março, data da nossa Assembleia Geral na Praça do Buriti, às 9h30, o Sinpro disponibilizará ônibus nos locais e horários listados abaixo:
 
Brazlândia – Praça do Laço – 8h00
Gama – Subsede do Sinpro – 8h00
Planaltina – Subsede do Sinpro – 8h00
Taguatinga- Nenen’s Chopp – 8h00
Guará II – Centrão – 8h15
Guará I – Igreja São Paulo Apóstolo – 8h30
Formosa – Igreja matriz – 8h00

Forma de pagamento dos contratos temporários

Conforme informação da Secretaria de Educação, foi alterada a forma de pagamento dos contratos temporários, com remuneração com base no piso salarial da categoria. Como ainda não foi publicada nenhuma orientação a respeito, não temos mais detalhes sobre a questão. Assim que tivermos mais informações, informaremos pelo site.

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